Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente


Shin Marunouchi life
Transeuntes num cruzamento complexo em frente ao edifício garrido Shin Marunouchi.
Tóquio sem fim
Vista do casario infindável e elevado de Tóquio, dourado pela luz urbana.
Lost in the Crowd
Multidão cruza-se no cruzamento de Shibuya tornado ainda mais famoso pelo filme "Lost in Translation" de Sophia Coppola.
Salarymen vs hosutos
Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um hosuto club repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que eles.
Um refúgio da pressão
Salarymen, conviven num recanto de um bar de rua protegido do vento e da chuva.
Jantar a 500 ienes
Cliente deixa um restaurante de noodles e outras especialidades de baixo custo.
Brinde ao passado
Poster de antiquário à entrada de um bar sinalizado com balão de papel iluminado.
Novidades ou contas ?
Morador de Tóquio abre a sua caixa de correio ou apartado.
Catálogo de hosutos
A entrada de um hosuto club, decorada com as imagens dos hosutos (hosts) disponíveis.
Milk tea para 2
Maid moe Macaro e um amigo aquecem-se a beber milk tea junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas de Tóquio.
Mãos para tudo
Ciclista faz-se a uma passadeira numa noite chuvosa de Tóquio.
Atmosfera de grelhados
Restaurante de rua fumarento protegido dos elementos numa passagem debaixo de uma linha de comboio urbana.
LOHB
Iluminação sofisticada do restaurante LO HB Natural Dining, em plena praça de Shibuya.
Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.

Procuramos um Maid Café do distrito de Akihabara quando, nas traseiras sombrias de um bloco de prédios, reparamos na silhueta de um casal junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas da cidade. Sem pressas, ainda meio perdidos na excêntrica vida nocturna de Tóquio, aproximamo-nos deles com o pretexto válido de usarmos o dispositivo.

Faz um frio de rachar. Sabemos que as máquinas nos dispensam, num ápice, contra uma centena de ienes, um milk tea aquecido e revigorante. Pedimos desculpa por perturbarmos o seu convívio e abordamo-los. Vestida de maid, Macaro prenda-nos com um sorriso tão rasgado como os seus olhos de Lolita inebriada.

Pausa para milk tea, Tóquio

Maid moe Macaro e um amigo aquecem-se a beber milk tea junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas de Tóquio.

Enfiado num gorro de picachu que lhe cobre o cabelo alaranjado, com os lábios trespassados por piercings, o amigo, esforça-se por rir. Também o duo se aquecia, tudo indicava num curto intervalo ou fuga dos afazeres do estabelecimento que buscávamos, ou de outro do género.

Três ou quatro perguntas depois, confirmamos que não falam palavra de inglês. Tentar nipónico ou qualquer outro idioma estava fora de questão. Em vez, brindamos com eles quase em surdina, fotografamo-los, interpretamos os seus gestos de que o café em que trabalhava(m) estava ali ao lado e despedimo-nos.

Dobramos a esquina. Identificamos um letreiro com um grafismo que não deixava lugar a dúvidas. Subimos a escadaria estreita.

No cimo, outra “empregada” vestida com tanta cor quanto Macaro, quase se desfaz em boas-vindas: “Okaerinasaimase, goshujinsama!” grita com uma das vozes mais agudas e infantis que alguma vez ouvimos, para logo nos instalar num recanto abonecado e decorado em estilo “Candy Candy” do estabelecimento.

Pedimos chá. Enquanto o beberricamos, apreciamos a intrigante servilidade e graciosidade de desenho animado com que as empregadas de mesa atendem e mimam os clientes.

Pormenor de restaurante de Shibuya, Tóquio, Japão

Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um “hosuto club” repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que os salaryman.

A Tara rentável dos Maid Cafes e Cuddle Cafes

Na origem, os Maid Cafes surgiram como satisfação comercial da tara nipónica masculina otaku, que é como dizer dos fans de anime, manga e afins com fetiches particulares pelas maid moe, raparigas jovens, inocentes mas atraentes, ainda mais nos seus trajes afrancesados encolhidos, repletos de rendas e folhos típicos das empregadas gaulesas de outros tempos.

Nos maid cafes mais atenciosos, as empregadas chegam a dar comida à boca dos clientes, a limpar-lhes os ouvidos e a dar-lhes massagens sobre a roupa. Também os entretêm com jogos infantis, de tabuleiro, à sardinha etc..

Conscientes da tara de muitos clientes, os estabelecimentos regem-se por uma série de princípios éticos rígidos: não é permitido fotografar ou tocar as maids de forma abusiva. Não é tolerado aos clientes pedir-lhes os contactos ou persegui-las, entre outras restrições.

