Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima


Recompensa Kukenam
Participantes de uma expedição recuperam do cansaço no rio Kukenam.
No Caminho Certo
Sombra de caminhantes no trilho que conduz à base do Monte Roraima.
Gran Sabana
Vastidão primitiva da Gran Sabana, cenário de filmes como "Jurassic Park".
Trilho árduo
Marco Alexis sobe uma ladeira no caminho para o Monte Roraima.
El Fosso
Homem examina e fotografa El Fosso, uma cratera criada pela erosão na superfície do Monte Roraima.
Cascata El Pozo
Riacho gerado pelas chuvas frequentes flui para o interior da cratera El Pozo.
Sobre a Tripla Fronteira
Guia guianês Marco examina a vastidão rochosa do Monte Roraima do cimo do marco que assinala a tripla fronteira da Venezuela, Brasil e Guiana.
Pântano ervado
Uma das raras superfícies cobertas de vegetação do Monte Roraima.
Apreensão Meteorológica
Guia Marco examina o manto de nuvens a instalar-se entre os tepuys Roraima e Kukenam.
Vista abrupta
Carregadores olham para o penhasco vertical que os separa do cimo do Monte Roraima.
Apreensão Meteorológica II
Guia Marco examina o manto de nuvens a instalar-se entre os tepuys Roraima e Kukenam.
Predadora vegetal
Planta carnívora na superfície do Monte Roraima.
Faxina ao ar livre
Auxiliar de guia prepara-se para lavar loiça num rio com vista para o tepuy Kukenam.
A meio da ascensão
Participante de uma expedição examina os penhascos verticais do Monte Roraima.
El Fosso II
Vista de um fosso enorme escavado pela erosão na superfície do tepuy.
Em fila
Grupo caminha ao longo de uma saliência rochosa.
Descanso merecido
Guia repousa em plena rampa final para o cimo do Monte Roraima.
Vegetação pré-histórica
Enormes plantas endémicas projectadas do solo superficial do Monte Roraima.
Colinas ervadas
Cenário verdejante próximo do acampamento base, no sopé do Monte Roraima.
Perduram no cimo do Monte Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.

A caminhada ainda não tinha começado quando surgem as primeiras queixas.

Deixamos Santa Elena de Uairén – a cidade mais próxima da fronteira entre a Venezuela e o Brasil – num 4×4 que o condutor fez questão de levar aos limites.

Se na estrada asfaltada e larga saíamos das curvas praticamente a derrapar, depois do desvio para o trilho de terra que levava a Paraitepui, o desafio passou a ser proteger o corpo dos saltos que o jipe dava sobre os buracos e desníveis.

Günther, o alemão do grupo, já tinha acordado algo indisposto, segundo suspeitava graças a alguma empanada demasiado frita do dia anterior. Não aguentou. Algo contrariado, o condutor lá parou e pudemos todos recuperar do cataclismo motorizado.

Dez minutos depois, estávamos de novo em condições de prosseguir. Faltavam 15 quilómetros para chegarmos ao ponto de partida do itinerário.

A pequena escola de Paraitepui surge numa encosta. Daí para a frente, sucedem-se dezenas de cabanas típicas da região. Os habitantes não mostraram qualquer reacção à invasão dos forasteiros.

Malgrado o chamariz dos dólares, euros e bolívares aqui deixados pelos visitantes, a aldeia faz o possível para proteger o que resta da sua identidade cultural. Fotografar os seus membros, interior de habitações ou outros domínios privados é algo que só uma compensação financeira à altura da desfeita pode conseguir.

De acordo, seguimos sem paragens até uma espécie de quartel-general improvisado para acolher os grupos e tratar dos últimos preparativos. Faltava quantificar o que havia para transportar. E apurar quantos carregadores seriam necessários.

Foi algo de que se encarregou, Marco Alexis, o guia nativo.

Marco estava habituado a acumular funções e a encarregar-se dos mantimentos e utensílios essenciais.

Como tal, decidimos em conjunto contar apenas com um homem adicional. Ouvimos algumas suas derradeiras indicações. Por fim, colocámos as mochilas às costas.

Desde a chegada a Paraitepui que víamos, à distância, o objectivo da expedição.

Chegara a hora de o perseguir.

Não fossem os jéjenes que infestam esta zona do norte da Venezuela, demoníacos mosquitos imunes aos repelentes convencionais e os quilómetros iniciais do percurso, sempre a descer, teriam sido um passeio.

