Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia


Budismo XXL

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

Um torneio a valer

Monges budistas jogam badminton ao fim da tarde no mosteiro de Thinmey.

Vista para a vida

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, espreita a diversão dos monges, no exterior.

Formação matinal

Jovens monges aprendizes rezam, alinhados, no grande terraço do mosteiro de Tawang

Cântico & Palmas

Sacerdote do mosteiro de Tawang canta e leva a cabo uma oração budista.

Pequeno-almoço lacteo

Monge serve leite a outros aprendizes durante a cerimónia matinal do mosteiro de Tawang.

Tawang city

Casario da cidade de Tawang, disposto no vale homónimo, junto à fronteira conflituosa com a China.

Suave sorriso

Monja do convento de Ani, vence uma a timidez e, ao fim de algum tempo, posa.

Total devoção

Sacerdote prostra-se no chão do mosteiro de Tawang em oração, perante dezenas de jovens monges aprendizes.

Fé rotativa

Monge criança faz rodar duas rodas de oração na alameda que conduz ao mosteiro de Tawang.

Festa camuflada

Soldados do exército indiano durante um pequeno banquete que animou uma celebração do seu regimento.

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

O Desfiladeiro Emblemático de Sela Pass

Arrasta-se, longo, íngreme e sinuoso, o percurso da planura de Assam para o âmago rugoso de Arunachal Pradesh. A certo ponto, aproxima-se dos 4170 metros de altitude do Sela Pass, uma portela frígida e ventosa que separa Kameng Ocidental de Tawang.

Cruzamos o pórtico budista entre as suas bandeiras de oração esvoaçantes. Contornamos o lago semi-gelado que a moldura nos desvenda e continuamos pelo último dos distritos adentro. Tanto alguns quilómetros aquém como para lá de Sela, os esses da estrada surgem salpicados de lona verde e de camuflado de campanha.

Sucedem-se tendas e paióis dissimulados, camiões e outros veículos menos pesados. Milhares de soldados, oriundos um pouco de toda a Índia, povoam e operam estas estratégicas colónias bélicas, que veríamos repetir-se até aos derradeiros metros do norte indiano.

Das alturas de Sela, atingimos a vertente que conduz à orla do vale de Tawang e as povoações que nele se instalaram: Dungkhar, Khalengche, Tongsheng. Tawang, a cidade, mantinha-se destacada, bem acima, na encosta contrária. O plano era nela nos abrigarmos para a noite. Antes de o concretizarmos, impõe-se um derradeiro desvio a Thinmey, lugar de um mosteiro de monta, ainda assim, na sombra do maior e mais famoso da região.

Um Torneio Budista de Badminton

Chegamos sobre o último estertor da tarde. Distraímo-nos algum tempo com uma roda gigantesca de oração até que uma súbita algazarra vinda das traseiras do complexo nos desperta a curiosidade. Um barracão delgado que servia de aposento separava o edifício principal de um pátio elevado de terra batida, munido de uma rede de voléi e de badminton.

Partida de badminton no mosteiro de Thinmey, Arunachal Pradesh, Índia

Monges budistas jogam badminton ao fim da tarde no mosteiro de Thinmey

Lá se concentravam os monges do mosteiro, em pleno torneio do desporto arraquetado. Dois pares aguerridos tinham-se já livrado da quase totalidade dos trajes cor-de-vinho. Defrontavam-se com uma fúria contida em função da sacralidade do lugar e da presença de jovens discípulos.

Estes, aguardavam pela sua vez de jogar a bebericar chá. E por que o fumo libertado pelas grandes panelas estorricadas que atravessava o telhado de zinco da cozinha e subia aos céus, se sublimasse na hora do jantar comunal. A cozinheira de serviço, acompanhava as diabruras dos rapazes de Buda e, ao mesmo tempo, a cozedura de milktea nas mãos.

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, Arunachal Pradesh, Índia

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, espreita a diversão dos monges, no exterior.

