Suzdal, Rússia

Mil Anos de Rússia à Moda Antiga


Cortejo garrido
Sacerdotes ortodoxos levam a cabo uma procissão em honra de Santo Eutímio.
Ciclismo pós-dilúvio
Ciclistas passam em frente ao Convento da Intercessão.
Lada ainda não deposto
Velho Lada circula junto à fachada da Catedral da Deposição.
Conversa Ortodoxa
Crianças falam na escadaria que dà acesso à igreja principal do Convento da Intercessão.
Passeio abençoado
Casal percorre um trilho ao longo da fachada do Mosteiro de Santo Eutímio.
Igrejas de madeira, veste do campo
Funcionária em trajes tradicionais no Museu de Arquitectura de Madeira e Vida Camponesa.
Fé a negro
Padre ortodoxa cumprimenta uma Madre Superiora, em Suzdal.
Suzdal Blues
Jovem toca viola para duas amigas na margem elevada do rio Kamemka.
Medovukha
Garrafas de Cerveja de Mel numa loja de Suzdal.
Pressa Paternal
Morador de Suzdal empurra criança num carrinho de bebe junto a uma casa tradicional de madeira colorida (isba).
Travessia
O rio Kamenka, nas imediações do museu de Arquitectura de Madeira.
Produção Matrimonial
Criança acompanha uma sessão fotográfica pós-casamento protagonizada pelos noivos Victoria e Vseudod.
Noivos cossacos
Victoria e Vseudod posam para a fotografia em trajes cossacos.
Arte tempestuosa
Pintora inspira-se na paisagem bucólica de Suzdal, com uma nuvem Cumulus Nimbus por detrás.
Fortaleza Divina
Cúpulas ortodoxas da catedral da Natividade, parte do Kremlin de Suzdal.
Na sombra
Mulher passa diante de uma das muitas igrejas de Suzdal.
Geometria Ortodoxa
Catedral da Transfiguração e a torre de sinos, no interior do Mosteiro de Santo Eutímio.
Arte Sacra
Pintura iluminada a velas no interior da Catedral da Transfiguração, parte do Mosteiro de Santo Eutímio.
Contraste religioso
Igreja de madeira de São Nicolau junto à Catedral da Natividade.
Fé de Madeira
Igreja da Transfiguração original da vila de Kozliatyevo e erguida em 1756.
Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Dona Irina Zakharova, a matryoshka proprietária da casa-pousada e híper-atenciosa anfitriã dá os últimos retoques na lida da cozinha.

Pouco depois, incorre num longo briefing em russo que atrasa as aventuras gastronómicas dos seus mais recentes hóspedes.

Alexey Kravchenko absorve cada uma das palavras metralhadas pela senhora e responde o menos que pode num compromisso delicado entre a cortesia e a fome.

Dª Irina Zakharova, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Dª Irina Zakharova prepara um pequeno-almoço na sua pousada familiar.

Mal se liberta da pena, espreita para dentro do nosso quarto e dá o alerta porque esperávamos. “Cozinha livre!

Trigo Sarraceno, Pepinos e Muita Cerveja Conventual de Suzdal

Vamos ao almoço!”

Há dias que este petersburguês pachorrento nos tentava impingir, em inglês, um tal de buckwheat. Não tínhamos a tradução presente.

Quando comprámos o cereal no supermercado, ficámos quase na mesma ignorância. Comprovou-se, ao menos, a teoria de Alexey de que era fácil de preparar.

Alguns minutos de frigideira depois, estamos à mesa a saborear uma refeição improvisada de peixe guarnecida com trigo sarraceno e vegetais que acompanhamos com diferentes medovukhas, cidras de mel com sabor de cerveja adocicada.

Medovukha, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Garrafas de Cerveja de Mel numa loja de Suzdal.

Esta bebida conventual de Suzdal tornou-se num delicioso hábito maldito que nos acompanharia até ao norte da Rússia: a Novgorod no nosso caso; ao seu domicílio de São Petersburgo, no que disse respeito ao cicerone.

