Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo


Rumo ao vale

Teleférico dá início à descida para o fundo da garganta do rio Debed, onde se situam a mina e fundição que deram origem à cidade de Sanahin.

Um simples snack

Mãe e filho partilham uma mesma cabine do teleférico.

Sanahin das profundezas

Vista sobre o vale profundo do rio Debed, com parte da mina-fundição e do casario de Sanahin.

Chama bélica

Monumento aos combatentes da guerra entre a Arménia e o Azerbaijão pelo enclave de Nagorno-Karabakh à entrada de Haghpat.

MIG

Um exemplar de MIG, o caça supersónico co-criado pelo arménio Artem Mikoyan durante a era Soviética.

1000 anos de Haghpat

Perspectiva do mosteiro milenar de Haghpat, um dos dois mais antigos templos arménios da região de Lori.

Penumbra iminente

Sombra apodera-se da parte do complexo industrial de Sanahin mais próxima do rio Debed.

Haghpat, a aldeia

A povoação de Haghpat, com o mosteiro homónimo acima de qualquer outro edifício.

Presa por uns fios

Cabos de aço asseguram a ligação entre a área habitacional e a área industrial de Sanahin.

Sombras de fé

Visitante cruza o átrio abobodado do mosteiro de Haghpat.

1000 anos de Haghpat II

Outra perspectiva do complexo monástico de Haghpat, num dia já quase invernal.

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Revela-se curta a distância entre a fronteira Geórgia-Arménia e o início do longo canyon do rio Debed. A estrada M6 é a principal via entre estes países vizinhos. Leva à região de Alaverdi e dos mosteiros vizinhos de Haghpat e Sanahin.

A M6 emula os meandros do leito sinuoso do Debed. Leva-nos em direcção a sudoeste, para mais próximo da capital Erevan com passagem por cinco povoações dignas de registo nos mapas: Ayrum, Karkop, Snog, Akthala e Neghots, todas elas com as suas igrejas, capelas ou, pelo menos, conjunto de katchkars (pedras memoriais seculares com inscrições).

Ficamos pela terra seguinte, Haghpat. Para lá chegar, subimos ao quase topo da garganta que antes percorríamos. Aos poucos, deixamos o cenário ribeirinho arborizado e amarelo-acastanhado ainda outonal e entramos numa meseta bissectada, ervada e verdejante a condizer. Haghpat, a aldeia, surge numa zona da encosta que lhe concedeu estabilidade.

Haghpat: o Primeiro dos Velhos Mosteiros da Arménia

Uns poucos quilómetros antes de a atingirmos, já vislumbramos a torre de pedra do mosteiro homónimo, destacada acima do casario sombrio. Mas, desperta-nos os sentidos um monumento exuberante protegido atrás de um portão. Desviamo-nos para o investigar.

O torso parcial de um soldado empunha uma tocha, acima de uma laje de cimento com centenas de nomes inscritos. Tendo em conta o historial conflituoso da Arménia, não nos foi difícil supor que se tratava de um memorial aos soldados caídos em combate na guerra contra o Azerbaijão pelo enclave de Naghorno-Karabakh.

Monumento aos combatentes da guerra entre a Arménia e o Azerbaijão pelo enclave de Nagorno-Karabak, Haghpat, Arménia

Monumento aos combatentes da guerra entre a Arménia e o Azerbaijão pelo enclave de Nagorno-Karabakh à entrada de Haghpat.

Assim nos confirmou Cristina Kyureghyan, a guia que nos acompanhava desde o momento em que deixámos a Geórgia e com ela nos encontrámos do lado arménio de Bagratashen.

Os Arménios sentem este e outros conflitos históricos de forma intensa. Cristina e o motorista Vladimir passavam por ali, em trabalho, vezes sem conta. Ainda assim, em silêncio, prestam-lhe a homenagem devida.

Haghpat não é um lugar qualquer. Abriga um complexo monástico fundado no século X, de tal forma preservado e emblemático que a UNESCO o classificou e financia parte da sua recuperação. Estamos uns dias para lá da época turística alta em que os visitantes se sucedem em autocarros de agências de Erevan.

