Guilin, China

O Portal Para o Reino Chinês de Pedra


Ensaio animado
Adereços tradicionais
Insólito Paquiderme
Guilin-Rio-Li-Elephant-Trunk-hill-China-Guangxi
Betão vs Pedra
Palácio do Principe de Jingjiang, outra versão
Suave moda medieval
Jogo contado
Sol e Lua sobre o lago
Galeria Comunista
A imensidão de colinas de calcário afiadas em redor é de tal forma majestosa que as autoridades de Pequim a imprimem no verso das notas de 20 yuans. Quem a explora, passa quase sempre por Guilin. E mesmo se esta cidade da província de Guangxi destoa da natureza exuberante em redor, também lhe achámos os seus encantos.

Uma Epopeia Ferroviária

26. Foram vinte e seis as horas de comboio as que nos levaram de Lijiang, na província de Yunnan via Dali e Kunming, até à distante Guilin.

Ignoramos o Natal numa qualquer carruagem espartana, deslocados numa comunidade pós-Comunista de sino-passageiros pouco dados a tais crendices. Nem às cristãs, nem às pagãs. Determinados, sim, a celebrar os momentos a bordo com o apego de outros quaisquer.

Um passeio descomprometido pelo corredor revela-nos pequenos torneios de mahjong e de cartas, banquetes de noodles instantâneos e conversas tão animadas que nos soavam a discussão.

Quase 1500km após a partida, sem nunca pormos os olhos noutros forasteiros, praticamente à mesma latitude da origem, a composição que há muito avançava entre arrozais mirrados pelo frio Invernal, desliza destino final adentro.

Pouco passa do meio-dia quando se imobiliza na estação Guilin West. Tínhamos dormido o possível nos lugares-cama cimeiros que nos calharam. Mesmo assim, ao percorrermos a plataforma, ainda sentimos o balanço do comboio e arrastamo-nos e à bagagem à laia de mortos-vivos em busca de sentido naquele escoador ferroviário da civilização oriental.

Edifícios de Guilin, província de Guangxi, China

Casario de betão de Guilin aquém da imensidão de picos rochosos em volta da cidade.

Um Descanso Ainda Melhor que o Merecido

Por sorte, tínhamos conseguido estadia num dos hotéis mais sofisticados e acolhedores da cidade. Cumprido um curto trajecto de táxi e um rápido check in, entregamo-nos aos portáteis mas acabamos por nos rendermos à cama acolchoada e aconchegante, apostados em recuperarmos os corpos e as mentes da canseira a que nos tínhamos submetido.

Despertamos já de noite, famintos, mas com energias suficientes para caminharmos pelos arredores do hotel em busca de um pouso poupado para jantarmos.

Está escuro. Um escuro peculiar. Aqui e ali, profanado por uma ou outra iluminação de rua, o breu prova-se quase alvo tal é a humidade que envolve a cidade e, naquela altura do ano, apostávamos que toda a província de Guangxi.

Apertamos os agasalhos para protegermos os ossos da cacimba. Mesmo sem sabermos qual o melhor rumo, metemo-nos a caminho. O hotel ficava numa zona destacada do casario urbano, entre os bairros de Sanliancun e de Xiacun, na iminência do rio Li e da ponte da rua Huancheng North que o atravessava.

A Noite Nevoenta de Guilin

Avançamos no sentido oposto ao rio, guiados por luzes que a névoa distorcia mas que indiciavam um qualquer nicho de civilização. Alternamos entre a berma da estrada e uma outra via lateral, salpicada de árvores.

De início, pensamos tratar-se de um refúgio pedonal pelo que caminhamos despreocupados com o trânsito. Isto até que uma motoreta fantasma surge do nada e nos força a um quase salto de emergência. Era a primeira. Não seria a última.

Nos últimos tempos, as motas e pequenos carros eléctricos pegaram de moda na China, muito graças à poupança de custos em combustível que proporcionam.

