Grand Canyon, E.U.A.

Viagem pela América do Norte Abismal


Sombras Quentes
Silhuetas difusas do Grand Canyon criadas pelo pôr-do-sol a ocidente.
Canyon do pote de ouro
Nuvens carregadas sobre o Grand Canyon geram um arco-íris resplandecente.
Uma vista descomunal
Silhueta de um visitante que admira a vastidão profunda do Grand Canyon.
Uma homenagem aos Hopi
Visitantes do Grand Canyon em diferentes andares da torre de vigia Desert View, erguida em 1932 para promover a cultura indígena mas que despertou bastante controvérsia.
À moda antiga
Muleiro conduz uma visitante numa incursão guiada sobre mulas ao fundo do Grand Canyon.
Vista binocular
Adolescente asiática observa as profundezas do Grand Canyon com binóculos.
“All aboard”
Maquinista prepara-se para subir a bordo da locomotiva de uma das composições do Grand Canyon Railway
Grand Canyon em fogo
Crepúsculo "incendeia" o céu por cima do Grand Canyon.
Um afecto improvável
Mula e muleiro num momento de diversão antes de nova descida às profundezas do Grand Canyon.
De olho nos humanos
Corvo oportunista observa a movimentação de visitantes que admiram o Grand Canyon.
Sombras Quentes II
Silhuetas de visitantes que contemplam o pôr-do-sol a partir de uma beira elevada do Desert View Point.
O grande Colorado
O rio colorado flui no fundo do Grand Canyon, com enorme volume de água e a grande velocidade.
Grand Drinks
Visitante escolhe uma bebida de máquinas de venda do Desert View Point iluminadas com imagens do Grand Canyon.
O rio Colorado e tributários começaram a fluir no planalto homónimo há 17 milhões de anos e expuseram metade do passado geológico da Terra. Também esculpiram uma das suas mais deslumbrantes entranhas.

Desarmam-nos os preços exorbitantes dos quartos nas imediações do Parque Nacional Grand Canyon.

Acabamos por eleger, para base de sucessivos vaivéns rodoviários, um dos retalhos históricos da velha Route 66, perdidos no vasto Arizona.

Situada a quase 100 km, Williams provou-se uma pequena povoação em estilo Main Street América, bissectada pela estrada emblemática e em que, apenas na aparência, pouco mudara no tempo. E, no entanto, em plena franja do território índio Hualapai, quase só indianos geriam as dezenas de motéis geminados de ambos os lados da via.

O crepúsculo tomava conta do vilarejo e fazia resplandecerem dezenas de placards de néon quando, estasiados de uma viagem que já vinha do longínquo litoral californiano do oceano Pacífico, demos entrada num desses abrigos práticos mas sem vestígio de alma.

Dormimos bem mais que o que precisávamos. Despertamos para um novo dia de céu azul e sol radioso.

Mesmo conscientes de que, por essa hora, parte substancial dos hóspedes de Williams embarcavam no comboio a vapor do Grand Canyon Railway com destino ao Grand Canyon, mantemo-nos fiéis ao nosso velhinho mas fiável Buick Le Sabre.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Grand Canyon Railway

Maquinista prepara-se para subir a bordo da locomotiva de uma das composições do Grand Canyon Railway

Fazemo-nos ao norte pelas rectas sem fim das Highways 64 e 180, nesta última, ao longo de uma tal de floresta Kaibab pejada de pinheiros Ponderosa que prenunciavam o término forçado do percurso.

Uma hora depois, cruzamos o portal sul. Damos entrada na Grand Canyon Village.

A Visão Abismal do Grand Canyon

Ansiosos por recompensar os sentidos, seguimos de imediato em direcção ao abismo. Quando o confrontámos, percebemos, por fim, porque tantos viajantes o consideram o cenário supremo dos Estados Unidos.

Para diante, estendia-se um domínio caprichosamente esculpido até às profundezas, retalhado em camadas e colunas multicolores de rocha das mais diversas eras.

