Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura


Vendedores de Tsukiji
Vendedores a postos nas suas bancas do mercado de peixe de Tsukiji.
Carros Eléctricos
Trabalhadores conduzem carros eléctricos de transporte e carga.
Cabeças de peixes
Jovem empregado de um stand corta cabeças de peixes.
Banca
Vendedor atrás de uma montra exuberante de peixe e marisco no mercado de Tsukiji.
Preço do peixe
Preços do peixe afixado de forma vistosa em exemplares de cada espécie.
Carga de Gelo
Funcionário abastece-se de gelo.
O Caixa
Trabalhador responsável pela caixa de um stand.
Comprador
Comprador examina um peixe bem guardado numa caixa de esferovite.
Peixe & Marisco
Montra de peixe e marisco.
Frio transportável
Funcionário do mercado de Tsukiji prepara-se para transportar grandes rectângulos de gelo.
Um dia calmo de Tsukiji
Vendedores levam a cabo diversas tarefas depois de a maior parte dos compradores já ter deixado o mercado.
Embalagem meticulosa
Vendedores preparam cuidadosamente um peixe com grande valor.
Carga Leve
Porta cargas sustenta uma pilha de embalagens termo-protectoras repletas de anotações em japonês.
Loja genérica
Trabalhadores fazem compras numa loja não piscícula do mercado de peixe de Tsukiji.
Vendedores de Tsukiji II
Vendedores a postos nas suas bancas do mercado de peixe de Tsukiji.
V V V
Empregadas da caixa de uma banca de peixe posam para a fotografia.
Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.

Se dúvidas restassem, a atracção exercida sobre os gaijin (estrangeiros) de visita a Tóquio comprovava a excentricidade do vasto mercado de Tsukiji.

Como nós próprios experimentámos, todos os dias, centenas de almas curiosas dos quatro cantos do mundo saíam dos seus hotéis e guest-houses nas primeiras horas ainda escuras da madrugada.

Deixavam-nos tão ensonadas como entusiasmadas pela nova incursão nas particularidades civilizacionais da capital japonesa.

O encerramento do sistema de metro pouco depois da meia-noite obrigava a maior parte dos estrangeiros a usar os dispendiosos táxis da cidade. Mas não demorava até que as centenas de ienes extra e as horas de sono perdidas fossem compensadas.

A Activação Madrugadora do Mercado de Tsukiji

Por volta das três da manhã, cerca de 2300 toneladas de peixe, marisco e algas começavam a chegar ao complexo de Tsukiji em descargas incessantes. Uma vez descarregadas, eram preparadas para a venda em lota que se segue.

Os trabalhadores içavam enormes atuns e peixes-espada, cortavam e transportavam blocos de gelo em pequenas carroças por eles puxadas, ou sobre a grade traseira de velhas pasteleiras. Passavam de mão em mão caixas e tanques com espécimes de peixes e moluscos tão estranhos quanto vivos.

carga de gelo, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Funcionário abastece-se de gelo.

Sentia-se fluir a energia produtiva que permitiu que, em apenas duzentos anos, Tóquio se desenvolvesse de um mero pântano até à metrópole em que se tornou.

Essa mesma energia alimenta e mobiliza a maior cidade do mundo.

As Incursões Polémicas dos Gaijin em Tsukiji

De 11 de Março até 26 de Julho 2011, o acesso dos estrangeiros esteve interdito devido aos danos provocados nos edifícios de Tsukiji pelo grande tremor de terra de Sendai. Quando visitámos o mercado, só era possível entrar a partir das cinco da manhã.

O acesso à lota dos atuns – um dos espaços mais procurados – era concedido a apenas algumas dezenas de felizardos por dia.

Ali surgiam, alinhados segundo o tipo e proveniência, centenas de espécimes de atuns congelados e fumegantes, devido à diferença da sua temperatura face à ambiente.

vendedores peixe, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Vendedores a postos nas suas bancas do mercado de peixe de Tsukiji.

Atum e Peixe-Espada: os Tesouros Alimentares Pescados dos Mares

A partir do momento em que soava o sino da abertura da lota, ali eram arrematados por preços exorbitantes que, consoante a excelência da sua carne, podem ascender a 8.000 euros.

Assim acontecia com com certos peixes-espada e com atuns-rabilhos de grande porte e um otoro (parte mais gorda da barriga, localizada abaixo da barbatana peitoral) irrepreensível, a matéria-prima sempre disputada do melhor sushi e sashimi da nação dos imperadores.

As famílias de alguns vendedores e funcionários trabalhavam no mercado para cima de dez gerações. A de Shiro Kamoshita, 61 anos, estava presente há apenas três o que não o impediu de se estabelecer como um intermediário de sucesso, apto como poucos a avaliar o peixe que lhe passava pelos olhos: “Um bom atum é como um lutador de sumo.

Um lutador de sumo come imenso mas como se exercita muito, tem muito músculo e a gordura em redor é suave. Com o atum, passa-se exactamente a mesma coisa.”

Gritados num japonês mais imperceptível que nunca, os negócios processavam-se em Tsukiji segundo um protocolo sagrado, nem sempre respeitado pelos turistas.

