Flam a Balestrand, Noruega

Onde as Montanhas Cedem aos Fiordes


O fiorde porto de Flam
Navio cruzeiro ancorado em Flam.
Fotografia em Tandem
Entusiasmo fotográfico com a bandeira norueguesa a ondular em fundo.
Um Ferry Futurista
Ferry no Aurlandfjord, um dos inúmeros fjordes que sulcam a Noruega.
Sem Perder Rasto
Passageira resiste a um momento de meteorologia agreste, a bordo do M:S Viking Tor.
No Sopé do Fiorde
Povoação à beira do Sognefjord.
Passageiros-ferry M:S Viking Tor-Aurlandfjord-Noruega
Povoação-Sognefjord-Noruega
Balestrand
A zona portuária de Balestrand, à entrada do Sognefjord.
Recortes do Sognefjord
Braço do Sognefjord sob nuvens pesadas.
A estação final do Flam Railway, marca o término da descida ferroviária vertiginosa das terras altas de Hallingskarvet às planas de Flam. Nesta povoação demasiado pequena para a sua fama, deixamos o comboio e navegamos pelo fiorde de Aurland abaixo rumo à prodigiosa Balestrand.

A composição do Flamsbana termina a lenta desaceleração e imobiliza-se. Entusiasmados pela beleza e imponência dos cenários que ficaram para trás, os passageiros desembarcam ansiosos por ver o que Flam lhes reservava.

Posicionado junto a uma carruagem, composto debaixo do seu chapéu de oficial, de camisa branca e gravata azul, Malvin Midje, um funcionário da empresa estatal norueguesa de caminhos de ferro, dá-lhes as boas-vindas e supervisiona o fluxo da gente em direcção à saída da gare e às margens do profundo Aurlandsfjord.

O que descobrimos é o limiar apenas e só turístico de Flam: um edifício amarelo-torrado erguido em madeira segundo as normas da arquitectura local, repleto de artesanato e recordações desta Noruega de natureza exuberante.

Cruzeiro, Flam, Aurlandfjord, Noruega

Navio cruzeiro ancorado em Flam.

Um ancoradouro mais ou menos ao nível dos 59 metros de altitude a que se situa a povoação. A pouca distância, um gigantesco navio-cruzeiro que rivaliza com as falésias verdejantes em redor e ridiculariza a pequenez apesar de tudo campestre de Flam.

Nesse dia, era apenas um o cruzeiro ancorado. Noutros, podem contar-se dois e, neste caso, lançam sobre Flam uma enxurrada de até cinco mil forasteiros.

É preciso recuar muito para encontrarmos uma Flam dissociada do turismo. Existem registos da vila, com este mesmo nome traduzido como “plano” desde pelo menos 1340.

A partir do meio do século XIX, a povoação começou a ser invadida todos os verões por visitantes ingleses que chegavam em grandes barcos, abrigavam-se com os proprietários rurais da zona – em especial com um tal de Christen Fretheim e tinham como programa pescar o salmão que subia os vários rios em redor, incluindo o Flam.

A sua presença tornou-se tão regular e aristocrata que os moradores de Flam os começaram a tratar por “lordes do salmão”.

Deslumbrados pelos cenários e pela vida exótica no campo norueguês, alguns desses lordes faziam de tudo para prolongar as suas estadas. Depois do fim da época do salmão, começava a da caça à rena. Também este seu novo hobby passou a justificar o adiar da partida.

Em 1879, a família Fretheim estava tão rica como pelas costuras de acolher ingleses em sua casa. Resolveu-se a erguer um edifício à parte que chamaram de “The English Villa”. Este edifício foi aumentado e renovado vezes sem conta até redundar no Hotel Fretheim dos nossos dias, de longe o mais histórico de Flam.

Chegado o ano de 1923, os trabalhos de construção de uma linha férrea ambiciosa voltaram a revolucionar a rotina rural-turística do lugarejo. Volvidos dezanove anos, os comboios já circulavam serrania acima e abaixo, a vapor, claro está. Flam nunca mais seria a mesma. E estavam por chegar mais mudanças.

