Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa


1001 Noites Russas

Cúpulas do kremlin de Rostov, considerado o mais impressionante da Rússia, a seguir ao de Moscovo.

Expedição lacustre

Barqueiro e passageiros acabados de zarpar para o meio do lago Nero.

Santas obras

Alunos de pintura de frescos entregues às suas obras no interior do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

À margem

O Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com Lago Nero pelo meio.

Chamas de fé

Fiéis ortodoxas acendem velas em plena nave de uma das igrejas do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador.

A catedral

Edifício do Mosteiro de Santo Jacob o Salvador com o Lago Nero por detrás.

Missa à vista

Duas gerações de fiéis ortodoxas com o lenço característico, a caminho do serviço religioso

Moda Russa medieval

Visitante russa do kremlin diverte-se num traje de outros tempos..

Barbas da Ortodoxia

Padre Ignatio no Mosteiro Spaso-Yakovlevsky (de Santo Jacob o Salvador).

Atenção Suprema

Visitantes contemplam os frescos no tecto de uma das igrejas ortodoxas do kremlin de Rostov.

Abóbadas do tempo

Cúpulas do kremlin de Rostov, bem acima das muralhas e da sequência de lojas contíguas.

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.

Um Convívio Ortodoxo (mas não muito)

Mais que inesperados, o acolhimento e a visita guiada do padre Ignatio revelam-se mágicos. O sacerdote da igreja ortodoxa russa pouco ou nada falava além do seu dialecto nativo. Ainda assim, de dentro da sua batina negra, a face bonacheirona e a barba farta quase ruiva de que pendia um grande crucifixo dourado – convencional católico, não o bizantino – emanava uma espécie de “fiquem à vontade, a igreja também é vossa” que nos estimulava e reconfortava.

Alexei Kravchenko acompanhava-nos desde o momento em que, na madrugada anterior, tínhamos deixado o aeroporto de Domodedovo, nos arredores de Moscovo. Percorria, connosco, o labirinto escurecido de escadarias e corredores no interior do Mosteiro Spaso-Yakovlevsky (Santo Jacob o Salvador), há muito venerado como o santuário de São Demétrio de Rostov, um bispo da igreja ortodoxa ucraniana e russa que viveu durante o século XVII.

Alexei traduzia parte das explicações e apelos de Ignatio. Orgulhoso por chegarmos de tão longe e de ali tomarmos conhecimento da sua obra, Ignatio não se poupa a esforços. Subimos por escadarias que servem estruturas complexas de andaimes de madeira erguidos contra as enormes paredes do templo.

Ignatio tinha lá instalado uma autêntica escola de pintura de frescos. Distribuídos por vários níveis e a uma luz com tom de mel, jovens alunos aplicavam-se a pintar originais e réplicas inspiradas na prolífica iconografia ortodoxa. Saudamo-los e espreitamos e fotografamos algumas das obras garridas em curso. Mais preocupados com as trajectórias dos sensíveis pincéis, eles retribuem de forma tímida.

À margem destas imagens religiosas, Ignatio também conhecia a riqueza paisagística que o mosteiro nos podia revelar. Prosseguimos, assim, escadarias acima até chegarmos a um varandim central que nos concede uma vista central da abóboda e cúpulas da maior das igrejas do complexo, com o lago Nero por detrás.

Regressamos ao interior de tijolo e vidro da abóboda em que estávamos. Um vulto que surge do nada e quase nos assusta apresenta-se em português e deixa-nos ainda mais atónitos: “Olá, como estão amigos, sejam bem-vindos!”  Consciente da nossa nacionalidade, Ignatio achara por bem convidar um compincha a conhecer-nos. “Sabem onde eu vivo e trabalho?” Começa por nos questionar Serguei. “Não vai ser fácil de adivinharem.”

Provavelmente ainda fruto dos velhos intercâmbios comunistas entre o partido MPLA e a U.R.S.S., médico de profissão, fazia já muito tempo que Serguei integrava a equipa do Hospital Central de Maputo. Falava um português quase fluído que nos manteve à conversa pelo menos, até que Ignatio o voltou a solicitar.

Missa à moda Russa

Daquele recanto elevado, sombrio e esconso do mosteiro, passamos para o seu coro desdobrado. Lá apreciamos a elegância ampla, ortodoxa e multicolor da nave em redor. Do nada, um sacerdote “irmão” de Ignatio trajado com uma casula de um amarelo lustroso aparece e percorre o piso de losangos vermelhos e amarelo-torrados, em trajectórias quase automáticas.

