Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente


Filhos da Mãe-Arménia

Família sobe a escadaria na base da estátua da Mãe Arménia.

Sobre o plano

O monumento a Alexander Tamanian, o planeador de Erevan, autor de vários dos seus edifícios e praças grandiosos.

Bici & Alex

Monumento a Alexander Spendiaryan, autor da ópera exibida na inauguração do Teatro de Ópera e Ballet da capital arménia.

Gerações

Idoso passa por um bar num jardim de Erevan.

Depois das guerras

Mulher chega do nada e estaciona um Mercedes SLK branco ao lado de material de guerra exposto aos pés da Mãe Arménia.

Panorâmica a 2

Casal admira o casario de Erevan e o monte Ararat ao fundo, já em território turco.

Panorâmica a 2 II

Casal namora junto ao limite do Parque da Vitória, com o sol a pôr-se a Oeste e a colorir o distante Monte Ararat.

Erevan ao crepúsculo

Casario de Erevan e a forma do pico duplo do Monte Ararat, ao lusco-fusco.

Memória atroz

Memorial dedicado ao genocídio arménio às mãos do Império Otomano.

Jesus Armeno

Vendedora exibe um quadro com a imagem de Jesus Cristo.

Entre tapetes

Vendedores cercados de tapetes no mercado de rua Vernissage de Erevan.

Erevan semi-subterrâneo

Pedestres cruzavam uma entrada intermédia para o metro da cidade.

Escolha de fé

Vendedora de pinturas exibe um quadro religioso da Virgem Maria a uma possível cliente.

Mater

Mãe Arménia, símbolo de bronze do poder e resiliência arménia.

Foto duo

Vendedores de máquinas fotográficas numa banca do mercado de rua Vernisage.

Erevan dourada

Cenário outonal de Erevan com a fábrica de brandy Ararat bem acima do arvoredo.

Frio eminente

Senhora toma conta da sua banca de gorros, no mercado Vernisage de Erevan.

Nem sinal de varandas

Linhas austeras da arquitectura soviética, do período em que Erevan era uma das muitas capitais da URSS. 

Soviet-Linhas

A entrada de um pequeno centro comercial, com arquitectura dos tempos soviéticos da Arménia.

Erevan dourada II

Secção da Praça da República, dourada, ao lusco-fusco. A Praça da República contem o mais importante conjunto arquitectónico de Erevan e da Arménia.

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Contemplamos o casario que preenche o vale abaixo da colina de Haghtanak, lugar do Parque da Vitória de Erevan. Uma névoa matinal densa triunfa sobre o sol e arredonda as arestas dos prédios amarelados. Torna difusa e mais longínqua a silhueta dos cumes irmãos do monte Ararat.

Um casal junto à vedação que encerra o varandim do parque partilha um abraço comprometido e, nesse abraço, a vista sobre o coração urbano da pátria.

Casal no Parque da Vitória, Erevan, Arménia

Casal admira o casario de Erevan e o monte Ararat ao fundo, já em território turco

Por detrás, a 51 metros de altura, a figura bélica de bronze da Mãe Arménia vigia-nos a todos: a nós, ao casal e ao milhão de filhos que, àquela hora, se preparavam para disputar a capital.

Como todas as cidades e nações, Erevan seguiu vezes sem conta por caminhos de que se arrependeu. Enquanto capital no vasto universo da União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, admitiu naquele mesmo lugar uma estátua monumental de Estaline que celebrava a supremacia da U.R.S.S. na 2ª Guerra Mundial.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia

Família sobe a escadaria na base da estátua da Mãe Arménia.

Quando a Mãe Arménia destronou Estaline

Cinco anos volvidos, a brutalidade despótica de Estaline tornaram-no persona non grata. Em Erevan, pouco depois da morte do ditador, foi decidida que uma Mãe Arménia lhe tomaria o lugar. No processo, morreu um soldado. Vários trabalhadores ficaram feridos. Popularizou-se entre os habitantes o comentário de que “até na sua sepultura Estaline fazia vítimas”.

A estátua original chegou a ser considerada uma obra-prima do escultor Sergey Mercurov. Rafael Israyelian, o artista incumbido de desenhar o pedestal original – que é o actual – recorreu ao bom-senso: “consciente de que a glória dos dictadores é temporária, construí uma simples basílica arménia de três naves.”

