Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo


Casinhas de outros tempos
Casinhas de lava vendidas por nativos, à entrada do PN Fogo.
Meandro na lava
Moradora da Chã das Caldeiras percorre a estrada que sobrou do grande mar de lava.
Adriano & Filomena
Adriano e Filomena Montrond, à entrada da casa que habitavam, agora preenchida por lava solidificada.
O grande Fogo
O cone quase perfeito do vulcão Fogo, a maior das montanhas de Cabo Verde, com 2829 m de altitude.
Por esse vulcão abaixo
Guia João da Silva caminha pela base do Fogo, rumo à zona habitada da Chã das Caldeiras.
Aos saltos
Guia João da Silva salta vertente abaixo em direcção à cratera do Pequeno Fogo, de onde tinham tido origem as últimas erupções.
Encurralados
Gado guardado num curral cercado pela lava libertada pelo Fogo.
No lugar errado II
Casas de Chã das Caldeiras debaixo da lava que delas se apoderou em Novembro de 2014.
Car-sharing
Tiago e Aírson, crianças descendentes do clã; Montrond, um alourado como, com o tempo, se tornou comum na Chã das Caldeiras.
Persistência
Casas recém-construídas uma vez mais no possível caminho da lava libertada numa próxima erupção do Fogo.
No lugar errado III
Pormenor de outro edifício invadido pela lava.
Vítima isolada
Casa perdida na torrente de lava.
No cimo de Cabo Verde
Guia João da Silva contempla o oceano Atlântico em redor da ilha do Fogo.
A submissão da lava
Os povoados de Chã das Caldeiras soterrados pela última erupção do vulcão Fogo.
A grande Chã
A vasta caldeira do Fogo, com 9km de diâmetro e a oeste do grande cone do vulcão.
Fogo em Fogo
Ocaso envolve o cone do Fogo de um céu ardente.
Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    

A Viagem Madrugadora de São Filipe a Chã das Caldeiras

Os despertadores tocam às 5h15. Quinze minutos depois, ainda escuro como breu, zarpamos de São Filipe, no táxi conduzido por Edilson, o mesmo adolescente que, uns dias antes, nos tinha trazido do aeroporto para a capital da ilha do Fogo.

Aos poucos, ascendemos a encosta sudeste do grande cone no âmago da ilha. Não vislumbramos vivalma quando passamos a grande placa de madeira que sinaliza a entrada no Parque Natural do Fogo. Entramos no âmago da montanha. A vastidão de lava solidificada em redor e acima só acentua o negrume.

Edilson avança devagar devagarinho receoso de que a estrada irregular e dura provocasse estragos no carro do patrão. É, assim, com a iminente aurora já a reavivar a caldeira que chegamos à zona habitada da Chã das Caldeiras.

Lá nos encontramos com João Silva, o guia local com quem subiríamos ao cume do vulcão. João dá-nos as boas-vindas. Não desperdiça palavras. Já tinha conquistado o Fogo inúmeras vezes, à frente de forasteiros de distintas partes. Para ele, aquela ascensão seria apenas mais uma.

Em simultâneo, uma ajuda financeira preciosa e um transtorno no trabalho de construção da nova e desafogada pousada que, apesar da ameaça sempre latente do vulcão, a sua família erguia.

A Ascensão dolorosa ao Cume do vulcão Fogo

Nas suas últimas más-disposições, o Fogo tinha recoberto a secção leste da caldeira com lava fresca. O caminho abrasivo que tomamos começa por a atravessar numa inclinação branda para, pouco depois, apontar às alturas da vertente oriental e nos submeter a um exasperante esforço.

Quanto mais subimos, melhor se define o leito circular e raso da Chã e a torrente de lava que a preenchia e havia envolvido e arrasado boa parte dos edifícios de Portela, Bangaeira e de Dje de Lorna, povoações de que, dali ou de onde quer que fosse, já só quase se avistavam telhados.

A visão longínqua da sua desgraça deteve-nos por várias vezes num fascínio contemplativo.

Aldeias soterradas, Chã das Caldeiras, ilha do Fogo, Cabo Verde

Os povoados de Chã das Caldeiras soterrados pela última erupção do vulcão Fogo.