Alexey tinha colocado sobre a mesa vários pepinos pequenos, lavados mas por descascar. Devorava um atrás do outro quando reparou que não lhes tocávamos: “Então e os pepinos? “ pergunta-nos indignado.

Explicamos-lhe que não estamos para aí virados até porque partilhávamos da noção portuguesa de que o pepino era indigesto e poderia facilmente arruinar-nos a tarde de exploração que se aproximava.

À sua maneira eslavo-contida, Alexey quase salta da cadeira: “O quê? Estão a brincar, não? Eu sou louco por pepinos e não faço ideia do que estão a falar. Indigesto? Mas são só água. A mim não me dá problema nenhum, muito pelo contrário.

Aliás… na Rússia, somos quase todos viciados. Por estes lados, ainda mais. Dentro de uns dias, quando chegar o festival, vão poder ver o quanto.”

E continua a devorar mini-pepino atrás de mini-pepino.

EsculturaTerminado o repasto e a recuperação da cozinha para uso dos restantes hóspedes regressámos à descoberta da bucólica Suzdal.

O Estatuto Histórico e Político Especial de Suzdal

Ao contrário de muitas das cidades medievais no Golden Ring que tiveram que ceder à modernidade devido à sua importância primordial, Suzdal conquistou um estatuto de protecção federal que limitou o desenvolvimento urbanístico.

Permitiu-lhe permanecer como que parada no tempo, entregue à sumptuosidade e elegância das suas inúmeras e variadas igrejas e catedrais ortodoxas, aos mosteiros e conventos.

Assim como a outros edifícios dentro e fora do kremlin local.

Igreja, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Mulher passa diante de uma das muitas igrejas de Suzdal.

À medida que caminhamos ao longo das margens ou quando atravessamos as pontes que o cruzam, constatamos a graciosidade com que o rio Kamenka serpenteia vagarosamente pela povoação.

E como a sua aparente imobilidade reforça o ambiente da época em que Suzdal atingiu o auge.

Suzdal foi capital de diversos principados, séculos depois de os colonos viquingues terem navegado rio Volga acima, ocupado parte substancial da Rússia ocidental, Bielorússia e Ucrânia actuais – incluindo estas paragens por onde andamos – e fundado aquela a que chamaram Sursdalar ou Sudrdala (Vale do Sul), um termo que se repete nas sagas nórdicas.

Convento Intercessão, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Ciclistas passam em frente ao Convento da Intercessão

Tudo isto teve lugar sob a liderança de uma dinastia de nome Rus’ que viria a dar origem à nação russa.

Falta ao Kamenka a dimensão e fluidez do Volga. Mesmo assim, alguns descendentes menos destemidos dos fundadores escandinavos têm dificuldade em nele se meterem.

Caminhamos com vista privilegiada sobre o rio quando nos apercebemos de um pai e filho receosos de mergulhar na água gélida.

Rio Kamenka, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

O rio Kamenka, nas imediações do museu de Arquitectura de Madeira.

Enquanto isso, a matriarca da família os incita e desespera pelo momento de máquina fotográfica em riste.

Mais à frente, um de tantos pintores em formação na cidade esboça na tela os cenários e o que se neles se passa. Vêmo-lo sentado contra a muralha, sob as cúpulas verdes e dourada que se projectam do interior.

Mosteiro Santo Eutímio, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Casal percorre um trilho ao longo da fachada do Mosteiro de Santo Eutímio

Entre as Cúpulas de Muros Milenares da Suzdal Antiga

Em Suzdal, as igrejas e catedrais ortodoxas estão por todo o lado. A sua proliferação dispersa mas harmoniosa empresta ao lugar um estranho visual de conto de fadas. Uma vez que passamos junto da entrada do Mosteiro do Salvador, aproveitamos para nos inteirarmos um pouco mais da história a sério.