Limiar do Parque Vitória, com o Monte Aratat em fundo, Erevan, Arménia

Casal namora junto ao limite do Parque da Vitória, com o sol a pôr-se a Oeste e a colorir o distante Monte Ararat.

A obra de Israyelian só podia agradar. A Arménia foi o primeiro estado a decretar o Cristianismo como religião oficial, no início do século IV. A esmagadora maioria da sua população integra a Igreja Apostólica Arménia. Esta crença milenar não obsta a que os fiéis se empenhem nos conflitos em que têm visto a nação envolvida.

A cada 9 de Maio, milhares de pessoas sobem à colina de Haghtanak para deixarem flores no túmulo do Soldado Desconhecido numa homenagem aos mártires arménios da 2ª Guerra Mundial.

Genocídio Arménio, 2ª Guerra Mundial e Nagorno-Karabak

Com o evento da Guerra de Nagorno-Karabak  – enclave que a Arménia disputou com o Azerbaijão de 1988 a 1994 – bem mais fresco nas suas memórias, uma secção do parque foi cedida para evocação desta guerra.

Do cimo do seu pouso sobranceiro, diariamente recarregada pelo sol glorioso do Cáucaso, a Mayr Hayastan, como é tratada no dialecto nacional, supervisiona a vida da capital. Parece também perscrutar o Monte Ararat, há muito reclamado pela Arménia mas situado do lado de lá da fronteira da outra arqui-inimiga da nação, a Turquia.

A Turquia – ou melhor o Império Otomano de então – é, aliás, carrasca de uma matança de mais de um milhão de arménios durante e após a 1ª Guerra Mundial, de 1914 a 1923, que a nação vitimada tudo faz para que fique conhecido como Genocídio Arménio.

Seja qual for o seu nome, o ressentimento e ódio gerado por tal chacina atravessou sucessivas gerações. Comprovamo-lo sempre que, por um ou outro motivo, mencionamos a Turquia e a guia Cristina Kyureghyan e o motorista Vladimir reagem com indisfarçável ferida e repulsa.

Em 1967, o Genocídio Arménio mereceu um memorial-museu solene erguido na colina de Tsitsenakaberd, dotado de uma estela com 44 metros que simboliza o renascimento da nação arménia e de uma outra chama eterna dedicada às vítimas.

Memorial dedicado ao genocídio arménio, Erevan, Arménia

Memorial-museu dedicado ao genocídio arménio às mãos do Império Otomano.

Ao pés da sofrida Madre-Arménia, jazem, agora, relíquias militares. Um míssil antiaéreo, um caça sem rodas, dois tanques e alguns outros itens de grande dimensão.

Por detrás, a pouca distância, surge o parque de diversões de Haghtanak onde uma roda gigante colorida gira todos os fins de dia, carregada de crianças e adolescentes.

Míssil, lança-mísseis e Mercedes SLK junto à base da estátua da Mãe Arménia, Erevan, Arménia

Mulher chega do nada e estaciona um Mercedes SLK branco ao lado de material de guerra exposto aos pés da Mãe Arménia.

O Legado Soviético e Bélico de Erevan

Apesar dos contrastes e das incongruências, Erevan prospera. A mulher que chega do nada e estaciona o seu exuberante Mercedes SLK branco mesmo ao lado dos tanques e do míssil, faz com que não nos restem dúvidas.

Como a frota de relíquias Lada que, sem complexos, disputa as estradas da capital com rivais mais modernos e luxuoso; as discotecas, clubes nocturnos e lojas sofisticadas que os proprietários dos bólides frequentam, em contraponto com as casas de chá e as boutiques retro que alimentam uma série de modas arménias fora de moda e inspiram a crescente corrente local hipster.

Outro lugar chave da dinâmica comercial da cidade e dos seus usos e costumes é o Mercado Vernissage, instalado ao longo das ruas Hanrapetutyun e Khanjyan.

Vendedores de máquinas fotográficas, mercado Vernisage, Erevan, Arménia

Vendedores de máquinas fotográficas, numa banca do mercado de rua Vernisage.

Lá encontramos de tudo um pouco entre o que é tradicional arménio, das bonecas aos tapetes tecidos à mão, mas também incontáveis sobras dos tempos soviéticos, incluindo vendedoras com visual orgulhoso de babushkas.

