Jaisalmer, Índia

A Vida que Resiste no Forte Dourado de Jaisalmer


Conversa colorida
Mulheres convivem à porta do lar de uma delas num recanto do forte de Jaisalmer.
O Forte acima de tudo
As muralhas do forte de Jaisalmer destacadas acima do casario da cidade.
Só fachada
Fachada da haveli Baa Ri, em tempos um lar, hoje um museu conceituado de Jaisalmer.
Deuses vs Humanas
Mulheres em saris percorrem uma rua sombria do forte de Jaisalmer.
Praça Dushera Chowk
As fachadas douradas das havelis seculares da Praça Dushera Chowk em pleno forte de Jaisalmer.
Cavalaria Jainista
Pormenor arquitectónico do templo jainista do forte de Jaisalmer.
Por Ruelas e vielas
Motociclista percorre uma ruela apertada do interior do forte de Jaisalmer.
Confronto de scooters
Moradora passa numa viela colorida do interior do forte de Jaisalmer, com uma pintura de Ganesh acima.
Varandas a cores
Varandas trabalhadas numa ruela do forte .
De saída
Moradoras deixam o interior do forte por um dos pórticos massivos da estrutura.
A fortaleza de Jaisalmer foi erguida a partir de 1156 por ordem de Rawal Jaisal, governante de um clã poderoso dos confins hoje indianos do Deserto do Thar. Mais de oito séculos volvidos, apesar da contínua pressão do turismo, partilham o interior vasto e intrincado do último dos fortes habitados da Índia quase quatro mil descendentes dos habitantes originais.

Tínhamos estado pela primeira vez em Jaisalmer, no já longínquo ano de 1999. Quase vinte anos depois, o regresso à cidade e ao forte de Jaisalmer suscitava-nos um entusiasmo que não nos esforçávamos por conter, uma vontade de chegar que se confundia com a curiosidade pelo que ainda recordávamos e pelo que nos viria à memória, pelo que o tempo mantinha e pelo que teria mudado sem retorno.

Queríamos voltar a sentir o quão especial era esta cidade-fortaleza projectada das areias e solos amarelados do Deserto do Thar. E queríamos senti-la, tal como na primeira vez, bem junto ao seu coração.

Lembrávamo-nos da abundância de pousadas e pousadinhas que, entre muralhas, sustentavam dezenas de proprietários de moradias tradicionais. Algumas, eram verdadeiras havelis, mansões douradas majestosas com fachadas exuberantes de que se destacavam conjuntos de varandas trabalhadas e rendilhadas à exaustão.

Outras, lares minimais, ainda assim encantadores na sua simplicidade elegante. Quase todos, eram coroados por terraços que revelavam o labirinto formado pelo casario amarelo em redor e parte dos 99 bastiões que encerram o seu domínio muralhado de quase 500 metros de comprimento por 230 de largura, disposto 76 metros acima do desértico em que assenta.

Jaisalmer, Rajastão, India

As muralhas do forte de Jaisalmer destacadas acima do casario da cidade.

Memórias Não Eclipsadas

Em 1999, tínhamo-nos alojado numa destas casas de encantar. A 11 de Agosto, era o dia de aniversário do autor do texto. Não só. Um ajuste raro e caprichoso dos astros prendou-o com um eclipse total do sol.

Apreciámos o fenómeno do terraço do edifício leite-creme em que nos havíamos instalado. Em redor, muitos outros indianos ligados por uma consanguinidade quase milenar seguravam radiografias dos ossos das famílias em frente à face e faziam o mesmo.

Por volta das quatro da tarde, à medida que a lua se interpôs entre a Terra e o Sol, o dia escureceu bem antes do tempo e deixou os animais atarantados.

Bandos de corvos esvoaçavam sem sentido pelo céu acinzentado. Abaixo, intrigados pelo súbito instalar daquela atmosfera apocalíptica e quanto ao que o breu inesperado lhes reservava, vacas sagradas mugiam e os cães ladravam e uivavam sem apelo. Mas, tal como forçara a escuridão, a lua não tardou a debandar daquela posição astronómica inconveniente.

