Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique


Ao fim da tarde

Pescadores a bordo dos seus dhows ao largo da costa norte da Cidade de Pedra.

Na meia-sombra

Miúdos brincam em frente à fachada da igreja da Misericórdia.

Fé em fila

Crentes prostrados no interior da mesquita da rua da Solidariedade, a maior da Ilha de Moçambique.

Dados lançados

Amigos jogam um jogo de tabuleiro decorado com os logotipos de Benfica, Barcelona, Sporting e a imagem de Cristiano Ronaldo.

Islão gizado

Fiel muçulmano reza em frente a um quadro com directivas religiosas e comportamentais.

Tempo de navegação

Pescadores em pequenas canoas de pesca em frente à fortaleza de São Sebastião.

Acima da história

Transeuntes em redor da estátua de Vasco da Gama, em frente ao Museu Marítimo da ilha.

Uma boa compra

Mulheres exibem um polvo acabado de comprar a pescadores, nas imediações do Fortim de Santo António.

Só porque sim

Adolescentes beijam-se junto a uma ambulância estacionada em frente à mesquita da rua da Solidariedade.

Um avenida em pastel

Transeuntes na avenida Amilcar Cabral, uma das principais artérias da Cidade de Pedra.

Passo a passo

Mulheres muçulmanas passam em frente ao velho hospital da Ilha de Moçambique, em tempos, o mais antigo da África Austral.

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Ao nosso lado, durante as mais de três horas de aperto no chapa que ligava Nampula à Ilha de Moçambique, uma jovem mãe moçambicana com óbvia genética indiana conversa com a pequena filha e atura-lhe as birras.

Fala-lhe sempre de forma altiva, bem audível aos restantes passageiros e com um delicioso sotaque pós-colonial  que nos é mais perceptível que o de muitos portugas. Quando chegamos ao fim dos 4km da ponte estreita que liga o continente à Ilha de Moçambique e da viagem extensa e desgastante a partir da Gorongosa, essa passageira exuberante explica ao motorista onde fica o Terraço das Quitandas.

Sr. António, o anfitrião desta casa de hóspedes deslumbrante e repleta de história dá-nos as boas-vindas.

Tomamos duches recompensadores e dormimos até mais não. Voltamos a vê-lo no primeiro pequeno-almoço com a sua companhia, um repasto revigorante em que conversamos sobretudo da epopeia rodoviária por que tínhamos passado.

Moçambicano de origem portuguesa, de bem antes da guerra colonial e da independência, António fala-nos das suas experiências de vida em Lichinga, a capital da província do Niassa e das viagens que mais o marcaram a ele. Conversamos até que o magnetismo da Ilha de Moçambique nos atrai sem apelo e nos remete para as suas ruas seculares.

Do Terraço das Quitandas ao Forte Massivo de São Sebastião

Seduz-nos o imaginário do grande forte, o maior da África sub-saariana, construído entre 1558 e 1620, com pedras que chegaram à ilha enquanto balastros de embarcações portuguesas. Já munidos de um pequeno mapa, damos com ele nuns poucos minutos. Adílio e Hélio, dois putos da ilha aspirantes a guias, metem conversa com modos brandos.

Seguem-nos a tagarelarem entre si e com vizinhos que encontravam pelo caminho. Usam o dialecto macua. Connosco, um curioso português juvenil.

Acabam por nos oferecer inúmeras informações importantes e uma companhia afável que se prolongaria até ao anoitecer. Nos dias seguintes, substitui-os Omar, um vendedor ambulante de chamuças dos seus 14 ou 15 anos.

Fortaleza de São Sebastião, Ilha de Moçambique

Casal conversa protegido do sol forte e com vista para a fortaleza de São Sebastião

Contemplamos a fortaleza de São Sebastião pela primeira vez da ponta de um pequeno areal branco, cercado pela orla cristalina do oceano Índico.

Por essa altura, três pescadores lançam canoas à água. Não tardam a contornar a aresta mais anfíbia da fortaleza e a desaparecer por detrás.

Deixamos aquele recanto balnear. Passamos em frente a uma tal de loja de moda “Uso Africano. Ali diante, um grupo de amigos joga num tabuleiro decorado com símbolos do Benfica, Barcelona, Sporting e uma pintura icónica de CR7, em cada canto do quadrado.

