Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa


1001 Noites Russas

Cúpulas do kremlin de Rostov, considerado o mais impressionante da Rússia, a seguir ao de Moscovo.

Expedição lacustre

Barqueiro e passageiros acabados de zarpar para o meio do lago Nero.

Santas obras I
Alunos de pintura de frescos entregues às suas obras no interior do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.
À margem

O Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com Lago Nero pelo meio.

Chamas de fé

Fiéis ortodoxas acendem velas em plena nave de uma das igrejas do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

A catedral

Edifício do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com o Lago Nero por detrás.

Missa à vista

Duas gerações de fiéis ortodoxas com o lenço característico, a caminho do serviço religioso

Moda Russa medieval

Visitante russa do kremlin diverte-se num traje de outros tempos..

Barbas da Ortodoxia

Padre Ignatio no Mosteiro Spaso-Yakovlevsky (de Santo Jacob o Salvador).

Atenção Suprema

Visitantes contemplam os frescos no tecto de uma das igrejas ortodoxas do kremlin de Rostov.

Abóbadas do tempo

Cúpulas do kremlin de Rostov, bem acima das muralhas e da sequência de lojas contíguas.

Santas obras II

Alunos de pintura de frescos entregues às suas obras no interior do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

Passageiros inesperados

Barqueiro do lago Nero e gatos desejosos de embarcar.

Barbas da Ortodoxia II

Sacerdote ortodoxo a caminho de um serviço religioso de fim de tarde.

O ensaio

Cena de uma sessão fotográfica casamenteiro no interior do kremlin de Rostov.

Abóbadas do tempo II

Mais cúpulas seculares, as de uma igreja antiga nos arredores de Rostov Veliky.

Sombras do poder

Ciclista local passa em frente às muralhas do kremlin de Rostov.

X 2

Reflexo no pequeno lago no interior do kremlin de Rostov Veliky.

140c5e14-2ac1-495e-b619-76f9be6611e0
É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.

Um Convívio Ortodoxo (mas não muito)

Mais que inesperados, o acolhimento e a visita guiada do padre Ignatio revelam-se mágicos. O sacerdote da igreja ortodoxa russa pouco ou nada falava além do seu dialecto nativo.

Ainda assim, de dentro da sua batina negra, a face bonacheirona e a barba farta quase ruiva de que pendia um grande crucifixo dourado – convencional católico, não o bizantino – emanava uma espécie de “fiquem à vontade, a igreja também é vossa” que nos estimulava e reconfortava.

Padre Ignatio no Mosteiro Spaso-Yakovlevsky, Rostov, Rússia

Padre Ignatio no Mosteiro Spaso-Yakovlevsky (de Santo Jacob o Salvador).

Alexei Kravchenko acompanhava-nos desde o momento em que, na madrugada anterior, tínhamos deixado o aeroporto de Domodedovo, nos arredores de Moscovo.

Percorria, connosco, o labirinto escurecido de escadarias e corredores no interior do Mosteiro Spaso-Yakovlevsky (Santo Jacob o Salvador), há muito venerado como o santuário de São Demétrio de Rostov, um bispo da igreja ortodoxa ucraniana e russa que viveu durante o século XVII.

Alexei traduzia parte das explicações e apelos de Ignatio. Orgulhoso por chegarmos de tão longe e de ali tomarmos conhecimento da sua obra, Ignatio não se poupa a esforços. Subimos por escadarias que servem estruturas complexas de andaimes de madeira erguidos contra as enormes paredes do templo.

Ignatio tinha lá instalado uma autêntica escola de pintura de frescos. Distribuídos por vários níveis e a uma luz com tom de mel, jovens alunos aplicavam-se a pintar originais e réplicas inspiradas na prolífica iconografia ortodoxa.

Alunos de pintura no Mosteiro de Santo Jacob o Salvador, Rostov, Rússia

Trio de alunos de pintura de frescos entregues às suas obras no interior do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

Saudamo-los e espreitamos e fotografamos algumas das obras garridas em curso. Mais preocupados com as trajectórias dos sensíveis pincéis, eles retribuem de forma tímida.

À margem destas imagens religiosas, Ignatio também conhecia a riqueza paisagística que o mosteiro nos podia revelar. Prosseguimos, assim, escadarias acima até chegarmos a um varandim central que nos concede uma vista central da abóboda e cúpulas da maior das igrejas do complexo, com o lago Nero por detrás.

