Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué


Acima de tudo e de todos

Pormenor do Heroes Acre, o mausoleu dos heróis da guerra de insurgência contra a minoria branca supremacista que governava a Rodésia predecessora do Zimbabué. Mugabe surge no topo. 

Fila obrigatória

Transeuntes carregados percorrem uma rua movimentada de Harare, dominada por uma grande loja de visual ainda semi-colonial.

Harare de longe

O casario de Harare visto de um ponto mais alto nos arredores da cidade enfeitado por um arbusto euphorbia e controlado pelo exército.

Ao Insurgente Desconhecido

Figuras douradas - dois homens e uma mulher - do monumento aos insurgentes desconhecidos da "Bush War" a guerra de libertação contra a minoria branca da Rodésia. 

Extensão de negócio

"Cabeleireiro" de rua ajusta extensões a uma senhora. As extensões são adereços prolíficos no Zimbabué, como em vários países vizinhos.

Auto-locomoção

À falta de uma besta de carga, um vendedor de fruta empurrra a sua própria carroça carregada de laranjas.

Mugabe vs Jesus

"Mugabe é um Anjo" versa a capa do jornal Newsday Weekender

Mercado Negro

Cambistas com cadeiras trazidas de casa seguram grandes molhos de notas bafientas. Negócios com dólares americanos, euros, rands sustentam estas empresárias oportunistas.

Velho betão africano

Rua da capital do Zimbabué, Harare, com a sua arquitetura gasta e mista: com algo de soviético, de africano e colonial britânico.

Hipermercado de rua

Vendedores de rua mesmo no centro de Harare. Com a taxa de desemprego de país, nem o despótico Robert Mugabe tem a coragem de os expulsar. 

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Aterramos de um voo de hora e meia do extremo norte do Zimbabué. A avioneta detém-se. Gellys escolta-nos até à zona em que as malas seriam entregues.

Não falámos durante o voo. Limitámo-nos a aproveitar o privilégio de contemplarmos de pouca altitude a incrível paisagem do Zimbabué. Gellys, manteve-se ocupado com os  comandos e botões da aeronave.

Ali detido pela demora da bagagem, o piloto revelou uma agradável cortesia britânica e com uma informalidade que só muitos anos naquelas partes de África moldam nos súbditos de Sua Majestade ou descendentes. Aproveitamos a sua predisposição.

O Drama Particular das Vidas Brancas do Zimbabué

“Então e isto de ser piloto começou como?” perguntamos-lhe. “Bom, como um passatempo e enquanto mantivemos a quinta, manteve-se só isso. Depois…levaram-nos tudo. Agora, é o que me permite sobreviver por cá.” Por mais dramáticas que parecessem, as suas palavras não nos surpreenderam.

Estávamos a par dos acontecimentos. “Mas e, no vosso caso, houve violência?” acrescentamos. “Violência física não, mas era uma pressão a que não podíamos resistir. Aparecia uma turba com armas e dizia que tínhamos que sair até tal dia. Depois, voltavam mais a sério.

Não vimos alternativa. Deixámos a casa e a propriedade. A maior parte dos zimbabueanos brancos perdeu tudo. Nós, os que ficámos por cá noutras condições, continuamos a sujeitar-nos à loucura do Mugabe e a muita discriminação.”

As malas chegam. Gellys tinha o regresso a Mana Pools a cumprir. Despedimo-nos com o desejo de um melhor futuro para ele e para o Zimbabué. Por essa altura, tanto nós como Gellys estávamos conscientes que, para começar, tudo dependia da resiliência de Robert Mugabe.

A Guerra de Independência e a Ascensão Fulminante de Robert Mugabe

Mugabe foi o mais proeminente líder da guerra de Libertação travada contra a minoria branca da República da Rodésia, auto-proclamada independente do Reino Unido, em 1965. Durante toda a sua vida, Robert Mugabe abominou a supremacia da minoria branca em que cresceu. Este ódio viria, aliás, a condicionar a sua futura governação do Zimbabué.

Entre penas de prisão e encontros com líderes marxistas, Mugabe liderou forças militantes e de guerrilha que, mal Moçambique obteve a independência de Portugal, operaram a partir da extensa zona fronteiriça com o actual Zimbabué.

Em 1979-80, excepção feita à África do Sul do Apartheid, sua óbvia aliada, o regime supremacista e, em boa parte, racista da Rodésia estava isolado. Do outro lado, Mugabe via-se pressionado por Samora Machel e outros líderes para pôr termo ao conflito. Muito contrariado, acedeu.

