Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida


Tédio terreno

Mulher toca uma das máscaras usadas pela troupe de dançarinos. Ao lado, o seu dançario e dono, revela-se ensonado.

Danças com deuses

Dançarinos mascarados gatha actuam durante uma cerimónia kayta puja de admissão de jovens rapazes à casta e a linhagem familiar.

Tejit, o contemplado

Tejit, um dos irmãos honrados pela cerimónia kayta puja que acompanhámos em Bhaktapur.

Tradição das novas gerações

Dançarinos gathas durante um período de repouso da sua actuação.

Hora do banquete

Mulheres preparam-se para dispor tabuleiros com oferendas de comida que alimentarão os dançarinos mascarados e outros participantes na cerimónia.

Mascarada

Algumas das máscaras usadas pela troupe que animava a cerimónia kayta puja.

Repouso dos deuses

Máscara descança ao lado do dançarino gatha que encarna a sua personagem divina. 

Contemplação

Dançarinos gatha, com os tabuleiros das suas refeições aos pé, contemplam uma mulher em traje tradicional que dá de beber aos participantes na cerimónia.

Deuses & homens

Mascarados gatha convivem com participantes na cerimónia, estes com os tradicionais barretes nepaleses dakha topi

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.

O Ritual Bartaman Inesperado de Bhaktapur

Terminada a quase hora de viagem com partida de Katmandu, descemos, por fim, do velho autocarro. Um pouco por todo o Nepal, as praças Durbar marcam o centro histórico de cada povoação. O passo seguinte seria sempre encontrarmos a de Bhaktapur mas, metemo-nos por ruelas e vielas e, por sorte, perdemos o seu sentido.

Cinco minutos de desorientação depois, chega-nos música exótica aos ouvidos. Em modo de pura descoberta, perseguimos o inesperado estímulo até que nos deparamos com uma celebração esotérica a ter lugar num largo da povoação.

Uma trupe de dançarinos gathas, masculinos como é suposto e de todas as idades, faz rodopiar trajes gastos mas ainda garridos, consoante uma coreografia partilhada. Cada um deles, faz também girar a máscara que usa ao som de flautas nepalesas de bambu basuri, de um violino, de um pequeno tambor tradicional madal e de uma espécie de acordeom de colo, segundo o ritmo adicional marcado por címbalos de cobre. Instalada, à margem, sobre dois degraus na base de uma loja, a banda contrasta com o grupo de dançarinos.

Estes, agitam-se como demónios possessos, já os músicos, tocam imobilizados nas suas posições de orquestra remediada e nos trajes do dia-a-dia. Junta-se-lhes um cantor de pouco mais de meia-idade, determinado a estabelecer com a sua voz, uma ponte entre os dois mundos.

Do Transe Místico ao Banquete Terreno

Os mascarados prolongam a exibição no centro da praceta e das atenções das dezenas de convivas presentes. Até que o transe comunal deixa de os assistir. Entregam-se, então, a um suado repouso terreno, lado a lado com as máscaras que usavam, coroados pelos turbantes altos e encardidos que antes lhes sustentavam as cabeçonas divinas.

Enquanto isso, as mulheres presentes, preparam tabuleiros com oferendas de refeições sortidas de arroz, legumes e carne, acompanhadas por chyang (um vinho leitoso de arroz), por frutas, bolachas, pastéis e outros doces. Mesmo se os saris e faixas lustrosas pouco as ajudam, as senhoras dispõem os tabuleiros numa fileira e servem os dançarinos que recuperam as energias recém-despendidas.

O repasto dura o que dura. No seguimento, um dos gathas recoloca a enorme máscara vermelha que lhe pertence sobre ombro, algures na fronteira entre o sagrado e o profano que o povo Newar e os nepaleses seus descendentes se habituaram a ajustar. Do seu lado mais exposto, o divino; no encoberto, o humano.

Dividido por ambos, passa a abençoar os participantes com mãos-cheias de arroz cozido, augúrio de prosperidade e consequente felicidade.

O ritual exuberante com que nos tínhamos deparado era, ele próprio, um sintoma dessa prosperidade. Por mais que se esforcem, nem todas as famílias newar ou nepalesas se podem dar ao luxo de contratar uma trupe de dançarinos e os músicos necessários, de trajar vestes sedosas ou assegurar oferendas satisfatórias.

Como noutras partes, os rituais mais faustosos de fé são para quem os Deuses já prendaram com fortuna. O Nepal não foge a regra.

Crenças e Rituais Tão Budistas Quanto Hindus

Anichados entre a vastidão budista do Tibete e do reino do Butão e a do subcontinente indiano em grande parte hinduísta, os newar e os seus descendentes nepaleses são uma coisa e a outra. Na teoria, 85% assumem-se hindus. A maioria dos restantes, budistas.

