Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer


Gang de 4
A quadra de defensores da lei de Tombstone formada pelos irmãos Earp e pelo amigo Doc Holliday, aqui figurada na reencenação do duelo do OK Corral levada a cabo na cidade.
A caminho de algures
Diligência percorre a E. Allen Street, a via principal de Tombstone.
Rendas Western
Empregadas do Big Nose Kate saloon, um dos estabelecimentos históricos da cidade.
Tombstone de ouro
Sol doura uma das linhas de casario de arquitectura Western de Tombstone.
Confronto eminente
Momento da reencenação do duelo do OK Corral num cenário de madeira que emula o lugar do confronto.
Tempo de refrescar a alma
Interior colorido e animado do Big Nose Kate saloon.
OK Corral ON/OFF
Um dos actores do duelo aciona a locução que explica o evento do duelo do OK Corral.
R.I.P.
Lápides e sepulturas rudes dos assassinos rivais dos irmãos Earp e de Doc Holliday, abatidos durante o duelo do OK Corral.
Tempo de Duelo
Pistoleiros precipitam-se pela rua principal de Tombstone prontos para o conflito.
Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Tucson a Tombstone: pelo Arizona abaixo

Não somos grandes fãs de parques temáticos. Receávamos encontrar pouco mais que um em Tombstone. Fosse como fosse, ao longo dos tempos, Tombstone sempre inspirou receio. Conscientes do seu passado Western épico e fascinante, damos-lhe o beneficio da dúvida e deixamos Tucson bem cedo para lá apontados.

A menos de meia-hora da fronteira com o México, depressa temos que nos deter num posto de controlo policial. Os oficiais estranham o contexto em que nos encontraram: um casal com passaportes portugueses – ela com feições mais mexicanas que portuguesas – a bordo de um velho e clássico Buick Le Sabre não alugado, com matrícula californiana e sinais de ter recentemente percorrido muitos quilómetros num modo semi-domiciliário.

Mesmo americanos, os próprios agentes têm óbvias genética e visuais mexicanos. Verificam a propriedade do carro e indagam-nos quanto à relação que mantínhamos com o dono. Após confirmarem que o Buick não estava na lista dos veículos roubados e de lhes explicarmos que o proprietário era um nosso tio, dizem-nos para seguirmos. Despedem-se com sorrisos calorosos.

Passamos por Sonoita, por Whetstone e Fairbank. Uma hora e meia de condução pela orla do Deserto de Sonora depois, damos entrada num surreal reduto acobóiado.

Os Modos de Faroeste de Tombstone

Diligências cruzam-se na rua principal da cidade, delimitada por duas linhas de edifícios térreos, de madeira, com extensão para um longo passadiço comunal formado por sucessivos alpendres. Uma panóplia de estabelecimentos comerciais ocupa os pisos térreos à sombra.

Diligência em Tombstone, Arizona

Diligência percorre a E. Allen Street, a via principal de Tombstone.

Lojas de artesanato e recordações, bares, cervejarias e restaurantes mas também saloons e o teatro são identificados por letreiros que reforçam a peculiaridade do lugar: “Políticos limpem a merda das botas antes de entrarem.” ou “Armas Proibidas. O cemitério já está cheio.

As diversas personagens do Oeste com que nos cruzamos são de tal maneira fidedignas que, mais que nos deixarem perplexos, nos convencem de que recuámos ao belicoso encerrar do século XIX destas paragens inóspitas e marginais.

Mesmo no fim de um suposto Inverno, o calor desértico aperta. Bebemos cervejas geladas à sombra de um dos alpendres, na companhia do que aparentava ser o coveiro barbudo da povoação. Sem que o esperássemos, grupos rivais de pistoleiros investem de extremos opostos da E. Ellen Street até ficarem frente a frente, perante uma loja identificada como “Outlaw Outfitter”.

