Gozo, Malta

Dias Mediterrânicos de Puro Gozo


O Buraco Azul
O buraco azul, uma lagoa natural na costa noroeste da ilha de Gozo.
Gozo Rural
Minifúndios ressequidos pelo Verão em redor de Gharb.
Velha cabine quase à sombra
Cidadela, Vitoria, ilha de Gozo, Malta
Casario Vitorioso
Casario de calcário de Victoria, ilha de Gozo, Malta
A Praça de Gharb
Praça central de Gharb, uma das povoações com arquitectura tradicional de Gozo.
Decoração bélica
Pormenor de fachada com inspiração bélica de Gozo.
Baía de Ramla
Maré vazia numa enseada junto à Ramla, no norte de Gozo.
Abençoado Mediterrâneo
Banhistas refrescam-se no mar cristalino da lagoa de Comino.
Catedral de Saint George
Fachada da catedral de Saint George mais iluminada que o restante casario da cidadela de Victoria.
Do Dia para a Noite
As primeiras luzes acendem-se na cidadela de Victoria
A ilha de Gozo tem um terço do tamanho de Malta mas apenas trinta dos trezentos mil habitantes da pequena nação. Em duo com o recreio balnear de Comino, abriga uma versão mais terra-a-terra e serena da sempre peculiar vida maltesa.

As coisas são como são. Ditaram que, mesmo a ficar atrasados para a partida do ferry, nos desviássemos da estrada principal para uma segunda espreitada sobre a aldeia maltesa do Popeye, do lado de lá da baía de Il-Prajjet.

Éramos donos e senhores de uma infância marcada pelo marinheiro prodigioso, alimentado a espinafres. Ainda nos custava a acreditar o destaque e as edificações de desenho-animado surreais que Malta ali lhe dedicava, encavalitadas numa laje apertada, entre uma falésia de calcário e uma reentrada translúcida, verde-esmeralda do Mediterrâneo.

Por algum tempo, contemplamos a povoação, meio perdidos entre a fantasia e a incredulidade. Fazemo-lo o tempo que a tabela de partidas do terminal de Ic-Cirkewwa nos concedia.

Sobre as nove da manhã, embarcamos no navio destinado a Mgarr, na costa sul de Gozo.

Desembarque em Gozo, Entrada na Casa San Giuseppe, em Tempos de Jacques-Francois de Chambray

A navegação do canal prova-se tão suave como breve. Permite-nos o primeiro vislumbre do ilhéu intermédio de Comino a que estava nos planos voltarmos.

Desembarcamos em Mgarr. Uma ladeira leva-nos a um plano superior da ilha. Pouco depois, encontramos o lugar em que nos íamos instalar. Até então, só tínhamos o nome do responsável: Joseph. Quando nos deparamos com o edifício, constatamos que o pórtico de entrada a identificava como Casa San Giuseppe e que, elevado num segundo plano, se destacava um pequeno campanário.

Joseph Portelli, o anfitrião, abre-nos a porta. Conduz-nos a um átrio principal. Pelo caminho, percebemos que estávamos a dar entrada num pequeno mosteiro ou seminário convertido em pousada.

Com os preços por noite mais religiosos da ilha, atraía sucessivos visitantes como nós, com as finanças sempre a agradecerem toda e qualquer caridade.

Explica-nos Joseph que aquele complexo de configuração monástica chegou a ser o lar de Jacques-Francois de Chambray, embaixador e oficial de justiça da Ordem dos Hospitalários, frequentador da Corte de Lisboa.

Gharb, ilha de Gozo, Malta

Pormenor de fachada com inspiração bélica de Gozo.

Em 1749, o português Manoel Pinto da Fonseca, à data, o Grande Mestre dos Hospitalários, nomeou Chambray Governador de Gozo.

Daí em diante, sob o peso de tal responsabilidade, o francês dedicou o resto sua vida à ilha.

O Passado Tremido mas Resiliente da Ilha de Gozo

As ilhas de Malta eram, então, atacadas com frequência por piratas e pelos inimigos muçulmanos a sul, sempre atentos às melhores alturas de a conquistarem ou tão só saquearem.

Chambray entregou-se de corpo e alma à construção de um forte que protegesse o ponto de desembarque e de entrada natural de Gozo, a enseada de Mgarr em que a havíamos pisado pela primeira vez.

