Bolshoi Zayatsky, Rússia

Misteriosas Babilónias Russas


De saída
No caminho da Ortodoxia
Bi-Espiral
Ilha Pedregosa
Ortodoxia a Bordo
Cenário Outonal
Lenha & outros
Ortodoxia Outonal
Conversa a bordo
Ancoradouro conveniente
Para lá do Litoral pedregoso
Um conjunto de labirintos pré-históricos espirais feitos de pedras decoram a ilha Bolshoi Zayatsky, parte do arquipélago Solovetsky. Desprovidos de explicações sobre quando foram erguidos ou do seu significado, os habitantes destes confins setentrionais da Europa, tratam-nos por vavilons.

Despertamos na ressaca de uma noite de convívio na casa partilhada por Andrey Ignatiev e Alexey Sidnev, originários de Arkhangelsk, moradores temporários de Solovetsky, um arquipélago disperso pela Baía de Onega do Mar Branco, o mesmo mar que acolhia Bolshoi Zayatsky.

Andrey e Alexey são ambos engenheiros geólogos. Preparavam uma rede de canalização de que a ilha há muito carecia. O duo só falava russo. Fluente em inglês, Alexey Kravchenko, o cicerone de São Petersburgo que nos acompanhava e guiava, apoiava-nos como tradutor e elo relacional.

Teve a ajuda do incontornável vodka, claro está. Nem conscientes de que tínhamos que acordar às 7h30, nos ocorreu rejeitar a oferta genuína e generosa de bebida dos anfitriões. A vodka que nos serviram só podia ser de excelente qualidade.

Os gherkins de pepinos e outros vegetais, parte dos acepipes com que os russos em geral se habituaram a acompanhar e a mitigar o álcool, concederam-nos uma alvorada sem grandes dramas, o que não significa fácil, muito menos bem disposta.

Alvorada e a Navegação Rumo a Bolshoi Zayatsky

Também o novo dia amanhecia assim: cinzento como há dois dias não o víamos. Arrumamos as mochilas. Tomamos um pequeno-almoço improvisado com as mercearias que nos acompanhavam. Batemos a porta do apartamento soviético e entregamo-nos à labuta.

É com as faces apertadas pelo frio da madrugada que caminhamos em direcção ao pequeno porto local, pouco mais que um paredão reforçado que limitava uma água espelho. Quando lá chegamos, já um grupo de visitantes russos aguardava na galhofa, nas imediações do “Pechak”, um barco baptizado com o nome de um dos cabos emblemáticos do arquipélago.

Dois tripulantes que aparecem do interior dão ordem de embarque. Pouco depois, zarpamos para o Mar Branco.

Monja ortodoxa, ilha Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Monja ortodoxa segue a bordo do barco Pechak que liga Solovetsky a Bolshoi Zayatski.

O vento fraco pouco ou nada agitava a vastidão neutral que sulcávamos. Mas só a deslocação da embarcação chegava para nos enregelar os ossos e a alma de turistas ocidentais e acidentais de que os restantes passageiros se esforçavam para compreender a proveniência.

Passageiros barco Pechak, Mar Branco, ilhas Solovetsky

Passageiros do Pechak fotografam o litoral insular do arquipélago Solovetsky.

Quase uma hora após a partida, avistamos o recorte de edifícios numa das ilhas quase rasas que se sucediam. Com a aproximação do “Pechak”, percebemos que o mais alto e irregular era uma velha igreja ortodoxa de madeira instalada para lá de uma faixa litoral repleta de grandes calhaus arredondados e troncos. Logo ao lado, duas casas de tijolinho e pedra pareciam servir o templo. Estávamos em Bolshoi Zayatsky.

Igreja ortodoxa, Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Igreja ortodoxa e edifícios de apoio acima do litoral pedregoso de Bolshoi Zayatsky.

O Desembarque e os Primeiros Passos

O “Pechak” atraca na extremidade de um pontão de madeira. Um jovem tripulante alto, esguio, alourado e enfiado num uniforme militar camuflado concretiza a amaragem e nova ordem de soltura.

