Guilin, China

O Portal Para o Reino Chinês de Pedra


Ensaio animado
Adereços tradicionais
Insólito Paquiderme
Guilin-Rio-Li-Elephant-Trunk-hill-China-Guangxi
Betão vs Pedra
Palácio do Principe de Jingjiang, outra versão
Suave moda medieval
Jogo contado
Sol e Lua sobre o lago
Galeria Comunista
Um frontão principesco
Túnel para outro lado da cidade
Confraternização de Budas
Pesca em grupo
Árvore do Dragão
Guilin-Pagode-de-Mulong-China-Guangxi
Simetria de luz
A imensidão de colinas de calcário afiadas em redor é de tal forma majestosa que as autoridades de Pequim a imprimem no verso das notas de 20 yuans. Quem a explora, passa quase sempre por Guilin. E mesmo se esta cidade da província de Guangxi destoa da natureza exuberante em redor, também lhe achámos os seus encantos.

Uma Epopeia Ferroviária

26. Foram vinte e seis as horas de comboio as que nos levaram de Lijiang, na província de Yunnan via Dali e Kunming, até à distante Guilin.

Ignoramos o Natal numa qualquer carruagem espartana, deslocados numa comunidade pós-Comunista de sino-passageiros pouco dados a tais crendices. Nem às cristãs, nem às pagãs. Determinados, sim, a celebrar os momentos a bordo com o apego de outros quaisquer.

Um passeio descomprometido pelo corredor revela-nos pequenos torneios de mahjong e de cartas, banquetes de noodles instantâneos e conversas tão animadas que nos soavam a discussão.

Quase 1500km após a partida, sem nunca pormos os olhos noutros forasteiros, praticamente à mesma latitude da origem, a composição que há muito avançava entre arrozais mirrados pelo frio Invernal, desliza destino final adentro.

Pouco passa do meio-dia quando se imobiliza na estação Guilin West. Tínhamos dormido o possível nos lugares-cama cimeiros que nos calharam. Mesmo assim, ao percorrermos a plataforma, ainda sentimos o balanço do comboio e arrastamo-nos e à bagagem à laia de mortos-vivos em busca de sentido naquele escoador ferroviário da civilização oriental.

Edifícios de Guilin, província de Guangxi, China

Casario de betão de Guilin aquém da imensidão de picos rochosos em volta da cidade.

Um Descanso Ainda Melhor que o Merecido

Por sorte, tínhamos conseguido estadia num dos hotéis mais sofisticados e acolhedores da cidade. Cumprido um curto trajecto de táxi e um rápido check in, entregamo-nos aos portáteis mas acabamos por nos rendermos à cama acolchoada e aconchegante, apostados em recuperarmos os corpos e as mentes da canseira a que nos tínhamos submetido.

Despertamos já de noite, famintos, mas com energias suficientes para caminharmos pelos arredores do hotel em busca de um pouso poupado para jantarmos.

Está escuro. Um escuro peculiar. Aqui e ali, profanado por uma ou outra iluminação de rua, o breu prova-se quase alvo tal é a humidade que envolve a cidade e, naquela altura do ano, apostávamos que toda a província de Guangxi.

Apertamos os agasalhos para protegermos os ossos da cacimba. Mesmo sem sabermos qual o melhor rumo, metemo-nos a caminho. O hotel ficava numa zona destacada do casario urbano, entre os bairros de Sanliancun e de Xiacun, na iminência do rio Li e da ponte da rua Huancheng North que o atravessava.

A Noite Nevoenta de Guilin

Avançamos no sentido oposto ao rio, guiados por luzes que a névoa distorcia mas que indiciavam um qualquer nicho de civilização. Alternamos entre a berma da estrada e uma outra via lateral, salpicada de árvores.

De início, pensamos tratar-se de um refúgio pedonal pelo que caminhamos despreocupados com o trânsito. Isto até que uma motoreta fantasma surge do nada e nos força a um quase salto de emergência. Era a primeira. Não seria a última.