Decorridos outros vinte anos, tinha já a Europa Ocidental recuperado da catástrofe da 2ª Guerra Mundial, os primeiros cruzeiros começaram a percorrer os 29km do Aurlandsfjord, quase até ao seu fim. Por essa altura, não existiam ancoradouros à altura pelo que os navios ficavam ancorados a alguma distância da povoação.

Em 2000, Flam recebeu o seu porto de navios e passou a acolher cruzeiros de vários calados. Hoje, são cerca de 160 por ano os que lá fundeiam para proveito financeiro dos habitantes que, sem excepção, deixaram as actividades agrícolas ou piscatórias a que antes se dedicavam, rendidos aos lucros quase imediatos das lojas, tours e outros negócios e actividades.

Como acontece em todo o lado a que chegam, os cruzeiros geram níveis excessivos de perturbação da harmonia local e poluição.

Flam e os Aurlandsfjord e Sognefjord – à imagem de Geiranger e outras partes da idílica Noruega – têm sofrido esses mesmos transtornos. De tal maneira que os protestos reclamantes de fiordes livres de cruzeiros ganham adeptos em catadupa, alguns deles bem mediáticos.

Entusiasmo fotográfico, ferry M:S Viking Tor, Aurlandfjord, Noruega

Entusiasmo fotográfico com a bandeira norueguesa a ondular em fundo.

Não íamos embarcar num desses colossos do mar mas num dos ferries normais que liga Flam a Bergen, a segunda cidade norueguesa situada no litoral ainda distante do Mar do Norte. Esperava-nos uma fila ordeira e multinacional de passageiros em boa parte saídos do Flam Railway.

Subimos a bordo com o tempo solarengo. E com tempo para admirarmos o remate do Aurlandsfjord em redor, malgrado todas as transformações, aqui e ali ainda salpicado das pequenas casas de madeira brancas e vermelhas, algumas junto à base de quedas d’água que se precipitam pelas vertentes.

Foram as primeiras de dezenas porque passaríamos durante a navegação, todas elas abastecidas pelo degelo dos cimos nevados que, no caso do Aurlandsfjord, ascendem a impressionantes 1400 metros de altitude.

O comandante dá uma buzinadela de aviso da partida iminente. Conscientes de que se trata de uma das viagens da sua vida, os passageiros mais ansiosos precipitam-se para o varandim panorâmico sobre a popa. Durante um bom tempo, disputam o espaço e as fotografias e vídeos com uma fúria varengue.

Como quase sempre acontece na Noruega, a meteorologia tem planos próprios. Não tarda a impor a sua vontade.

À medida que avançamos para norte, um bando de nuvens escuras e densas vindas do oceano interna-se no fiorde, lança um vento gélido premonitório e, pouco depois, uma bátega.

Braço do Sognefjord-Noruega

Braço do Sognefjord sob nuvens pesadas.

A chuvada quebrou de vez a teimosia dos passageiros mais resistentes. Se quase todos se haviam já enfiado no interior da cabine, estes últimos não tardaram a seguir o exemplo.

Passageira agasalhada-ferry M:S Viking Tor, Aurlandfjord, Noruega

Passageira resiste a um momento de meteorologia agreste, a bordo do M:S Viking Tor.

Excepção feita a uma mulher enfiada num impermeável escuro que apostada em ritualizar o momento, enfrentou o temporal de braços abertos sobre o varandim, ao lado da bandeira branca, vermelha e azul da Noruega que, segundo ditam os preceitos nacionais norse, não pode tocar o chão, nem ser usada no corpo abaixo da cintura. O vendaval fazia-a chicotear o ar em redor sem clemência.

Como veio, a intempérie deu lugar ao sol. Esta não seria a última alternância meteorológica do percurso.

Enquanto isso, a passagem pelas povoações ribeirinhas de um lado ou do outro do fiorde suscitava sucessivas correrias de regresso ao convés panorâmico. Avistámos Aurlandsvagen, a estibordo, com as casas dos seus quase oitocentos habitantes disseminadas pelo sopé de uma encosta íngreme.

Povoação, Sognefjord, Noruega

Povoação à beira do Sognefjord.