De tempos em tempos, estes não resistiam a tocar nas peças expostas. Irritavam os proprietários, os compradores e as autoridades do mercado e provocavam novas restrições de acesso.

embalagem, peixe, vendedores, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Vendedores preparam cuidadosamente um peixe com grande valor.

Permitir ou Proibir as Visitas dos Estrangeiros, a Questão que Persistia

Segundo nos informaram, as regras mudavam consoante os acontecimentos e as pressões de dois tipos de agentes do mercado: os que não tinham qualquer vantagem na presença dos estrangeiros. E as dos donos dos restaurantes do complexo.

Estes, aumentavam a sua facturação sempre que os gaijin eram atacados pela fome e devoravam as suas refeições. Quando os frequentam com o propósito superior de provarem o sushi e sashimi mais frescos e genuínos do Japão, o mesmo sushi e sashimi que é vendido nos restaurantes luxuosos da zona multimilionária de Ginza, mais de 12 horas depois (parte de jantares tardios), a 400 euros por dose.

montra, peixe, marisco, vendedor, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Vendedor atrás de uma montra exuberante de peixe e marisco no mercado de Tsukiji.

Ou vendiam uma série de outros pratos menos famosos mas bem mais desafiantes como o fugu, uma iguaria confeccionada a partir de peixe-balão e que pode ser letal caso o cozinheiro responsável não remova convenientemente os órgãos que concentram um veneno para que não existe antídoto, a tetrodotoxina.

Os Riscos Inevitáveis e os Critérios de Higiene Apertados de Tsukiji

Outros acidentes eram evitados em permanência no mercado de peixe de Tsukiji:  centenas de pequenos carros eléctricos com visual enferrujado de adereços do “Espaço 1999” eram conduzidos por trabalhadores que se mantinham em alerta para nos contornarem e a colegas ocupados ou distraídos.

transporte, carga, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Trabalhadores conduzem carros eléctricos de transporte e carga.

Peixeiros de facas em riste cortavam enormes barbatanas para contentores ensanguentados. Enquanto isso, distintos funcionários preveniam avalanches de pilhas de caixas de esferovite vazias.

Malgrado a quantidade de peixe e marisco presente, o aroma característico destas criaturas do mar era ténue em Tsukiji.  Tal suavidade ao olfacto resultava da obsessão japonesa pela higiene e anti-sepsia.

As bancas surgiam organizadas sem mácula. Os produtos – incluindo alguns resultantes da controversa pesca da baleia japonesa – sobre camadas generosas de gelo picado, embalados por celofane e em arcas frigoríficas sofisticadas. Ou, se ainda vivos, em contentores com água salgada.

Folhas de cartolina espessa asseguravam a identificação das espécies com grandes caracteres bem visíveis assim como o preço que não devia ser regateado.

peixe-venda-reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Preços do peixe afixado de forma vistosa em exemplares de cada espécie.

O Elevado Consumo de Peixe e Marisco. Tanto o Nipónico como o Português

Um dos poucos vendedores que falava inglês perguntou-nos, Tsukiji, de onde éramos. Apressou-se a identificar Portugal num planisfério que mantinha afixado num tecto baixo da sua banca. “Portugal? Muito bom peixe e marisco! E, se bem me lembro dos meus tempos passados nos mares, comem quase tanto como nós.”

O consumo per capita de peixe japonês, como o português, é exemplar, ultrapassado apenas por nações insulares com centenas de milhares de habitantes como a Islândia. Ou por outras menores como as Maldivas e Kiribati.

Apesar da tonelagem que era fornecida pelo mercado de Tsukiji até ao seu encerramento, desde o fim do século XX que a quantidade de atum ali vendido – de que o Japão consome cerca de um terço da produção mundial –  ficava-se pelos 10%, 11%.

vendedores, peixe, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Vendedores a postos nas suas bancas do mercado de peixe de Tsukiji.

Mercado de Tsukiji: a Gradual Perda de Frescura e de Influência

Prejudicava-a a opção das grandes superfícies de comprar directamente na fonte, algo que foi facilitado pela evolução nas comunicações e pela consolidação do retalho

Por outro lado, o peixe comprado por Kamoshita e pelos colegas já não era pescado exclusivamente nas águas ao largo das quase 7000 ilhas japonesas. Mais de metade provinha de vendedores tão longínquos como os de Port Lincoln, na Austrália ou Gloucester, Massachusetts.

Para agravar a perda de relevância do mercado de Tsukiji, as mulheres japonesas passaram a trabalhar, cada vez mais, fora de casa. Como têm menos tempo para comprar peixe fresco, optam pela conveniência do peixe processado.

Estas mudanças ameaçavam a subsistência dos pescadores, intermediários e vendedores japoneses. Também ameaçavam a qualidade do peixe em geral.

cabeca de peixe, vendedor, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Jovem empregado de um stand corta cabeças de peixes.

Pescadores e estivadores cortavam a cauda aos atuns expostos na lota para que os compradores pudessem examinar o teor de gordura e a cor da carne. A origem do atum surgia escrita em japonês em etiquetas colocadas nas carcaças.