Uma multidão de curiosos acumula-se de ambos os lados da via e acompanha o desenrolar do duelo. Nessa ocasião, como em todas as mais recentes, o tiroteio e as mortes seguiam um guião teatral mas, desde a sua conturbada gestação, durante décadas a fim, Tombstone foi palco de inúmeros destes confrontos, tão reais quanto mortais.

Duelo em Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Pistoleiros precipitam-se pela rua principal de Tombstone prontos para o conflito.

Como a Sorte de Ed Schieffelin deu Origem à Cidade

Tombstone foi fundada por Ed Schieffelin, em 1879, 15 anos depois do término da Guerra Civil Americana. Schieffelin era um batedor do exército dos E.U.A. estacionado em Camp Huachuca. Costumava percorrer a vastidão desértica em redor em busca de minérios valiosos. Por essa altura, três outros superintendentes tinham sido mortos por índios.

Quando um colega e amigo se inteirou dos lugares que Schieffelin começara a prospectar ter-lhe-á dito: “A única pedra que vais encontrar por esses lados vai ser a tua própria lápide” ou, outra versão: “É melhor levares o teu caixão contigo; só vais encontrar a tua lápide por aí, nada mais” (lápide, em inglês, Tombstone).

Schieffelin ignorou-o. Em 1877, achou amostras de prata numa tal de meseta Goose Flats. Demorou meses a apurar a sua origem. Quando conseguiu, estimou que o filão teria 15m de comprimento por 30cm de largo. Apressou-se a registar o talhão de terra de “Tombstone”.

Mesmo distante de outras cidades, propulsionado pelos 40 a 85 milhões de dólares de prata que dele fizeram o maior distrito mineiro do Arizona, o lugar tornou-se num dos últimos polos mineiros do Faroeste Americano.

Decorridos apenas dois anos, Tombstone contava com 110 saloons, uma sala de bólingue, 14 de jogo, várias de dança, uma casa de gelo e uma gelataria, uma escola, dois bancos, uma igreja e diversos bordéis. Estes estabelecimentos e edifícios foram erguidos sobre uma série de minas aprofundadas pela ganância dos mineiros recém-chegados.

Big Nose Kate Saloon em Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Interior colorido e animado do Big Nose Kate saloon.

Devido à construção precipitada e negligente e às inexistentes precauções estruturais contra o fogo, Tombstone foi devastada por dois grandes incêndios em anos seguidos. O primeiro, em 1881, começou quando um cigarro aceso fez arder um barril de whisky num dos saloons. Devastou sessenta e seis negócios, toda a secção leste da área comercial da cidade.

Saloons, teatros e afins: reviver o Passado em Tombstone

Poderão não ser os 100% originais mas devem estar à altura do estatuto conquistado pela cidade, em 1961, de National Historic Landmark District. Como tal, as autoridades e os habitantes de Tombstone (hoje, cerca de 1300) esforçam-se por preservar vários dos seus edifícios emblemáticos.

Foram os casos do Teatro Birdcage, do Salão e da mina Schiefflin, do restaurante Longhorn, do tribunal do distrito de Cochise, do City Hall, do saloon Big Nose Kate e, por eventos que nos cabe ainda abordar, o mais famoso que todos os restantes juntos O.K. Corral, isto apesar do segundo incêndio só ter deixado intacto o letreiro elevado.

O sol descia já do seu ápice mas a temperatura pairava bem acima dos 30º. De acordo, os visitantes mantinham-se no interior de estabelecimentos, determinados a evitar a torreira que se fazia sentir. Nós, refugiamo-nos no Big Nose Kate saloon.

Ali, atendem-nos duas jovens figurantes de damas do prazer, em vestidos negros curtos e acetinados, com peitos subidos e espartilhados a combinar com as pernas voluptuosas rendilhadas. E, logo ao lado, uma visitante de meia-idade enfia-se num caixão. Faz-se fotografar a segurar uma pequena placa que versa “hooker” com uma corda de forca ao pescoço, que um xerife ajuda a segurar.

