Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana


Pela sombra
Visitante percorre um trilho do jardim das Wynwood Walls, de igual forma decorado por murais sugestivos.
Culpado ?
Casal de visitantes de Miami prestes a passar por um Andrew Warhol(a) criminoso da autoria da canadiana Elisabetta Fantone.
Mulher mistério
Pormenor da decoração interior do "Wynwood Restaurant and Bar" da autoria de Shepard Fairey
Bem-vindo a:
O pórtico das Wynwood Walls sonhadas por Tony Goldman.
The Mr.
Grafiti de um personagem da grande cidade da Florida numa parede de Wynwood.
Entre os dedos
Visitante das Wynwood Walls faz-se fotografar como parte da obra de um dos artistas convidados por Tony Goldman para dar vida às Wynwood Walls.
Um rosto de Vhils
Um vulto empresta algum contraste à obra que Vhils mantém nas Wynwood Walls.
Face arco-íris
Rapaz espera e parece silenciar outra das obras de artistas eleitos por Tony Goldman.
Nos nossos tempos…
Dois visitantes seniores descansam e conversam debaixo de uma decoração de velhas ventoínhas.
Um certo desagrado
Outra visitante que, pela fotografia, se integra na obra soturna e surreal de Logan Hicks.
Passeio Solitário
Transeunte percorre um enorme mural de uma rua normal de Wynwood, externa a Wynwood Walls, portanto.
Negrura vs Walls
Nem a noite leva as cores fortes das obras das Wynwood Walls.
A velha Wynwood
Taxi passa por um dos edifícios mais antigos do bairro agora hipervalorizado de Miami
Arte em spray
Davel, um artista-grafiter nativo de Wynwood que assistiu à boa parte da transformação do bairro.
Lar Expo
Recanto de um grande atelier de decoração integrante das Wynwood Walls
Pausa sagrada
Empregados do Wynwood Restaurant and Bar entre a sua grande esplanada e uma parede repleta de posters.
4 Estilo afro
Grupo de amigas conversa apoiadas no grande mural de Shepard Fairey.
Na viragem para o século XXI, o bairro Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.

Por fim, conseguimos estacionar num parque em altura que abandonamos à pressa estimulados pelo regresso ao afago estival. Em pleno Inverno do Hemisfério Norte, um sol suave mas generoso continuava a prendar a Florida e o bairro Wynwood que buscávamos.

As ruas de Edgewater em redor, esquadrinhadas à boa moda anglo-saxónica, exibem uma fascinante atmosfera recreativa-laboral, percorridas por executivos confortáveis em uniformes de calção-camisa a cruzarem-se com ciclistas, skaters e muitos clientes de ginásios próximos que identificamos pelas lycras, t-shirts respiráveis e ténis, tudo das melhores marcas e de última geração.

Da sua classe média para cima, há muito que não falta dinheiro a Miami. Os Bentleys, Mustangs, BMW Z3, Porsches Cayennes e afins que por ali circulam indiciam que essa prosperidade está para durar.

É daquele reduto à beira do Mar das Caraíbas e a norte da Baixa de Miami que apontamos a Wynwood, a Oeste. Com os anos, Wynwood subdividiu-se. Conta com um Art District que ocupa vários eixos e com um Fashion District concentrado ao longo da West 5th Avenue.

As Origens Humildes do Bairro Wynwood

De 1950 em diante, o bairro Wynwood foi conhecido como “El Barrio” ou “Little San Juan”. Era apenas um de tantos núcleos habitacionais gerado por imigrantes com a mesma origem geográfica e étnica que compunham Miami. Como “El Barrio”, coexistiam “Little Haiti”, “Little Havana”, “Little Jamaica”, “Little Brazil” e até “Little Moscow”, entre outros.

A nova cena porto-riquenha do “Little San Juan” antecedeu a hoje bem mais famosa “Little Havana” em quase dez anos. Após o término da 2ª Guerra Mundial, os antigos residentes anglo-saxónicos da classe média trabalhadora debandaram para bairros dos arredores onde podiam viver com melhores condições.

Os porto-riquenhos ocuparam o seu espaço mas não beneficiaram nem dos anteriores empregos em fábricas nem das vantagens colaterais. Ainda assim, aos poucos, lá proliferaram restaurantes, mercados, lojas e outros negócios dos próprios moradores.

The Mr., grafitti de Wynwood, em Miami

Grafiti de um personagem da grande cidade da Florida numa parede de Wynwood.