Nos últimos tempos, as motas e pequenos carros eléctricos pegaram de moda na China, muito graças à poupança de custos em combustível que proporcionam.

Mas, o desrespeito epidémico pelas regras e sinais de trânsito validava que, apostados em prolongar as cargas das baterias,  os seus condutores circulassem de noite, daquela forma, com as luzes desligadas, sem qualquer intenção de buzinar, fosse qual fosse o imprevisto.

Um restaurante aberto mas deserto de clientela abrevia-nos a caminhada. Instalamo-nos. Pedimos os chao fàn e miàn tiáo (arroz semi-frito e massa com vegetais) que sabíamos ideais para encher a barriga e simplificar processos. Devoramo-los com a avidez de quem há dois dias não via uma refeição empratada, regressamos ao hotel, aos portáteis e ao sono.

Túnel, Guilin, China

Motociclista cruza da cidade velha para outra zona mais moderna de Guilin.

Novo Dia, o Mesmo Nevoeiro

Tomamos o pequeno-almoço na companhia de Ruby Zhu, a Communications Manager do hotel. Ruby nasceu em Xian. Estudou em Amesterdão, visitou a Alemanha e a Bélgica e habituou-se à liberdade europeia.

Não se furta a comunicar, seja qual for o tema: “nós não vamos à bola com os japoneses… as TV’s do hotel têm que ser boas. Não queremos as chinesas porque ainda estão longe disso. Mas também não compramos as japonesas. Compramos as coreanas. As coreanas são boas e as fábricas deles estão na China, por isso, ajudamo-los.”

Com a manhã a esgotar-se demais para o nosso gosto, encurtamos o convívio. Saímos disparados para a cidade.

Isolada do centro da China pelas montanhas Nan, a província de Guangxi sempre se manteve à parte, tanto em termos geográficos como no imaginário dos chineses de outras partes, que lhe atribuem uma boa dose de misticismo, visível nas ilustrações artísticas de incontáveis restaurantes chineses, na China, e por esse mundo fora.

Da Indústria à Aposta na Ecologia

Um canal baptizado de Ling, aberto em tempos ancestrais (II a.C), permitiu que pequenas embarcações navegassem do rio Yangtse para o Xi, através de um outro, o Xiang. Daí em diante, o comércio despontou e desenvolveu-se sem retorno. Numa vasta zona fluvial e com forte pluviosidade, a agricultura não tardou a conquistar o seu espaço. Garantiu o sustento de centenas de milhares de almas entretanto para ali migradas.

Avançamos no tempo. Por altura da 2ª Guerra Mundial, Guilin contava com uma população de mais de dois milhões quando serviu de base para sucessivos ataques contra as forças invasoras nipónicas. Sem surpresa, sofreu a retaliação dos japoneses. Foi arrasada.

As autoridades esboçaram uma recuperação assente na instalação de várias fábricas poluentes. Mais tarde, quando a paisagem circundante  suscitou a admiração do mundo, a aposta no marketing turístico da região, obrigou à expulsão dessas fábricas.

Guilin continuou a desenvolver-se no registo ecológico pretendido. A cidade é agora a terceira de Guangxi, a seguir à capital Nanning (quase 7 milhões de habitantes) e a Liuzhou (4 milhões).

A Guilin urbana não acolhe sequer um milhão de habitantes mas recebe 3.2 milhões de visitantes todos os anos. À data deste texto, Guilin não integrava um único prédio com mais de vinte andares, um caso raro na China contemporânea, apostada em crescer em todas as direcções incluindo a do céu.

Palácio do Príncipe de Jingjiang, Guilin, China

O Palácio amarelo do Príncipe de Jingjiang, contra um dos muitos penhascos aguçados da área.

