Huang Shan, China

Huang Shan: as Montanhas Amarelas dos Picos Flutuantes


Picos florestados
Cumes aguçados de Huang Shan, de que brotam pinheiros endémicos.
Zénite florestal
Pinheiro de Huang Shan instalado no cimo de um penhasco de granito.
Regresso delicado
Família volta a um trilho principal após espreitar a vista de uma das plataformas improvisadas de Huang Shan.
Ascensão VIP
Visitante chinês poupa-se a esforços, transportado por carregadores de Huang Shan.
Névoa matinal
Alvorada traz a primeira luz do dia à montanhas arborizadas de Huang Shan.
Passagem de conto de fadas
Walking Fairy Land Bridge: uma ponte de pedra que une dois paredões verticais de granito.
A caminho do escuro
Visitante aproxima-se de um túnel que conduz à Walking Fairy Land Bridge.
Crepúsculo quente
Pôr-do-sol tinge o céu sobre Huang Shan de vermelho.
Vertigem degrau a degrau
Casal desce uma escadaria íngreme em direcção às profundezas de Huang Shan.
Vertigem de pedra
Jovem visitante examina uma escadaria que contorna um penhasco.
Vista surreal
Homem prepara-se para fotografar o cenário surreal de Huang Shan, a partir de um dos miradouros da montanha.
Pinheiros de Huang Shan
Vegetação endémica destacada da floresta de montanha de Huang Shan.
Contemplação Descendente
Mãe e filho chineses admiram o cenário deslumbrante.
Ocaso na Montanha Amarela
Ocaso reforça as linhas de horizonte da grande cordilheira de Huang Shan, a montanha amarela.
Vista Enevoada
Visitantes partilham uma laje íngreme de um dos penhascos próximos da zona de Behai.
Os picos graníticos das montanhas amarelas e flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas da China sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Às 4 da madrugada, despertamos em sobressalto. Um grupo de compinchas chineses tinha acabado de despertar há uns minutos. Tratava da sua vida como se mais ninguém habitasse a camarata. Ligam a TV com o volume no máximo, falam a altos berros e riem-se com programas de humor.

Ao mesmo tempo, servem-se de doses de noodles instantâneos cobertos de molhos em pó que, em contacto com água em ebulição, empestavam a atmosfera já de si bafienta.

Levantamo-nos mal dispostos a condizer. Improvisamos um pequeno-almoço bastante mais saudável. Em seguida, deixamos o hotel Payunlou para o ar puro e fresco de Huang Shan.

Saída Nocturna para a Descoberta de Huang Shan, a Montanha Amarela

Ainda é de noite. A luz das lanternas frontais colocadas sobre a testa permite-nos orientarmo-nos no breu e vencermos os degraus que dotam o caminho até ao terraço de Monkey Watching the Sea.

Chegamos às 4h30. O varandim estreito já está a abarrotar.

Conhecedoras da disputa diária por cada meio metro daquelas plataformas resgatadas às rochas, as agências de tours da região descarregam ali os seus clientes com mais de uma hora de antecedência.

E lá os deixam equipados com bancos portáteis, cobertores, almofadas e termos atestados de bebidas quentes.

Névoa, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes

Visitantes partilham uma laje íngreme de um dos penhascos próximos da zona de Behai, Huang Shan.

Sacrificamos o conforto e, de forma controlada, também alguma segurança. Conseguimos um lugar arrojado sobre o precipício que ninguém se atrevera ainda a reclamar.

É ali empoleirados que, meia-hora depois, vemos o sol aparecer sobre o horizonte e iluminar uma vastidão de penhascos afiados que irrompiam da névoa e de uma base verdejante de vegetação trepadora.

Névoa matinal

Alvorada traz a primeira luz do dia à montanhas flutuantes arborizadas de Huang Shan.

Por norma, para se apreciar uma montanha tem que se olhar para cima, por vezes em ângulos desgastantes para qualquer pescoço. A beleza de Huang Shan revela-se quase sempre para baixo.

Para baixo, e ao longo de altos e baixos que, desde, no mínimo, há 1500 anos, os habitantes da zona e trabalhadores da estância equiparam com mais de 60 mil degraus.

O dia mal começou. As coxas e os gémeos já nos fervem.

Vista surreal

Homem prepara-se para fotografar o cenário surreal de Huang Shan, a partir de um dos miradouros da montanha.

Huang Shan. Montanhas Amarelas Acima, Montanhas Flutuantes Abaixo

Massacramo-los naquelas mesmas escadarias que nos levaram, pouco depois, ao corredor apertado do Refreshing Terrace, o recanto limiar de onde se avista o Beginning to Believe Peak, assim chamado em honra de um peregrino do século XVIII que se mostrava céptico quanto à beleza de Huang Shan.

Picos florestados

Cumes aguçados das montanhas flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros endémicos.

Até ao anoitecer, conquistaríamos com prazer masoquista inúmeros outros cumes. E depressões apuradas por uma escultura natural pré-histórica de cortar a respiração.

Voltamos à zona de Beihai.

