Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul


Acima de tudo

Visitantes de Graaf-Reinet sobre um penhasco de dolomitos com vista para o vasto Valley of Desolation.

Luzes do Karoo urbano

Casario de Graaf-Reinet encaixado num vale menos inóspito do semi-deserto de Karoo.

Numa manhã calma

Transeuntes atravessam a Church Street, rua da cidade que parte da enorme Igreja Holandesa Reformada.

Karoo

Cenário do Great Karoo, a poucos quilómetros de Graaf-Reinet.

Fé em pleno Karoo II

A Igreja Holandesa Reformada com a sua enorme torre frontal.

Asas sem uso

Avestruzes no PN Camdeboo, um parque prolífico em vida selvagem às portas de Graaf-Reinet.

(Muito) Velhas falésias

Escarpas criadas por uma erosão pré-histórica no limiar do Valley of Desolation.

Moda académica de Graaf-Reinet

Aluno de uma escola local, a caminho das aulas.

Fé em pleno Karoo

A Igreja Holandesa Reformada destacada acima do casario baixo de Graaf-Reinet.

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.

Demoramos apenas uma hora e meia a descer de Malealea, nas terras altas do Lesoto. Às 7h30, cruzamos à fronteira sul-africana de Makhaleng Bridge e a apanhamos a estrada R56 para sudoeste, com Graaf-Reinet como destino.

Por essa altura, o condutor e guia do camião-autocarro Albertrham “Tenk” Engel já se sentia a regressar à Elim em que nascera e vivera a maior parte da sua vida, nas imediações do Cabo Agulhas. Com a progressão simplificada pelas rectas longas e planas do Grande Karoo, pisava forte no acelerador.

À medida que a tarde se anunciava, o bafo sufocante do semi-deserto, fazia-nos esquecer o frio enregelante do Lesoto. Não tardamos a entrar nos domínios do Great Escarpment onde o Planalto Central do Sul de África mergulha na direcção dos oceanos meridionais. É entre as suas falésias e mesetas imponentes que damos entrada no destino do dia: Graaf-Reinet.

Na Companhia de David McNaughton

“Tenk” faz o camião desdobrar-se pelas intersecções da grelha geométrica da cidade, até o imobilizar no estacionamento do hotel. “Muito bem rapazes e raparigas, quem disse que não queria fazer mais nada pode instalar-se, descansar ou dedicar-se ao que bem lhe apetecer. Os que disseram que ainda queriam sair, aguardem um pouco, o guia de cá está quase aí.

Não tardamos a apurar que somos os únicos nesta categoria. Minutos depois, David McNaughton aparece em trajes beije-caqui de explorador e leva-nos a bordo da sua carrinha. Em tempo semelhante, sentimos por ele enorme empatia.

David trabalhou na Força Aérea Sul-Africana antes de criar a sua empresa de tours em Graaf-Reinet. Apaixonado por história, tinha aprendido a fundo a da África do Sul, mas não só. Falamos de Fernão Magalhães, de Bartolomeu Dias e, claro está, de Vasco da Gama.

Aproveitamos para com ele esclarecer questões nas nossa mentes parcialmente nebulosas quanto à passagem dos navegadores portugueses pelas costas da sua nação: o porquê de nunca lá se terem fixado, apenas mais a norte, em terras do Moçambique de hoje.

A Fauna e a Geologia Exuberantes de Camdeboo

Mas, não tardamos, a dar com a entrada do Parque Nacional Camdeboo. A explicação entusiasta do cicerone é interrompida pelo avistamento quase imediato de avestruzes, zebras, macacos, cabras-de-leque e de espécimes distintos da fauna residente.

Vínhamos de outros safaris na África do Sul. Entusiasmados pela proximidade de um tal de Valley of Desolation, os animais retiveram-nos apenas alguns momentos.

Do fundo da savana, subimos a uma das mesetas que a recortam. No cimo, admiramos a vastidão da pradaria pejada de animais. David mostra-nos um outro ponto de observação na orla de uma falésia.

Dali, desvendamos uma barreira de colunas de doleritos com 120 metros de altura, alaranjados pelos últimos raios do ocaso, o mesmo que se repete nos mais de 100 milhões de anos de acção vulcânica e de erosão que produziram tais esculturas.

Dessas colunas para diante, o Grande Karoo estende-se a perder de vista, com um visual ainda mais ermo e inóspito que a secção porque tínhamos chegado do Lesoto. E, entre a elevação em que estávamos e outra oposta, dispunha-se o casario quase todo térreo de Graaf-Reinet, instalado num desfiladeiro com perfil de oásis.

O crepúsculo dá lugar à noite. Quando regressamos à cidade, Graaf-Reinet estava já entregue à sua paz. Durante muito tempo, esse foi um raro privilégio.

A Cidade Mais Antiga da África do Sul

No virar do século XVIII para o XIX, o interior da África do Sul, além de repleto de animais selvagens, era habitado por tribos belicosas, como se provavam há muito os San, hoje também conhecidos por Bushmen. Ainda assim, holandeses intrépidos acabaram por se aventurar nos limites indómitos da Colónia do Cabo.