Monumentos que Acompanharam a História

Mesmo erguido durante a dinastia Ming (1372 d.C. a 1392 d.C), o Palácio amarelo do Príncipe de Jingjiang que encontramos a 4km, do lado de lá do rio Li, parece concorrer pelo azul do firmamento com um dos penhascos abruptos e afiados que despontam do solo, um pouco por toda a parte.

Surge em plena Cidade Interior, o âmago histórico de Guilin com 630 anos, mais antigo que o da Cidade Proibida de Pequim. Hoje, tal como constatámos pela quantidade de jovens a por ali passar, funciona como a Universidade de Guangxi mas, nos 257 anos decorridos desde a sua construção até ter sido danificado durante a dinastia Qing, o palácio acolheu catorze reis de doze distintas gerações.

Não só. Durante a Guerra Civil Chinesa, o fundador do Kuomintang Sun Yat-sen também lá se alojou, durante a Expedição do Norte (1926-1928) em que o Exército Nacional Revolucionário Chinês procurou derrotar o Governo de Beyiang com sede em Pequim e outros senhores da guerra para assim reunificar a China ainda dividida devido a efeitos imprevistos da Primeira Revolução Chinesa.

Um Pico Solitário com Vista Panorâmica

Demoramos tempo a assimilar a história complexa do lugar. Bem mais que a beleza do complexo muralhado, organizado em redor de quatro grandes pavilhões, quatro salões e quarenta outros grandes edifícios “à sombra” do imponente Solitary Beauty Peak, um outro morro aguçado situado quase sobre o rio Li e a que temos o bom senso de subir pela escadaria íngreme e sinuosa. Sabemos que atingimos o cume quando, extenuados, damos de caras com o pequeno pagode que o coroa.

Daquele cimo destacado de que, durante o Verão, pende uma vegetação farta, contemplamos a vista a 360º: o casario de Guilin para diante, sobretudo à esquerda do rio Li que retalha a cidade.

A maior distância, em quase todas as direcções, as silhuetas das colinas pontiagudas abundantes nestas partes do norte de Guangxi e que formam o Império de Rocha deslumbrante da região, o domínio de Leye-Fengshan, declarado geopark tal é o virtuosismo geológico dos seus incontáveis penhascos, grutas e câmaras subterrâneas de calcário.

Mal a Primavera se insinua, este cenário atrai uma horda ansiosa de espeleólogos, escaladores e aventureiros em geral dispostos a arriscar (pelo menos um pouco) as vidas em honra da imponência e excentricidade da Natureza local. Ainda estávamos a meio do Inverno. De acordo, tal como acontecia no topo do Solitary Beauty Peak, os visitantes eram sobretudo chineses de férias após o período ocidental da Passagem d’Ano.

A Vida Ribeirinha nas Margens do Li

Regressamos ao nível do solo e à margem do Li, apontados a outra sua peculiaridade, a Elephant Trunk Hill. Pelo caminho, protegidas de eventual chuva debaixo de uma ponte, um batalhão de mulheres munidas de tambores e que seguravam tiras de tecido lustroso, ensaiavam movimentos de uma qualquer parada em que iriam participar.

Mais à frente, uma frota de pescadores sentados sobre o mesmo número de jangadas de bambu, as tradicionais do Li, pescavam sobre as águas gélidas e quase imóveis do rio.

Pescadores no rio Li, Guilin, China

Pescadores partilham as águas frígidas do rio Li, o rio que cruza Guilin.

A Elephant Trunk Hill forçou-nos a 5km de caminhada. Identificamo-la, claro está, pela forma que lhe dá o nome, notória por um morro comprido terminar já sobre o rio com um enorme orifício que, após a época das chuvas, fica reduzido a metade.

Prosseguimos ao longo do Li, na direcção da Fubo Hill, uma outra colina de calcário com o sopé esburacado pela erosão e com três grutas independentes. Incluindo a Thousand Bhuddas Cave, recheada de esculturas de Buda ali conquistadas às paredes rochosas durante a dinastia Tang (608-907 d.C.).