Com o tempo, o bairro Wynwood diversificou-se. Acolheu negros de distintas origens, cubanos, haitianos, colombianos, dominicanos. No fim dos anos 70, já não era “Little San Juan”. Nem harmonioso nem próspero. Tinha regredido para um Wynwood multiétnico de classe baixa. Metade dos seus quase 20.000 habitantes mantinham-se desempregados.

O tráfico de droga alastrou-se como uma epidemia. A insegurança e o crime minaram o bem-estar, como acontece ainda nas zonas mais desfavorecidas de Miami.

Dos anos 70 até 1987, pouco aconteceu em Wynwood digno de registo salvo que uma grande fábrica de pão que lá resistia ninguém sabia bem porquê vagou o seu edifício. Por essa altura, uma facção de um tal de South Florida Art Center deixava Coconut Grove devido ao aumento das rendas.

O Edifício de Arte Pioneiro

Alguns dos seus artistas formaram uma organização não lucrativa e compraram-no. Em 1987, inauguraram-no para os novos fins. Baptizado de Bakehouse, tinha quase 9.000 m2. Era o maior espaço de trabalho artístico da Flórida. Hoje, o Bakehouse Art Complex mantem-se operacional na mesma antiga fábrica que fermentou o incrível movimento criativo que se viria a formar.

De tanto andar, damos com o contraste absoluto dos anos 70 e 80 deprimidos do bairro Wynwood. Em pleno Miami Design District, o Palm Court foi erguido com a leveza e subtileza de acrílico azulado que combina com o verde de cinquenta palmeiras de distintas espécies.

A agência de comunicação do espaço comunica, orgulhosa, que entre elas “se incluem a Coccothrinax spinosa e a Heterospathe elata em redor de uma catedral geodésica icónica da autoria de um arquitecto e inventor de renome, Buckminster Fuller.”

Ofuscados por tanta pompa, uma coisa temos como certa: à parte das palmeiras de tronco fino e folhagem elegante, aquela praça interior agrupava obras de arte, instalações e, claro está, algumas das lojas mais dispendiosas do Planeta. Deixamo-la apenas e só com memórias visuais e fotográficas.

Wynwood Walls: o Fulcro Creativo do Distrito

Quando percorremos uma rua no exterior, dirigidos ao âmago de grafiti de Wynwood, temos a certeza praticamente absoluta que é o ex-futebolista italiano Gianluca Vialli quem está sentado a ler um catálogo no interior de um atelier de mobiliário. Prosseguimos com essa convicção.

Estúdio atrás de estúdio, antro hipster após antro hipster, chegamos ao pórtico das Wynwood Walls e ao ponto mais popular do bairro Wynwood. Passado o estímulo inicial da Bakehouse, foram os sprays de artistas de rua ansiosos por exibir o seu talento que mais cor emprestaram ao bairro.

Wynwood Walls em Wynwood, Miami, Estados Unidos da América

O pórtico das Wynwood Walls sonhadas por Tony Goldman.

Durante décadas, ilegal e até perseguida, a sua acção acabou sacralizada. As Wynwood Walls são o templo que milhares de seguidores da arte visitam, uns vindos das imediações, outros, como nós, do outro lado do oceano e do Mundo.

Miami parece reconhecer o papel determinante de um homem em particular na transformação do bairro Wynwood da noite para o dia. Tony Goldman era um investidor imobiliário multimilionário que já tinha estado por detrás da recuperação do SoHo e da South Beach de Miami.

Obra instalada nas Walls de Wynwood, Miami, Estados Unidos da América

Rapaz espera e parece silenciar outra das obras de artistas eleitos por Tony Goldman.

Tony Goldman: o Mentor e Investidor do Wynwood

Ora, no que dizia respeito a bairros, Goldman sempre teve o condão de ver ouro onde os outros só achavam lixo. Com Wynwood, a história repetiu-se. O investidor e dois dos seus filhos começaram a comprar partes do distrito de armazéns de Wynwood.

Em vez de arrasarem as velhas estruturas, deram-lhes nova vida com recuperações sábias das propriedades e, em simultâneo, em arte que as valorizasse. Em 2009, abriram uma galeria ao ar livre que permitiu aos grafiters e outros artistas exibir as suas pinturas em murais.

Fizeram coincidir a inauguração desta galeria, a Wynwood Walls, com a reputada Art Basel de Miami. Essa opção granjeou à nova galeria uma enorme projecção mediática.