Edifício do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador e Lago Nero, Rostov, Rússia

Edifício do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com o Lago Nero por detrás

Regressamos ao interior de tijolo e vidro da abóboda em que estávamos. Um vulto que surge do nada e quase nos assusta apresenta-se em português e deixa-nos ainda mais atónitos: “Olá, como estão amigos, sejam bem-vindos!”

Consciente da nossa nacionalidade, Ignatio achara por bem convidar um compincha a conhecer-nos. “Sabem onde eu vivo e trabalho?” Começa por nos questionar Serguei. “Não vai ser fácil de adivinharem.”

Provavelmente ainda fruto dos velhos intercâmbios comunistas entre o partido MPLA e a U.R.S.S., médico de profissão, fazia já muito tempo que Serguei integrava a equipa do Hospital Central de Maputo. Falava um português quase fluído que nos manteve à conversa pelo menos, até que Ignatio o voltou a solicitar.

Mosteiro de Santo Jacob o Salvador e Lago Nero, Rostov Veliky, Rússia

O Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com Lago Nero pelo meio

Missa à moda Russa

Daquele recanto elevado, sombrio e esconso do mosteiro, passamos para o seu coro desdobrado. Lá apreciamos a elegância ampla, ortodoxa e multicolor da nave em redor. Do nada, um sacerdote “irmão” de Ignatio trajado com uma casula de um amarelo lustroso aparece e percorre o piso de losangos vermelhos e amarelo-torrados, em trajectórias quase automáticas.

Fiéis ortodoxas no interior igrejas do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador, Rostov, Rússia

Fiéis ortodoxas acendem velas em plena nave de uma das igrejas do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

Aproxima-se da entrada, abençoa um grupo de mulheres crentes, todas elas com os cabelos envoltos em lenços respeitosos. Enquanto isso, outros que vestem batas negras dispõem-se num reduto oposto ao das senhoras. Lá inauguram uma sequência de cânticos litúrgicos intercalados com as palavras da homília.

Naquele cimo panorâmico em que tudo supervisionávamos, a ortodoxia do rito ressoava a dobrar. Entrava-nos pelos ouvidos e pelo cérebro. Com tal volume e gravidade que nos chegava a intimidar.

Tínhamos perdido a noção do tempo. Mesmo se, por aquela altura e àquela latitude, os dias do estivo se mantinham longos, quando deixamos o mosteiro, já a tarde, até então solarenga e resplandecente, apontava às trevas.

Alexei apreciava sobremaneira a Rússia clássica e antiga que nos revelava. Lembrou-se, assim, de uma outra igreja secular, dissimulada no campo verdejante do Yaroslav Oblast (a província da Federação Russa por onde andávamos), a uns 20 km.

Igreja ortodoxa, Rostov, Rússia

Mais cúpulas seculares, as de uma igreja antiga nos arredores de Rostov Veliky

Outra igreja, outra missa

Fiéis ortodoxas a caminho de missa, Rostov, Rússia

Duas gerações de fiéis ortodoxas com o lenço característico, a caminho do serviço religioso

Encantado com a perspectiva de lá acompanharmos o ocaso, incita-nos a fazermos a viagem. Quando nos confrontamos com o seu edifício de tijolinhos esbranquiçados, estava prestes a começar a liturgia local. Mais mulheres de lenço cruzam um portão centrado numa vedação de madeira.

Outras, conversam à sombra do arvoredo circundante. Apressam-se apenas quando por elas passa o sacerdote para ali designado, dono de um caminhar e de um porte soberbo e de feições austeras e sérias que, sob uma batina com longas mangas e de um toucado klobuk, ao contrário do que acontecera com Ignatio, nos inspirava mistério e temor.

Padre ortodoxo, Rostov, Rússia

Sacerdote ortodoxo a caminho de um serviço religioso de fim de tarde

Os fiéis reúnem-se no interior da igreja. Desta feita, ficamos os três a usufruir da bênção que a natureza envolvente nos concedia, deliciados com a brisa suave que fazia as árvores ondular, com os voos picados das andorinhas e o grasnar longínquo dos corvos.

O sol deixa de dar no castro de cúpulas prateadas de outra velha igreja no extremo oposto do caminho e o arrebol coincide com o término do serviço religioso. Dá-nos o sinal por que esperávamos para voltar a Rostov.

Alexei tinha conduzido boa parte da noite anterior entre São Petersburgo e Moscovo, a tempo de nos receber. Nós, tínhamos sofrido algo semelhante para apanharmos o voo.

