Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo


Solidariedade equina
Manada de cavalos aperta-se para fazer frente a um novo nevão islandês.
O derradeiro visitante
Visitante em frente à linha de casas de turfa de Glaumbaer.
Pico aguçado do Krafla
Carro percorre uma estrada do PN Myvatn, na direcção do vulcão Krafla.
SPA nevado
As termas de Jardbodin, sob um dos nevões frequentes que se abatem sobre Myvatn.
Ilhas vulcânicas
Pseudo-crateras perdidas na vastidão frígida de Skútustadir.
Coração vulcânico
Visitantes de Myvatn admiram a cratera aquecida de Hverjall.
Glaumber: os mortos e os vivos
As casas de turfa de Glaumbaer vistas do seu pequeno cemitério.
Uma curta ascensão
Caminhantes sobem à cratera achatada do vulcã;o Hverjall.
Inverno fora de tempo
Pato caminha sobre uma superfície tardiamente gelada nas redondezas de Husavik.
Montanha afiada
Montanha destacada bem acima do desfiladeiro de Oxnadalsheidi.
Crepúsculo colorido
Sol pôe-se para lá do horizonte nas imediações geladas de Husavik.
Caminhada a Preto & Branco
Casal começa um trilho que percorre parte do cenário vulcânico de Dimmuborgir.
Navegação difícil
Passageiros tentam equilibra-se a bordo da escuna Hildur, convertida para avistamento de baleias.
Ocaso Boreal
Sol põe-se a leste da Islândia, como visto do litoral enregelado a caminho de Husavik.
Fila equina
Cavalos percorrem um prado queimado pelo frio a ocidente de Glaumbaer.
Esquina Akureyr
Esquina de Akureyri, a capital do norte da Islândia.
Névoa de Jardbodin
Sol doura as termas de Jardbodin.
Telhados bicudos
Visitante à porta de uma das casas de Glaumbaer
Crepúsculo Husavik
Por fim, anoitece sobre Husavik, no norte da Islândia.
Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.

Muitos quilómetros de estrada em jeito de montanha-russa depois da partida de Reiquejavique, tínhamos chegado ao noroeste da Islândia.

São quatro e meia. O dia pouco passou de meio. Apanhamos o responsável por Glaumbaer preparado para fechar o edifício de acolhimento e o seu dia de trabalho.

Agust Sigurjónsson conforma-se. Regressa ao modo laboral e ao interior das casas sob a relva. Alonga-se em explicações que nos intrigam.

Para ruína do seu já encurtado período de folga, essas explicações suscitam-nos novas perguntas: “Em tempos, a maior parte das habitações desta zona – e da ilha em geral – eram erguidas em turfa, que os colonos nórdicos encontravam em abundância nos pântanos e pauis.” transmite-nos com eloquência o filho de Sigurjón.

Turfa de Glaumbaer, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Visitante à porta de uma das casas de Glaumbaer

A Aldeia de Turfa e de Relva de Glaumbaer

E continua: “Glaumbaer era uma mansão sacerdotal luterana mas seguiu as mesmas técnicas de construção empregues pelas habitações humildes da colónia. Quase só usou madeira nas fachadas.”

Nessa era, ainda mais que agora, as árvores escasseavam na Islândia. As tábuas raramente chegavam da Noruega ou da Dinamarca e constituíam um luxo. O melhor que a população pobre conseguia era recolher os troncos que davam à costa para reforçarem a combustão da turfa seca e o aquecimento dos domicílios.

Numa escala geotérmica planetária, há muito que a Corrente do Golfo dá a sua ajuda. Lemos, vezes sem conta, que, apesar de localizada a uma latitude extrema, a Islândia tem um clima temperado.

É esse fluxo marítimo semi-amornado que faz com que as suas temperaturas sejam mais elevadas que as de outros territórios situados em latitudes semelhantes. Além disso, mantém as costas da ilha livres de gelo, até no Inverno.

A umas meras centenas de quilómetros da Gronelândia e 50 para leste de Glaumbaer, metemo-nos pelo desfiladeiro de Oxnadalsheidi e vemo-nos cercados de montanhas imponentes.

Observamos a temperatura cair a pique no termómetro do carro e a neve a cobrir toda a paisagem.

