Nea Kameni, Santorini, Grécia

O Cerne Vulcânico de Santorini


Luzes Celestiais
Cruzeiro "Celestyal Crystal" ancorado ao largo de Nea Kameni.
Caminhada solitária
Visitante ascende o trilho de gravilha de Nea Kameni.
Bom tempo no Canal
Cruzeiro ancorado entre Nea Kameni e Santorini e o sopé de Thira, a capital de Santorini.
Entrada em Curva
Ferry proveniente de outra ilha entra na caldeira inundada de Santorini.
Mergulho pouco ortodoxo
Banhista salta de um barco tradicional kaki para o mar da caldeira de Santorini.
Por um canal de lava
Barco tradicional kaki percorre o canal entre Palea Kameni e Nea Kameni.
Lava vs Casas
Casario de lava do limiar de Oia, contrasta com o negrume da lava de Nea Kameni.
Visitante fotografa bandeira grega-Nea Kameni-Santorini-Grécia
Visitante de Nea Kameni fotografa uma bandeira grega que ondula acima da lava.
Pequenez
Visitante de Nea Kameni fotografa o casario no cimo da caldeira de Santorini.
Visitantes correm trilho acima-Nea Kameni-Santorini-Grécia
Jovens amigos correm pelo trilho de gravilha de Nea Kameni acima.
Tinham decorrido cerca de três milénios desde a erupção minóica que desintegrou a maior ilha-vulcão do Egeu. Os habitantes do cimo das falésias observaram terra emergir no centro da caldeira inundada. Nascia Nea Kameni, o coração fumegante de Santorini.

Despertamos pouco depois da aurora. Saímos para a varanda do camarote em que seguíamos curiosos quanto a onde nos tinha levado o “Celestyal Crystal” nessa noite.

Por muito que nos custasse a compreender, acima do inevitável Egeu azul-helénico víamos apenas parte de uma vertente de lava áspera e vetusta, negra na base, castanha-amarelada em certos retalhos cimeiros.

Cruzeiro Celestyal Crystal, Santorini, Grécia

Cruzeiro “Celestyal Crystal” ancorado ao largo de Nea Kameni.

A vista destoava da doca ou porto cercado de casario alvo em que nos tínhamos habituado a amarar. Intrigados, atravessamos para o bordo oposto do barco.

Do convés superior, à distância, vislumbramos por fim esse casario alvo. Partilhava o cimo de uma falésia imponente, num equilíbrio comunal que, mais que precário, nos parecia tresloucado.

Mesmo algo ensonados, acabamos por apurar o que por certo seria já óbvio para os passageiros madrugadores: o “Celestyal Crystal” tinha ancorado em plena caldeira de Thira. Salvo movimentações de última hora, a exploração de Santorini que se seguia irradiaria do seu quase meio geométrico e inóspito para as orlas habitadas. E, no entanto, seria por aquele mesmo núcleo de lava que a iríamos começar.

Transbordo da Visão à Realidade de Nea Kameni

Meia-hora depois, com o pequeno-almoço despachado, estávamos a postos para a nova missão. A excentricidade geomorfológica de Thira – é este o nome grego de Santorini – não tardou a fazer-se sentir. Vimo-nos forçados a um curto transbordo do “Celestyal Crystal”  para Skala, o porto antigo de Thira, situado na base da capital da ilha.

Ali, embarcamos num kaiki – barco  tradicional de Santorini – designado para a expedição. Instantes depois, zarpamos com o rumo oposto ao que nos tinha ali levado, na direcção do fulcro da grande caldeira.

Contornarmos o “Celestyal Crystal”. Navegamos, durante um bom tempo, sem percebermos onde o acervo de lava por detrás nos permitiria desembarcar. Até que, a determinada altura, a proximidade nos revela um recorte na lava e um ancoradouro improvisado, dotado de uma escadaria que dava para um trilho ascendente, cercado por pequenas árvores recém-plantadas para retirar ao lugar alguma da sua lito-lugubridade.

