Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor


South African Geographic
Moldura na Waterfront da Cidade do Cabo enquadra a Table Mountain que serve de fundo à cidade.
Repouso bellevue
Trabalhador das docas da Cidade do Cabo repousa sobre um navio, com a toalha de mesa de nuvens posta sobre a Table Mountain, em fundo.
Luzes de mesa
A noitinha cerca a Table Mountain, vista do cimo da Lion's Head.
Foto Ioga
Visitantes da Table Mountain fazem uma pausa fotográfica num dos trilhos que percorre o cimo da Montanha da Mesa.
Table vs Table
O perfil integral da Table Mountain de um areal da Table Bay, a norte da Cidade do Cabo.
Decoração Balnear
Homem inscreve grafismos no areal da Glen Beach com os Twelve Apostles em fundo.
Mesa posta
A famosa tablecloth (toalha de mesa de nuvens) cobre a Table Mountain, como vista da Waterfront da Cidade do Cabo.
Moldura náutica
Passageiros do ferry que liga a Cidade do Cabo à Robben Island onde Nelson Mandela esteve aprisionado durante os anos do Apartheid sul-africano contemplam a Table Mountain a distanciar-se.
Um imponente fundo urbano
Parte do Devil's Peak surge por detrás dos edifícios comerciais que preenchem a zona da Waterfront da Cidade do Cabo.
Rei das alturas
Explorador da Table Mountain manifesta a sensação de liberdade e vastidão sentida no cimo da Montanha da Mesa.
12 Apóstolos
Os cumes de arenito e vegetação dos Twelve Apostles, a antecederem a longa Península do Cabo que termina no Cabo da Boa Esperança e na sua Ponta do Cabo.
Meseta para dois
Dois visitantes da Table Mountain sobre um dos seus inúmeros rochedos e contra o Atlântico do Sul prateado pelo início do ocaso.
Urbo deslumbre
Jovem visitante da Table Mountain contempla a paisagem urbana da Cidade do Cabo de um dos vários miradouros instalados no cimo da montanha.
Acima abaixo
O teleférico com cabines giratórias que liga a base ao topo da Table Mountain.
Comunidade da silhueta
Vultos de visitantes partilham o cimo rochoso da Montanha da Mesa.
Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Montanha da Mesa sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.

Uma Mesa Omnipresente

Não há como escapar à Montanha da Mesa. Embrenhados no labirinto de docas, varandas e passadiços de Waterfront ou das Cape Docks.

Nas sucessivas enseadas a leste e a sul que o Atlântico do Sul fustiga sem clamor e cobre de enormes algas: Sea Point, Bantry Bay, Clifton, Camps Bay, também outras mais distantes, para norte, Table View e Bloubergstrand.

O mesmo se passa para o interior intrincado da cidade, seja o colorido de Bo-Kaap ou o mais sério e composto em redor de De Waterkant ou de ZonneBloem.

Montanha da Mesa vista da Table Tay, Cidade do Cabo, África do Sul

O perfil integral da Table Mountain de um areal da Table Bay, a norte da Cidade do Cabo.

Desde que a meteorologia não contemple nuvens baixas, a Table Mountain insinua-se à Cidade do Cabo e aos vastos arredores como a guardiã secular da grande urbe sul-africana que se tornou.

Esta montanha achatada protege-a dos ventos sul e de boa parte das variantes. Durante séculos, facilitou a sua defesa e, não menos importante, concedeu aos colonos e actuais cidadãos da Cidade do Cabo uma das moradas mais deslumbrantes à face da Terra.

A primeira tarde, passamo-la na mesma Victoria & Alfred Waterfront que funcionou como molhe de mercadorias nos tempos da Companhia Holandesa das Índias Orientais, quando a zona a norte da Cidade do Cabo (Table Bay) ficou conhecida como “A Taverna dos Mares” pela preponderância que tinha no abastecimento dos navios holandeses mas não só.

A Deslumbrante Toalha de Mesa

Uma névoa densa sub-reptícia, avançara Atlântico do Sul acima. Pairava sobre a zona portuária e mantinha cobertos até os telhados dos prédios mais elevados.