Como os habitantes ancestrais da ilha e os de agora, depressa aprendemos a dar o devido desconto à informação.

Desfiladeiro de Oxnadalsheidi, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Montanha destacada bem acima do desfiladeiro de Oxnadalsheidi.

Rumo a Akureyri e mais Próximo do Árctico

Sucedem-se granjas de altitude empoleiradas em ambas as encostas, supostamente a salvo tanto de avalanches como das inundações provocadas pelo degelo estival.

Sob novo nevão, desembocamos na margem ocidental do fiorde Eyjafjördur. Seguimos em direcção à baía que o encerra e, pouco depois, damos com Akureyri, a pequena capital do grande norte.

Dos quase 322.000 islandeses, mais de um terço vive na área urbana da capital Reiquejavique. Em Akureyri, a segunda urbe, não chegam a habitar 18.000.

São raros os participantes islandeses nas competições de desportos de Inverno em que se confrontam os povos escandinavos, finlandeses e alpinos da Europa.

Akureyri tem, no entanto, as melhores estâncias de neve do país que ajudam alguns residentes e muitos mais estrangeiros a ganhar a vida ou a passar o tempo.

Encontramo-nos com Ivo Martins, um guia português que trabalha a partir da cidade há cinco anos.

Entre tantas outras noções, o compatriota fala-nos do perfil psicológico do povo que o acolheu: “apesar de à primeira vista acolhedores e simpáticos, são os próprios islandeses a reconhecer que têm dificuldades em relacionar-se.

Aqui em Akureyri, até deram às luzes dos semáforos a forma de um coração, para se recordarem que têm que se amar. Mas a Islândia preserva uma das taxas mais elevadas de mulheres solteiras, entre outros indicadores preocupantes.”

Akureiry, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Esquina de Akureyri, a capital do norte da Islândia.

Husavik e o Avistamento de Baleias Complicado na “Hildur”

Pouco depois de um despertar madrugador em Husavik, uma cidade piscatória do norte, embarcamos na “Hildur, uma embarcação originalmente tradicional construída em 1974 na capital islandesa do norte Akureyri mas que, em 2009, fez uma viagem de 10 dias a Egernsund, na Dinamarca, onde foi convertida numa escuna de dois mastros com 250 m2 quadrados de velas.

Desde então, a Hildur foi usada em várias viagens épicas incluindo expedições ao litoral da vizinha Gronelândia. E estava prestes a zarpar para uma curta navegação de avistamento de baleias na baía de Skjálfandi.

Tal como previsto, avançamos ao longo da costa frígida até que chegamos a um ilhéu colonizado por papagaios-do-mar. Dali, a embarcação de carvalho navega em direcção à ilha de Flatey. Quando abandona a protecção do litoral, sujeita-se aos caprichos do alto mar.

O fato de navegação “66º” que a tripulação emprestara aos passageiros começa por indiciar uma boa protecção face à baixa temperatura e, pelo menos na fase inicial das quatro horas e meia de navegação, não temos razões de queixa.

Uma Navegação Dolorosa entre Cetáceos

Mas a brisa depressa se transforma num vento agreste que levanta ondas consideráveis na confluência do oceano Atlântico com o Árctico. Alguma roupa e calçados molhados intensificam um frio só por si já difícil de suportar.

Enquanto isso, os passageiros mais vulneráveis ao balanço começam a ressentir-se de um já esperado enjoo.

"Hildur", Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Passageiros tentam equilibra-se a bordo da escuna Hildur, convertida para avistamento de baleias.

Duas jovens marinheiras islandesas louras esforçam-se por manter as velas sob controlo. Também tentam animar as hostes em sofrimento com uma locução enérgica em inglês e promessas de avistamentos garantidos de grandes cetáceos.

Cumprem-nas quando o homem do leme nos aproxima de baleias de bossa no limite setentrional da baía de Skjálfandi. As baleias surgem a tempos à tona, de ambos lados do barco e ao largo de penhascos brancos e imponentes mantidos gelados pela irrigação de humidade assegurada pelo vento norte.