Outros Estabelecimentos Menos Aconchegantes

De há algum tempo para cá, os maid cafés como que abriram portas a uma panóplia de cafés e restaurantes concorrentes fora da caixa. São uma variante em tudo distinta são os prolíficos restaurantes, cafés e clubes nocturnos “robot” em que estes protagonistas automatizados de metal servem as refeições ou dançam, exibem coreografias e animam a vida nocturna barulhenta.

Alguns, em discotecas apocalípticas inspiradas na “Guerra das Estrelas”; outros, em que os robôs de serviço são femininos, algures entre mulheres de verdade e maid moes.

Em simultâneo, têm surgido variantes quase inimagináveis destas excêntricas variantes: restaurantes Ninja, um café Alice no País das Maravilhas, bares masmorras e o Yurei Izakaia, um bar-restaurante com atmosfera arrepiante de género comboio-fantasma.

Mais uma volta na cena noctívaga da megalópole e regressamos ao âmbito da carência afectiva e da incontornável suplementação feminina. Lá damos com os Cuddle Cafés, em que, ao invés do sucedido nos Maid Cafes, os clientes pagam para dormir com as raparigas, mas não do modo que a sociedade se apressou a convencionar com o termo.

Pagam, sim, para se aninharem em conchinha com jovens donzelas “residentes”, para delas receberem os afectos de que carecem nas suas vidas escravas dos PCs e alienadas de tudo e de todos.

Os Cuddle Cafes são, na prática, uma espécie de versão ternurenta e asséptica do que se passa nos Red Light Districts de Kabukicho e Shinjuku. Ali, mulheres kaba kuras kurabu (contracção de Cabaret Club, com pouco que ver com as gueixas sobreviventes de Quioto) e homens hosuto kurabu (contração de hosts de clubs) entretêm clientes contra pagamento, em boa parte dos lugares, com sexo envolvido.

Hosutos, os incontáveis hosts de Tóquio

As imagens dos hosutos surgem disseminadas por toda a cidade, não só nas imediações dos clubes em que trabalham. Os para cima de duzentos estabelecimentos que exploram o seu charme e dotes sedutores geram rios de dinheiro. E gastam-nos a divulgarem estes seus chamarizes andróginos em espaços publicitários retro-iluminados dispendiosos que reservam em localizações fulcrais, com habitantes e transeuntes abastados.

Salarymen passam por um hosuto club, em Tóquio, Japão

Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um hosuto club repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que eles.

Roland é considerado o hosatu Top da cidade. Trabalha para o Club Platina de Kabukicho onde, rezam as crónicas que, em 2017, durante o seu aniversário, clientes femininas gastaram com ele dez milhões de ienes (77.500€) em apenas três horas.

Num mês normal, este hosuto aufere 370.000€. Para consolidar o seu estatuto, gastou já 80.000€ em ajustes plásticos à sua face. E despende 1600€ mensais para a manter imaculada.

Mas as Maid Moes, as kubakuras, os hosuto kurabu e Roland são apenas alguns dos inúmeros passatempos nocturnos da capital nipónica.

Com os seus quase 15 milhões de habitantes, Tóquio tem de tudo um pouco, de pousos recatados aos antros mais fumarentos e barulhentos da Ásia.

Incluem-se, há já muito, na primeira classe, as casas de internet, de videojogos 24/7 e de Pachinko. A quantidade de info e vídeoadictos tornou-se tal, que proliferam estes estabelecimentos que os acolhem noite fora, no conforto de boas poltronas, à frente de ecrãs e auscultadores topo de gama, se for caso disso, durante o sono.

Confrontados com os preços assustadores das dormidas na cidade, a determinada altura, os forasteiros de visita começaram também eles a dormir nestes Internet Cafés almofadados e artilhados. Até que os argutos empresários locais detectaram a oportunidade e lançaram os claustrofóbicos hotéis cápsula.

Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão

Transeuntes num cruzamento complexo em frente ao edifício garrido Shin Marunouchi.

A Noite Nipónica de todas as Vidas

Mas nem sempre os moradores de Tóquio conseguem prever onde aterram para noite. À imagem de quem quer passe mais que uns dias na cidade, não demoramos a constatar a realidade das saídas devastadoras de outros dos seus badalados escravos, os laborais.

É famosa a abnegação socialmente forçada dos japoneses para com o trabalho. E só um pouco menos notória – não estamos certos de que quanto ainda prevalecente – a realidade dos subalternos que, por extensão dessa pressão, se veem obrigados a sair às sextas-feiras à noite com os superiores das suas empresas e de os acompanharem em desventuras nocturnas encharcadas em sakê, whisky ou afins.

