Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino


Um, dois, três

Visitantes encenam poses divertidas com as Ruínas de Talisay City em fundo.

Casa & Jardim

Amigos no jardim vasto da antiga mansão, protegidos do sol escaldante próprio da latitude tropical da ilha de Negros,

Reflexo histórico

A estrutura da velha mansão do casal Lacson reflectida numa pequena mesa espelhada de jardim.

Don Raymundo

Raymundo Javellana, o bisneto de Mariano e Maria Lacso, autor da recuperação e da fama das Ruínas.

Neo-romantismo tropical

Pormenor da mansão erguida segundo um plano arquitectónico neo-romanesco italiano executado por Luís Puentevella. 

À vez

Amigos fotografam-se numa escadaria da mansão Lacson.

Um novo brilho

A iluminação das Ruínas destacada pelo cair do lusco-fusco.

Umas poses quaisquer

Visitantes sobre um dos varandins das Ruínas. 

Casal Lacson

Imagens históricas de Mariano e Maria Lacson.

Numa estrada açucarada

Um tricycle percorre uma estrada que atravessa uma das plantações de cana-de-açúcar em redor das Ruínas.

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Passaram apenas uns minutos desde que a cicerone Betsy Gazo, jornalista do Sunstar de Bacolod nos recebeu à saída do ferry. Percebemos, noutros tantos, o amor que Betsy tinha por aquela terra pejada de história e de incríveis peripécias, coloniais mas não

só. “Sabem que eu tenho um amigo português. Estou mesmo entusiasmada por o irem conhecer!” As suas palavras intrigam-nos. “Um amigo português”? Na ilha tão longínqua de Negros? A verdade é que já tínhamos encontrado compatriotas ou descendentes nos quatro cantos do mundo, incluindo nos arredores de Apia, a capital de Samoa. A confirmar-se, tratar-se ia de mais um caso da vasta luso-diáspora.

Betsy não tem como conter a ansiedade em nos contar e mostrar a sua terra natal. Aqui e ali, o entusiasmo leva-a a apimentar a realidade. Não tardamos a constatar que o amigo não era propriamente português mas que o passado secular da sua família nos valeria bem mais que isso.

Chega o dia de o visitarmos. A carrinha deixa Bacolod rumo a Talisay, uma cidade nos arredores. Entramos em nova zona coberta de cana-de-açúcar, cultura porque a ilha de Negros é notória nas Filipinas. Uma cancela detem-nos. Betsy conhece o funcionário na portinhola. Desbloqueia-nos a entrada num ápice. Umas dezenas de passos adicionais e damos com o âmago e razão da fama da propriedade. “Vou ver se encontro o Raymundo. Volto já. Investiguem à vontade!”

Perscrutamos o cenário em redor. Dele se destaca a armação de uma morada em tempos esplendorosa, hoje, misteriosa.

O sol daquelas latitudes tropicais ia a caminho do zénite. Grelhava-nos sem clamor. Quando Raymundo Javellana aparece, dá-nos as boas-vindas e trata de nos arranjar uma sombra junto à fonte de água de quatro pisos que refrescava o jardim. Munido de vários emails, confirma-nos o sangue português que lhe corria nas veias. Descreve-nos como o obtivera bem como a sua relação com as ruínas célebres que tínhamos por diante. Também nos pede ajuda na missão que alentava de identificar o ponto de origem exacto dos ancestrais lusitanos. “Não estão com pressa, pois não? A história é meio longa…”, adianta-nos com um sorriso terno e juvenil.”

Segundo nos conta, Raymundo era bisneto de Don Mariano Ledesma Lacson e de Maria Lacson. Mariano Lacson, por sua vez, era um barão do açúcar de Negros, nos últimos tempos da era colonial hispânica das Filipinas, o mais novo de oito filhos da família Lacson, herdeiro do apelido e de uma plantação com 440 hectares nos mesmos arredores de Talisay City. Abastado, com o futuro assegurado, Mariano aproveitou vários períodos de menos trabalho na plantação para viajar. Desvendava Hong-Kong quando uma jovem macaense lhe despertou a atenção e, pouco depois, a paixão.