Ainda não tínhamos reaberto as malas ou deixado sequer a costa sul, Gozo já nos impingia a sua história intensa. Maravilhados, como sempre andámos na irmã mais velha de Malta, apressamo-nos a ajustar-nos ao quarto e a inaugurarmos um périplo rodoviário pela ilha.

O Buraco Azul, Abaixo da Saudosa Janela Dwejra de Gozo

Com o sol a subir para o seu zénite, encalorados, desejosos de sentir alguma frescura na pele e na alma, apontamos ao norte. Cruzamos Gozo até ao litoral escarpado, tornado famoso pela Janela Azul, ou Janela Dwejra, um arco rochoso que, a quase trinta metros de altura, emoldurava o azul do Mediterrâneo e o do céu acima.

Fotogénico, como era, o arco apareceu em diversos filmes com destaque para “Choque de Titans” e o clássico “Conde de Monte Cristo”.

A notoriedade íntegra da Janela Azul terminou, em tragédia, a 8 de Março de 2017. Nesse dia, o vento e as vagas atiçadas por uma tempestade provocaram o seu já temido colapso.

Restava-nos, assim, a atração que há muito ficara com o papel secundário, o Buraco Azul de Dwejra, um dos pontos de mergulho mais populares de toda Malta.

Quando o identificamos, do topo da mesma falésia, partilhavam-no dois ou três banhistas que boiavam, chapinhavam e assim conviviam em puro deleite marinho. Sem aviso, assustou-os a emersão borbulhante de um grupo de mergulhadores a quem, por momentos, se veem forçados a abrir alas.

Buraco Azul, ilha de Gozo, Malta

O buraco azul, uma lagoa natural na costa noroeste da ilha de Gozo.

Aos poucos, mesmo atrapalhados pela parafernália que sempre os acompanha, os mergulhadores debandam. Quando deixamos a vista sobre aquela piscina natural, o Buraco Azul estava uma vez mais entregue à leveza e simplicidade de tanga dos banhistas.

O Campo Rural e Religioso de Gozo, Abençoado pela Igreja Ta Pinu

Do litoral de Saint Lawrence, apanhamos a Triq id-Dwejra para o interior de Gozo.

Na intersecção certa, cortamos para a Triq ta’ Pinu, a perpendicular que nos conduziria ao santuário que lhe havia concedido o baptismo.

A estradinha perde-se num campo de trigo ressequido, de que, aqui e ali, se destacavam alguns cactos opuntia, até eles torrados pelo sol.

A certo ponto, bem mais destacada que os cactos, impõe-se a visão de um templo erguido em pedra calcária. Semi-afundado num declive e de tom amarelado, o templo parecia querer camuflar-se na plantação.

Além de não o permitirem, os seus mais de 60 metros neo-romanescos de altura forçavam a igreja ao azul do firmamento, como que a sublinhar a sua função sagrada de ponte para o céu.

Até 1883, aquela mesma igreja era uma de vários santuários familiares que serviam a fé dos gozitanos. Reza a história que pertenceu aos Gentile.

Na viragem para o século XVII, passou para a posse de um procurador de nome Pinu Gauci, a razão porque ficou conhecida como Ta Pinu (de Filipe). Pinu Gauci investiu na restauração da igreja. Dotou-a de tudo o que carecia para que lá fossem realizadas missas e outros serviços litúrgicos.

Karnmi Grima e a Aparição Gozitana da Nossa Senhora

Mesmo assim, ninguém promoveu a igreja na esfera cristã como uma camponesa chamada Karmni (Carmela) Grima, a versão maltesa dos Três Pastorinhos da Cova da Iria, consideremos assim.

Em 1883, Karmni Grima caminhava nas imediações da igreja quando escutou uma voz a rogar-lhe que recitasse três aves Marias. Daí em diante, os malteses fizeram fé em que vários acontecimentos milagrosos se tinham dado devido a Senhora da Assumpção a que a igreja tinha sido dedicada.

Nos últimos tempos, o Vaticano fez questão de, à sua maneira, consagrar a igreja. Em 1990, visitou-a e lá celebrou missa o Papa João Paulo II. Vinte anos mais tarde, foi a vez de Bento XVI a visitar e recompensar os crentes de Gozo.

À hora em que por lá passamos, estava, todavia, fechada.

Campos de cultivo, Ilha de Gozo, Malta

Minifúndios ressequidos pelo Verão em redor de Gharb.