No Caminho Certo

Depois de atravessarmos um primeiro curso de água, aos mosquitos juntaram-se duas ou três subidas que exigiram esforço máximo. Até ao cume, nenhuma etapa nos pareceu tão desgastante como a primeira.

Sentíamos um cansaço a que Marco Alexis e o tio Manuel, habituados a repetir a jornada de ida e volta, já eram imunes mas que o primeiro sabia ser extremo para a maior parte dos viajantes que se metem nestas aventuras.

De acordo, o guia determinou a primeira paragem para descanso.

Após servir guloseimas achocolatadas que repuseram, de imediato, as energias, transmitiu algumas informações suplementares.

Colinas ervadas

Os Tepuis da Savana Venezuelana e os Indígenas que nunca foram Pemón

Tudo se passava no estado venezuelano de Bolívar.

Mais precisamente numa região remota que entra pelos territórios brasileiro e guianês, denominada Gran Sabana.

Das centenas de tepuis (mesetas rochosas) existentes na Gran Sabana, tínhamos como destino o cimo do mais elevado (2723m), o Monte Roraima. Um “irmão”, de nome Kukenan, apenas 123 metros mais baixo, afirmava-se logo ao lado.

Entre eles, há uma espécie de desfiladeiro orientado de norte para sul. Dali, as nuvens oriundas do Atlântico espreitavam e, de tempos a tempos, invadiam a paisagem.

Os penhascos verticais que separam os topos do Monte Roraima do solo ultrapassam os 500 metros de altura. Estabelecem uma fronteira que foi, durante muitos milénios, inexpugnável.

Em termos de extensão, nem o Roraima nem o Kukenan se podem comparar aos maiores tepuis existentes à face da Terra. Um destes, o Auyantepui é conhecido por ser do seu topo que mergulha a queda de água mais alta do Mundo, o Salto Angel, com 989 metros.

Ora, o Auyantepui abrange uma área de 700km². São quase vinte vezes os 34km² ocupados pelo Monte Roraima.

Cerca de doze quilómetros depois de Paraitepui, chegamos ao primeiro acampamento intermédio, junto ao rio Tok.

Faxina ao ar livre

Marco Alexis e um outro tio, também ele de apelido Alexis – uma espécie de guru do Monte Roraima preparam um jantar que o grupo devorou num ápice.

Logo, juntaram-se ao grupo, reforçaram a boa disposição geral e ofereceram uns goles de rum que nos anestesiaram do cansaço acumulado.

Alexis descarta alguma timidez inicial. Faz impor a sua sabedoria da savana. Desbobina uma série de contos e informações fascinantes.

Destas, chamou-nos a atenção o descontentamento dos indígenas perante o termo “Pemón”, universalmente aceite pelos estrangeiros para os denominar.

Segundo fez questão de nos explicar, “Pemón” significa, num dialecto local, “os humanos”. foi a expressão utilizada pelos índios no primeiro encontro com europeus, para responder a uma questão do género “Quem são vocês?”.

Alexis voltou a realçar que não existe nem nunca existiu um grupo de índios Pemón. Mesmo contra a sua vontade, basta uma breve pesquisa na Internet para constatar como a palavra é usada de forma viral em qualquer texto sobre esta região da América do Sul.

A Caminho da Segunda Base e do Sopé do Tepui Monte Roraima

Apesar de alguma chuva e da trovoada rimbombante, nessa primeira noite, conseguimos dormir e recuperamos do forte desgaste muscular.

Às seis e pouco da manhã estávamos prontos para percorrer os mais dez quilómetros até à segunda base, já situada no sopé do Monte Roraima.

Ainda era cedo quando chegámos à margem do rio Kukenan. Àquela latitude quase equatorial, o sol já nos queimava a pele sem cerimónia. Consciente da dificuldade crescente da caminhada,

Marco dá-nos autorização para um mergulho. “Mesmo com tanta fotografia, são um grupo rápido!”, elogiou-nos. “Merecem a recompensa!”

Recompensa Kukenam

Em pleno rio Kukenam, constatamos que a vista longínqua dos “manos” tepuis se tinha transformado numa imagem bem dotada de formas e cores.

Daí para a diante, o caminho foi cumprido sempre a subir e debaixo de um sol cada vez mais cruel. Por essa altura, já ninguém se lamentava.

Conversa puxa conversa, atingimos o acampamento base.

À Descoberta do Cimo Extraterrestre do Monte Roraima

As tardes e noites ali passadas tiveram como tema incontornável de debate a localização da rampa para o topo. Malgrado a proximidade relativa, continuávamos a achar difícil acreditar que, no dia seguinte, chegaríamos ao cimo do tepui

Tudo o que sobressaia da rocha vertical era uma estreita saliência coberta de arbustos em que o equilíbrio parecia impossível.