De volta a Rostov Veliky

Sem surpresas, após um jantar despachado de sopa fria okroshka e de uma espécie de nhoquis a que os russos chamam pelmenis, acompanhados de canecas de kvass (bebida fermentada de centeio) regressamos aos aposentos da Khors Guesthouse & Gallery. Pouco depois, rendemo-nos ao sono que tínhamos em débito.

Ciclista passa em frente ao Kremlin de Rostov, Rússia

Ciclista local passa em frente às muralhas do kremlin de Rostov.

Despertamos com as galinhas e galos da pousada. Deixamos Alexei entregue ao seu cansaço particular e saímos à descoberta. A pousada pouco distava do kremlin de Rostov, uma cidadela muralhada de que despontavam torres e mais torres, e um batalhão de cúpulas sobranceiras.

Sucessivos Ladas, Volgas e relíquias automóveis soviéticas afins passam pela base das muralhas que, ao longo de uma das ruas principais, acolhiam vários dos estabelecimentos comerciais convenientes da cidade. A visão surreal das enormes igrejas aguça-nos a curiosidade e a ansiedade e leva-nos a uma incursão precoce.

Kremlin de Rostov, Rússia

Cúpulas do kremlin de Rostov, bem acima das muralhas e da sequência de lojas contíguas

Uma incursão ao Kremlin

No interior, desvendamos a vida paralela até então oculta do kremlin. Uma sessão fotográfica casamenteira desenrola-se com passagem pelos cantos mais fotogénicos da velha fortaleza.

À beira do seu pequeno lago, sucessivas senhoras vestem trajes medievais, sem grandes hipóteses de rivalizarem com a elegância e leveza pré-matrimonial da noiva. Jovens entregues a pequenas telas batalham com as perspectivas desafiantes das suas pinturas.

Lago interior do Kremlin de Rostov Veliky, Rússia

Reflexo no pequeno lago no interior do kremlin de Rostov Veliky.

E grupos organizados atrás de guias, seguem a simbologia religiosa e a profundeza histórica da panóplia de frescos que, repletos de sábios e santos ortodoxos, decoravam a nave central.

Foram necessários muitos séculos de guerra e paz para Rostov se engrandecer e merecer as visitas e a reverência que lhe são agora dedicadas.

Esses séculos levaram-na de mera povoação da tribo finlandesa Merya, de entreposto comercial viquingue e, depois, cita, a capital de um dos muitos principados que se viram sob controle dos poderosos Tártaros. Pouco depois, a uma das principais cidades do Gran Ducado de Moscovo.

Durante todo este tempo, Rostov manteve-se um assento incontornável dos bispado e arcebispado russo, da religiosidade russa em geral. Erguido durante o século XVII, na ressaca de invasões mongóis e polacas-lituanas, o kremlin que explorávamos estabeleceu o culminar do seu engrandecimento.

E, no entanto, pouco depois, Rostov viu-se ultrapassada em importância administrativa por Yaroslav. O hiato histórico e correspondente marasmo civilizacional em que caiu, não invalida que continue a ser conhecida por Rostov Veliky (a Grande), uma forma também útil de a distinguir da congénere russa Rostov-on-Don, essa, uma cidade moderna, bem maior, às margens do rio Don.

Em busca de cúpulas, de barco a remos

Durante os seus mais de mil anos, Rostov manteve a companhia ora líquida ora gelada do Nero, um lago abastecido por oito rios, mesmo assim, pouco profundo (3.6 m de profundidade máxima, com 13 por 8 km de extensão). Deixamos o Kremlin.

Barqueiro e passageiros no Lago Nero, Rostov Veliky, Rússia

Barqueiro e passageiros acabados de zarpar para o meio do lago Nero.

Caminhamos ao longo da margem imediata, junto aos canaviais anfíbios que antecedem a sua imensidão esverdeada. Passamos por várias das docas e passadiços que servem as izbas (vivendas de madeira) ribeirinhas. Uma dessas estruturas acolhia uma pequena frota de embarcações metálicas de recreio.

Ao chegarmos a outra, um barco aproxima-se de terra e do seu ancoradouro privado. A bordo, um timoneiro cinquentão com chapéu de  comandante naval rema para duas mães e os seus rebentos. A meros cem metros, um vizinho e rival acabado de ancorar é recebido por dois gatos – um preto e um pardo – que o aguardavam, desejosos de embarcar.

Barqueiro e gatos, no lago Nero, Rostov Veliky, Rússia

Barqueiro do lago Nero e gatos desejosos de embarcar.