O ocaso ditou o término do torneio, a hora de nos refugiarmos no Hotel Yangzom e a iminência do nosso próprio repasto. Vínhamos de doze horas de fascinante mas dolorosa expedição rodoviária. Não resistimos muitas mais.

Despertamos para o novo dia bem antes do sol. Espreitamos a casa que viu nascer Tsangyang Gyatso, o sexto Dalai Lama, um jovem da etnia mompa predominante nestas paragens. Na sequência, atravessamos a Tawang urbana e visitamos uma enorme estátua do  seu inspirador: Buda.

Estátua de Buda em Tawang, Índia

Devotos caminham em redor de uma grande estátua de Buda, em Tawang.

Um Mosteiro Budista de Monta

Mal tinha ainda amanhecido. Um pelotão de crentes circundava a base vermelha do trono colorido do sábio, a desfiar as contas dos seus malas, os rosários budistas. Os raios solares começaram a dourar um santuário longínquo, de tal forma resplandecente que nos arrebatou de vez o olhar.

Era muito mais que apenas outro mero mosteiro, o castro de edifícios brancos e amarelos que admirámos e fotografámos até a exaustão, contra um recorte caprichoso de montanhas sombrias.

Mosteiro de Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

Fundado em 1680-81, a 3000 metros de altitude, o mosteiro budista de Tawang mantém-se o maior da Índia. É, aliás, o segundo maior do mundo, logo a seguir ao de Potala que resiste à sino-invasão chinesa no coração tibetano de Lhasa.

Por volta das oito, o mosteiro e os monges residentes estavam entregues às suas rotinas. Vimo-los concentrarem-se em frente a uma longa ala escolar, logo, agruparem de frente para o edifício, costas voltadas para cidade e o cenário de cordilheira que a envolvia.

Excêntricos Debates Matinais

Outros, surgem do interior das salas de aula e de partes distintas do complexo. Trazem cadernos e blocos. Formam novos grupos no terraço e dão início a uma animada sessão de debate budista, repleta de palmas, gritos silogísticos e réplicas desafiantes.

Uma hora e meia depois, o debate e os ensinamentos são encerrados. Um batalhão de monges e monginhos forma sobre o terraço e assiste a um discurso vagaroso de um dos mentores do mosteiro.

Segue-se uma oração de grupo que os mais novos acompanham, os da fila da frente compenetrados e de olhos fechados, sob a supervisão bafejante dos velhos tutores.

Formação de Monges no mosteiro de Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Jovens monges aprendizes rezam, alinhados, no grande terraço do mosteiro de Tawang

Entretanto, também aquela sessão de fé e disciplina chega ao fim. Os adolescentes e a criançada dispersam entre um óbvio alívio e o êxtase, muitos deles para a alameda de acesso de mosteiro que não tardam a varrer em cadeia.

Uma Festa Militar a Caminho de um Convento

Deixamos os monges ocupados com a sua fascina. Tawang acolhia também um convento, o de Ani. John, o guia local era da opinião de que o devíamos visitar. Fizemo-nos, assim, ao caminho mas, sem que alguma vez o esperássemos, vimo-nos emboscados por um batalhão militar que controlava não só a estrada de acesso, como uma vasta área em redor.

Por motivos que não tardaremos a explanar, Arunachal Pradesh é uma das províncias indianas mais delicadas em termos de segurança e presença de estrangeiros. Fazíamos parte de uma comitiva de jornalistas, todos munidos de vistos especiais que lhes granjeavam a cobertura do lugar.

Mesmo assim, quando um enorme soldado sikh faz deter o carro em que seguíamos, ocorre-nos pensar que podemos estar em sarilhos. É pobre o inglês do militar, pelo que nos assiste a tradução do motorista. “Organizaram uma festa Punjabi lá no batalhão deles. Fazem questão de que participem.”

Soldados indianos em Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Soldados do exército indiano durante um pequeno banquete que animou uma celebração do seu regimento.

De início, torcemos o nariz. A outra metade do nosso grupo tinha já chegado ao convento. Não queríamos perder o lado feminino da religiosidade budista de Tawang. Mas, quando o motorista nos diz que temos tempo; que não ia haver problema se chegássemos ao convento mais tarde, deixamos de sentir restrições e valorizamos o convite como merecia.