Só quase ao fim do dia, um vento providencial a soprou para outras paragens e nos deixou vislumbrar as escarpas sobranceiras da Montanha da Mesa, do Devil’s Peak no limite leste dos seus quase 3km de extensão à Lion’s Head, no extremo oposto.

Da névoa, persistia apenas uma réstia que pendia do cimo da meseta, mais ou menos extensa, consoante a intensidade do vento sudoeste e a densidade das nuvens orográficas já formadas.

Montanha da Mesa vista da Waterfront, Cidade do Cabo, África do Sul

A famosa tablecloth (toalha de mesa de nuvens) cobre a Table Mountain, como vista da Waterfront da Cidade do Cabo.

Os nativos já se habituaram ao surgimento desta que apelidaram de Table Cloth e ao seu movimento mágico sobre a montanha. Têm-na apreciado, retratado e qualificado de formas apuradas com o tempo. Alguns, dizem que é Deus, ele próprio, que estende a toalha.

Entre a comunidade de malaios radicados na Cidade do Cabo, popularizou-se o mito de que o efeito resulta de uma peculiar competição de fumo. Van Hunks, um pirata holandês retirado, nunca largava o seu cachimbo. Fumava junto ao sopé do Devil’s Peak quando um estranho se aproximou e o desafiou para um duelo de cachimbada.

Após um longo dia de fumaças (diz-se até que o duelo terá durado vários dias) uma enorme nuvem de fumo tinha-os envolvido e à Table Mountain. Van Hunks apercebeu-se não só de que ganhara o duelo mas também de que o rival era o Diabo. Os dois desapareceram no clarão de um relâmpago. Deixaram para trás a toalha de mesa que é, hoje, de quando em quando, visível.

Por norma, quando a “mesa está posta”, e o vento ou a chuva são demasiado fortes, as autoridades fecham os acessos ao topo da montanha. Chegamos, assim, à noite curiosos quanto ao que aconteceria no dia seguinte. Estávamos supostamente a chegar ao fim do Outono da região.

Contra toda a lógica, a Cidade do Cabo mantinha temperaturas máximas bem acima dos 25º e dias de céu limpo numa sequência anacrónica demasiado longa que a conduziria à situação de seca drástica em que se manteve.

À Conquista da Montanha da Mesa

A nova aurora confirmou-nos mais um desses dias de céu azulão e calor inusitado. Nem sequer hesitámos. Deixámos a pousada de Sea Point, devorámos um pequeno-almoço à pressa e metemo-nos no autocarro. Meia-hora depois, estávamos a bordo do teleférico rotativo que conduzia ao topo da Table Mountain.

Teleférico de acesso ao topo da Table Mountain, Cidade do Cabo, África do Sul

O teleférico com cabines giratórias que liga a base ao topo da Table Mountain

À medida que sobe, a cabine desvenda os panoramas impressionantes no sopé da montanha: a Lion’s Head do lado oposto do desfiladeiro.

Aos poucos, o casario da Cidade do Cabo a aumentar de dimensão, com os arranha-céus do CBD a destacarem-se acima dos demais; a zona da Waterfront, as suas docas, a Table Bay e, já quase num perder de vista prateado, a silhueta da Robben Island em que as autoridades sul-africanas do Apartheid mantiveram aprisionado Nelson Mandela.

Passados esses tempos atrozes, a África do Sul preocupa-se com a aparência de uma justiça social de primeiro mundo que deve ser ainda mais insuspeitável num contexto turístico.

Ao contrário do que acontece em tantos teleféricos por esse planeta fora, em vez de as pessoas se acotovelarem e disputarem as janelas viradas para o lado mais fotogénico, a cabine rodava enquanto subia. A tecnologia resolvia, assim, de forma igualitária, a ansiedade partilhada a bordo.

No topo, a mais de 1000 metros – 1,086m são a altitude máxima da Table Mountain – o vento soprava violento, mas não o suficiente ou, talvez numa direcção distinta da que forçava as autoridades a suspender as viagens do teleférico, por vezes, dias a fio.

Os Cenários Grandiosos e a Mitologia dos Fundos de África

De varandins que faziam de miradouros, deslumbramo-nos pela primeira vez com a sumptuosidade geológica e a complexidade dos cenários em redor. Para sul, um longo promontório de arenito tingido por vegetação rasa estendia-se até um horizonte marinho distante. Era a Península do Cabo.

