Iraklio, Grécia

De Minos a Menos


Cnossos
Visitantes fotografam a secção mais popular das ruínas do Palácio de Cnossos.
Elegância minoica
Reconstituição de frescos minoicos, no palácio de Cnossos.
Barco ou casa ?
Pescador a bordo do seu pequeno barco de pesca, no porto de Iraklio.
Pura Curiosidade
Duas crianças espreitam o interior do sebil (quiosque de fornecimento de água) otomano de Iraklio.
Agios Titos
Sol doura a fachada superior da igreja bizantina de Agios Titos.
Coca-Cola, versão minoica
Painel publicitário da Coca-Cola com cena de Teseu e o minotauro, junto ao Palácio de Cnossos.
“Nikolaos”
Pormenor de um barco de pesca ancorado em Iraklio, Creta.
Falsa Lua sobre o Loggia
Transeuntes passam em frente ao Loggia, um edifício erguido pelos venezianos em Iraklio para convívio dos seus nobre endinheirados.
O Trono
O trono de alabastro de Minos da Sala do Trono do Palácio de Cnossos.
Sol cretense
Visitante da fortaleza veneziana de Koules aprecia o ondular da bandeira helénica.
Velho porto
Lusco-fusco dá mais cor ao porto de Iraklio, com a fortaleza veneziana de Koules em fundo.
Bembo fashion
Estátua da fonte Bembo, no limiar do centro histórico de Iraklio.
História recém-submergida
Anforas recuperadas do fundo do mar, em exibição na Fortaleza de Koules, em Iraklio.
Olaria minóica
Um vasilhame da era minóica exposto nas ruínas do Palácio de Cnossos.
U Minoico
Símbolo taurino da civilização minóica no Palácio de Cnossos.
À sombra do Passado
Visitantes apreciam a marina do porto de Iraklio na sombra da fortaleza veneziana de Koules.
“Touro em Carga”
Reconstituição do fresco touro ao ataque, no bastião norte do palácio de Cnossos.
Fonte-dos-leoes-Iraklio-creta-grecia
A fonte dos "Leões", o ponto de encontro favorito dos moradores de Iraklio.
Loggia ao Sol
Fachada dourada do Loggia, o elegante edifício erguido pelos venezianos para convívio dos seus nobres.
Brasao-veneziano-fortaleza-koules-Iraklio-creta-grecia
Leão asado como brasão da fortaleza veneziana de Koules.
Chegamos a Iraklio e, no que diz respeito a grandes cidades, a Grécia fica-se por ali. Já quanto à história e à mitologia, a capital de Creta ramifica sem fim. Minos, filho de Europa, lá teve tanto o seu palácio como o labirinto em que encerrou o minotauro. Passaram por Iraklio os árabes, os bizantinos, os venezianos e os otomanos. Os gregos que a habitam falham em lhe dar o devido valor.

Foi em Iraklio que deixámos de vez o cruzeiro “Celestyal Crystal”. Os restantes passageiros explorariam a cidade e as suas atracções em modo de toca e foge. Nós, ao nos confrontarmos com o tamanho e a grandiosidade da maior das ilhas gregas, há muito tínhamos decidimos ficar.

Por volta das 9h30, desembarcamos. Esperamos no terminal de passageiros. Decorridos dez minutos, o telefona toca. “É, Adónis. Estou aqui à frente!”  Encontramo-nos com o funcionário da Crete Royal Rentals encarregue de nos entregar o carro.

É sábado de manhã. Adónis já não vai para novo mas recebe-nos com um sorriso e gentileza que nos contagiam. Passa-nos o briefing burocrático da viatura. “Então e cá de Creta, o que é que não podemos perder?” perguntamos-lhe em modo de tagarelice gratuita.

“Olhem, em Creta, à parte de Iraklio, é tudo uma maravilha!” responde-nos saturado da capital, lugar emblemático da sua malfadada rotina laboral. “Para mim, Chania é o mais bonito!” acrescenta, algo equivalente a um lisboeta afiançar que o Porto é que vale a pena. Despedimo-nos e metemo-nos no carro. Conduzimos cidade acima, até à casa em que iríamos ficar.

De acordo com os números de 2017 do Euromonitor, os 3.2 milhões de visitantes da capital cretense e da região representavam um aumento de 11% de turistas. Faziam de Iraklio a segunda cidade mais visitada da Grécia. A 20ª da Europa, e 66ª do mundo. O significado real daqueles números permanece, no entanto, envolto em polémica.

Porto de Iraklio, Creta, Grécia

Lusco-fusco dá mais cor ao porto de Iraklio, com a fortaleza veneziana de Koules em fundo.

