Usbequistão

Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão


Pórtico do tempo

Lada da era soviética prestes a cruzar um pórtico de entrada em Ellikkalla, uma povoação entre a fortaleza de Ayaz Kala e Khiva.

Tosquia camelídea

Rano Yakubova recebe de Talgat uma bola de pelo em excesso para o Verão que Talgat removera do dromedário Micha.

Propaganda Soviete

Outdoor inspirado nos tempos soviéticos versa: "Concedamos uma vida bela aos nossos cidadãos na base da liberdade e da habilidade de comerciar e de trocar ideias."

Falsa Brigada

Carro policial a fingir, usado para delimitar a velocidade numa estrada que liga Yangikazkan a Samarcanda.

Chashma

O complexo religioso de Chashma, erguido em função do milagre realizado por Ali, genro de Maomé, que ali fez brotar uma nascente.

3 Gerações

Família usbeque de visita às ruínas de Toprak Kala, uma das antigas capitais da civilização corásmia.

De volta à fornaça

Rano Yakubova à porta de uma das iurtas do seu acampamento de Ayaz Kala.

Um labirinto de adobe

Familia usbuque dispersa pelas ruínas de Toprak Kala.

Iurtas no deserto

O acampamento de iurtas de Ayaz Kala, gerido por Rano Yakubova.

À mesa da iurta

Ravshan, Nilufar e a anfitriã Rano Yakubova partilham uma refeição à mesa de uma das maiores iurtas do acampamento de Ayaz Kala.

Petiscos usbeques

Especialidades usbeques sobre uma mesa de refeições.

Os séculos passaram. As velhas e degradadas estradas soviéticas sulcam os desertos e oásis antes atravessados pelas caravanas da Rota da Seda. Sujeitos ao seu jugo durante uma semana, vivemos cada paragem e incursão nos lugares e cenários usbeques como recompensas rodoviárias históricas.

Quanto mais nos embrenhamos na Ásia Central, no Usbequistão e na sua República autónoma do Karakalpaquistão, mais parecem fazer-lhes jus o falso-aumentativo incontornável destas paragens.

Prosseguimos estrada fora pela orla do Deserto de Kizilkum, poeirenta e, por ali, amarelada mesmo se os vários dialectos turcos o definem como de “areias vermelhas”.

Muynaq e o Mar de Aral tinham ficado para trás. Prevíamos  árduo o caminho de Nukus para Khiva. Abandonados aos seus próprios desígnios pela implosão da União Soviética de 1991, os políticos usbeques não pareciam ver na manutenção ou melhoria das vias uma prioridade.

Os quilómetros sucediam-se, esburacados e abafados, ao longo do leito do Amu Dária, o grande rio que cruza boa parte do país. Sentíamos que nos moíam e desgastavam à mesma velocidade a que Ravshan conduzia o seu Chevrolet, parte da frota de sucessores da armada histórica mas decrépita de Ladas, Volgas e UAZ (es) da nação.

Chegamos a meio da manhã. O sol faz da chapa do carro uma grelha e derrete o que restava do asfalto. É com alívio que o condutor anuncia, em alemão, um desvio, que Nilufar, a jovem guia e tradutora, nos confirma estarmos na iminência da velha fortaleza de Toprak Kala.

Um Interlúdio à Beira Histórica da Estrada

Toda esta expansão de quase oásis, entre o sul do moribundo Mar de Aral e os desertos de Karakum e de Kizilkum foi, em tempos, o domínio da civilização iraniana corásmia  e de uma sucessão de reinos de que se destacou o poderoso Império Persa. Pois, segundo nos prepara Nilufar para o lugar, Toprak Kala sobressaiu desta civilização entre os séculos I a VI d.C. e manteve-se sua capital pelo menos durante todo o século III d.C..

Dela subsistem as ruínas reveladas, em 1938, por Sergey Pavlovich Tolstov, um arqueólogo de São Petersburgo que dedicou boa parte da vida ao seu estudo.