A verdade é que, tenham-se eles enfrascado com os chefes, na companhia de colegas ou sós, chegado o fim-de-semana, encontramos sempre inúmeros desses sararymen enfiados nos seus fatos executivos negros, a caminharem aos esses ou já a dormir onde o destino os fez aterrar.

Noutras partes, esteja o céu estrelado, caia chuva ou neve, o convívio faz-se ao ar livre, em grupos bem mais naturais e saudáveis. Durante várias das longas caminhadas que fazemos por Tóquio reparamos no oportunismo dos barzinhos-restaurante que se encaixam nas laterais das passagens sob os viadutos ferroviários.

Restaurante debaixo de ponte, Tóquio, Japão

Restaurante de rua fumarento protegido dos elementos numa passagem debaixo de uma linha de comboio urbana.

Atravessamos algumas delas vezes sem conta, fascinados com as atmosferas fumarentas e festivas de santos populares nipónicos conferidas pelos letreiros coloridos e pelos balões de papel vermelhos.

Nessas arcadas arredondadas e convenientes, são grelhados non stop petiscos sobre o carvão servidos a preços comedidos, acompanhados com muita conversa, cerveja e, claro está, mais sakê. Nem os deslizares recorrentes e infernizantes dos comboios por cima dos festins  fazem desanimar os convivas.

Famoso cruzamento de Shibuya, Tóquio, Japão

Multidão cruza-se no cruzamento de Shibuya tornado ainda mais famoso pelo filme “Lost in Translation” de Sophia Coppola.

Shibuya, Roppongi, Ginza: cada bairro, sua Vida Nocturna de Tóquio

Os comboios também passam nas imediações de Roppongi e de Shibuya. Aí, o ambiente é, no entanto, outro. Durante os anos posteriores à 2ª Guerra Mundial, Roppongi tornou-se um dos poisos predilectos dos militares aliados.

Desde então, por razões adicionais que só a razão conhece, o bairro mantém-se um dos favoritos dos gaijin, assim chamam os japoneses aos expatriados e visitantes.

Há muito que o bairro concentra boa parte dos clubes nocturnos da cidade e tem a reputação de uma das suas vidas nocturnas mais animadas. Sobretudo pela moda rap e hip-hop que foi importada dos E.U.A. no fim dos anos 80, aparentemente para ficar. Sobretudo em Roppongi, também em Shibuya e em Shinjuku proliferam os protagonistas afro da vida nocturna.

São tantos os DJs, rappers, performers e dançarinos pagos a peso de ouro para exibirem os seus dotes como outros que constataram a mina que ali estava e se instalaram de armas e bagagens. Possuem agora os seus próprios Clubs.

Prédios dourados de Tóquio, Japão

Vista do casario infindável e elevado de Tóquio, dourado pela luz urbana.

Controlam pequenos exércitos de colaboradores igualmente afros e imigrados, touts (angariadores) que percorrem os distritos circundantes a distribuir panfletos que anunciam Nights e Ladiesnights especiais, e que, mais em cima desses eventos, patrulham as zonas em redor a atrairem transeuntes sem rumo.

Nas nossas deambulações pelas ruelas frenéticas de Shibuya, cruzamo-nos com eles e recusamos – ou então recebemos – os folhetos que impingem.

É impossível falhá-los. Além do tom desfasado de pele, têm quase o dobro da altura e volume dos japoneses. Usam roupas garridas, bling bling a condizer e ostentam um à vontade quase soberbo de ídolos das massas teenager nipónicas.

Ginza, um Bairro à Parte

O distrito de Ginza, forma um mundo com pouco que ver com este. Durante o dia, acolhe as lojas mais conceituadas e caras de Tóquio e uma das maiores concentrações de marcas de luxo à face da Terra. Pouco depois do sol assentar, converte-se na zona de entretenimento Premium da cidade.

Ao contrário de outras, não atrai, todavia, uma multidão de rua irrequieta. Os seus estabelecimentos surgem fora da vista, nos andares superiores das enormes lojas e centro comerciais.

Lá estão ocultados os melhores restaurantes de Sushi japoneses. E outros com culinárias distintas mas o mesmo tipo de serviço requintado e multimilionário. Lá estão também os melhores bares-chic e clube nocturnos opulentos e sofisticados.

Poster à entrada de um bar, Tóquio, Japão

Poster de antiquário à entrada de um bar sinalizado com balão de papel iluminado.

Por mais voltas que o mundo tenha dado na última década, o Japão permanece uma das suas quatro mais poderosas economias.

Com 15 milhões de moradores e, em redor, quase 130 milhões de japoneses ávidos por se divertirem a gastar, Tóquio mal tem tempo para respirar. Quanto mais para dormir.

Mais informações sobre Tóquio no site da JNTO – Japan National Tourism Organization.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Okinawa, Japão

Danças de Ryukyu: têm séculos. Não têm grandes pressas.

