Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar


A Toy Train story
Toy Train passa abaixo do mosteiro budista Druk Thubten Sangag Choling, nos arredores de Darjeeling.
Aconchego
Trabalhadores do DHR aquecem-se numa noite de Inverno fria e húmida, aos 2200 m de altitude de Darjeeling.
O outro tipo de Toy Train
Um Toy Train mais moderno prestes a deixar a estação de Siliguri Junction, puxado por uma locomotiva indiana mais moderna e a diesel.
Aos comandos
Maquinista na cabine de uma das várias locomotivas que servem o Darjeeling Himalayan Railway.
Trabalho nocturno
Funcionários dos DHR trabalham no pequeno estaleiro de locomotivas da estação de Darjeeling.
Loop de Batásia
Toy Train deixa o Batasia Loop, uma estação pouco convencional a poucos km de distância de Darjeeling.
A. Sonar
T.T. Examiner (revisor) A. Sonar, junto à locomotiva 605.
Batasia selfies
Passageiros do Toy Train fotografavam-se no Loop de Batasia, a mais excêntrica das estações do DHR.
Vida a cores
Secção da estação de Siliguri Junction, ainda na base subtropical da cordilheira dos Himalaias.
Passageira e Peluche
Jovem passageira bastante ensonada nos primeiros momentos matinais do percurso do Toy Train.
Equilíbrio ferroviário
Cena da estação de Siliguri Junction, próximo do ponto de partida do DHR.
Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.

O dia mal amanhecera. Siliguri já transborda e debate-se, sôfrega, no seu habitual modo frenético. Raney conduz-nos com paciência redobrada no meio de um exército de riquexós, riquexós-wala (os puxados por ciclistas), motas, motoretas, carros e camionetas, sem esquecer as sucessivas carroças rebocadas por vacas supostamente sagradas.

Saímos a horas. Os bilhetes tinham sido comprados no dia anterior e continuamos mais que a tempo. Ainda assim, o fluxo claustrofóbico e infernal que nos arrasta para o centro da cidade gera uma inquietação que só tende a aumentar.

Estação ferroviária de Siliguri, Bengala Ocidental, Índia

Secção da estação de Siliguri Junction, ainda na base subtropical da cordilheira dos Himalaias.

Sem aviso, Raney desvia para esquerda e remove-nos do turbilhão. Umas centenas de metros depois, esbarramos com o largo da estação ferroviária local. Uma série de vendedores e carregadores oferecem-nos os seus préstimos, pelo menos até que o motorista e cicerone da região os faz debandar.

Desde há já um bom tempo, as plataformas da estação permanecem interditas aos primeiros, como a toda a uma população oportunista que, sem intenção de viajar, lá concentrava uma miríade de negócios e actividades.

Encontramos, assim, uma ordem e paz civilizacional que já pensávamos não existir por aqueles lados. Raney certifica-se de que o comboio se confirma. Nós, voltamos a sair e entregamo-nos a uma compra acelerada de fruta, momos e outros petiscos que, como sempre acontece nestes casos, encontraríamos vezes sem conta percurso acima.

O Embarque na fria Siliguri Tropical

No regresso, em pleno Dezembro e Inverno do nordeste da Índia, uma névoa branca, alta e densa supra-iluminada pelo sol matinal envolve a Siliguri Junction Station.

Só quando percorremos, para cá e para, lá os cais mais próximos do que nos calhara, percebemos as cores garridas habituais dos trajes dos passageiros e de certas secções da estação. Alguns dos indianos presentes são funcionários-moradores e já fazem dela parte.

Sob o olhar indiferente de uma linha de jovens homens, três deles, acocorados à moda asiática, em equilíbrio sobre os carris de bitola estreita de 61 cm, escovam os dentes com vigor férreo.

Estação ferroviária de Siliguri, Bengala Ocidental, Índia

Momento matinal na estação de Siliguri Junction, próximo do ponto de partida do Darjeeling Himalayan Railway.

Ao mesmo tempo, acompanham os movimentos do duo estrangeiro, os únicos ocidentais na estação, entregues a uma hiperactividade fotográfica que, como acontece aos restantes nativos, lhes custa perceber.