Hoje, as estruturas que Tolstov desvendou estão mais acessíveis que nunca. Ainda assim, um dos frequentes extravios dos canais de rega subtraídos ao Amu Dária, obriga-nos a saltos demasiado longos e a molhar os pés.

Um trilho dissimulado conduz-nos ao que restava das paredes de adobe do antigo forte. Ao passarmos para dentro, espantamo-nos com a complexidade de divisórias e corredores erguidos com mera argila local que, favorecidos pela aridez do clima, haviam resistido à destruição e erosão milenar.

A Família Usbeque de visita a Toprak Kala

Dois jovens amigos europeus calcorreiam e investigam o complexo de canto a canto. Além de Ravshan e de Nilufar, os visitantes “da casa” estavam representados por uma família numerosa que vemos aproximar-se em fila indiana por um dos passadiços, ascenderem ao recanto em que nos mantínhamos e treparem ao seu limiar mais elevado para, de lá admirarem a vista em redor.

Duas senhoras trajam vestidos compridos. Combinam-nos com sandálias de pele e lenços que usam à moda de pirata. Os três homens e duas crianças que as acompanhavam trazem roupa pouco ou nada tradicional, excepção feita para o duppi – a espécie de cofió da Ásia Central – com que o patriarca sinalizava a sua fé muçulmana.

Um a um, passam por nós e saúdam-nos. Sem que dessem conta, fotografamo-los a contemplarem o panorama da beira do Amu Dária. Sem grandes receios, convidam-nos para com eles nos alinharmos e, orgulhosos da sua identidade e pequena comunidade turística, fazem-se connosco fotografar.

Não nos demoramos. Preocupava Ravshan a distância que nos faltava cumprir. E o inevitável desconforto a que a estrada atroz e o calor estival nos continuaria a submeter.

Outra Fortaleza e um Almoço no Retiro duma Grande Iurta

Deixamos a margem do Amu Dária. Desviamos de Beruni, para norte, com Ayaz Kala em vista. Ayaz Kala era outra fortaleza, também ela, em tempos capital corásmia. Surgiu-nos no cimo de uma meseta inesperada e de árdua conquista, à laia de Masada usbeque. Contemplamo-la e à sua solidão secular, por algum tempo, de uma falésia rochosa distante.

Ali perto, o acampamento de iurtas Ayaz prometia-nos um descanso já mais que merecido e um almoço a condizer. Lá nos recebe com cortesia Rano Yakubova, dona do estabelecimento e de um rubor saturado que contrastava com o grande lenço branco em que se abrigava.

Consciente da fornaça, Rano mostra-nos à pressa o acampamento e  convida-nos para a maior das iurtas, a que funcionava como restaurante comunal. Àquela hora tardia, éramos já os únicos convivas. Refastelamo-nos sobre o chão forrado de grandes tapetes vermelhos, almofadado em redor de uma longa mesa que exibia um manjar digno de uma caravana real.

Rano acompanha-nos durante boa parte da refeição. Interrompe a conversa com Ravshan e Nilufar apenas para  idas e voltas estratégicas à tenda-cozinha em que aproveitava para renovar algumas das saladas frias e os lepeshkas, os grandes pães achatados em forma e tom de disco solar que não podem faltar a uma mesa usbeque.

Findo o repasto, a tagarelice desvaneceu-se. Todos partilhávamos o anseio de aterrarmos e ali nos deixarmos dormir o resto da tarde. E a mesma consciência de quanto nos faltava para chegarmos a Khiva, o destino dessa noite.

Mascotes do Deserto do Usbeque

De acordo, levantamo-nos. Abandonamos a trégua térmica da iurta. Não tardamos a encontrar Talgat, um rapaz que Rano Yakubova nos explica ser filho do marido dela, não dela. Talgat tratava de Micha, um dromedário juvenil, um dos cinco camelídeos que serviam o acampamento.