A Companhia Holandesa das Índias Orientais geria a colónia com mão de ferro e, demasiadas vezes, contra os interesses dos seus súbditos.

Insatisfeitos pela permanente repressão, sucessivos grupos de agricultores bóeres nómadas, os voortrekkers, deixaram o litoral em busca de maior autonomia. Nem assim a Companhia Holandesa das Índias Orientais os largou. Os seus líderes tinham o objectivo de expandir o comércio da colónia para o interior onde esses pioneiros se refugiavam.

Assim, em 1786, fundaram Graaf-Reinet. A povoação foi baptizada em homenagem ao governador de então da Colónia do Cabo, Cornellis Jacob van de Graaf e da sua esposa, Reinet.

Ainda e sempre fartos das castrações da Companhia Holandesa das Índias Orientais, os voortrekkers da região expulsaram o seu administrador, proclamaram Graaf-Reinet independente e pediram a protecção directa do governo holandês. Ficaram, então, na expectativa do que viria da Colónia do Cabo. A esperada reacção nunca chegou a acontecer já que, entretanto, os rivais coloniais britânicos dela se apoderaram.

Como havia acontecido com a Companhia Holandesa das Índias Orientais, os voortrekkers rejeitaram os Britânicos. Aqueles que persistiam na Colónia do Cabo, inauguraram uma nova vaga épica de migrações que ficou conhecida por Great Trek e a que se deve a actual presença Bóer em recantos improváveis da África do Sul.

O Triunfo Britânico Sobre os Voortrekkers

Após feroz resistência, os Britânicos colocaram termo à pioneira República Independente de Graff-Reinet. Capturaram os seus líderes e condenaram-nos à morte ou a longas penas de prisão na Cidade do Cabo. Já no século XX, durante a Segunda Guerra Bóer, os Britânicos fizeram de Graaf-Reinet o centro das suas operações. Voltaram a lá condenar e executar dezenas de Bóers.

Passado este período conturbado, mesmo a evoluir devagar devagarinho, Graaf-Reinet veio a revelar-se providencial para o desenvolvimento da área circundante. Do final do século XVIII até à chegada do caminho-de-ferro que a ligou ao litoral de Port Elisabeth, teve a fama e o proveito de polo comercial movimentado.

Em 1865, contava com sessenta e quatro outspans, locais onde os criadores de gado e vaqueiros podiam repousar e refrescar os seus animais. E remover outros das carroças em que seguiam.

Dezenas de pousadas floresceram nas imediações destes outspans e recém-chegados aptos nos mais diversos misteres aumentaram a população. A meio do século XIX, Graaf-Reinet era a povoação mais importante a leste da Colónia do Cabo e a norte de Port Elisabeth.

Pouco depois de desembarcar na Cidade do Cabo, em 1841, o explorador escocês Dr. David Livingstone prosseguiu numa caravana de carros-de-bois rumo a Kuruman, no norte da África do Sul. Pelo caminho, passou por Graaf-Reinet.

Ali conheceu o reverendo Andrew Murray e a sua esposa, como ele, fervorosos cristãos. Por certo entusiasmado pela empatia religiosa do encontro, descreveu Graaf-Reinet como “A Cidade Mais Bonita de toda a África”.

Uma Pequena Emblemática Cidade do Interior

Na actualidade, com menos de 60.000 habitantes, Graaf-Reinet não surge nem nas primeiras setenta maiores cidades sul-africanas. Mantém-se relevante devido à presença arrojada em pleno Karoo, pela sua produção agrícola e  criação pecuária: de ovelhas merino, de cabras angorá e de mohair, de avestruzes e de outras espécies e derivados.

Mesmo diminuta, Graaf-Reinet orgulha-se sobremaneira da sua história. Brada aos ventos a incrível concentração de monumentos nacionais que abriga.

Na manhã seguinte, é Domingo. Dedicamo-lo ao centro secular da cidade, vazio de gente e tranquilo como nunca supusemos possível na África do Sul. Um sócio de David dá-nos boleia até a um miradouro próximo, situado numa elevação oposta à da tarde anterior.

Dali, contemplamos a Igreja Reformada Holandesa, destacada  acima da vegetação frondosa que dissimula o casario, na sua maior parte branco. Descemos do morro apontados à igreja.  Espreitamos o interior e ascendemos ao coro. Um grupo de cinco crentes, quatro cantores e uma pianista, ensaiam os cânticos que irão entoar, daí a umas horas, na missa.

Graaf-Reinet orgulha-se também de que a sua enorme igreja é a única da África do Sul – provavelmente do mundo – equipada com uma cozinha e uma chaminé. Fosse ou não assim, os nossos olfactos diziam-nos que, àquela hora, não deveriam ainda ter uso.

As Ruas Brancas e Rectilíneas de Graaf-Reinet

Voltamos ao exterior e ao dia solarengo mas fresco. Caminhamos Church Street abaixo com desvios estratégicos para ruas paralelas e perpendiculares. Mantêmo-nos atentos à arquitectura peculiar dos edifícios históricos que a delimitavam, com óbvia génese na dos Países-Baixos dessa época, retocada para se adaptar ao clima e ambiente do Karoo.

