Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos


Casario
O casario que foi substituindo, com recurso aos lucros dos diamantes, as tendas feitas de pano que inspiraram o nome Lençóis da Bahia.
Jegues Carregados
Jegues carregados e o jovem dono, como vistos do interior de uma loja de Lençóis.
Igreja do Rosário
Morador passa em frente à igreja do Rosário.
Beco
Jovens moradores entram num beco sombrio que parte da Praça Horácio de Mattos.
Missa à pinha
Uma missa exuberante em honra da Imaculada Conceição tem lugar na igreja do Rosário.
Moda Sertanejo
Nativo com trajes tradicionais carrega o seu cavalo na rua das Pedras.
À Espera
Moradora aguarda a abertura de uma loja da rua das Pedras.
Praça Horácio de Mattos
Lua cheia e a iluminação eléctrica destacam as cores da Praça Horácio de Mattos
Praça Horácio de Mattos
Grupo de visitantes fotografa-se na Praça Horácio de Mattos enquanto um jovem nativo faz ciclo-acrobacias.
Silhueta Equina
Cavaleiros percorrem um trecho colorido de uma rua de Lençóis.
No Relax
Amigas descontraem na lagoa escura do Ribeirão do Meio
Vista da Ponte
Nativo observa a acção da cidade.
Hora do Sorvete
Hora do sorvete das amigas.
No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Quando se contempla a cidade do topo da Serra do Sincorá dificilmente se consegue imaginar o estranho cenário provisório que esteve na origem do seu nome.

Nesses primeiros tempos Lençóis pouco mais era que um reduto garimpeiro caótico. Tornava milionários os poderosos e esmagava os mais fracos. Hoje, bastam uns dias para se constatar que, do seu passado, restam quase só os aspectos positivos.

Foi algo que o governo brasileiro, perante a pressão do MCC – o Movimento de Criatividade Comunitária criado por defensores da região – acabou por favorecer. Foi proibida a prospecção industrial.

Em 1973, Lençóis da Bahia foi promovida a Património Nacional, um título apenas concedido às verdadeiras preciosidades históricas e naturais brasileiras.

É mais que apenas isso que faz de Lençóis tão especial. Existem inúmeras cidades belas por esse mundo fora que não exercem o seu magnetismo. Há qualquer coisa mais. Qualquer coisa que ultrapassa os sentidos.

Ao fim de algum tempo, torna-se óbvio que Lençóis e os seus 6400 habitantes vivem uma relação de amor incondicional e que, por sua vez, geram paixão nos visitantes brasileiros e estrangeiros.

Estes, ligados a outras cidades e a outras pessoas, quando se vêem obrigados a partir, acabam por fazê-lo contrariados. Nem todos os forasteiros se conformam com a despedida. De tempos a tempos, lá surge mais um que não resiste à felicidade prometida e acaba por ficar.

Dona Eulina, a proprietária da pousada em que nos hospedamos, foi uma das contempladas. Baiana de nascimento, mudou-se para São Paulo ainda criança. Lá passou grande parte dos seus quase 60 anos.

Nos últimos quinze, dava consigo a sonhar com um lugar diferente, envolto de uma atmosfera única de afectividade e bem-estar, um fenómeno que nos descreve com uma emoção renovada: “Numas curtas férias, resolvi voltar à Bahia com a minha filha.

Por mero acaso, passámos por Lençóis. Passeando pelas calçadas, reconheci o refúgio dos meus sonhos. Depois de vencer os receios próprios da mudança, apressei a reforma, comprei uma casa e abri o negócio que giro agora, com o meu marido Roberto. Nunca mais quisemos sair daqui.”

Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

O casario que foi substituindo, com recurso aos lucros dos diamantes, as tendas feitas de pano que inspiraram o nome Lençóis da Bahia.

Dos Lençóis Originais a Domínio de Coronéis

Apesar das condições precárias, a vida correu de feição a muitos dos fundadores da povoação.

