Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline


A Guardiã do Ditador

Funcionária do museu de Estaline sentada junto a retrato do ditador em trajes militares.

Com vista fluvial

Uplistsikhe, do lado de lá do rio Mtkvari entre margens amareladas pela vegetação outonal.

Museu Ferroviário de Estaline

A carruagem usada pelo ditador soviético nas suas deslocações. Estaline tinha um um receio paranóico de voar. 

Sala de Trofeus

Visitantes examinam a sala de presentes oferecidos a Estaline.

Um Templo pós-pagão

A basílica de três naves de Uplistsikhe, erguida no século IX, sobre o povoado troglodita pré-cristão.

Estaline de Pedra

Busto de Estaline em destaque no centro de uma das salas do museu que lhe é dedicado em Gori, sua terra natal.

Uplistsikhe debaixo de terra

Visitantes de Uplistsikhe percorrem uma das passagens subterrâneas que serviam a povoação troglodita. 

Um certo cansaço histórico

Visitante dormita sob uma pintura de Estaline, à entrada do museu dedicado ao ditador, em Gori.

Comunicações Daltónicas

O telefone "vermelho" de Estaline, que era tudo menos vermelho.

Super Estaline

Cliente deixa o supermercado Nemiroff, situado junto ao museu de Estaline, em Gori, e decorado com uma imagem militar do ditador. 

Adeus Estaline

Uma pintura fúnebre de Estaline.

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Quando pensamos que temos a geografia e a história da Europa bem assente, Tamo Giorgadze obriga-nos a recuperamos das profundezas da memória um reino da Ibéria caucasiano de outros tempos e rendemo-nos à infinitude do conhecimento.

“Foi como os gregos e os romanos chamaram a esta região que nos deu origem, aos georgianos do leste.” A etimologia nada tem que ver com a da nossa Ibéria. Também a daquelas paragens é tema de várias teorias e argumentações. De qualquer maneira, como acontece com todos, o reino durou o que durou.

 “Nós nem sequer nos chamamos Geórgia, isso é para vocês” sublinha Tamo enquanto avançamos pela paisagem campestre entre Mtskheta e Gori.

Para nós, a Geórgia é Sakartvelo, de outro dos nomes contemporâneos da região da Iberia, Kartli. Foram os gregos que começaram a chamar a estas partes Geórgia (do helénico georgicus: agrícola) pela aptidão com que as gentes daqui cultivavam as terras. À imagem de inúmeros termos gregos de então, esse, popularizou-se na maior parte da Europa”.

Seguimos por uma auto-estrada ao longo de um vale amplo, com vista para as fronteiras da recém-rebelada Ossétia do Sul. Ainda é cedo quando desviamos para Gori. Junto à confluência dos rios Kur Sayi e Liakvhi, a cidade mantém-se sumida numa névoa densa. Insatisfeitos com os seus contornos difusos, decidimos passar antes por Uplistsikhe esperançados numa meteorologia mais favorável para aqueles lados. 

Seguimos por um caminho surreal perdido entre florestas ensopadas, aldeolas ribeirinhas e arrabaldes ferroviários ex-soviéticos em plena simbiose com os restantes ambientes. Numa dessas povoações rurais e marginais, idosos com faces rudes entregam-se a conversas demoradas, agasalhados para todas as intempéries. Ovelhas e cabras ao deus-dará partilham a estrada com BMWs e Audis importados da Alemanha e mais que usados, troféus de uma emigração esforçada e já quase incontornável entre os jovens georgianos pouco letrados.

Cruzamos um outro rio, o Mtkvari, por uma ponte de ferro rasa sobre uma planície de aluvião vasta. Percebemos então que tínhamos ganho a aposta meteorológica. Sob a acção do vento e dos raios solares, as nuvens e os retalhos de nevoeiro cedem a um céu que se azula a olhos vistos. Quando chegamos à entrada do complexo de Uplistsikhe, a luz suave parece incendiar as árvores amareladas em redor. A nós, prenda-nos com deliciosos afagos.

