Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta


Himalaias urbanos
Vista do casario caracteri?stico da cidade, a partir do cimo do seu mercado Lal.
SOS Nirvana
Um encontro celestial numa ponte elevada da capital de Sikkim
Uma estupada
Monge trabalha em frente da grande estupa sagrada de Do-Drul Chorten
Sortido Veg
Vendedora de vegetais do mercado Lal de Gangtok
1920 ??
Cena cine?fila de Rua em Gangtok
A deusa himalaia
Sol nasce e ilumina a Kanchenjunga, a terceira montanha mais elevada a? face da Terra.jpg
Véu budista
O Mosteiro de Rumtek, um dos mais disputados de todos os domi?nios budistas
2º Toque
Jovem aprendiz budista convoca outros para as aulas no mosteiro Rumtek.
Kamal Saloon
Barbearia em pleno centro de Gangktok
Degraus para o céu
Arquitectura garrida e tibetana do mosteiro de Rumtek.
T.P.C.
Aprendizes budistas num raro momento de aplicac?a?o, no meio de muita traquinice
Um monte de saúde
Vendedores do mercado Lal de Gangtok nos seus postos elevados de trabalho.
Bingo !!
Pequena multidãoo participa em mais uma tarde de bingo no terraço do mercado Lal.
Contra o céu
Bandeiras de oração budistas estendidas nas imediações do templo hindu de Ganesh Tok.
Uma companhia felpuda
Criança entre dois figurantes de panda vermelho, o animal mascote da província de Sikkim.
Gol Gappa
Banca serve petiscos de gol gappa (também chamados de pani puri) em em bolas de massa ocas que podem ser servidas recheadas ou ensopadas nos mais distintos sabores indianos, doces ou salgados.
Himalaias urbanos II
O casario de Gangtok, espraiado numa das primeiras elevações da cordilheira dos Himalaias.
Gatos de Buda
Gatos passeiam-se sobre uma varanda do mosteiro budista de Rumtek, o maior de Sikkim e da Índia.
Encosta acima, encosta abaixo
Vista do ponto de entrada menos elevado do teleférico de Gangtok.
Casa da Tibetologia
Edifício do Namgyal Institute of Tibetology, um centro de investigação do Budismo Tibetano mas não só.
Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.

A Gestão Espiritual de Wangyal Buthia

Sir Wangyal Buthia revelou-se uma espécie de Winston “The Wolf” Wolfe de “Pulp Fiction”. Por distintas divergências, a nossa relação com os responsáveis pelo turismo de Sikkim começara bem mas depressa se complicou. Conhecemo-los no início de Dezembro. Desde Dezembro que tentávamos confirmar o nosso itinerário naquela província.

Sir Buthia só seria informado de que nos iria acolher lá para 7 de Janeiro, dois dias antes de chegarmos. Nessa data, a maior parte das questões continuavam por desbloquear. Buthia resolveu-as a todas com incrível subtileza e humildade.

Ok. Sir… just enjoy. Everything is according to u. Let’s together florish Sikkim world wide” garante-nos com recurso a um tradutor automático e a mais positiva das atitudes.

Quando o encontramos em Rangpo, onde Bengala Ocidental e Sikkim namoriscam, depressa confirmamos que Wangyal era o Zen em pessoa. Iluminados pelo seu conhecimento e luz espiritual, Gantkok e Sikkim pareceram-nos sempre mais radiosos.

O cicerone prenda-nos com os lenços khata, garantias sedosas da sinceridade e boa-vontade das suas intenções. De Rangpo, viajámos encosta acima apostados em espreitar o Festival Cultural Red Panda, um dos mais importantes de Sikkim.

O evento realizava-se, no entanto, num estádio. A sua atmosfera artificial de betão e relva sintética anulava qualquer interesse fotográfico que nele pudéssemos ter.

Gangtok acima, Gangtok abaixo

Malgrado o descontentamento dos seus superiores, Sir Buthia compreende os nossos motivos e anui. Definimos como paragem seguinte o Namgyal Institute of Tibetology. Este museu e estabelecimento emprega investigadores da língua e tradições do Tibete e do budismo tibetano.

Edifício do Namgyal Institute of Tibetology, Gangtok, Sikkim, Índia

Edifício do Namgyal Institute of Tibetology, um centro de investigação do Budismo Tibetano mas não só.

Nos últimos tempos, também o estudo e o registo informático da história dos cerca de sessenta mosteiros de Sikkim e dos seus documentos e obras.

Lá fazemos as nossas próprias investigações que só trocamos por outras, ali ao lado, em redor de Do-Drul Chorten, estupa que abriga livros e outras relíquias sagradas do budismo.