Passamos do convés do kaiki para esse trilho e, de acordo, para o domínio vulcânico de Nea Kameni.

Lava e Casario, Santorini, Grécia

Casario de lava do limiar de Oia, contrasta com o negrume da lava de Nea Kameni.

Os guias da expedição desdobram-se em explicações e advertências, umas dedicadas à conservação da ilha, outras, à segurança dos visitantes.

Um Neo-Legado do Vulcanismo Milenar de Thira

Confrontamo-nos com a excentricidade única do cenário, tanto o do negrume circundante, formado pelos incontáveis fragmentos pretos, como o das falésias que restavam da gigantesca e milenar cratera do vulcão Thira, o colosso que se desfez sobre o Mar Egeu aquando da mais cataclísmica das suas erupções, a minóica, estimada entre 1642 e 1540 a.C..

Esta erupção devastou não só a povoação de Akrotiri situada no cimo da antiga cratera, como vários outros povoados minóicos, incluindo os de Creta (a 150km para sul) de onde se tinha desenvolvido e expandido a civilização homónima.

Sucessivos estudos arqueológicos e históricos comprovaram que, no que dizia respeito a surpresa e a vítimas, Akrotiri pouco teve que ver com a cidade de Pompeia, arrasada pelo Vesúvio.

A inexistência de corpos nas ruínas soterradas de Akrotiri comprovou que os seus habitantes tiveram tempo de observar o desenvolvimento da actividade vulcânica de Thira. E que se puderam refugiar numa das ilhas minóicas vizinhas, eventualmente na ilha-mãe Creta.

Ascensão ao Cume Sulfuroso de Nea Kameni

De regresso à actualidade de Thera, o guia que nos conduzia por Nea Kameni interrompe o seu discurso para perscrutar o horizonte a leste. Constata que vários outros kakis provindos de Skala navegavam na nossa direcção. Certo de que transportavam uma torrente de gente, fecha a dissertação e inaugura a caminhada Nea Kameni acima.

Caminhada, Nea Kameni, Santorini, Grécia

Visitante ascende o trilho de gravilha de Nea Kameni.

Percorremos o trilho principal da ilha, sobre uma superfície de brita resvaladiça e algo poeirenta. Num primeiro trecho, apenas e só entre o entulho vulcânico escuro. Após um ou dois meandros, já ladeados de um prado raso que brotava da lava num inesperado esplendor dourado.

Quanto mais subíamos, mais vivo e exuberante se revelava esse prado que, no entretanto, veio a ceder a um condomínio conveniente com uma colónia de margaridas silvestres, de um amarelo tão garrido que se destacava do dourado.

Não foram só as plantas a salvar-nos da ditadura do inóspito em que nos vimos à chegada. Passo após passo, a ladeira colocou-nos acima das cristas de lava, num plano em que nos devolveu o azulão do Egeu, as arribas sobejantes de Thera e as povoações que as coroavam: Oia, a norte. A capital Thira, mais próxima, para leste.  E, a sul, Akrotiri.

Aqui e ali, o prado cedia a novos enormes amontoados de lava que nos faziam insignificantes. Um rápido desvio revela-nos uma bandeira grega a esvoaçar no alto de uma dessas pilhas de rocha e, mais abaixo, a enseada-porto de Nea Kameni, agora já repleta de kakis atracados lado-a-lado.

Bandeira grega, Nea Kameni, Santorini, Grécia

Visitante de Nea Kameni fotografa uma bandeira grega que ondula acima da lava.

A Cratera Dourada e Fumegante da Ilha

Regressamos ao trilho-rampa vertebral. Umas dezenas de passos depois, damos com o ponto mais alto da ilha e, nas imediações, com o seu âmago vulcânico, uma cratera algo disforme, em boa parte forrada pelo prado dourado por que havíamos passado na ascensão, manchada por enxofre amarelado fumegante e pestilenta a condizer.