Sensibilizava-nos o destino da lava que fluiu, imparável, para leste, condicionada pelo sopé da vertente oposta da Bordeira, a orla elevada e escarpada da vasta e profunda caldeira que mede 9km de diâmetro delimitados por penhascos com 1km de altura.

Intrigavam-nos ainda o como e o porquê de, com tanta ilha do Fogo à sua disposição, lá se terem instalado de armas e bagagens duas povoações, à mercê dos caprichos naturais da maior das montanhas de Cabo Verde, do seu mais jovem, majestoso e intimidante vulcão.

No Cimo Torrado do Fogo

Quatro horas depois, com muitas paragens fotográficas pelo meio, atingimos o cume. Recuperamos energias com snacks convenientes. Aos 2,829 metros do Pico do Fogo, sobre o mais alto a que poderíamos almejar chegar em todo o arquipélago cabo-verdiano, contemplamos a imensidão da caldeira.

E a do Atlântico em redor, abafado por um manto de nuvens bem mais baixas que escondia os picos aguçados da ilha vizinha de Santiago e lhe trazia um conveniente filtro solar, naquela altura invernal e ainda seca do ano, nem pensar em chuva.

Passamos para o lado de lá da orla da cratera, com cuidado redobrado para evitarmos tropeços que nos poderiam fazer rebolar por ali abaixo. Por fim, um trilho interno leva-nos a uma passagem protegida pela rocha. Aproveitamo-la para nos apoiarmos e espreitarmos o fundo arredondado do cone que nos sustinha.

As suas vertentes revelavam-se também elas curvas. Explicava-se, assim, que tranquilizados pelo facto de a última erupção dali saída datar do ano longínquo de 1769, vários dos visitantes do Pico do Fogo lá descessem e deixassem testemunhos – na sua maioria de identidade e de amor – escritos com pedras claras sobre o solo cinzento escuro.

Guia de Chã das Caldeiras, pico do vulcão Fogo, Cabo Verde

Guia João da Silva contempla o oceano Atlântico em redor da ilha do Fogo

Contornamos alguns metros adicionais do interior do cone. Em breve, regressamos ao lado de fora e à vista descomunal da caldeira. Vencemos um lajedo atulhado de pedras mal fixas ao solo poroso. Ultrapassado esse obstáculo, deparamo-nos com o Pico Pequeno, uma das aberturas do vulcão que, em 2014, deu origem à última das erupções e a fluxos de lava de estilo havaiano, lentos, mas inexoráveis.

Do Cume, aos saltos, de Volta ao Sopé

Sucede aos pedregulhos um declive acentuado, coberto de uma areia vulcânica volumosa e poeirenta. João faz-se a ela numa correria alternada com longos saltos. Seguimos-lhe o exemplo. Chegámos, assim, em três tempos, mas com as botas cheias de detritos, ao cimo da cratera secundária onde tresandava a enxofre e fazia um calor redobrado.

João detém-se para nos mostrar o quão activo e energizado se mantinha ali o vulcão. Reúne alguns galhos, coloca-os sobre uma fenda enegrecida e fica a olhar para a obra. Quinze segundos depois, os galhos sucumbiam ao fogo do Fogo.

Descida do cume, vulcão Fogo, Cabo verde

Guia João da Silva salta vertente abaixo em direcção à cratera do Pequeno Fogo, de onde tinham tido origem as últimas erupções

O resto do percurso, cumprimo-lo ao longo do sopé, entre as vinhas e as figueiras que antecediam as habitações. Chegamos à pousada de um dos seus dez irmãos, Alcindo.

Lá repousamos na companhia de uma turma de alunos franceses numa privilegiada viagem escolar. E de lá nos mudamos para a pousada dos vizinhos Adriano e Filomena, ela um dos muitos Montronds que, a determinada altura, tomaram conta da Chã.

A História e Descendência Prolífica dos Montrond

Os Montrond não chegaram directos àquelas paragens de fim de mundo, nem nada que se parecesse. A sua história começa com um conde francês nascido em Grenoble.