Com a Ásia Central a chegar ao pino do seu tórrido Verão, os camelídeos da região desfaziam-se da farta pelagem que os aquecia durante o Inverno. Pois, em distintas partes de Micha, incluindo por baixo do longo pescoço, no cimo do dorso de que despontava a grande bossa e na secção superior das patas, o processo estava incompleto. Talgat conhecia o incómodo que aquele pelo inconveniente causava ao animal. Sem muito mais que fazer, entretinha-se a arrancar-lho e a afagar a mascote agradecida.

Rano, Ravshan e Nilufar, surgem da iurta e juntam-se a nós. Talgat passa a Rano uma grande bola do pelo que reunira. A madrasta segura, guarda-a do vento e ausenta-se por momentos. Quando regressa, está livre da lã que a atrapalhava. Despede-se de nós com o desejo de nos voltar a receber durante o Inverno ou o Outono quando – assim nos assegura – o Kizilkum e o seu acampamento são bem mais acolhedores e encantadores.

Pelas seis da tarde, chegamos a Khiva, outra antigas capital corásmica destas paragens, hoje, uma das cidades históricas fulcrais do Usbequistão. Lá passamos dois dias em deliciosa atmosfera da era da Rota da Seda, deslumbrados com a imponência e elegância arquitectónica com que os seus Khans e governantes afins a dotaram.

De Khiva, viajamos quase 500km ainda e sempre pela orla do Kizilkum. Assim nos mudamos para Bukhara, urbe rival e tão ou mais majestosa que Khiva. De Bukhara, por sua vez, apontamos a Samarcanda, outra estrela na constelação de fortalezas repletas de história, muralhas, madraças, mesquitas e minaretes imponentes que tornam o Usbequistão uma nação imperdível da Ásia Central. Parte do trajecto, cumprimo-lo pela Estrada Real antes usada entre as duas antigas capitais. Mas, em vez de seguirmos directos para Samarcanda, fazemos escala em Nurata.

A Noiva Enigmática às portas de Nurata

Na orla da cidade, um outdoor soviético profetiza: “Concedamos uma vida bela aos nossos cidadãos na base da liberdade e da habilidade de comerciar e de trocar ideias”. Mesmo forasteiros, sentimo-nos bafejados por esse privilégio civilizacional.

Paramos para novo almoço em casa de uma família conhecida de Ravshan. Lá nos apresentam uma jovem prestes a casar. Tímida, obediente à tradição, a noiva furta-se a dirigir-nos a palavra. Não remove sequer o véu longo e rosado que a cobre do cocuruto aos braços, acima de um vestido amarelo lustroso, repleto de lantejoulas multicolores.

É, aliás, raro erguer o rosto da sobriedade solteira e prometida em que se devia manter. Ainda assim, à despedida, obtemos permissão para a fotografarmos, nesses mesmos modos,  junto com a mãe e outra senhora da casa, à porta do seu quarto. Felicitamos as senhoras, entregamos-lhes um presente em Sums (moeda usbeque) e apontamos ao centro de Nurata.

Nos Passos de Alexandre. O Grande.

Em vez de um khan de origem ou descendência mongol, Nurata foi fundada, em 327 a.C. enquanto Nur, pelo rei macedónio aventureiro Alexandre o Grande. A Nurata, Alexandre o Grande, legou a fortaleza militar de que, malgrados os muitos séculos decorridos, resistem vestígios disformes.

Na actualidade é o complexo religioso de Chashma que admiramos do cimo das ruínas. Chasma convoca os recém-chegados. A sua mesquita e a nascente cristalina pejada de trutas que ninguém pode pescar, servem de preâmbulo às sepulturas sagradas dos crentes. Pelo menos aos que ali terão visto o genro (mais tarde santificado) do profeta Maomé bater com o seu cajado no chão e feito jorrar uma milagrosa nascente.

Prestamos-lhes a nossa homenagem fotográfica e provámos da água pura da fonte-aquário local. Pouco depois, regressamos ao carro e zarpamos para Yangikazkan.