Mural de Wynwood, Miami, Estados Unidos da América

Transeunte percorre um enorme mural de uma rua normal do bairro Wynwood, externa a Wynwood Walls,

A Determinação Urbanizadora de Tony Goldman

Entusiasmado, Tony Goldman projectou muito mais para o seu bairro então predilecto de Miami. A seu ver, todo Wynwood devia ser promovido a uma exibição de arte urbana de rua. A realidade excedeu as expectativas até no plano imobiliário. De cemitério de armazéns e fábricas abandonadas, Wynwood tem, hoje, dos metros quadrados mais valiosos da Flórida.

Tudo começou, todavia, ao ar livre, nas Walls. Com o sol quase a deixar de incidir no seu pórtico nominativo, apressámo-nos a lá entrar.

Um caminho de lajes conduz-nos por um relvado de brilho sintético, entre os sucessivos murais garridos, imaginativos, quase sempre surreais que compõem a galeria.

Antes de falecer em 2012, com 68 anos, o mentor das Walls agrupou nomes conceituados ou, pelo menos, promissores do panorama mundial da arte urbana: a japonesa Aiko, o chileno Inti, Avaf, P.H.A.S.E. 2, os brasileiros Gémeos, uma armada de nova-iorquinos, sobretudo de Brooklyn, e o português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, mas tantos outros.

Obras para Todos os Gostos, incluindo de Vhils

Entre as Walls, longe de intelectualóide, o ambiente é de diversão domingueira. Grupos de amigos, famílias e namorados começam por contemplar os grafitis e pinturas destes artistas de rua com alguma ponderação e debate intelectual. Essa abordagem dura o que dura. Num ápice, é substituída pelas incontáveis selfies ou fotos de grupo tiradas com as obras em fundo.

Bem menos policromática e excêntrica que as restantes, a obra de Vhils pode ser menos observada, mas parece merecer um interesse mais curioso de quem a confronta. Fiel à sua linha, em vez de apenas grafitar ou pintar – como acontece com boa parte dos autores das obras em redor – Vhils, pinta o seu mural.

Obra de Vhils em Wynwood, Miami, Estados Unidos da América

Um vulto empresta algum contraste à obra que Vhils mantem nas Wynwood Walls.

Depois, escava-o, branqueia-o com ácidos, perfura-o com pequenos martelos pneumáticos. Trabalha os pormenores com martelo, cinzéis e afins, de distintas dimensões. E tal como o próprio Vhils sintetiza no seu perfil da galeria: “valoriza pessoas comuns em ícones, muitas das suas imagens são baseadas em fotos de pessoas que tira de revistas, do trabalho de Sebastião Salgado, ou da sua própria câmera.”

Outras obras, patentes nos murais, portas e jardins das Wynwood Walls, suscitam-nos distintas sensações. O mural panorâmico de Logan Hicks transporta-nos para uma frieza urbana digna de um Blade Runner contemporâneo, ou de uma qualquer misteriosa pré-alvorada de Brooklyn. As pretensas mentes das “crianças trabalhadoras” do chileno Inti, parecem penetrar nas de quem nelas fixa o olhar.

Até os próprios bares e restaurantes que servem as Walls – com destaque para o Wynwood Restaurant and Bar – são decorados por obras de uma inacreditável criatividade. O logotipo e as paredes interiores deste pouso sempre à pinha são da autoria de Shepard Fairey, eternizado pelo seu poster azul-avermelhado “Hope” que exibe a face de Barak Obama.

As Ruas Esquadrinhadas e Grafitadas em Redor

Deixamos o interior muralhado das Wynwood Walls, por uma espécie de túnel pintado de verde, dotado de uma composição de velhas ventoinhas de parede e de um longo banco de madeira. Nele, por baixo das ventoinhas, repousam e tagarelam dois velhotes de bonés que tanta modernice parece ter deixado extenuados.

Saímos para a NW 26th Street e cedemos, de imediato, prioridade a um grupo de skaters mais hip que o próprio bairro. Atravessamos a rua. Do lado de lá, esbarramos com um mural da multifacetada (actriz, pintora, modelo, autora) canadiana Elisabetta Fantone.

Nele, Andy Warhol surge enquanto Andrew Warhola, um prisioneiro por crimes contra a arte. De uniforme laranja, Warhol vê-se obrigado a segurar uma placa da sua infracção que descreve isto mesmo. Divertimo-nos a fotografar aquela que era uma das mais atrevidas paredes do bairro.

Andrew Warhol(a) criminoso da autoria de Elisabetta Fantone, Wynwood, Miami, Estados Unidos da América

Casal de visitantes de Miami prestes a passar por um Andrew Warhol(a) criminoso da autoria da canadiana Elisabetta Fantone.

