Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia


Budismo XXL

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

Um torneio a valer

Monges budistas jogam badminton ao fim da tarde no mosteiro de Thinmey.

Vista para a vida

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, espreita a diversão dos monges, no exterior.

Formação matinal

Jovens monges aprendizes rezam, alinhados, no grande terraço do mosteiro de Tawang

Cântico & Palmas

Sacerdote do mosteiro de Tawang canta e leva a cabo uma oração budista.

Pequeno-almoço lacteo

Monge serve leite a outros aprendizes durante a cerimónia matinal do mosteiro de Tawang.

Tawang city

Casario da cidade de Tawang, disposto no vale homónimo, junto à fronteira conflituosa com a China.

Suave sorriso

Monja do convento de Ani, vence uma a timidez e, ao fim de algum tempo, posa.

Total devoção

Sacerdote prostra-se no chão do mosteiro de Tawang em oração, perante dezenas de jovens monges aprendizes.

Fé rotativa

Monge criança faz rodar duas rodas de oração na alameda que conduz ao mosteiro de Tawang.

Festa camuflada

Soldados do exército indiano durante um pequeno banquete que animou uma celebração do seu regimento.

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

O Desfiladeiro Emblemático de Sela Pass

Arrasta-se, longo, íngreme e sinuoso, o percurso da planura de Assam para o âmago rugoso de Arunachal Pradesh. A certo ponto, aproxima-se dos 4170 metros de altitude do Sela Pass, uma portela frígida e ventosa que separa Kameng Ocidental de Tawang.

Cruzamos o pórtico budista entre as suas bandeiras de oração esvoaçantes. Contornamos o lago semi-gelado que a moldura nos desvenda e continuamos pelo último dos distritos adentro. Tanto alguns quilómetros aquém como para lá de Sela, os esses da estrada surgem salpicados de lona verde e de camuflado de campanha.

Sucedem-se tendas e paióis dissimulados, camiões e outros veículos menos pesados. Milhares de soldados, oriundos um pouco de toda a Índia, povoam e operam estas estratégicas colónias bélicas, que veríamos repetir-se até aos derradeiros metros do norte indiano.

Das alturas de Sela, atingimos a vertente que conduz à orla do vale de Tawang e as povoações que nele se instalaram: Dungkhar, Khalengche, Tongsheng. Tawang, a cidade, mantinha-se destacada, bem acima, na encosta contrária. O plano era nela nos abrigarmos para a noite. Antes de o concretizarmos, impõe-se um derradeiro desvio a Thinmey, lugar de um mosteiro de monta, ainda assim, na sombra do maior e mais famoso da região.

Um Torneio Budista de Badminton

Chegamos sobre o último estertor da tarde. Distraímo-nos algum tempo com uma roda gigantesca de oração até que uma súbita algazarra vinda das traseiras do complexo nos desperta a curiosidade. Um barracão delgado que servia de aposento separava o edifício principal de um pátio elevado de terra batida, munido de uma rede de voléi e de badminton.

Partida de badminton no mosteiro de Thinmey, Arunachal Pradesh, Índia

Monges budistas jogam badminton ao fim da tarde no mosteiro de Thinmey

Lá se concentravam os monges do mosteiro, em pleno torneio do desporto arraquetado. Dois pares aguerridos tinham-se já livrado da quase totalidade dos trajes cor-de-vinho. Defrontavam-se com uma fúria contida em função da sacralidade do lugar e da presença de jovens discípulos.

Estes, aguardavam pela sua vez de jogar a bebericar chá. E por que o fumo libertado pelas grandes panelas estorricadas que atravessava o telhado de zinco da cozinha e subia aos céus, se sublimasse na hora do jantar comunal. A cozinheira de serviço, acompanhava as diabruras dos rapazes de Buda e, ao mesmo tempo, a cozedura de milktea nas mãos.

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, Arunachal Pradesh, Índia

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, espreita a diversão dos monges, no exterior.

O ocaso ditou o término do torneio, a hora de nos refugiarmos no Hotel Yangzom e a iminência do nosso próprio repasto. Vínhamos de doze horas de fascinante mas dolorosa expedição rodoviária. Não resistimos muitas mais.

Despertamos para o novo dia bem antes do sol. Espreitamos a casa que viu nascer Tsangyang Gyatso, o sexto Dalai Lama, um jovem da etnia mompa predominante nestas paragens. Na sequência, atravessamos a Tawang urbana e visitamos uma enorme estátua do  seu inspirador: Buda.