Estão 8 ou 9 graus. Indiferente à frescura e para espanto de uma comitiva que apreciava o rio a partir de aberturas da gruta, um morador de Guilin decidido a preservar a juventude do corpo, nada ali em frente. Esbraceja na água esverdeada, em absoluto contraste com um pescador encasacado que o contempla com indiferença, sobre o limiar do penhasco.

Como acontece por toda a China, comerciantes de recordações mantêm nas imediações uma banca dotada de trajes coloridos das diversas minorias étnicas de Guangxi: os Zhuang, os Yao, os Hui, os Miao e os Dong. Uns atrás dos outros mas bem espaçados, os sino-turistas chineses vestem as suas vestes preferidas e fazem-se fotografar em reboliço.

À Descoberta da excêntrica Guilin Lacustre

Regressamos ao centro da cidade. Lá procuramos por outro dos seus refúgios emblemáticos de tranquilidade e lazer, o lago urbano de Fir (Shanhu). Quando chegamos, grupos de habitantes sincronizam as almas de acordo com as coreografias do tai-chi enquanto o dia curto do Inverno chinês se desfaz.

O intensificar do lusco-fusco faz realçar os dois pagodes quase gémeos que se projectam do lago. Tratam-se do Sol e do Lua, também conhecidos por Prata e Ouro, e iluminados a condizer. Não seriam os últimos pagodes que apreciaríamos nem naquela noite nem em Guilin.

Saímos disparados. Apanhamos um táxi para o hotel. Pelo caminho, detemo-nos em Mulong, um outro lago parte do itinerário aquático “dois rios, quatro lagos” da cidade. Mulong tem tudo para ser importante mas encontramo-lo sem vivalma, relegado a um aparente plano secundário.

edifícios históricos do lago Mulong, Guilin, China

Conjunto arquitectónico do lago Mulong com o pagode e a ponte iluminadas entre penhascos de calcário.

Completamente sós, deslumbramo-nos com o exotismo asiático daquele outro cenário histórico, encaixado entre dois enormes penhascos ligados por uma ponte em arco. Também o conjunto está iluminado, de forma ainda mais exuberante que os pagodes Sol e Lua.

Por fim, encontramos um funcionário. A muito esforço, explica-nos que só em época alta abrem os pequenos restaurantes e é levado à cena um espectáculo temático. Naquela altura, o lugar servia apenas para acolher eventos e celebrações particulares.

Já com a noite cerrada, surgem os primeiros convidados de uma delas. Nós, concedemos-lhe a exclusividade contratada e recolhemos ao hotel surpreendidos e satisfeitos com o que a cidade nos revelara. Na manhã seguinte, mudamo-nos para Yangshuo e começamos a explorar o cenário mágico de água e pedra que envolve Guilin.

Espectáculos

O Mundo em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.
Badaling, China

A Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da Muralha da China, a maior estrutura criada pelo homem. Recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.
Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação
Huang Shan, China

Huang Shan: as Montanhas Amarelas dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos das montanhas amarelas e flutuantes de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas da China sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.
Fortalezas

O Mundo à Defesa - Castelos e Fortalezas que Resistem

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Cena de rua, Guadalupe, Caribe, Efeito Borboleta, Antilhas Francesas
Parques nacionais
Guadalupe, Antilhas Francesas

Guadalupe: Um Caribe Delicioso, em Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Visitantes nos Jameos del Água, Lanzarote, Canárias, Espanha
Arquitectura & Design
Lanzarote, Ilhas Canárias

A César Manrique o que é de César Manrique

Só por si, Lanzarote seria sempre uma Canária à parte mas é quase impossível explorá-la sem descobrir o génio irrequieto e activista de um dos seus filhos pródigos. César Manrique faleceu há quase trinta anos. A obra prolífica que legou resplandece sobre a lava da ilha vulcânica que o viu nascer.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Aventura
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Dia da Austrália, Perth, bandeira australiana
Cerimónias e Festividades
Perth, Austrália

