Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa


Glamour vs Fé

Casal indiano posa diante da Igreja da Divina Providência durante uma produção fotográfica casamenteira

Solitude

Visitante à entrada na nave da Sé Catedral, uma igreja monumental, das maiores da Ásia.

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Cristianismo tropical

A Sé Catedral, para lá da avenida ampla ladeada por palmeiras-imperiais que a separa da Basílica do Bom Jesus

Intercâmbio de fés

Comitiva de visitantes muçulmanos prepara-se para visitar a Basílica do Bom Jesus.

A Goa ainda portuguesa

Telhados tradicionais portugueses do bairro das Fontaínhas com a capela de São Sebastião em destaque.

Uma janela para Portugal

Sr. Fernando refresca o tronco nu à porta meio-fechada da sua casa a meia-encosta do bairro das Fontaínhas.

Cores hindus, branco cristão

Amigas hindus descem a escadaria da Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição, o templo cristão mais emblemático de Pangim.

A Goa ainda portuguesa II

Casario português de Pangim visto do átrio da Igreja da Nª Srª da Imaculada Conceição.

Luzes, acção

Casal faz as suas últimas fotos do dia na escadaria da Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição.

À falta de selfie

Visitantes da Basílica do Bom Jesus fotografam uma estátua de Cristo colocada junto ao altar.

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Goa e os Excessos Turísticos

Turistas em catadupa, casinos, venda livre de álcool, subsídios regionais e estatais e outras benesses dotam Goa de fundos e investimentos a condizer. Tínhamos visitado à província uma primeira e única vez faziam 17 anos. Mal podíamos crer na revolução que por lá agora encontrávamos.

Desde que deixámos o aeroporto de Dabolim, as obras e respectivos estaleiros não paravam de se repetir numa mescla de betão, aço e maquinaria que remexera sucessivos quilómetros de solo açafrão, a mesma terra seca e ocre que guardávamos num profícuo imaginário histórico-colonial. Retocámo-lo de acordo com a inesperada desilusão. Dias depois, já conformados, inaugurámos o compromisso de redescoberta com que lá tínhamos voltado.

“Eles começaram a chegar por volta de 2002. Daí em diante não pararam de aumentar” conta-nos Raj, o proprietário do apartamento de Calangute que alugámos, a referir-se aos inúmeros charters que desde então aterram em Goa e assim prolongam uma já longa invasão russa.

Inúmeros estabelecimentos assumiram nomes, menus e a sua comunicação em cirílico. Nas ruas, taxistas e vendedores de tudo um pouco abordam-nos em russo convictos da nossa procedência da nação dos czares. O equívoco satura-nos. Deixa-nos ansiosos de comprovarmos que ainda por ali temos raízes ou, vá lá que seja, alguma razão de ser.

O apartamento antes pertencente a um tal de R.S. Coutinho que o decorou com imagens e mensagens cristãs, veio com uma scooter. A motoreta não nos salvou da modernidade rebuscada e poeirenta em que Goa se tinha metido. Permitiu que nos evadíssemos da inesperada salada indiana-russa.

A História Anciã da Velha Goa

No fim de uma das manhãs que por lá passámos, saímos disparados para a Velha Goa, onde a história portuguesa da província havia começado. Cruzamos uma ponte em construção sobre o rio Mandovi, onde uma brigada de trânsito preparada para alvejar turistas, nos desvia duzentas rupias.

Do lado de lá do rio, somos obrigados a seguir por uma via rápida também ela em obras. Duvidávamos cada vez mais do antigo encanto de Goa mas, quando deixamos a tal estrada e passamos para o reduto tropical e ribeirinho da antiga capital da Índia Portuguesa, tudo muda de figura.

Sé Catedral da Velha Goa, Índia

A Sé Catedral, para lá da avenida ampla ladeada por palmeiras-imperiais que a separa da Basílica do Bom Jesus

O calor tórrido e húmido, próprio dos meses de Abril e Maio em que se choca a Monção, faz-nos suar a bem suar.

Quase que cozemos ao longo da alameda de palmeiras-imperiais que nos separa – e à casa de Deus – do domínio da vizinha Sé Catedral, nem mais nem menos que a maior igreja das Ásias.

O momento em que passamos para o interior sombrio e fresco da basílica, chega, assim, com muito de misericordioso.

Basílica do Bom Jesus, Velha Goa, Índia

Comitiva de visitantes muçulmanos prepara-se para visitar a Basílica do Bom Jesus

Photography of people not allowed”, estabelece um dos vários avisos e proibições com que o templo brinda os visitantes. Depreendemos num ápice que os padres e fiéis conservadores procuravam exorcizar a heresia indiana das selfies.