Mas, o desrespeito epidémico pelas regras e sinais de trânsito validava que, apostados em prolongar as cargas das baterias,  os seus condutores circulassem de noite, daquela forma, com as luzes desligadas, sem qualquer intenção de buzinar, fosse qual fosse o imprevisto.

Um restaurante aberto mas deserto de clientela abrevia-nos a caminhada. Instalamo-nos. Pedimos os chao fàn e miàn tiáo (arroz semi-frito e massa com vegetais) que sabíamos ideais para encher a barriga e simplificar processos. Devoramo-los com a avidez de quem há dois dias não via uma refeição empratada, regressamos ao hotel, aos portáteis e ao sono.

Túnel, Guilin, China

Motociclista cruza da cidade velha para outra zona mais moderna de Guilin.

Novo Dia, o Mesmo Nevoeiro

Tomamos o pequeno-almoço na companhia de Ruby Zhu, a Communications Manager do hotel. Ruby nasceu em Xian. Estudou em Amesterdão, visitou a Alemanha e a Bélgica e habituou-se à liberdade europeia.

Não se furta a comunicar, seja qual for o tema: “nós não vamos à bola com os japoneses… as TV’s do hotel têm que ser boas. Não queremos as chinesas porque ainda estão longe disso. Mas também não compramos as japonesas. Compramos as coreanas. As coreanas são boas e as fábricas deles estão na China, por isso, ajudamo-los.”

Com a manhã a esgotar-se demais para o nosso gosto, encurtamos o convívio. Saímos disparados para a cidade.

Isolada do centro da China pelas montanhas Nan, a província de Guangxi sempre se manteve à parte, tanto em termos geográficos como no imaginário dos chineses de outras partes, que lhe atribuem uma boa dose de misticismo, visível nas ilustrações artísticas de incontáveis restaurantes chineses, na China, e por esse mundo fora.

Da Indústria à Aposta na Ecologia

Um canal baptizado de Ling, aberto em tempos ancestrais (II a.C), permitiu que pequenas embarcações navegassem do rio Yangtse para o Xi, através de um outro, o Xiang. Daí em diante, o comércio despontou e desenvolveu-se sem retorno. Numa vasta zona fluvial e com forte pluviosidade, a agricultura não tardou a conquistar o seu espaço. Garantiu o sustento de centenas de milhares de almas entretanto para ali migradas.

Avançamos no tempo. Por altura da 2ª Guerra Mundial, Guilin contava com uma população de mais de dois milhões quando serviu de base para sucessivos ataques contra as forças invasoras nipónicas. Sem surpresa, sofreu a retaliação dos japoneses. Foi arrasada.

As autoridades esboçaram uma recuperação assente na instalação de várias fábricas poluentes. Mais tarde, quando a paisagem circundante  suscitou a admiração do mundo, a aposta no marketing turístico da região, obrigou à expulsão dessas fábricas.

Guilin continuou a desenvolver-se no registo ecológico pretendido. A cidade é agora a terceira de Guangxi, a seguir à capital Nanning (quase 7 milhões de habitantes) e a Liuzhou (4 milhões).

A Guilin urbana não acolhe sequer um milhão de habitantes mas recebe 3.2 milhões de visitantes todos os anos. À data deste texto, Guilin não integrava um único prédio com mais de vinte andares, um caso raro na China contemporânea, apostada em crescer em todas as direcções incluindo a do céu.

Palácio do Príncipe de Jingjiang, Guilin, China

O Palácio amarelo do Príncipe de Jingjiang, contra um dos muitos penhascos aguçados da área.

Monumentos que Acompanharam a História

Mesmo erguido durante a dinastia Ming (1372 d.C. a 1392 d.C), o Palácio amarelo do Príncipe de Jingjiang que encontramos a 4km, do lado de lá do rio Li, parece concorrer pelo azul do firmamento com um dos penhascos abruptos e afiados que despontam do solo, um pouco por toda a parte.