Na margem esquerda do Mtkvari, eleva-se uma encosta rochosa e nua. Ascendemo-la por escadas de madeira e trilhos estreitos até que vislumbramos, ao longe, o edifício mais destacado e emblemático da povoação, uma basílica com três naves.

Aproximamo-nos e Tamo resgata-nos da dispersão fotográfica em que quase sempre nos perdemos em lugares novos. Explica-nos que foi erguida no cimo de um fascinante complexo troglodita, com estruturas habitadas e usadas do final da Idade do Bronze aos fins da Idade Média, por culturas da zona da Anatólia e da Pérsia, pagãs e cristãs.

 “Cheguem aqui” pede-nos Tamo. “Estão a ver estes pequenos canais esculpidos no solo? Quando vos dizemos que a Geórgia é o berço vinícola do mundo é para levarem a sério. Vejam lá isto! Uplistsikhe esteve no auge nos séculos 9 a 11 d.C. Antes disso, já aqui faziam vinho”.

Além do lagar talhado na rocha, a povoação de quase oito hectares estava dotada de habitações e espaços comunais e cerimoniais ligados por trilhos e escadarias derivados de uma pequena avenida central. 

Subimos ao topo dos penhascos, ainda mais alto que a basílica. Dali, contemplamos o serpentear vagaroso e lamacento do Mtkvari, colorido por arbustos amarelados ou verdes e, sobre uma encosta relvada, a estranha visão de muralhas em ruínas e de uma quinta abarracada contígua, ainda operacional mas que aparentava para sempre perdida no tempo.

Entretanto, abandonámos Uplistsikhe. Tamo fez questão que o fizéssemos por um túnel “secreto” que nos conduziu de volta à entrada do complexo por profundezas rochosas e tenebrosas do Cáucaso.

À saída, o dia revelou-se radiante. Impunha-se que regressássemos a Gori para verificarmos se também por lá a neblina havia levantado, o que se confirmou. 

Para os georgianos, Gori é sinónimo de um homem. Nasceu na cidade com o nome de Joseb Jughashvili, filho de um sapateiro e de uma empregada doméstica. Enquanto criança e adolescente, Joseb padeceu de vários males e traumas. Teve dois dedos do pé esquerdo unidos, a face repleta de cicatrizes devido a varíola e o braço esquerdo mais curto e rígido que o direito por causa de um acidente com uma charrete. O seu pai, Besarion, tornou-se alcoólico e violento para com a pequena família e não tardou a perder o negócio modesto que mantinha. Ketevan Geladze – a mãe de Joseb – entregou o filho a um mosteiro ortodoxo. Quando o marido descobriu, enlouqueceu, e atacou o chefe da polícia de Gori. Acabou banido da cidade, onde abandonou a mulher e o descendente.

Por essa altura, ninguém apostaria um rublo que fosse em Joseb.  O percurso do rapaz veio a surpreender tudo e todos ao revelar-se um líder revolucionário determinado e maquiavélico.

Quando Vladimir Ilitch Lénine formou a facção Bolchevique do Partido Marxista Trabalhista, Joseb alistou-se. Pouco depois, adoptou o nome de Joseph Stalin nos seus escritos. Provou-se eficiente em quase todo o tipo de funções intelectuais e práticas, desde escrever e distribuir propaganda a angariar fundos através de extorsões, roubos e assassínios. 

Após a Guerra Civil Russa de 1917-19 e vários confrontos ideológicos com o rival Leon Trostky, Estaline obteve o apoio do cada vez mais enfraquecido Lenine para a nomeação de Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética. Não tardou a conquistar um poder quase absoluto. Nos primeiros momentos, contra a vontade do próprio Lenine com quem, entretanto, também entrou em ruptura. Esse poder vigorou de 1922 a 1952. Como é hoje sabido, Estaline exerceu-o de forma tão cruel que causou a morte de milhões de compatriotas de várias repúblicas da U.R.S.S., e de tantas outras vítimas de outras pátrias durante conflitos militares imperialistas e expansionistas.