Momentos depois, damos por nós a conviver com dezenas de oficiais e soldados indianos: punjabis e sikhs, quase todos robustos e de postura altiva, como é seu apanágio. Oferecem-nos papad e outras especialidades em thalis sortidos.

Depressa percebemos que nos faltava estômago para o picante usado, desculpamo-nos e passamos a suaves sobremesas de kheer, o arroz doce indiano.

Mais e mais militares e populares se juntam ao convívio e ao ataque aliado de uma longa mesa de bufê. Soa musica festiva mas, contida pela seriedade da missão do batalhão, a festa nunca chega a descambar para devaneios bollywoodescos.

Dilbag Singh, militar indiano estacionado em Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Dilbag Singh um oficial Punjabi de um batalhão estacionado em Tawang para evitar que a invasão chinesa de 1962 se repita.

A Força Bélica Indiana que Dissuade a China

Ali, como em redor do Sela Pass e noutros lugares de Arunachal Pradesh, a presença do exército indiano tem uma razão histórica e outra actual de ser. Entre ambas, jaz a segurança e a supremacia da sua vasta e mega-populosa nação.

Por volta de 500 a.C., a região de Tawang era já dominada pela etnia Mompa. Fez parte do reino do Butão. Mais tarde, viu-se incorporada no do Tibete e assim permaneceu durante séculos a fio.

Em 1914, com os Britânicos cada vez mais predominantes nesta zona da Ásia, um tal de Acordo de Shimla entre a Grã-Bretanha, a Índia e o Tibete, forçou o Tibete a ceder várias centenas de km2 à Grã-Bretanha. O tratado foi desprezado pela China.

Durante todo este período, mesmo separada do Tibete, Tawang manteve-se sempre acessível aos tibetanos. Em 1950, a China invadiu o Tibete. Tawang tornou-se-lhes gradualmente inacessível. Uma ferida aberta entre a China e a República Indiana, declarada independente apenas três anos antes.

Tawang, na província de Arunachal Pradesh, Índia

Casario da cidade de Tawang, disposto no vale homónimo, junto à fronteira conflituosa com a China.

Desde o início da sublevação e em especial durante as revoltas de 1959, a Índia prestou apoio aos tibetanos, incluindo ao Dalai Lama a quem concedeu, de imediato, asilo. Em simultâneo, deu início à sua Forward Policy em que estabeleceu diversos entrepostos militares, até mesmo a norte da Linha Fronteiriça de McMahon (definida pelo Secretário para os Assuntos Estrangeiros Henry McMahon).

Por seu lado, meses após o acordo de Shimla, a China tinha já estabelecido os seus próprios entrepostos a sul dessa linha. Como seria de esperar, a divergência levou ao confronto.

Breves Confrontos Fronteiriços

Incapazes de fazer valer os seus intentos, os chineses lançaram ofensivas na região de Ladakh e, ao mesmo tempo, através da Linha McMahon. Fizeram-no em plenos Altos Himalaias, num dos cenários de guerra mais agrestes de sempre. E em plena Crise dos Misseis Cubana quando o atrevimento soviético em Cuba deixou os E.U.A. em apuros e indisponível para apoiar a Índia. Em 1962, Tawang viu-se, assim, ocupada pela China, à imagem de uns quase 40.000 km2 antes pertencentes à Índia ou sob disputa.

Satisfeitos com o resultado da sua invasão mas cautelosos, os chineses declararam um cessar-fogo unilateral e recuaram de algumas das posições. Tawang foi uma delas.

A partir de Novembro de 1962, regressou a controlo indiano. Como seria de esperar, Delhi nunca recuperou do trauma. Com a casa roubada, colocou trancas à porta.

Deixamos o banquete, agradecidos pelo convívio e pelas gentis fotos de grupo, apostados em recuperar os planos originais. Quando chegamos ao convento, a outra metade do grupo estava de saída. Acolhe-nos apenas um pórtico com a mensagem tibetana de “Tashi Delek” traduzível como “Benção e Boa-sorte” ou “Saudações Auspiciosas”.