O Menosprezo Cretense de Iraklio

Os donos de restaurantes, hotéis e outros negócios turísticos queixam-se de que se devem apenas às incursões de toca e foge dos passageiros dos cruzeiros e recém-aterrados ao palácio de Cnossos e ao Museu Arqueológico. Lamentam-se de que os visitantes tenham de Iraklio a ideia de uma urbe suja e barulhenta.

De que não valorizem a genuinidade das avenidas amplas de asfalto e das ruelas apertadas de betão (nem sequer a da marginal portuária e histórica) por lhes faltar o perfil fotogénico da vizinha do oeste… Chania.

Habituados a apreciar belezas mais rudes e decadentes, compreendemos a sua frustração e, como se poderá depreender deste artigo, esforçamo-nos para reverter tal noção.

Nos dias que se seguem, despertamos num segundo andar da rua Zacharioudaki, no lar emprestado de um jovem casal grego, ele arquitecto, ela pediatra, com um filho de dois anos, os três desprezadores da alienação televisiva.

Em sucessivos pequenos-almoços, entretém-nos a banda sonora do infantário logo em frente, feita de cantorias que as educadoras vão ensinando às crianças.

Amigas sobre a fortaleza de Koules, Iraklio, Creta, Grécia

Amigas conversam no topo da fortaleza veneziana de Koules.

Uma Agradável Atmosfera Mediterrânea

Saímos o mais cedo possível para o afago estival, quente e seco de Creta. Tal como acontecera em Atenas, depressa o ambiente livre – passam-se cinco dias sem vermos um polícia ou carro da polícia – mas não anarca, individualista mas, à sua maneira, altruísta da cidade nos faz sentir em casa.

Em Creta, depressa nos tornamos cretenses. Criamos e consumimos saladas e mais saladas com queijo feta. Sempre que o calor nos amolece e prejudica o trabalho, comprarmos cafés gelados que saboreamos a caminhar pelas ruas e nas deslocações de carro.

Como tantas ex-crianças portuguesas e do mundo, confrontámo-nos na nossa infância com a lenda do minotauro. O imaginário e fascínio que, volvidos todos estes anos, dela preservamos foi, aliás, uma das razões para desembarcarmos em Creta e querermos explorar a ilha sem pressas.

Pois, ali estávamos. As indicações rodoviárias que nos assistiam nas ruas e ruelas de Iraklio eram escassas mas, entre elas, contavam-se algumas, diminutas, do Palácio de Cnossos, situado a pouco mais de 10km do centro histórico.

Sala do Trono, Palácio de Cnossos, Creta, Grécia

O trono de alabastro de Minos da Sala do Trono do Palácio de Cnossos.

Cnossos, o Trono de Minos

Quando, no início do sec. XX, Sir Arthur Evans desvendou as ruínas do palácio, repletas de motivos taurinos, a vastidão intrincada do complexo fez com que o arqueólogo britânico se atrevesse a sugerir que incluía o labirinto encomendado pelo rei Minos a Dédalo.

De acordo com a mitologia grega, Minos foi o primeiro rei de Creta, filho de Zeus e de Europa. Arthur Evans baptizou, aliás, a civilização minoica de acordo com este rei. Pois, entre 2700 e 1450 a.C., a civilização minoica alastrou a outras ilhas do sul do Egeu, incluindo a actual Santorini.

Tornou-se mais e mais poderosa. A determinada altura, rivalizou e combateu a civilização micénica que aumentava o seu território do continente grego em direcção aos confins insulares helénicos. Os historiadores tendem em concordar com o facto de estas duas civilizações rivais estarem na origem da Europa em que hoje vivemos.

Se virmos bem as coisas, até o nome do continente lhes tomámos de empréstimo.  E, se são demasiados os passageiros dos cruzeiros e aviões que cruzam Iraklio da beira-mar ao grande olival do interior de Creta sem ligarem a mais nada na capital, o motivo está na importância fundadora deste povo. Como está no dramatismo mitológico da vida e morte do Rei Minos.

Na época alta estival, dia após dia, a abertura do complexo de Cnossos faz-se com uma longa fila de visitantes já à porta, composta por seguidores multinacionais atentos ao que os guias de bandeirola em riste lhes transmitem com um orgulho entusiasmado.

Reconstituição do fresco "Charging Bull", palácio de Cnossos, Creta, Grécia

Reconstituição do fresco “touro ao ataque”, no bastião norte do palácio de Cnossos.

A Devoção Taurina do Povo Minóico

Umas poucas dezenas de metros após a entrada, à sombra de pinheiros mansos, deparamo-nos com um grande símbolo minóico de cimento, que emula os cornos de touro. À esquerda, espreitamos uma parede com a reconstituição do fresco do “Salto sobre o Touro”, uma pintura em que dois homens – um branco, outro bronzeado – se dedicam a uma tourada minóica acrobática.