Das imediações desta povoação, faz-se à encosta uma das estradas idolatradas da Noruega, a Aurlandsfjellet. Com 45km, sobe do nível do fiorde ao planalto desolado e repleto de rochedos que separa Aurland de Laerdal. Só por si, os primeiros 8km já representam um trajecto-experiência memorável.

Conduzem a Stegastein, um dos pontos de observação extremos de toda a região, proporcionado por um passadiço-varandim de madeira destacado cerca de 30 metros da face rochosa da montanha, 650 metros acima do fiorde e com vista para dois dos seus meandros inaugurais.

Como seria de prever, a inclinação da também estreita e sinuosa Aurlandsfjellet – uma verdadeira montanha russa – torna-a impraticável durante o longo Inverno, quando a neve e o gelo a cobrem e recobrem de um momento para o outro. Até mesmo no meio do Verão, ilhas de neve ladeiam o asfalto. Por alguma razão os moradores a tratam por Snovegen, a Estrada da Neve.

Segue-se o lugarejo de Unredal, que avistamos a bombordo, num aperto do fiorde após um dos seus esses, instalado na desembocadura de um vale glaciar apertado. Logo, Fronningen e Fresvik, em bordos opostos do navio. A primeira junto à confluência do Lustrafjorde com o Aurlandsfjord.

Navegávamos sobre o hidrodinâmico e moderno “M/S Viking Tor”. Mais que o mero deslumbre, os caprichos geológicos magnânimos em redor inspiravam nos vários imaginários incursões surreais à era das trevas destes confins quase boreais do mundo.

Sonhos de frotas de drakkar com grandes velas à bolina, impulsionados a dobrar pelas remadas dos guerreiros do deus do trovão e do relâmpago, das tempestades e da fertilidade.

“Da fúria dos nórdicos, livrai-nos Senhor!” diz-se que assim imploravam os monges saxões protecção a Deus quando os salteadores escandinavos invadiam os seus mosteiros, como fizeram tão para sul como Lisboa, Sevilha e, Mediterrâneo adentro até à península itálica.

A leste, pelo Volga e Mar Negro acima, já convertidos no povo Rus da génese da Rússia, até cercarem a poderosa Constantinopla com estima-se que para cima de 200 drakkar e levarem ao desespero o Imperador Bizantino Michael III.

Se, por essa altura, o vislumbre dos viquingues suscitava nas povoações e inimigos visados temor e tremor, tanto os domínios de que zarpavam como o seu legado civilizacional são hoje motivo de uma consistente exaltação.

Por altura de Fresvik e de Slinde, os contornos do Sognefjord obrigam o “M/S Viking Tor” a flectir para oeste. A base do desfiladeiro inundado prova-se suficientemente suave para acolher estradas providenciais: a 55 que o acompanha até Balestrand e por muitos quilómetros adicionais, até uma distante Vadheim. Na margem oposta, uma via secundária que conduz à não menos importante estrada 13.

Indiferente aos triunfos da engenharia civil e da modernidade, o Rei dos Fiordes Noruegueses prolonga a sua demanda de 204km pelo mar. Durante quase metade dessa extensão, atinge mais de mil metros de profundidade e entre 5 a 6 km de largura.

O mais longo e profundo dos fiordes noruegueses é, ao mesmo tempo, o segundo mais extenso à face da Terra. Supera-o apenas o vizinho da Gronelândia Scoresby Sund que se prolonga por descomunais 348 km.

Balestrand, Sognefjord, Noruega

A zona portuária de Balestrand, à entrada do Sognefjord.

Passamos por Hermansverk e por Liekanger. O “M/S Viking Tor” contorna a península de Vangsnes.

Balestrand, o nosso destino dessa tarde fica à vista com as montanhas afiadas e pardas de neve do Esefjord como fundo. Identificamos dois pontões saídos da base da vertente e sobre eles, a secção ribeirinha da povoação.

Atracamos num molhe encharcado de uma chuva recente que dá para uma rua delimitada por casas de madeira de cores claras.

Desembarcados, reorientamo-nos e, num ápice, damos com o hotel Kviknes em que nos iríamos hospedar, uma espécie de Fretheim local. Não chegámos como lordes e o salmão ser-nos-ia servido já empratado. Só tínhamos um dia. Nesse tempo irrisório, o Kviknes Hotel e Balestrand entraram para a nossa história.