O Convento de Ani e o Regresso ao Mosteiro

Chateamos, em segunda mão, as poucas freiras esquivas que por lá encontramos.

Monja no convento de Ani, Anurachal Pradesh, Índia

Monja carrega uma saca pesada no convento de Ani

Do convento, regressamos ao coração de Tawang e exploramos o seu mercado de rua frenético. À tarde, visitamos, Tipki, uma aldeia tradicional mompa no fundo do vale, onde somos recebidos com tal festa, pompa e cerimónia que o preferimos narrar num artigo dedicado. Deixamos a aldeia já sobre o pôr-do-sol e voltamos ao abrigo nocturno do hotel.

Novo dia, novo despertar sofredor, ainda mais madrugador que o prévio. Regressamos ao mosteiro de Tawang decididos a assistir à reza matutina dos monges aprendizes. Quando entramos no complexo ainda é de noite e não detectamos vivalma. Sentamo-nos à porta do templo principal, numa expectativa sonolenta.

Por fim, com os primeiros raios solares a furarem as nuvens a leste, uma torrente de “pequenos budas” surge da ala habitacional do mosteiro, atravessa o pátio e irrompe templo adentro em grande correria.

Os jovens monges sentam-se em várias linhas e recebem uma taça de leite que lhes quebra o jejum.

Leite servido aos jovens monges no mosteiro de Tawang, na Índia

Monge serve leite a outros aprendizes durante a cerimónia matinal do mosteiro de Tawang.

Na sequência, um sacerdote adulto dá início à cerimónia com cânticos e orações ressonantes que nem a nossa cada vez mais dinâmica intromissão atrapalham.

Deixamos o mosteiro sob pressão de John que, nesse resto de dia, tinha que nos conduzir a todos de regresso a Guwahati, a capital da província vizinha de Assam. O sol que entrava em força pelas janelas do templo, atingia as faces de uns poucos monges eleitos. E reanimava a missão defensiva dos muitos batalhões do exército indiano por ali destacados.

Monge iluminado no mosteiro de Tawang, Índia

Raio solar madrugador incide num dos monges no interior do templo principal do mosteiro de Tawang

Mais informações sobre Tawang e o seu mosteiro no site Incredible India.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Nacionalismo Colorido
Cidades

Cartagena de Índias, Colômbia

Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".

Vendedores de Tsukiji
Comida

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No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

1º Apuro Matrimonial
Cultura

Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar uniões.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Sal Muito Grosso
Em Viagem

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Nas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.

Promessa?
Étnico
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Crepúsculo exuberante
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Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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Praslin, Seichelles

O Éden dos Enigmáticos Cocos-do-Mar

Durante séculos, os marinheiros árabes e europeus acreditaram que a maior semente do mundo, que encontravam nos litorais do Índico com forma de quadris voluptuosos de mulher, provinha de uma árvore mítica no fundo dos oceanos.  A ilha sensual que sempre os gerou deixou-nos extasiados.

Praia soleada
Ilhas

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Verificação da correspondência
Inverno Branco

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Natureza

Glaciares

Planeta Azul-Gelado

Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Aposentos dourados
Outono

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Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Foz incandescente
Parques Naturais

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À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Visitantes
Património Mundial UNESCO
Masada, Israel

O Último Baluarte Judaico

Em 73 d.C, após meses de cerco, uma legião romana constatou que os resistentes no topo de Masada se tinham suicidado. De novo judaica, esta fortaleza é agora o símbolo supremo da determinação sionista
Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Fila Vietnamita
Praias

Nha Trang-Doc Let, Vietname

O Sal da Terra Vietnamita

Em busca de litorais atraentes na velha Indochina, desiludimo-nos com a rudeza balnear de Nha Trang. E é no labor feminino e exótico das salinas de Hon Khoi que encontramos um Vietname mais a gosto.

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Religião

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A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Orgulho
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Fim da Viagem
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