Raymundo passa-nos para as mãos um esquema genealógico que tem raiz, em 1630, em Tancos e centra-se, nas últimas décadas do século XVII, em Macau. Por essa altura, Manuel Vicente Rosa começava a prosperar no comércio marítimo entre Portugal continental e a colónia asiática. Contingências da sua vida e do negócio levaram a que, em 1738, se visse desafogado de finanças e uma das personagens mais influentes de Macau. Ainda assim, sem herdeiro. Mandou chamar de Portugal o sobrinho Simão Vicente Rosa, nos seus vinte anos, com o propósito de o casar e de lhe legar a fortuna. O sobrinho não teve como resistir à proposta. Chegou a Macau a 3 de Outubro de 1738. Dezasseis dias depois, casava com Maria de Araújo Barros, noiva pré-seleccionada pelo tio. Este último, faleceu no ano seguinte. Simão Vicente tornou-se ainda mais rico que Manuel Vicente Rosa e, pelo menos, tão influente. Reforçou a sua prosperidade através de empréstimos estratégicos aos Jesuítas, com quem viria a entrar em conflito quando reclamou uma tal de Ilha Verde como compensação por falta de pagamentos. Sucedeu-o nos negócios o seu quarto filho, Simão d’Araújo Rosa.

Simão d’Araujo Rosa concentrou a navegação e actividade comercial que herdara entre Banguecoque e Goa mas, na sua vigência, a riqueza da família definhou, vítima da concorrência da rota cada vez mais rentável de ópio entre Macau e Calcutá, em que não conseguira imiscuir-se.

Em Macau e, mais tarde Hong Kong, os sucessores de Simão d’Araújo Rosa usaram de forma combinada e alternada os sobrenomes do pai e da mãe: Rosa, Rosa Pereira e Rosa Braga. Por fim, adoptaram apenas Braga que, com o tempo, conquistara forte distinção em Goa. Maria, a jovem atraente que chamara a atenção do turista filipino Mariano Ledesma Lacson era uma das descedentes desta então família Braga.

Enquanto Raymundo desenrolava a história, o número de visitantes das suas Ruínas aumentara a olhos vistos. Investigavam o interior da estrutura e todos os recantos do jardim em redor, entregues a incontáveis e inevitáveis selfies e fotos de grupo. Ou a namoricos românticos nas varandas e escadarias do edifício. Também a vida a dois de Mariano e Maria Lacson se mantivera harmoniosa, repleta de amor. Até a desgraça lhes bater à porta.

Mariano e Maria casaram e foram viver para Talisay. Nessa altura, esperava-se de um casal uma família prolífica. Mariano e Maria abençoaram-se com dez filhos: Victoria, Rafael, Mercedes (que mais tarde casou com um Javellana, apelido de Raymundo), Natividad, Sofia, Felipe, Consolación, Angelina, Ramon e Eduardo. Teriam sido prendados com um 11º rebento mas Maria Lacson escorregou na casa de banho e começou a sangrar de forma abundante. O dano provou-se tão grave que em vez de a tentar transportar a um hospital de Talisay, Mariano apressou-se a preparar uma carruagem para ir buscar à cidade um médico que socorresse a esposa. À época, a viagem para Talisay durava dois dias. Mariano demorou quatro a ir e a regressar. Maria e a criança morreram antes que chegasse. Mariano perdeu o amor da sua vida. Sofreu a bom sofrer para recuperar do desgosto.