Na sequência, resistiu a várias tentativas de assassinato das facções ZAPU e ZANLA, que passaram a disputar o poder com o seu ZANU. O partido ZANU venceu as eleições. Em Abril de 1980, Mugabe prestou juramento enquanto Primeiro-Ministro já não da Rodésia mas de um Zimbabué reconhecido pela maior parte do mundo.

Os seus anos iniciais de governação indiciaram estabilidade mas Mugabe veio a revelar-se um déspota ressentido, com vistas curtas, vulnerável a vaipes e a paranoias.

Dólares, bonds e a Inflação há muito Surreal

Não saíramos sequer do aeroporto. Os danos provocados pelas suas quase quatro décadas no poder sucediam-se. Por excessiva descontração, tínhamos chegado apenas com euros. As caixas ATM não tinham nem dólares americanos nem os bonds zimbabueanos criados quando o dólar nacional se desvalorizou tanto que nem meia linha de um caderno chegava para anotar quantos valiam 1 USD ou 1 Euro.

Ao fim de alguma investigação, conseguimos um misto da moeda americana e de bonds como troco da compra de um protector solar, na farmácia das Chegadas. Aprendida a solução, continuámos a obtê-los, um pouco por todo o país, nos supermercados das maiores cadeias. Às tantas, mesmo sabendo que fora do Zimbabué, os bonds valeriam zero já nem refilávamos para garantirmos troco em dólares americanos.

Um motorista do turismo local recebe-nos e conduz-nos ao hotel. Descansamos uma mera hora. Voltamos a sair com ele, guiados ainda por uma cicerone do governo, Salome, que cumpre instruções e nos leva ao National Heroes Acre, a 7km do centro. Entregue aos chats do seu telemóvel, Salome pouco nos liga ou dirige palavra.

O motorista dirige, como é suposto, mas quase só fala com Salome. O monumento nacional não tarda. No cimo de uma escadaria curta, inicial e central, estão o túmulo e estátua de bronze de homenagem aos insurgentes desconhecidos que perderam a vida na guerra de libertação.

O Heroes Acre e a “Chama Eterna” do Zimbabué

Compõem a estátua três guerrilheiros armados e em poses altivas: uma mulher e dois homens. As duas extremidades do monumento são delimitadas por murais que narram a história do Zimbabué.

No cimo da colina, sobre uma torre com 40 metros assim elevada para ser vista de Harare, destaca-se a “Chama Eterna”. Foi acesa aquando das celebrações da Independência do Zimbabué de 1982.

Fiel às suas inclinações marxistas, Mugabe, adjudicou a construção do Heroes Acre a uma empresa norte-coreana. Não nos espantou, portanto, apurar que o mausoléu imitava o Cemitério dos Mártires Revolucionários de Taesong-guyok, nos arredores de Pyongyang.

O Heroes Acre serve de última morada cerimonial dos insurgentes zimbabueanos. Nessa mesma tarde, um forte contingente de militares e trabalhadores civis prepara, ali, o funeral de um desses heróis, o Comandante Naison Ndlovu, que falecera dias antes, com 86 anos.

Ndlovu era estimado não só pelo seu papel na independência do Zimbabué como pela integridade que manteve durante toda a sua vida contra o regionalismo e o tribalismo. Isto, num país que ainda hoje padece da polarização por vezes irracional entre as suas etnias predominantes, a xona, de Robert Mugabe e a Ndebele, ambas do ramo Bantu.

Em certas fases da sua longa ditadura, Mugabe levou esta oposição xona vs Ndebele a extremos sanguinários.

Harare: a Capital de Todos os Equívocos

Regressamos ao centro. Harare mantém-se tranquila dentro do que o seu caos controlado de incontáveis pedestres e vendedores e compradores de rua concede, claro está.

Com o próprio Mugabe a admitir que o desemprego se cifrava entre os 60 e os 90%, só as incontáveis iniciativas privadas de tudo um pouco sustentam as famílias – por norma, numerosas – e mantém ligada à máquina a moribunda economia local.

Enquanto caminhamos, passamos por sucessivas bancas improvisadas à porta de lojas que, não raras vezes, se veem forçadas a admitir a concorrência.

Ao ponto a que as coisas chegaram, Mugabe até se pode queixar na imprensa que Harare nunca voltará a ter turismo enquanto estiver cheia de lixo (em grande parte o deixado pelos vendedores de rua ao fim do dia). Mas também sabe que forçar a remoção dos vendedores poderia representar o princípio do seu fim.