 

Mais informações e reservas de tours “Sognefjord in a Nutshell” em www.fjordtours.com

 

Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Magma Geopark, Noruega

Uma Noruega Algo Lunar

Se recuássemos aos confins geológicos do tempo, encontraríamos o sudoeste da Noruega repleto de enormes montanhas e de um magma incandescente que sucessivos glaciares viriam a moldar. Os cientistas apuraram que o mineral ali predominante é mais comum na Lua que na Terra. Vários dos cenários que exploramos no vasto Magma Geopark da região parecem tirados do nosso grande satélite natural.
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.
Oslo, Noruega

Uma Capital (sobre) Capitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum "Barco do Amor". Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o quebra-gelo Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Cena de rua, Guadalupe, Caribe, Efeito Borboleta, Antilhas Francesas
Parques nacionais
Guadalupe, Antilhas Francesas

Guadalupe: Um Caribe Delicioso, em Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
planicie sagrada, Bagan, Myanmar
Arquitectura & Design
Bagan, Myanmar

A Planície dos Pagodes, Templos e Redenções Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Aventura
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Bom conselho Budista
Cerimónias e Festividades
Chiang Mai, Tailândia

300 Wats de Energia Espiritual e Cultural

Os tailandeses chamam a cada templo budista wat e a sua capital do norte tem-nos em óbvia abundância. Entregue a sucessivos eventos realizados entre santuários, Chiang Mai nunca se chega a desligar.
Habitante de Mindelo, a capital de São Vicente e a capital cultural de Cabo Verde
Cidades
São Vicente, Cabo Verde

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.
Máquinas Bebidas, Japão
Comida
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Tatooine na Terra
Cultura
Matmata, Tataouine:  Tunísia

A Base Terrestre da Guerra das Estrelas

Por razões de segurança, o planeta Tatooine de "O Despertar da Força" foi filmado em Abu Dhabi. Recuamos no calendário cósmico e revisitamos alguns dos lugares tunisinos com mais impacto na saga.  
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Fim do dia no lago da barragem do rio Teesta, em Gajoldoba, Índia
Em Viagem
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Forte de São Filipe, Cidade Velha, ilha de Santiago, Cabo Verde
Étnico
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
História
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
tarsio, bohol, filipinas, do outro mundo
Ilhas
Bohol, Filipinas

Umas Filipinas do Outro Mundo

O arquipélago filipino estende-se por 300.000 km² de oceano Pacífico. Parte do sub-arquipélago Visayas, Bohol abriga pequenos primatas com aspecto alienígena e as colinas extraterrenas de Chocolate Hills.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Inverno Branco
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
Na pista de Crime e Castigo, Sao Petersburgo, Russia, Vladimirskaya
Literatura
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Twelve Apostles, Great Ocean Road, Victoria, Austrália
Natureza
Great Ocean Road, Austrália

Oceano Fora, pelo Grande Sul Australiano

Uma das evasões preferidas dos habitantes do estado australiano de Victoria, a via B100 desvenda um litoral sublime que o oceano moldou. Bastaram-nos uns quilómetros para percebermos porque foi baptizada de The Great Ocean Road.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Punta Cahuita
Parques Naturais

Cahuita, Costa Rica

Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral costariquenho tão afro quanto caribenho. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.

Submarino Vesikko, Suomenlinna, Helsínquia, Finlândia
Património Mundial UNESCO
Helsínquia, Finlândia

A Fortaleza em Tempos Sueca da Finlândia

Destacada num pequeno arquipélago à entrada de Helsínquia, Suomenlinna foi erguida por desígnios político-militares do reino sueco. Durante mais de um século, a Rússia deteve-a. Desde 1917, que o povo suómi a venera como o bastião histórico da sua espinhosa independência.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Personagens
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Tambores e tatoos
Praias

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Templo Kongobuji
Religião
Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir do Monte Koya, pode ser ainda mais fácil.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
Teleférico de Mérida, Renovação, Venezuela
Sociedade
Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução a partir de 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida foi levada a cabo na Sierra Nevada por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.
Visitantes nas ruínas de Talisay, ilha de Negros, Filipinas
Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Vai-e-vem fluvial
Vida Selvagem

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.