Jogo tradicional da ilha de Moçambique

Amigos jogam um jogo de tabuleiro decorado com os logotipos de Benfica, Barcelona, Sporting e a imagem de Cristiano Ronaldo.

Hélio e Adílio sabem que o forte está fora da sua área de influência e ficam a acompanhar o passatempo. Em vez deles, guia-nos um vendedor de moedas antigas feito com o guarda do monumento para nos acompanhar sem ter que pagar a entrada.

O barão de armas da Coroa Portuguesa insinua-se-nos no topo do velho portal que atravessamos. À medida que percorremos os adarves amplos, rendemo-nos à reminiscência dos feitos lusos de outros tempos.

A Ancoragem Marcante de Vasco da Gama

Vasco da Gama chegou à ilha em 1498, quando almejava completar o caminho marítimo para a Índia das especiarias. Após meses de navegação ao longo da costa selvagem de África, surpreendeu-se ao constatar o quão civilizado era o lugar, diz-se que um importante polo comercial e espécie de estaleiro naval então povoado por habitantes suaílis e negros, governado por um emir vassalo do sultão da vizinha Zanzibar.

O emir respondia a Ali Mussa bin Bique, com variações deste nome ao longo dos tempos: Musa ibn Bique, Ali Musa Biki, Ali Mussa bin Bique e outros. Fosse qual fosse a sua graça, os portugueses não tardaram a regressar e a removê-lo do seu posto.

Até 1507, estabeleceram um porto e uma espécie de base naval abençoada pela Capela de Nossa Senhora de Baluarte. É, há muito, considerada o edifício colonial decano do Hemisfério Sul. Mais para a frente no século XVI, a “Cidade de Pedra” dos novos colonos tornou-se a capital do território português da África Oriental.

Pescadores na praia junto ao forte de São Sebastião, Ilha de Moçambique

Pescadores em pequenas canoas de pesca em frente à fortaleza de São Sebastião.

O forte que contornávamos protegeu de ataques dos rivais holandeses uma intensa actividade missionária e o comércio de escravos, de especiarias e de ouro. Daí em diante, as infraestruturas não pararam de aumentar e enriqueceram a colónia. Incluíram aquele que foi considerado por muitos anos o maior hospital da África Sub-Sahariana.

A Herança Portuguesa em Contraste com as Etnias Moçambicanas

Com o tempo, a Ilha de Moçambique dividiu-se entre uma área nuclear que concentrou os edifícios históricos imponentes: a tal Cidade de Pedra e, outra adjacente, residencial, repleta de casas de pescadores térreas e humildes: Makuti.

Regressarmos do forte pela Av. dos Continuadores. Internamo-nos na Cidade de Pedra, pela frente do Palácio e capela de São Paulo, agora coloridos com um vermelho predominante de frisos brancos que, apesar de gastos pelo sol tropical e pela maresia, contrastam com o céu azulão.

Estátua de Vasco da Gama, e Museu Marítimo, Ilha de Moçambique

Transeuntes em redor da estátua de Vasco da Gama, em frente ao Museu Marítimo da ilha.

Erguido em 1610 enquanto colégio jesuíta, o palácio acolheu, mais tarde, o governador. Hoje, é o Museu Marítimo da Ilha de Moçambique. A condizer, uma estátua soberba a Vasco da Gama em frente da sua fachada principal perscruta a Baía de Mossuril. Tal como aconteceria no tempo do navegador, dhows coloridos estão ancorados no litoral manso abaixo.

O Palácio de São Paulo dá para uma outra praça delimitada pela igreja da Misericórdia e por casarões coloniais impressionantes. Destes, o Terraço das Quitandas é um dos mais impressionantes.

Este templo de esquina, em particular, abriga um crucifixo esculpido ao estilo da arte maconde. Continua a acolher missas e a fé dos habitantes cristãos, uma minoria nesta Ilha de Moçambique, há muito do Islão.

Igreja da Misericórdia, Ilha de Moçambique

Miúdos brincam em frente à fachada da igreja da Misericórdia.