Empregadas do Big Nose Kate Saloon em Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Empregadas do Big Nose Kate saloon, um dos estabelecimentos históricos da cidade

Já não sabíamos o que pensar do facto de boa parte dos clientes a sério usarem vestes de cobóis, terem postura de cobóis e de muito provavelmente o serem. Estávamos nuns confins quase mexicanos do Arizona, um dos estados norte-americanos mais fiéis ao passado conservador e pistoleiro da nação. Em Tombstone, o limiar entre o passado e o presente, entre a ficção e a realidade revelava-se cada vez mais difuso.

A Chacina Reencenada de O.K. Corral

A confirmá-lo, chegaram as 15h30, a hora da última reencenação do dia do duelo de O.K. Corral. Mudamo-nos para a pequena bancada montada de frente para o cenário garrido e deixamos a acção decorrer. Por ano, mais de 400.000 forasteiros assistem a este teatrinho caprichado.

Duelo no OK Corral, Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Momento da reencenação do duelo do OK Corral num cenário de madeira que emula o lugar do confronto.

Se contarmos com as reconstituições cinematográficas e televisivas difundidas por todo o mundo, o número de espectadores e conhecedores dos acontecimentos precipitados de 15 de Março de 1881 a 15 de Abril de 1882 aumenta de forma exponencial.

Os confrontos entre o bem e o mal, a lei e os fora-da-lei, tiveram desfechos de tal forma sanguinários e comoventes que entraram como balas perfurantes no profuso imaginário histórico Western dos E.U.A..

Democratas, Republicanos e os Cowboys Fora-da-lei

Na ressaca da Guerra Civil Americana, envolta em sofreguidão, ressentimento e perfídia, desde os seus primeiros dias que Tombstone via diversas tensões escalarem. A maior parte dos seus cobóis, homens da terra semi-desterrados, eram “Democratas” do Sul, em especial do Texas, afectos ao lado Confederado e derrotado do conflito que mal começara a cicatrizar.

Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Sol doura uma das linhas de casario de arquitectura Western de Tombstone.

Os proprietários das minas e dos negócios, mineiros, habitantes e agentes da lei eram quase todos Republicanos. Capitalistas ideologicamente mais receptivos e expeditos, provenientes dos estados do Norte.

De 1880 em diante, o governo mexicano taxou gravemente as importações norte-americanas de álcool, gado e tabaco. O contrabando destes bens intensificou-se. Fez disseminar a acção criminosa de bandos fora-da-lei que se autointitulavam “Cowboys”.

De tal maneira que, no Condado de Cochise a que pertencia Tombstone, passou a ser considerado insulto usar o termo para tratar os homens que lidavam com gado. Em vez, deviam ser chamados “ranchers”.

Os Earps vs Bando McLaury, Clanton e Claiborne

Parte desse quadro, na noite de 15 de Março de 1881, três cobóis tentaram roubar uma diligência que transportava 26.000 dólares de prata em barra. Mataram o seu popular condutor e um outro passageiro. O xerife Virgil Earp e os seus irmãos e delegados temporários Wyatt e Morgan Earp saíram no encalço dos criminosos.

A perseguição acabou por envolver um clã familiar e rival de cobóis que desprezava a ascendência dos irmãos Earp em Tombstone e o contrapoder legal e moral que representavam. Despoletou uma sequência de emboscadas e contraemboscadas, assassínios e vinganças que, por sua vez, conduziram ao enfrentamento do O.K. Corral.

Então, em trinta segundos, os irmãos Earp, e o amigo tísico Doc Holliday abateram Tom McLaury, Frank McLaury e Billy Clanton. Mesmo feridos de morte, os dois últimos ainda conseguiram ripostar e feriram Virgil, Morgan e Doc. Ike Clanton e Billy Claiborne fugiram.

Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América

A quadra de defensores da lei de Tombstone formada pelos irmãos Earp e pelo amigo Doc Holliday, aqui figurada na reencenação do duelo do OK Corral levada a cabo na cidade.