Num campo apenas visual, a Nea Kameni activa parecia restringir-se àquela furna multicolor aninhada junto ao zénite da ilha.

E, no entanto, para chegar à actual dimensão e à altitude de 127 metros, Neo Kameni sofreu um longevo e intenso vulcanismo.

A Emergência Assustadora de 1570

Os habitantes de Kasteli Skaros – outra povoação no alto das falésias mais resistentes de Thira – deram pela primeira vez conta da sua existência em 1570, durante uma de tantas erupções pós-minóicas do vulcão principal Thira.

Para seu espanto, uma massa de terra começou a emergir a nordeste da ilha de Palea Kameni e a pouca distância da então capital. Nesse preâmbulo, chamaram-lhe Mikri (pequena) Kameni. A recém-chegada só seria “mikri” por algum tempo. Decorreram mais 150 anos.

Em 1707, Thira teve uma nova erupção, bem mais avassaladora que a anterior. Segundo ficou registado, os habitantes viram duas ilhas distintas aparecerem, uma branca, outra negra. Nuns poucos meses, o processo vulcânico uniu as duas. Transformou Mikri Kameni numa já bem volumosa recém-chegada: Nea Kameni.

Entre 1866 e 1870, deram-se várias novas erupções, algumas ainda maiores que as anteriores, à imagem da Minóica, com as suas colunas de fumo e cinza visíveis em Creta e que causaram a submersão de meia centena de casas e de duas capelas, uma Ortodoxa, outra católica.

A novidade esteve em que a erupção original de 1866 gerou um sub-vulcão activo sobre Nea Kameni, em redor da tal cratera sulfurosa e pestilenta em que terminámos a ascensão ao cimo da ilha. As autoridades baptizaram-no de Georgios, em homenagem ao rei grego de então George I.

Nessa mesma erupção de 1866, surgiram os ilhéus de Afroesa e de Reka. Também eles se uniram, pouco depois, à cada vez mais aglutinadora Nea Kameni.

O vulcanismo de 1866 gerou réplicas ao longo de quatro anos, algumas delas poderosas. À medida que o leito da caldeira afundada de Thira libertava mais e mais magma, a área de Nea Kameni triplicou. Certas áreas em redor emergiram ou submergiram.

Uma Nova Abordagem ao Vulcanismo de Sempre de Thira

Por essa altura, na Grécia, a curiosidade pelos fenómenos vulcânicos tinha-se acentuado. O estado grego enviou um comité para observar as alterações de Santorini. Incluía um fotógrafo que fez as primeiras imagens fotográficas de uma erupção.

Este interesse e a divulgação que suscitou, despertou a atenção do vulcanólogo Ferdinand Foucault que, como vários outros cientistas ou meros curiosos endinheirados, não resistiu a visitar e estudar Santorini.

Entre os últimos, contava-se Júlio Verne. O autor francês ficou de tal maneira impressionado pela comoção vulcânica de Santorini que a incluiu na sua obra de ficção “As Vinte Mil Léguas Submarinas”, em que descreve como o Capitão Nemo e a sua tripulação fizeram o submarino Nautilus emergir na água quente em redor de Thira.

E ficaram boquiabertos a assistir à erupção do novo vulcão Georgios de Nea Kameni, hoje, consensualmente considerado o coração vulcânico de Santorini.

Auscultávamo-lo, fotografávamo-lo e cheirávamo-lo há quase quinze minutos. Chegara a hora de voltarmos às artérias pedestres da ilha.

De onde nos havíamos posicionado, víamos dezenas de outros visitantes cirandarem para cá e para lá, acima do tapete d’ouro sobranceiro, alguns, agrupados num miradouro conveniente que lhes permitia observar para oeste da caldeira.

O Desvendar da Irmã mais Velha Palea Kameni

Quando chegamos a esse ponto, percebemos o motivo da sua concentração. Por diante, abria-se perante os olhos de todos os forasteiros todo um novo mundo de Thira.