Acima, nuvens tresmalhadas, seduzidas pela sumptuosidade e complexidade geológica, disputavam jogos de sombras.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, trio

Trio admira a vastidão talhada do Grand Canyon a partir de uma enorme laje.

Por instantes, ficámos de queixo caído. Aproveitámos o deslumbramento para recuperar a respiração cortada a meias pelo panorama e pela rarefacção própria daqueles 2200 metros de altitude a que estávamos mas que a fundura (quase 1900 metros) e dimensão incrível do precipício (446 km por 29 km) mal deixava perceber.

Admiramo-lo a partir do Yavapai Point, um miradouro que honra um dos vários povos indígenas da zona, rivais da grande nação Navajo do norte logo do Mather Point.

E enquanto saltitávamos na Desert View Drive pela beira elevada da Orla sul, de outros pontos de observação com varandas naturais instaladas sobre reentrâncias vertiginosas.

De oeste para leste, percebemos a visão do leito distante e esquivo do rio Colorado ser favorecida pela configuração do relevo.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, grande Colorado

O rio colorado flui no fundo do Grand Canyon, com enorme volume de água e a grande velocidade.

Por altura do Lipan Point, o grande responsável fluvial daquela mutilação da superfície terrestre, submete-se a meandros apertados.

Para logo fluir, quase desafogado, pelas terras bem mais regulares a oriente do Tanner Canyon.

Uma Obra Geológica e Erosiva do Velho Rio Colorado

Prevalece um intenso debate entre os cientistas mas os últimos estudos têm defendido que o rio Colorado estabeleceu o seu curso e começou a talhar a sua bacia exuberante no Planalto do Colorado há 17 milhões de anos.

A enorme profundidade – nem assim a maior do Mundo que se situa na garganta nepalesa de Kai Gandaki – e a altitude superlativa das suas vertentes, a maioria formadas abaixo do nível do mar, deve-se a um levantamento massivo (de entre 1500 a 3000 metros) do Planalto do Colorado há mais de 60 milhões de anos.

Este levantamento tornou maior a gradiente do caudal do rio Colorado e dos seus afluentes o que incrementou dramaticamente a velocidade a que fluem e a sua capacidade de desgaste da rocha.

As condições climáticas durante as eras glaciais também aumentaram a quantidade de água drenada na bacia, o que voltou a reforçar o processo de erosão.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Vista binocular

Adolescente asiática observa as profundezas do Grand Canyon com binóculos.

Desert View Watch Tower: uma Velha Sentinela de Inspiração Kiva

Chegamos ao limiar leste do Grand Canyon, damos com o edifício mais alto da Orla Sul. À primeira vista, a torre cilíndrica parece-nos uma velha ruína nativo-americana.

No seu interior dividido em quatro andares, constatamos que se tratava de uma de várias construções do início dos anos 30 para uma empresa de nome Fred Harvey que ainda hoje promove a cultura e a arte nativo-americana.

Foi erguida com inspiração numa kiva, uma estrutura usada nas práticas espirituais de vários povos Pueblos e com base numa sólida estrutura metálica que suportou o actual revestimento com visual indígena fidedigno, porque conseguido com pedras criteriosamente seleccionadas.

Para a inauguração, o mentor da empresa escolheu um ritual de bênção tradicional da etnia Hopi, com cantos, danças e discursos. Em seguida, os convidados desfrutaram de uma refeição típica acabada de cozinhar por mulheres indígenas.

Nem assim, a torre de vigia se provou consensual.

Parte do pessoal do parque apoiou-a mas os encarregues pela interpretação da natureza embirraram com a novidade. “Destaca-se da paisagem como um polegar ferido e chamar-lhe torre de vigia índia é, no mínimo, enganador.” Desabafa Edwin McKee, o líder dos naturalistas.

O monumento resistiu à polémica e às frequentes intempéries.

Aproveitamos para subir a sua rampa em cornucópia até ao último andar de onde sabíamos que a vista nos recompensaria.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Desert View Tower

Visitantes do Grand Canyon em diferentes andares da torre de vigia Desert View, erguida em 1932 para promover a cultura indígena mas que despertou bastante controvérsia.