As primeiras jazidas de diamantes, extensão geológica das jazidas do deserto do Namibe separada pelo Atlântico com a deriva dos continentes, foram descobertas na Chapada Velha, em 1822, por bandeirantes que procuravam ouro e escravos mas não desdenhavam formas alternativas de enriquecer.

Vinte e dois anos depois, um tal de “Sinhô” Casusa do Prado achou algumas pedras preciosas com maior valor. A região atraiu milhares de caça-fortunas, uns já abastados e opulentos a quem a riqueza não chegava, outros que só possuíam a roupa que vestiam.

Perante a falta de habitações e outras infra-estruturas, os recém-chegados instalaram-se em tendas provisórias. Vistas das colinas em redor, essas tendas pareciam lençóis estendidos ao vento. Foi essa visão descomunal que ditou o nome da futura vila.

Num ápice, circularam pelo Brasil lendas de tesouros incalculáveis saídos dos leitos dos rios e riachos da região. A migração intensificou-se. Anos mais tarde, os acampamentos de garimpeiros tinham já dado lugar a diversas povoações: Vila Velha de Palmeiras, Andaraí, Piatã, Igatu.

E a mais apetecida de todas, Lençóis da Bahia.

Beco, Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

Jovens moradores entram num beco sombrio que parte da Praça Horácio de Mattos.

O Fim dos Diamantes Finos, e a Exportação das Gemas Toscas

No auge do ciclo diamantífero, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de todo o tipo de diamantes. A pouco e pouco, começaram a predominar as gemas toscas. Eram úteis apenas para fins industriais.

Graças ao seu poder perfurativo, revelavam-se perfeitas para mega-projectos de construção civil então conduzidos pelos franceses.

Foram os casos do Canal do Panamá, do túnel de Saint Gothard e do metro de Londres.

A compra sistemática e em grandes quantidades destas pedras menos preciosas provou-se motivo suficiente para o governo de Paris instalar um vice-consulado em Lençóis. Como seria de esperar, da arquitectura à etiqueta, Lençóis e os seus negociantes afrancesaram-se.

No início do século XX, Lençóis e as cidades em redor tivessem viram desvanecer-se grande parte do seu potencial económico. Os franceses partiram.

O principal testemunho da sua presença é, ainda hoje, o requintado edifício creme do vice-consulado, onde os diamantes eram negociados com os representantes europeus.

Depois da era francesa, com a liberdade cada vez mais real dos escravos e a perda das enormes verbas obtidas com a venda dos diamantes, Lençóis adaptou-se a um novo estilo de vida.

A Era Bélica de Horácio de Mattos e dos Coronéis Rivais

A partir de 1920, a cidade havia regredido de tal forma que se tornou num domínio decadente, disputado por coronéis e seus jagunços. O mais famoso de todos, o destemido Horácio de Mattos destacou-se dos demais com recurso à força e à irreverência.

Levou mesmo o governo brasileiro de Epitácio Pessoa a assinar com ele um acordo de pacificação. Como veremos mais à frente, na região, assim como por todo o Sertão, um coronel líder de um exército jagunceiro, desde que vitorioso, podia ser um herói. Este, até a praça principal da cidade tem com o seu nome.

Sertanejo, Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

Nativo com trajes tradicionais carrega o seu cavalo na rua das Pedras.

Malgrado o declínio económico trazido pelo século XX e a perturbação social, na sua fase de decadência já Lençóis se havia consolidado como uma impressionante unidade arquitectónica.

O casario da cidade desenvolveu-se em boa parte devido à necessidade de exibição da sua nova aristocracia milionária. Claro está, que, tanto quanto podia, a população mais pobre fez questão de seguir o exemplo.

A praça Horácio de Mattos é o ex-líbris do casario colonial herdado. A toda a volta do seu quase rectângulo, os edifícios, de dois andares, são elegantes e coloridos. Muitos deles, ostentam fachadas trabalhadas e janelas e portas ogivais. Distribuídos pelos prédios, surgem candeeiros parisienses de tons cinza que conferem ainda mais requinte ao conjunto.