Soa um apito distante, menos potente e de um tom distinto dos que, até então nos chegavam aos ouvidos. O trio de acocorados sabe de cor e salteado o que assinala. Sem pressas, desdobram-se na vertical – um deles ainda se espreguiça – e passam para o refúgio imediato do cimento por diante.

Toy Train, estação ferroviária de Siliguri, Bengala Ocidental, Índia

Um Toy Train mais moderno prestes a deixar a estação de Siliguri Junction, puxado por uma locomotiva indiana mais moderna e a diesel.

A Entrada Quase Pontual na Plataforma de Siliguri

O DHR – Darjeeling Himalayan Railway –  faz-se ao cais pouco depois da hora habitual. A sua locomotiva indiana a diesel traz apenas duas carruagens, cada qual com 20 lugares. Em Siliguri, à parte de nós, entra apenas um casal indiano com uma filha seriamente ensonada.

Três ou quatro minutos depois, a composição retoma a marcha. Progride, demasiadas vezes aos repelões, entre uma estrada paralela e uma longa sequência oposta de lares, negócios e baldios mal-amanhados.

As gentes dessa banda urbanizada mas marginal da cidade saúdam os passageiros com entusiasmo surpreendente se tivermos em conta que o Toy Train há que tempos ali passa duas vezes ao dia.

Reflexo de uma estrada no Toy Train, Siliguri, Bengala Ocidental, Índia

Reflexo na janela do Toy Train, ainda nos primeiros quilómetros planos do percurso.

Mais solavanco menos, solavanco, volvidos 10km, chegamos a Sukna, a estação que se segue. O edifício rosado que nos recebe marca o término do domínio plano e urbanizado de Siliguri, disposto na falda subtropical dos Himalaias que, em bolsas protegidas como o Mahananda Wildlife Sanctuary, é habitat natural de tigres-de-bengala e de elefantes.

Pelos Himalaias Acima

Ali, o caminho-de-ferro corta para norte e faz-se à fundura florestada da cordilheira. Até 1879, um serviço de charretes denominadas tongas na Índia de então complementava a linha ferroviária que ligava Calcutá a Siliguri.

Daí em diante, foi levada a cabo a construção do acrescento que conduzia a Darjeeling, já então uma das principais zonas produtoras de chá da Joia da Coroa e importante a condizer.

Os engenheiros validaram que o itinerário seguisse a velha Cart Road mas alguns dos seus declives provaram-se demasiado exigentes para as locomotivas.

Obrigaram a várias das soluções físico-mecânicas a que também o Toy Train em que seguíamos se foi sujeitando a caminho do destino final. Nesta zona de enormes contrastes cénicos e climáticos, algumas dessas soluções não resistiram às piores intempéries.

Em Sukna, dava-se o primeiro Loop com que os engenheiros procuraram atenuar a inclinação. Mas, a mesma inclinação que condiciona a subida do comboio acelera as águas que descem das terras altas dos Himalaias. Durante as monções do subcontinente, de Maio a Outubro, formam-se verdadeiras enxurradas que provocam derrocadas.

Uma dessas inundações de 1991, destruiu o Loop de Sukna, substituído por um trecho mais longo. Antes ainda, em 1942, uma outra arruinou em definitivo aquele que era o segundo Loop, o de Rongtong.

O Loop menos elevado do percurso é agora o de Chunbhatti, por onde não tardamos a serpentear. E, pouco depois, damos nova volta de carrossel já no Loop 4, denominado de Agony Point, tão apertada é a sua curva.

Por essa altura, A. Sonar, o T.T. Examiner (revisor) a bordo já picou os bilhetes aos vinte passageiros e tem pouco mais que fazer que tagarelar com uma senhora que usa a lenta composição DHR para se deslocar entre as terras altas e as baixas daquelas paragens. Mal tem uma oportunidade,

Sonar encurta a conversa. Senta-se num banco retirado no fundo da carruagem e, consciente do quanto ainda faltava para a próxima estação, puxa a pala do seu chapéu para cima dos olhos e deixa-se passar pelas brasas.

Passageira do Toy Train, Bengala Ocidental, Índia

Jovem passageira bastante ensonada nos primeiros momentos matinais do percurso do Toy Train.