O reino Ryukyu prosperou até ao século XIX como entreposto comercial da China e do Japão. Da estética cultural desenvolvida pela sua aristocracia cortesã contaram-se vários estilos de dança vagarosa.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Iriomote, Japão

Iriomote, uma Pequena Amazónia do Japão Tropical

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.
Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.
Takayama, Japão

Takayama do Japão Antigo e da Hida Medieval

Em três das suas ruas, Takayama retém uma arquitectura tradicional de madeira e concentra velhas lojas e produtoras de saquê. Em redor, aproxima-se dos 100.000 habitantes e rende-se à modernidade.
Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.
Quioto, Japão

Um Japão Milenar Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.
Ogimashi, Japão

Uma Aldeia Fiel ao A

Ogimashi revela uma herança fascinante da adaptabilidade nipónica. Situada num dos locais mais nevosos à face da Terra, esta povoação aperfeiçoou casas com verdadeiras estruturas anti-colapso.
Magome-Tsumago, Japão

Magome a Tsumago: o Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o xogum Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é percorrido por uma turba ansiosa por evasão.
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Tóquio, Japão

Pachinko: o Vídeo - Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.
Picos florestados, Huang Shan, China, Anhui, Montanha Amarela dos Picos Flutuantes
Parques nacionais
Huang Shan, China

Huang Shan: as Montanhas Amarelas dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos das montanhas amarelas e flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas da China sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
planicie sagrada, Bagan, Myanmar
Arquitectura & Design
Bagan, Myanmar

A Planície dos Pagodes, Templos e Redenções Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.
Aventura
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Via Conflituosa
Cerimónias e Festividades
Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem a Via Dolorosa, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.
Cidade de Mindelo, São Vicente, Cabo Verde
Cidades
São Vicente, Cabo Verde

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Barco e timoneiro, Cayo Los Pájaros, Los Haitises, República Dominicana
Em Viagem
Península de Samaná, PN Los Haitises, República Dominicana

Da Península de Samaná aos Haitises Dominicanos

No recanto nordeste da República Dominicana, onde a natureza caribenha ainda triunfa, enfrentamos um Atlântico bem mais vigoroso que o esperado nestas paragens. Lá cavalgamos em regime comunitário até à famosa cascata Limón, cruzamos a baía de Samaná e nos embrenhamos na “terra das montanhas” remota e exuberante que a encerra.
Convívio masai
Étnico

Masai Mara, Quénia

Um Povo Entregue à Bicharada

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Tulum, Ruínas Maias da Riviera Maia, México
História
Tulum, México

A Mais Caribenha das Ruínas Maias

Erguida à beira-mar como entreposto excepcional decisivo para a prosperidade da nação Maia, Tulum foi uma das suas últimas cidades a sucumbir à ocupação hispânica. No final do século XVI, os seus habitantes abandonaram-na ao tempo e a um litoral irrepreensível da península do Iucatão.
Ilha do Pico, Montanha Vulcão Açores, aos Pés do Atlântico
Ilhas
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Inverno Branco
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Literatura
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Brincadeira ao ocaso
Natureza
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

A Gran Sabana
Parques Naturais

Gran Sabana, Venezuela

Um Verdadeiro Parque Jurássico

Apenas a solitária estrada EN-10 se aventura pelo extremo sul selvagem da Venezuela. A partir dela, desvendamos cenários de outro mundo, como o da savana repleta de dinossauros da saga de Spielberg.

No rumo da Democracia
Património Mundial UNESCO

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Personagens
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Mangal entre Ibo e ilha Quirimba-Moçambique
Praias
Ilha do Ibo a Ilha QuirimbaMoçambique

Ibo a Quirimba ao Sabor da Maré

Há séculos que os nativos viajam mangal adentro e afora entre a ilha do Ibo e a de Quirimba, no tempo que lhes concede a ida-e-volta avassaladora do oceano Índico. À descoberta da região, intrigados pela excentricidade do percurso, seguimos-lhe os passos anfíbios.
cavaleiros do divino, fe no divino espirito santo, Pirenopolis, Brasil
Religião
Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por padres portugueses, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações religiosas e pagãs. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.
white pass yukon train, Skagway, Rota do ouro, Alasca, EUA
Sobre carris
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
religiosos militares, muro das lamentacoes, juramento bandeira IDF, Jerusalem, Israel
Sociedade
Jerusalém, Israel

Em Festa no Muro das Lamentações

Nem só a preces e orações atende o lugar mais sagrado do judaísmo. As suas pedras milenares testemunham, há décadas, o juramento dos novos recrutas das IDF e ecoam os gritos eufóricos que se seguem.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Perigo de praia
Vida Selvagem

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.