Acompanhamo-las por meia-hora e às suas movimentações, para desilusão geral dos espectadores a bordo, pouco acrobáticas mas sempre culminadas com o  afundar gracioso das gigantescas barbatanas traseiras.

Deixamo-las a devorar o desgraçado krill árctico em quantidades industriais.  Pouco depois, desperta-nos a atenção a visão peculiar da ilha de Flatey e do seu casario. O ponto mais elevado desta ilha tem apenas 22 metros.

À medida que o Hildur percorre os quase 9km de regresso ao porto de Husavik, ainda e sempre fustigado pelo vento gélido e pela neve, contemplamos o edifício da escola, a igreja e o farol e interrogamo-nos sobre o que terá passado pela cabeça da pequena comunidade de islandeses ex-moradores para ali ser ter decidido isolar, por muito que o peixe abundasse.

Regresso Providencial ao Porto de Husavik

Atracamos no porto a tremelicar. Uma das tripulantes faz questão de suavizar e glorificar o sofrimento que tínhamos partilhado: “Há aqui chocolate quente e bolos de passas para todos. Foram realmente corajosos. Garanto-vos que esta foi uma das saídas mais árduas e enregelantes que tivemos até hoje.”

Metemo-nos no carro, ligamos o quente do ar condicionado no máximo, bebemos o cacau e recuperamos o calor corporal evadido. Conseguida a reanimação, arrancamos pela estrada 87 apontados ao interior da Islândia.

Constatamos no termómetro do painel como o frio volta a apertar debaixo de um céu já limpo e, no exterior, uma cobertura espessa de neve que parece longe de derreter.

Bandos de patos, gansos e outras aves migratórias sucedem-se de ambos os lados da via, agrupados em redor de poças semi-sólidas em que desesperam para encontrar alimento.

Ganso, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Pato caminha sobre uma superfície tardiamente gelada nas redondezas de Husavik

O Domínio Frígido-Infernal de Myvatn, o Fogo da Islândia

Subimos para as terras álgidas do coração da ilha. Aos poucos, aproximamo-nos da zona em que se costumam registar as suas temperaturas mais baixas, em redor de Grimsstadir, onde, em Janeiro de 1918, se registaram -38º.

Sem aviso, a estrada submete-se também à neve. Durante vários quilómetros, conduzimos sobre um misto de asfalto e de gelo que o vento continua a fazer voar. Mas, por muito que a Islândia esfrie à superfície, até sob os seus glaciares sem fim permanece num reboliço incandescente.

Em poucas zonas as cicatrizes desse confronto térmico são tão notórias como em redor de Myvatn (Lago das Moscas), o reduto inóspito em que continuávamos a embrenhar-nos.

O lago eutrófico pouco profundo que dá nome ao parque foi formado por uma grande erupção, há mais de 2300 anos. Sem surpresa, os cenários em redor são dominados por formas irregulares de lava, incluindo pilares e pseudo-crateras.

Avançamos até Dimmuborgir onde não vemos vivalma no edifício de acolhimento. Ascendemos a um ponto de observação e contemplamos a paisagem enegrecida e desolada a perder de vista, gerada por um canal de lava que colapsou, libertou um fluxo abundante que invadiu um pântano encharcado e assim gerou enormes pilares e outras formações caóticas.

É este o domínio obscuro que, na mitologia islandesa, liga a Terra aos infernos. A mitologia cristã nórdica vai mais longe.

Defende que Dimmuborgir é o lugar onde Satanás aterrou quando foi expulso dos céus e criou as Catacumbas do Inferno. E uma banda de black-metal sinfónico norueguesa, por sua vez, aproveitou o imaginário do lugar e baptizou-se – perdoem-nos o contra-senso – de Dimmu Borgir.

Dimmuborgir, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Casal começa um trilho que percorre parte do cenário vulcânico de Dimmuborgir.

Primavera à Moda Islandesa

Mas estamos longe de sentir o calor das labaredas das profundezas, nem que fossem só as do Purgatório. Um exército de nuvens cinzentas tinha-se também aventurado sobre aquelas terras improváveis.

Nesse preciso momento, refresca-nos com mais um dos nevões que nos acompanharam um pouco por toda a ilha.

