Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline


A Guardiã do Ditador

Funcionária do museu de Estaline sentada junto a retrato do ditador em trajes militares.

Com vista fluvial

Uplistsikhe, do lado de lá do rio Mtkvari entre margens amareladas pela vegetação outonal.

Museu Ferroviário de Estaline

A carruagem usada pelo ditador soviético nas suas deslocações. Estaline tinha um um receio paranóico de voar. 

Sala de Trofeus

Visitantes examinam a sala de presentes oferecidos a Estaline.

Um Templo pós-pagão

A basílica de três naves de Uplistsikhe, erguida no século IX, sobre o povoado troglodita pré-cristão.

Estaline de Pedra

Busto de Estaline em destaque no centro de uma das salas do museu que lhe é dedicado em Gori, sua terra natal.

Uplistsikhe debaixo de terra

Visitantes de Uplistsikhe percorrem uma das passagens subterrâneas que serviam a povoação troglodita. 

Um certo cansaço histórico

Visitante dormita sob uma pintura de Estaline, à entrada do museu dedicado ao ditador, em Gori.

Comunicações Daltónicas

O telefone "vermelho" de Estaline, que era tudo menos vermelho.

Super Estaline

Cliente deixa o supermercado Nemiroff, situado junto ao museu de Estaline, em Gori, e decorado com uma imagem militar do ditador. 

Adeus Estaline

Uma pintura fúnebre de Estaline.

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Quando pensamos que temos a geografia e a história da Europa bem assente, Tamo Giorgadze obriga-nos a recuperamos das profundezas da memória um reino da Ibéria caucasiano de outros tempos e rendemo-nos à infinitude do conhecimento.

“Foi como os gregos e os romanos chamaram a esta região que nos deu origem, aos georgianos do leste.” A etimologia nada tem que ver com a da nossa Ibéria. Também a daquelas paragens é tema de várias teorias e argumentações. De qualquer maneira, como acontece com todos, o reino durou o que durou.

 “Nós nem sequer nos chamamos Geórgia, isso é para vocês” sublinha Tamo enquanto avançamos pela paisagem campestre entre Mtskheta e Gori.

Para nós, a Geórgia é Sakartvelo, de outro dos nomes contemporâneos da região da Iberia, Kartli. Foram os gregos que começaram a chamar a estas partes Geórgia (do helénico georgicus: agrícola) pela aptidão com que as gentes daqui cultivavam as terras. À imagem de inúmeros termos gregos de então, esse, popularizou-se na maior parte da Europa”.

Seguimos por uma auto-estrada ao longo de um vale amplo, com vista para as fronteiras da recém-rebelada Ossétia do Sul. Ainda é cedo quando desviamos para Gori. Junto à confluência dos rios Kur Sayi e Liakvhi, a cidade mantém-se sumida numa névoa densa. Insatisfeitos com os seus contornos difusos, decidimos passar antes por Uplistsikhe esperançados numa meteorologia mais favorável para aqueles lados. 

Seguimos por um caminho surreal perdido entre florestas ensopadas, aldeolas ribeirinhas e arrabaldes ferroviários ex-soviéticos em plena simbiose com os restantes ambientes. Numa dessas povoações rurais e marginais, idosos com faces rudes entregam-se a conversas demoradas, agasalhados para todas as intempéries. Ovelhas e cabras ao deus-dará partilham a estrada com BMWs e Audis importados da Alemanha e mais que usados, troféus de uma emigração esforçada e já quase incontornável entre os jovens georgianos pouco letrados.

Cruzamos um outro rio, o Mtkvari, por uma ponte de ferro rasa sobre uma planície de aluvião vasta. Percebemos então que tínhamos ganho a aposta meteorológica. Sob a acção do vento e dos raios solares, as nuvens e os retalhos de nevoeiro cedem a um céu que se azula a olhos vistos. Quando chegamos à entrada do complexo de Uplistsikhe, a luz suave parece incendiar as árvores amareladas em redor. A nós, prenda-nos com deliciosos afagos.

Na margem esquerda do Mtkvari, eleva-se uma encosta rochosa e nua. Ascendemo-la por escadas de madeira e trilhos estreitos até que vislumbramos, ao longe, o edifício mais destacado e emblemático da povoação, uma basílica com três naves.

Aproximamo-nos e Tamo resgata-nos da dispersão fotográfica em que quase sempre nos perdemos em lugares novos. Explica-nos que foi erguida no cimo de um fascinante complexo troglodita, com estruturas habitadas e usadas do final da Idade do Bronze aos fins da Idade Média, por culturas da zona da Anatólia e da Pérsia, pagãs e cristãs.

 “Cheguem aqui” pede-nos Tamo. “Estão a ver estes pequenos canais esculpidos no solo? Quando vos dizemos que a Geórgia é o berço vinícola do mundo é para levarem a sério. Vejam lá isto! Uplistsikhe esteve no auge nos séculos 9 a 11 d.C. Antes disso, já aqui faziam vinho”.

Além do lagar talhado na rocha, a povoação de quase oito hectares estava dotada de habitações e espaços comunais e cerimoniais ligados por trilhos e escadarias derivados de uma pequena avenida central. 