Um a um, todos percorremos o passadiço instalado sobre uma base de pedras e que ligava o pontão à entrada da igreja. À frente, segue o único passageiro em trajes destoantes, aconchegado num oleado amarelo de corpo inteiro.

Forma-se um grupo mais composto que o do embarque. O jovem do oleado assume o seu papel de guia e dá início a uma longa dissertação em russo. De início, mantemo-nos no grupo, atentos às explicações traduzidas que Alexey Kravchenko nos transmitia.

Pouco depois, a comitiva divide-se. Nós tresmalhamo-nos também de Alexey. Ficamos entregues à nossa própria descoberta sensorial de Bolshoi Zayatsky que, apesar da adjectivação (bolshoi = grande) tem apenas 1.25 km2

Igreja Ortodoxa de Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Passadiço conduz à velha igreja também de madeira de Bolshoi Zayatski.

Uma Misteriosa Ilha Sub-Árctica

Uma vegetação multicolor forrava a ilha. Arbustos avermelhados e amarelados destacavam-se acima do verde predominante. E uma colónia desgarrada de pedras salpicavam o tapete formado por uma espécie de tojo viçoso da tundra.

Regressamos ao grupo. Tinham-se detido uma vez mais junto do guia, numa área da ilha em que a vegetação verde e rasteira formava um enredo intrincado de sulcos.

O líder volta à sua carga verbal. Nós, juntamo-nos a Alexey que, por sua vez, se mostra intrigado. De tal maneira que se limita a escutar e pouco ou nada nos transmite. “Isto é realmente muito muito bizarro!” solta por fim, atónito com o que o que o guia não conseguia explicar.

É essa a manifestação normal de quem se confronta com aqueles estranhos monumentos agora lítico-vegetais ou ouve descrições fidedignas sobre eles. Não é só a sua composição esotérica que espanta.

Também está por apurar a razão porque os labirintos se concentram numa área de apenas 400m2 do oeste de Bolshoi Zayatsky, enquanto que cerca de 850 moledos surgem sobretudo a leste. Como é, aliás, enigmática a própria dispersão de ambos os elementos megalíticos por várias ilhas do arquipélago de Solovetsky.

Em Bolshoi Zayatsky, os labirintos são catorze. No cômputo geral das ilhas Solovetsky, contam-se trinta e cinco, todos eles feitos com pedras locais. O mais pequeno tem seis metros de diâmetro. O diâmetro do maior mede vinte e cinco metros. À parte dos labirintos e dos moledos, existem ainda diversos petróglifos.

Igreja ortodoxa no Outono, Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Igreja ortodoxa russa num cenário do curto Outono do arquipélago Solovetsky.

Questões que os Labirintos não Respondem: Quem? Como? Porquê

O cerne desta questão espiralada é óbvio: quem os construiu? Quando? Para quê? Em qualquer caso, as tentativas de explanação vêm de há muito e são díspares, um pouco à imagem da paragens boreais em que labirintos de pedra do mesmo tipo podem ser encontrados: Inglaterra, Islândia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Estónia e Rússia.

Na maior parte dos casos, foram criados em ilhas, penínsulas, estuários e fozes de rios, com formas uniespirais, biespirais, concêntricas e radiais. As suas formas envolventes são circulares ou ovais. Só em raros casos, quadradas.

A distribuição europeia destes labirintos remeteu vários dos cientistas intrigados pelo fenómeno para o perfil étnico dos povos nórdicos, no caso particular da Península da Kola e da zona em redor do Mar Branco, para os antecedentes do actual povo Sami que habita, hoje, o norte da Noruega, da Finlândia e o noroeste da Rússia.