Do-Drul Chorten, Gangtok, Sikkim, Índia

Monge trabalha em frente da grande estupa sagrada de Do-Drul Chorten

Uma cerimónia religiosa para lá prevista mantêm vários jovens monges entretidos a cortar e a preparar flores, enquanto fiéis budistas fazem girar as 108 rodas de oração dispostas em redor do monumento.

Algum tempo depois, a inauguração do Red Panda Festival terminara. O trânsito voltava a fluir pela ladeira principal da cidade. Também nós nos dirigimos ao seu alto.

Precisávamos de comprar fruta para a noite. Wangyal conduz-nos ao edifício multipisos do grande mercado Lal. Quando chegamos à base, reconhecemos um corte do casario da cidade que tínhamos descoberto na Internet e que nos encantava. Esquecemos de imediato, as tangerinas e as uvas. Imploramos que nos leve ao terraço do mercado.

Banca do mercado Lal de Gangtok, Sikkim, Índia

Vendedores do mercado Lal de Gangtok nos seus postos elevados de trabalho.

Sir Buthia lidera a correria com que galgamos vários lances de escadas. No cimo, desvenda-nos um recanto escondido entre as muitas tendas de comidas típicas de Sikkim que preenchiam a orla do prédio.

Desse recanto, apreciamos melhor a tal curva de casario arredondado, colorido e emblemático, minutos antes do pôr-do-sol, ao som de um bingo comunal que centenas de moradores de Sikkim – incluindo oficiais da polícia – ali jogam todos os fins de tarde.

Casario de Gangtok, Sikkim, Índia

Vista do casario característico da cidade, a partir do cimo do seu mercado Lal.

A noite não tardava a cair. Estávamos cansados da viagem matinal desde Kalimpong e a jornada seguinte de exploração começaria a horas impróprias.

A Omnipresente Montanha Kanchenjunga

A história enfiou Sikkim numa espécie de ranhura do mapa asiático. O antigo reino surge sob o Tibete, entre o Nepal e o Butão, com a fronteira entre o vasto subcontinente indiano e o Bangladesh logo abaixo. Os Himalaias também despontam no seu território. Uma parte exuberante há que dizê-lo, protagonizada pela terceira maior montanha da cordilheira e do Planeta.

Em Gangtok, desde que fora dos meses de monção, a Kanchenjunga está quase sempre presente.  Vimo-la despertar e rosar para o dia do topo ventoso e gélido de Tashi, um dos vários miradouros que servem a cidade.

A temperatura roça os 0º. Um grupo de militares indianos em t-shirts aproveita a atmosfera espartana e treinam para uma qualquer estafeta que se avizinha. Já o sol, emerge, triunfante à partida, do leste nas nossas costas. Por breves instantes, rosa e doura os diversos pináculos dos Himalaias.

Montanha Kanchenjunga, Himalaias

Sol nasce e ilumina a Kanchenjunga, a terceira montanha mais elevada à face da Terra

Deixa-os entregue à frigidez da alvura e da altura enquanto um bando tresloucado de corvos segue o exemplo dos militares e compete entre si e contra o vento pelos melhores telhados, terraços e ramos das redondezas.

Mais que um pico majestoso, a Kanchenjunga faz parte da espiritualidade das gentes destas paragens. Dos Buthias e dos Lepchas. Ainda dos nepalis que formam a maioria na província, têm a sua língua franca e deram o nome à nação vizinha. Por último, dos tibetanos que residem nas franjas norte e leste da província, mais próximo do Tibete.

Boa parte deles acredita numa divindade Dzo-nga – uma espécie de yeti local – e na existência de um Vale da Imortalidade escondido na cordilheira. Pelo menos a crença no Beyul Dmoshong, é de tal forma real que, em 1962, um Lama Tibetano conduziu centenas de seguidores a encostas elevadas e nevadas da Kanchenjunga, numa peregrinação com o propósito de abrir caminho para esse mesmo vale.

Sikkim: de Reino a Província Indiana

Mas Sikkim não é feito só de montanhas e de redutos budistas. Durante muito tempo independente ou protectorado, o antigo reino viu-se incorporado na Índia, em 1975, durante a vigência de Indira Ghandi, após forte contestação contra a monarquia Chogyal e um referendo que teve como resultado 97.5% de Sim à entrada na União, mas cuja legalidade continua a ser rebatida.

Hoje, plenamente integrada, a província de Sikkim acolhe ainda um número crescente de Bengalis, muçulmanos vindos de Bihar e Marwaris, este, o trio étnico que prospera com o comércio na região sul de Sikkim e em Gangtok.

Mercado de Lal em Gangtok, Sikkim, India

Banca serve petiscos de gol gappa (também chamados de pani puri) em em bolas de massa ocas que podem ser servidas recheadas ou ensopadas nos mais distintos sabores indianos, doces ou salgados.