Os mais ansiosos começaram então a imaginar momentos de pura vertigem, de suspensão entre a parede e o abismo e a centenas de metros de altura.

A meio da ascensão

Com a melhor das oportunidades, os guias não tardaram a presentear o grupo com novo jantar altamente calórico e mais alguns tragos do bom rum caribenho.

O último assalto fez-se entre a vegetação selvagem que cobria a encosta mesmo até ao paredão de rocha.

Cumprimo-lo por um trilho em que se alternavam troços quase verticais que exigiam locomoção “quadrúpede” com outros, mais suaves, que se venciam com facilidade de pé.

Vista abruptaDe quando em quando, surgiam mais pequenos riachos e quedas d’água que sugeriam descanso e reabastecimento. Em duas ou três ocasiões, também passamos por zonas livres de mato que nos permitiram contemplar a vastidão da Gran Sabana.

Após um trecho final traiçoeiro que nos obrigou a caminhar apoiados no penhasco, com cuidado redobrado para evitarmos o resvalamento de pedras, conquistamos o topo.

Descanso merecido

Tiradas as fotos da praxe, impôs-se que achássemos o lugar em que iríamos passar a noite.

Com esse objectivo em mente, Marco inaugurou uma bem mais exigente liderança na superfície do Monte Tepui.

Mesmo antes avisados, foi com surpresa que nos deparámos com a crueza do “Hotel”, uma simples reentrância numa falésia com espaço suficiente para as tendas e que assegurava relativa protecção contra a chuva e o vento.

Ali nos instalámos sem caprichos.

E dormimos.

Vegetação pré-histórica

Marco desperta-nos sobre o nascer do sol.

Tinha já preparado um novo pequeno-almoço bem venezuelano de arepas, huevos revueltos e café. A refeição durou pouco. A vontade de explorar sobrepunha-se a tudo. Como tal, quinze minutos depois, entregamo-nos ao cenário surreal.

O percurso revelou-se, uma vez mais, complexo.

As fracturas na rocha sucediam-se, profundas. Alternavam com grandes cristas intransponíveis, longas superfícies com padrões de fragmentação, cursos de água, vales alagados e outras formações problemáticas.

Paramos pela primeira vez em El Foso, um enorme buraco circular para onde corria um riacho que mesmo antes de se juntar a lençóis subterrâneos, se transformava em lagoa.

El Fosso

Em seguida, alcançámos o Vale dos Cristais, como o nome indica, uma área coberta de cristal bruto em que se destacavam algumas esculturas naturais impressionantes.

Prosseguimos para norte. Contornamos, os vastos “Labirintos”.

Ali, a negrura impressionante do Roraima torna-se mais densa. Parece não ter fim, um efeito gerado pela sucessão de milhares de blocos irregulares de rocha, intercalados com fendas suficientemente amplas para permitir a passagem.

Como Marco nos confessou, aquele era um reduto misterioso e algo perigoso em que nem os próprios guias se sentiam à vontade.

Pântano ervado

A explicação, substanciada pelos exemplos das várias pessoas desaparecidas para sempre nos topos do Roraima e do “irmão” Kukenam, frustrou qualquer exigência ou iniciativa rebelde.

Manteve-nos na direcção do principal objectivo da expedição.

A Tripla Fronteira Disputada do Cimo do Monte Roraima

O lugar em que o Monte Roraima atinge a sua altitude máxima (2.800 m) assinala também a convergência das linhas que separam os territórios da Venezuela, Brasil e Guiana.

Esta fronteira é denominada pelos venezuelanos de BV 0 (Brazil-Venezuela: zero).

Está identificada, no terreno, por um marco geodésico que deveria ter assinalados, em cada uma das suas faces, o país correspondente.

Sobre a Tripla Fronteira

Mas a Venezuela reclama, há muito, uma parte significativa do território da Guiana.

Por esse motivo, a placa que sinaliza o lado guianense é arrancada vezes sem conta pelos visitantes e guias venezuelanos do Monte Roraima.

A Tripla Fronteira coincidia com o ponto mais setentrional do tepui a que estava previsto chegarmos.

Marco não cedeu à pretensão que partilhávamos de continuar em direcção à Proa de onde poderíamos observar a vastidão da savana brasileira e da selva guianense.

O guia aproveitou, inclusive, para dramatizar a sua resposta negativa: “amigos, prefiro dispensar o vosso pânico quando nos virmos perdidos, às escuras, enregelados, sem tendas nem sacos-cama, nesta vastidão agreste”.