Estátua de Buda em Tawang, Índia

Devotos caminham em redor de uma grande estátua de Buda, em Tawang.

Um Mosteiro Budista de Monta

Mal tinha ainda amanhecido. Um pelotão de crentes circundava a base vermelha do trono colorido do sábio, a desfiar as contas dos seus malas, os rosários budistas. Os raios solares começaram a dourar um santuário longínquo, de tal forma resplandecente que nos arrebatou de vez o olhar.

Era muito mais que apenas outro mero mosteiro, o castro de edifícios brancos e amarelos que admirámos e fotografámos até a exaustão, contra um recorte caprichoso de montanhas sombrias.

Mosteiro de Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

Fundado em 1680-81, a 3000 metros de altitude, o mosteiro budista de Tawang mantém-se o maior da Índia. É, aliás, o segundo maior do mundo, logo a seguir ao de Potala que resiste à sino-invasão chinesa no coração tibetano de Lhasa.

Por volta das oito, o mosteiro e os monges residentes estavam entregues às suas rotinas. Vimo-los concentrarem-se em frente a uma longa ala escolar, logo, agruparem de frente para o edifício, costas voltadas para cidade e o cenário de cordilheira que a envolvia.

Excêntricos Debates Matinais

Outros, surgem do interior das salas de aula e de partes distintas do complexo. Trazem cadernos e blocos. Formam novos grupos no terraço e dão início a uma animada sessão de debate budista, repleta de palmas, gritos silogísticos e réplicas desafiantes.

Uma hora e meia depois, o debate e os ensinamentos são encerrados. Um batalhão de monges e monginhos forma sobre o terraço e assiste a um discurso vagaroso de um dos mentores do mosteiro.

Segue-se uma oração de grupo que os mais novos acompanham, os da fila da frente compenetrados e de olhos fechados, sob a supervisão bafejante dos velhos tutores.

Formação de Monges no mosteiro de Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Jovens monges aprendizes rezam, alinhados, no grande terraço do mosteiro de Tawang

Entretanto, também aquela sessão de fé e disciplina chega ao fim. Os adolescentes e a criançada dispersam entre um óbvio alívio e o êxtase, muitos deles para a alameda de acesso de mosteiro que não tardam a varrer em cadeia.

Uma Festa Militar a Caminho de um Convento

Deixamos os monges ocupados com a sua fascina. Tawang acolhia também um convento, o de Ani. John, o guia local era da opinião de que o devíamos visitar. Fizemo-nos, assim, ao caminho mas, sem que alguma vez o esperássemos, vimo-nos emboscados por um batalhão militar que controlava não só a estrada de acesso, como uma vasta área em redor.

Por motivos que não tardaremos a explanar, Arunachal Pradesh é uma das províncias indianas mais delicadas em termos de segurança e presença de estrangeiros. Fazíamos parte de uma comitiva de jornalistas, todos munidos de vistos especiais que lhes granjeavam a cobertura do lugar.

Mesmo assim, quando um enorme soldado sikh faz deter o carro em que seguíamos, ocorre-nos pensar que podemos estar em sarilhos. É pobre o inglês do militar, pelo que nos assiste a tradução do motorista. “Organizaram uma festa Punjabi lá no batalhão deles. Fazem questão de que participem.”

Soldados indianos em Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Soldados do exército indiano durante um pequeno banquete que animou uma celebração do seu regimento.

De início, torcemos o nariz. A outra metade do nosso grupo tinha já chegado ao convento. Não queríamos perder o lado feminino da religiosidade budista de Tawang. Mas, quando o motorista nos diz que temos tempo; que não ia haver problema se chegássemos ao convento mais tarde, deixamos de sentir restrições e valorizamos o convite como merecia.

Momentos depois, damos por nós a conviver com dezenas de oficiais e soldados indianos: punjabis e sikhs, quase todos robustos e de postura altiva, como é seu apanágio. Oferecem-nos papad e outras especialidades em thalis sortidos.

Depressa percebemos que nos faltava estômago para o picante usado, desculpamo-nos e passamos a suaves sobremesas de kheer, o arroz doce indiano.

Mais e mais militares e populares se juntam ao convívio e ao ataque aliado de uma longa mesa de bufê. Soa musica festiva mas, contida pela seriedade da missão do batalhão, a festa nunca chega a descambar para devaneios bollywoodescos.