Contagiados por estas sucessivas cenas de evasão e de lazer, ambicionamos a nossa própria navegação. Alugamos um barco. Saímos disparados a remar para o meio do lago, conscientes da altura a que o Kremlin se projectava e intrigados pelo que a vista de lá nos reservava.

Umas boas dezenas de remadas depois, o anseio confirma-se. Vemos uma floresta de torres e cúpulas destacar-se do fundo verdejante da margem. Umas são prateadas, outras cinza-chumbo, outras ainda verde-escuras, assentes sobre um grande torreão rosa pálido.

Kremlin de Rostov Veliky, Rússia

Cúpulas do kremlin de Rostov, considerado o mais impressionante da Rússia, a seguir ao de Moscovo.

Quanto mais nos distanciamos, mais cúpulas se insinuam contra o céu de fim de tarde, estival e continental, carregado de humidade, azulão a condizer. Quantas mais cúpulas desvendamos, mais a história pomposa de Rostov Veliky e da velha Rússia resplandece e nos deslumbra.

A TAP voa de Lisboa para Moscovo à 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e sábados às 23h10, chegada às 06h20.  Voa de Moscovo para Lisboa à 3ª, 4ª, 6ª, sábados e domingos, às 07h15, chegada às 11h10.

Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.
São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré. Siga a Marinha

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.
Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival.
Suzdal, Rússia

Mil Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.
Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Crocodilos, Queensland Tropical Australia Selvagem
Parques nacionais
Cairns a Cape Tribulation, Austrália

Queensland Tropical: uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e as experiências prévias com o Mal de Altitude que não devemos arriscar subir à pressa.
Salto para a frente, Naghol de Pentecostes, Bungee Jumping, Vanuatu
Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol de Pentecostes: Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.
Marcha Patriota
Cidades
Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado a Formosa. Passados quase 500 anos, mesmo insegura do seu futuro, Taiwan prospera. Algures entre a independência e a integração na grande China.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Verão Escarlate
Cultura

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Casal Gótico
Em Viagem

Matarraña a Alcanar, Espanha

Uma Espanha Medieval

De viagem por terras de Aragão e Valência, damos com torres e ameias destacadas de casarios que preenchem as encostas. Km após km, estas visões vão-se provando tão anacrónicas como fascinantes.

Tatooine na Terra
Étnico
Matmata, Tataouine:  Tunísia

A Base Terrestre da Guerra das Estrelas

Por razões de segurança, o planeta Tatooine de "O Despertar da Força" foi filmado em Abu Dhabi. Recuamos no calendário cósmico e revisitamos alguns dos lugares tunisinos com mais impacto na saga.  
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil
História
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Barcos fundo de vidro, Kabira Bay, Ishigaki
Ilhas
Ishigaki, Japão

Inusitados Trópicos Nipónicos

Ishigaki é uma das últimas ilhas da alpondra que se estende entre Honshu e Taiwan. Ishigakijima abriga algumas das mais incríveis praias e paisagens litorais destas partes do oceano Pacífico. Os cada vez mais japoneses que as visitam desfrutam-nas de uma forma pouco ou nada balnear.
lago ala juumajarvi, parque nacional oulanka, finlandia
Inverno Branco
Kuusamo ao PN Oulanka, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.
Recompensa Kukenam
Literatura
Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima

Perduram no cimo do Mte. Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.
Santas alturas
Natureza

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Parques Naturais
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Missoes, San Ignacio Mini, argentina
Património Mundial UNESCO
San Ignácio Mini, Argentina

As Missões Jesuíticas Impossíveis de San Ignácio Mini

No séc. XVIII, os jesuítas expandiam um domínio religioso no coração da América do Sul em que convertiam os indígenas guarani. Mas as Coroas Ibéricas arruinaram a utopia tropical da Companhia de Jesus
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Personagens
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Banhista, The Baths, Devil's Bay (The Baths) National Park, Virgin Gorda, Ilhas Virgens Britânicas
Praias
Virgin Gorda, Ilhas Virgens Britânicas

Os “Caribanhos” Divinais de Virgin Gorda

À descoberta das Ilhas Virgens, desembarcamos numa beira-mar tropical e sedutora salpicada de enormes rochedos graníticos. Os The Baths parecem saídos das Seicheles mas são um dos cenários marinhos mais exuberantes das Caraíbas.
Peregrinos no cimo, Monte Sinai, Egipto
Religião
Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo de Israel. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.
A Toy Train story
Sobre carris
Siliguri a Darjeeling, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Sociedade
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
manada, febre aftosa, carne fraca, colonia pellegrini, argentina
Vida Quotidiana
Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Vida Selvagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.