Surge em plena Cidade Interior, o âmago histórico de Guilin com 630 anos, mais antigo que o da Cidade Proibida de Pequim. Hoje, tal como constatámos pela quantidade de jovens a por ali passar, funciona como a Universidade de Guangxi mas, nos 257 anos decorridos desde a sua construção até ter sido danificado durante a dinastia Qing, o palácio acolheu catorze reis de doze distintas gerações.

Não só. Durante a Guerra Civil Chinesa, o fundador do Kuomintang Sun Yat-sen também lá se alojou, durante a Expedição do Norte (1926-1928) em que o Exército Nacional Revolucionário Chinês procurou derrotar o Governo de Beyiang com sede em Pequim e outros senhores da guerra para assim reunificar a China ainda dividida devido a efeitos imprevistos da Primeira Revolução Chinesa.

Um Pico Solitário com Vista Panorâmica

Demoramos tempo a assimilar a história complexa do lugar. Bem mais que a beleza do complexo muralhado, organizado em redor de quatro grandes pavilhões, quatro salões e quarenta outros grandes edifícios “à sombra” do imponente Solitary Beauty Peak, um outro morro aguçado situado quase sobre o rio Li e a que temos o bom senso de subir pela escadaria íngreme e sinuosa. Sabemos que atingimos o cume quando, extenuados, damos de caras com o pequeno pagode que o coroa.

Daquele cimo destacado de que, durante o Verão, pende uma vegetação farta, contemplamos a vista a 360º: o casario de Guilin para diante, sobretudo à esquerda do rio Li que retalha a cidade.

A maior distância, em quase todas as direcções, as silhuetas das colinas pontiagudas abundantes nestas partes do norte de Guangxi e que formam o Império de Rocha deslumbrante da região, o domínio de Leye-Fengshan, declarado geopark tal é o virtuosismo geológico dos seus incontáveis penhascos, grutas e câmaras subterrâneas de calcário.

Mal a Primavera se insinua, este cenário atrai uma horda ansiosa de espeleólogos, escaladores e aventureiros em geral dispostos a arriscar (pelo menos um pouco) as vidas em honra da imponência e excentricidade da Natureza local. Ainda estávamos a meio do Inverno. De acordo, tal como acontecia no topo do Solitary Beauty Peak, os visitantes eram sobretudo chineses de férias após o período ocidental da Passagem d’Ano.

A Vida Ribeirinha nas Margens do Li

Regressamos ao nível do solo e à margem do Li, apontados a outra sua peculiaridade, a Elephant Trunk Hill. Pelo caminho, protegidas de eventual chuva debaixo de uma ponte, um batalhão de mulheres munidas de tambores e que seguravam tiras de tecido lustroso, ensaiavam movimentos de uma qualquer parada em que iriam participar.

Mais à frente, uma frota de pescadores sentados sobre o mesmo número de jangadas de bambu, as tradicionais do Li, pescavam sobre as águas gélidas e quase imóveis do rio.

Pescadores no rio Li, Guilin, China

Pescadores partilham as águas frígidas do rio Li, o rio que cruza Guilin.

A Elephant Trunk Hill forçou-nos a 5km de caminhada. Identificamo-la, claro está, pela forma que lhe dá o nome, notória por um morro comprido terminar já sobre o rio com um enorme orifício que, após a época das chuvas, fica reduzido a metade.

Prosseguimos ao longo do Li, na direcção da Fubo Hill, uma outra colina de calcário com o sopé esburacado pela erosão e com três grutas independentes. Incluindo a Thousand Bhuddas Cave, recheada de esculturas de Buda ali conquistadas às paredes rochosas durante a dinastia Tang (608-907 d.C.).

Estão 8 ou 9 graus. Indiferente à frescura e para espanto de uma comitiva que apreciava o rio a partir de aberturas da gruta, um morador de Guilin decidido a preservar a juventude do corpo, nada ali em frente. Esbraceja na água esverdeada, em absoluto contraste com um pescador encasacado que o contempla com indiferença, sobre o limiar do penhasco.