Dilbag Singh, militar indiano estacionado em Tawang, Arunachal Pradesh, Índia

Dilbag Singh um oficial Punjabi de um batalhão estacionado em Tawang para evitar que a invasão chinesa de 1962 se repita.

A Força Bélica Indiana que Dissuade a China

Ali, como em redor do Sela Pass e noutros lugares de Arunachal Pradesh, a presença do exército indiano tem uma razão histórica e outra actual de ser. Entre ambas, jaz a segurança e a supremacia da sua vasta e mega-populosa nação.

Por volta de 500 a.C., a região de Tawang era já dominada pela etnia Mompa. Fez parte do reino do Butão. Mais tarde, viu-se incorporada no do Tibete e assim permaneceu durante séculos a fio.

Em 1914, com os Britânicos cada vez mais predominantes nesta zona da Ásia, um tal de Acordo de Shimla entre a Grã-Bretanha, a Índia e o Tibete, forçou o Tibete a ceder várias centenas de km2 à Grã-Bretanha. O tratado foi desprezado pela China.

Durante todo este período, mesmo separada do Tibete, Tawang manteve-se sempre acessível aos tibetanos. Em 1950, a China invadiu o Tibete. Tawang tornou-se-lhes gradualmente inacessível. Uma ferida aberta entre a China e a República Indiana, declarada independente apenas três anos antes.

Tawang, na província de Arunachal Pradesh, Índia

Casario da cidade de Tawang, disposto no vale homónimo, junto à fronteira conflituosa com a China.

Desde o início da sublevação e em especial durante as revoltas de 1959, a Índia prestou apoio aos tibetanos, incluindo ao Dalai Lama a quem concedeu, de imediato, asilo. Em simultâneo, deu início à sua Forward Policy em que estabeleceu diversos entrepostos militares, até mesmo a norte da Linha Fronteiriça de McMahon (definida pelo Secretário para os Assuntos Estrangeiros Henry McMahon).

Por seu lado, meses após o acordo de Shimla, a China tinha já estabelecido os seus próprios entrepostos a sul dessa linha. Como seria de esperar, a divergência levou ao confronto.

Breves Confrontos Fronteiriços

Incapazes de fazer valer os seus intentos, os chineses lançaram ofensivas na região de Ladakh e, ao mesmo tempo, através da Linha McMahon. Fizeram-no em plenos Altos Himalaias, num dos cenários de guerra mais agrestes de sempre. E em plena Crise dos Misseis Cubana quando o atrevimento soviético em Cuba deixou os E.U.A. em apuros e indisponível para apoiar a Índia. Em 1962, Tawang viu-se, assim, ocupada pela China, à imagem de uns quase 40.000 km2 antes pertencentes à Índia ou sob disputa.

Satisfeitos com o resultado da sua invasão mas cautelosos, os chineses declararam um cessar-fogo unilateral e recuaram de algumas das posições. Tawang foi uma delas.

A partir de Novembro de 1962, regressou a controlo indiano. Como seria de esperar, Delhi nunca recuperou do trauma. Com a casa roubada, colocou trancas à porta.

Deixamos o banquete, agradecidos pelo convívio e pelas gentis fotos de grupo, apostados em recuperar os planos originais. Quando chegamos ao convento, a outra metade do grupo estava de saída. Acolhe-nos apenas um pórtico com a mensagem tibetana de “Tashi Delek” traduzível como “Benção e Boa-sorte” ou “Saudações Auspiciosas”.

O Convento de Ani e o Regresso ao Mosteiro

Chateamos, em segunda mão, as poucas freiras esquivas que por lá encontramos.

Monja no convento de Ani, Anurachal Pradesh, Índia

Monja carrega uma saca pesada no convento de Ani

Do convento, regressamos ao coração de Tawang e exploramos o seu mercado de rua frenético. À tarde, visitamos, Tipki, uma aldeia tradicional mompa no fundo do vale, onde somos recebidos com tal festa, pompa e cerimónia que o preferimos narrar num artigo dedicado. Deixamos a aldeia já sobre o pôr-do-sol e voltamos ao abrigo nocturno do hotel.

Novo dia, novo despertar sofredor, ainda mais madrugador que o prévio. Regressamos ao mosteiro de Tawang decididos a assistir à reza matutina dos monges aprendizes. Quando entramos no complexo ainda é de noite e não detectamos vivalma. Sentamo-nos à porta do templo principal, numa expectativa sonolenta.