Por alguma razão – especula-se que descontentamento político e ideológico, necessidade de fuga por dívidas ou até ambas, entre outros possíveis motivos – François Louis Armand de Montrond deixou França com destino ao Brasil. Em 1872, aportou em São Vicente. Depressa se encantou com a proximidade com a terra e com o calor afável de Cabo Verde.

Explorou outras ilhas. Mas acabou por se instalar na do Fogo. Lá se entregou a sucessivos romances. Sabe-se que se apaixonou por Clementina, por Camila, Demitília, Josefa, Antónia, Guelhermina e Jesuína. Todas elas, mães dos seus muitos filhos. Cada parceira mereceu-lhe a construção de um sobrado – em Achada Maurício, Baluarte, Mosteiros, São Filipe e outros sítios.

Alguns deles foram construídos com materiais que encomendou em França e estiveram na origem de novas povoações da ilha, como Genebra (hoje Luzia Nunes) que ele próprio baptizou, inspirado por um monte nas imediações de Grenoble.

Culto, dotado de formação aristocrata, filantropo, Armand Montrond empregou os seus conhecimentos (incluindo médicos) e influência no serviço dos nativos.

Plantou vinhas com videiras também trazidas da terra natal, e produziu café em quantidade suficiente para exportar para Portugal. Montrond ganhou o respeito e afecto dos nativos. De tal maneira que o povo de D’jar Fogo o começou a tratar por Nho Erman di França. Os genes de Montrond depressa se disseminaram por toda a ilha. Mais tarde, via emigração baleeira mas não só, também pelos Estados Unidos e outras partes do mundo.

Jovens moradores de Chã das Caldeiras, ilha do Fogo, Cabo Verde

Tiago e Aírson, crianças descendentes do clã; Montrond, um alourado como, com o tempo, se tornou comum na Chã das Caldeiras

Mas o que mais interessa à Chã das Caldeiras é que, apesar das erupções recentes e recorrentes de 1847, 1852 e 1857, os filhos de Armand Montrond, Manuel da Cruz e Miguel, para lá se mudaram com as suas famílias. Esta curta migração ainda justifica que, hoje, em nenhuma outra parte da ilha do Fogo ou de Cabo Verde sejam os genes e os visuais francófonos tão óbvios e abundantes.

A Gente Resiliente da Chã das Caldeiras

Instalamo-nos no quarto que Adriano e Filomena nos haviam reservado. Almoçamos. Em seguida, navegamos pelo mar de lava sólida, entre os destroços dos lares por ela engolidos. Exploramos o que restava de Portela e de Bangaeira.

Ambas as povoações foram habitadas até que a lava libertada pela erupção dramática de Novembro de 2014, avançou na fatídica direcção, no mais temido, mas também mais lógico dos sentidos: aquele que desce do sopé do Pico do Fogo rumo à enorme abertura leste da caldeira.

Acompanhamos os esforços de reconstrução de algumas das famílias então expulsas pela erupção, mas que decidiram persistir. Vemo-las amontoar blocos de cimento e tijolos. Acertar placas de tectos e molduras de janelas, tudo feito por eles, só em casos raros, com a ajuda de um ou dois operários contratados nas terras mais baixas da ilha.

Algumas, mantêm bancas de artesanato à beira da estrada e correm para o tentar vender sempre que intuem a passagem de visitantes. “Levem umas recordações, senhores. É tudo feito cá por nós!” diz-nos uma rapariga com tom determinado.

Casinhas de outros tempos

Admiramos as casinhas de lava, colmo e sementes que os nativos criam em menos de cinco minutos com material à mão, mas que, ainda assim, emulam na perfeição as reais, tantas delas enchidas de lava pelas mais recentes erupções.

Umas são cabanas básicas; outras maiores e mais complexas, outras ainda colocadas no cimo de penhascos afiados. Já tínhamos decidido trazer presentes de Cabo Verde. Encontramos ali algo que nos agradava e que, ao mesmo tempo, nos permitia contribuir para o esforço de reconstrução dos nativos.