Examinamos a torre do sino e os aposentos do Padre Superior. Deixamos a Catedral da Transfiguração do Salvador para o fim. Quando entramos, cinco homens todos vestidos em estilo negrume-Matrix parecem guardar a entrada para a nave principal.

Grupo de sacerdotes percorre um jardim de Suzdal.

Num momento de fertilidade imaginativa, conjecturamos que esperavam por um qualquer multimilionário mafioso moscovita de visita à terra natal. Avançamos para o interior. Examinamos as pinturas religiosas ortodoxas na companhia de duas crianças e dos pais que fazem o mesmo no sentido inverso.

Toca o sino lá fora. Os homens de negro entram de rompante na sala e fecham a porta.

Inesperados Cânticos Litúrgicos em Modo Matrix

Ocorre-nos que podíamos estar em apuros. Os “seguranças” alinham-se sobre um degrau elevado de acesso ao altar. Dão início a um recital de canto coral relâmpago em russo, amplificado pela acústica perfeita do templo.

Menos de dois minutos depois, a cantoria fabulosa termina. Nós e os outros adultos batemos palmas, contidas pelo espanto que perdurava. As crianças recuperam da surpresa. Os intérpretes apressados, esses, saem disparados pela porta como se nada se tivesse passado.

Os eventos surpresa não se ficariam por aí. Num dos dias seguintes tínhamos planeado sair cedo em direcção a Bogolubovo, uma de várias povoações menores nas redondezas. Alexey acorda tarde e atrasa a partida.

Em boa hora.

Passeio com bebe, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Morador de Suzdal empurra criança num carrinho de bebe junto a uma casa tradicional de madeira colorida (isba).

Já são onze da manhã quando nos aproximamos do centro de Suzdal.

Sem que o esperássemos, avistamos um cortejo garrido que se interna numa rua recolhida em que se alinham dezenas de izbas, as casas rurais de madeira típicas destas zonas campestres, construídas sem recurso a metais, pintadas em tons fortes.

Pedimos a Alexey para estacionar na berma. Corremos para nos juntarmos à procissão.

E Uma Procissão Ortodoxa em Honra de Santo Eutímio

Na cauda da marcha seguem beatos masculinos e femininos. Lideram-na sacristãos e acólitos porta-estandartes, seguidos de sacerdotes ortodoxos quase todos com barbas fartas e grisalhas.

Cortejo garrido

Sacerdotes ortodoxos levam a cabo uma procissão em honra de Santo Eutímio.

Faz um calor desconfortável mas os religiosos trajam phelons e phelonions, batinas litúrgicas todas negras ou bordadas e debruadas que combinam dourados com cores vivas.

Quatro destes padres carregam sobre os ombros um pequeno relicário também ele dourado envolto num pano aveludado escarlate.

Vencidas algumas centenas de metros, apuramos que se tratava de uma cerimónia dedicada a Santo Eutímio, um asceta  do século XIV que, abençoado por outro monge mais conceituado de nome Dionísio, conquistou a admiração do Príncipe Boris Konstantinovich de Novgorod e Suzdal e, em 1332, fundou o Mosteiro do Salvador, nesta última povoação.

Respeitado devido à fé profunda que mantinha, Eutímio viria a ascender a Padre Superior do mosteiro, onde empregava aquela devoção para aperfeiçoar a vida eclesiástica.

A sua hagiografia descreve ainda que rezava com disciplina espartana, por vezes, em lágrimas e que transpôs para o mosteiro o estilo de vida cenobita que havia levado anos antes, com o exemplo inspirador de Dionísio.

Eutímio morreu em 1404. Foi enterrado na Catedral da Transfiguração. Em 1547, foi canonizado. O seu culto disseminou-se por toda a nação, com vigor acentuado entre os fiéis de Suzdal.

Mosteiro Santo Eutímio, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Catedral da Transfiguração e a torre de sinos, no interior do Mosteiro de Santo Eutímio, um dos edifício Património UNESCO de Suzdal

Quase todos os participantes do cortejo entoam salmos religiosos ortodoxos a viva voz, bem mais desafinados que o blitz-quinteto que antes nos havia assustado. Cantam até que a procissão entra pelo portão apertado da Igreja Sinodal do Ícone Ibérico da Mãe de Deus, o seu destino final.

