Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos


Dança dos cabelos
Mulheres de Huang Luo exibem os longos cabelos num espectáculo que exibem na sua aldeia.
A aldeia vizinha
A aldeia de Pingan, uma das mais fotogénicas dos terraços de arroz de Longsheng.
Matriarca
Uma das mulheres de Huang Luo, com o longo cabelo enrolado em jeito de turbante.
Arroz em fartura
Secção dos vastos terraços de arroz de Longsheng, na província chinesa de Guangxi.
China, China, China
Bandeira chinesa esvoaça acima do telhado de um mirante sobre Longsheng.
Sino-Tempero
Malagueta cortada em pedaços muito pequenos, para depois ser usada nos pratos tradicionais da região.
Em pleno show
Outro momento do espectáculo das mulheres com longos cabelos de Huang Luo.
Trio cabelão
Trio de mulheres em trajes tradicionais e com os seus longos cabelos arranjados sobre a cabeça.
Bébé mas pouco Chorão
Criança em plena choradeira à janela de uma casa tradicional de madeira de Ping' an.
Terracinhos
Recanto dos vastos terraços de arroz de Longsheng, na província de Guang xi.
Coreografia
Mulheres cantam a partir de janelas elevadas na sala em que exibem o seu espectáculo.
Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.

Passamos quase cinco horas no pequeno autocarro em que nos tínhamos metido na estação de Yangshuo. Apesar de aquele ser um dos pontos de passagem incontornáveis do circuito chinês de mochileiros, só dois outros estrangeiros seguiam a bordo, rumo a Longsheng, a Huang Luo e ao cabelos mais longos do mundo.

Em boa parte do tempo, dormitaram nos lugares de trás só por eles ocupados.

Nós, acompanhámos os trejeitos do percurso: as escarpas de calcário durante algum tempo após a partida. Os arredores do típico caos urbano de Guilin, cidade do centro-sul, pequena, à escala chinesa, com os seus quase 5 milhões de habitantes.

Uma auto-estrada que dela nos afasta em direcção às montanhas e, logo, uma via secundária bem mais sinuosa que trepa para norte de uma primeira vertente e a percorre para leste.

A Chegada Inusitada a Longsheng

Mais de trezentos quilómetros depois, o motorista faz-nos sinal a nós e à outra dupla de forasteiros. Em redor, só víamos mais e mais vertentes, convertidas em terraços de arroz verdejantes. Nem uma única povoação digna de registo. O motorista esboçou um apontar para fora do autocarro e para baixo.

Ficámos sem perceber se se limitava a correr connosco para despachar o frete ou se nos indicava algum lugarejo escondido na cota da encosta inferior ao asfalto. Fosse como fosse, descemos. Atravessámos a via e espreitámos.

A aldeia de Pingan em Longsheng, China

A aldeia de Pingan, uma das mais fotogénicas dos terraços de arroz de Longsheng.

À esquerda, disperso numa zona afundada da vertente, entre terraços e cedros, dispunha-se um casario tradicional de telhados pardos, entre o cinzento e o castanho, as estruturas abaixo, com dois ou três andares e varandas, tudo erguido em madeira escura e bambu. Lanternas chinesas emprestam-lhes algum vermelho festivo e auguram aos moradores vidas felizes e negócios prósperos.

Ping’ an, uma aldeia com mais de seiscentos anos, situa-se em plena crista principal dos terraços de arroz de Longsheng, nome que se deve traduzir como “da Coluna Vertebral do Dragão.” Está, portanto, não só nas imediações da estrada de acesso como sobre as costas do grande sáurio.

Terraços de Arroz de Longsheng, Guangxi, China

Secção dos vastos terraços de arroz de Longsheng, na província chinesa de Guangxi.

E, tal como aconteceu nas principais cidades turísticas ocidentais, os moradores de várias povoações de Longsheng mas sobretudo de Ping’ an apressaram-se a adaptar os seus domicílios ou a construir adicionais para lucrar com os visitantes. Abundam agora, em Ping’ an, as pequenas pousadas e quartos para alugar, a maior parte, listados nos intermediários online do costume.

A Vista Socalcada da Coluna Vertebral do Dragão

Não nos dirigimos logo para lá. Uma bandeira chinesa, tão escarlate e auspiciosa como as lanternas, esvoaça sobre um velho telhado terroso.

