Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca


Lenha à Pressa
Lenhadores confrontam-se durante o Great Alaskan Lumberjack Show, um dos entretenimentos com que Ketchikan prenda os visitantes.
Creek St.
Casario palafítico da Creek Street, a antiga avenida dos bordéis, instalada sobre o riacho Ketchikan que deu o nome à cidade.
Lá no alto I
Dois lenhadores protagonistas do Great Alaskan Lumberjack Show defrontam-se nas alturas.
Transfer à moda antiga
Charrete transporta passageiros de um dos muitos cruzeiros que atracam na cidade de fim de Maio a Agosto.
Machadada (quase) final
Lenhador corta um cepo à machadada durante outra prova do Great Alaskan Lumberjack Show.
Avenida Tlingit
Rapariga passeia uma mascote em pleno Parque de Totens tlingits de Saxman. Ketchikan e os arredores abrigam a maior concentração de totens dos E.U.A.
Lá no alto II
Lenhador do Great Alaskan Lumberjack Show nas alturas de um tronco instalado para a competição.
2648f434-9946-4070-be39-c1e49ca02e10
durante o Great Alaskan Lumberjack Show.
A caminho
Hidroavião descola de um braço de mar liso, em plenos Misty Fjords.
Em equilíbrio
Lenhadores levam a cabo uma prova de sobre troncos rolantes, durante o Great Alaskan Lumberjack Show.
Creek St. II
Outra perspectiva da Creek Street, com a bandeira dos E.U.A. a sinalizar o patriotismo dos residentes.
Vista Verde
Casal contempla a vista sobre a floresta de Tongass e um dos seus canais, sobre uma ponte nos arredores de Saxman.
Nova invasão
Cruzeiro assombra o casario de Ketchikan amontoado na base da floresta de Tongass
Natureza exclusiva
Pequeno barco faz realçar a vastidão dos Misty Fjords, um vasto reduto de floresta de Tongass entrecortada por canais marinhos.
Aventuras & Diabruras
Crianças exploram o litoral rochoso em frente a Saxman, pouco depois do ocaso tardio do Verão alasquense.
A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.

Um Acolhimento Cristão

São cinco da madrugada e o dia já despertou há um bom tempo, se é que, em pleno Verão boreal, dormiu de todo. O nevoeiro cerrado não chegou a atrasar o navio do Alaska Marine Highway System em que, desde a manhã anterior, navegávamos pelo labirinto de ilhas, ilhéus e canais que separava Sitka de Ketchikan.

A pontualidade do capitão atraiçoa-nos. Vemo-nos obrigados a fechar as mochilas à pressa e a abandonar de emergência o ferry já desolado de passageiros, sem podermos sequer contemplar a frente de casario sortido disposta por diante e a vasta floresta frondosa de acácias e abetos de Tongass que a envolvia.

Malgrado a hora, Christy e Joseph chegam com tempo. O casal que se prestou a acolher-nos na cidade, dá-nos as boas-vindas à saída do porto e leva-nos para a casa dos pais de Christy. Tinham-nos reservado um quartinho na cave da vivenda tradicional de madeira que o pai erguera, em boa parte, com o suor do seu trabalho.

Christy, Joseph, o Pai e Cristo Nosso Senhor

Até se reformar, o senhor foi lenhador nas florestas que preenchem o mapa em redor. Entre outros acidentes, levou com árvores em cima. Partiu as costas e uma perna. Sobreviveu, todavia, às agruras da profissão e, por aquela altura, desfrutava de um merecido e condigno retiro em que, para não abandonar de vez a madeira, se entretinha a fabricar guitarras.

Haveríamos de o conhecer e aos filhos melhor à mesa de um jantar que começou com uma oração por todos partilhada, de mãos dadas.

Não tardámos a perceber que Christy e Joseph eram um casal de missionários. Que tinham recentemente viajado por Moçambique, África do Sul, Índia e outros países, num misto de voluntariado e de descoberta do mundo. O acolhimento providencial que nos tinham concedido era mais um dos seus projectos benevolentes.

Até ao repasto, instalamo-nos e ouvimos as instruções que os anfitriões nos passam. Em seguida, eles vão à sua vida. Nós, tínhamos todo um pseudo-plano de descoberta de Ketchikan para pôr em prática.

Hidroavião em Misty Fjords, Alasca, EUA

Hidroavião descola de um braço de mar liso, em plenos Misty Fjords.

De Mera Floresta à Cidade Inaugural do Alasca

Estávamos 1100 km a norte de Seattle. O grosso desta vastidão integra a província canadiana da Colúmbia Britânica e isola o Alasca, o 49º estado dos E.U.A., dos chamados Lower 48. Isolamento era também algo a que Ketchikan estava habituada.