Gharb: uma das Povoações Mais Gozitanas de Gozo

Da Triq Ta’Pinu, cortamos para a Triq ta’Sdieri. Por essa via abaixo, por uma vastidão de minifúndios já rapados, salpicados por rolos de palha, chegamos a Gharb.

O nome soava a familiar. Traduzia a povoação no extremo ocidental de Gozo.

Se Malta caprichou na sua exuberância cristã, dentro das suas possibilidades, Gozo fez questão de não lhe ficar atrás. Em Gharb, confrontamo-nos com um bom exemplo. Gharb abrigava pouco mais que 1500 cristãos e, como tal, mantinha-se uma vila. Ainda assim, a sua praça central parecia ambicionar à grandiosidade de outras grandes urbes.

Dela se destacava a Igreja da Visitação, um templo barroco imponente, com dois campanários simétricos e a fachada virada para aquele que é considerado um dos conjuntos arquitectónicos mais gozitanos de toda a ilha.

Gharb, ilha de Gozo, Malta

Praça central de Gharb, uma povoação com arquitectura tradicional de Gozo.

Compõem a praça por diante edifícios erguidos no final do século XVII e uma bandeira maltesa branca e vermelha que ondula acima da entrada da esquadra de polícia local, a combinar na perfeição com a cabine telefónica britânica logo ao lado. Em tempos, uma caixa postal encarnada completava o conjunto. Por motivos operacionais dos correios malteses, foi removida.

Chegarmos em hora do calor. Encontramos a praça quase deserta, entregue à sua história. Não tarda, aparecem dois moradores que se saúdam e ficam à conversa na sombra providencial da igreja, supervisionados pelo trio de mulheres-estátuas representantes da Fé, da Esperança e da Caridade.

Sem que nos surpreendêssemos por aí além, apuramos que o altar tinha o seu quê de portugalidade. Conta com um retábulo impressionante que ilustra A Visitação. Prendou-o à igreja e à vila António Manoel de Vilhena, o terceiro Grão-Mestre português da Ordem de Malta.

Estávamos convertidos ao encanto de Gharb. Com o calor a acentuar-se, a tarde pedia um novo intervalo para gozo balnear.

O Refúgio Balnear Providencial de Ramla

Cruzamos a ilha de Ocidente para norte. Uma estrada campestre que não tínhamos ainda percorrido conduz-nos à iminência de Ir-Ramla, a baía de Ramla.

Na sua iminência, uma via de cimento complementar, mal-amanhada e demasiado íngreme para o pequeno utilitário em que seguíamos assegurava o derradeiro trajecto do cimo da falésia para a beira-mar.

Em Gozo, como em Malta em gera, mais que noutro lado qualquer, a descer todos os santos ajudam. De acordo, dez minutos depois, estávamos a pisar a areia de açafrão de Ramla que oculta ruínas romanas.

Ramla, Gozo, Malta

Maré vazia numa enseada junto à Ramla, no norte de Gozo.

Num plano apenas mitológico, o extremo ocidental da praia esconde ainda uma tal de gruta Calipso que os malteses afirmam ter sido a morada da ninfa Calipso que acolheu Ulisses por sete anos, antes de o herói ter retomado a sua Odisseia.

Banhamo-nos o possível num Mediterrâneo sedutor mas, ali, sem profundidade para grandes diversões. Estendemo-nos ao sol e descontraímos do frenesim fotográfico em que andávamos. Quando o ocaso nos começa a deixar à sombra, comemos gelados num dos quiosques que servem a praia. Extinto o tempo de descanso e a recompensa láctea, derreamo-nos a voltar ao carro e às alturas de Gozo.

Enquanto conduzíamos na direcção de Victoria – a capital da ilha, segunda cidade de Malta, a seguir a Valletta mesmo se com menos de sete mil habitantes – o dia caminhava para o seu fim.

Ultrapassamo-lo na pressa que levava. Quando chegamos, incidiam já os últimos raios de luz sobre a cidadela de Rabat, assim lhe chamam também os gozitanos.

Por boa razão, a cidadela foi situada no âmago da ilha e no seu zénite. Mais vulnerável que Malta, Gozo sofreu a bem sofrer com as incursões inimigas.

Em 1551, em plena fase de expansão do seu império, os Otomanos invadiram-na. Na sequência, a totalidade dos cerca de seis mil habitantes da ilha viram-se levados para Tripoli e escravizados. Essa tragédia desolou os governantes da Ordem de Malta.