A visão de um grupo de jovens amigos a fotografar-se na companhia forçada de um Jesus de túnica branca, não lhes passou despercebida.

E foi com um misto de devoção e de prazer que os despacharam para o claustro recolhido da igreja, sem direito a paragem diante do túmulo dourado e alegadamente milagroso de São Francisco de Xavier, o missionário lendário das Descobertas.

Ao longo dos tempos, a Velha Goa, gerou respeito e admiração nos quatro cantos da Terra. Como o veem os sacerdotes, não será agora, decorrido mais de meio-milénio da sua fundação, que uns catraios hindus dela irão zumbar.

Visitantes da Basílica do Bom Jesus, Velha Goa, Índia

Visitantes da Basílica do Bom Jesus fotografam uma estátua de Cristo colocada junto ao altar.

Da Chegada de Vasco da Gama à Roma do Oriente

A povoação já era, aliás, imponente quando os portugueses a capturaram a um tal de sultão de Bijapur. Agrupava num reduto cercado de muralhas e fosso, o palácio do xá, mesquitas e outros edifícios.

Intolerantes para com a arquirrival civilização muçulmana, a partir de 1510, Afonso de Albuquerque e os seus homens pouco mais lá pouparam que algumas fundações.

Viriam a usá-las como bases dos muitos solares, palacetes, igrejas e catedrais (12 magnificentes em pouco mais que 1km2) que, sendo hoje difícil de imaginar a realidade de então, tornaram Goa uma das mais esplendorosas cidades do Oriente, fulcro da cristianização das Ásias, diz-se que lugar de sete distintos mercados a que afluíam mercadores da China, das Arábias de Zanzibar e de outras paragens da Índia.

Estas e outras virtudes – casos de, a determinada altura, a sua população já suplantar a de Lisboa e a de Londres e de quase todas as ordens religiosas lá estarem activas – granjeou-lhe o epiteto de Roma do Oriente. Goa passou, todavia, do zénite ao declínio, bem mais depressa que a Roma do Lácio.

Em tempos, a entrada na cidade fazia-se directamente do molhe do rio Mandovi para a Rua Direita, com passagem sob o Arco do Vice-Rei mandado erguer por Francisco da Gama, neto de Vasco da Gama que, em 1597, assumiu ele próprio o cargo.

Uma das entradas da Sé Catedral de Goa

Visitante à entrada na nave da Sé Catedral, uma igreja monumental, das maiores da Ásia

Uma Fulminante Decadência Tropico-Colonial

A Rua Direita dava acesso ao centro, num percurso delineado por lojas e pelas mansões palacianas dos seus moradores abastados. De início, o Mandovi foi a via que permitiu a conquista e o desenvolvimento de Goa. O rio veio a revelar-se também o seu verdugo.

Os charcos, pauis e outras águas ainda mais estagnadas após o término da época das chuvas tornaram-se um fulcro de malária e de cólera, epidemias que, entre 1543 e 1630, devastaram quase dois terços da população. Como se não bastasse, nesse período, o rio começou a assorear. As embarcações de maior porte deixaram de poder aportar no molhe da cidade.

Desesperado com a situação, em 1759, o Conde de Alvor, o Vice-Rei de então, decretou a mudança forçada para a actual Pangim, até então uma aldeia junto à foz em que o Mandovi se rende ao Mar da Arábia.

Como resultado das sucessivas tragédias, de mais de 200.000 habitantes, em 1775, subsistiam em Goa apenas 1500. A cidade foi entregue de vez ao tempo. Daí em diante, passou a ser conhecida pelo seu cognome geriátrico.

Pangim assumiu o estatuto de Nova Goa. Em 1843, já funcionava como sede administrativa da Índia Portuguesa. Lá ganhou expressão um dos mais ricos legados coloniais urbanos deixados pelos portugueses na Índia. Uma herança que, como a de Velha Goa, nos sentíamos impelidos a revisitar.

Pangim e as Vidas Desenquadradas da Nova Goa

Almoçamos no Viva Pangim, um restaurante pitoresco com comida e atmosfera goesa. Linda de Sousa, a dona, confessa-nos que já não fala português. Remete-nos para um cliente esguio e elegante, de calça e camisa, numa mesa ao lado.