A quinta maior cidade do Alasca até tem quase 14.000 habitantes permanentes, muitos mais de Maio a Agosto, quando é inundada de migrantes e imigrantes ávidos por ocuparem um dos inúmeros postos de trabalho que o turismo gera. Ainda assim, a próxima cidade digna desse nome, Juneau, a capital do Alasca, dista quase 400 km.

Até ao século XVIII, o lugar não passava de um acampamento que os nativos tlingits usavam para pescar o peixe ali abundante. Com o passar dos anos, essa abundância e a de madeira atraiu colonos e estes compraram terras aos nativos.

Mais um título: a capital Mundial do Salmão

Em 1886, abriu uma primeira fábrica de conservas de salmão, junto à foz do riacho Ketchikan. Até 1936, outras seis tinham sido abertas e granjearam-lhe o título de Capital Mundial do Salmão enlatado.

Hoje, além do salmão, sustentam a economia enormes viveiros de trutas de várias espécies, instaladas a meia-encosta da montanha de Deer, com uma vista privilegiada sobre a cidade e o vasto canal do Pacífico do Norte em que se instalou.

Ketchikan ficou ainda célebre como a First City, por ser a que primeiro aparece na rota sul-norte da Alaskan Marine Highway. Mas também podia ser chamada de Thin City. À boa moda da longa panhandle alasquense, o espaço costeiro ocupado pela cidade na ilha remota de Revillagigedo é de tal forma esguio que o seu aeroporto teve que ser construído numa ilha ao largo.

Já no século XX, foram descobertos ouro e cobre nas imediações. Mas, depois do salmão, foi a actividade madeireira que ocupou a maior parte dos residentes, empregues pela gigantesca produtora de pasta de papel Ketchikan Pulp e pela serração Louisiana Pacific.

E o Turismo entra Cena

Isto até por volta de 1970, quando a nova consciência ecológica cívica governamental barrou temporariamente a produção da empresa e deixou no desemprego centenas de trabalhadores.

Como aconteceu a algumas companheiras a norte, na década de 90, Ketchikan conquistou o novo estatuto de capital dos cruzeiros. Deixou o turismo amarar em definitivo e passou a receber mais de dez embarcações por dia e quase um milhão de passageiros durante os três meses e meio estivais.

Cruzeiro e casario de Ketchikan, Alasca, EUA

Cruzeiro assombra o casario de Ketchikan amontoado na base da floresta de Tongass

A mudança dividiu a população. A uns agradou a abundância de empregos – ainda que sazonais – e os salários chorudos. Outros, recriminaram o antro comercial em que havia degenerado a baixa, onde muitas das lojas pertencem às poderosas companhias de cruzeiros e só abrem no Verão.

Companhias de Cruzeiros vs Cultura Tlingit

Mal o Estio dá lugar ao longo Inverno, essas empresas dedicam-se apenas e só a paragens das Caraíbas. Os seus estabelecimentos locais deixam de ter uso e têm que ser protegidos das sucessivas chuvadas, nevões e ventanias.

São vedados com placas resistentes de contraplacado que as crianças e os adolescentes escolares pintam para suavizar o visual fantasmagórico com que, de outra forma, a baixa se veria.

A modernização e internacionalização de Ketchikan levou-lhe boa parte da alma tlingit, mesmo se os tlingits resistentes se esforçaram por preservar o legado da sua cultura. Ketchikan tem, por exemplo, a maior colecção do mundo de totens.

Nessa tarde, confrontamo-nos com vários deles no Parque de totens de Saxman, um arredor com menos de quinhentos moradores, também ele cercado pela imensidão de abetos de Tongass.

Parque de Totems, Ketchikan, Alasca, EUA

Rapariga passeia uma mascote em pleno Parque de Totens tlingits de Saxman. Ketchikan e os arredores abrigam a maior concentração de totens dos E.U.A.

Dali, regressamos ao centro da cidade e apreciamos um tratamento dos troncos não tão criativo ou espiritual, mas, de igual forma emblemático, da região.

A Herança Cultural dos Lenhadores Alasquenses

Até 1970, centenas de lenhadores entregaram as suas vidas à floresta circundante. A árdua e arriscada actividade conquistou uma reputação insuspeita entre a comunidade local. De tal maneira que distintas povoações começaram a organizar competições que envolviam as várias artes do ofício.

Com o Canadá ali ao lado, essas disputas tornaram-se internacionais. Mais recentemente, o turismo assoberbou muitas das cidades e lugarejos do cabo de frigideira alasquense.

Christy e Joseph contam-nos que mal os visitantes do sul dos E.U.A. põem os pés em terra, renovam um rol de perguntas escabrosas e até algo insultuosas para os moradores. “Onde é que podemos encontrar os iglôs e os esquimós”, “posso pagar com dólares americanos” etc., etc.