Davel e o Privilégio de Morar em Wynwood

E a adicionarmo-nos à composição das formas o mais cómicas possível. Então, um grafiter que coloria a parede contígua, aproveita o pretexto e mete conversa. Apesar do ar de miúdo de bicicleta BMX, Davel já tinha os seus trinta e tal anos. Ficamos à fala uns bons vinte minutos.

Foi mais que suficiente para percebermos o quanto tinha beneficiado do boom de Wynwood mas, ao mesmo tempo, para ele contribuído. “Vivo nesta zona desde pouco depois de que nasci. Antes, andar nestas mesmas ruas, à noite, era uma aventura.

Davel grafiter nativo de Miami, Wynwood, Estados Unidos da América

Davel, um artista-grafiter nativo de Wynwood que assistiu à boa parte da transformação do bairro.

Agora, é um dos bairros mais caros de Miami. É incrível o poder que arte pode ter, não é? E, por falar nisso, que tal a minha obra? Gostam?” Afastamo-nos para a podermos interpretar e gabamos-lhe a excentricidade garrida da sua completamente louca abstração.

Trocamos contactos. Prometemos ainda que espreitaríamos mais do seu talento online. O ocaso já obscurecia a arte de Wynwood e o dia em geral. Estava na hora de recorrermos ao acolhimento festivo dos bares no interior das Walls.

 

COMO IR:

RESERVE E VOE COM A TAP-Air Portugal    

A TAP opera voos diários de Lisboa para Miami, com partida às 10:50 e chegada a Miami às 15:15

Avião TAP

 

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Florida Keys, E.U.A.

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.
Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Florida. É parco para o número de almas que a desejam.
Little Havana, E.U.A.

A Pequena Havana dos Inconformados

Ao longo das décadas e até aos dias de hoje, milhares de cubanos cruzaram o estreito da Florida em busca da terra da liberdade e da oportunidade. Com os E.U.A. ali a meros 145 km, muitos não foram mais longe. A sua Little Havana de Miami é, hoje, o bairro mais emblemático da diáspora cubana.
Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando armadores de Reiquejavique compraram a frota pesqueira de Seydisfjordur, a povoação teve que se adaptar. Hoje, captura discípulos da arte de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.
Quioto, Japão

Sobrevivência: A Última Arte Gueixa

Já foram quase 100 mil mas os tempos mudaram e as gueixas estão em vias de extinção. Hoje, as poucas que restam vêem-se forçadas a ceder a modernidade menos subtil e elegante do Japão.
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Grand Canyon, E.U.A.

Viagem pela América do Norte Abismal

O rio Colorado e tributários começaram a fluir no planalto homónimo há 17 milhões de anos e expuseram metade do passado geológico da Terra. Também esculpiram uma das suas mais deslumbrantes entranhas.
Monte Denali, Alasca

O Tecto Sagrado da América do Norte

Os indígenas Athabascan chamaram-no Denali, ou o Grande e reverenciam a sua altivez. Esta montanha deslumbrante suscitou a cobiça dos montanhistas e uma longa sucessão de ascensões recordistas.
Juneau, Alasca

A Pequena Capital do Grande Alasca

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta pequena capital que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.
Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos Estados Unidos. Hoje, na Nação Navajo, os navajo também vivem na pele dos velhos inimigos.
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.
Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.
Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.
São Francisco, E.U.A.

Cable Cars de São Francisco: uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Mauna Kea, Havai

Mauna Kea: um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra
Pearl Harbor, Havai

O Dia em que o Japão foi Longe Demais

Em 7 de Dezembro de 1941, o Japão atacou a base militar de Pearl Harbor. Hoje, partes do Havai parecem colónias nipónicas mas os EUA nunca esquecerão a afronta.
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Parque Nacional Gorongosa, Moçambique, Vida Selvagem, leões
Safari
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 10º: Manang a Yak Kharka, Nepal

A Caminho das Terras (Mais) Altas dos Annapurnas

Após uma pausa de aclimatização na civilização quase urbana de Manang (3519 m), voltamos a progredir na ascensão para o zénite de Thorong La (5416 m). Nesse dia, atingimos o lugarejo de Yak Kharka, aos 4018 m, um bom ponto de partida para os acampamentos na base do grande desfiladeiro.
Casario tradicional, Bergen, Noruega
Arquitectura & Design
Bergen, Noruega

O Grande Porto Hanseático da Noruega

Já povoada no início do século XI, Bergen chegou a capital, monopolizou o comércio do norte norueguês e, até 1830, manteve-se uma das maiores cidades da Escandinávia. Hoje, Oslo lidera a nação. Bergen continua a destacar-se pela sua exuberância arquitectónica, urbanística e histórica.
lagoas e fumarolas, vulcoes, PN tongariro, nova zelandia
Aventura
Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões do PN Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori reclama aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades
Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.
Natal nas Caraíbas, presépio em Bridgetown
Cidades
Bridgetown, Barbados e Granada