Bandeira chinesa em Longsheng, China

Bandeira chinesa esvoaça acima do telhado de um mirante sobre Longsheng.

Intrigados quanto ao que ali haveria, leves por termos trazido de Yangshuo apenas o essencial para um ou dois dias, metemo-nos por um trilho íngreme que não tarda a alargar.

Passados dez minutos, o trilho desvenda-nos um terraço. E o terraço, uma incrível panorâmica sobre a vastidão verde-amarelada e listada a toda a volta.

Apenas Ping’ an, Huang Luo e um ou outro lugarejo quebravam a homogeneidade deste sinuoso padrão agrícola. Como só o turismo havia corrompido o modo de vida ancestral dos chineses de etnias e culturas Dong, Zhuang, Yao e Miao destas paragens. E estes são só os grupos primordiais.

Em termos oficiais, as autoridades identificam treze grupos indígenas distintos na região. Um em particular, interessava-nos bem mais que os outros.

Se é verdade que os forasteiros começaram a, ali, afluir pela beleza dos terraços de arroz e pelo prazer das longas caminhadas, a determinada altura, uma excentricidade cultural das mulheres Yao, em particular, passou a atrair tantos ou mais visitantes.

Mulheres de Huang Luo, China

Trio de mulheres em trajes tradicionais e com os seus longos cabelos arranjados sobre a cabeça

De acordo com várias fontes da imprensa chinesa, mesmo que os terraços de arroz de Longsheng contem com pouco mais de meio milénio, a tribo Yao terá em redor de dois mil anos.

Ora, algures neste tempo, as mulheres Yao consolidaram uma crença comunal de que o cabelo era a sua posse mais sagrada e valorizada, uma espécie de amuleto de queratina que supostamente lhes garante longevidade, riqueza e boa sorte.

Os Cabelos Sagrados das Mulheres Yao

De acordo com a mesma crença, o cabelo de uma mulher Yao é cortado duas vezes na sua vida: aos cem dias, e aos dezoito anos, na última das ocasiões, como ritual de maturidade. O cabelo cortado é enrolado e mantido a preceito. Mais tarde, é oferecido ao futuro marido como presente.

Após o casamento e o parto, este cabelo é usado em jeito de extensão enrolada do actual. Marca o estatuto e a diferenciação entre uma mulher casada e uma solteira.

Até há algum tempo, com excepção para o marido e os filhos, ninguém podia ver o cabelo solto de uma mulher. Dizem-nos, na aldeia, que se um homem visse o cabelo de uma mulher solteira, teria que passar três anos na família dessa mulher enquanto genro. No mínimo algo inconveniente, essa regra foi abandonada no final dos anos 80. Não terá sido a única tradição sacrificada.

A tribo Yao já era então formada por em redor de seiscentas pessoas agrupadas pelas quase oitenta famílias de hoje. Em Longsheng, formam apenas um pequeno clã dos 2.6 milhões de Yao disseminados por várias províncias chinesas.

Outros descendentes de Yao existem também no Laos, na Tailândia, Vietname e, em pequenos números, pós-emigrados para o Canada, França e os E.U.A.

Os Yao da região de Longsheng tornaram-se, ali mesmo, sedentários e rurais. Durante largo tempo, foram considerados pobres para os padrões destas partes relativamente férteis da China.

Os Maiores Cabelos do Mundo

Quando os turistas chegaram para contemplar a beleza dos terraços de arroz, descobriram que as mulheres Yao tinham, aconchegados sobre a cabeça, cabelos muito maiores que as das restantes tribos, os maiores cabelos do mundo.

Esticadas, a maior parte das cabeleiras da tribo mede entre os 170 e os 200 cm. Ora, isto faz com que, no geral, Huang Luo seja a aldeia com os cabelos mais longos à face da Terra.

Mulheres num espectáculo de Huang Luo, Guangxi, China

Outro momento do espectáculo das mulheres com longos cabelos de Huang Luo.https://en.wikipedia.org/wiki/Xie_Qiuping

Em termos individuais, o mais comprido alguma vez registado entre os Yao mediu pouco mais de dois metros, mesmo assim, incomparável com o record pessoal de outra chinesa. Em 2004, Xie Qiuping, tinha um cabelo com 5.6 metros.