Aproxima-se da entrada, abençoa um grupo de mulheres crentes, todas elas com os cabelos envoltos em lenços respeitosos. Enquanto isso, outros que vestem batas negras dispõem-se num reduto oposto ao das senhoras. Lá inauguram uma sequência de cânticos litúrgicos intercalados com as palavras da homília.

Naquele cimo panorâmico em que tudo supervisionávamos, a ortodoxia do rito ressoava a dobrar. Entrava-nos pelos ouvidos e pelo cérebro. Com tal volume e gravidade que nos chegava a intimidar.

Tínhamos perdido a noção do tempo. Mesmo se, por aquela altura e àquela latitude, os dias do estivo se mantinham longos, quando deixamos o mosteiro, já a tarde, até então solarenga e resplandecente, apontava às trevas.

Alexei apreciava sobremaneira a Rússia clássica e antiga que nos revelava. Lembrou-se, assim, de uma outra igreja secular, dissimulada no campo verdejante do Yaroslav Oblast (a província da Federação Russa por onde andávamos), a uns 20 km.

Outra igreja, outra missa

Encantado com a perspectiva de lá acompanharmos o ocaso, incita-nos a fazermos a viagem. Quando nos confrontamos com o seu edifício de tijolinhos esbranquiçados, estava prestes a começar a liturgia local. Mais mulheres de lenço cruzam um portão centrado numa vedação de madeira.

Outras, conversam à sombra do arvoredo circundante. Apressam-se apenas quando por elas passa o sacerdote para ali designado, dono de um caminhar e de um porte soberbo e de feições austeras e sérias que, sob uma batina com longas mangas e de um toucado klobuk, ao contrário do que acontecera com Ignatio, nos inspirava mistério e temor.

Os fiéis reúnem-se no interior da igreja. Desta feita, ficamos os três a usufruir da bênção que a natureza envolvente nos concedia, deliciados com a brisa suave que fazia as árvores ondular, com os voos picados das andorinhas e o grasnar longínquo dos corvos.

O sol deixa de dar no castro de cúpulas prateadas de outra velha igreja no extremo oposto do caminho e o arrebol coincide com o término do serviço religioso. Dá-nos o sinal por que esperávamos para voltar a Rostov.

Alexei tinha conduzido boa parte da noite anterior entre São Petersburgo e Moscovo, a tempo de nos receber. Nós, tínhamos sofrido algo semelhante para apanharmos o voo.

De volta a Rostov Veliky

Sem surpresas, após um jantar despachado de sopa fria okroshka e de uma espécie de nhoquis a que os russos chamam pelmenis, acompanhados de canecas de kvass (bebida fermentada de centeio) regressamos aos aposentos da Khors Guesthouse & Gallery. Pouco depois, rendemo-nos ao sono que tínhamos em débito.

Despertamos com as galinhas e galos da pousada. Deixamos Alexei entregue ao seu cansaço particular e saímos à descoberta. A pousada pouco distava do kremlin de Rostov, uma cidadela muralhada de que despontavam torres e mais torres, e um batalhão de cúpulas sobranceiras.

Sucessivos Ladas, Volgas e relíquias automóveis soviéticas afins passam pela base das muralhas que, ao longo de uma das ruas principais, acolhiam vários dos estabelecimentos comerciais convenientes da cidade. A visão surreal das enormes igrejas aguça-nos a curiosidade e a ansiedade e leva-nos a uma incursão precoce.

Uma incursão ao Kremlin

No interior, desvendamos a vida paralela até então oculta do kremlin. Uma sessão fotográfica casamenteira desenrola-se com passagem pelos cantos mais fotogénicos da velha fortaleza. À beira do seu pequeno lago, sucessivas senhoras vestem trajes medievais, sem grandes hipóteses de rivalizarem com a elegância e leveza pré-matrimonial da noiva. Jovens entregues a pequenas telas batalham com as perspectivas desafiantes das suas pinturas.

E grupos organizados atrás de guias, seguem a simbologia religiosa e a profundeza histórica da panóplia de frescos que, repletos de sábios e santos ortodoxos, decoravam a nave central.

Foram necessários muitos séculos de guerra e paz para Rostov se engrandecer e merecer as visitas e a reverência que lhe são agora dedicadas. Esses séculos levaram-na de mera povoação da tribo finlandesa Merya, de entreposto comercial viquingue e, depois, cita, a capital de um dos muitos principados que se viram sob controle dos poderosos Tártaros. Pouco depois, a uma das principais cidades do Gran Ducado de Moscovo.