Cruzamo-nos com um qualquer sino-magnata sentado à laia de lorde num cadeirão-padiola de bambu, levado às costas por carregadores massacrados em uniformes azuis.

Vemo-los deterem-se para o passageiro comprar uma maçaroca de milho cozido a um vendedor por ali instalado. Logo, respiramos fundo e enfrentamos a escadaria sem fim que nos conduziria a novas alturas.

Muitos dos picos e rochas de Huang Shan foram baptizados pelos chineses com nomes pomposos inspirados em figuras e narrações religiosas ou mitológicas.

Pinheiro cume, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes

Pinheiro de Huang Shan instalado no cimo de um penhasco de granito das Montanhas Flutuantes

Em Busca da Flying Over Rock das Montanhas Amarelas Flutuantes

Nesse momento, ascendíamos para a longitudinal Flying over Rock, assim chamada por que assenta, em equilíbrio, sobre uma plataforma elevada exígua, onde parece ter aterrado do céu.

Foi mais ou menos isso que acharam os trabalhadores de Huang Shan quando viram surgir na sua montanha, em 1980, o falecido Deng Xiaoping, então, com 75 anos de idade.

A sua aparição foi de tal forma milagrosa que, após a visita do líder supremo, as autoridades chinesas abriram a montanha a visitantes estrangeiros pela primeira vez desde a Revolução Cultural chinesa.

Aliviamos a pressão crescente sobre os músculos e tendões quando, por fim, avançamos por terreno liso até às imediações dos sopés dos picos mais elevados da cordilheira, o Bright Summit Peak (1840m) e o Lotus Peak (1864m).

Vários trilhos entroncam, por ali, junto às estranhas estações meteorológicas e de TV.

Escadaria em volta, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes

Jovem visitante examina uma escadaria que contorna um penhasco das montanhas flutuantes de Huang Shan

E o Retiro Remoto da Walking Fairy Bridge de Huang Shan

Uma zona semi-aplanada acolheu um mini-complexo de restauração em que se aglomeram centenas de almas extasiadas e esfomeadas. Refrescamo-nos a admirar a peregrinação longínqua rumo ao cume mais alto de Huang Shan.

Meia-hora depois, retomamos caminhada, por uma longa levada erma que estimávamos que nos conduzisse às profundezas da Walking Fairy Land Bridge.

A caminho do escuro

Visitante aproxima-se de um túnel que conduz à Walking Fairy Land Bridge.

Prosseguimos 40 minutos a fio, sem vermos vivalma, perturbados pela perspectiva do equívoco e de termos que subir, em vão, tudo o que estávamos a descer.

Até que, após cruzarmos um túnel misterioso, lá vislumbramos o monumento, a unir a meio dois enormes paredões de pedra polida.

Naquele recanto místico, como um pouco por toda a parte, sustentam-se inúmeros pinheiros de Huang Shan.

Passagem de conto de fadas

Walking Fairy Land Bridge: uma ponte de pedra que une dois paredões verticais de granito.

Ostentam formas e tamanhos sortidos que os chineses consideram exemplos únicos de vigor por brotarem das rochas e terem, muitos deles, mais de cem anos.

Nessa altura, sentíamos as pernas tão duras como o granito predominante da paisagem, posto a descoberto há cerca de 100 milhões de anos quando um antigo mar sucumbiu a movimentos tectónicos extremos.

Pinheiros de Huang Shan, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes

Vegetação endémica destacada da floresta das montanhas flutuantes de Huang Shan

A Área Ilusória da Montanha Amarela e a Ficção Nela Inspirada de “Avatar”

Confrontamo-nos com a “Illusion Scenic Area” e com a realidade dramática de que o passadiço suspenso que nos devia permitir atalhar o retorno para Beihai tinha sido fechado por risco de colapso.

É, assim, já quase insensíveis da cintura para baixo a qualquer esforço que invertemos marcha para o cimo daquele domínio extraterreno que o realizador James Cameron terá transposto para o ecrã em “Avatar”.

Ocaso, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes

Ocaso reforça as linhas de horizonte da grande cordilheira de Huang Shan, a montanha amarela.

Também ele deslumbrado com os panoramas sublimes de Huang Shan, Cameron repetiu em conferências de imprensa que havia sido aquela a inspiração de grande parte dos cenários alienígenas do filme. Em particular da montanha “Hallelujah”.

Cameron confessou, aliás, uma subserviência pouco cerimoniosa face à versão geológica original. “Tudo o que tivemos que fazer foi mandar uma equipa para lá alguns dias e tirar fotografias. Depois, foi só recriar Huang Shan em Pandora”.

De acordo com o enredo do filme, os humanos extraem desta lua habitável imaginária, um mineral precioso chamado unobtanium e a expansão da mineração ameaça a existência do povo humanóide azulado Na’vi.

Crepúsculo quente

Pôr-do-sol tinge o céu sobre Huang Shan de vermelho.

Já Huang Shan, é considerada e retratada, há muitos séculos, como a montanha mais encantadora da nação. Continua a gozar da protecção das autoridades chinesas.

Para sorte dos terráqueos felizardos que desgraçam as pernas a desbravá-la.

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