À noite, asseguram uma iluminação suave mas quente.

Depois do Calor, a Festa de Lençóis

À tarde, as praças e ruas de Lençóis, fustigadas pelo sol tropical, mantêm-se quase desertas. Com o fim do dia, os turistas e os séquitos que os guiam e acompanham retornam das actividades na Chapada Diamantina.

Por essa altura, os Lençoienses saem também das suas casas. A cidade anima-se. Dois dos lugares preferidos para a janta e convívio seguinte são o largo que surge a meio da rua das Pedras e a Avenida Senhor dos Passos.

Ali, os pequenos restaurantes e as bancas improvisadas servem especialidades baianas como o pastel “acarajé” acompanhadas de “chopes” geladinhos, caipirinhas ou sucos naturais.

Com frequência, a banda local reúne-se para ensaiar e inunda a cidade com os tons graves e agudos das mais genuínas composições brasileiras.

A Vida Nocturna e a Que Subsiste Noite Fora

Durante muito tempo a famosa rua das Pedras albergou o “brega”, a prostituição que sempre acompanhava os novos focos prospectores. É, agora, a par com as esplanadas da praça Horácio de Mattos, responsável por uma animação nocturna menos polémica.

Praça Horácio de Mattos, Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

Lua cheia e a iluminação eléctrica destacam as cores da Praça Horácio de Mattos

Nela se situa o famoso Club 7, mais conhecido por Inferninho, um “disco-bar” à moda local, que passa versões “tecno” de temas sertanenses e serve inúmeros tipos de cachaça. Esta combinação, em conjunto com a inquestionável boa-disposição dos clientes habituais transformou a “danceteria” num lugar de culto para os visitantes mais jovens da cidade.

A partir das duas ou três da manhã, acredite-se ou não, a única alternativa dançante ao Inferninho tem o nome de Veneno Café bar. Nem tudo é assim tão profano ou soa a tóxico por estas paragens.

A religião continua a ter enorme importância, em Lençóis. Como pudemos assistir, apesar das influências dos ritos e rituais africanos, (caso do Jarê, a variação regional do Candomblé) os dias santos ainda se celebram à velha maneira portuguesa.

Deambulamos pela cidade quando somos surpreendidos pelo som de cânticos distantes acompanhados pelo rebentar de foguetes. Ao olharmos para trás, verificamos que um enorme cortejo deixa da praça Horácio de Mattos e entra na Avenida 7 de Setembro, em direcção ao coreto.

Com a silhueta difusa do casario como fundo e a luz de centenas de archotes a rasgar o lusco-fusco, a cena prova-se digna de um filme passado na Idade Média e com excelente fotografia.

Após contornar o coreto, a procissão dirige-se à sua última paragem, a Igreja do Rosário. Ali, junta-se-lhe mais uma multidão de crentes que entoam temas litúrgicos.

Missa, Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

Uma missa exuberante em honra da Imaculada Conceição tem lugar na igreja do Rosário.

Autorizam-nos a subir à varanda do coro. Do cimo, assistirmos à cerimónia em formato panorâmico. O seu espectáculo de devoção reforça-nos a impressão de que, passada a febre dos diamantes, Lençóis é, agora, sobretudo, um retiro acolhedor, crente e espiritual.

O Ribeirão do Meio e o Último Estertor do Garimpo

Entre os vários cursos de água com que a serra de Sincorá refresca Lençóis, os três principais, os Ribeirões do Meio, de Cima e de Baixo deliciam o povo e maravilham os forasteiros.

Principalmente aos fins-de-semana, logo pela manhã, chegam ao Ribeirão do Meio grupos excursionistas carregados de farnéis. Da saída da cidade ao rio, são cerca de 45 minutos de caminhada descontraída.

O trilho sinuoso, quase sempre sombrio, sulca a encosta da serra. Quase no fim, revela um vale largo que se projecta do topo escarpado da montanha.

