São Francisco, E.U.A.

De Volta ao Rochedo


The Rock

Panorâmica da ilha de Alcatraz a partir de São Francisco.

Ala

Ala do edifício prisional de Alcatraz.

Avisos à Navegação

Placa alerta para a restrição de acesso a Alcatraz.

Arrumação Exemplar II

Roupa dos presidiários dobrada num armário de serviço.

Alerta

Posto de vigia elevado sobre a Baía de São Francisco.

Clint

Poster do filme "Fuga de Alcatraz" protagonizado por Clint Eastwood.

Tempo de recreio

Duas jovens visitantes percorrem um pátio exterior da prisão de Alcatraz.

Escada-caracol

Escadaria caracol que liga dois dos andares do presídio.

A Caminho da Prisão

Passageiros no convés de uma das embarcações que levam visitantes a Alcatraz.

Alcatraz à Vista

Visitantes acompanham a aproximação a Alcatraz na proa do ferry.

Alcatraz Indígena

Poster que comemora a ocupação índia de Alcatraz, de 1969 a 1971.

40 anos passados sobre o fim da sua pena, o ex-presídio de Alcatraz recebe mais visitas que nunca.Alguns minutos da sua reclusão explicam porque o imaginário do The Rock arrepiava os piores criminosos

Poucas prisões no mundo terão tantos pretendentes. Instantes depois de assegurarmos os nossos, os bilhetes permaneciam esgotados, no mínimo, até ao fim do mês seguinte e, quem os conseguia em época alta, era condenado a várias horas sob um sol escaldante na longa fila do Pier 33.

Nos dias que correm, são quase 1.5 milhões, por ano, os passageiros do ferry que parte do Fisherman Wharf de São Francisco em direcção à ilha. Os mesmos que a perscrutam de lés a lés no espaço e no tempo, apoiados por uma banda sonora fidedigna que recria ambientes passados e, cela após cela, narra os episódios dramáticos e curiosos que ali aconteceram.

Nem sempre o Rochedo foi um lugar fascinante. O primeiro europeu a descobri-lo, o espanhol Juan Manuel de Ayala explorava a baía envolvente quando deu com uma ilha inabitada repleta de pelicanos. Pouco entusiasmado, o navegador limitou-se a cartografá-la e, recorrendo ao seu castelhano arcaico, baptizou-a como “La Isla de Los Alcatraces”, do termo árabe al-qatras que definia águia-do-mar.

De 1775 em diante, com excepção para a construção de um farol e algumas trocas de proprietários, nada mudou na ilha. Em redor, pelo contrário, a Califórnia fluiu da coroa espanhola para o recém-declarado território independente mexicano e, logo em seguida, foi comprada pelos Estados Unidos ao México, ao abrigo do Tratado de Guadalupe-Hidalgo que, em 1848, pôs cobro ao conflito entre os dois países.

Coincidência ou talvez não, no ano seguinte desencadeou-se a corrida ao ouro californiano e o exército dos Estados Unidos decidiu fortificar e armar a ilha para defender a baía de São Francisco e as povoações que se delineavam de eventuais incursões.

Mas o inimigo conspirava no seio da nova nação e revelou-se poderoso quando o Sul se opôs ao Norte dando origem, em 1861, à Guerra Civil Americana. Os cento e cinco canhões instalados nunca chegaram a disparar mas foi durante este conflito que Alcatraz funcionou pela primeira vez como prisão quando reteve adeptos e soldados confederados.

A guerra terminou cinco anos depois. As fortificações e a artilharia instalada eram já obsoletas e, apesar dos esforços de modernização, o exército deliberou que a ilha deveria ser usada para detenção em vez de defesa costeira. Em 1907, devido aos estragos provocados noutros presídios pelo terramoto de São Francisco, Alcatraz acolheu os primeiros condenados civis.

O ferry avança contra a maré e, ao longo dos 2.4 km da viagem, deixa perceber o poder das correntes em que as autoridades confiavam como inibidoras de fugas, reforçadas pela temperatura da água e pelos tubarões.

À imagem dos primeiros tempos da história de Alcatraz, o céu é percorrido por bandos de pelicanos alinhados na perfeição. E, formado sobre as águas sub-árcticas do oceano Pacífico, o nevoeiro invade aos poucos a baía de São Francisco, encobrindo primeiro a ilha e, logo, os edifícios mais baixos da metrópole. Após o desembarque, deparamo-nos com uma torre de vigia e, sobre o coração elevado do Rochedo, com a sua enorme prisão de betão que começamos por contornar e em que, só mais tarde, entramos. 

Até 1963, quando foi desactivada, Alcatraz alojou prisioneiros e objectores de consciência de várias guerras e criminosos de todos os tipos incluindo Al Capone e outros sujeitos com má alma e nomes condenáveis. Foram os casos de Robert Franklin Stroud – The Birdman – a quem os seus pássaros fizeram falta – de Alvin “Creepy Karpis” Karpowicz, que se envolvia em constantes lutas e bateu o recorde de permanência na ilha (mais de 26 anos) e George “Machine Gun” Kelly que irritava os companheiros por se gabar de crimes que não tinha cometido mas era considerado um prisioneiro modelo.

As autoridades contestam que, durante os 29 anos de operação da penitenciária, ninguém tinha conseguido escapar. Segundo os seus números, foram encetadas 14 tentativas envolvendo 36 homens. Dois deles repetiram o esforço. Vinte e três foram apanhados, seis abatidos e três perdidos no mar e nunca mais encontrados.