Kaki, Nea Kameni, Santorini, Grécia

Barco tradicional kaki percorre o canal entre Palea Kameni e Nea Kameni.

A irmã mais velha Palea Kameni insinuava-se a uns poucos metros da orla de Nea, separada por um canal estreito que apreciámos percorrido por um curioso surtido embarcações: pequenos veleiros, grandes catamarãs e os inevitáveis kakis.

Vindo do mar Egeu longínquo, que não veríamos caso a caldeira original de Santorini estivesse completa, aproximava-se um dos ferries que ligam as ilhas gregas. Navegava a tal velocidade que os seus motores deixavam uma marca longa, curva e branca no azul-marinho para sudoeste.

Ferry, Santorini, Grécia

Ferry proveniente de outra ilha entra na caldeira inundada de Santorini.

Pouco antes de essa embarcação atracar no porto novo de ferries, aos pés de Pyrgos, iniciamos o regresso ao ancoradouro e ao kaki em que tínhamos chegado a Nea.

Navegação da Praxe às Águas Quentes de Nea Kameni

O homem do leme fá-lo contornar a ilha contra os ponteiros do relógio. Antes de entrarmos no canal entre Nea e Palea, desvia para uma enseada rochosa similar ao ancoradouro do lado oposto.

A tripulação indica aos passageiros onde está a atracção por que tanto ansiavam. Um a um, estes saltam do convés para a água ali esverdeada e esbracejavam na direcção de um braço de mar formado pela lava.

Banhista em salto, Nea Kameni, Santorini, Grécia

Banhista salta de um barco tradicional kaki para o mar da caldeira de Santorini.

Seguimos-lhes as braçadas e o exemplo. Quando lá chegamos, as queixas não tardam. Por razões que só a geotermia local conhecia, a água quente ali tão famosa, pouco passava de morna. A temperatura mal tépida, desiludia a comitiva internacional que tanto ouvira falar daquelas termas excêntricas.

Por maior que fosse o logro, a popularidade de Santorini nunca concederia uma continuidade anfíbia das reclamações.

De um momento para o outro, dois outros kakis surgiram à entrada da enseada. Conhecedores da competição por cada recanto de Nea e dos procedimentos, a tripulação bracejou aos nadadores a exigir o seu resgate.

Voltamos a subir a bordo. Enquanto o kaki continuava a contornar a ilha na senda do porto Skala, secamo-nos sob o sol escaldante do estio Mediterrânico.

Em todo aquele fim de volta, Neo Kameni voltou a provar-se apenas e só o monte de lava escuro e rude que nos tinha assustado ao despertar.

Vários dos vulcanólogos que a estudam afiançam que estará para breve uma sua nova assolação. Resta saber de que intensidade e o quanto afectará a cada vez mais na moda, superpovoada e excessivamente visitada Santorini.

 

OS CELESTYAL CRUISES OPERAM CRUZEIROS NO MAR EGEU E MAR MEDITERRÂNEO DE MARÇO A NOVEMBRO, POR A PARTIR DE 539€.  RESERVAS EM www.celestyalcruises.com e pelo telefone.: +30 2164009600.

Iraklio, CretaGrécia

De Minos a Menos

Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.
Míconos, Grécia

A Ilha Grega em Que o Mundo Celebra o Verão

Durante o século XX, Míconos chegou a ser apenas uma ilha pobre mas, por volta de 1960, ventos cicládicos de mudança transformaram-na. Primeiro, no principal abrigo gay do Mediterrâneo. Logo, na feira de vaidades apinhada, cosmopolita e boémia que encontramos quando a visitamos.
Fira, Santorini, Grécia

Fira: Entre as Alturas e as Profundezas da Atlântida

Por volta de 1500 a.C. uma erupção devastadora fez afundar no Mar Egeu boa parte do vulcão-ilha Fira e levou ao colapso a civilização minóica, apontada vezes sem conta como a Atlântida. Seja qual for o passado, 3500 anos volvidos, Thira, a cidade homónima, tem tanto de real como de mítico.
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Lombok, Indonésia

Lombok. O Mar de Bali Merece uma Sonda Assim

Há muito encobertos pela fama da ilha vizinha, os cenários exóticos de Lombok continuam por revelar, sob a protecção sagrada do guardião Gunung Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia.
Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.