As mulheres Yao começaram a pedir dinheiro para que os turistas as fotografassem. Primeiro, só pelas fotos. Mais tarde, passaram a vender-lhes artesanato, postais e outras mercadorias.

Com o decorrer dos anos e o influxo de forasteiros, de secretos, os seus cabelos tornaram-se um espectáculo. Mesmo conscientes da sua pesada carga comercial aproveitámos e assistimos.

Um Concorrido Espectáculo Capilar

Durante a exibição, as mulheres trajadas de negro e vermelho, fazem rodopiar os cabelos. Deixam-nos cair e penteiam-nos.

Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China

Mulheres de Huang Luo exibem os longos cabelos num espectáculo que exibem na sua aldeia.

Juntam-nos e formam coreografias com movimentos graciosos em que manipulam ainda as cabeleiras umas das outras. Por fim, enrolam-nas no turbante capilar com que, por hábito, as vemos no dia-a-dia.

Mas também participam homens na exibição. De início, apenas locais, logo, são convidados turistas. A ambos, as mulheres aplicam um outro dos seus ritos Yao peculiares.

Durante uma determinada dança, para provarem a sua simplicidade e interesse pelo outro beliscam-lhes os rabos. Nem todos os estrangeiros estariam avisados. Nenhum reclamou.

Após o espectáculo, apesar de os visitantes não falarem dialectos chineses e as nativas pouco ou nada saberem de inglês ou outras línguas, há um momento de convívio.

Com os ingressos já pagos, os espectadores têm direito a fotografias gratuitas mas só com os cabelos das senhoras presos.

Em troca, logo após, as mulheres Yao impingem-lhes trajes bordados tradicionais, malas, mochilas, cobertores e tantas outras das suas mercancias.

Um outro tema fascina sobretudo as visitantes estrangeiras de Huang Luo: o que fazem as mulheres Yao para que os seus cabelos tão longos se mantenham saudáveis e lustrosos e, sem espécimes brancos até tão avançada idade, nalguns casos, até aos 80 anos ?

O segredo está no cenário extraordinário em redor, está no que há milénios as alimenta e que há milénios aproveitam para nutrir o cabelo: o arroz.

Nem champôs nem amaciadores. Arroz apenas

Desde há uma eternidade que a água fermentada após a lavagem do arroz foi usada no Oriente tanto pelas mulheres do campo como por imperatrizes para conseguirem cabelos exemplares. Com tanto arroz em redor, para as mulheres Yao, manter essa crença e costume não foi um capricho, foi praticamente uma falta de alternativas.

Matriarca de Huang Luo, Guangxi, China

Uma das mulheres de Huang Luo, com o longo cabelo enrolado em jeito de turbante.

Isoladas das cidades pelas montanhas e vales e pela mera distância, a penetração de champôs e até de sabões modernos terá sido um fenómeno bem tardio do século XX. Em simultâneo, se água de arroz lhes garantia cabelos imaculados com o vigor adicional de uma tradição, porquê deixar de usar o arroz?

Nos dias que correm, as mulheres juntam-se no rio que atravessa aldeia e, com frequência, lavam os cabelos de forma comunal. Misturam arroz glutinoso com a água e enxaguam suavemente as cabeleiras até as sentirem bem gelatinosas. De tempos a tempos, complementam esta lavagem com “tratamentos” especiais com água de arroz fermentada.

Um estudo realizado nos 80, no Japão – onde o cabelo das mulheres será semelhante – chegou à conclusão que “a água de arroz diminui a fricção na superfície capilar e melhora a elasticidade”.

Até os Especialistas em Cabelo Louvam Huang Luo

Margaret Trey, uma especialista em saúde, beleza e bem-estar do jornal “The Epoch Times” sublinha que “ligeiramente amarga, a água de arroz é rica em antioxidantes, minerais, vitamina E e uma outra substância que só a fermentação do arroz produz.

Esta combinação faz mais do que trazer brilho aos cabelos. Torna-os mais suaves, fortes e, no geral, saudáveis.