Os Meandros do Rio Colorado, o Deserto Pintado e o Arizona em Fogo

Vimos ainda mais do Colorado, tanto do rio – que adiante gerava um Little Colorado – como do planalto homónimo que, para lá do seu leito, se travestia da paisagem que os nova-iorquinos 10,000 Maniacs exaltam em “The Painted Desert”, um dos seus mais famosos temas.

The Painted Desert can wait ‘till Summer. We’ve played this game of just imagine long enough...” canta Natalie Merchant, desiludida com uma relação amorosa com alguém a quem deseja ardentemente juntar-se e que lhe conta as suas peripécias no Grande Canyon e redondezas mas que adia vezes sem conta a união.

O entardecer não falhou. Trouxe um frio fulminante que nos apanhou numa caminhada mais longa que o esperado por um trilho íngreme. De regresso ao cimo, aconchegámo-nos os dois no interior do carro, a bebermos chocolate quente para evitarmos enregelar

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, vending

Visitante escolhe uma bebida de máquinas de venda do Desert View Point iluminadas com imagens do Grand Canyon.

Em simultâneo, o sol punha-se a ocidente do desfiladeiro gigantesco do rio.

Desfazia-se de tal maneira sobre as incontáveis silhuetas das suas falésias e no céu acima que mais parecia ter incendiado o Arizona.

Recuperados da iminente hipotermia, cedemos à sedução do cenário incandescente e voltámos à beira do canyon.

Dali, na companhia de alguns outros Neros obscurecidos pela penumbra, extasiámo-nos a observar como o fogo celeste se extinguia.

Como deixava o firmamento de um laranja-amarelado cada vez mais ténue.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Grand Canyon em fogo

Crepúsculo “incendeia” o céu por cima do Grand Canyon.

Recolhemos ao longínquo motel de Williams.

“E então, gostaram do Canyon?” pergunta-nos o recepcionista indiano que nos recebera no dia anterior, um quarentão hindu de Gujarat. “Eu estou cá há dois anos.

Só o espreitei uma única vez.

Sabem como é, quem vem da Índia pobre e acha uma oportunidade nos States, dá prioridade é ao trabalho.

Ainda hei-de lá voltar e explorar mais do Oeste!”

Grand Canyon, a Depressão Intransponível do Arizona

Nova alvorada, nova viagem ao abismo, cumprida ainda mais depressa que no dia anterior. Por estes lados, tendo em conta a qualidade das estradas norte-americanas só mesmo o Grand Canyon levanta barreiras intransponíveis à deslocação.

A sua Orla Norte fica a menos de 20 km da Orla Sul. Como era de esperar, nem as autoridades federais nem as estaduais alguma vez se atreveram a propor a construção de uma ponte sobre a jóia da coroa dos parques nacionais dos E.U.A.

Se lá quiséssemos chegar, teríamos que enfrentar 350 km rodoviários.

A saga da óbvia intransponibilidade do Grand Canyon vem, aliás, de há muito. Os índios Hopi já o habitavam e percorriam há séculos quando chegaram os primeiros europeus.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, falésias

Sucessivas falésias multicolores esculpidas pelo fluir pré-histórico do rio Colorado e dos seus afluentes.

Em 1540, o capitão espanhol Garcia Lopez de Cardenas e um pequeno grupo de soldados procuravam as então badaladas Sete Cidades de Cibola quando chegaram à sua borda, auxiliados por guias nativos.

Três dos homens desceram um terço do declive mas tiveram que regressar ao cimo por não terem água suficiente. “Alguns dos rochedos lá em baixo são maiores que a torre de Sevilha” reportaram.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, silhuetas

Silhuetas de visitantes que contemplam o pôr-do-sol a partir de uma beira elevada do Desert View Point.

Vários historiadores defendem que os indígenas evitaram revelar-lhes os trilhos para o rio Colorado e que nenhum europeu voltou a visitar o canyon nos duzentos anos que se seguiram.