Ele, melhor que ninguém, conhecia a realidade. Ao nosso ritmo fotográfico displicente, já seria difícil voltar ao “Hotel” antes do anoitecer, quanto mais metermo-nos em novos desafios.

Em fila

Muito devido ao desaparecimento de nativos e descobridores forasteiros, o Roraima cedo se envolveu num profundo misticismo, alimentado e divulgado pelas tribos da região cujos relatos enigmáticos vieram a despertar a curiosidade de mais e mais exploradores.

Mesmo confirmada a sua inexistência, os dinossauros e outras criaturas pré-históricas, assim como personagens míticas são um tema recorrente das velhas lendas e estórias improvisadas pelos nativos de etnia Arekuna, Taurepan e Camaracoto.

Predadora vegetal

Desde o meio do século XVIII que essas narrativas fascinavam aventureiros do velho mundo.

É mais que provável que a ascensão pioneira ao topo do Monte Roraima tenha sido feita pelos indígenas, antes da chegada das expedições europeias.

Os primeiros registos escritos das tentativas de conquista do topo datam do início do século XIX e comprovam diversas desistências.

Apreensão Meteorológica II

Foi apenas em 1838 que o cientista inglês Sir Robert Schomburgk achou forma de subir.

Desde então, a lista de visitantes nunca mais cessou de aumentar. A ironia das ironias está em que, apesar de ter escrito e publicado o livro mais famoso sobre o Monte Roraima: “O Mundo Perdido”, Sir Arthur Conan Doyle nunca foi um deles.

Conan Doyle limitou-se a assimilar os relatos dos indígenas e dos primeiros exploradores. Elaborou, assim, uma ficção romantizada protagonizada por um cientista aventureiro e meio louco, o Professor Challenger, que chega a confrontar-se com dinossauros.

O tema d’ “O Mundo Perdido” foi várias vezes adaptado ao cinema e televisão mas a mais famosa das versões cinematográficas é a saga Parque Jurássico, filmada, em parte, nas planícies repletas de palmeiras da Gran Sabana.

Gran Sabana

A Origem Geológica do Monte Roraima

Como todos os tepuis da região, o Monte Roraima fazia parte da formação Roraima, um gigantesco maciço rochoso com mais de 3.6 biliões de anos gerado pela compressão de várias camadas de areia e sílica provocada por grandes oscilações térmicas.

Esta formação começou a fragmentar-se no fim do Período Jurássico (há cerca de 150 milhões de anos) quando a América do Sul se separou do continente africano.

Nessa era, forças provindas do interior da Terra, causaram fortes movimentações tectónicas que criaram as primeiras fissuras e fracturas na sua superfície.

Ao longo de milhões de anos, novas derivações das placas e uma forte erosão, fizeram com que a maior parte da rocha original fosse arrastada para o mar.

Hoje, do gigantesco bloco inicial, resistem apenas algumas pequenas ilhas no tempo, os actuais tepuis da Venezuela, Guiana e Brasil.

PN Canaima, Venezuela

Kerepakupai, Salto Angel: O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra
PN Henri Pittier, Venezuela

PN Henri Pittier: entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou
Mérida, Venezuela

Mérida a Los Nevados: nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

Gran Sabana, Venezuela

Um Verdadeiro Parque Jurássico

Apenas a solitária estrada EN-10 se aventura pelo extremo sul selvagem da Venezuela. A partir dela, desvendamos cenários de outro mundo, como o da savana repleta de dinossauros da saga de Spielberg.

PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"
Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução a partir de 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida foi levada a cabo na Sierra Nevada por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.
Fish River Canyon, Namíbia

As Entranhas Namibianas de África

Quando nada o faz prever, uma vasta ravina fluvial esventra o extremo meridional da Namíbia. Com 160km de comprimento, 27km de largura e, a espaços, 550 metros de profundidade, o Fish River Canyon é o Grand Canyon de África. E um dos maiores desfiladeiros à face da Terra.
Ilha Margarita ao PN Mochima, Venezuela

Ilha Margarita ao Parque Nacional Mochima: um Caribe bem Caribenho

A exploração do litoral venezuelano justifica uma festa náutica de arromba. Mas, estas paragens também nos revelam a vida em florestas de cactos e águas tão verdes como a selva tropical de Mochima.
Santa Marta e PN Tayrona, Colômbia