Lago Cocibolca, Nicarágua

Mar, Doce Mar

Os indígenas nicaraos tratavam o maior lago da América Central por Cocibolca. Na ilha vulcânica de Ometepe, percebemos porque o termo que os espanhóis converteram para Mar Dulce fazia todo o sentido.

La Palma, CanáriasEspanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.
Big Island, Havai

Grande Ilha do Havai: À Procura de Rios de Lava

São cinco os vulcões que fazem da ilha grande Havai aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.
Tanna, Vanuatu

Daqui se Fez Vanuatu ao Ocidente

O programa de TV “Meet the Natives” levou representantes tribais de Tanna a conhecer a Grã-Bretanha e os E.U.A. De visita à sua ilha, percebemos porque nada os entusiasmou mais que o regresso a casa.
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Chania, Creta, Grécia

Chania: pelo Poente da História de Creta

Chania foi minóica, romana, bizantina, árabe, veneziana e otomana. Chegou à actual nação helénica como a cidade mais sedutora de Creta.
Balos a Seitan Limani, Creta, Grécia

O Olimpo Balnear de Chania

Não é só Chania, a pólis secular, repleta de história mediterrânica, no extremo nordeste de Creta que deslumbra. Refrescam-na e aos seus moradores e visitantes, Balos, Stavros e Seitan, três dos mais exuberantes litorais da Grécia.

Atenas, Grécia

A Cidade que Perpetua a Metrópolis

Decorridos três milénios e meio, Atenas resiste e prospera. De cidade-estado belicista, tornou-se a capital da vasta nação helénica. Modernizada e sofisticada, preserva, num âmago rochoso, o legado da sua gloriosa Era Clássica.
Leão, elefantes, PN Hwange, Zimbabwe
Safari
PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Thorong La, Circuito Annapurna, Nepal, foto para a posteridade
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 13º - High Camp a Thorong La a Muktinath, Nepal

No Auge do Circuito dos Annapurnas

Aos 5416m de altitude, o desfiladeiro de Thorong La é o grande desafio e o principal causador de ansiedade do itinerário. Depois de, em Outubro de 2014, ter vitimado 29 montanhistas, cruzá-lo em segurança gera um alívio digno de dupla celebração.
hacienda mucuyche, Iucatão, México, canal
Arquitectura & Design
Iucatão, México

Entre Haciendas e Cenotes, pela História do Iucatão

Em redor da capital Mérida, para cada velha hacienda henequenera colonial há pelo menos um cenote. Com frequência, coexistem e, como aconteceu com a semi-recuperada Hacienda Mucuyché, em duo, resultam nalguns dos lugares mais sublimes do sudeste mexicano.

Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Aventura
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Festival MassKara, cidade de Bacolod, Filipinas
Cerimónias e Festividades
Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.
Lubango, Angola, Huila, Murais
Cidades
Lubango, Angola

A Cidade no Cimo de Angola

Mesmo barradas da savana e do Atlântico por serras, as terras frescas e férteis de Calubango sempre prendaram os forasteiros. Os madeirenses que fundaram Lubango sobre os 1790m e os povos que se lhes juntaram, fizeram dela a cidade mais elevada e uma das mais cosmopolitas de Angola.
Máquinas Bebidas, Japão
Comida
Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.
Parada e Pompa
Cultura
São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré. Siga a Marinha