Só quase no fim do século XVIII, padres hispânicos em busca de uma rota entre Santa Fé e a Califórnia encontraram um caminho conhecido como a “Passagem dos Padres”.

Hoje, esse trilho está debaixo da água do gigantesco lago artificial Powell que visitaríamos mais tarde.

As Mulas Vaivém que Carregam os Visitantes às Profundezas do Rio Colorado

Tentamos juntar-nos a uma das caravanas de mulas organizadas pelo parque e replicar as suas travessias históricas.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, mulas

Muleiro conduz uma visitante numa incursão guiada sobre mulas ao fundo do Grand Canyon.

Só teríamos vaga daí a uns bons dias. O muleiro de serviço mostra-se solidário com a nossa frustração. Para compensar, deixa-nos acariciar duas das suas mulas, com quem falava como se fossem filhas.

“Daqui a pouco estamos a descer de novo, Lulu.” Já não te estava a apetecer nada, não é? Mas vai ter que ser!”

Lulu reconhece o nome e o afecto.

Esfrega o focinho no seu dono pitoresco e inaugura uma exibição de carinho que não esperávamos de tais criaturas.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Mula e muleiro

Mula e muleiro num momento de diversão antes de nova descida às profundezas do Grand Canyon.

O vento aumenta a olhos vistos. Traz uma tempestade que cobriu a zona de nuvens plúmbeas.

Em três tempos, caem aguaceiros localizados.

Um enorme arco-íris projecta-se do fundo das falésias até ao céu carregado.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, arco-íris

Nuvens carregadas sobre o Grand Canyon geram um arco-íris resplandecente.

A tempestade passa. E o vento diminui o suficiente para alguns dos helicópteros que sobrevoam o canyon voltarem à actividade.

Embarcamos num deles.

Desbravamos o grande cenário a partir do ar, na companhia de um grupo de japonesas que, em pânico devido à turbulência, não conseguem disfarçar a sua agonia, muito menos apreciar o fundo grandioso em que temiam despenhar-se.

Aterramos sãos e a salvo. Continuamos até ao limite oeste de Hermits Rest. Lá repousamos a contemplar a vista surreal.

Grand Canyon, Arizona, Viagem América do Norte, Abismal, Sombras Quentes

Silhuetas difusas do Grand Canyon criadas pelo pôr-do-sol a ocidente.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Fish River Canyon, Namíbia

As Entranhas Namibianas de África

Quando nada o faz prever, uma vasta ravina fluvial esventra o extremo meridional da Namíbia. Com 160km de comprimento, 27km de largura e, a espaços, 550 metros de profundidade, o Fish River Canyon é o Grand Canyon de África. E um dos maiores desfiladeiros à face da Terra.
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos Estados Unidos. Hoje, na Nação Navajo, os navajo também vivem na pele dos velhos inimigos.
Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.
Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.
Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o pow wow "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.
Taos, E.U.A.

A América do Norte Ancestral de Taos

De viagem pelo Novo México, deslumbramo-nos com as duas versões de Taos, a da aldeola indígena de adobe do Taos Pueblo, uma das povoações dos E.U.A. habitadas há mais tempo e em contínuo. E a da Taos cidade que os conquistadores espanhóis legaram ao México, o México cedeu aos Estados Unidos e que uma comunidade criativa de descendentes de nativos e artistas migrados aprimoram e continuam a louvar.
Big Sur, E.U.A.

A Costa de Todos os Refúgios

Ao longo de 150km, o litoral californiano submete-se a uma vastidão de montanha, oceano e nevoeiro. Neste cenário épico, centenas de almas atormentadas seguem os passos de Jack Kerouac e Henri Miller.
Delta do Okavango, Nem todos os rios Chegam ao Mar, Mokoros
Safari
Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.
Caminhantes no trilho do Ice Lake, Circuito Annapurna, Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 7º - Braga - Ice Lake, Nepal