Como o faz, há já algum tempo, a menina indiana à nossa frente, na companhia de um cãozito de peluche rosa-branco, para incómodo dos atenciosos pais que se esmeram para a manter confortável.

Um Caminho de Ferro Cruzado com Estrada

O Toy Train, esse, não tem descanso. Ziguezagueia pelas vertentes, por vezes, acima de lares e pequenos estabelecimentos que se impingiram à montanha e de que nos sentimos intrusos. Duas irmãs que lavam os cabelos com água quente em baldes e alguidares, envergonham-se com a inesperada atenção dos passageiros. Este é só um de tantos outros exemplos.

Aqui e ali, o comboio alinha-se com a estrada de asfalto que, em tempos, lhe furtou a verdadeira razão de ser. E cruza-a. Em cada uma destas intersecções, o maquinista saúda os guardas das pseudo-passagens de nível. Mesmo assim, estica-se para fora da locomotiva e certifica-se de que nenhum condutor incauto esbarra na composição.

O que acontece com frequência. Nós que seguimos boa parte do tempo com as cabeças ao vento, às tantas, já conhecemos de cor e salteado a sua face e o repetitivo ritual.

A 44km de Darjeeling, o comboio faz o seu ziguezague número seis. Seis quilómetros mais tarde, detemo-nos em Mahanadi onde um camião carregado de utensílios plásticos garridos fica entalado entre a composição e uma carrinha estacionada.

Maquinista Toy Train, Bengala Ocidental, Índia

Maquinista na cabine de uma das várias locomotivas que servem o Darjeeling Himalayan Railway.

Sete quilómetros adicionais, damos entrada em Kurseong, a primeira grande povoação entre Siliguri e Darjeeling, com direito a prédios de vários andares que desafiam as encostas e que, do alto da sua deselegância e aparente precaridade estrutural, parecem ridicularizar a velha estação que até serve de quartel-general dos Darjeeling Himalayan Railways.

Ghum: A estação ferroviária mais elevada da Índia

Em Ghum (2258m), a paragem é a valer. Os derradeiros raios de sol incidem em secções da sala de espera. São de tal forma inúteis em termos térmicos, que os moradores que ali passam os ignoram, fazem caretas e os tentam barrar quando a sua luz inoportuna lhes ofusca a visão.

Arrefece sem apelo. Os passageiros ressentem-se e atacam a banca de milk tea residente. A. Sanar conhece os cantos à casa. Em vez, senta-se à mesa de um café em que nenhum de nós reparara. Lá beberica o seu chá em paz, até que com ele damos e o “obrigamos” a uma curta sessão fotográfica.

Revisor do Toy Train bebe milktea, em Ghum, Bengala Ocidental, Índia

Revisor (T.T. Examiner) do Toy Train toma um lanche de milk tea com bolachas no bar da estação de Ghum.

Sem que nenhum dos passageiros esperassem, um outro Toy Train surge do sentido contrário, movido por uma velha locomotiva a vapor. Aquela composição irmã assegurava o trajecto vespertino entre Darjeeling e Ghum.

Ao contrário da nossa, quase só trazia ocidentais já instalados em Darjeeling, curiosos e irrequietos como há muito não encontrávamos no Nordeste Indiano ainda avesso ao turismo por onde andávamos.

O maquinista imobiliza a locomotiva 605 mesmo em frente ao centro da estação e deixa-a entregue a dois ou três auxiliares que, para gáudio dos estrangeiros enregelados, examinam e manipulam a sua fornalha.

Num ápice, forma-se um grupo competitivo de aprendizes-fotógrafos determinados em registar a incandescência o mais próximo possível. À boa maneira indiana, os seus arriscados abusos são levados com uma leniência que extravasa qualquer lógica comportamental, seja ela budista ou hindu.

Darjeeling: a Derradeira Estação

Completamos os últimos 7km da linha, de início pela ruela principal de Ghum em que rasamos de tal forma as mercearias, frutarias e outros dos sucessivos negócios que os proprietários e clientes são obrigados a se refugiarem nos interiores.