Subimos ao topo dos penhascos, ainda mais alto que a basílica. Dali, contemplamos o serpentear vagaroso e lamacento do Mtkvari, colorido por arbustos amarelados ou verdes e, sobre uma encosta relvada, a estranha visão de muralhas em ruínas e de uma quinta abarracada contígua, ainda operacional mas que aparentava para sempre perdida no tempo.

Entretanto, abandonámos Uplistsikhe. Tamo fez questão que o fizéssemos por um túnel “secreto” que nos conduziu de volta à entrada do complexo por profundezas rochosas e tenebrosas do Cáucaso.

À saída, o dia revelou-se radiante. Impunha-se que regressássemos a Gori para verificarmos se também por lá a neblina havia levantado, o que se confirmou. 

Para os georgianos, Gori é sinónimo de um homem. Nasceu na cidade com o nome de Joseb Jughashvili, filho de um sapateiro e de uma empregada doméstica. Enquanto criança e adolescente, Joseb padeceu de vários males e traumas. Teve dois dedos do pé esquerdo unidos, a face repleta de cicatrizes devido a varíola e o braço esquerdo mais curto e rígido que o direito por causa de um acidente com uma charrete. O seu pai, Besarion, tornou-se alcoólico e violento para com a pequena família e não tardou a perder o negócio modesto que mantinha. Ketevan Geladze – a mãe de Joseb – entregou o filho a um mosteiro ortodoxo. Quando o marido descobriu, enlouqueceu, e atacou o chefe da polícia de Gori. Acabou banido da cidade, onde abandonou a mulher e o descendente.

Por essa altura, ninguém apostaria um rublo que fosse em Joseb.  O percurso do rapaz veio a surpreender tudo e todos ao revelar-se um líder revolucionário determinado e maquiavélico.

Quando Vladimir Ilitch Lénine formou a facção Bolchevique do Partido Marxista Trabalhista, Joseb alistou-se. Pouco depois, adoptou o nome de Joseph Stalin nos seus escritos. Provou-se eficiente em quase todo o tipo de funções intelectuais e práticas, desde escrever e distribuir propaganda a angariar fundos através de extorsões, roubos e assassínios. 

Após a Guerra Civil Russa de 1917-19 e vários confrontos ideológicos com o rival Leon Trostky, Estaline obteve o apoio do cada vez mais enfraquecido Lenine para a nomeação de Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética. Não tardou a conquistar um poder quase absoluto. Nos primeiros momentos, contra a vontade do próprio Lenine com quem, entretanto, também entrou em ruptura. Esse poder vigorou de 1922 a 1952. Como é hoje sabido, Estaline exerceu-o de forma tão cruel que causou a morte de milhões de compatriotas de várias repúblicas da U.R.S.S., e de tantas outras vítimas de outras pátrias durante conflitos militares imperialistas e expansionistas.

Já tínhamos estado em diversos lugares ex-soviéticos em que aquela personagem sofrida e, não tardaria, carismática, manipuladora e déspota deixara rasto. Na sua Gori natal, tínhamos como plano compreendê-lo um pouco melhor. 

O coração da cidade ainda é de Estaline apesar da campanha do Kremlin de 1960 para o banir da memória, dos bombardeamentos russos de 2008 durante a guerra Russo-Georgiana e agravamento da inimizade da nova Geórgia face aos poderosos vizinhos do norte. Apenas em 2010 – 58 anos após a inauguração – o presidente pró-Ocidental georgiano Mikheil Saaskashvili ditou a remoção do meio da Praça Estaline da estátua que há tanto tempo homenageava o tirano soviético. Saaskashvili proclamou então: “um memorial a Estaline não tem lugar na Geórgia do século XXI”. Outro político do seu governo acrescentou que os pedidos nesse sentido tinham aumentado exponencialmente desde o início da agressão militar russa à Geórgia, despoletada pelo apoio do Kremlin às pretensões de secessão dos territórios da Ossétia do Sul e da Abkhazia – ambos com as suas próprias maiorias étnicas ossetas e abkhazes pró-russas mas muitos milhares de habitantes russos e substancialmente ainda mais georgianos – face à recém-independentizada Geórgia.

Mesmo assim, quando percorremos o cerne de Gori, deparamo-nos com uma enorme avenida, praça, um museu tripartido composto por um palácio em estilo gótico estalinista, pela casa de Gori da família Jughashvili, pela carruagem ferroviária particular Estaline que usava para viajar para todo o lado por ter um receio paranoico de atentados contra si em pleno ar e por isso, se recusar a voar. 

Destas, o palácio concentra a grande parte dos elementos. É por lá que começamos e podíamos examinar o seu interior durante meses a fio tal é a panóplia de mapas, pinturas, esculturas, mobília e objectos incluindo o famoso telefone vermelho (que não era obviamente vermelho) e outros que alegadamente lhe pertenceram, muitos deles ofertas curiosas feitas por chefes de estado e instituições dos quatro cantos do mundo. 