Mas Don Mariano Lacson tinha dez filhos para criar e uma óbvia obrigação de continuar com a vida. Como expressão de amor-póstumo e de clarividência, decidiu erguer uma mansão em memória da esposa nas imediações da casa em que haviam morado. Planeou uma casa em que ele e os filhos pudessem viver em desafogo e que, ao mesmo tempo, mitigasse a memória dolorosa do lugar em que Maria perecera. A ideia acolheu a concordância do sogro. Este, contribuiu financeiramente e, crê-se, que com os planos de arquitectura neo-romanesca italiana da mansão. Don Mariano confiou a obra a um engenheiro local: Luís Puentevella. Um dos filhos Lacson supervisionou-a.

À imagem dos antecedentes o pai de Maria era capitão de navio. A casa de dois andares foi assim dotada com a sua marca, com repetidos ornamentos em forma de concha nos cantos superiores, os mesmos que identificavam, então, na Nova Inglaterra, os lares de capitães de barcos.

Pormenores adicionais testemunharam o amor de Mariano por Maria: os dois “M” em cada pilar em volta do exterior da mansão, claras de ovo adicionadas ao cimento usado na construção para lhe conferir um visual e textura, refinados como os do mármore, que representasse a pele de alabastro de Maria característica das mulheres mediterrânicas.

A mansão tornou-se a maior estrutura residencial de Negros, dotada das melhores mobílias, louças e outros elementos decorativos. Foi algo favorecido pelo pai de Maria Braga poder navegar mundo fora e assegurar o seu transporte, como assegurou de trabalhadores chineses.

Três das filhas de Mariano – Victoria, Consolación e Angelina – nunca casaram. De acordo, viveram no andar superior naquela mansão esplendorosa, enquanto os irmãos homens residiam no térreo. Dizem as más línguas que esta distribuição dos filhos na casa determinada por Don Mariano impediu uma aproximação condigna dos pretendentes às donzelas que assim dela usufruíram por bastante mais tempo. Até que nova tragédia lhes roubou o privilégio.

Definia-se o palco asiático da 2ª Guerra Mundial. A invasão nipónica das Filipinas estava eminente e Mariano Lacson e os filhos viram-se obrigados a deixar a ilha de Negros.

O boato de que os japoneses transformariam a mansão num seu quartel-general, fez com que a guerrilha filipina sob comando norte-americano USAFFE se visse obrigada a incendiá-la. A mansão ardeu durante três dias em que o fogo consumiu telhado, pisos e as portas de 5 cm de espessura tudo feito de madeiras nobres como tindalo, pau-rosa, kamagong e outras. Já a estrutura de ferro e cimento, resistiu. Permanece intacta e fascina quem quer que hoje visite as Ruínas.

Don Mariano Lacson (1865-1948) faleceu três anos após o desfecho da 2ª Guerra Mundial. Raymundo Javellana, o nosso anfitrião e interlocutor era neto de Mercedes, uma das três filhas de Mariano e Maria que casaram. Raymundo tornou-se também o dono inconformado e criativo da fazenda e do que sobrava da mansão dos bisavôs. Foi dele a ideia de transformar as Ruínas do seu ninho num memorial à altura.

Voltamos a visitá-las ao fim do dia, atentos a como o pôr-do-sol e o lusco-fusco moldavam a atmosfera do lugar. Por essa altura, dezenas de visitantes formavam uma fila para fotografarem a estrutura reflectida numa pequena mesa de jardim semi-espelhada. Outros, contracenavam para distintas fotos, rendidos ao significado emocional do lugar entretanto apelidado de “Taj Mahal de Negros”. Uma banda de Bacolod não tardou a inaugurar a sua actuação nocturna e contribuiu com uma banda sonora vigorosa para aquela intrigante celebração da vida e da morte. 

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Cebu, Filipinas

O Atoleiro de Magalhães

Tinham decorrido quase 19 meses de navegação pioneira e atribulada em redor do mundo quando o explorador português cometeu o erro da sua vida. Nas Filipinas, o carrasco Datu Lapu Lapu preserva honras de herói. Em Mactan, uma sua estátua bronzeada com visual de super-herói tribal sobrepõe-se ao mangal da tragédia.