É no vértice deste vale, várias plataformas rochosas abaixo, que o ribeirão se espraia. Uma dessas plataformas dá lugar a uma rampa que a água repleta de óxido de ferro (mas limpa) e, por isso, avermelhada – continua a polir.

Foi no Ribeirão do Meio que se desenvolveu o desporto radical mais inusitado da região, o “escorreganço” artístico.

Mal chegam à pequena represa fluvial, os seus praticantes sobem a rampa rochosa do rio. Uma vez no cimo, combinam a coreografia a seguir. Logo, deixam-se escorregar a grande velocidade até entrarem na água.

E se os turistas que experimentam pelas primeiras vezes se contentam em sair incólumes de uma descida de rabo, os nativos atingiram níveis de desempenho surpreendentes. O seu limite é, agora, a imaginação.

Sentados ou de pé, de cabeça para baixo ou para cima, sozinhos ou em grupo, tudo vale para se destacarem e impressionarem as garotas do Ribeirão.

Relax ,Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil

Amigas descontraem na lagoa escura do Ribeirão do Meio

Enquanto isto, no vale acima, os derradeiros resistentes da febre do diamante continuam a tentar a sua sorte. Há algum tempo atrás, recorriam ainda bombas de água destrutivas que, entre outros malefícios, aceleravam a erosão dos leitos dos rios.

Há décadas atrás, os peritos chegaram à conclusão que a extracção dos diamantes que restam na Chapada era demasiado dispendiosa. Isso contribuiu para que, em 1995, o governo federal proibisse a prospecção industrial, e autorizasse apenas o uso dos meios tradicionais.

Por detrás da decisão esteve também o facto de Lençóis, muito mais que as vizinhas Andaraí, Palmeiras e Igatu, ser a base para a exploração turística da Chapada Diamantina.

Depois de uma fase transitória em que a economia de Lençóis passou a assentar na produção de café e mandioca, actualmente, o acolhimento dos visitantes garante a subsistência de grande parte da população.

Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
Kolmanskop, Namíbia

Gerada pelos Diamantes do Namibe, Abandonada às suas Areias

Foi a descoberta de um campo diamantífero farto, em 1908, que originou a fundação e a opulência surreal de Kolmanskop. Menos de 50 anos depois, as pedras preciosas esgotaram-se. Os habitantes deixaram a povoação ao deserto.
Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.
Lençois da Bahia, Brasil

A Liberdade Pantanosa do Quilombo do Remanso

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.
Cartagena de Índias, Colômbia

A Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".
Colónia do Sacramento, Uruguai

Colónia do Sacramento: o Legado Uruguaio de um Vaivém Histórico

A fundação de Colónia do Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.
Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Chapada Diamantina, Brasil

Bahia de Gema

Até ao final do séc. XIX, a Chapada Diamantina foi uma terra de prospecção e ambições desmedidas.Agora que os diamantes rareiam os forasteiros anseiam descobrir as suas mesetas e galerias subterrâneas
Goiás Velho, Brasil

Vida e Obra de uma Escritora à Margem

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Ilhabela, Brasil

Ilhabela: Depois do Horror, a Beleza Atlântica

Nocenta por cento de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ilhabela.
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Hidroeléctrica Binacional de Itaipu, Brasil

HidroElétrica Binacional do Itaipu: a Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.
Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem uma das maiores manadas do mundo e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.
Cataratas Iguaçu/Iguazu, Brasil/Argentina

O Troar da Grande Água

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.
Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.
savuti, botswana, leões comedores de elefantes
Safari
Savuti, Botswana

Os Leões Comedores de Elefantes de Savuti

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.
Monte Lamjung Kailas Himal, Nepal, mal de altitude, montanha prevenir tratar, viagem
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Competição do Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA
Arquitectura & Design
Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.
O pequeno farol de Kallur, destacado no relevo caprichoso do norte da ilha de Kalsoy.
Aventura
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
Cerimónias e Festividades
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Mesmo em tempos de paz, detectamos militares por todo o lado. A postos, nas cidades, cumprem missões rotineiras que requerem rigor e paciência.
Rabat, Malta, Mdina, Palazzo Xara
Cidades
Rabat, Malta