Ainda tivemos duas horas de tarde solarenga até ao ocaso normal se desenrolar. Nesse tempo, o eclipse manteve-se, claro está, o tema fulcral de incontáveis conversas. De varanda para varanda. De terraço para terraço. Ou de terraço para varanda. Por essa altura, como na nossa derradeira visita, não faltavam vizinhos tagarelas ao âmago histórico e elevado de Jaisalmer.

Chegada Directa ao Forte de Jaisalmer

Decorridos quase dezanove anos, por volta das seis da tarde, o autocarro em que seguíamos desde Jodhpur deu entrada no terminal improvisado da Gadisar Rd. Já tínhamos o anfitrião de Jaisalmer à espera. Metemo-nos os três num dos riquexós motorizados também prolíficos naquelas paragens do Rajastão.

Uns minutos depois, o condutor fazia o veículo barulhento percorrer a Fort Rd, pelo sopé da muralha nordeste. Logo, cruzou o pórtico de Akhrey Prol, o único que permanece aberto ao trânsito e aos pedestres. E o que faz de fronteira entre a cidade amuralhada e a de fora, a espraiada pela lisura do Thar.

Praça Dushera Chowk, Jaisalmer, Índia

As fachadas douradas das havelis seculares da Praça Dushera Chowk em pleno forte de Jaisalmer.

O condutor castiga o riquexó a vencer a rampa sinuosa que conduz ao cimo. Entra na praça Dushera Chowk. Encontramo-la igual ao que nos lembrávamos do último ano do século XX: assoberbada pela imponência da Baa Ri Haveli, uma mansão resplandecente com 450 anos, recentemente transformada em museu do Forte.

Manadas de vacas sem rumo barravam a passagem às motas e aos riquexós. Forçaram aquele em que seguíamos a uma passagem apertada que rasou a base do edifício e os estendais de saris, mantas, panos de turbantes e outros artesanatos têxteis expostos num estendal-montra improvisado.

O Fascínio do Cimo Dourado

O riquexó deixa-nos à porta da Maharani Guest House. Hanif, o jovem dono de cara rajastani farrusca e bigodinho só para dizer que lá está dá-nos as boas-vindas e ajuda-nos a carregar as malas escadas acima. Ficamos instalados num quarto interior servido por um pátio avarandado e por umas escadas curtas que conduziam ao derradeiro nível do terraço.

O lugar era tão modesto como barato. Ainda assim, estava imbuído daquele ambiente de esconderijo de Ali Baba e os Quarenta Ladrões que já conhecíamos de Jaisalmer, que nos fascinava e ansiávamos por reviver. Tínhamos chegado derreados das mais de seis horas de viagem mal sentada e encalorada.

Mesmo assim, refrescamo-nos, ajustamos a bagagem ao novo espaço e saímos à redescoberta, acariciados pela brisa vespertina e invernal que ventilava o Thar.

Vida e Espiritualidade, Espiritualidade e Vida

Mal descemos para a ruela em frente à pequena pousada, chega-nos aos ouvidos uma música cerimonial hipnótica disseminada pelo templo hindu Shri Laxminathji, a uns meros dez metros.

Templo jainista de Jaisalmer, Rajastão, India

Pormenor arquitectónico do templo jainista, forte de Jaisalmer.

Mas, os moradores continuavam a proibir aos forasteiros não praticantes as visitas ao seu templo. Como tal, prosseguimos no sentido contrário. Constatamos uma curiosa alternância entre pousadas familiares, velhas havelis recuperadas e transformadas em hotéis sofisticados.

E por casas seculares com pátios e divisões abertas para a rua em que as famílias se reuniam, celebravam a rotina quase religiosa da sua comunhão, ou descansavam para a laboral que a aurora vindoura lhes imporia.

Ganesh e os Convites Pressupostos para as Bodas Hindus

A espaços, a nossa deambulação recebia a bênção de Ganesh, o deus elefante dos Princípios, da sabedoria e do intelecto, do sucesso e da prosperidade, reverenciado em pinturas folclóricas sobre paredes rosas, anis ou de distintos tons garridos.