A Cerimónia Abafada e em Êxtase Religioso da Igreja da Mãe de Deus

Os padres sobem a escadaria curta, depositam o relicário no interior do templo e dispõem-se em frente ao altar, preparados para dar início à liturgia. Os crentes distribuem-se de pé, aquém de um grande lustre e de uma panóplia exuberante de artefactos religiosos dourados, coroas de flores e imagens de Santo Eutímio.

Quando o sacerdote que conduz a missa dá início às orações e cânticos, imitam-no com dedicação.

Numa lenta mistura química, a profusão de velas acesas, os muitos crentes e a meteorologia da zona geram um bafo pesado que intensifica a mistura dos cheiros da cera queimada, dos incensos e de suor.

Os fiéis seguem a eucaristia entregues a Deus.

Padre ortodoxo segura a cruz dourada momentos antes de os fiéis na missa a começarem a beijar.

Apreciamos a comunhão, outros ritos e rituais encerrados pouco depois de os crentes beijarem um crucifixo dourado que o sacerdote que reza a missa segura contra o peito.

Finda a cerimónia, os crentes regressam à rua, seguidos dos padres que aproveitam para cumprimentar a Madre Superiora do convento anexo com sentimento.

Cumprimento, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Padre ortodoxa cumprimenta uma Madre Superiora, em Suzdal

Suzdal, uma Cidade Milenar Sem Preocupações com o Tempo

Nesse e noutros fins de tarde, apreciamos a vida pacata de Suzdal.

Os grupos de amigos reunidos em redor de cervejas e guitarras em frente a um meandro do Kamenka, nas costas ervadas das arcadas do mercado.

Convivio à Guitarra, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Jovem toca viola para duas amigas na margem elevada do rio Kamemka.

Na face contrária, vendedores entretêm-se com longos diálogos só interrompidos quando surgem compradores dos seus frutos silvestres.

Vemos enormes bandos de corvos ora esvoaçantes ora pousados dedicados a devorar os vermes e insectos no relvado em frente à igreja de madeira de São Nicolau.

Bando Pousado, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Corvos partilham um chão ervado de Suzdal.

Por ali, admiramos ainda cumulus nimbus ameaçadores deslizarem detrás da projecção das cúpulas e cruzes ortodoxas da Catedral da Natividade da Virgem.

Catedral Natividade, Anel Dourado da Russia Moda Antiga, Mil Anos

Cúpulas ortodoxas da catedral da Natividade, parte do Kremlin de Suzdal.

Seriam estes os últimos dias de pacatez indisputada de Suzdal.

Chegamos a Sábado de manhã. Deliciamo-nos com o mingau de arroz que Dona Irina nos tinha preparado para o pequeno-almoço.

Deixamos Alexey mais uma vez no sétimo sono e saímos a pé.

Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.
Guwahati, India

A Cidade que Venera Kamakhya e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré. Siga a Marinha

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.
Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival.
Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
Rebanho em Manang, Circuito Annapurna, Nepal
Parques nacionais
Circuito Annapurna: 8º Manang, Nepal

Manang: a Derradeira Aclimatização em Civilização

Seis dias após a partida de Besisahar chegamos por fim a Manang (3519m). Situada no sopé das montanhas Annapurna III e Gangapurna, Manang é a civilização que mima e prepara os caminhantes para a travessia sempre temida do desfiladeiro de Thorong La (5416 m).
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

O pequeno farol de Kallur, destacado no relevo caprichoso do norte da ilha de Kalsoy.
Aventura
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
Queima de preces, Festival de Ohitaki, templo de fushimi, quioto, japao
Cerimónias e Festividades
Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se.
Baleias caçada com Bolhas, Juneau a Pequena Capital do Grande alasca
Cidades
Juneau, Alasca