Este património surge organizado numa ordem cronológica aproximada. É guardado por senhoras georgianas de visuais a condizer com a herança soviética e enfadadas pela monotonia das suas longas clausuras naquele passado caduco.

Subimos a escadaria de mármore a partir do piso térreo e entramos na segunda das salas. Uma das guias residentes narra episódios da vida de Estaline em russo, a uma das famílias russas que, malgrado o conflito de Agosto 2008, se sentem uma vez mais confortáveis de visita à Geórgia. Mais à frente, o sol entra fulminante pelos vitrais coloridos de uma janela. Ilumina o cabelo ruivo e a pele alva de uma outra guardiã do museu, trajada de casaco de peles e botas de cano alto. Sentada sobre uma cadeira de feltro, esta derradeira funcionária da ala faz companhia ao ditador, ali retratado num fato militar feijão-verde e refastelado no seu próprio cadeirão de madeira. Logo ao lado, numa sala bem mais lúgubre, Estaline surge só, exposto num antro lutuoso, composto pelas suas máscaras de morte, pinturas e esculturas fúnebres, entre outros. 

Pouco depois do ataque russo à Geórgia do Verão de 2008 que fez várias vítimas em Gori, o ministro da Cultura anunciou que aquele mesmo museu que então explorávamos seria reconvertido no Museu da Agressão Russa. Alguns anos mais tarde, foi colocada uma faixa à porta que proclamava: “este museu é um exemplo típico de propaganda Soviética. Procura legitimar o regime mais sanguinário da história”.

Nos últimos dias de 2012, a assembleia municipal de Gori boicotou qualquer alteração ao nome. Algum respeito pelo filho notório da cidade parece ser ainda sentido pelo menos pelos mais velhos. Sejam quais forem as culpas que arca, Estaline preserva o seu lugar em Gori incluindo num dos maiores supermercados da cidade, em que uma sua imagem sovietizada surge em destaque logo acima da porta de entrada e em inúmeros souvenirs à venda no interior.

 

O ETERNO SAUDOSISMO VERMELHO

 

Durante os dias que com ela passámos na Geórgia, a própria Tamo acabou por nos desabafar sentimentos contraditórios na sua família quanto aos tempos soviéticos, fossem ou não os de Estaline. “Os meus pais e as pessoas da idade deles têm saudosismo da U.R.S.S. E, acreditem ou não, muitos deles, respeitam o Estaline. Nessa altura, havia sempre trabalho e era tudo comunal. Não havia era em que gastar. Quando nos chegavam caramelos e rebuçados da Turquia era como se fosse Natal. Era tão raro! Depois, veio a independência. A Geórgia entrou num completo caos. Os meus pais não tinham trabalho. Não havia luz nem aquecimento. Entretanto, mudou o presidente, tivemos apoio da União Europeia e tudo melhorou, até que em 2008, a Rússia entrou em cena e nos voltou a amaldiçoar as vidas. A Geórgia é um pequeno país que há muito todos os vizinhos querem controlar, principalmente os Russos, claro.”

Malgrado, os óbvios progressos da sua pátria, o que nos conta não nos espanta. Por breves momentos, tentamos comparar a velha realidade vermelha com aquela que se seguiu e percebemos que a estabilidade e a suficiência gerem mais nostalgia que uma liberdade crua desamparada. Sem que fosse óbvia a associação, a mim – Marco C. Pereira – em particular, veio-me, de imediato, à mente a esfrega ideológica a que o meu falecido avô materno – que era um comunista orgulhoso – me submeteu tinha eu aí uns 16 anos, durante um malogrado jogo de futebol U.R.S.S. – Portugal. Os soviéticos golearam-nos por 5-0. Por volta do quarto golo, só lhe faltava um megafone para me poder encher mais os ouvidos: “Vês? Aprende que aquilo é que é um país a sério.” 

 

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Mar de Aral, Usbequistão

O Lago que o Algodão Absorveu

Em 1960, era um dos 4 maiores lagos do mundo mas projectos de irrigação secaram grande parte da água e do modo de vida dos pescadores. Em troca, a URSS inundou o Usbequistão com ouro branco vegetal.

Lenha à Pressa
Arquitectura & Design
Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Chegada à festa
Cerimónias e Festividades

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

De volta ao porto
Cidades

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Debate ao molho
Cultura

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Em Viagem
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Em manobras
Étnico

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Coreografia pré-matrimonial
História

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Antes da chuva
Ilhas

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Frígida pequenez
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Natureza

Glaciares

Planeta Azul-Gelado

Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Pose mais à mão
Parques Naturais

Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

No rumo da Democracia
Património Mundial Unesco

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Riso no elevador
Personagens

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Aulas de surf
Praia

Waikiki, Havai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbour e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.

Tédio terreno
Religião
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Praia portuária
Sociedade

Sentosa, Singapura

O Recreio de Singapura

Foi uma fortaleza em que os japoneses assassinaram prisioneiros aliados e acolheu tropas que perseguiram sabotadores indonésios. Hoje, a ilha de Sentosa combate a monotonia que se apoderava do país.

Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Um rasto na madrugada
Vida Selvagem
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Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.