Como acontece por toda a China, comerciantes de recordações mantêm nas imediações uma banca dotada de trajes coloridos das diversas minorias étnicas de Guangxi: os Zhuang, os Yao, os Hui, os Miao e os Dong. Uns atrás dos outros mas bem espaçados, os sino-turistas chineses vestem as suas vestes preferidas e fazem-se fotografar em reboliço.

À Descoberta da excêntrica Guilin Lacustre

Regressamos ao centro da cidade. Lá procuramos por outro dos seus refúgios emblemáticos de tranquilidade e lazer, o lago urbano de Fir (Shanhu). Quando chegamos, grupos de habitantes sincronizam as almas de acordo com as coreografias do tai-chi enquanto o dia curto do Inverno chinês se desfaz.

O intensificar do lusco-fusco faz realçar os dois pagodes quase gémeos que se projectam do lago. Tratam-se do Sol e do Lua, também conhecidos por Prata e Ouro, e iluminados a condizer. Não seriam os últimos pagodes que apreciaríamos nem naquela noite nem em Guilin.

Saímos disparados. Apanhamos um táxi para o hotel. Pelo caminho, detemo-nos em Mulong, um outro lago parte do itinerário aquático “dois rios, quatro lagos” da cidade. Mulong tem tudo para ser importante mas encontramo-lo sem vivalma, relegado a um aparente plano secundário.

edifícios históricos do lago Mulong, Guilin, China

Conjunto arquitectónico do lago Mulong com o pagode e a ponte iluminadas entre penhascos de calcário.

Completamente sós, deslumbramo-nos com o exotismo asiático daquele outro cenário histórico, encaixado entre dois enormes penhascos ligados por uma ponte em arco. Também o conjunto está iluminado, de forma ainda mais exuberante que os pagodes Sol e Lua.

Por fim, encontramos um funcionário. A muito esforço, explica-nos que só em época alta abrem os pequenos restaurantes e é levado à cena um espectáculo temático. Naquela altura, o lugar servia apenas para acolher eventos e celebrações particulares.

Já com a noite cerrada, surgem os primeiros convidados de uma delas. Nós, concedemos-lhe a exclusividade contratada e recolhemos ao hotel surpreendidos e satisfeitos com o que a cidade nos revelara. Na manhã seguinte, mudamo-nos para Yangshuo e começamos a explorar o cenário mágico de água e pedra que envolve Guilin.

Espectáculos

A Terra em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.

Badaling, China

Uma Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da maior estrutura criada pelo homem, recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.

Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação

Huang Shan, China

A Montanha dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Fortalezas

O Mundo à Defesa

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Uma Cidade Perdida e Achada
Arquitectura & Design

Machu Picchu, Peru

A Cidade Perdida em Mistério dos Incas

Ao deambularmos por Machu Picchu, encontramos sentido nas explicações mais aceites para a sua fundação e abandono. Mas, sempre que o complexo é encerrado, as ruínas ficam entregues aos seus enigmas.

Fogo-de-artifício branco
Aventura

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Nana Kwame V, chefe ganês, festival Fetu Afahye, Gana
Cerimónias e Festividades
Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.
De volta ao porto
Cidades

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Verão Escarlate
Cultura

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Bark Europa
Em Viagem

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Moldura
Étnico

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

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Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
De visita
Património Mundial UNESCO

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Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

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O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Espantoso
Praias

Ambergris Caye, Belize

O Recreio do Belize

Madonna cantou-a como La Isla Bonita e reforçou o mote. Hoje, nem os furacões nem as disputas políticas desencorajam os veraneantes VIPs e endinheirados de se divertirem neste refúgio tropical.

No sopé do grande Aratat
Religião

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

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Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

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Durante 121 anos, foi a última nação na Terra a mudar de dia. Mas, Samoa percebeu que as suas finanças ficavam para trás e, no fim de 2012, decidiu voltar para oeste da Linha Internacional de Data.
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Brincadeira ao ocaso
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PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
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Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.