Como viria a acontecer em vários outros mosteiros da nação, não encontramos vivalma nas imediações. Só momentos mais tarde surge do nada uma crente esquiva encarregue de abrir as portas do templo e de vigiar os forasteiros. A guardiã apercebe-se que estamos com compatriotas seus conhecidos. Não se demora.

O Misticismo Religioso e a Acústica da Pedra Secular

Ficamos a absorver a atmosfera mística do mosteiro, dividido por três edifícios principais de pedra escurecida pelo tempo. Fundado em 976 por uma rainha de nome Khosrvanuch, o templo está disposto em redor um edifício central mais antigo, a catedral de Sourb Nishan, com os seus pequenos telhados a emergirem do solo relvado.

Mosteiro de Haghpat, Arménia

Perspectiva do mosteiro milenar de Haghpat, um dos dois mais antigos templos arménios da região de Lori.

Foi mais tarde dotado de um campanário, de uma biblioteca/scriptorium e de um refeitório que permitiram aos monges estabelecer-se e aprofundar a sua vida monástica.

Uma inscrição no átrio de acesso à nave principal versa: “Quem entrar por esta porta e se prostrar perante a Cruz, nas suas preces recorde-nos e aos nossos ancestrais reais que jazem à porta da catedral sagrada, em Jesus Cristo.

Tanto na catedral de Sourb Nishan como nas capelas de Sourb Grigor – dedicada ao Santo Gregório que introduziu o Cristianismo na Arménia – e de Sourb Astvasatsin, a acústica dos interiores frios e lúgubres é surreal.

Átrio do mosteiro de Haghpat, Arménia

Visitante cruza o átrio abobodado do mosteiro de Haghpat.

São verdadeiros antros da repercussão aqueles em que entramos e logo testamos simples ecos aleatórios para nos rendermos às evidências.

Dois homens surgem do nada. Apreciam o mosteiro tão curiosos e fascinados como nós, com tempo adicional dedicado aos khatchkars e túmulos dispersos no interior e em volta.

complexo monástico de Haghpat, Arménia

Outra perspectiva do complexo monástico de Haghpat, num dia já quase invernal.

Desde a saída madrugadora de Tbilissi que adiávamos o almoço. Por mais religiosa que a visita se provasse, não podíamos continuar com tal jejum. Descemos, assim, à povoação desde há séculos submetida à supremacia clerical e instalamo-nos num restaurante tradicional.

Como sempre acontece na Arménia, na Geórgia, por estes lados do Cáucaso em geral, somos prendados com novo banquete papal. Findo o repasto, espreitamos a paisagem a partir de um limiar da encosta com vista privilegiada.

O desfiladeiro do Debed e, ao longe, a Soviética Alaverdi

Dali, percebemos a configuração da garganta do rio Debed e, ao longe, o complexo industrial de Alaverdi e a cidade a que deu origem. É para lá que, sem mais demoras, nos mudamos.

Garganta do rio Debed, Arménia

Fumo gerado pela fundição de cobre de Sanahin eleva-se da garganta do rio Debed.

No curto percurso, ainda nos detemos no único cemitério rodoviário com que nos deparámos à face da Terra. Estendia-se por umas boas centenas de metros, no sopé da encosta íngreme e, então, outonal, prestes a invadir o asfalto da M6.

Quando nele nos detemos e por um bom tempo, quase só Ladas e Volgas – veículos moribundos da era Soviética – circulavam em ambos os sentidos.

De mosteiro milenar, passamos a mosteiro milenar. Do de Haghpat, ao de Sanahin. Também este foi erguido no século X, num clima de indisfarçável rivalidade.

A povoação de Haghpat, Arménia

A povoação de Haghpat, com o mosteiro homónimo acima de qualquer outro edifício.

O termo arménio “Sanahin” traduz-se como “este, mais velho que aquele”. O nome original da edificação terá sido mudado com o exacto propósito de clarificar qual dos templos – e não o outro – era o primordial.

À margem da antiguidade, também Sanahin foi classificado património mundial pela UNESCO. O critério principal da organização para a escolha dos dois mosteiros vizinhos e antes, rivais, terá sido o facto de “representarem o mais elevado florescimento da arquitectura religiosa da Arménia.