Os flocos sarapintam o crumble terrestre e a visão límpida que até aí dele tínhamos. Mesmo assim, sob a intempérie, detectamos um casal a aventurar-se no trilho que serpenteia pela paisagem e a sumir por detrás dos retalhos de lava.

Regressamos às imediações do lago e encontramos colónias de aves incomparavelmente mais numerosas que as que tínhamos avistado no caminho de vinda. Regredimos para a entrada norte do parque.

Em Skútustadir, fazemo-nos corajosos e saímos para caminhar num cenário que considerámos mais meritório e menos soturno que DimmuBorgir.

Rajadas fortes quase nos expulsam do caminho estreito e gelado.

Mas é quando subimos ao topo da primeira pseudocratera que sentimos o verdadeiro poder do vento islandês.

cratera Hverjall, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Visitantes de Myvatn admiram a cratera aquecida de Hverjall.

Com dificuldade, mantemo-nos agarrados ao corrimão do miradouro e deixamo-nos espantar pela excentricidade extraterrestre da vastidão em redor.

Dezenas de outras pseudocrateras dotam o planalto enregelado e alisado pela erosão.

Os contornos do lago impõem-se à heterogeneidade colorida da superfície, cedem a uma imensidão alva e, por fim, às distintas formas dos vulcões em redor: o cónico Hlídarfjall, o Gaesafjoll; a maior distância, também o Krafla, cuja energia o governo islandês aproveita desde 1977, através de uma estação geotérmica de 60 MWe.

As Crateras, Caldeiras e Fumarolas da Ilha do Fogo e do Gelo

Contornamos Gardur e as incontáveis ilhotas de lava no recanto sudoeste do lago. Já na proximidade da cratera achatada do Hverfjall, somos atraídos por muros feitos de pedaços de lava a retalhar um terreno, à época, pouco ou nada agrícola.

No prolongamento destes muros, vislumbramos um outro padrão natural encantador, formado por manchas brancas de neve semi-derretida sobre o amarelo-torrado do prado seco.

Ao fundo, entre este prado e o céu já outra vez azul, o velho vulcão impinge a sua própria moda, num traje geológico e meteorológico com faixas de gelo que listam as encostas negras.

Conquistamo-lo passo a passo. Atingido o topo, paramos para recuperar o fôlego e apreciar, de novo das alturas, a vastidão alva de Myvatn, em particular, o Hlídarfjall que, de tão afiado, tem o condão de impressionar apesar de medir menos que 800 metros de altitude.

Vulcão Hverjall, Islândia

Caminhantes sobem à cratera achatada do vulcão Hverjall

Para o interior, o Hverfjall revela-nos a sua cratera aquecida que o magna das profundezas mantem preta por derreter toda a neve que por ali aterra, incluindo a que desata mais uma vez a cair.

O vento enfurece-se e a nevasca adensa-se. Descemos com dificuldade pelo trilho escorregadio e apontamos para a estrada. Pelo caminho, passamos por uma manada de cavalos islandeses numa formação empática.

De costas para a agressão do clima, os animais estranham a nossa visita e relincham num estranho tom agudo típico da espécie.

Cavalos sob nevão, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Manada de cavalos aperta-se para fazer frente a um novo nevão islandês

Dois deles, mais curiosos, rompem a formação para estabelecer contacto. Afagamos as suas crinas alouradas até que concordamos com uma debandada simultânea. Os cavalos voltam ao aconchego da manada, nós ao dos bancos aquecidos do automóvel.

Um Regresso a Husavik do Outro Mundo

A tarde aproxima-se do fim. Invertemos marcha para Husavik onde tínhamos planeado jantar e optamos por um itinerário distinto do da vinda que tudo indicava atalhar caminho. Começa a anoitecer e a temperatura cai a pique.

A determinada altura, mal distinguimos a estrada completamente sumida na neve e no gelo. Só as estacas amarelas espetadas na berma, os pneus de Inverno e a tracção eficaz às quatro rodas nos sossegam e impelem a continuar numa rota tão erma.  

Pelo caminho, vemos a bola do sol descer sobre montanhas longínquas e alaranjar a metade celeste do horizonte. À entrada da cidade, as montanhas dão lugar a uma vasta praia gelada e, em vez de laranja, a atmosfera já se converteu a um lilás que escurecia a olhos vistos.