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Desporto
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
Train Fianarantsoa a Manakara, TGV Malgaxe, locomotiva
Étnico
Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Bridgetown, cidade da Ponte e capital de Barbados, praia
História
Bridgetown, Barbados

A Cidade (da Ponte) de Barbados

Fundada, na origem, enquanto Indian Bridge, junto a um pântano nauseabundo, a capital de Barbados evoluiu até a capital das Ilhas Britânicas do Barlavento. Os barbadianos tratam-na por “The City”. É a cidade natal da bem mais famosa Rihanna.
Teleférico Achadas da Cruz à Quebrada Nova, Ilha da Madeira, Portugal
Ilhas
Paul do Mar a Ponta do Pargo a Achadas da Cruz, Madeira, Portugal

À Descoberta da Finisterra Madeirense

Curva atrás de curva, túnel atrás de túnel, chegamos ao sul solarengo e festivo de Paul do Mar. Arrepiamo-nos com a descida ao retiro vertiginoso das Achadas da Cruz. Voltamos a ascender e deslumbramo-nos com o cabo derradeiro de Ponta do Pargo. Tudo isto, nos confins ocidentais da Madeira.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Inverno Branco
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
Casal de visita a Mikhaylovskoe, povoação em que o escritor Alexander Pushkin tinha casa
Literatura
São Petersburgo e Mikhaylovskoe, Rússia

O Escritor que Sucumbiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.
Natureza
Cascatas e Quedas de Água

Cascatas do Mundo: Impressionantes Rios Verticais

Dos quase 1000 metros de altura do salto dançante de Angel à potência fulminante de Iguaçu ou Victoria após chuvas torrenciais, abatem-se sobre a Terra cascatas de todos os tipos.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Bando de flamingos, Laguna Oviedo, República Dominicana
Parques Naturais
Laguna de Oviedo, República Dominicana

O Mar (nada) Morto da República Dominicana

A hipersalinidade da Laguna de Oviedo oscila consoante a evaporação e da água abastecida pela chuva e pelos caudais vindos da serra vizinha de Bahoruco. Os nativos da região estimam que, por norma, tem três vezes o nível de sal do mar. Lá desvendamos colónias prolíficas de flamingos e de iguanas entre tantas outras espécies que integram este que é um dos ecossistemas mais exuberantes da ilha de Hispaniola.
ocupação Tibete pela China, Tecto do Mundo, As forças ocupantes
Património Mundial UNESCO
Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete.
femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Personagens
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Tombolo e Punta Catedral, Parque Nacional Manuel António, Costa Rica
Praias
PN Manuel António, Costa Rica

O Pequeno-Grande Parque Nacional da Costa Rica

São bem conhecidas as razões para o menor dos 28 parques nacionais costarriquenhos se ter tornado o mais popular. A fauna e flora do PN Manuel António proliferam num retalho ínfimo e excêntrico de selva. Como se não bastasse, limitam-no quatro das melhores praias ticas.
Via Conflituosa
Religião
Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem a Via Dolorosa, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.
Chepe Express, Ferrovia Chihuahua Al Pacifico
Sobre Carris
Creel a Los Mochis, México

Barrancas de Cobre, Caminho de Ferro

O relevo da Sierra Madre Occidental tornou o sonho um pesadelo de construção que durou seis décadas. Em 1961, por fim, o prodigioso Ferrocarril Chihuahua al Pacifico foi inaugurado. Os seus 643km cruzam alguns dos cenários mais dramáticos do México.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Sociedade
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Vida Quotidiana
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Ovelhas e caminhantes em Mykines, ilhas Faroé
Vida Selvagem
Mykines, Ilhas Faroé

No Faroeste das Faroé

Mykines estabelece o limiar ocidental do arquipélago Faroé. Chegou a albergar 179 pessoas mas a dureza do retiro levou a melhor. Hoje, só lá resistem nove almas. Quando a visitamos, encontramos a ilha entregue aos seus mil ovinos e às colónias irrequietas de papagaios-do-mar.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.