Olavo de Santa Rita Lobo faz-nos sentir sem cerimónias que, quase 60 anos depois, estava longe de digerir a indianização de Goa “então e porque é que ficaram lá em cima em Calangute? Aquilo, agora, é só gente maluca, indianos que não têm nada a ver connosco. Bêbados, drogados. Tornou-se até perigoso. Deviam ter ficado cá em Pangim!”

Advogado de profissão, Olavo trata de resolver um crescente número de pedidos de nacionalidade portuguesa que os goeses – mas não só – lhe confiam. “O pessoal de cá, com este governo, não tem empregos. Nem com este nem com os anteriores. Eles são cada vez mais contra a herança portuguesa. Não querem saber de nós.”

Terminamos a refeição e de ouvir o seu queixume. Despedimo-nos. Deixamo-nos perder nas ruelas coloridas e ainda tão lusas do bairro das Fontaínhas. Quase de imediato, uns estranhos guinchos despertam-nos a atenção. Seguimos-lhes o rasto e damos com o que nos pareceu um violinista louco a praticar de janela aberta.

O Convívio Inusitado com Ivo Furtado

O músico traja uma camisa e calça brancas que pouco mais são que farrapos. Expõe boa parte da sua pele, como o cabelo forte e farto, demasiado branca para que nos restassem dúvidas. “Ainda fala português?” perguntamos-lhe. “Falo, então não falo! Claro que sim.”

Ivo Furtado interrompe a guincharia do violino, chama-nos e concentra o olhar nas nossas máquinas fotográficas. Mostra-nos algumas suas velhas fotos emolduradas e informa-nos que as tirou com uma boa Hasselblad. Perguntamos-lhe se o podemos fotografar a tocar violino o que o deixa meio aflito. “A mim não! Eu gostava de fotografar mas nunca gostei de me ver em fotos.”

Continuamos a falar da sua vida em Pangim. A determinada altura abordamos o tema da integração de Goa na Índia. Ivo corrige-nos como que em brasa: “Independência, não! … invasão. O que foi feito aqui pela Índia foi apenas e só uma invasão.” e disfarça a sua quase cólera com um silêncio estratégico. Temos o tempo contado pelo que nos vemos forçados a despedirmo-nos.

Altinho: o Zénite Católico e pós-Colonial de Pangim

“Estas escadas vão dar ao Altinho, certo?” Ivo confirma-nos a direcção. A meio da subida, damos de caras com o sr. Fernando, a arejar o tronco nu sobre a porta meio aberta da sua pequena casa de telha e perfil luso.

Sr. Fernando, Bairro das Fontaínhas, Pangim, Goa

Sr. Fernando refresca o tronco nu à porta meio-fechada da sua casa a meia-encosta do bairro das Fontaínhas.

Em nova conversa, confirmarmos que nenhum dos três nativos com que nos havíamos cruzado tinham alguma vez posto o pé em Portugal continental. Ainda assim, sentimos em todos eles, um desfasamento da Índia actual e um saudosismo da Goa portuguesa para o qual os anos que lhes restavam não auguravam qualquer solução.

Num ápice, chegamos à altura da colina que abrigava mais uma série de edifícios coloniais imponentes, incluindo o tribunal da cidade e o Palácio do Bispo.

Capela de São Sebastião, Pangim, Goa

Telhados tradicionais portugueses do bairro das Fontaínhas com a capela de São Sebastião em destaque.

Recomeçamos a descer. Damos com o Consulado Português, com bastantes indianos no exterior à espera de resolver os seus pedidos de nacionalidade, à imagem do que nos descrevera Olavo.

A Igreja Mais Emblemática de Pangim

Atingimos a base do monumento mais emblemático da cidade, a Igreja da Nª Srª da Imaculada Conceição. O sol quase poente ilumina-a e à sua estátua da Virgem destacada bem à frente da fachada, a contemplar o Jardim Municipal.

Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição, Pangim, Goa, Índia

Amigas hindus descem a escadaria da Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição, o templo cristão mais emblemático de Pangim

Esplendorosa como se revelava, a igreja inspirava a adoração de uma dezena de veraneantes hindus irrequietos, com os smartphones sempre em riste, entretidos com repetidas poses sensuais.

Longe de ser o caso da igreja vedeta de Pangim, demasiados edifícios históricos da cidade sucumbem à falta de proprietários e de cuidado das autoridades estatais que veem como prioridades a autoestrada que atravessará Goa de alto a baixo e a modernização da província em geral.

Invasão ou Libertação: o que foi afinal a conquista indiana de Goa?