Na prática e no Vale de Katmandu, todavia, as duas religiões entrecruzaram-se de tal forma que separá-las se prova complicado. Os Newar não têm qualquer pejo em admiti-lo. Orgulham-se, aliás, de uma das suas mais populares piadas, que versa que, num contexto pessoal, qualquer newar é 60% hindu e 60% budista.

Esta duplicidade justifica, por exemplo, que os dez rituais karma konkyu sucessivos do seu ciclo de vida possam ser levados a cabo tanto por sacerdotes hindus como por budistas, prevendo-se, claro está, determinadas diferenças de filosofia e de culto.

Rituais Newar Para Todas as Ocasiões

Numa ordem cronológica, o primeiro dos principais rituais, o Machabu Beakegu, é realizado aos onze dias de vida. Abençoa e saúda os recém-nascidos. O segundo, janko samskara celebra a primeira comida sólida (por norma, arroz) ingerida pelos recém-nascidos.

Tem lugar aos cinco meses para os bebés e aos sete meses para as bebés. Gera uma festa que dura, no mínimo, um dia inteiro, alimentada por sucessivas intervenções de uma sacerdotisa e da família, com uma visita ao templo de Ganesh mais próximo pelo meio.

Naquela visita cirúrgica a Bhaktapur, tínhamos esbarrado com uma cerimónia Bartaman, também conhecida por Kayta Puja, o ritual da passagem definitiva dos rapazes à esfera social da sua casta, realizada entre os quatro e os treze anos de idade.

Kayta Puja ou Bartaman, a Saída Espiritual da Vida Dependente

Na origem e, se respeitados todos os preceitos religiosos, esta cerimónia representa o afastamento dos rapazes da vida familiar dependente e um regresso transformado. Segundos esses antigos preceitos, os rebentos da família deviam rapar o cabelo e compenetrar-se na componente religiosa das suas existências, deixando as famílias para um período de ascetismo ou para se tornarem monges num mosteiro.

A tradição já não é tão austera mas continua a caber a um tio maternal a tarefa simbólica de atrair os rapazes de volta à família com uma oferta generosa de dinheiro.

A Kayta Puja a que assistimos fora realizada em honra de dois irmãos, Tejit e Sushant, de cinco e nove anos. Nenhum se havia retirado para a floresta ou entrado num mosteiro. Ainda assim, as famílias do lado do pai e da mãe levavam o ritual dos miúdos com seriedade e empenho.

Eram ambos os herdeiros dos seus nomes. Não que um ou o outro disso tivessem já consciência mas, mais tarde, no mais doloroso dos ciclos de vida, serão eles os responsáveis por acender as piras fúnebres dos antepassados.

Comemoração da Menstruação, do Casamento e da Vetustez

Rituais complementares seguem a existência terrena dos newar. No caso das mulheres, o Barah é o equivalente feminino do Kayta Puja. Celebra o início da menstruação. Na correcta sequência, após o Kayta Puja e o Barah, há-de chegar a cerimónia Swayamvar que louva o momento sagrado do casamento.

Muitos anos depois, virá a Bura Janko, festejo religioso que consagra a transformação das pessoas – estejam sós ou ainda casadas – de meros humanos em idosos divinos. Como seria de esperar, a morte é sofrida. Não conta com a presença dos mascarados e das suas danças newar.

De comemoração estável, o ritual a que assistimos evolui para procissão. Os mascarados recolocam as máscaras e dançam rua abaixo. Seguem-nos os músicos e, logo, a comitiva de familiares e convivas a que nos juntamos.

A parada desloca-se apenas duas centenas de metros, pelo prolongamento da ruela delimitada por velhos prédios de tijolinho gasto. Volta a deter-se num largo mais abaixo. Ali, o espectáculo é retomado ainda e sempre com os gathas no centro das atenções.

Uma Convivência Complexa de Trupes e Géneros

No Vale de Katmandu, contrastam e rivalizam há muito dois tipos primordiais das danças newar a que assistíamos, a Nava Durga nativa de Bhaktapur e a Devi Pyakhas associada aos cultos de Ashta (manifestações da deusa hindu Devi Lakshmi da Prosperidade) de outra povoação, Panauti.

O primeiro tornou-se famoso pelas suas actuações, em tempos, indomadas e selvagens: imbuídos da encarnação demoníaca dos deuses, os dançarinos chegavam a matar galinhas, cabras e outros animais e a sugar-lhes o sangue, algo que impressionou deveras e para sempre as gerações de espectadores.

Já representadas pelos Devi Pyakhas, as divindades revelam-se bem mais tranquilas e ordeiras. Claro está que, nos últimos tempos, confrontados pela crescente escassez de requisições pelas famílias, até as troupes Nava Durga moderaram os seus comportamentos e ajustaram-nos aos ambientes em que actuam.

A Nava Durga e Afins

A troupe Nava Durga de Bhaktapur é uma das quatro que percorrem o Vale de Katmandu de Outubro a Junho, mês que marca o início das chuvas trazidas pela monção do Subcontinente, o fim da plantação do arroz e a celebração Gathamuga em que os nativos expulsam os demónios das suas casas e terras.