Resquícios da era soviética no mercado de rua de Vernissage, Erevan, Arménia

Resquícios da era soviética da Arménia no mercado de rua de Vernissage de Erevan

Desde 1988 que a Praça da República de Erevan foi palco de manifestações massivas (algumas com mais de 1 milhão de protestantes) que desafiaram a excessiva russificação e corrupção em que a nação se via, reclamaram democracia e uma libertação que, graças a Mikhail Gorbachov e às reformas da Glasnost e da Perestroika, não tardou.

A Arménia Bipolar Pós-U.R.S.S.

Na sequência da independência de 21 de Setembro de 1991, instáveis sobre uma transição amadora para economia de mercado, as finanças da Arménia colapsaram. Ao ponto de, até mais de meio da década de 90, o abastecimento de gás e de electricidade ter sido insuficiente e inconstante.

A especulação imobiliária tomou conta de Erevan. Malgrado a contestação de boa parte da população, novos e modernos empreendimentos levaram à destruição de inúmeros edifícios mais antigos da capital, alguns do tempo do Império Russo.

Enquanto percorremos as suas ruas, as velhas relíquias habitacionais são raras. Damos com as excepções na Avenida Mashtots – comparável à Avenida lisboeta da Liberdade e nas ruas Abovyan e Aram.

Nestas vias, algumas fachadas ostentam trabalhos minuciosos e seculares de alvenaria que ilustram o passado arménio de forma solitária mas condigna.

Entrada de centro comercial, Erevan, Arménia

A entrada de um pequeno centro comercial, com arquitectura dos tempos soviéticos da Arménia.

Para compensar, abundam em Erevan os espaços verdes. Enquanto o clima o permite, fora do Inverno inclemente do Cáucaso, as suas gentes entregam-se aos parques e esplanadas. Os moradores alimentam a época dos khoravats (churrascos) acompanhados de oghee (vodka de fruta), vinhos ou cerveja.

Quando exploramos a capital, o Outono está prestes a encerrar-se. Ainda assim, somos contemplados por dias solarengos, sem vento. Quase só sentimos frio após o ocaso. A visita sabe-nos, assim, a um inesperado estio invernal.

Cristina Kyureghyan e Vladimir levam-nos a tabernas e restaurantes tradicionais. Lá nos empanturram com especialidades gastronómicas irresistíveis após o que nos apresentam novos recantos emblemáticos da capital.

Uma Eleganta Cascata de História

Noutra dessas ocasiões, abordamos a Cascade de Erevan, uma enorme escadaria de calcário na base do Parque da Vitória. À entrada, o monumento a Alexander Tamanian – o planeador da capital, autor de vários dos seus edifícios e praças grandiosos – exibe o arquitecto neoclássico a examinar um plano.

monumento a Alexander Tamanian, Erevan, Arménia

O monumento a Alexander Tamanian, o planeador de Erevan, autor de vários dos seus edifícios e praças grandiosos

Sucedem-se várias esculturas de bronze inchadas pelo capricho artístico do colombiano Fernando Botero: “Mujer fumando un cigarrillo”, “Gatto” e “Il Guerrero”. Casais de namorados, mães e avós com crianças passam a tarde no seio destas personagens excêntricas.

Logo ao lado, a visão de um Citroën 2 Cavalos preto e grená na base de prédios rosados elegantes e de árvores com folhas outonais impinge-nos uma impressão parisiense.

Num ápice, a passagem de dois militares em camuflados com óbvio estilo Bloco de Leste, traz-nos de volta à realidade pós-Soviética da própria Cascade. Erguida, aos bochechos, de 1971 até 2009, a partir de 2000, foi entregue ao magnata e colecionador norte-americano/arménio Gerard Cafesjian. Este, renovou-a, guarneceu-a de arte, de eventos e de público.

Damos entrada no complexo. Deparamo-nos com uma longa escada rolante interrompida em cada piso para que o visitante possa contemplar as obras de arte. Parte delas surge no interior.

Outra parte, nos pátios exteriores amplos, quanto mais elevados, com melhores panorâmicas de Erevan e do Monte Ararat. Mas nunca tão desafogadas como as do monumento dos 50 anos da Arménia Soviética acima, ou pela sobranceira Mãe Arménia.

Erevan, Arménia

Casario de Erevan e a forma do pico duplo do Monte Ararat, ao lusco-fusco.