White Beach, Filipinas

A Praia Asiática de Todos os Sonhos

Foi revelada por mochileiros ocidentais e pela equipa de filmagem de “Assim Nascem os Heróis”. Seguiram-se centenas de resorts e milhares de veraneantes orientais mais alvos que o areal de giz.

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Hungduan, Filipinas

Filipinas em Estilo "Country"

Os GI's partiram com o fim da 2a Guerra Mundial mas a música do interior dos EUA que ouviam ainda anima a Cordillera de Luzon. É de tricycle e ao seu ritmo que visitamos os terraços de arroz Hungduan.

Filipinas

Os Donos da Estrada

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, os filipinos transformaram milhares de jipes norte-americanos abandonados e criaram o sistema de transporte nacional. Hoje, os exuberantes jeepneys estão para as curvas

Vigan, Filipinas

A Mais Hispânica das Ásias

Os colonos espanhóis partiram mas as suas mansões estão intactas e as kalesas circulam. Quando Oliver Stone buscava cenários mexicanos para "Nascido a 4 de Julho" encontrou-os nesta ciudad fernandina

Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

Gasan, Filipinas

A Paixão Filipina de Cristo

Nenhuma nação em redor é católica mas muitos filipinos não se deixam intimidar. Na Semana Santa, entregam-se à crença herdada dos colonos espanhóis.A auto-flagelação torna-se uma prova sangrenta de fé

Filipinas

Quando só os Galos Despertam um Povo

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.

Busuanga, Filipinas

Uma Armada Pouco Secreta

Na 2a Guerra Mundial, uma frota nipónica falhou em ocultar-se ao largo de Busuanga e foi afundada pelos aviões norte-americanos. Hoje, os seus destroços subaquáticos atraem milhares de mergulhadores.

Bohol, Filipinas

Filipinas do Outro Mundo

O arquipélago filipino estende-se por 300.000 km2 de oceano Pacífico. No grupo Visayas, Bohol abriga pequenos primatas com aspecto alienígena e colinas extraterrenas a que chamaram Chocolate Mountains

Uma Cidade Perdida e Achada
Arquitectura & Design

Machu Picchu, Peru

A Cidade Perdida em Mistério dos Incas

Ao deambularmos por Machu Picchu, encontramos sentido nas explicações mais aceites para a sua fundação e abandono. Mas, sempre que o complexo é encerrado, as ruínas ficam entregues aos seus enigmas.

Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e a experiência que não se deve arriscar subir à pressa.
Cerimónias e Festividades
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Caminho para o deserto
Cidades
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.
Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Dança dos cabelos
Cultura
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Via caribenha
Em Viagem
Overseas Highway, E.U.A.

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.
Étnico
Nelson a Wharariki, Nova Zelândia

O Litoral Maori em que os Europeus Deram à Costa

Abel Janszoon Tasman explorava mais da recém-mapeada e mítica "Terra Australis" quando um equívoco azedou o contacto com nativos de uma ilha desconhecida. O episódio inaugurou a história colonial da Nova Zelândia. Hoje, tanto a costa divinal em que o episódio se sucedeu como os mares em redor evocam o navegador holandês.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
A inevitável pesca
História

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Realidade e fantasia
Ilhas

Guadalupe

Um Delicioso Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Curiosidade ursa
Natureza

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

À sombra da árvore
Parques Naturais

PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"

Tédio terreno
Património Mundial Unesco
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Gang de 4
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Pedaço de Maldivas
Praia

Maldivas

De Atol em Atol

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.

Bruxinha de chaleira
Religião

Helsínquia, Finlândia

A Páscoa Pagã de Seurasaari

Em Helsínquia, o sábado santo também se celebra de uma forma gentia. Centenas de famílias reúnem-se numa ilha ao largo, em redor de fogueiras acesas para afugentar espíritos maléficos, bruxas e trolls

Assento do sono
Sobre carris

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Autoridade bubalina
Sociedade

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem a maior manada bubalina e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Perigo: correntes
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.