Só quase duzentos anos depois, foi restabelecido o número de colonos, sobretudo com famílias recém-chegadas de Malta. No entretanto, a Ordem dos Hospitalários encarregou uma comissão de engenheiros para reverem as defesas de ambas as ilhas.

Atingimos o cimo de um dessas fortificações. Subimos para uma plataforma retalhada por muros e murinhos ligados por escadas e servidos por um restaurante que usufruía da excentricidade histórica do lugar.

Cidadela, Vitoria, ilha de Gozo, Malta

As primeiras luzes acendem-se na cidadela de Victoria

Daquele bastião sobranceiro, apreciamos o lento amarelar do casario espraiado por diante, em redor da igreja de Saint George que se erguia um nível acima  dos restantes terraços e se destacava a dobrar devido ao vermelho vivo da sua cúpula.

Por fim, a escuridão derrota Victoria.

Catedral de Saint George, Vitoria, ilha de Gozo, Malta

Fachada da catedral de Saint George mais iluminada que o restante casario da cidadela de Victoria.

Retornamos ao abrigo da Casa San Giuseppe.

O dia seguinte amanhece cinzento. Apostados na recuperação da meteorologia mediterrânea, regressamos ao porto de Mgarr e navegamos para a pequena ilha vizinha. Tal como esperávamos, quando o sol sobe, afugenta as nuvens.

Devolve à lagoa de Comino, entre a ilha de Comino e a ainda mais pequena Cominoto, o azul-turquesa e a translucidez que a fizeram famosa. Ancoram uns poucos veleiros à sua entrada. Clãs de veraneantes instalam-se ao longo das margens.

Lagoa de Comino, Malta

Banhistas refrescam-se no mar cristalino da lagoa de Comino.

Nós, caminhamos pelo cimo da ilha, a admiramos a disseminação da diversão balnear. No regresso, deixamos de lhe querer resistir.

Senglea, Malta

A Cidade Maltesa com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.
Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.
Míconos, Grécia

A Ilha Grega em Que o Mundo Celebra o Verão

Durante o século XX, Míconos chegou a ser apenas uma ilha pobre mas, por volta de 1960, ventos cicládicos de mudança transformaram-na. Primeiro, no principal abrigo gay do Mediterrâneo. Logo, na feira de vaidades apinhada, cosmopolita e boémia que encontramos quando a visitamos.
Iraklio, CretaGrécia

De Minos a Menos

Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.
Fira, Santorini, Grécia

Fira: Entre as Alturas e as Profundezas da Atlântida

Por volta de 1500 a.C. uma erupção devastadora fez afundar no Mar Egeu boa parte do vulcão-ilha Fira e levou ao colapso a civilização minóica, apontada vezes sem conta como a Atlântida. Seja qual for o passado, 3500 anos volvidos, Thira, a cidade homónima, tem tanto de real como de mítico.
Nea Kameni, Santorini, Grécia

O Cerne Vulcânico de Santorini

Tinham decorrido cerca de três milénios desde a erupção minóica que desintegrou a maior ilha-vulcão do Egeu. Os habitantes do cimo das falésias observaram terra emergir no centro da caldeira inundada. Nascia Nea Kameni, o coração fumegante de Santorini.
Reserva Masai Mara, Viagem Terra Masai, Quénia, Convívio masai
Safari
Masai Mara, Quénia

Reserva Masai Mara: De Viagem pela Terra Masai

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.
Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 10º: Manang a Yak Kharka, Nepal

A Caminho das Terras (Mais) Altas dos Annapurnas

Após uma pausa de aclimatização na civilização quase urbana de Manang (3519 m), voltamos a progredir na ascensão para o zénite de Thorong La (5416 m). Nesse dia, atingimos o lugarejo de Yak Kharka, aos 4018 m, um bom ponto de partida para os acampamentos na base do grande desfiladeiro.
Escadaria Palácio Itamaraty, Brasilia, Utopia, Brasil
Arquitectura & Design
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Salto Angel, Rio que cai do ceu, Angel Falls, PN Canaima, Venezuela
Aventura
PN Canaima, Venezuela

Kerepakupai, Salto Angel: O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra
Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Cerimónias e Festividades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Graffiti deusa creepy, Haight Ashbury, Sao Francisco, EUA, Estados Unidos America
Cidades
The Haight, São Francisco, E.U.A.