Ocaso, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Sol põe-se a leste da Islândia, como visto do litoral enregelado a caminho de Husavik.

Conduzimos devagar entre as casas térreas da povoação mas, nem assim achamos o edifício do hotel. Sem suspeitarmos do equívoco, entramos no jardim errado e passamos em frente à janela panorâmica de uma vivenda.

No interior, toda uma família partilha, aconchegada, um qualquer programa de TV e o nosso ridículo episódio de “Lost”.

Uma senhora vem à porta: ”estão à procura do Husavik Cape, certo? É a entrada ali em baixo. Eles continuam em remodelações. Não se preocupem. Estão longe de ser os primeiros. Nos últimos tempos, as pessoas olham para os andaimes, custa-lhes a acreditar que é lá e vêm todas aqui parar.”

Despedimo-nos com mais desculpas. Por fim, lá batemos à porta certa. O recepcionista tímido parece conformado com a falta de sinalização e passa ao que interessa: “Sejam bem-vindos. Instalem-se e bebam um café ou chá. Já vos dou o resto das indicações.“

No regresso do quarto, não o encontramos no seu posto. Reparamos que estamos no topo de um promontório oposto ao centro de Husavik, cidade que o livro da colonização (Landnámabók) afirma ter sido o primeiro lugar da Islândia povoado por um colono escandinavo.

Husavik, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo

Por fim, anoitece sobre Husavik, no norte da Islândia.

Aproveitamos os minutos vagos para espreitar a noite a ali ancorar, embelezada pelas luzes que se acendem em redor da igreja de madeira Húsavíkurkirkja, sobre o porto e o anfiteatro da povoação em geral.

Mais uma vez, sem que o esperássemos, começam a pairar flocos de neve sobre aquele litoral islandês virado ao Árctico. Estavam longe de ser os últimos.

Lagoa Jökursarlón, Glaciar Vatnajökull, Islândia

Já Vacila o Glaciar Rei da Europa

Só na Gronelândia e na Antárctica se encontram geleiras comparáveis ao Vatnajökull, o glaciar supremo do velho continente. E no entanto, até este colosso que dá mais sentido ao termo Terra do Gelo se está a render ao cerco inexorável do aquecimento global.
PN Thingvellir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.
Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.
Lagoa de Jok​ülsárlón, Islândia

O Canto e o Gelo

Criada pela água do oceano Árctico e pelo degelo do maior glaciar da Europa, Jokülsárlón forma um domínio frígido e imponente. Os islandeses reverenciam-na e prestam-lhe surpreendentes homenagens.
Islândia

Ilha de Fogo, Gelo, Cascatas e Quedas de Água

A cascata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.
Perito Moreno, Argentina

O Glaciar Que Resiste

O aquecimento é supostamente global mas não chega a todo o lado. Na Patagónia, alguns rios de gelo resistem.De tempos a tempos, o avanço do Perito Moreno provoca derrocadas que fazem parar a Argentina
Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando armadores de Reiquejavique compraram a frota pesqueira de Seydisfjordur, a povoação teve que se adaptar. Hoje, captura discípulos da arte de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
Parque Nacional Amboseli, Monte Kilimanjaro, colina Normatior
Safari
PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.
Muktinath a Kagbeni, Circuito Annapurna, Nepal, Kagbeni
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 14º - Muktinath a Kagbeni, Nepal

Do Lado de Lá do Desfiladeiro

Após a travessia exigente de Thorong La, recuperamos na aldeia acolhedora de Muktinath. Na manhã seguinte, voltamos a descer. A caminho do antigo reino do Alto Mustang e da aldeia de Kagbeni que lhe serve de entrada.
Uma Cidade Perdida e Achada
Arquitectura & Design
Machu Picchu, Peru

A Cidade Perdida em Mistério dos Incas

Ao deambularmos por Machu Picchu, encontramos sentido nas explicações mais aceites para a sua fundação e abandono. Mas, sempre que o complexo é encerrado, as ruínas ficam entregues aos seus enigmas.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Aventura
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Cerimónias e Festividades
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Acolhedora Vegas
Cidades
Las Vegas, E.U.A.