Neste período, as trupes Nava Durga invadem e aterrorizam as comunidades que visitam. Todas estão activas desde o remoto século XIII. Nos dias que correm, compõem-na elementos da casta de Gathu.

São jardineiros habituados a fazer as suas próprias máscaras com recurso a barro, a papel e a juta, ao contrário de outros dançarinos que preferem associar-se a famílias da casta Citrakar de pintores para que estes lhas criem de acordo com imagens padrão de livros semi-sagrados.

As máscaras usadas nas actuações tanto Nava Durga como Devi Pyakhas podem representar deuses masculinos ou femininos ou ainda com perfis divinos de animais, caso do elefante endeusado Ganesh; ou outros considerados meros “veículos” das divindades como o são o pavão e o leão.

Ou, por fim,… animais apenas e só animais: macacos, cães, veados, porcos, elefantes. Podem ainda encarnar demónios, maus espíritos e personagens humanas como sacerdotes, palhaços, mercadores e caçadores. Cada entidade tem correspondência a uma cor.

Máscaras, Cores e Divindades

O branco é usado para as personagens mais puras. O preto nas demoníacas. O vermelho e o negro representam poder e força. São sinónimo de comportamentos intempestivos, enquanto o verde se associa a nobreza de carácter. Mas o código cromático vai mais longe. Tal como o constatamos, cada divindade tem o seu tom predominante. Brahmayani é amarelo. Vaishnavi (outra shakti de Vishnu), verde. Kaumari, deusa hindu da guerra é vermelha ou castanha. Ganesh é branco e por aí fora.

Entretanto, os dançarinos mascarados que seguimos voltam a interromper as suas danças. Focam-se em nos cobrar e aos estrangeiros que se haviam aglomerado doações o mais generosas possível. Como já vimos, os dançarinos divinos newar pertencem a castas de baixo estatuto e parcos rendimentos.

Numa altura em que a tradição das danças newar mascaradas se prova cada vez mais difícil de preservar, a sua preocupação financeira tem, nos forasteiros endinheirados, um fundamento à altura.

Só que, na ressaca do grande sismo de Abril de 2015 que devastou boa parte do Vale de Katmandu, o governo impôs aos turistas preços exorbitantes de entrada nas suas praças históricas. Já tínhamos contribuído, numa base diária, com o pagamento exorbitante desses bilhetes.

A Luta das Trupes New Pela sua Sobrevivência

Sem surpresa e de forma algo injusta, não estávamos tão inclinados como seria suposto a recompensarmos aquela expressão Newari de arte para que – convém não esquecermos – ninguém nos tinha convidado. Contribuímos. Mas a quantia deixou os dançarinos gatha a resmungar e, a nós, a recearmos as retaliações dos deuses e espíritos que encarnavam.

O Vale de Katmandu já não é remoto como em tempos. A modernidade toma-o dia após dia e aniquila a razão de ser secular das trupes. Um estudo constatou que em 2013, a troupe Nava Durga só visitou seis lugares, ao contrário de dezenas deles em décadas anteriores.

Como se não bastasse, nesse ano, em Panauti, um dançarino que encarnava um palhaço partiu uma perna devido a uma desordem no público. Dai em diante, as trupes passaram a exigir mundos e fundos para voltarem a actuar nessa povoação o que, por sua vez, desmobilizou a vontade popular de lá renovarem a tradição.

Por tudo isto e por tantos outros caprichos do destino, o futuro das danças newar continua à mercê dos deuses.

Mais informação turística sobre o Nepal no site Welcome Nepal

Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Circuito Anapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.

Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Cerimónias e Festividades
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Assento do sono
Cidades

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Muito que escolher
Comida

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Cultura
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Épico Western
Em Viagem

Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos E.U.A. Hoje, na Navajo Nation, os navajos também vivem na pele dos velhos inimigos.

Manhã cedo no Lago
Étnico

Nantou, Taiwan

No Âmago da Outra China

Nantou é a única província de Taiwan isolada do oceano Pacífico. Quem hoje descobre o coração montanhoso desta região tende a concordar com os navegadores portugueses que baptizaram Taiwan de Formosa.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Sombra vs Luz
História

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

A pequena-grande Senglea
Ilhas

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Um rasto na madrugada
Natureza
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Parques Naturais
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Cidade dourada
Património Mundial Unesco

Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Fila Vietnamita
Praia

Nha Trang-Doc Let, Vietname

O Sal da Terra Vietnamita

Em busca de litorais atraentes na velha Indochina, desiludimo-nos com a rudeza balnear de Nha Trang. E é no labor feminino e exótico das salinas de Hon Khoi que encontramos um Vietname mais a gosto.

Himalaias urbanos
Religião
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Tsumago em hora de ponta
Sociedade

Magome-Tsumago, Japão

O Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

Fim da Viagem
Vida Quotidiana

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Acima de tudo
Vida Selvagem
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.