A Pequena Capital do Grande Alasca

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta pequena capital que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.
Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Silhuetas Islâmicas
Cultura

Istambul, Turquia

Onde o Oriente encontra o Ocidente, a Turquia Procura um Rumo

Metrópole emblemática e grandiosa, Istambul vive numa encruzilhada. Como a Turquia em geral, dividida entre a laicidade e o islamismo, a tradição e a modernidade, continua sem saber que caminho seguir

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

A Toy Train story
Em Viagem
Siliguri a Darjeeling, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Étnico
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Buda Vairocana, templo Todai ji, Nara, Japão
História
Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.
Mirador de La Peña, El Hierro, Canárias, Espanha
Ilhas
El Hierro, Canárias

A Orla Vulcânica das Canárias e do Velho Mundo

Até Colombo ter chegado às Américas, El Hierro era vista como o limiar do mundo conhecido e, durante algum tempo, o Meridiano que o delimitava. Meio milénio depois, a derradeira ilha ocidental das Canárias fervilha de um vulcanismo exuberante.
Cavalos sob nevão, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo
Inverno Branco
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Baie d'Oro, Île des Pins, Nova Caledonia
Literatura
Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
Passageira agasalhada-ferry M:S Viking Tor, Aurlandfjord, Noruega
Natureza
Flam a Balestrand, Noruega

Onde as Montanhas Cedem aos Fiordes

A estação final do Flam Railway, marca o término da descida ferroviária vertiginosa das terras altas de Hallingskarvet às planas de Flam. Nesta povoação demasiado pequena para a sua fama, deixamos o comboio e navegamos pelo fiorde de Aurland abaixo rumo à prodigiosa Balestrand.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Alturas Tibetanas
Parques Naturais

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e as experiências prévias com o Mal de Altitude que não devemos arriscar subir à pressa.
Intersecção
Património Mundial UNESCO
Hungduan, Filipinas

Filipinas em Estilo Country

Os GI's partiram com o fim da 2ª Guerra Mundial mas a música do interior dos EUA que ouviam ainda anima a Cordillera de Luzon. É de tricycle e ao seu ritmo que visitamos os terraços de arroz de Hungduan.
aggie grey, Samoa, pacífico do Sul, Marlon Brando Fale
Personagens
Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.
Soufrière e Pitons, Saint Luci
Praias
Soufrière, Saint Lucia

As Grandes Pirâmides das Antilhas

Destacados acima de um litoral exuberante, os picos irmãos Pitons são a imagem de marca de Saint Lucia. Tornaram-se de tal maneira emblemáticos que têm lugar reservado nas notas mais altas de East Caribbean Dollars. Logo ao lado, os moradores da ex-capital Soufrière sabem o quão preciosa é a sua vista.
As forças ocupantes
Religião

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Cavaleiros cruzam a Ponte do Carmo, Pirenópolis, Goiás, Brasil
Sociedade
Pirenópolis, Brasil

Uma Pólis nos Pirenéus Sul-Americanos

Minas de Nossa Senhora do Rosário da Meia Ponte foi erguida por bandeirantes portugueses, no auge do Ciclo do Ouro. Por saudosismo, emigrantes provavelmente catalães chamaram à serra em redor de Pireneus. Em 1890, já numa era de independência e de incontáveis helenizações das suas urbes, os brasileiros baptizaram esta cidade colonial de Pirenópolis.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Vida Quotidiana
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Rinoceronte, PN Kaziranga, Assam, Índia
Vida Selvagem
PN Kaziranga, Índia

O Baluarte dos Monocerontes Indianos

Situado no estado de Assam, a sul do grande rio Bramaputra, o PN Kaziranga ocupa uma vasta área de pântano aluvial. Lá se concentram dois terços dos rhinocerus unicornis do mundo, entre em redor de 100 tigres, 1200 elefantes e muitos outros animais. Pressionado pela proximidade humana e pela inevitável caça furtiva, este parque precioso só não se tem conseguido proteger das cheias hiperbólicas das monções e de algumas polémicas.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.