Yangikazkan surge junto ao extremo ocidental do lago de Aydar, o maior do Usbequistão com 250km por 15km. Nos últimos tempos, novos acampamentos de iurtas ecológicos tornaram estas paragens famosas. Instalamo-nos num deles. Até ao ocaso, refrescamo-nos no lago e passeamos a camelo. Durante após o jantar, à volta de uma fogueira, assistimos a uma exibição de canções populares de amor, tocadas por um músico cazaque pitoresco, sob o firmamento sobrelotado da Ásia Central.

No dia seguinte, ainda e sempre cozinhados pelo braseiro do Kizilkum, derreados pelas estradas sofríveis do Usbequistão, damos entrada na mítica Samarcanda.

Mais informação sobre o Usbequistão na página respectiva da Encyclopaedia Britannica.

Samarcanda, Usbequistão

O Sultão Astrónomo

Neto de um dos grandes conquistadores da Ásia Central, Ulugh Beg preferiu as ciências. Em 1428, construiu um observatório espacial em Samarcanda. Os seus estudos dos astros levaram-lhe o nome a uma cratera da Lua. 

Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão

Khiva, Usbequistão

A Fortaleza da Rota da Seda que os Soviéticos Aveludaram

Nos anos 80, dirigentes soviéticos renovaram Khiva numa versão amaciada que, em 1990, a UNESCO declarou património Mundial. A URSS desintegrou-se no ano seguinte. Khiva preservou o seu novo lustro.

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Samarcanda, Usbequistão

Um Desvio na Rota da Seda

Em Samarcanda, o algodão é agora o bem mais transaccionado e os Ladas e Chevrolets substituíram os camelos. Hoje, em vez de caravanas, Marco Polo iria encontrar os piores condutores do Usbequistão.

Mar de Aral, Usbequistão

O Lago que o Algodão Absorveu

Em 1960, era um dos 4 maiores lagos do mundo mas projectos de irrigação secaram grande parte da água e do modo de vida dos pescadores. Em troca, a URSS inundou o Usbequistão com ouro branco vegetal.

Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e as experiências prévias com o Mal de Altitude que não devemos arriscar subir à pressa.
Voo marinho
Cerimónias e Festividades
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Marcha Patriota
Cidades

Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado à ilha que os encantou. Passados quase 500 anos, Taiwan prospera, algures entre a independência e a integração na grande China.

Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Sapphire
Cultura

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Fuga de Seljalandsfoss
Em Viagem

Islândia

Ilha de Fogo, Gelo e Quedas d’água

A catarata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.

De partida
Étnico

Wala, Vanuatu

Cruzeiro à Vista, a Feira Assenta Arraiais

Em grande parte de Vanuatu, os dias de “bons selvagens” da população ficaram para trás. Em tempos incompreendido e negligenciado, o dinheiro ganhou valor. E quando os grandes navios com turistas chegam ao largo de Malekuka, os nativos concentram-se em Wala e em facturar.

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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
The Rock
História

São Francisco, E.U.A.

De Volta ao Rochedo

40 anos passados sobre o fim da sua pena, o ex-presídio de Alcatraz recebe mais visitas que nunca.Alguns minutos da sua reclusão explicam porque o imaginário do The Rock arrepiava os piores criminosos

Bastião Ryukyu
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Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

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A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

À boleia do mar
Natureza
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Divino Havai

Maui é um antigo chefe e herói do imaginário religioso e tradicional havaiano. Na mitologia deste arquipélago, o semi-deus laça o sol, levanta o céu e leva a cabo uma série de outras proezas em favor dos humanos. A ilha sua homónima, que os nativos creem ter criado no Pacífico do Norte, é ela própria prodigiosa.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Budismo majestoso
Parques Naturais
Circuito Anapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca das Anapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Sob um céu mais que dourado
Património Mundial UNESCO

Goiás Velho, Brasil

Uma Sequela Da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Pedaço de Maldivas
Praias

Maldivas

De Atol em Atol

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.

Paz & Amor
Religião
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Encarregado da iluminação
Sociedade

Barragem Itaipu, Brasil

A Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.

Um
Vida Quotidiana

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.