12 Apóstolos da Montanha da Mesa, Cidade do Cabo, África do Sul

Os cumes de arenito e vegetação dos Twelve Apostles, a antecederem a longa Península do Cabo que termina no Cabo da Boa Esperança e na sua Ponta do Cabo.

De um lado, encontrava o Atlântico do Sul, numa encosta de início abrupta que logo se amansava e se entregava ao oceano num suave declive verdejante.

Do lado oposto, a Península dava para a False Bay, a que os marinheiros portugueses começaram a chamar de Cabo Falso por, quando regressavam do Oriente, naquela intrincada configuração dos fundos de África, confundirem amiúde o Cabo Hangklip com a Ponta do Cabo da Boa Esperança, o mais mal afamado e temido dos pontos costeiros porque passavam, não obstante o re-baptismo da autoria de Bartolomeu Dias.

Malgrado o sucesso da travessia pioneira para o Índico, nos seus imaginários, a Table Mountain, a Península do Cabo, o Cabo da Boa Esperança, a Ponta do Cabo e as tempestades furiosas que tantas vezes os obrigavam a atravessar, continuavam a justificar um imaginário medonho.

Camões atribuiu-o à mágoa de Adamastor, um dos gigantes da mitologia grega, banido para o Cabo pela ninfa Doris, por se ter apaixonado pela sua filha Tethis.

Pois, segundo, Camões, Adamastor aparecia agora nos domínios do Cabo sob a forma de tempestade. Apesar do sucesso de Bartolomeu Dias, continuou por muito tempo a afundar muitas das embarcações que procuravam atravessar do Atlântico para o Índico.

Sem Sinais Meteorológicos do Adamastor

Nesse dia glorioso, não vislumbrámos sinal do monstro. Bem mais próximos, detectámos a chamada “Back Table”, os seus cumes geminados conhecidos por “Twelve Apostles” e as praias arredondadas de Bantry Bay, Clifton e Camps Bay.

Glen Beach e Twelve Apostles, Cidade do Cabo, África do Sul

Homem inscreve grafismos no areal da Glen Beach com os Twelve Apostles em fundo

Também a baía de Sea Point em que estávamos alojados e a profusão de vivendas e moradias de luxo, algumas entre as propriedades mais valiosas da Cidade do Cabo.

Logo abaixo dos varandins, indiferentes a três montanheiros que preparavam uma descida em rappel, uma colónia de híraxes combatia o frio húmido trazido pelo vento, a absorver o calor solar atrás de uma barreira de rochas. Do nada, outros tantos caminhantes surgem de um trilho dissimulado.

Tinham seguido o exemplo pioneiro de António de Saldanha – mas um caminho distinto – e ascendido a montanha a pé. Este português que se crê de origem castelhana, foi um capitão e navegador integrante da armada de 1503 de Afonso de Albuquerque.

Nessa expedição, ficou incumbido de levar as três embarcações que comandava a juntarem-se à armada que tinha zarpado à frente. Para diante no percurso, Saldanha e os seus homens patrulhariam e predariam o comércio árabe no Mar Vermelho.

Saldanha e a Primeira Ascensão Europeia

Não necessariamente pelas melhores razões, Saldanha ancorou na Baía da Mesa e foi o primeiro europeu a ascender à Table Mountain. Desde a partida de Lisboa que as embarcações por ele comandadas padeciam de má pilotagem.

Na eminência do Cabo, Saldanha terá errado no cálculo da sua travessia e ancorou num local precoce. Confuso com o que se passava, desembarcou na zona de Table Bay.

Subiu à montanha adjacente e deu-lhe o nome de Taboa do Cabo. Do topo, pôde verificar que a Ponta do Cabo da Boa Esperança se encontrava para sul, ainda por cruzar.

Visitante no cimo da Montanha da Mesa com a Cidade do Cabo em fundo, África do Sul

Explorador da Table Mountain manifesta a sensação de liberdade e vastidão sentida no cimo da Montanha da Mesa.