Um Natal nas Caraíbas

De viagem, de cima a baixo, pelas Pequenas Antilhas, o período natalício apanha-nos em Barbados e em Granada. Com as famílias do outro lado do oceano, ajustamo-nos ao calor e aos festejos balneares das Caraíbas.
Cacau, Chocolate, Sao Tome Principe, roça Água Izé
Comida
São Tomé e Príncipe

Roças de Cacau, Corallo e a Fábrica de Chocolate

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.
Noiva entra para carro, casamento tradicional, templo Meiji, Tóquio, Japão
Cultura
Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar bodas tradicionais.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Desporto
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Sombra de sucesso
Étnico
Champotón, México

Rodeo Debaixo de Sombreros

Champoton, em Campeche, acolhe uma feira honra da Virgén de La Concepción. O rodeo mexicano sob sombreros local revela a elegância e perícia dos vaqueiros da região.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Teatro de Manaus
História
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
Savai'i, Samoa, ilha Polinésia. Pacífico do Sul, igreja de Safotu
Ilhas
Savai'i, Samoa

A Grande Samoa

Upolu acolhe a capital e boa parte das atenções turísticas. Do outro lado do estreito de Apolima, a também vulcânica Savai’i é a maior e mais elevada ilha do arquipélago de Samoa e a sexta da imensa Polinésia. Os samoanos louvam de tal maneira a sua genuinidade que a consideram a alma da nação.
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
Casal de visita a Mikhaylovskoe, povoação em que o escritor Alexander Pushkin tinha casa
Literatura
São Petersburgo e Mikhaylovskoe, Rússia

O Escritor que Sucumbiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.
Ponte Suspensa, Cabro Muco, vulcão Miravalles
Natureza
Miravalles, Costa Rica

O Vulcão que Miravalles

Com 2023 metros, o Miravalles destaca-se no norte da Costa Rica, bem acima de uma cordilheira de pares que inclui o La Giganta, o Tenório, Espiritu Santo, o Santa Maria, o Rincón de La Vieja e o Orosi. Inactivo no que diz respeito a erupções, alimenta um campo geotermal prolífico que amorna as vidas dos costarriquenhos à sua sombra.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Parques Naturais
Circuito Annapurna: 5º - Ngawal a BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Intersecção
Património Mundial UNESCO
Hungduan, Filipinas

Filipinas em Estilo Country

Os GI's partiram com o fim da 2ª Guerra Mundial mas a música do interior dos EUA que ouviam ainda anima a Cordillera de Luzon. É de tricycle e ao seu ritmo que visitamos os terraços de arroz de Hungduan.
ora de cima escadote, feiticeiro da nova zelandia, Christchurch, Nova Zelandia
Personagens
Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado da Nova Zelândia

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell, o feiticeiro da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. Com 88 anos de idade, após 23 anos de contrato com a cidade, fez afirmações demasiado polémicas e acabou despedido.
Lançamento de rede, ilha de Ouvéa-Ilhas Lealdade, Nova Caledónia
Praias
Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Na ilha de Ouvéa, arquipélago das Lealdade, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.
Intervenção policial, judeus utraortodoxos, jaffa, Telavive, Israel
Religião
Jaffa, Israel

Protestos Pouco Ortodoxos

Uma construção em Jaffa, Telavive, ameaçava profanar o que os judeus ultra-ortodoxos pensavam ser vestígios dos seus antepassados. E nem a revelação de se tratarem de jazigos pagãos os demoveu da contestação.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre Carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
Vista para ilha de Fa, Tonga, Última Monarquia da Polinésia
Sociedade
Tongatapu, Tonga

A Última Monarquia da Polinésia

Da Nova Zelândia à Ilha da Páscoa e ao Havai nenhuma outra monarquia resistiu à chegada dos descobridores europeus e da modernidade. Para Tonga, durante várias décadas, o desafio foi resistir à monarquia.
Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
PN Tortuguero, Costa Rica, barco público
Vida Selvagem
PN Tortuguero, Costa Rica

A Costa Rica e Alagada de Tortuguero

O Mar das Caraíbas e as bacias de diversos rios banham o nordeste da nação tica, uma das zonas mais chuvosas e rica em fauna e flora da América Central. Assim baptizado por as tartarugas verdes nidificarem nos seus areais negros, Tortuguero estende-se, daí para o interior, por 312 km2 de deslumbrante selva aquática.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.