A do Drostdy Hotel e da Old Parsonage, hoje, Reinet House Museum. Na sua génese, a primeira foi a sede do magistrado da cidade, logo, a sede do poder judicial. Já a Old Parsonage, abrigava os membros do clero mas, ao longo dos anos, acolheu vários outros hóspedes.

Para onde quer que viremos, a nomenclatura das ruas é, ou inglesa ou afrikaans, a língua falada pela maior parte dos moradores brancos da cidade e da província de Cabo Oriental. Num caso ou no outro, menos que 10% do total de negros ou mestiço, com sangue khoiSan (90%).

Os khoisan são um curioso grupo étnico formado pela fusão dos antigos grupos rivais, os San e Khoi Khoi. Os colonos holandeses tratavam os últimos por Hottentots, numa referência onomatopeica aos cliques orais da sua linguagem.

O Predomínio Linguístico do Afrikaans

Curiosamente, o longo predomínio bóer ditou que, em Graaf Reinet, mais de três quartos da população negra ou mestiça fale agora afrikaans em vez de inglês ou de línguas-mãe africanas como o Xhosa ou dialectos KhoiSan.

À imagem do que acontece noutras partes da África do Sul, passo atrás de passo, também a imaculada Graaf-Reinet nos parecia cada vez mais um privilégio histórico. Um privilégio criado e preservado pela minoria branca, neste caso Bóer.

Reparamos como abundavam as casas seculares vazias, disponíveis para alugueres de curtos períodos aos compatriotas endinheirados vindos de outras paragens. Por contraste, boa parte dos habitantes negros ou mestiços moravam em lares remediados nos arredores. Pareciam-nos desenquadrados da grelha urbana arejada, verdejante e requintada no âmago da cidade.

À chegada, “Tenk”, também ele mestiço, que se dizia descendente dos pioneiros voortrekkers, alertou-nos para o facto de estarmos na África do Sul e termos que estar bem atentos durante a nossa exploração da cidade, tal como o fez à chegada a Durban, a Port Elisabeth, à Cidade do Cabo e noutros lugares.

Mesmo de máquinas fotográficas ao pescoço, não experimentamos qualquer problema. O crime persiste, todavia, em Graaf-Reinet. E é quase sempre cometido pela maioria negra-mestiça que sobrevive à margem da prosperidade Bóer ou anglófona.

Tal como acontecia há séculos quando os seus antepassados se viram forçados a roubar o gado aos colonos europeus trespassantes. Faz há muito parte do seu passado, um passado único e prolífico feito de determinação, conflito e imposição.

Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor

Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Montanha da Mesa sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.
Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.

Kolmanskop, Namíbia

Gerada pelos Diamantes do Namibe, Abandonada às suas Areias

Foi a descoberta de um campo diamantífero farto, em 1908, que originou a fundação e a opulência surreal de Kolmanskop. Menos de 50 anos depois, as pedras preciosas esgotaram-se. Os habitantes deixaram a povoação ao deserto.

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Wall like an Egyptian
Arquitectura & Design
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Pleno Dog Mushing
Aventura

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Pesca Preciosa
Cidades

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Rosa Puga
Cultura

Campeche, México

Há 200 Anos a Brincar com a Sorte

No fim do século XVIII, os campechanos renderam-se a um jogo introduzido para esfriar a febre das cartas a dinheiro. Hoje, jogada quase só por abuelitas, a loteria local pouco passa de uma diversão.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Sal Muito Grosso
Em Viagem

Salta e Jujuy, Argentina

Nas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.

As forças ocupantes
Étnico

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Visitantes
História
Masada, Israel

O Último Baluarte Judaico

Em 73 d.C, após meses de cerco, uma legião romana constatou que os resistentes no topo de Masada se tinham suicidado. De novo judaica, esta fortaleza é agora o símbolo supremo da determinação sionista
A pequena-grande Senglea
Ilhas

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Frígida pequenez
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Cenário marciano do Deserto Branco, Egipto
Natureza
Deserto Branco, Egipto

O Atalho Egípcio para Marte

Numa altura em que a conquista do vizinho do sistema solar se tornou uma obsessão, uma secção do leste do Deserto do Sahara abriga um vasto cenário afim. Em vez dos 150 a 300 dias que se calculam necessários para atingir Marte, descolamos do Cairo e, em pouco mais de três horas, damos os primeiros passos no Oásis de Bahariya. Em redor, quase tudo nos faz sentir sobre o ansiado Planeta Vermelho.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Madeira Excêntrica
Parques Naturais

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Budas
Património Mundial UNESCO

Nara, Japão

Budismo Hiperbólico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Acima de tudo e de todos
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Praias
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Resistência
Religião

Jaffa, Israel

Protestos Pouco Ortodoxos

Uma construção em Jaffa, Telavive, ameaçava profanar o que os judeus radicais pensavam ser vestígios dos seus antepassados. E nem a revelação de se tratarem de jazigos pagãos os demoveu da contestação

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Sociedade
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Manada de búfalos asiáticos, Maguri Beel, Assam, Índia
Vida Selvagem
Maguri Bill, Índia

Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano

O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.
Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.