Algumas destas pinturas exteriores serviam de anúncios divinos das bodas a ter lugar entre moradores e moradoras do forte. Informavam os nomes de noivos e noivas e as datas das cerimónias. Também serviam de convites à vasta comunidade hindu da fortaleza, sem necessidade de cartas, envelopes ou outras formalidades.

Scooter numa ruela do forte de Jaisalmer, Rajastão, India

Moradora passa numa viela colorida do interior do forte de Jaisalmer, com uma pintura de Ganesh acima.

Entre os negócios do cimo do forte contavam-se boutiques, livrarias e lojas de recordações que agora almejam os forasteiros que por ali cirandam, uma ou outra mercearia antiga e, a salpicarem o casario, diversos restaurantes com menus que, a determinada altura, nos pareciam fotocopiados uns dos outros. Estabelecimentos algo clonados que só as decorações, as vistas dos edifícios e os preços que praticavam permitiam distinguir.

Negócios para Turistas e até Negócios de Turistas

Vários restaurantes – como outros negócios – eram já geridos por estrangeiros que se haviam rendido ao exotismo mágico de Jaisalmer e lá se tinham instalado até que o destino os levasse a novas paragens.

Alguns, ostentavam nomes que bradavam causas políticas complicadas de resolver. Numa noite, jantámos tarde e a más horas no “Free Tibet”. Na seguinte, sem sequer percebermos bem como, sentámo-nos no vizinho “Little Tibet” que nos deu a ideia de pertencer a um de vários espanhóis que se expatriados no forte ou na cidade em redor, longe de rivalizarem com a grande comunidade hindu que habita o interior da fortaleza há mais de oito séculos.

O forte esteve na génese da cidade que continua a louvar o líder Bhati Rawal Jaisal. Após um período de lento desenvolvimento, chegado o século XVI, Jaisalmer (traduzível como Forte de Colina de Jaisal) foi promovida a escala principal da Rota da Seda que ligava a Europa à China, via Turquia, Egipto e Índia.

A Riqueza Trazida pela Rota da Seda

Por essa altura, caravanas de mercadores carregados de tecidos, pedras preciosas, chás, especiarias, ópio e outras mercancias detinham-se umas atrás das outras em Jaisalmer. Fortificada, Jaisalmer podia garantir-lhes protecção de ataques dos malfeitores e piratas que patrulhavam o Thar.

Mas não só. Fornecia-lhes alimento, água e aposentos. Com o passar dos anos e das caravanas, os líderes de clãs anfitriões prosperaram. De tal maneira, que ergueram mansões e pousadas faustosas e templos tão ou mais sumptuosos, tanto dentro como fora das muralhas.

Haveli Baa Ri, Jaisalmer, India

Fachada da haveli Baa Ri, em tempos um lar, hoje um museu conceituado de Jaisalmer.

Quanto mais estes líderes procuravam exibir o seu fausto aos rivais, mais as suas havelis – como os templos – cresciam em tamanho e requinte. Em simultâneo, também o número de funcionários e servos que cada qual empregava subia de número. À laia de recompensa pelos seus préstimos e lealdade, muitos dos súbditos receberam casas no interior das muralhas.

Gopas, Purohit, Vyas etc. As Famílias Seculares do Forte de Jaisalmer

Uma família em particular, a de Vimal Kumar Gopa habita o forte há mais de 700 anos. Vimal Kumar é agora dono de uma loja de têxteis que gere a partir do seu lar de Kundpada. Este lugarejo do cimo do forte há muito que acolhe apenas membros da casta sacerdotal brâmane, descendentes dos conselheiros, professores e outros na base das decisões tomadas pelos regentes de Jaisalmer, do século XII até quase aos dias de hoje.

Só a turbulência causada pela independência indiana do Raj colonial britânico veio agitar o cenário político local. Por volta de 1947, apuradas negociações que tenderam a satisfazer quase todas as vontades dos marajás garantiram a passagem oficial para a república indiana, destas e doutras terras durante tanto tempo na sua posse.

A destituição do marajá de Jaisalmer Maharajadhiraj Maharawal Ragunath Singh provou-se particularmente tardia.  As suas funções foram abolidas da constituição, apenas em 1971. Durante a nossa visita, sentimos bem vigente a soberania dos seus herdeiros.