Saldanha e a tripulação abasteceram-se ali de água, escavaram uma grande cruz que pode ser encontrada nas imediações de Lion’s Head e envolveram-se numa pequena disputa com indígenas Khoikhoi, a etnia africana dominante aquando da chegada dos europeus. Saldanha sofreu apenas ferimentos ligeiros. Pôde regressar à embarcação e prosseguir a sua atabalhoada viagem.

Na actualidade, os encontros com os nativos da Cidade do Cabo são afáveis e recomendam-se. Tanto a travessia do oceano Atlântico para o Índico como a navegação em redor da Table Mountain, a subida à montanha e as caminhadas sobre a sua meseta estão facilitadas.

Mesmo se a fauna selvagem residente é bastante mais prolífica que os simples híraxes que se exibem aos recém-chegados.

Além destes pachorrentos hiracóides, habitam a montanha porcos-espinhos, lagartos, tartarugas, mangustos e suas arqui-rivais cobras de várias espécies. Até 1990, os babuínos também marcavam presença. Hoje, as suas acções de guerrilha anti-turistas centram-se sobretudo na Ponta do Cabo.

Uma série de trilhos com diferentes amplitudes partem da frente da “Shop of the Top” e percorrem o cimo da meseta.

Metemo-nos por um que avançava pelo interior até ao Maclear’s Beacon, uma pilha de pedras erguida pelo médico-astrónomo irlandês Sir Thomas Maclear, em 1865, para auxiliar na medição da curvatura da Terra.

Dali, cortamos para as imediações do Devil’s Peak e, logo, para junto do precipício norte da Table Mountain, onde o cimo vertiginoso das falésias nos volta a revelar o casario da Cidade do Cabo, a sua Waterfront e a vasta Table Bay.

O Ocaso Místico sobre o velho Fim da Terra

Nesta zona, vários grupos detêm-se e entregam-se a fotos e a selfies demasiadas demasiado arriscadas, sobre calhaus que espreitam o abismo eminente.

No trecho que precede o regresso ao teleférico, com o sol a começar a pôr-se para oeste, reparamos na profusão de silhuetas humanas que usavam esses calhaus como pedestais e se eternizavam naquele lugar tão memorável. Mais que convencidos no que dizia respeito ao cenário, sentamo-nos por momentos a admirar as suas intrigantes coreografias casuais.

Vultos de visitantes da Montanha da Mesa, Cidade do Cabo, África do Sul

Vultos de visitantes que partilham o cimo rochoso da Montanha da Mesa

Mas, tínhamos planeado subir à Lion’s Head a tempo de apreciarmos a Table Mountain em formato panorâmico sob a derradeira luz crepuscular. Apressamo-nos, assim, a descer num dos últimos teleféricos e apontamos à colina. Por essa hora, já um pelotão de outros trekkers disputavam os dois trilhos assinalados.

Enganamo-nos e metemo-nos pelo mais dissimulado e longo. O erro obriga-nos a galgar a montanha a um ritmo cruel. Atingimos o alto encharcados em suor e com os corações a um rimo que pensávamos humanamente impossível. Fosse como fosse, estávamos no mais fulcral dos pontos panorâmicos da cidade.

Podíamos andar em sua volta e admirar e fotografar a Table Mountain, do Devils Peak às profundezas da Cape Península. Para trás, o casario da Cidade do Cabo, em toda a sua diversidade e riqueza dispunha-se e ganhava cor e dramatismo à medida que a iluminação eléctrica e a réstia requentada do arrebol nele incidiam.

Montanha da Mesa vista do cimo da Lion's Head, Cidade do Cabo, África do Sul

A noitinha cerca a Table Mountain, vista do cimo da Lion’s Head.

Até o breu se instalar, rodopiamos sobre aquele cabeço de leão exuberante vezes sem conta, ofegantes, extenuados, indecisos sobre o que mais nos impressionava e queríamos registar de tão monstruosos cenários.

Mais informações sobre a Montanha da Mesa e dicas para a sua descoberta no site do Turismo da Cidade do Cabo (em inglês).