O seu estilo único combina elementos da arquitectura eclesiástica bizantina com a arquitectura tradicional vernacular da região do Cáucaso”. Não seria aquele o único património peculiar que encontraríamos em Alaverdi e arredores.

Os Migs, Mikoyan e a Vida Industrustrial de Alaverdi

Descemos para a zona habitacional da cidade. Cruzamo-nos com um pastor que acabara de soltar um pequeno rebanho de cabras do curral e com um grupo de jovens entretidos a atiçar pitbulls de combate.

Cabras em Sanahin, Arménia

Dono de um rebanho de cabras solta-as numa rua íngreme da parte alta de Sanahin, nas imediações do monumento ao inventor do MIG

Cinquenta metros abaixo, destacado sobre um espaço museológico amplo e para lá de um busto de bronze, descobrimos um avião-caça prateado.

Até então, algo neutral, o motorista Vladimir intui a nossa curiosidade e apronta-se a explicar. “É um Mig. Ao lado está a homenagem ao inventor arménio, Artem Mikoyan.”

Avião Mig, acima de Sanahin, Arménia

Um exemplar de MIG, o caça supersónico co-criado pelo arménio Artem Mikoyan durante a era Soviética

“O Mig teve um inventor arménio?” indagamos sem disfarçarmos a surpresa. Vladimir confirma-o com uma expressão ao mesmo tempo contida, veemente e orgulhosa. “Há arménios por toda a parte.

Dezenas de famosos, são arménios ou de origem arménia e vocês nem fazem ideia. Cristina alia-se ao colega. “Sabem porquê? Porque eles mudam os nomes. Retiram-lhes a parte final de “ian” ou “yan”. A ideia é evitarem terminações de apelidos que, de outra forma, teriam que partilhar.”

Não os vamos agora enumerar, mas ficámos a par de vários exemplos, de que Kim Kardashian e a sua glamorosa e voluptuosa família são óbvias excepções.

Após o exame cuidado do temido caça, descemos parte da encosta para o âmago dos blocos habitacionais que tínhamos vislumbrado do miradouro de Haghpat, atentos aos seus negócios incaracterísticos ou mal-amanhados e aos transeuntes taciturnos, muitos deles com cabelos claros que testemunhavam a mixagem étnica arménia-eslava de outros tempos.

A Decadência pós-Soviética e pós-Industrial de Alaverdi

Dá-nos a ideia de que aquelas partes da Arménia já tinham tido melhores dias. Cristina valida-o. ”Depois da queda da União Soviética, deixou de haver dinheiro. A Arménia não o tinha. A Rússia não o mandava. A manutenção da mina e das fábricas tornou-se impossível. Ficaram ao abandono.

Sanahin, Arménia

Vista sobre o vale profundo do rio Debed, com parte da mina-fundição e do casario de Sanahin.

Foram tempos difíceis para as famílias que aqui moravam há décadas. Uma boa parte teve que se mudar para Erevan ou emigrar.

Só há uns tempos é que o governo arménio, com algum investimento estrangeiro, conseguiu recuperar os complexos. A produção voltou a encarrilar mas ainda não é a mesma coisa.”

Faltava-nos investigar o fulcro industrial da questão. Acabamos por encontra-lo por nossa conta. Numa incursão mais certeira a várias vias que nos pareciam terminar no abismo sobre o Debed, esbarramos com a plataforma de um inesperado teleférico.

O Teleférico que Une as Profundezas ao Cimo da Cidade

Desse estranho e decadente ápice, entre moradores que, enquanto aguardavam pela partida da próxima cabine desvendamos a razão metalúrgica de ser de Alaverdi e dos seus.

Teleférico de Sanahin, Arménia

Passageiro espera pela hora da próxima descida, o mais protegido do vento gélida que, não tardou, cancelou as operacões do teleférico

Aproximamo-nos do limite do varandim e espreitamos. Lá em baixo, entre a margem norte do rio e as montanhas opostas, dispunha-se o esqueleto férreo e ferrugento da velha fundição de cobre da cidade.

Sob a terra, escondia-se a mina que lhe fornecia a matéria-prima. Dois conjuntos triplos de cabos de aço, ligavam as alturas em que estávamos à base industrial ribeirinha que há séculos lá havia sido instalada.