Cruzes ortodoxas, Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Cruzes ortodoxas no litoral da ilha Bolshoi Zayatski, arquipélago Solovetsky

Os Saivos e Outras Teorias Para todos os Gostos

Em 1920, o cientista russo N. Vinogradov teorizou que os labirintos eram Saivo, montanhas sagradas em que as almas dos falecidos deambulavam. No entretanto, a definição de Saivo recebeu sérios complementos. A Encyclopedia Britannica define-os como “uma das regiões Sami dos mortos, em que os saivoolmak (falecidos) viviam vidas felizes no mundo saivo sobrenatural com as suas famílias e ancestrais.

Os Sami acreditavam que os saivoolmak construíam tendas, caçavam, pescavam e viviam tal e qual tinham vivido à face da Terra. Os saivo eram considerados sagrados e fontes de poder que podiam ser usados pelos xamanes. Quando os xamanes desejavam entrar em transe, convocavam os espíritos guardiões dos saivo.”

Interpretou-se, assim, que os labirintos funcionavam com uma espécie de fronteira entre o mundo dos vivos e dos espíritos e que eram usados em rituais levados a cabo para ajudar as almas a passar de um mundo para o outro.

Labirinto de pedras e arbustos, Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Visitante russa de Bolshoi Zayatski deixa um dos labirintos da ilha.

A Caminhada Labírintica de Vlad Abramov

Estivemos sobretudo entretidos em achar as melhores perspectivas e a documentá-los. Mas, foram já várias as pessoas que se deram ao trabalho de seguir os seus trilhos místicos. Vlad Abramov, um investigador dedicado aos labirintos de Bolshoi Zayatsky, experimentou percorrê-los.

Descreveu assim o que sentiu. “Depois de entrar num labirinto e andar repetidamente em volta do centro, deixa-se o centro pela mesma entrada. Depois de várias voltas, torna-se pouco claro quanto é que já se andou e quanto falta caminhar. Em termos subjectivos, o tempo pára mas, num relógio, o grande labirinto percorre-se em quinze minutos.

É difícil ser distraído; o trilho é estreito. Requer que se olhe para os pés. O trilho gira tanto no sentidos dos ponteiros do relógio como ao contrário. Por fim, aparece a saída e fica-se contente por a jornada ter terminado.”

Labirinto milenar, ilha Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Visitante de Bolshoi Zayatski contorna um dos vários labirintos da ilha.

O guia do peculiar oleado amarelo prosseguia as suas explicações em russo. Estas, exigiam de tal forma a concentração de Alexey, que continuávamos sem a sua transmissão do conhecimento. Para nós, como para todos os mortais, o mistério prolongava-se. A teoria dos saivo é uma. Contradita por várias outras gradualmente mais terrenas.

Calendários? Armadilhas Para Peixes ?

Alguns estudiosos defendem que os labirintos foram construídos por pescadores durante dias de tempestade, de maneira a encurralarem maus espíritos, ou uma espécie de duendes mitológicos que traziam má sorte. Neste contexto, os pescadores caminhavam até ao centro dos labirintos e atraíam os espíritos até os despistarem no mar.

O matemático ex-soviético, agora russo Yuri Yershov, chegou a uma terceira explicação, mista: que os labirintos serviam como espécie de espelhos esquemáticos da órbita da lua e da órbita aparente do sol, usados como úteis calendários.

Segundo outra postulação, de 1970, da autoria da historiadora e antropóloga Nina Nikolaevna Gurina (1909-1990), em vez de servirem para afugentarem os maus espíritos para o mar, os labirintos de Bolshoi Zayatsky não passavam de armadilhas para os peixes.

Lenha em casa de apoio, ilha Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

Parte de trás de uma casa de apoio de Bolshoi Zayatski.

Seria essa a razão porque quase todos eles foram erguidos junto ao mar, em zonas que, entre há três a cinco milénios atrás, eram abrangidas pelo avanço e recuo das marés. De acordo com Gurina N.N., os peixes nadavam pela entrada e ficavam aprisionados nos labirintos o que facilitava a sua captura pelos nativos.