Circuito Annapurna – A Aclimatização Dolorosa do Ice Lake

Na subida para o povoado de Ghyaru, tivemos uma primeira e inesperada mostra do quão extasiante se pode provar o Circuito Annapurna. Nove quilómetros depois, em Braga, pela necessidade de aclimatizarmos ascendemos dos 3.470m de Braga aos 4.600m do lago de Kicho Tal. Só sentimos algum esperado cansaço e o avolumar do deslumbre pela Cordilheira Annapurna.
Sirocco, Arabia, Helsinquia
Arquitectura & Design
Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com boa parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela arte, pela estética e pelo modernismo inspirada na vizinha Escandinávia.
Aventura
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades
Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.
Ponta Delgada, São Miguel, Açores,
Cidades
Ponta Delgada, São Miguel, Açores

A Grande Urbe Açoriana

Durante os séculos XIX e XX, Ponta Delgada tornou-se a cidade mais populosa e a capital económico-administrativa dos Açores. Lá encontramos a história e o modernismo do arquipélago de mãos-dadas.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
costa, fiorde, Seydisfjordur, Islandia
Cultura
Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando armadores de Reiquejavique compraram a frota pesqueira de Seydisfjordur, a povoação teve que se adaptar. Hoje, captura discípulos da arte de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Camboja, Angkor, Ta Phrom
Em Viagem
Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso
Promessa?
Étnico
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

Sensações vs Impressões

Maori haka, Waitangi Treaty Grounds, Nova Zelândia
História
Bay of Islands, Nova Zelândia

O Âmago Civilizacional da Nova Zelândia

Waitangi é o lugar chave da Independência e da já longa coexistência dos nativos maori com os colonos britânicos. Na Bay of Islands em redor, celebra-se a beleza idílico-marinha dos antípodas neozelandeses mas também a complexa e fascinante nação kiwi.
Ovelhas e caminhantes em Mykines, ilhas Faroé
Ilhas
Mykines, Ilhas Faroé

No Faroeste das Faroé

Mykines estabelece o limiar ocidental do arquipélago Faroé. Chegou a albergar 179 pessoas mas a dureza do retiro levou a melhor. Hoje, só lá resistem nove almas. Quando a visitamos, encontramos a ilha entregue aos seus mil ovinos e às colónias irrequietas de papagaios-do-mar.
Igreja Sta Trindade, Kazbegi, Geórgia, Cáucaso
Inverno Branco
Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbek (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Literatura
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Playa Nogales, La Palma, Canárias
Natureza
La Palma, Canárias

A Isla Bonita das Canárias

Em 1986, Madonna Louise Ciccone lançou um êxito que popularizou a atracção exercida por uma isla imaginária. Ambergris Caye, no Belize, colheu proveitos. Do lado de cá do Atlântico, há muito que os palmeros assim veem a sua real e deslumbrante Canária.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Manatee Creek, Florida, Estados Unidos da América
Parques Naturais
Florida Keys, E.U.A.

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.
tarsio, bohol, filipinas, do outro mundo
Património Mundial UNESCO
Bohol, Filipinas

Umas Filipinas do Outro Mundo

O arquipélago filipino estende-se por 300.000 km² de oceano Pacífico. Parte do sub-arquipélago Visayas, Bohol abriga pequenos primatas com aspecto alienígena e as colinas extraterrenas de Chocolate Hills.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Personagens
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Natação, Austrália Ocidental, Estilo Aussie, Sol nascente nos olhos
Praias
Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos. A nadar.
Noiva entra para carro, casamento tradicional, templo Meiji, Tóquio, Japão
Religião
Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar bodas tradicionais.
Comboio Kuranda train, Cairns, Queensland, Australia
Sobre Carris
Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.
Ilha Sentosa, Singapura, Família em praia artificial de Sentosa
Sociedade
Sentosa, Singapura

A Evasão e a Diversão de Singapura

Foi uma fortaleza em que os japoneses assassinaram prisioneiros aliados e acolheu tropas que perseguiram sabotadores indonésios. Hoje, a ilha de Sentosa combate a monotonia que se apoderava do país.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Vida Quotidiana
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.
EN FR PT ES