Uma Cratera Prolífica mas que a Lava Não Poupa

Despedimo-nos e regressamos à caminhada. Damos com o que restava dos pomares que abasteciam os nativos e os visitantes. E com as figueiras e as vinhas que se crê terem sido introduzidas pelo conde Montrond, a origem do vinho manecom ali produzido de forma artesanal, diz-se que, renovado, mais tarde, com vinha “Jacquez” importada dos Estados Unidos por Néné Fontes, nativo de Cova Figueira.

Malgrado o aspecto inóspito da paisagem, o vinho do Fogo em geral e da caldeira em particular, foi de tal forma aprimorado que está prestes a conquistar a sua própria denominação de origem “Vinho Chã das Caldeiras”.

Encontramos as crianças exóticas da Chã, com longos cabelos louros. E adolescentes e adultos com peles e olhos claros, improváveis em Cabo Verde, não fosse o contributo genético dos Montrond.

Escurece. Até se desvanecer, a luz solar poente incide e aquece o Pico do Fogo. Quando se vai de vez, regressamos ao abrigo de Adriano e Filomena. Devastados pela longa ascensão da manhã, adormecemos bem mais depressa do que desejávamos.

Adriano & Filomena Montrond, Chã das Caldeiras, ilha do Fogo, Cabo Verde

Filomena Montrond, descendente directa e o marido Adriano, na sua casa invadida pela lava.

Despertamos cedo a condizer e espreitamos a propriedade do casal, envolta pelo caudal de lava que ali quase tudo arrasou. Do terraço em frente à sala de refeições, vemos Adriano e Filomena passarem no quintal afundado do lar que antes usavam.

Descemos e interrompemos a lida de Filomena que estendia roupa em frente a portas e janelas de que espreitavam pontas atrevidas de lava. Sem querermos forçar-lhes o drama que viveram, abordamos o sempre curioso tema da génese Montrond.

Indagamo-los sobre a pele alva e os olhos verdes-água de Filomena. Adriano não se furta a esclarecer: “Eu também poderei ser em parte, mas a minha mulher é que tem o apelido e tudo.

Até há uns tempos, esta era a Casa Tito Montrond, o pai dela que morreu em 2011.

Montrond (s) aqui na Chã e por esse Fogo fora, nunca hão de faltar!”

 

A TAP voa directamente de Lisboa para a cidade da Praia, Cabo Verde. Da Praia, poderá voar para São Filipe, na ilha do Fogo.

Ilha do Fogo, Cabo Verde

À Volta do Fogo

Ditaram o tempo e as leis da geomorfologia que a ilha-vulcão do Fogo se arredondasse como nenhuma outra em Cabo Verde. À descoberta deste arquipélago exuberante da Macaronésia, circundamo-la contra os ponteiros do relógio. Deslumbramo-nos no mesmo sentido.
Santo Antão, Cabo Verde

Pela Estrada da Corda Toda

Santo Antão é a mais ocidental das ilhas de Cabo Verde. Lá se situa um limiar Atlântico e rugoso de África, um domínio insular majestoso que começamos por desvendar de uma ponta à outra da sua deslumbrante Estrada da Corda.
São Nicolau, Cabo Verde

São Nicolau: Romaria à Terra di Sodade

Partidas forçadas como as que inspiraram a famosa morna “Sodade” deixaram bem vincada a dor de ter que deixar as ilhas de Cabo Verde. À descoberta de Saninclau, entre o encanto e o deslumbre, perseguimos a génese da canção e da melancolia.
Ilha da Boa Vista, Cabo Verde

Ilha da Boavista: Vagas do Atlântico, Dunas do Sara

Boa Vista não é apenas a ilha cabo-verdiana mais próxima do litoral africano e do seu grande deserto. Após umas horas de descoberta, convence-nos de que é um retalho do Sara à deriva no Atlântico do Norte.
Ilha do Sal, Cabo Verde

O Sal da Ilha do Sal

Na iminência do século XIX, Sal mantinha-se carente de água potável e praticamente inabitada. Até que a extracção e exportação do sal lá abundante incentivou uma progressiva povoação. Hoje, o sal e as salinas dão outro sabor à ilha mais visitada de Cabo Verde.
Santa Maria, Sal, Cabo Verde