Bastar-nos-ia, aliás, esticarmos um braço para nos abastecermos de romãs, de sapatos, de bastões de críquete ou de tantas outras mercadorias à mão de semear.

Batasia Loop, Darjeeling, Bengala Ocidental, Índia

Toy Train deixa o Batasia Loop, uma estação pouco convencional a poucos km de distância de Darjeeling.

No reboliço do aperto, deixamos Ghum apontados ao Loop de Batasia, a mais célebre e caprichosa das estações do Toy Train. Quando lá chegamos, é noite quase cerrada.

E já bem escura no momento em que, 80km e 8h depois da partida de Siliguri, a composição se detém no poiso definitivo de Darjeeling, onde Raney nos aguardava.

Até podíamos ter chegado à estação final do Darjeeling Himalayan Railway, a 2200m de altitude. Mas não estávamos fartos do pitoresco Toy Train.

Raney pensava que nos iria conduzir de imediato ao hotel de Darjeeling. Ao invés, a combinação mística de névoa vaporizada e de fogo que havíamos detectado minutos antes, no pequeno estaleiro ferroviário oleoso do DHR, seduz-nos a bisbilhotar.

O Estaleiro Fumarento de Darjeeling

Durante quase meia-hora, lá acompanhamos os movimentos dos funcionários que, ora se aquecem à conversa junto a uma fogueira vigorosa, ora cuidam de várias locomotivas britânicas: vintage B-Class (a 792, a 788, a 795, a 805 “Iron Sherpa”), todas construídas entre 1889 e 1925 pela firma Sharp, Stewart & Company, mais tarde, pela North British Locomotive Company. Por fim, rendemo-nos ao cansaço e abrigamo-nos no Darjeeling Tourist Lodge.

Trabalhadores do Darjeeling Himalayan Railway, em Darjeeling, Bengala Ocidental, Índia

Trabalhadores do DHR aquecem-se numa noite de Inverno fria e húmida, aos 2200 m de altitude de Darjeeling.

Nos dias que se seguem, exploramos a cidade, as suas plantações de chá e redondezas com o habitual afinco. Também aproveitámos o embalo que já trazíamos da viagem de Siliguri. Sempre que podemos, instruímos Raney a perseguir ou a adiantar-se aos vários DHRs.

Colisão de carro com Toy Train, Darjeeling, Bengala Ocidental, Índia

Colisão de um carro com a locomotiva secular B-Class nº 788, prestes a entrar no estaleiro de Darjeeling.

Voltámos aos estaleiros onde, sem o esperarmos, assistimos à colisão suave mas surreal de um carro com a locomotiva 788. Retornamos ao Batasia Loop vezes sem conta.

Esperamos por uma das composições que ligava Darjeeling a Ghum para a vermos passar abaixo do mosteiro budista de Druk Thubten Sangag Choling. Nesses dias, inspirados nos 117 anos de história respeitável do Toy Train, também não brincámos em serviço.

Os autores agradecem o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades:  Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India; Department of Tourism, Government of West Bengal. DHR – Darjeeling Himalayan Railway

Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
Cerimónias e Festividades
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Mural de Key West, Flórida Keys, Estados Unidos
Cidades
Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Gentlemen Club & Steakhouse
Cultura

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Bark Europa
Em Viagem

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Cowboys basotho
Étnico

Malealea, Lesoto

O Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Céu Divinal
História

Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo israelita. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.

Observatório Dourado
Ilhas

Monte Mauna Kea, Havai

Um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra

Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Perigo de praia
Natureza

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Parques Naturais
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Água grande
Património Mundial UNESCO

Cataratas Iguaçu, Brasil/Argentina

O Grande Splash

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.

Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Praias
Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
Templo Kongobuji
Religião

Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir de Koya San, pode ser ainda mais fácil.

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Praia portuária
Sociedade

Sentosa, Singapura

O Recreio de Singapura

Foi uma fortaleza em que os japoneses assassinaram prisioneiros aliados e acolheu tropas que perseguiram sabotadores indonésios. Hoje, a ilha de Sentosa combate a monotonia que se apoderava do país.

Fim da Viagem
Vida Quotidiana

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Campo de géiseres
Vida Selvagem

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.