Por fim, com os primeiros raios solares a furarem as nuvens a leste, uma torrente de “pequenos budas” surge da ala habitacional do mosteiro, atravessa o pátio e irrompe templo adentro em grande correria.

Os jovens monges sentam-se em várias linhas e recebem uma taça de leite que lhes quebra o jejum.

Leite servido aos jovens monges no mosteiro de Tawang, na Índia

Monge serve leite a outros aprendizes durante a cerimónia matinal do mosteiro de Tawang.

Na sequência, um sacerdote adulto dá início à cerimónia com cânticos e orações ressonantes que nem a nossa cada vez mais dinâmica intromissão atrapalham.

Deixamos o mosteiro sob pressão de John que, nesse resto de dia, tinha que nos conduzir a todos de regresso a Guwahati, a capital da província vizinha de Assam. O sol que entrava em força pelas janelas do templo, atingia as faces de uns poucos monges eleitos. E reanimava a missão defensiva dos muitos batalhões do exército indiano por ali destacados.

Monge iluminado no mosteiro de Tawang, Índia

Raio solar madrugador incide num dos monges no interior do templo principal do mosteiro de Tawang

Mais informações sobre Tawang e o seu mosteiro no site Incredible India.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Arquitectura & Design
Napier, Nova Zelândia

De volta aos Anos 30 – Calhambeque Tour

Numa cidade reerguida em Art Deco e com atmosfera dos "anos loucos" e seguintes, o meio de locomoção adequado são os elegantes automóveis clássicos dessa era. Em Napier, estão por toda a parte.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Cerimónias e Festividades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Ushuaia, Argentina
Cidades
Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades

A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.
Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Cultura
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Épico Western
Em Viagem

Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos E.U.A. Hoje, na Navajo Nation, os navajos também vivem na pele dos velhos inimigos.

Do lado de cá do Atlântico
Étnico

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Pastéis nos ares
História
Campeche, México

Campeche Sobre Can Pech

Como aconteceu por todo o México, os conquistadores chegaram, viram e venceram. Can Pech, a povoação maia, contava com quase 40 mil habitantes, palácios, pirâmides e uma arquitetura urbana exuberante, mas, em 1540, subsistiam menos de 6 mil nativos. Sobre as ruínas, os espanhóis ergueram Campeche, uma das mais imponentes cidades coloniais das Américas.
Lombok
Ilhas

Gili Islands, Indonésia

As Ilhas que Não Passam Disso Mesmo

São tão humildes que ficaram conhecidas pelo termo bahasa que significa apenas ilhas. Apesar de discretas, as Gili tornaram-se o refúgio predilecto dos viajantes que passam por Lombok ou Bali.

Cavalos sob nevão, Islândia
Inverno Branco
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Moldura
Natureza

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Praia de El Cofete do cimo de El Islote, Fuerteventura, ilhas Canárias, Espanha
Parques Naturais
Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha

A (a) Ventura Atlântica de Fuerteventura

Os romanos conheciam as Canárias como as ilhas afortunadas. Fuerteventura, preserva vários dos atributos de então. As suas praias perfeitas para o windsurf e o kite-surf ou só para banhos justificam sucessivas “invasões” dos povos do norte ávidos de sol. No interior vulcânico e rugoso resiste o bastião das culturas indígenas e coloniais da ilha. Começamos a desvendá-la pelo seu longilíneo sul.
Travessia ao ocaso
Património Mundial UNESCO

Lago Taungthaman, Myanmar

O Crepúsculo da Ponte da Vida

Com 1.2 km, a ponte de madeira mais antiga e mais longa do mundo permite aos birmaneses de Amarapura viver o lago Taungthaman. Mas 160 anos após a sua construção, U Bein carece de cuidados especiais.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Magníficos Dias Atlânticos
Praias

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Via Conflituosa
Religião

Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem o caminho de Cristo para a cruz, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.

Tren del Fin del Mundo, Ushuaia, Argentina
Sobre carris
Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Uma espécie de portal
Sociedade

Little Havana, E.U.A.

A Pequena Havana dos Inconformados

Ao longo das décadas e até aos dias de hoje, milhares de cubanos cruzaram o estreito da Flórida em busca da terra da liberdade e da oportunidade. Com os E.U.A. ali a meros 145 km, muitos não foram mais longe. A sua Little Havana de Miami é, hoje, o bairro mais emblemático da diáspora cubana.

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Refeição destemida
Vida Selvagem

Norte de Queensland, Austrália

Uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.