Já tínhamos estado em diversos lugares ex-soviéticos em que aquela personagem sofrida e, não tardaria, carismática, manipuladora e déspota deixara rasto. Na sua Gori natal, tínhamos como plano compreendê-lo um pouco melhor. 

O coração da cidade ainda é de Estaline apesar da campanha do Kremlin de 1960 para o banir da memória, dos bombardeamentos russos de 2008 durante a guerra Russo-Georgiana e agravamento da inimizade da nova Geórgia face aos poderosos vizinhos do norte. Apenas em 2010 – 58 anos após a inauguração – o presidente pró-Ocidental georgiano Mikheil Saaskashvili ditou a remoção do meio da Praça Estaline da estátua que há tanto tempo homenageava o tirano soviético. Saaskashvili proclamou então: “um memorial a Estaline não tem lugar na Geórgia do século XXI”. Outro político do seu governo acrescentou que os pedidos nesse sentido tinham aumentado exponencialmente desde o início da agressão militar russa à Geórgia, despoletada pelo apoio do Kremlin às pretensões de secessão dos territórios da Ossétia do Sul e da Abkhazia – ambos com as suas próprias maiorias étnicas ossetas e abkhazes pró-russas mas muitos milhares de habitantes russos e substancialmente ainda mais georgianos – face à recém-independentizada Geórgia.

Mesmo assim, quando percorremos o cerne de Gori, deparamo-nos com uma enorme avenida, praça, um museu tripartido composto por um palácio em estilo gótico estalinista, pela casa de Gori da família Jughashvili, pela carruagem ferroviária particular Estaline que usava para viajar para todo o lado por ter um receio paranoico de atentados contra si em pleno ar e por isso, se recusar a voar. 

Destas, o palácio concentra a grande parte dos elementos. É por lá que começamos e podíamos examinar o seu interior durante meses a fio tal é a panóplia de mapas, pinturas, esculturas, mobília e objectos incluindo o famoso telefone vermelho (que não era obviamente vermelho) e outros que alegadamente lhe pertenceram, muitos deles ofertas curiosas feitas por chefes de estado e instituições dos quatro cantos do mundo. 

Este património surge organizado numa ordem cronológica aproximada. É guardado por senhoras georgianas de visuais a condizer com a herança soviética e enfadadas pela monotonia das suas longas clausuras naquele passado caduco.

Subimos a escadaria de mármore a partir do piso térreo e entramos na segunda das salas. Uma das guias residentes narra episódios da vida de Estaline em russo, a uma das famílias russas que, malgrado o conflito de Agosto 2008, se sentem uma vez mais confortáveis de visita à Geórgia. Mais à frente, o sol entra fulminante pelos vitrais coloridos de uma janela. Ilumina o cabelo ruivo e a pele alva de uma outra guardiã do museu, trajada de casaco de peles e botas de cano alto. Sentada sobre uma cadeira de feltro, esta derradeira funcionária da ala faz companhia ao ditador, ali retratado num fato militar feijão-verde e refastelado no seu próprio cadeirão de madeira. Logo ao lado, numa sala bem mais lúgubre, Estaline surge só, exposto num antro lutuoso, composto pelas suas máscaras de morte, pinturas e esculturas fúnebres, entre outros. 

Pouco depois do ataque russo à Geórgia do Verão de 2008 que fez várias vítimas em Gori, o ministro da Cultura anunciou que aquele mesmo museu que então explorávamos seria reconvertido no Museu da Agressão Russa. Alguns anos mais tarde, foi colocada uma faixa à porta que proclamava: “este museu é um exemplo típico de propaganda Soviética. Procura legitimar o regime mais sanguinário da história”.

Nos últimos dias de 2012, a assembleia municipal de Gori boicotou qualquer alteração ao nome. Algum respeito pelo filho notório da cidade parece ser ainda sentido pelo menos pelos mais velhos. Sejam quais forem as culpas que arca, Estaline preserva o seu lugar em Gori incluindo num dos maiores supermercados da cidade, em que uma sua imagem sovietizada surge em destaque logo acima da porta de entrada e em inúmeros souvenirs à venda no interior.