Entre o Ocidente e o Leste

Decorreram 96 anos desde que os bolcheviques anexaram a Arménia à U.R.S.S., tal como fizeram à vizinha Geórgia e ao inimigo Azerbaijão.

Hoje, oficialmente dona do seu destino, a Arménia está longe de se livrar do jugo do Kremlin. A inimizade histórica com o Azerbaijão e a Turquia obriga-a a contar com o poderio bélico russo e a admitir que a Rússia mantenha uma base militar junto à fronteira com a Turquia.

Mas a submissão ao Grande Urso vai mais longe. À imagem das restantes ex-repúblicas soviéticas, a Arménia está à mercê do petróleo e gás natural siberiano e da especulação comercial imposta por Moscovo.

Está também dependente da gestão e manutenção russa da central nuclear de Metsamor, a apenas 36 km de Erevan. Trata-se de uma central antiquada e situada numa zona sísmica e altamente vulnerável.

E padece da manipulação russa dos oligarcas e políticos corruptos do país, vários à frente de empresas privadas ou estatais. Em conjunto, estes testas-de-ferro têm desviado muitos milhões de drams (moeda nacional) do povo arménio para contas bancárias russas, mas não só.

Erevan: uma capital numa Espécie de Lusco-Fusco Político

A tarde cede à tardinha. À medida que a luz diurna se esvanece, a iluminação artificial doura o tufo rosado dos cinco edifícios principais da Praça da República de Erevan, outra das obras sumptuosas de Alexander Tamanian que não tardamos a explorar.

Praça da República, Erevan, Arménia

Secção da Praça da República, dourada, ao lusco-fusco. A Praça da República contem o mais importante conjunto arquitectónico de Erevan e da Arménia

O lusco-fusco gera um dourado resplandecente. Colunas de pedestres cruzam aquele que é considerado o espaço cívico supremo de Erevan, o seu mais majestoso conjunto arquitectónico.

Autocarros militares instalam-se no parque de estacionamento da praça. Num ápice, dezenas de agentes desembarcam e renovam a sua intimidação.

Nos últimos meses, o povo arménio parece ter perdido uma vez mais a paciência. Voltou às manifestações, com determinação redobrada.

Parte de uma reacção apelidada de Revolução de Veludo, vários grupos civis e políticos liderados por Nikol Pashinyan do partido Contrato Civil organizaram protestos anti-governamentais contra a intenção do agora ex-primeiro-ministro Serzh Sargsyan de se prolongar num terceiro termo. Em certos momentos, estes protestos chegaram a contar com mais de 100.000 participantes.

Sargsyan demitiu-se. A 28 de Abril de 2018, todos os partidos da oposição anunciaram que apoiariam a candidatura de Pashinyan que, numa primeira instância, o Partido Republicano conseguiu derrotar. A Rússia tem vindo a monitorizar e a tentar manobrar os acontecimentos.

Ainda assim, dia 8 Maio, Pashinyan foi eleito o novo Primeiro-Ministro da Arménia. Com este resultado, a Arménia deu um passo gigante para longe do seu passado soviético e russófilo. Na direcção do Ocidente democrático.

 

Mais informação sobre a Arménia e Eravan no site do Turismo da Arménia

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.
Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Wall like an Egyptian
Arquitectura & Design
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Cerimónias e Festividades
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Ushuaia, Argentina
Cidades
Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades

A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.
Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Tribal
Cultura

Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Ferry Nek Luong
Em Viagem

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

Pequeno navegador
Étnico

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Castelo de Shuri em Naha, Okinawa, Japão
História
Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.
Monumento Cap 110, Martinica, Antilhas Francesas
Ilhas
Martinica, Antilhas Francesas

Caraíbas de Baguete debaixo do Braço

Circulamos pela Martinica tão livremente como o Euro e as bandeiras tricolores esvoaçam supremas. Mas este pedaço de França é vulcânico e luxuriante. Surge no coração insular das Américas e tem um delicioso sabor a África.
Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Os vulcões Semeru (ao longe) e Bromo em Java, Indonésia
Natureza
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Normatior
Parques Naturais

PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.

Cortejo garrido
Património Mundial UNESCO

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Magníficos Dias Atlânticos
Praias

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Promessa?
Religião
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Febre vegetal
Sociedade

Little India, Singapura

Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.

Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.