Cortamos para a avenida Amílcar Cabral. Caminhamos arrastados por uma maré de estudantes de uniforme azul e branco que, de regresso da escola, conversam com estrilho. Uma parte deles segue à sombra das arcadas da rua. Outros, preferem o meio da via que é limitada pelo casario em redor, por velhas mansões que se sucedem com distintos tons de pastel.

As Aventuras e Desventuras de Luís de Camões na Ilha de Moçambique

Na rua paralela e marginal dos Combatentes, a casa em que viveu Luís de Camões preserva um reboco similar. Por restaurar, degrada-se a olhos vistos.

Camões habitou na Ilha de Moçambique entre 1567 e 1569. Vinha de Goa e instalou-se por algum tempo na expectativa que o amigo Diogo do Couto o lá encontrasse e ajudasse a reunir dinheiro para a passagem para Lisboa. Na ilha, terá ultimado “Os Lusíadas” antes de mandar editar a obra na capital do Império.

É ainda possível que Bárbara “aquela cativa que me tem cativo” fosse uma escrava negra que lá conheceu. Seria muito provavelmente moçambicana e dela se terá despedido com profundo desgosto.

Deixamos a casa do poeta entregue à erosão. Prosseguimos Rua dos Combatentes abaixo rumo ao sudoeste da ilha. Ao longo desta outra via marginal, o Índico ciano encontra o seu limite num velho muro colonial. A apenas uns metros, o muro dá lugar à enseada e à praia gentil que servem de recreio ao bairro makutiano do Areal.

Pescadores negoceiam peixes, polvos e chocos com algumas jovens donas de casa. Duas delas, embrulhadas em hijabs e capulanas exuberantes ficam com os moluscos. Exibem-nos o triunfo do regateio e apontam aos seus afazeres vespertinos.

Moradores exibem pescado, ilha de Moçambique

ulheres exibem um polvo acabado de comprar a pescadores, nas imediações do Fortim de Santo António.

Os miúdos do bairro aproveitam essa curta interacção e cercam-nos. “Akunha! akunha!” (Brancos! Brancos!) gritam determinados a reclamar a atenção fotográfica do seu contentamento.

Negociamos o resto da caminhada pela Ilha de Moçambique com a paciência possível. Até às imediações do Fortim de Santo António e da colónia de coqueiros frondosos e hirtos que o acompanham.

Mussiro, a Máscara Solar e da Beleza Moçambicana

Nas imediações, um grupo de mulheres descasca feijão em amena cavaqueira. Uma delas, mais velha, resguarda-se do sol com uma exuberante máscara mussiro. O Mussiro é o ecrã solar natural destas paragens, feito à base de uma substância vegetal há séculos usada pelas “muthiana orera”, as meninas bonitas da região de Nampula.

Orgulhosa, a senhora dá-nos autorização para a fotografarmos mas é alertada pelas outras que uma parte da máscara se havia dissipado. “Venham comigo” incita-nos. “Vamos já tratar disto!”

Seguimo-la pelo meio do casario de pedra, barro e cana do Bairro do Areal. Acompanham-nos dezenas de vizinhos entusiasmados pela inesperada expedição. Chegados a sua casa, ela entra. Regressa pouco depois com um estojo de beleza casual, senta-se e reconstitui a máscara o melhor que sabe.

Moradora da ilha de Moçambique compõe máscara de mussiro, Moçambique

Moradora da Ilha de Moçambique retoca a sua máscara mussiro antes danificada pelo suor inevitável nestas latitudes tropicais.

Nós, apreciamos e registamos aquela fascinante arte facial. Até que a senhora nos exibe o trabalho perfeito, lhe agradecemos e voltamos todos ao ponto de partida.

A algumas centenas de metros, com a extremidade sul da ilha na iminência, damos com a longa ponte que a une ao continente. Uma funcionária de uniforme controla a cancela que determina a passagem do tráfego para lá ou para cá. Nos intervalos, conversa à sombra da sua cabine.

Ilha de Moçambique: Legado do Islão e da Escravatura

Invertemos caminho, agora pela rua da Solidariedade que percorre a orla oeste do casario de Makuti. Passamos à porta da sede local da RENAMO. Depois, por um porto de pescadores de alto-mar entregues à faina. Logo, pela maior mesquita da ilha, verde e branca, como sugerem os preceitos muçulmanos.