Encontramo-los de cada vez que voltamos ao mercado Lal para reabastecermos, instalados nas suas bancas geminadas e repletas de fruta, vegetais da época e restantes víveres do ano inteiro.

Também noutras em que vendem os incontáveis vestuários e utensílios Made in China que, malgrado as péssimas relações entre a Índia e o Dragão, cruzam a fronteira a norte numa base regular e abastecem bem mais que Sikkim, todo Subcontinente.

Com o sol apontado ao zénite, a temperatura torna-se suportável. Damos por encerrada a contemplação e adoração da Kanchenjunga. Regressamos ao coração de Gangtok desejosos da papa de aveia aconchegante que, como crianças, pedinchamos ao Sir Bhutia para fugirmos aos pequenos-almoços indianizados.

As Ruas e Ruelas Sobrelotadas de Gangtok

Ao chegarmos à artéria principal MG Marg, uma estátua tão humilde como o próprio Mahatma Ghandi abençoa uma multidão multiétnica, jovem e de trajes ora ocidentalizados ora tradicionais que se cruza de forma bastante mais ordeira que a sul do Subcontinente.

Curva e dividida em duas secções em função do relevo caprichoso, a MG Marg é a avenida por excelência de Gangtok. Sikkim orgulha-se do seu estatuto de província mais “verde”, orgânica e limpa da Índia. A MG Marg comprova, pelo menos, o último dos títulos.

Quando a percorremos, entre lojas e lojinhas repletas de produtos de marcas famosas mas aldrabadas, agências, bares e restaurantes com visuais minimamente cuidados, entregamo-nos à impressão de que aterrámos num qualquer recanto europeu, ou da mais civilizada Ásia.

Cena de rua em Gangtok, Sikkim, Índia

Cena cinéfila de Rua em Gangtok

Dali, Gangtok ramifica-se numa fascinante rede de ladeiras e escadarias que mantém fortes as pernas dos moradores.

Subimos a bordo do teleférico que serve a cidade e apreciamos, a uma boa distância panorâmica, o casario garrido e dependurado. Numa outra manhã, Wangyal consegue a companhia e o jipe de um cunhado.

Na maior parte do tempo em amena cavaqueira, os dois levam-nos ao lado de lá do rio Teesta e ao Mosteiro Rumtek, um dos mais emblemáticos mas também polémicos de Gangtok.

Mosteiro de Rumtek, em Sikkim, Índia

Arquitectura garrida e tibetana do mosteiro de Rumtek.

No início dos anos 90, o direito de posse e administração do mosteiro, o maior de Sikkim e o mais rico centro monástico da Índia gerou um estado de sítio.

Rumtek: um Mosteiro Budista em Estado de Guerra

Engane-se quem pense que o Budismo é só meditação e espiritualismo. Rebentaram verdadeiras batalhas campais entre as duas facções.

Desde então, até hoje, o governo indiano mantém presentes militares de metralhadoras, com instruções para dispersarem quaisquer ataques perpetrados pelo lado que pretende reconquistar o mosteiro.

O ambiente é surreal. Quase nos hipnotiza um tema cerimonial místico de trompas e címbalos, adornado pelo gongo tocado por um jovem monge que chama os colegas para a aprendizagem do dia.

Gongo para as aulas no mosteiro Rumtek, Sikkim, Índia

Jovem aprendiz budista convoca outros para as aulas no mosteiro Rumtek.

Ao som dessa banda sonora, passamos entre soldados volumosos e camuflados e atravessamos o pórtico principal. Visitantes indianos divertem-se a atirar moedas ao ar com o objectivo supersticioso de as imobilizar no cimo do mastro central da bandeira da paz. Um grande bando de pombos sobrevoa-os.

Procuramos um ponto de observação privilegiado quando damos com um outro grupo mais jovem de aprendizes sentado no chão de um terraço, entregue aos seus cadernos. O adulto que os supervisiona ausenta-se. De imediato, substituem os afazeres monásticos por sucessivas tropelias.

Atraem os pombos com pedaços de chapatis deixados num canto da ala. A determinada altura, todas as aves deles se aproximam. Os pequenos religiosos atingem-nos com pedrinhas e bolas de farinha recém-produzidas. Assustados, os pombos esvoaçam por cima de nós, dão uma pequena volta de reconhecimento e regressam à mendigagem.

Monges do Mosteiro de Rumtek, Sikkim, Índia

Aprendizes budistas num raro momento de aplicação, no meio de muita traquinice

A brincadeira repete-se até que o tutor regressa e os põe na linha com vergastadas vigorosas. Do lado de lá do pátio, numa das muitas camadas estruturais do templo, prosseguem as trompas, os címbalos e a cerimónia de homenagem e oferendas ao 16º Karmapa, que tem as suas relíquias numa estupa dourada e sagrada.