Acredite ou não, Huang Luo aparece desde há algum tempo em várias páginas e blogs especializados em conselhos de beleza com imagens da aldeia, das mulheres e, claro está, dos seus cabelos prodigiosos.

Se melhor informadas sobre o mundo da publicidade, os cabelos das mulheres Yao poderiam render-lhes bem mais que as entradas dos turistas nos espectáculos diários, as vendas do seu artesanato e os postais.

A questão está em que as grandes marcas de beleza querem continuar a vender os seus champôs, amaciadores e silicones, não arriscar que as mulheres ocidentais os comecem a substituir por uma qualquer água de arroz de fazer em casa.

Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Viti Levu, Fiji

Canibalismo e Cabelo, Velhos Passatempos de Viti Levu, ilhas Fiji

Durante 2500 anos, a antropofagia fez parte do quotidiano de Fiji. Nos séculos mais recentes, a prática foi adornada por um fascinante culto capilar. Por sorte, só subsistem vestígios da última moda.
Huang Shan, China

Huang Shan: as Montanhas Amarelas dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos das montanhas amarelas e flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas da China sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.
Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação
Badaling, China

A Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da Muralha da China, a maior estrutura criada pelo homem. Recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.
Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
white pass yukon train, Skagway, Rota do ouro, Alasca, EUA
Parques nacionais
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Cerimónias e Festividades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
No coração amarelo de San Cristóbal
Cidades

San Cristóbal de Las Casas, México

O Lar Doce Lar da Consciência Social Mexicana

Maia, mestiça e hispânica, zapatista e turística, campestre e cosmopolita, San Cristobal não tem mãos a medir. Nela, visitantes mochileiros e activistas políticos mexicanos e expatriados partilham uma mesma demanda ideológica.

jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Tempo de surf
Cultura

Ilha do Norte, Nova Zelândia

A Caminho da Maoridade

A Nova Zelândia é um dos países em que descendentes de colonos e nativos mais se respeitam. Ao explorarmos a sua lha do Norte, inteirámo-nos do amadurecimento interétnico desta nação tão da Commonwealth como maori e polinésia. 

arbitro de combate, luta de galos, filipinas
Desporto
Filipinas

Quando só as Lutas de Galos Despertam as Filipinas

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.
Alasca, de Homer em Busca de Whittier
Em Viagem
Homer a Whittier, Alasca

Em Busca da Furtiva Whittier

Deixamos Homer, à procura de Whittier, um refúgio erguido na 2ª Guerra Mundial e que abriga duzentas e poucas pessoas, quase todas num único edifício.
Jovens percorrem a rua principal de Chame, Nepal
Étnico
Circuito Annapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Buraco Azul, ilha de Gozo, Malta
História
Gozo, Malta

Dias Mediterrânicos de Puro Gozo

A ilha de Gozo tem um terço do tamanho de Malta mas apenas trinta dos trezentos mil habitantes da pequena nação. Em duo com o recreio balnear de Comino, abriga uma versão mais terra-a-terra e serena da sempre peculiar vida maltesa.
barco colorido, ilhas gili, indonesia
Ilhas
Ilhas Gili, Indonésia

Gili: as Ilhas da Indonésia que o Mundo Trata por “Ilhas”

São tão humildes que ficaram conhecidas pelo termo bahasa que significa apenas ilhas. Apesar de discretas, as Gili tornaram-se o refúgio predilecto dos viajantes que passam por Lombok ou Bali.
Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Baie d'Oro, Île des Pins, Nova Caledonia
Literatura
Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
Merida a Los Nevados confins dos Andes, Venezuela
Natureza
Mérida, Venezuela

Mérida a Los Nevados: nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile
Parques Naturais
Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe
Fuga de Seljalandsfoss
Património Mundial UNESCO
Islândia

Ilha de Fogo, Gelo, Cascatas e Quedas de Água

A cascata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.
De visita
Personagens

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Aula de surf, Waikiki, Oahu, Havai
Praias
Waikiki, OahuHavai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbor e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.
Noiva entra para carro, casamento tradicional, templo Meiji, Tóquio, Japão
Religião
Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar bodas tradicionais.
Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Teleférico de Mérida, Renovação, Venezuela
Sociedade
Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução a partir de 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida foi levada a cabo na Sierra Nevada por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Patrulha réptil
Vida Selvagem
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.