Como tal, no meio de uma fascinante floresta urbana de prédios em que a arquitectura soviética dos anos 70 se mescla com influências africanas e outras coloniais britânicas, a sina pesada de Harare prossegue à sombra e ao sol de melhores e piores dias. Uma senhora compõe extensões capilares vistosas a outra.

Sentadas em cadeiras trazidas de casa, cambistas seguram enormes molhos bafientos de notas. À falta de besta de carga, um vendedor de fruta empurra a sua própria carroça cheia de laranjas. São meros exemplos de uma miríade de modos de sobrevivência.

Harare e o Zimbabué há muito Entregues aos seus Destinos

Nem zimbabueanos brancos nem turistas. Não vemos um único branco na cidade. Começamos, aliás, a sentir que por aquelas alturas, éramos os únicos. Mas as estatísticas garantem que ainda lá se mantêm vários milhares deles, de cultura anglófona e – não podiam faltar – muitas centenas de portugueses, mais de mil no Zimbabué, donos de restaurantes, de empresas rurais, de turismo e do que mais lhes tenha calhado na vida.

Mas, voltemos à decadência do Zimbabué. Até 1987, Mugabe manteve-se ocupado com um combate sanguinário e tresloucado contra as facções que se haviam dedicado a uma oposição de banditismo nas províncias mais remotas do país.

Para as controlar, Mugabe não olhou a meios e terá causado a morte a cerca de 20.000 civis. Nos 37 anos do seu jugo, mataria rivais e súbditos com relativa frequência, às vezes, pelas razões mais estapafúrdias.

Em 1987, Mugabe conseguiu não só a fusão entre os dois principais partidos rivais como a mudança da constituição. Declarou-se presidente executivo. Plenipotenciário, apressou-se a abolir os vinte assentos lugares parlamentares reservados a brancos. A expulsão não se ficou pela assembleia.

As Expropriações, outros Caprichos e Loucuras de Mugabe

A população negra não parava de aumentar. Para alegadamente os alojar, Mugabe decretou que iria expropriar, sem apelo, vastas propriedades agrícolas, algumas exploradas por famílias brancas desde o início dos tempos coloniais. Muita desta terra foi, todavia, entregue a ministros e a oficiais superiores, vários, antigos combatentes da Guerra de Libertação.

Ao inteirar-se disto, o Reino Unido suspendeu o seu programa de apoio (até então, atribuíra 44 milhões de libras) à compensação dos brancos expropriados.

Como se não bastasse, em 1997, os antigos combatentes da Guerra Revolucionária intensificaram os pedidos de pensões pelos seus serviços militares. Mugabe não tinha como rejeitar. Ignorou todo e qualquer bom-senso económico-financeiro e limitou-se a imprimir centenas de milhões de dólares zimbabueanos.

Este influxo gratuito de notas contribuiu para os valores anedóticos da inflação que se seguiram: 100.000% em 2008 quando uma fatia de pão custava um terço de um salário mensal. A cotação da moeda nacional, essa, já não tinha adjectivo que a qualificasse.

Mugabe colocava as culpas da catástrofe na minoria branca resistente que dizia continuar a controlar a agricultura, as minas e a produção industrial. Diabolizou os brancos e os seus próprios oponentes negros.

Aproveitou ainda para desviar a atenção do dano das suas políticas com a preocupação crescente da homossexualidade que explicou como uma importação da Europa, sendo os gays “piores que cães e porcos… culpados de comportamentos sub-humanos.”

Do Zimbabué Celeiro da África sub-Sahariana à Fome Generalizada

De 2000 em diante, as ocupações de terras agravaram-se, levadas a cabo por gangs armados que não se furtaram a violações e a assassínios. Tudo se revelou orquestrado por Mugabe que assim vingou o papel que os brancos teriam alegadamente tido nos seus maus resultados das eleições desse ano.

Fossem quem fossem, faltavam aos novos beneficiários o conhecimento ou meios técnicos e até financeiros para manterem as terras produtivas.

Até então, conhecido como o celeiro da África sub-Sahariana e um forte exportador, à medida que mais brancos e empresas abandonavam o país, a economia do Zimbabué agravou-se ao ponto de 75% da população depender de ajuda externa para se alimentar.

Nada disto parecia incomodar o velho ditador. Mugabe continuou pelos anos 2000 fora a acicatar o estado de semi-guerra em que o país vivia com o único propósito de eternizar a sua tirania.

Num outro dia de Junho de 2017, visitamos as pinturas rupestres de Domboshava, a uns 30 km de Harare. À ida, passamos pelo quarteirão da mansão presidencial. Meio alertada, Salome proíbe-nos de ali fotografarmos. Dez quilómetros depois, de forma brusca, batedores motorizados mandam-nos encostar à berma.