Um ano antes do encerramento do presídio, estes três últimos, Frank Morris, John Anglin e o irmão Clarence Anglin protagonizaram uma fuga elaborada com recurso a uma jangada insuflável feita de casacos impermeáveis. Artigos seus, incluindo parte da jangada, foram, mais tarde, detectados na vizinha Angel Island. O relatório oficial declarou que se tinham afogado mas várias teorias, incluindo a do popular programa de TV Mythbusters, defendem que a evasão pode ter sido consumada.

Percorremos os corredores sombrios e uma sequência interminável de celas diminutas e espartanas. Espreitamos também o refeitório, e a sala do vestuário onde foram mantidas peças de roupa e utensílios respeitando a arrumação original. Percebemos, em todas, a complexidade do funcionamento do presídio. E, de acordo, também as razões da sua desactivação.

Feita as contas, por volta de 1962, as pragmáticas autoridades norte-americanas chegaram a uma conclusão elementar. Em Alcatraz, cada prisioneiro custava ao estado dez dólares por dia. Esse valor, superava em muito o de outras prisões, como a de Atlanta, onde se ficava pelos três dólares.

Mas aos prejuízos financeiros juntavam-se os ambientais, cada vez mais contestados. Os esgotos libertavam diariamente na Baía de São Francisco a poluição produzida por 250 prisioneiros e pelas famílias de 60 funcionários residentes.

Nenhum destes problemas se previa em Marion, estado de Illinois, onde, em 1963, foi inaugurada a prisão continental e convencional que substituiu Alcatraz.

Indians Welcome”. Apesar de gasta, a mensagem pintada a vermelho sobre o cimento intriga os visitantes menos conhecedores e introduz o capítulo seguinte na existência de Alcatraz. A partir do fim de 1969, um grupo de índios norte-americanos de diversas tribos ocupou a ilha reclamando que, antes da invasão dos colonos, era há muito usada como retiro espiritual pela etnia Ohlone. O grupo propôs construir ali um centro educacional, ecológico e cultural nativo e furou um bloqueio da Guarda Costeira para impor a sua vontade. Nos 19 meses seguintes, cerca de 5600 índios norte-americanos reforçaram a ilha ocupada que se provou, de novo, um importante símbolo.

A opinião pública pressionou Richard Nixon a restaurar parte significativa do território nativo dos EUA, bem como a sua auto-governação. Mas os indígenas não se contentaram com a conquista. Desde 1975, realizam em Alcatraz, todas as madrugadas do Dia de Acção de Graças, um contra Dia de Acção de Graças para demonstrar a sua determinação em inverter o curso da história colonial dos EUA. O governo acabou por recuperar o controlo da ilha que  transformou num parque nacional.

Hollywood já vinha a explorar a atmosfera de mistério e drama que a envolvia muito antes de toda esta comoção. Vários êxitos de bilheteira aumentaram a sua popularidade, casos de “Os Fugitivos de Alcatraz” protagonizado por Clint Eastwood e do hiper-produzido “O Rochedo”, com Nicolas Cage e Sean Connery. Assim se explica a atracção actual de milhões de inocentes por esta estranha ex-prisão.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.

The Haight, São Francisco, E.U.A.

Órfãos do Verão do Amor

O inconformismo e a criatividade ainda estão presentes no antigo bairro Flower Power. Mas, quase 50 anos depois, a geração hippie deu lugar a uma juventude sem-abrigo, descontrolada e até agressiva.

Port Arthur, Austrália

Uma Ilha Condenada ao Crime

O complexo prisional de Port Arthur sempre atemorizou os desterrados britânicos. 90 anos após o seu fecho, um crime hediondo ali cometido forçou a Tasmânia a regressar aos seus tempos mais lúgubres.

Sem corrimão
Arquitectura & Design

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e a experiência que não se deve arriscar subir à pressa.
Nana Kwame V
Cerimónias e Festividades
Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.
Manobras a cores
Cidades

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Cultura
Espectáculos

A Terra em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Fuga de Seljalandsfoss
Em Viagem

Islândia

Ilha de Fogo, Gelo e Quedas d’água

A catarata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.

Pesca no Paraíso
Étnico

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
História
São Nicolau, Cabo Verde

Sodade, Sodade

A voz de Cesária Verde cristalizou o sentimento dos caboverdeanos que se viram forçados a deixar a sua ilha. Quem visita São Nicolau percebe porque lhe chamam, para sempre e com orgulho, "nha terra".
Brigada incrédula
Ilhas

La Digue, Seichelles

Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.

Doca gelada
Inverno Branco

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Repouso anfíbio
Natureza

Mar Morto, Israel

À Tona d’água, nas profundezas da Terra

É o lugar mais baixo à superfície do planeta e palco de várias narrativas bíblicas. Mas o Mar Morto também é especial pela concentração de sal que inviabiliza a vida mas sustém quem nele se banha. 

Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Vai-e-vem fluvial
Parques Naturais

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Cansaço em tons de verde
Património Mundial Unesco

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Curiosidade ursa
Personagens

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Promessa?
Praia
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Cidade dourada
Religião

Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.

Assento do sono
Sobre carris

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Modelos de rua
Sociedade

Tóquio, Japão

À Moda de Tóquio

No ultra-populoso e hiper-codificado Japão, há sempre espaço para mais sofisticação e criatividade. Sejam nacionais ou importados, é na capital que começam por desfilar os novos visuais nipónicos.

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.