Por norma, quando os atuns provinham de águas não nipónicas, era cortada uma porção extra. Tratavam-se de peixes que passavam mais tempo fora de água até chegarem a Tsukiji. Como tal, os vendedores concediam algum acesso extra à peça para que os compradores pudessem investigar a sua carne de forma conveniente.

O grande tremor de terra de Sendai, os respectivos tsunamis e a catástrofe de Fukushima fizeram perder-se pescadores e embarcações que abasteciam a capital. Além de que os receios de contaminação passaram a ser nucleares.

Mesmo se o governo proibiu a pesca nas águas ao largo do nordeste do Japão, nos últimos tempos, as transacções no mercado de Tsukiji e as importações de peixe e marisco japoneses diminuíram sobretudo por efeito da popularização e internacionalização dos receios.

vendedoras, caixas, bancada, peixe, reino deposto, mercado, Tsukiji, toquio, japao

Empregadas da caixa de uma banca de peixe posam para a fotografia.

Após o grande sismo de Sendai, o mercado de Tsukiji, como o Japão em geral, recomeçava a abastecer a grande capital nipónica. Na sequência de uma longa controvérsia, o mercado de Tsukiji foi transferido para Toyosu.

Entre as razões apontadas, contava-se a antiguidade excessiva dos edifícios. O verdadeiro motivo terá sido o valor imobiliário dos terrenos relativamente centrais é à beira-mar ocupados por Tsukiji.

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar bodas tradicionais.
Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
Tóquio, Japão

O Imperador sem Império

Após a capitulação na 2ª Guerra Mundial, o Japão submeteu-se a uma constituição que encerrou um dos mais longos impérios da História. O imperador japonês é, hoje, o único monarca a reinar sem império.
Tóquio, Japão

Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
PN Tortuguero, Costa Rica, barco público
Parque Nacional
PN Tortuguero, Costa Rica

A Costa Rica e Alagada de Tortuguero

O Mar das Caraíbas e as bacias de diversos rios banham o nordeste da nação tica, uma das zonas mais chuvosas e rica em fauna e flora da América Central. Assim baptizado por as tartarugas verdes nidificarem nos seus areais negros, Tortuguero estende-se, daí para o interior, por 312 km2 de deslumbrante selva aquática.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Parques nacionais
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Igreja colonial de São Francisco de Assis, Taos, Novo Mexico, E.U.A
Arquitectura & Design
Taos, E.U.A.

A América do Norte Ancestral de Taos

De viagem pelo Novo México, deslumbramo-nos com as duas versões de Taos, a da aldeola indígena de adobe do Taos Pueblo, uma das povoações dos E.U.A. habitadas há mais tempo e em contínuo. E a da Taos cidade que os conquistadores espanhóis legaram ao México, o México cedeu aos Estados Unidos e que uma comunidade criativa de descendentes de nativos e artistas migrados aprimoram e continuam a louvar.
Pleno Dog Mushing
Aventura
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades
Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.
Goiás Velho, Legado da Febre do ouro, Brasil
Cidades
Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Jingkieng Wahsurah, ponte de raízes da aldeia de Nongblai, Meghalaya, Índia
Cultura
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Las Cuevas, Mendoza, de um lado ao outro dos andes, argentina
Em Viagem
Mendoza, Argentina

De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada
Étnico
Viti Levu, Fiji

A Partilha Improvável da ilha Viti Levu

Em pleno Pacífico Sul, uma comunidade numerosa de descendentes de indianos recrutados pelos ex-colonos britânicos e a população indígena melanésia repartem há muito a ilha chefe de Fiji.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Palácio de Cnossos, Creta, Grécia
História
Iraklio, Grécia

De Minos a Menos

Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.
Dunas da ilha de Bazaruto, Moçambique
Ilhas
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Na pista de Crime e Castigo, Sao Petersburgo, Russia, Vladimirskaya
Literatura
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Natureza
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Teleférico de Mérida, Renovação, Venezuela
Parques Naturais
Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução a partir de 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida foi levada a cabo na Sierra Nevada por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.
Templo Kongobuji
Património Mundial UNESCO
Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir do Monte Koya, pode ser ainda mais fácil.
De visita
Personagens

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Avião em aterragem, Maho beach, Sint Maarten
Praias
Maho Beach, Sint Maarten

A Praia Caribenha Movida a Jacto

À primeira vista, o Princess Juliana International Airport parece ser apenas mais um nas vastas Caraíbas. Sucessivas aterragens a rasar a praia Maho que antecede a sua pista, as descolagens a jacto que distorcem as faces dos banhistas e os projectam para o mar, fazem dele um caso à parte.
As forças ocupantes
Religião

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Substituição de lâmpadas, Hidroelétrica de Itaipu watt, Brasil, Paraguai
Sociedade
Hidroeléctrica Binacional de Itaipu, Brasil

HidroElétrica Binacional do Itaipu: a Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.
O projeccionista
Vida Quotidiana
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
hipopotamos, parque nacional chobe, botswana
Vida Selvagem
PN Chobe, Botswana

Chobe: um rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.