Wyatt, um Earp Condenado à Vingança

Malgrado o impacto e a notoriedade deste duelo em particular, o conflito prosseguiria. O novo xerife Beham que assistira ao duelo deteve os Earps e Holliday, acusados de assassínio. Passado um mês, após as autoridades legais de Tombstone deliberarem que os homicídios haviam sido justificados, libertou-os.

Entretanto, Virgil Earp foi vítima de uma cilada, baleado por cobóis escondidos numa rua de Tombstone. Decorridos outros três meses, o seu irmão Morgan sucumbiu a uma bala que lhe atingiu a coluna enquanto jogava bilhar. Em ambos os casos, os pistoleiros responsáveis escaparam à justiça.

Frustrado com a crescente cobardia e ineficácia da Lei da cidade, Wyatt, o Earp sobrevivente, organizou um esquadrão a cavalo que perseguiu e abateu os quatro cobóis que haviam disparado contra os irmãos. Esta derradeira perseguição ficou para a história como Earp Vendetta Ride.

Actor do OK Corral Show activa a locução em Tombstone, Arizona, Estados Unidos da América

Um dos actores do duelo aciona a locução que explica o evento do duelo do OK Corral.

As Versões Hollywoodescas de Tombstone

Desde 1939, Hollywood reforçou o poder de fogo mediático de Tombstone. “Frontier Marshall”, “Sheriff of Tombstone”, “My Darling Clementine” de John Ford com Henry Fonda, “Gunfight at the O.K. Corral”, “Hour of the Gun”, “Tombstone” e “Wyatt Earp”, estas longas-metragens e várias outras obras televisivas abordaram a sangrenta sequela.

Estava previsto Kevin Costner protagonizar “Tombstone” de George P. Cosmatos, com Kurt Russel e Val Kilmer mas desagradou-lhe a recusa do argumentista Kevin Jarre em dar mais peso à personagem de Wyatt Earp. Kostner abandonou aquela diligência. Associou-se a Laurence Kasdan (o realizador do épico “Silverado” de 1985) no projecto rival “Wyatt Earp”.

Segundo Kurt Russel, também fez tudo para evitar que os grandes estúdios de Hollywood distribuíssem “Tombstone”. Contudo, os Buena Vista boicotaram-lhe o boicote. Os dois filmes estrearam com seis meses de intervalo no seu próprio duelo comercial.

Quanto à Tombstone povoação, os censos dos E.U.A. demonstravam que, terminada a mineração da prata a população decaíra de 1900 habitantes em 1890 para menos de 700, em 1900.

A partir de 26 de Outubro de 1881, Billy Clayton, Tom McLaury e Frank McClaury que, como testemunhámos, têm as suas lápides pouco abaixo do O.K. Corral, entre cactos e sob um manto de calhaus, deixaram de contribuir para demografia local.

Sepulturas irmãos Earp e de Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América

Lápides e sepulturas rudes dos assassinos rivais dos irmãos Earp e de Doc Holliday, abatidos durante o duelo do OK Corral.

Tombstone manteve-se, todavia, como sede do condado de Cochise até 1929 e salvou-se de se tornar uma cidade fantasma. Dez anos depois, a sua mediatização via Hollywood começou a fomentar o turismo intenso que agora a assiste. Quase 140 anos após a sua fundação, a atormentada Tombstone resiste.

Mais informação turística sobre Tombstone no site Visit Arizona.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.

Grand Canyon, E.U.A.

América do Norte Abismal

O rio Colorado e tributários começaram a fluir no planalto homónimo há 17 milhões de anos e expuseram metade do passado geológico da Terra. Também esculpiram uma das suas mais deslumbrantes entranhas.