Os Tempos de Mudança Iminente do Zimbabué

Uma interminável caravana de veículos híper-luxuosos e militares em que seguia Mugabe dirigia-se ao funeral do Comandante Naison Ndlovu, no Heroes Acre. E Mugabe não brincava em serviço. Além de um batalhão de soldados e forças especiais noutros carros e vans, protegia-o um veículo com metralhadoras de estilo antiaérea.

Mas, com 93 anos, os anticorpos no seu organismo enfraqueciam. Os da política do Zimbabué, esses, sentiam como nunca a urgência de o extraírem de vez do país.

Mais ou menos um mês depois, o Exército Nacional percebeu que Mugabe se livrara do antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa para, mesmo contra a vontade expressa do povo, impor a sua mulher Grace – Gucci Grace, como lhe chamam nas ruas – à sua sucessão.

Já sem nada a temer, os generais entraram por fim em cena e colocaram Mugabe em prisão domiciliária. Sentindo o apoio dos militares, no passado dia 19, em clima de grande festa, os delegados demitiram-no da presidência do partido ZANU-PF e apontaram Emmerson Mnangagwa como novo líder.

Horas depois, Mugabe discursou na TV, na presença algo preocupante de membros das forças armadas, de outros oficiais e de um padre.

Fez tábua rasa de tudo o que se havia passado. Declarou que, dentro de semanas, presidiria ao congresso do partido. Não considerou a sua saída do ZANU-PF, quanto mais da presidência do país. Um dia depois Robert Gabriel Mugabe, o decano dos tiranos de África demitiu-se finalmente da presidência do país.

Encerrou, assim, as quase quatro décadas de prepotência, loucura, uso e abuso do Zimbabué. Segue-se o seu vice-presidente Emmerson Mnangagwa. Após 37 anos de frustração, as expectativas do povo não podiam ser mais elevadas.

Grande Zimbabwe

Grande Zimbabué, Mistério sem Fim

Entre os séculos XI e XIV, povos Bantu ergueram aquela que se tornou a maior cidade medieval da África sub-saariana. De 1500 em diante, à passagem dos primeiros exploradores portugueses chegados de Moçambique, a cidade estava já em declínio. As suas ruínas que inspiraram o nome da actual nação zimbabweana encerram inúmeras questões por responder.  

PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

Grande Zimbabué

Grande Zimbabué, Pequena Dança Bira

A aldeia KwaNemamwa está situada junto ao lugar mais emblemático do Zimbabwé, aquele que, decretada a independência da Rodésia colonial, inspirou o nome da nova nação. É ali que vários habitantes de etnia Karanga exibem as danças tradicionais Bira aos visitantes privilegiados das ruínas de Great Zimbabwé.

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Inari, Finlândia

A Assembleia Babel da Nação Sami

A nação sami é afectada pela ingerência das leis de 4 países, pelas suas fronteiras e pela multiplicidade de sub-etnias e dialectos. Mesmo assim, no parlamento de Inari, lá se vai conseguindo governar

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Dorasan, DMZ - Coreia do Sul

A Linha Sem Retorno

Uma nação e milhares de famílias foram divididas pelo armistício na Guerra da Coreia. Hoje, enquanto turistas curiosos visitam a DMZ, várias das fugas dos oprimidos norte-coreanos terminam em tragédia

Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As quedas d'água que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua raínha

Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Verificação da correspondência
Cerimónias e Festividades

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Acima de tudo
Cidades
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Debate ao molho
Cultura

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Em Viagem
Estradas Imperdíveis

Grandes Percursos, Grandes Viagens

Com nomes pomposos ou meros códigos rodoviários, certas estradas percorrem cenários realmente sublimes. Da Road 66 à Great Ocean Road, são, todas elas, aventuras imperdíveis ao volante.
Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Budismo XXL
História
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O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
A pequena-grande Senglea
Ilhas

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Brigada incrédula
Natureza

La Digue, Seichelles

Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Via caribenha
Parques Naturais
Overseas Highway, E.U.A.

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.
Foz incandescente
Património Mundial Unesco

Big Island, Havai

À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Aulas de surf
Praia

Waikiki, Havai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbour e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.

Himalaias urbanos
Religião
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Colosso Ferroviário
Sobre carris

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Solidão andina
Sociedade

Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução desde 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida chegou à sua estação terminal. Foi levada a cabo nas montanhas andinas por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Brincadeira ao ocaso
Vida Selvagem
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.