Um Mistério Para Durar

Seja qual for a sua verdadeira razão de ser, milénios depois, os labirintos de Bolshoi Zayatsky, das ilhas Solovetsky e do norte pré-Árctico da Europa em geral continuam a seduzir viajantes e cientistas ávidos por resolverem o enigma.

Vários, publicam obras e mantêm blogues dedicados ao tema, alguns repletos de esquemas gráficos e análises e fórmulas geométricas. Em qualquer dos casos, estas obras e blogues são fontes de conhecimento tão herméticas como os dédalos que abordam. E geram acesos debates.

Invertemos a direcção sobre o passadiço e voltamos às imediações da igreja. O templo antigo, foi ali erguido também como forma de afirmação cristã face às crendices pagãs que os povos ancestrais tinham disseminado em Bolshoi Zayatsky e  pela região.

Foi de tal forma castigado pelo clima rigoroso destas partes da Rússia que se encontra frágil. Mesmo assim, o guia abre-nos a porta para que todos, religiosamente todos, pudéssemos espreitar o interior.

Barco Pechak, Bolshoi Zayatski, ilhas Solovetsky, Rússia

O barco Pechak aguarda o regresso dos visitantes de Bolshoi Zayatski.

Através de uma janela logo embaciada do templo, percebemos que a tripulação do “Pechak” já recolhia as cordas que retinham o navio. Pouco depois, zarpamos de Bolshoi Zayatsky rumo à ilha Solovetsky, também ela senhora dos seus segredos.

 

A TAP www.flytap.com voa de Lisboa para Moscovo à 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e sábados às 23h10, chegada às 06h20. E voa de Moscovo para Lisboa à 3ª, 4ª, 6ª, sábados e domingos, às 07h15, chegada às 11h10.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.
Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Arquitectura & Design
Fortalezas

O Mundo à Defesa

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Cerimónias e Festividades
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Entrada para a Cidade das Areias de Dunhuang, China
Cidades
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.
Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Cultura
Lagoa de Jok​ülsárlón, Islândia

O Canto e o Gelo

Criada pela água do oceano Árctico e pelo degelo do maior glaciar da Europa, Jokülsárlón forma um domínio frígido e imponente. Os islandeses reverenciam-na e prestam-lhe surpreendentes homenagens.
Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Manatee Creek, Florida, Estados Unidos da América
Em Viagem
Overseas Highway, E.U.A.

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.
Tambores e tatoos
Étnico

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Horseshoe Bend
História

Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.

Ruínas de Port Arthur, Tasmânia, Austrália
Ilhas
À Descoberta de Tassie,  Parte 2 - Hobart a Port Arthur, Austrália

Uma Ilha Condenada ao Crime

O complexo prisional de Port Arthur sempre atemorizou os desterrados britânicos. 90 anos após o seu fecho, um crime hediondo ali cometido forçou a Tasmânia a regressar aos seus tempos mais lúgubres.
Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Fajazinha (Ocaso)
Natureza
Ilha das Flores, Açores

Confins Inverosímeis de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Chapéu Lenticular
Parques Naturais

Mount Cook, Nova Zelândia

O Monte Fura Nuvens

O Aoraki/Monte Cook até pode ficar muito aquém do tecto do Mundo mas é a montanha mais imponente e elevada da Nova Zelândia.

Forte de São Filipe, Cidade Velha, ilha de Santiago, Cabo Verde
Património Mundial UNESCO
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Punta Cahuita
Praias

Cahuita, Costa Rica

Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral costariquenho tão afro quanto caribenho. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.

Planície sagrada
Religião

Bagan, Myanmar

A Planície das Compensações Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Ijen-Inferno
Sociedade

Vulcão Ijen, Indonésia

Escravos do Enxofre

Centenas de javaneses entregam-se ao vulcão Ijen onde são consumidos por gases venenosos e cargas que lhes deformam os ombros. Cada turno rende-lhes menos de 30€ mas todos agradecem o martírio.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Brincadeira ao ocaso
Vida Selvagem
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.