Goa deixou de ser portuguesa quando nos dias 18 e 19 de Dezembro de 1961 – 14 anos depois da Índia ter terminado o longo período do Raj colonial britânico e declarado a sua independência – as Forças Armadas Indianas levaram a cabo uma operação aérea, marítima e terrestre de nome Vijay (Victória).

Como seria de esperar, o confronto ficou marcado pela esmagadora superioridade indiana que mobilizou 45.000 soldados, um pequeno porta-aviões e mais de quarenta caças e bombardeiros bem como quinze outras embarcações contra poucos mais de 4000 homens portugueses, uma fragata e três barcos de patrulha.

Na ressaca, a Índia matou trinta homens do lado colonial. Fez 4668 prisioneiros. Mas, mais que isso, terminou com 451 anos de domínio português sobre os territórios que mantinha no subcontinente: Goa, Damão e Diu.

Entre os indianos em geral, a operação foi considerada de libertação. Em Portugal, e para uma boa parte dos goeses como Olavo e Ivo, como uma agressão contra o território português e os seus cidadãos. Boa parte deles, partiram de Goa para Portugal ou outras paragens.

Casario colonial de Pangim, Goa

Casario português de Pangim visto do átrio da Igreja da Nª Srª da Imaculada Conceição.

O Frágil Legado Português

Em Pangim, quase só os habitantes dessa geração que ficaram – mas nem todos – continuam a falar português que deixou de ser ensinado nas escolas.

É sabido que a Fundação Oriente prestava apoio a escolas secundárias que optaram por a ter como segundo dialecto, em vez do inglês. No entanto, o número de alunos tem-se provado insuficiente para abrir turmas.

Chegamos a Janeiro de 2018. O Primeiro-Ministro português António Costa visita Goa a convite do Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi.

O pai de António Costa, Orlando da Costa, era goês, bramane e católico, nascido em Lourenço Marques, em 1929, mas criado em Goa, no seio da família de Margão, até à adolescência, altura em que partiu para Lisboa, se viria a tornar escritor e a casar com a jornalista Maria Antónia Palla.

Na Goa actual, não são só os encantadores edifícios seculares que se encontram em risco de colapso. À medida que os moradores mais idosos falecem, a língua portuguesa colapsa.

Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição, Pangim, Goa

Casal faz as suas últimas fotos do dia na escadaria da Igreja da Nª; Srª da Imaculada Conceição.

Durante a sua visita, António Costa manifestou  orgulho por ser o primeiro primeiro-ministro europeu de origem indiana e o desejo de que a sua visita lançasse fundações para uma uma parceria robusta entre a Índia e Portugal, no século XXI. Resta ver se essa parceria se tornará real. E se salvará a deslumbrante cultura colonial luso-goesa.

Mais informação sobre Goa no site Incredible India.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Hampi, India

À Descoberta do Antigo Reino de Bisnaga

Em 1565, o império hindu de Vijayanagar sucumbiu a ataques inimigos. 45 anos antes, já tinha sido vítima da aportuguesação do seu nome por dois aventureiros portugueses que o revelaram ao Ocidente.

Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Seydisfjordur
Arquitectura & Design

Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando a frota pesqueira de Seydisfjordur foi comprada por armadores de Reiquejavique, a povoação teve que se adaptar. Hoje captura discípulos de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.

Aterragem sobre o gelo
Aventura

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.

Cocquete
Cerimónias e Festividades

Napier, Nova Zelândia

De Volta aos Anos 30

Devastada por um sismo, Napier foi reconstruida num Art Deco quase térreo e vive a fazer de conta que parou nos thirties. Os seus visitantes rendem-se à atmosfera Great Gatsby que a cidade encena.

Music Theatre and Exhibition Hall, Tbilissi, Georgia
Cidades
Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.
Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Cultura
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Verão Escarlate
Em Viagem

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Muito que escolher
Étnico

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
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Mudamo-nos das Terras de Bouro para as do Barroso. Com base em Montalegre, deambulamos à descoberta das povoações e outros lugares deslumbrantes deste cimo elevado e raiano de Portugal. Se é verdade que o Barroso já teve mais habitantes, visitantes não lhe deviam faltar.
Baie d'Oro
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A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Tempo de aurora
Inverno Branco

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Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Desembarque Tardio
Natureza

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Penhascos acima do Valley of Desolation, junto a Graaf Reinet, África do Sul
Parques Naturais
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Património Mundial UNESCO
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Pesca no Paraíso
Praias

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

Debate ao molho
Religião

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Colosso Ferroviário
Sobre carris

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Encarregado da iluminação
Sociedade

Barragem Itaipu, Brasil

A Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.

Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.