Sitka, Alasca

Sitka: Viagem por um Alasca que Já foi Russo

Em 1867, o czar Alexandre II teve que vender o Alasca russo aos Estados Unidos. Na pequena cidade de Sitka, encontramos o legado russo mas também os nativos Tlingit que os combateram.
Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos Estados Unidos. Hoje, na Nação Navajo, os navajo também vivem na pele dos velhos inimigos.
Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.
Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.
Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o pow wow "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.
Las Vegas, E.U.A.

O Berço da Cidade do Pecado

Nem sempre a famosa Strip concentrou a atenção de Las Vegas. Muitos dos seus hotéis e casinos replicaram o glamour de néon da rua que antes mais se destacava, a Fremont Street.
Visitantes em caminhada, Fortaleza de Massada, Israel
Parques nacionais
Massada, Israel

Massada: a Derradeira Fortaleza Judaica

Em 73 d.C, após meses de cerco, uma legião romana constatou que os resistentes no topo de Massada se tinham suicidado. De novo judaica, esta fortaleza é agora o símbolo supremo da determinação sionista
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
planicie sagrada, Bagan, Myanmar
Arquitectura & Design
Bagan, Myanmar

A Planície dos Pagodes, Templos e Redenções Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.
Pleno Dog Mushing
Aventura
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
Via Conflituosa
Cerimónias e Festividades
Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem a Via Dolorosa, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.
Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil
Cidades
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Em Viagem
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Camponesa, Majuli, Assam, India
Étnico
Majuli, Índia

Uma Ilha em Contagem Decrescente

Majuli é a maior ilha fluvial da Índia e seria ainda uma das maiores à face da Terra não fosse a erosão do rio Bramaputra que há séculos a faz diminuir. Se, como se teme, ficar submersa dentro de vinte anos, mais que uma ilha, desaparecerá um reduto cultural e paisagístico realmente místico do Subcontinente.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Magome a Tsumago, Nakasendo, Caminho Japão medieval
História
Magome-Tsumago, Japão

Magome a Tsumago: o Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o xogum Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é percorrido por uma turba ansiosa por evasão.
Praia de El Cofete do cimo de El Islote, Fuerteventura, ilhas Canárias, Espanha
Ilhas
Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha

A (a) Ventura Atlântica de Fuerteventura

Os romanos conheciam as Canárias como as ilhas afortunadas. Fuerteventura, preserva vários dos atributos de então. As suas praias perfeitas para o windsurf e o kite-surf ou só para banhos justificam sucessivas “invasões” dos povos do norte ávidos de sol. No interior vulcânico e rugoso resiste o bastião das culturas indígenas e coloniais da ilha. Começamos a desvendá-la pelo seu longilíneo sul.
costa, fiorde, Seydisfjordur, Islandia
Inverno Branco
Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando armadores de Reiquejavique compraram a frota pesqueira de Seydisfjordur, a povoação teve que se adaptar. Hoje, captura discípulos da arte de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.
Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile
Natureza
Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Em espera, Mauna Kea vulcão no espaço, Big Island, Havai
Parques Naturais
Mauna Kea, Havai

Mauna Kea: um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra
Cidade dourada
Património Mundial UNESCO
Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.
femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Personagens
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Pescador manobra barco junto à Praia de Bonete, Ilhabela, Brasil
Praias
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
De volta ao sol. Cable Cars de São Francisco, Vida Altos e baixos
Sobre carris
São Francisco, E.U.A.

Cable Cars de São Francisco: uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Sociedade
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Bando de flamingos, Laguna Oviedo, República Dominicana
Vida Selvagem
Laguna de Oviedo, República Dominicana

O Mar (nada) Morto da República Dominicana

A hipersalinidade da Laguna de Oviedo oscila consoante a evaporação e da água abastecida pela chuva e pelos caudais vindos da serra vizinha de Bahoruco. Os nativos da região estimam que, por norma, tem três vezes o nível de sal do mar. Lá desvendamos colónias prolíficas de flamingos e de iguanas entre tantas outras espécies que integram este que é um dos ecossistemas mais exuberantes da ilha de Hispaniola.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.