Ilha Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Ilha de Moçambique, Moçambique  

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.
Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.
Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Malealea, Lesoto

O Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Parques nacionais
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Pela sombra
Arquitectura & Design
Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana

Na viragem para o século XXI, o bairro Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Salto para a frente, Naghol de Pentecostes, Bungee Jumping, Vanuatu
Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol de Pentecostes: Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.
Nacionalismo Colorido
Cidades
Cartagena de Índias, Colômbia

A Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".
Basmati Bismi
Comida

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Maiko durante espectaculo cultural em Nara, Geisha, Nara, Japao
Cultura
Quioto, Japão

Sobrevivência: A Última Arte Gueixa

Já foram quase 100 mil mas os tempos mudaram e as gueixas estão em vias de extinção. Hoje, as poucas que restam vêem-se forçadas a ceder a modernidade menos subtil e elegante do Japão.
arbitro de combate, luta de galos, filipinas
Desporto
Filipinas

Quando só as Lutas de Galos Despertam as Filipinas

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.
Lento fim do dia
Em Viagem

Avenida dos Baobás, Madagáscar

O Caminho Malgaxe para o Deslumbre

Saída do nada, uma colónia de embondeiros com 30 metros de altura e 800 anos ladeia uma secção da estrada argilosa e ocre paralela ao Canal de Moçambique e ao litoral piscatório de Morondava. Os nativos consideram estas árvores colossais as mães da sua floresta. Os viajantes veneram-nas como uma espécie de corredor iniciático.

Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Selfie, Muralha da china, Badaling, China
História
Badaling, China

A Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da Muralha da China, a maior estrutura criada pelo homem. Recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.
Caiaquer no lago Sinclair, Cradle Mountain - Lake Sinclair National Park, Tasmania, Austrália
Ilhas
À Descoberta de Tassie, Parte 4 -  Devonport a Strahan, Austrália

Pelo Oeste Selvagem da Ilha da Tasmânia

Se a quase antípoda Tazzie já é um mundo australiano à parte, o que dizer então da sua inóspita região ocidental. Florestas densas, rios esquivos e um litoral rude batido por um oceano Índico quase Antártico geram enigma e respeito a norte do Estreito de Bass. À descoberta da região mais acessível entre Devonport e Strahan, ficamos com uma leve ideia da sua excentricidade meridional.
Verificação da correspondência
Inverno Branco
Rovaniemi, Finlândia

Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Literatura
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Iguana em Tulum, Quintana Roo, México
Natureza
Iucatão, México

A Lei de Murphy Sideral que Condenou os Dinossauros

Cientistas que estudam a cratera provocada pelo impacto de um meteorito há 66 milhões de anos chegaram a uma conclusão arrebatadora: deu-se exatamente sobre uma secção dos 13% da superfície terrestre suscetíveis a tal devastação. Trata-se de uma zona limiar da península mexicana de Iucatão que um capricho da evolução das espécies nos permitiu visitar.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Punta Cahuita
Parques Naturais
Cahuita, Costa Rica

Uma Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral da Costa Rica tão afro quanto das Caraíbas. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.
no Palco, Antigua, Guatemala
Património Mundial UNESCO
Antigua, Guatemala

Guatemala Hispânica à Moda Antigua

Em 1743, vários sismos arrasaram uma das cidades coloniais pioneiras mais encantadora das Américas. Antigua regenerou-se mas preserva a religiosidade e o dramatismo do seu passado épico-trágico.
Em quimono de elevador, Osaka, Japão
Personagens
Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A noite japonesa é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, acolhe-nos uma anfitriã de couchsurfing enigmática, algures entre a gueixa e a acompanhante de luxo.
Tambores e tatoos
Praias

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Cortejo garrido
Religião
Suzdal, Rússia

Mil Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.
De volta ao sol. Cable Cars de São Francisco, Vida Altos e baixos
Sobre carris
São Francisco, E.U.A.

Cable Cars de São Francisco: uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Máquinas Bebidas, Japão
Sociedade
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Ponte de Ross, Tasmânia, Austrália
Vida Selvagem
À Descoberta de Tassie, Parte 3, Tasmânia, Austrália

Tasmânia de Alto a Baixo

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito aussie mais rude ser. Tassie mantém-se envolta em mistério e misticismo numa espécie de traseiras dos antípodas. Neste artigo, narramos o percurso peculiar de Hobart, a capital instalada no sul improvável da ilha até à costa norte, a virada ao continente australiano.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.