Capital Mundial dos Casamentos vs Cidade do Pecado

A ganância do jogo, a luxúria da prostituição e a ostentação generalizada fazem parte de Las Vegas. Como as capelas que não têm olhos nem ouvidos e promovem matrimónios excêntricos, rápidos e baratos.
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Camponesa, Majuli, Assam, India
Cultura
Majuli, Índia

Uma Ilha em Contagem Decrescente

Majuli é a maior ilha fluvial da Índia e seria ainda uma das maiores à face da Terra não fosse a erosão do rio Bramaputra que há séculos a faz diminuir. Se, como se teme, ficar submersa dentro de vinte anos, mais que uma ilha, desaparecerá um reduto cultural e paisagístico realmente místico do Subcontinente.
Natação, Austrália Ocidental, Estilo Aussie, Sol nascente nos olhos
Desporto
Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos. A nadar.
Homer, Alasca, baía Kachemak
Em Viagem
Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum.
Encontro das águas, Manaus, Amazonas, Brasil
Étnico
Manaus, Brasil

Ao Encontro do Encontro das Águas

O fenómeno não é único mas, em Manaus, reveste-se de uma beleza e solenidade especial. A determinada altura, os rios Negro e Solimões convergem num mesmo leito do Amazonas mas, em vez de logo se misturarem, ambos os caudais prosseguem lado a lado. Enquanto exploramos estas partes da Amazónia, testemunhamos o insólito confronto do Encontro das Águas.
Portfólio, Got2Globe, melhores imagens, fotografia, imagens, Cleopatra, Dioscorides, Delos, Grécia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

O Terreno e o Celestial

Nacionalismo Colorido
História
Cartagena de Índias, Colômbia

A Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".
Magníficos Dias Atlânticos
Ilhas
Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
Sombra vs Luz
Literatura
Quioto, Japão

O Templo de Quioto que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.
Montanha da Mesa vista a partir de Waterfront, Cidade do Cabo, África do Sul
Natureza
Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor

Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Montanha da Mesa sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Vai-e-vem fluvial
Parques Naturais
Iriomote, Japão

Iriomote, uma Pequena Amazónia do Japão Tropical

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.
Colonia del Sacramento, Uruguai
Património Mundial UNESCO
Colónia do Sacramento, Uruguai

Colónia do Sacramento: o Legado Uruguaio de um Vaivém Histórico

A fundação de Colónia do Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.
Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Mini-snorkeling
Praias
Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso à Praia de Danny Boyle

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.
Mtshketa, Cidade Santa da Geórgia, Cáucaso, Catedral de Svetitskhoveli
Religião
Mtskheta, Geórgia

A Cidade Santa da Geórgia

Se Tbilissi é a capital contemporânea, Mtskheta foi a cidade que oficializou o Cristianismo no reino da Ibéria predecessor da Geórgia, e uma das que difundiu a religião pelo Cáucaso. Quem a visita, constata como, decorridos quase dois milénios, é o Cristianismo que lá rege a vida.
Comboio do Fim do Mundo, Terra do Fogo, Argentina
Sobre Carris
Ushuaia, Argentina

Ultima Estação: Fim do Mundo

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Tombola, bingo de rua-Campeche, Mexico
Sociedade
Campeche, México

Um Bingo tão lúdico que se joga com bonecos

Nas noites de sextas um grupo de senhoras ocupam mesas do Parque Independencia e apostam ninharias. Os prémios ínfimos saem-lhes em combinações de gatos, corações, cometas, maracas e outros ícones.
Visitantes nas ruínas de Talisay, ilha de Negros, Filipinas
Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Barco e timoneiro, Cayo Los Pájaros, Los Haitises, República Dominicana
Vida Selvagem
Península de Samaná, PN Los Haitises, República Dominicana

Da Península de Samaná aos Haitises Dominicanos

No recanto nordeste da República Dominicana, onde a natureza caribenha ainda triunfa, enfrentamos um Atlântico bem mais vigoroso que o esperado nestas paragens. Lá cavalgamos em regime comunitário até à famosa cascata Limón, cruzamos a baía de Samaná e nos embrenhamos na “terra das montanhas” remota e exuberante que a encerra.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.
PT EN ES FR DE IT