Cenas do Famoso Great Alaskan Lumberjack Show

Ao mesmo tempo, em Ketchikan, tudo serve para entreter os forasteiros desinformados e endinheirados que lá desembarcam no Verão e lhes subtrair o máximo de dólares. Os enfrentamentos de lenhadores não fugiram à regra.

Quando entramos no recinto do Great Alaskan Lumberjack Show, as bancadas já estão à pinha. Uma apresentadora estridente apresenta as equipas concorrentes: uma selecção dos E.U.A. contra outra canadiana. Introduz as sucessivas provas com piadas fáceis que geram gargalhadas (des)comunais.

Os representantes estão trajados a rigor de calças de ganga presas por suspensórios sobre camisas de manga curta. Durante mais de uma hora, confrontam-se a cortar cepos à machadada. Serram troncos sobre o solo. E outros, erguidos na vertical, a boa altura, e a que se prendem com arneses.

Competição do Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA

Lenhadores confrontam-se durante o Great Alaskan Lumberjack Show, um dos entretenimentos com que Ketchikan prenda os visitantes.

Lutam ainda sobre madeiros flutuantes e rolantes e por aí fora. No final, como não podia deixar de ser, triunfa a equipa dos E.U.A..

Prova do Great Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA

Dois lenhadores protagonistas do Great Alaskan Lumberjack Show defrontam-se nas alturas

O público volta a rejubilar. Disputa fotografias com os lenhadores em que estes posam como os heróis da serra e do machado com que a multidão americana, sempre ávida de heróis, se quer ver. Ali, mesmo ao lado, o espectáculo é contínuo.

Creek Street: a Artéria Histórica de Ketchikan

Instalada sobre passadiços de madeira que acompanham o rio Ketchikan, a colorida Creek Street é formada por grandes palafitas coloridas anichadas no sopé da floresta de Tongass. Nos tempos da corrida alasquense ao ouro, esta rua acolhia o concorrido Red District da cidade.

Com mais de trinta bordéis, dizia-se que era o único lugar do Alasca em que tanto os peixes como os pescadores subiam o rio para desovar. Tal como então, com o mês de Junho, os salmões chegam ao leito fluvial.

Extenuados pelo já longo percurso marinho, no fim do seu ciclo de vida, tentam, contra o tempo e a corrente, subi-lo.

Creek St., Ketchikan, Alasca, EUA

Casario palafítico da Creek Street, a antiga avenida dos bordéis, instalada sobre o riacho Ketchikan que deu o nome à cidade

Um grupo de miúdos estacionados sobre a ponte de campanha que cruza o rio pesca-os.

Debruçado sobre uma janela verde-amarela de uma das casas pitorescas, um cão com metade da face branca e a outra negra, observa-os, intrigado. Ladra de cada vez que os desafortunados peixes se contorcem fora de água.

Hoje, os velhos bordéis são todos lojas de souvenires aperaltadas. Abrem e fecham consoante os cruzeiros atracam e zarpam. Vendem a preços exorbitantes e publicitam mensagens nacionalistas como “Nothing Made in China here. All 100% natural and Made in Alaska.

Creek St., Ketchikan, Alasca, EUA

Outra perspectiva da Creek Street, com bandeiras dos E.U.A. a sinalizar o patriotismo inquestionável dos residentes.

As duas ou três prostitutas à porta de bares não passam de figurantes. Usam rendas vermelhas. Adaptam poses e trejeitos da mais velha das profissões. Mas são pagas apenas para conversar e se fotografarem com os forasteiros.

A Capital Alasquense da Chuva. Pelo menos, assim é Conhecida

Outro título da lista de “capitais” detida por Ketchikan é o de capital alasquense da chuva. Segundo nos relatam, em nenhuma outra cidade do estado a pluviosidade é tão regular e persistente.

Ainda assim, tal como nos acontecera em quase todo o périplo pelo Grande Norte, os dias sucedem-se quentes e com céu limpo. De tal maneira que, com excepção para o pós-ocaso, nos mantemos de manga curta.

De regresso a casa, Christy e Joseph congratulam-se pela sorte meteorológica que afiançam que trouxemos à cidade. “Isto começou mesmo quando vocês desembarcaram e tem-se prolongado. De certeza que não querem ficar mais uns tempos?”.

Aproveitamos tanto a bonança como a resiliência da luz solar. Com a sua companhia, explorarmos zonas limítrofes e bem mais genuínas da povoação. Levam-nos a uma antiga serração instalada sobre estacas, agora abandonada às marés e aos elementos.

Ponte nos arredores de Saxman, Ketchikan, Alasca, EUA

Casal contempla a vista sobre a floresta de Tongass e um dos seus canais, sobre uma ponte nos arredores de Saxman.