Dia da Austrália: em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.
Totem, Sitka, Viagem Alasca que já foi da Rússia
Cidades
Sitka, Alasca

Sitka: Viagem por um Alasca que Já foi Russo

Em 1867, o czar Alexandre II teve que vender o Alasca russo aos Estados Unidos. Na pequena cidade de Sitka, encontramos o legado russo mas também os nativos Tlingit que os combateram.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Cabine lotada
Cultura
Saariselka, Finlândia

O Delicioso Calor do Árctico

Diz-se que os finlandeses criaram os SMS para não terem que falar. O imaginário dos nórdicos frios perde-se na névoa das suas amadas saunas, verdadeiras sessões de terapia física e social.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Casario sofisticado de Tóquio, onde o Couchsurfing e os seus anfitriões abundam.
Em Viagem
Couchsurfing (Parte 1)

Mi Casa, Su Casa

Em 2003, uma nova comunidade online globalizou um antigo cenário de hospitalidade, convívio e de interesses. Hoje, o Couchsurfing acolhe milhões de viajantes, mas não deve ser praticado de ânimo leve.
Insólito Balnear
Étnico

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Pequena súbdita
História

Hampi, India

À Descoberta do Antigo Reino de Bisnaga

Em 1565, o império hindu de Vijayanagar sucumbiu a ataques inimigos. 45 anos antes, já tinha sido vítima da aportuguesação do seu nome por dois aventureiros portugueses que o revelaram ao Ocidente.

Espargos, ilha do Sal, Cabo Verde
Ilhas
Ilha do Sal, Cabo Verde

O Sal da Ilha do Sal

Na iminência do século XIX, Sal mantinha-se carente de água potável e praticamente inabitada. Até que a extracção e exportação do sal lá abundante incentivou uma progressiva povoação. Hoje, o sal e as salinas dão outro sabor à ilha mais visitada de Cabo Verde.
lago ala juumajarvi, parque nacional oulanka, finlandia
Inverno Branco
Kuusamo ao PN Oulanka, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.
Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Natureza
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
lagoas e fumarolas, vulcoes, PN tongariro, nova zelandia
Parques Naturais
Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões do PN Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori reclama aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.
Visitante, Michaelmas Cay, Grande Barreira de Recife, Australia
Património Mundial UNESCO
Michaelmas Cay, Austrália

A Milhas do Natal (parte I)

Na Austrália, vivemos o mais incaracterístico dos 24os de Dezembro. Zarpamos para o Mar de Coral e desembarcamos num ilhéu idílico que partilhamos com gaivinas-de-bico-laranja e outras aves.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Personagens
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Hotel à moda Tayrona
Praias

Santa Marta e PN Tayrona, Colômbia

O Paraíso de que Partiu Simón Bolívar

Às portas do PN Tayrona, Santa Marta é a cidade hispânica habitada em contínuo mais antiga da Colômbia.  Nela, Simón Bolívar, começou a tornar-se a única figura do continente quase tão reverenciada como Jesus Cristo e a Virgem Maria.  

auto flagelacao, paixao de cristo, filipinas
Religião
Marinduque, Filipinas

A Paixão Filipina de Cristo

Nenhuma nação em redor é católica mas muitos filipinos não se deixam intimidar. Na Semana Santa, entregam-se à crença herdada dos colonos espanhóis.A auto-flagelação torna-se uma prova sangrenta de fé
white pass yukon train, Skagway, Rota do ouro, Alasca, EUA
Sobre carris
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Singapura, ilha Sucesso e Monotonia
Sociedade
Singapura

A Ilha do Sucesso e da Monotonia

Habituada a planear e a vencer, Singapura seduz e recruta gente ambiciosa de todo o mundo. Ao mesmo tempo, parece aborrecer de morte alguns dos seus habitantes mais criativos.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Vida Quotidiana
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Vida Selvagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.