Chegamos à entrada do Raja Ka Mahal – o esplendoroso palácio real – munidos de uma carta do governo indiano que era suposto ajudar a abrir-nos as portas dos monumentos da nação. Os funcionários lêem-na e respondem-nos: “pois, mas este documento é do governo indiano e o palácio não é do governo, é do marajá.

Só é possível com autorização dele.” Não se referiam, claro está, ao derradeiro Maharajadhiraj Maharawal Ragunath Singh mas ao seu herdeiro. Esta rebeldia burocrática repetir-se-ia em vários outros edifícios e monumentos.

Num plano nobiliárquico abaixo, o séquito dos sucessivos marajás parece ter-se eternizado no interior da fortaleza de Jaisalmer. Sete séculos e mais de vinte gerações volvidas após a regência pioneira de Rawal Jaisal, o sub-clã brâmane de Gopa ocupa para cima de quarenta lares, quase todos situados lado a lado no sector de Kundpada.

Convívio em saris, Jaisalmer, Rajastão, India

Mulheres convivem à porta do lar de uma delas num recanto do forte de Jaisalmer.

Não é a única família extensa entre as muralhas, longe disso. No topo amuralhado do forte, os moradores que ostentam um apelido pertencem quase sempre a uma mesma família. Os brâmanes – os Gopas, como os Purohit, os Vyas e outros – conquistaram uma posição de relevo. Mas partilham a fortaleza com comunidades descendentes de outros agentes que, ao longo da história, sustentaram a suserania dos marajás: os Rajputs.

Bramânes, Rajputs e Marajás

Durante a nossa estada em Jaisalmer, tivemos o privilégio de acompanhar o Festival do Deserto da Cidade. E de constatar o protagonizam os rajputs do nosso tempo. Admirámo-los sobre camelos e dromedários, a exibirem uniformes, bigodes longos e fartos aparados e esticados sem mácula, e poses orgulhosas do passado bélico e glorioso destes guerreiros hindus do norte da Índia, encarregues de proteger Jaisalmer de tentativas de conquista e de saque.

Também eles e as suas famílias ocupam lugar de destaque no cimo dourado da cidade.  São fáceis de identificar pelos apelidos Bhatti (o clã ancestral de Rawal Jaisal), Rathore, e Chauhan.

Cada um destes clãs é tão ou mais numeroso que o próximo. Forma uma parte menor mas fulcral da incrível orgânica social do forte de Jaisalmer. E das quase quatro mil almas, por capricho da história rajastanis e indianas, que as suas muralhas continuam a defender do tempo.

Os autores agradecem o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades: Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Maguri Bill, Índia

Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano

O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.
Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Luderitz, Namibia
Arquitectura & Design
Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.
Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e as experiências prévias com o Mal de Altitude que não devemos arriscar subir à pressa.
Cocquete
Cerimónias e Festividades

Napier, Nova Zelândia

De Volta aos Anos 30

Devastada por um sismo, Napier foi reconstruida num Art Deco quase térreo e vive a fazer de conta que parou nos thirties. Os seus visitantes rendem-se à atmosfera Great Gatsby que a cidade encena.

Competição do Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA
Cidades
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Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.
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Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Creepy-Graffiti
Cultura

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Órfãos do Verão do Amor

O inconformismo e a criatividade ainda estão presentes no antigo bairro Flower Power. Mas, quase 50 anos depois, a geração hippie deu lugar a uma juventude sem-abrigo, descontrolada e até agressiva.

Desporto
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Uma Espécie Sempre à Prova

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Em Viagem
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Entusiasmo Vermelho
Étnico

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

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arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
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Onde o Oriente encontra o Ocidente, a Turquia Procura um Rumo

Metrópole emblemática e grandiosa, Istambul vive numa encruzilhada. Como a Turquia em geral, dividida entre a laicidade e o islamismo, a tradição e a modernidade, continua sem saber que caminho seguir

A pequena-grande Senglea
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Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

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Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

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Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

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Outono
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De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Património Mundial UNESCO

Glaciares

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Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Verificação da correspondência
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Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

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Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
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Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
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A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

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O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.

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Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

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No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
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No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
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Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.