Deixamos Rumtek entregue à paz podre em que caíra. Voltamos a Gangktok. À chegada, as luzes artificiais já iluminavam as cem mil vidas da cidade. Libertamos Sir Buthia para a sua e ficamos a ver o bingo do mercado de Lal alienar centenas de outras.

Bingo em Gangtok, Sikkim, Índia

Pequena multidãoo participa em mais uma tarde de bingo no terraço do mercado Lal

Os autores agradecem o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades:  Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India; Sikkim Tourism

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a votaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
Guwahati, India

A Cidade que Venera Kamakhya e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Ooty, Índia

No Cenário Quase Ideal de Bollywood

O conflito com o Paquistão e a ameaça do terrorismo tornaram as filmagens em Caxemira e Uttar Pradesh um drama. Em Ooty, constatamos como esta antiga estação colonial britânica assumia o protagonismo.

Hampi, India

À Descoberta do Antigo Reino de Bisnaga

Em 1565, o império hindu de Vijayanagar sucumbiu a ataques inimigos. 45 anos antes, já tinha sido vítima da aportuguesação do seu nome por dois aventureiros portugueses que o revelaram ao Ocidente.

Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
Crocodilos, Queensland Tropical Australia Selvagem
Parques nacionais
Cairns a Cape Tribulation, Austrália

Queensland Tropical: uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Sirocco, Arabia, Helsinquia
Arquitectura & Design
Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com boa parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela arte, pela estética e pelo modernismo inspirada na vizinha Escandinávia.
lagoas e fumarolas, vulcoes, PN tongariro, nova zelandia
Aventura
Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões do PN Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori reclama aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.
Saida Ksar Ouled Soltane, festival dos ksour, tataouine, tunisia
Cerimónias e Festividades
Tataouine, Tunísia

Festival dos Ksour: Castelos de Areia que Não Desmoronam

Os ksour foram construídos como fortificações pelos berberes do Norte de África. Resistiram às invasões árabes e a séculos de erosão. O Festival dos Ksour presta-lhes, todos os anos, uma devida homenagem.
ora de cima escadote, feiticeiro da nova zelandia, Christchurch, Nova Zelandia
Cidades
Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado da Nova Zelândia

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell, o feiticeiro da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.
Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Cultura
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Espectador, Melbourne Cricket Ground-Rules footbal, Melbourne, Australia
Desporto
Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o Futebol Australiano só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.
Cavalos sob nevão, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo
Em Viagem
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Navala, Viti Levu, Fiji
Étnico
Navala, Fiji

O Urbanismo Tribal de Fiji

Fiji adaptou-se à invasão dos viajantes com hotéis e resorts ocidentalizados. Mas, nas terras altas de Viti Levu, Navala conserva as suas palhotas criteriosamente alinhadas.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Submarino Vesikko, Suomenlinna, Helsínquia, Finlândia
História
Helsínquia, Finlândia

A Fortaleza em Tempos Sueca da Finlândia

Destacada num pequeno arquipélago à entrada de Helsínquia, Suomenlinna foi erguida por desígnios político-militares do reino sueco. Durante mais de um século, a Rússia deteve-a. Desde 1917, que o povo suómi a venera como o bastião histórico da sua espinhosa independência.
Solovestsky Outonal
Ilhas
Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.
Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Recompensa Kukenam
Literatura
Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima

Perduram no cimo do Mte. Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.
Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile
Natureza
Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Patrulha réptil
Parques Naturais
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Viajante acima da lagoa gelada de Jökursarlón, Islândia
Património Mundial UNESCO
Lagoa Jökursarlón, Glaciar Vatnajökull, Islândia

Já Vacila o Glaciar Rei da Europa

Só na Gronelândia e na Antárctica se encontram geleiras comparáveis ao Vatnajökull, o glaciar supremo do velho continente. E no entanto, até este colosso que dá mais sentido ao termo Terra do Gelo se está a render ao cerco inexorável do aquecimento global.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Personagens
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Insólito Balnear
Praias

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Um contra todos, Mosteiro de Sera, Sagrado debate, Tibete
Religião
Lhasa, Tibete

Sera, o Mosteiro do Sagrado Debate

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.
Sobre carris
Sobre Carris

Viagens de Comboio: O Melhor do Mundo Sobre Carris

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie os melhores cenários do Mundo sobre Carris.
Fiéis cristãos à saida de uma igreja, Upolu, Samoa Ocidental
Sociedade
Upolu, Samoa  

No Coração Partido da Polinésia

O imaginário do Pacífico do Sul paradisíaco é inquestionável em Samoa mas a sua formosura tropical não paga as contas nem da nação nem dos habitantes. Quem visita este arquipélago encontra um povo dividido entre sujeitar-se à tradição e ao marasmo financeiro ou desenraizar-se em países com horizontes mais vastos.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Vida Quotidiana
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Vida Selvagem
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.