Órfãos do Verão do Amor

O inconformismo e a criatividade ainda estão presentes no antigo bairro Flower Power. Mas, quase 50 anos depois, a geração hippie deu lugar a uma juventude sem-abrigo, descontrolada e até agressiva.
Singapura Capital Asiática Comida, Basmati Bismi
Comida
Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade gastronómica do Oriente.
Celebração newar, Bhaktapur, Nepal
Cultura
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Desporto
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Cenário marciano do Deserto Branco, Egipto
Em Viagem
Deserto Branco, Egipto

O Atalho Egípcio para Marte

Numa altura em que a conquista do vizinho do sistema solar se tornou uma obsessão, uma secção do leste do Deserto do Sahara abriga um vasto cenário afim. Em vez dos 150 a 300 dias que se calculam necessários para atingir Marte, descolamos do Cairo e, em pouco mais de três horas, damos os primeiros passos no Oásis de Bahariya. Em redor, quase tudo nos faz sentir sobre o ansiado Planeta Vermelho.
Étnico
Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

Sensações vs Impressões

Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
História
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Em espera, Mauna Kea vulcão no espaço, Big Island, Havai
Ilhas
Mauna Kea, Havai

Mauna Kea: um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
Baie d'Oro, Île des Pins, Nova Caledonia
Literatura
Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
Cowboys basotho, Malealea, Lesoto
Natureza
Malealea, Lesoto

A Vida no Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Viajante acima da lagoa gelada de Jökursarlón, Islândia
Parques Naturais
Lagoa Jökursarlón, Glaciar Vatnajökull, Islândia

Já Vacila o Glaciar Rei da Europa

Só na Gronelândia e na Antárctica se encontram geleiras comparáveis ao Vatnajökull, o glaciar supremo do velho continente. E no entanto, até este colosso que dá mais sentido ao termo Terra do Gelo se está a render ao cerco inexorável do aquecimento global.
Património Mundial UNESCO
Cascatas e Quedas de Água

Cascatas do Mundo: Impressionantes Rios Verticais

Dos quase 1000 metros de altura do salto dançante de Angel à potência fulminante de Iguaçu ou Victoria após chuvas torrenciais, abatem-se sobre a Terra cascatas de todos os tipos.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Personagens
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Mangal entre Ibo e ilha Quirimba-Moçambique
Praias
Ilha do Ibo a Ilha QuirimbaMoçambique

Ibo a Quirimba ao Sabor da Maré

Há séculos que os nativos viajam mangal adentro e afora entre a ilha do Ibo e a de Quirimba, no tempo que lhes concede a ida-e-volta avassaladora do oceano Índico. À descoberta da região, intrigados pela excentricidade do percurso, seguimos-lhe os passos anfíbios.
Santo Sepulcro, Jerusalém, igrejas cristãs, sacerdote com insensário
Religião
Basílica Santo Sepúlcro, Jerusalém, Israel

O Templo Supremo das Velhas Igrejas Cristãs

Foi mandada construir pelo imperador Constantino, no lugar da Crucificação e Ressurreição de Jesus e de um antigo templo de Vénus. Na génese, uma obra Bizantina, a Basílica do Santo Sepúlcro é, hoje, partilhada e disputada por várias denominações cristãs como o grande edifício unificador do Cristianismo.
Chepe Express, Ferrovia Chihuahua Al Pacifico
Sobre Carris
Creel a Los Mochis, México

Barrancas de Cobre, Caminho de Ferro

O relevo da Sierra Madre Occidental tornou o sonho um pesadelo de construção que durou seis décadas. Em 1961, por fim, o prodigioso Ferrocarril Chihuahua al Pacifico foi inaugurado. Os seus 643km cruzam alguns dos cenários mais dramáticos do México.
Ponte u bein, Amarapura, Myanmar
Sociedade
Ponte u-BeinMyanmar

O Crepúsculo da Ponte da Vida

Com 1.2 km, a ponte de madeira mais antiga e mais longa do mundo permite aos birmaneses de Amarapura viver o lago Taungthaman. Mas 160 anos após a sua construção, U Bein está no seu crepúsculo.
O projeccionista
Vida Quotidiana
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
Esteros del Iberá, Pantanal Argentina, Jacaré
Vida Selvagem
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
PT EN ES FR DE IT