Santa Maria e a Bênção Atlântica do Sal

Santa Maria foi fundada ainda na primeira metade do século XIX, como entreposto de exportação de sal. Hoje, muito graças à providência de Santa Maria, o Sal ilha vale muito que a matéria-prima.
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

São Vicente, Cabo Verde

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Big Island, Havai

Grande Ilha do Havai: À Procura de Rios de Lava

São cinco os vulcões que fazem da ilha grande Havai aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.
Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil
Arquitectura & Design
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Aventura
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
religiosos militares, muro das lamentacoes, juramento bandeira IDF, Jerusalem, Israel
Cerimónias e Festividades
Jerusalém, Israel

Em Festa no Muro das Lamentações

Nem só a preces e orações atende o lugar mais sagrado do judaísmo. As suas pedras milenares testemunham, há décadas, o juramento dos novos recrutas das IDF e ecoam os gritos eufóricos que se seguem.
Família em Hobart, Tasmânia, Austrália
Cidades
À Descoberta de Tassie, Parte 1 - Hobart, Austrália

A Porta dos Fundos da Austrália

Hobart, a capital da Tasmânia e a mais meridional da Austrália foi colonizada por milhares de degredados de Inglaterra. Sem surpresa, a sua população preserva uma forte admiração pelos modos de vida marginais.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida, Suas Danças e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Natação, Austrália Ocidental, Estilo Aussie, Sol nascente nos olhos
Desporto
Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos. A nadar.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Telhados cinza, Lijiang, Yunnan, China
Étnico
Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
História
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Caldeirão da Ilha do Corvo, Açores,
Ilhas
Corvo, Açores

O Abrigo Atlântico Inverosímil da Ilha do Corvo

17 km2 de vulcão afundado numa caldeira verdejante. Uma povoação solitária assente numa fajã. Quatrocentas e trinta almas aconchegadas pela pequenez da sua terra e pelo vislumbre da vizinha Flores. Bem-vindo à mais destemida das ilhas açorianas.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Inverno Branco
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
silhueta e poema, cora coralina, goias velho, brasil
Literatura
Goiás Velho, Brasil

Vida e Obra de uma Escritora à Margem

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro
Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Natureza
Circuito Annapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Caldera del Corazoncillo
Parques Naturais
PN Timanfaya, Lanzarote, Canárias

PN Timanfaya e as Montanhas de Fogo de Lanzarote

Entre 1730 e 1736, do nada, dezenas de vulcões de Lanzarote entraram em sucessivas erupções. A quantidade massiva de lava que libertaram soterrou várias povoações e forçou quase metade dos habitantes a emigrar. O legado deste cataclismo é o cenário marciano actual do exuberante PN Timanfaya.
Museu do Petróleo, Stavanger, Noruega
Património Mundial UNESCO
Stavanger, Noruega

A Cidade Motora da Noruega

A abundância de petróleo e gás natural ao largo e a sediação das empresas encarregues de os explorarem promoveram Stavanger de capital da conserva a capital energética norueguesa. Nem assim esta cidade se conformou. Com um legado histórico prolífico, às portas de um fiorde majestoso, há muito que a cosmopolita Stavanger impele a Terra do Sol da Meia-Noite.
ora de cima escadote, feiticeiro da nova zelandia, Christchurch, Nova Zelandia
Personagens
Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado da Nova Zelândia

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell, o feiticeiro da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.
Parque Nacional Cahuita, Costa Rica, Caribe, Punta Cahuita vista aérea
Praias
Cahuita, Costa Rica

Uma Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral da Costa Rica tão afro quanto das Caraíbas. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.
Queima de preces, Festival de Ohitaki, templo de fushimi, quioto, japao
Religião
Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se.
Comboio Kuranda train, Cairns, Queensland, Australia
Sobre carris
Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.
Intervenção policial, judeus utraortodoxos, jaffa, Telavive, Israel
Sociedade
Jaffa, Israel

Protestos Pouco Ortodoxos

Uma construção em Jaffa, Telavive, ameaçava profanar o que os judeus ultra-ortodoxos pensavam ser vestígios dos seus antepassados. E nem a revelação de se tratarem de jazigos pagãos os demoveu da contestação.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Vida Selvagem
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.