Um ex-Subúrbio no Âmago de Malta

Se Mdina se fez a capital nobiliárquica da ilha, os Cavaleiros Hospitalários decidiram sacrificar a fortificação da actual Rabat. A cidade fora das muralhas expandiu-se. Subsiste como um contraponto popular e rural do agora museu-vivo de Mdina.
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Big Freedia e bouncer, Fried Chicken Festival, New Orleans
Cultura
New Orleans, Luisiana, Estados Unidos

Big Freedia: em Modo Bounce

New Orleans é o berço do jazz e o jazz soa e ressoa nas suas ruas. Como seria de esperar, numa cidade tão criativa, lá emergem novos estilos e actos irreverentes. De visita à Big Easy, aventuramo-nos à descoberta do Bounce hip hop.
Desporto
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Natal na Austrália, Platipus = ornitorrincos
Em Viagem
Atherton Tableland, Austrália

A Milhas do Natal (parte II)

A 25 Dezembro, exploramos o interior elevado, bucólico mas tropical do norte de Queensland. Ignoramos o paradeiro da maioria dos habitantes e estranhamos a absoluta ausência da quadra natalícia.
Totems, aldeia de Botko, Malekula,Vanuatu
Étnico
Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula.
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

A Vida Lá Fora

Cidade do Cabo, África do Sul, Nelson Mandela
História
Cidade do Cabo, África do Sul

Ao Fim e ao Cabo

A dobragem do Cabo das Tormentas, liderada por Bartolomeu Dias, transformou esse quase extremo sul de África numa escala incontornável. E, com o tempo, na Cidade do Cabo, um dos pontos de encontro civilizacionais e urbes monumentais à face da Terra.
Mirador de La Peña, El Hierro, Canárias, Espanha
Ilhas
El Hierro, Canárias

A Orla Vulcânica das Canárias e do Velho Mundo

Até Colombo ter chegado às Américas, El Hierro era vista como o limiar do mundo conhecido e, durante algum tempo, o Meridiano que o delimitava. Meio milénio depois, a derradeira ilha ocidental das Canárias fervilha de um vulcanismo exuberante.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Inverno Branco
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
Casal de visita a Mikhaylovskoe, povoação em que o escritor Alexander Pushkin tinha casa
Literatura
São Petersburgo e Mikhaylovskoe, Rússia

O Escritor que Sucumbiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.
Cataratas Victória, Zâmbia, Zimbabué, Zambeze
Natureza
Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As cataratas que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua rainha
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Vaca cachena em Valdreu, Terras de Bouro, Portugal
Parques Naturais
Campos de Gerês -Terras de Bouro, Portugal

Pelos Campos do Gerês e as Terras de Bouro

Prosseguimos num périplo longo e ziguezagueante pelos domínios da Peneda-Gerês e de Bouro, dentro e fora do nosso único Parque Nacional. Nesta que é uma das zonas mais idolatradas do norte português.
Fuga de Seljalandsfoss
Património Mundial UNESCO
Islândia

Ilha de Fogo, Gelo, Cascatas e Quedas de Água

A cascata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.
Verificação da correspondência
Personagens
Rovaniemi, Finlândia

Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
Parque Nacional Cahuita, Costa Rica, Caribe, Punta Cahuita vista aérea
Praias
Cahuita, Costa Rica

Uma Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral da Costa Rica tão afro quanto das Caraíbas. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.
Camponesa, Majuli, Assam, India
Religião
Majuli, Índia

Uma Ilha em Contagem Decrescente

Majuli é a maior ilha fluvial da Índia e seria ainda uma das maiores à face da Terra não fosse a erosão do rio Bramaputra que há séculos a faz diminuir. Se, como se teme, ficar submersa dentro de vinte anos, mais que uma ilha, desaparecerá um reduto cultural e paisagístico realmente místico do Subcontinente.
A Toy Train story
Sobre Carris
Siliguri a Darjeeling, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Sociedade
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.