O chamamento do muezzin local não tarda a apelar a nova comunhão dos homens muçulmanos com Alá.

Crentes muçulmanos na ilha de Moçambique

Crentes prostrados no interior da mesquita da rua da Solidariedade, a maior da Ilha de Moçambique

Algures por ali, a Rua da Solidariedade converte-se em rua dos Trabalhadores. No mercado de peixe, como é usual, fornecedores e vendedoras alimentam discussões dramáticas e ruidosas que divertem os transeuntes mais espirituosos.

Escutamo-las quase até à entrada do Jardim da Memória, onde, ao invés, o tema abordado só pode ser levado a sério.

Desde o fim do século XVI ao virar do século XX e, em boa parte desse tempo, à revelia da Coroa Portuguesa, a Ilha de Moçambique manteve-se um entreposto esclavagista que processou o tráfico de nativos do leste de África sobretudo para as Ilhas do Índico ao largo de Moçambique ou para norte (Maurícia, Reunião, Madagáscar, Seychelles) mas também para o Brasil.

O Tráfico Esclavagista Português, na Senda do Zanzibariano

O tráfico já era levado a cabo por negreiros árabes radicados em Zanzibar que operavam no norte de Moçambique. Ali, com a conivência de chefes muçulmanos macuas e de outras etnias, capturavam grandes contingentes de indígenas em redor do lago Niassa e desciam o litoral para os vender.

Ao se apoderarem da ilha, os portugueses forçaram a sua participação nesse tráfico, mantendo os captivos e enviando-os de lá para os seus destinos finais. Situado mesmo à beira do Índico, o Jardim da Memória foi erguido para recuperar a realidade atroz dessa era colonial.

Quando o visitamos, cruzamos a história desde os tempos de Ali Musa Bique rumo à independência da Moçambique. A ilha, desvendámo-la até não podermos mais. Em seguida, viajámos até uma irmã histórica incontornável: Ibo, no arquipélago das Quirimbas.

Mais sobre a Ilha de Moçambique na página respectiva da UNESCO.

Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor

Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Montanha da Mesa sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.
Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Príncipe, São Tomé e Príncipe

O Nobre Retiro de Príncipe

A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, a ilha do Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Sirocco
Arquitectura & Design

Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela estética e pelo modernismo inspirada pela vizinha Escandinávia.

Aterragem sobre o gelo
Aventura

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.

Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Cerimónias e Festividades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Minhocas
Cidades

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Celebração Nahuatl
Cultura

Cidade do México, México

Alma Mexicana

Com mais de 20 milhões de habitantes numa vasta área metropolitana, esta megalópole marca, a partir do seu cerne de zócalo, o pulsar espiritual de uma nação desde sempre vulnerável e dramática.

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Eternal Spring Shrine
Em Viagem

Garganta de Taroko, Taiwan

Nas Profundezas de Taiwan

Em 1956, taiwaneses cépticos duvidavam que os 20km iniciais da Central Cross-Island Hwy fossem possíveis. O desfiladeiro de mármore que a desafiou é, hoje, o cenário natural mais notável da Formosa.

Pequeno navegador
Étnico

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
História
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Sodade, Sodade

A voz de Cesária Verde cristalizou o sentimento dos caboverdeanos que se viram forçados a deixar a sua ilha. Quem visita São Nicolau percebe porque lhe chamam, para sempre e com orgulho, "nha terra".
Brigada incrédula
Ilhas

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Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.

Doca gelada
Inverno Branco

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Salto fingido
Natureza

Chapada Diamantina, Brasil

Bahia de Gema

Até ao final do séc. XIX, a Chapada Diamantina foi uma terra de prospecção e ambições desmedidas.Agora que os diamantes rareiam os forasteiros anseiam descobrir as suas mesetas e galerias subterrâneas

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Parques Naturais

Glaciares

Planeta Azul-Gelado

Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Glamour vs Fé
Património Mundial UNESCO
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Praia soleada
Praias

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
Circuito Anapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
Assento do sono
Sobre carris

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Cabana de Brando
Sociedade

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.