O Paraíso de que Partiu Simón Bolívar

Às portas do PN Tayrona, Santa Marta é a cidade hispânica habitada em contínuo mais antiga da Colômbia.  Nela, Simón Bolívar, começou a tornar-se a única figura do continente quase tão reverenciada como Jesus Cristo e a Virgem Maria.
Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes da Venezuela em Fiesta

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.
Cartagena de Índias, Colômbia

A Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".
Huang Shan, China

Huang Shan: as Montanhas Amarelas dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos das montanhas amarelas e flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas da China sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida, Suas Danças e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Esteros del Iberá, Pantanal Argentina, Jacaré
Safari
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
Visitantes nos Jameos del Água, Lanzarote, Canárias, Espanha
Arquitectura & Design
Lanzarote, Ilhas Canárias

A César Manrique o que é de César Manrique

Só por si, Lanzarote seria sempre uma Canária à parte mas é quase impossível explorá-la sem descobrir o génio irrequieto e activista de um dos seus filhos pródigos. César Manrique faleceu há quase trinta anos. A obra prolífica que legou resplandece sobre a lava da ilha vulcânica que o viu nascer.
O pequeno farol de Kallur, destacado no relevo caprichoso do norte da ilha de Kalsoy.
Aventura
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
religiosos militares, muro das lamentacoes, juramento bandeira IDF, Jerusalem, Israel
Cerimónias e Festividades
Jerusalém, Israel

Em Festa no Muro das Lamentações

Nem só a preces e orações atende o lugar mais sagrado do judaísmo. As suas pedras milenares testemunham, há décadas, o juramento dos novos recrutas das IDF e ecoam os gritos eufóricos que se seguem.
Vegetais, Little India, Singapura de Sari, Singapura
Cidades
Little India, Singapura

Little Índia. A Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.
Singapura Capital Asiática Comida, Basmati Bismi
Comida
Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade gastronómica do Oriente.
Igreja Ortodoxa de Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia
Cultura
Bolshoi Zayatsky, Rússia

Misteriosas Babilónias Russas

Um conjunto de labirintos pré-históricos espirais feitos de pedras decoram a ilha Bolshoi Zayatsky, parte do arquipélago Solovetsky. Desprovidos de explicações sobre quando foram erguidos ou do seu significado, os habitantes destes confins setentrionais da Europa, tratam-nos por vavilons.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Las Cuevas, Mendoza, de um lado ao outro dos andes, argentina
Em Viagem
Mendoza, Argentina

De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada
Promessa?
Étnico
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
História
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Forte Galle, Sri Lanka, Ceilão Lendária Taprobana
Ilhas
Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.
lago ala juumajarvi, parque nacional oulanka, finlandia
Inverno Branco
Kuusamo ao PN Oulanka, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Literatura
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Cilaos, ilha da Reunião, Casario Piton des Neiges
Natureza
Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Delta do Okavango, Nem todos os rios Chegam ao Mar, Mokoros
Parques Naturais
Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.
Camboja, Angkor, Ta Phrom
Património Mundial UNESCO
Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso
Mascarado de Zorro em exibição num jantar da Pousada Hacienda del Hidalgo, El Fuerte, Sinaloa, México
Personagens
El Fuerte, Sinaloa, México

O Berço de Zorro

El Fuerte é uma cidade colonial do estado mexicano de Sinaloa. Na sua história, estará registado o nascimento de Don Diego de La Vega, diz-se que numa mansão da povoação. Na sua luta contra as injustiças do jugo espanhol, Don Diego transformava-se num mascarado esquivo. Em El Fuerte, o lendário “El Zorro” terá sempre lugar.
Pescador manobra barco junto à Praia de Bonete, Ilhabela, Brasil
Praias
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Solovestsky Outonal
Religião
Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.
Trem do Serra do Mar, Paraná, vista arejada
Sobre Carris
Curitiba a Morretes, Paraná, Brasil

Paraná Abaixo, a Bordo do Trem Serra do Mar

Durante mais de dois séculos, só uma estrada sinuosa e estreita ligava Curitiba ao litoral. Até que, em 1885, uma empresa francesa inaugurou um caminho-de-ferro com 110 km. Percorremo-lo, até Morretes, a estação, hoje, final para passageiros. A 40km do término original e costeiro de Paranaguá.
Cabine lotada
Sociedade
Saariselka, Finlândia

O Delicioso Calor do Árctico

Diz-se que os finlandeses criaram os SMS para não terem que falar. O imaginário dos nórdicos frios perde-se na névoa das suas amadas saunas, verdadeiras sessões de terapia física e social.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Parque Nacional Amboseli, Monte Kilimanjaro, colina Normatior
Vida Selvagem
PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.