Vale industrial de Sanahin, Arménia

Vale industrial com a fundição de Sanahin

Do Investimento do séc. XVIII à Recente Tentativa de Recuperação

A fundição de Alaverdi foi inaugurada em 1770. Ordenou a sua construção um rei georgiano que então dominava o território desta que é a província arménia de Lori. Em pleno século XIX, contou com investimentos franceses e russos que fizeram o negócio florescer. A determinada altura assegurava cerca de 13% de todo o cobre produzido no Império Russo.

Em 1909, completou-a uma central hidroeléctrica no rio Debed que passou a gerar a energia necessária ao complexo. Já em plena era soviética, ordens do Kremlin ditaram novas construções massivas, incluindo os bairros que promoveram Alaverdi a cidade.

Mais recentemente, um tal de projecto nacional “Armenian Copper” tem vindo a expandir o número de minas, aumentar a fundição e a promover um substancial aumento de empregos.

A Vulnerabilidade à Meteorologia que Condiciona Alaverdi

Rajadas de vento desenfreadas percorrem o canyon do Debed. De tempos a tempos, chegam a afligir quem está na estação superior do teleférico. As horas dos vaivéns do teleférico estão adaptadas aos turnos dos trabalhadores da mina. Solidário com a classe operária, o chefe de operações ainda permite a descida que se segue mas, não tarda a cancelar as viagens.

Passageiros teleférico de Sanahin, Arménia

Mãe e filho partilham uma mesma cabine do teleférico.

Apesar de estarem acostumados ao vento e a estes percalços, os passageiros entram a bordo com má cara. Estranham as intenções fotográficas com que chegámos de rompante. E receiam o provável bambolear da cabine durante o percurso vertiginoso. As portas fecham.

A cabine desce, algo mais oscilante do que seria normal, mas sem incidentes. Ficamos sozinhos no alto. Até que Cristina nos resgata daquela evasão nas alturas para o nível da fundição.

Teleférico de Sanahin, Arménia

Teleférico dá início à descida para o fundo da garganta do rio Debed, onde se situam a mina e fundição que deram origem à cidade de Sanahin.

Num equilíbrio precário sobre um muro de beira da estrada que serpenteava encosta abaixo, apreciamos o ocaso deixar a secção mais próxima de nós à sombra. E, aos poucos, dourar os edifícios e o labirinto de tubagens do lado de lá do Debed. Nessa noite, era suposto dormirmos em Erevan. Ainda estávamos a 3h30 de caminho.

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução desde 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida chegou à sua estação terminal. Foi levada a cabo nas montanhas andinas por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
A pequena-grande Senglea
Arquitectura & Design

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades

Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.

Cansaço em tons de verde
Cidades

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Buda Vairocana, templo Todai ji, Nara, Japão
Cultura
Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.
Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Espera sem fim
Em Viagem
Jet Lag (Parte 1)

Evite a Turbulência do Pós-voo

Quando voamos através de mais que 3 fusos horários, o relógio interno que regula o nosso organismo confunde-se. O máximo que podemos fazer é aliviar o mal-estar que sentimos até se voltar a acertar.
Insólito Balnear
Étnico

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Memorial USS Arizona
História

Pearl Harbour, Havai

O Dia em que o Japão foi Longe Demais

A 7 de Dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa atacou a base militar de Pearl Harbour. Partes do Havai parecem colónias nipónicas mas os E.U.A nunca esquecerão a afronta.

Basmati Bismi
Ilhas

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Recta Final
Inverno Branco

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Tambores e tatoos
Natureza

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Bandeiras de oração em Ghyaru, Nepal
Parques Naturais
Circuito Annapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca dos Annapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Enseada do Éden
Património Mundial UNESCO

Praslin, Seichelles

O Éden dos Enigmáticos Cocos-do-Mar

Durante séculos, os marinheiros árabes e europeus acreditaram que a maior semente do mundo, que encontravam nos litorais do Índico com forma de quadris voluptuosos de mulher, provinha de uma árvore mítica no fundo dos oceanos.  A ilha sensual que sempre os gerou deixou-nos extasiados.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Baie d'Oro
Praias

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Portal para uma ilha sagrada
Religião

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Noite Pachinko
Sociedade

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.