 

O ETERNO SAUDOSISMO VERMELHO

 

Durante os dias que com ela passámos na Geórgia, a própria Tamo acabou por nos desabafar sentimentos contraditórios na sua família quanto aos tempos soviéticos, fossem ou não os de Estaline. “Os meus pais e as pessoas da idade deles têm saudosismo da U.R.S.S. E, acreditem ou não, muitos deles, respeitam o Estaline. Nessa altura, havia sempre trabalho e era tudo comunal. Não havia era em que gastar. Quando nos chegavam caramelos e rebuçados da Turquia era como se fosse Natal. Era tão raro! Depois, veio a independência. A Geórgia entrou num completo caos. Os meus pais não tinham trabalho. Não havia luz nem aquecimento. Entretanto, mudou o presidente, tivemos apoio da União Europeia e tudo melhorou, até que em 2008, a Rússia entrou em cena e nos voltou a amaldiçoar as vidas. A Geórgia é um pequeno país que há muito todos os vizinhos querem controlar, principalmente os Russos, claro.”

Malgrado, os óbvios progressos da sua pátria, o que nos conta não nos espanta. Por breves momentos, tentamos comparar a velha realidade vermelha com aquela que se seguiu e percebemos que a estabilidade e a suficiência gerem mais nostalgia que uma liberdade crua desamparada. Sem que fosse óbvia a associação, a mim – Marco C. Pereira – em particular, veio-me, de imediato, à mente a esfrega ideológica a que o meu falecido avô materno – que era um comunista orgulhoso – me submeteu tinha eu aí uns 16 anos, durante um malogrado jogo de futebol U.R.S.S. – Portugal. Os soviéticos golearam-nos por 5-0. Por volta do quarto golo, só lhe faltava um megafone para me poder encher mais os ouvidos: “Vês? Aprende que aquilo é que é um país a sério.” 

 

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Mar de Aral, Usbequistão

O Lago que o Algodão Absorveu

Em 1960, era um dos 4 maiores lagos do mundo mas projectos de irrigação secaram grande parte da água e do modo de vida dos pescadores. Em troca, a URSS inundou o Usbequistão com ouro branco vegetal.

Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Fogo-de-artifício branco
Aventura

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

A galope
Cerimónias e Festividades
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Trólei Azul
Cidades

Oslo, Noruega

Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

Ilha menor
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Cultura
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Radical 24h por dia
Desporto

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

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Em 1956, taiwaneses cépticos duvidavam que os 20km iniciais da Central Cross-Island Hwy fossem possíveis. O desfiladeiro de mármore que a desafiou é, hoje, o cenário natural mais notável da Formosa.

Étnico
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Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

7 Cidades
Ilhas

São Miguel, Açores

O Grande Éden Micaelense

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada. 

Recta Final
Inverno Branco

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Caminhada Solitária
Natureza

Mérida, Venezuela

Nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

Anéis de Fogo
Parques Naturais
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Sombra Missioneira
Património Mundial Unesco

Misiones, Argentina

Missões Impossíveis

No séc. XVIII, os jesuítas expandiam um domínio religioso no coração da América do Sul em que convertiam os indígenas guarani. Mas as Coroas Ibéricas arruinaram a utopia tropical da Companhia de Jesus

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Espantoso
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O Recreio do Belize

Madonna cantou-a como La Isla Bonita e reforçou o mote. Hoje, nem os furacões nem as disputas políticas desencorajam os veraneantes VIPs e endinheirados de se divertirem neste refúgio tropical.

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Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

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Sobre carris
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Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
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À Moda de Tóquio

No ultra-populoso e hiper-codificado Japão, há sempre espaço para mais sofisticação e criatividade. Sejam nacionais ou importados, é na capital que começam por desfilar os novos visuais nipónicos.

Fim da Viagem
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Os sounds
Voos Panorâmicos

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Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.