Durante todo este tempo, Rostov manteve-se um assento incontornável dos bispado e arcebispado russo, da religiosidade russa em geral. Erguido durante o século XVII, na ressaca de invasões mongóis e polacas-lituanas, o kremlin que explorávamos estabeleceu o culminar do seu engrandecimento.

E, no entanto, pouco depois, Rostov viu-se ultrapassada em importância administrativa por Yaroslav. O hiato histórico e correspondente marasmo civilizacional em que caiu, não invalida que continue a ser conhecida por Rostov Veliky (a Grande), uma forma também útil de a distinguir da congénere russa Rostov-on-Don, essa, uma cidade moderna, bem maior, às margens do rio Don.

Em busca de cúpulas, de barco a remos

Durante os seus mais de mil anos, Rostov manteve a companhia ora líquida ora gelada do Nero, um lago abastecido por oito rios, mesmo assim, pouco profundo (3.6 m de profundidade máxima, com 13 por 8 km de extensão). Deixamos o Kremlin.

Caminhamos ao longo da margem imediata, junto aos canaviais anfíbios que antecedem a sua imensidão esverdeada. Passamos por várias das docas e passadiços que servem as izbas (vivendas de madeira) ribeirinhas. Uma dessas estruturas acolhia uma pequena frota de embarcações metálicas de recreio.

Ao chegarmos a outra, um barco aproxima-se de terra e do seu ancoradouro privado. A bordo, um timoneiro cinquentão com chapéu de  comandante naval rema para duas mães e os seus rebentos. A meros cem metros, um vizinho e rival acabado de ancorar é recebido por dois gatos – um preto e um pardo – que o aguardavam, desejosos de embarcar.

Contagiados por estas sucessivas cenas de evasão e de lazer, ambicionamos a nossa própria navegação. Alugamos um barco. Saímos disparados a remar para o meio do lago, conscientes da altura a que o Kremlin se projectava e intrigados pelo que a vista de lá nos reservava.

Umas boas dezenas de remadas depois, o anseio confirma-se. Vemos uma floresta de torres e cúpulas destacar-se do fundo verdejante da margem. Umas são prateadas, outras cinza-chumbo, outras ainda verde-escuras, assentes sobre um grande torreão rosa pálido.

Quanto mais nos distanciamos, mais cúpulas se insinuam contra o céu de fim de tarde, estival e continental, carregado de humidade, azulão a condizer. Quantas mais cúpulas desvendamos, mais a história pomposa de Rostov Veliky e da velha Rússia resplandece e nos deslumbra.

A TAP voa de Lisboa para Moscovo à 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e sábados às 23h10, chegada às 06h20.  Voa de Moscovo para Lisboa à 3ª, 4ª, 6ª, sábados e domingos, às 07h15, chegada às 11h10.

Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Filhos da Mãe-Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Tempo de MassKara
Cerimónias e Festividades
Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.
Manobras a cores
Cidades

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Entusiasmo Vermelho
Cultura

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Budismo majestoso
Em Viagem
Circuito Anapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca das Anapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
A galope
Étnico
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Pórtico do tempo
História
Usbequistão

Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão

Os séculos passaram. As velhas e degradadas estradas soviéticas sulcam os desertos e oásis antes atravessados pelas caravanas da Rota da Seda. Sujeitos ao seu jugo durante uma semana, vivemos cada paragem e incursão nos lugares e cenários usbeques como recompensas rodoviárias históricas.
Perigo: correntes
Ilhas
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Frígida pequenez
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Capacete capilar
Natureza

Viti Levu, Fiji

Velhos Passatempos de Fiji: Canibalismo e Cabelo

Durante 2500 anos, a antropofagia fez parte do quotidiano de Fiji. Nos séculos mais recentes, a prática foi adornada por um fascinante culto capilar. Por sorte, só subsistem vestígios da última moda.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Campo de géiseres
Parques Naturais

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Tédio terreno
Património Mundial UNESCO
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Praia soleada
Praias

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Ferry Nek Luong
Religião

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

À pendura
Sobre carris

São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.

Ijen-Inferno
Sociedade

Vulcão Ijen, Indonésia

Escravos do Enxofre

Centenas de javaneses entregam-se ao vulcão Ijen onde são consumidos por gases venenosos e cargas que lhes deformam os ombros. Cada turno rende-lhes menos de 30€ mas todos agradecem o martírio.

Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Glaciar Meares
Vida Selvagem

Prince William Sound, Alasca

Alasca Colossal

Encaixado contra as montanhas Chugach, Prince William Sound abriga alguns dos cenários descomunais do 49º estado. Nem sismos poderosos nem uma maré negra devastadora afectaram o seu esplendor natural.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.