Nas imediações, uma ursa negra caça salmões, incomodada pelas suas duas crias irrequietas que só não lhe espantam as presas porque os peixes estão no encerrar moribundo das suas vidas.

Novo dia sem fim

Regressamos à cidade já depois das onze da noite. O sol caía sobre o horizonte. A lua insinuava-se no firmamento e sobre a maré mais vaza do que alguma vez tínhamos visto. Detemo-nos à beira mar numa península no prolongamento de Saxman.

Um bando de crianças, sem horas para voltar a casa, vasculha o litoral rochoso em busca de aventura. Não tardamos a partilhar da sua fortuna. Ali, mesmo à nossa frente, um grupo de baleias de bossa convive e alimenta-se com graciosidade.

Litoral rochoso de Saxman, Ketchikan, Alasca, EUA

Crianças exploram o litoral rochoso em frente a Saxman, pouco depois do ocaso tardio do Verão alasquense.

Um novo lusco-fusco boreal que faz brilhar as suas peles luzidias instala-se para durar. Tinham passado três dias. Na manhã seguinte, despedimo-nos de Christy e Joseph.

Deixamos aquele confim meridional do Alasca e voamos para Anchorage, a sua maior cidade e mais famosa porta de entrada.

 

Mais informações sobre Ketchikan no site Visit Ketchikan

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Denali, Alasca

O Tecto Sagrado da América do Norte

Os indígenas Athabascan chamaram-no Denali, ou o Grande e reverenciam a sua altivez. Esta montanha deslumbrante suscitou a cobiça dos montanhistas e uma longa sucessão de ascensões recordistas.

Sitka, Alasca

Sitka: Viagem por um Alasca que Já foi Russo

Em 1867, o czar Alexandre II teve que vender o Alasca russo aos Estados Unidos. Na pequena cidade de Sitka, encontramos o legado russo mas também os nativos Tlingit que os combateram.
Juneau, Alasca

A Pequena Capital do Grande Alasca

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta pequena capital que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
Crocodilos, Queensland Tropical Australia Selvagem
Parques nacionais
Cairns a Cape Tribulation, Austrália

Queensland Tropical: uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Sombra vs Luz
Arquitectura & Design

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Aventura
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
Cerimónias e Festividades
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Verão Escarlate
Cidades

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Transbordo
Cultura

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Jovens percorrem a rua principal de Chame, Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Corrida de camelos, Festival do Deserto, Sam Sam Dunes, Rajastão, Índia
Étnico
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Insólito Balnear
História

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

ilha de Alcatraz, Califórnia, Estados Unidos
Ilhas
Alcatraz, São Francisco, E.U.A.

De Volta ao Rochedo

Quarenta anos passados sobre o fim da sua pena, a ex-prisão de Alcatraz recebe mais visitas que nunca. Alguns minutos da sua reclusão explicam porque o imaginário do The Rock arrepiava os piores criminosos.
Cavalos sob nevão, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo
Inverno Branco
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Na pista de Crime e Castigo, Sao Petersburgo, Russia, Vladimirskaya
Literatura
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Cruzeiro Navimag, Puerto Montt a Puerto-natales, Chile
Natureza
Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Teleférico que liga Puerto Plata ao cimo do PN Isabel de Torres
Parques Naturais
Puerto Plata, República Dominicana

Prata da Casa Dominicana

Puerto Plata resultou do abandono de La Isabela, a segunda tentativa de colónia hispânica das Américas. Quase meio milénio depois do desembarque de Colombo, inaugurou o fenómeno turístico inexorável da nação. Numa passagem-relâmpago pela província, constatamos como o mar, a montanha, as gentes e o sol do Caribe a mantêm a reluzir.
Património Mundial UNESCO
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Personagens
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Cruzeiro Princess Yasawa, Maldivas
Praias
Maldivas

Cruzeiro pelas Maldivas, entre Ilhas e Atóis

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.
Chiang Khong a Luang prabang, Laos, Pelo Mekong Abaixo
Religião
Chiang Khong - Luang Prabang, Laos

Barco Lento, Rio Mekong Abaixo

A beleza do Laos e o custo mais baixo são boa razões para navegar entre Chiang Khong e Luang Prabang. Mas esta longa descida do rio Mekong pode ser tão desgastante quanto pitoresca.
Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Cabine lotada
Sociedade
Saariselka, Finlândia

O Delicioso Calor do Árctico

Diz-se que os finlandeses criaram os SMS para não terem que falar. O imaginário dos nórdicos frios perde-se na névoa das suas amadas saunas, verdadeiras sessões de terapia física e social.
O projeccionista
Vida Quotidiana
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.