Por mais difícil de provar que seja, certos historiadores defendem que a variante forcada da tourada portuguesa, foi trazida para a Ibéria pelos Romanos que se habituaram a admirá-la depois de Roma se ter apoderado das ilhas helénicas.

Espreitamos ainda a Sala do Trono, disposta em redor de um pequeno sólio de alabastro. Mesmo não sendo o único assento nobre do palácio, Arthur Evans identificou-o como trono. Logo ao lado, contemplamos a esquina mais famosa do complexo, o que resta do seu bastião norte, embelezado por colunas vermelhas que dissimulam um fresco de um touro ao ataque. A prolífica mitologia grega não demorou a explorar as loucuras taurinas de Creta.

O Drama Mitológico do Minotauro

Após ocupar o trono de Creta – não necessariamente o da Sala do Trono – Minos viu-se ameaçado pelas pretensões usurpadoras dos seus irmãos. Rogou a Poseidon que lhe enviasse um touro branco que sacrificaria em honra deste que era o deus do Mar. Só que, ao contrário do prometido, deslumbrado pela beleza do animal, Minos decidiu mantê-lo e, em vez, sacrificar um dos seus touros banais.

Como deus que era, Poseidon descobriu a esperteza. Para punir Minos, fez com que Pasífae, a esposa do monarca, se apaixonasse pelo touro. Pasífae ordenou a Dédalo, um artesão conceituado da ilha que construísse uma vaca de madeira oca.

Entrou nesse modelo e permitiu que o touro com ela copulasse. Desta rebuscada relação sexual, nasceu o minotauro, uma criatura meio-humana, meio taurina que, malgrado os cuidados maternais de Pasífae, se tornou feroz e passou a alimentar-se de pessoas. Embaraçado pela atroz traição da esposa, pior, confrontado com o agravar da tragédia, Minos seguiu o conselho do oráculo de Delfos: mandou Dédalo construir um enorme labirinto destinado a conter e esconder o minotauro.

Painel publicitário da Coca-Cola, Palácio de Cnossos, Creta, Grécia

Painel publicitário da Coca-Cola com cena de Teseu e o minotauro, junto ao Palácio de Cnossos.

Mais tarde, Minos viu o seu filho Androgeus ser morto ou pelos atenienses invejosos do seu sucesso ou pelo próprio minotauro (coexistem distintas versões). Seja qual for a prevalente, Minos entregou-se a uma guerra furiosa contra os atenienses.

E o Sucesso Dramático de Teseu

Triunfante, exigiu a Egeu, rei de Atenas, que lhe enviasse, a cada período de sete (ou nove anos) sete jovens e sete donzelas para serem devorados pelo minotauro. No terceiro desses sacrifícios, Teseu, um filho de Egeu confiante ofereceu-se para matar o minotauro. Estabeleceu com o pai que içaria uma vela branca no seu barco caso o conseguisse.

Já em Creta, Ariadne, filha de Minos apaixonou-se de Teseu e ajudou-o a orientar-se no labirinto. Teseu abateu o minotauro e ajudou os outros atenienses aprisionados a escaparem. De regresso a Atenas, esqueceu-se do combinado, e içou uma vela negra em vez de branca. À sua espera, o rei Egeu avistou o navio aproximar-se com a vela negra e atirou-se do cimo do penhasco para uma morte certa no mar que o continua a honrar.

Símbolo da civilização minóica, Palácio de Cnossos, Creta, Grécia

Símbolo taurino da civilização minóica no Palácio de Cnossos.

A Erupção de Fira e a Aniquilação da Civilização Minoica

Por mais atroz que se revele a lenda, não chega aos calcanhares do que se crê ter sido o fim da civilização minoica. Entre 1550 e 1500 a.C. o vulcão de Fira deu origem a uma das erupções vulcânicas mais poderosas de que há registo. Fez colapsar a maior parte da ilha em redor.

Deu origem ao resto de caldeira excêntrica que nos havia deslumbrado dias antes em Santorini. Gerou ainda um maremoto que devastou o litoral de Creta e arrasou muitas das suas povoações resplandecentes, hoje, com ruínas disseminadas pela ilha.

A história de Creta e de Iraklio não se ficaram por aí. Malgrado o maremoto, o passado e a vida menosprezada da capital centram-se na mesma beira-mar de que os minoicos terão visto as vagas descomunais aproximar-se. Creta foi árabe, bizantina, veneziana e otomana até que, enfim, se tornou grega como hoje o é.

Silhuetas junto da fortaleza de Koules, Iraklio, Creta, Grécia

Visitantes apreciam a marina do porto de Iraklio na sombra da fortaleza veneziana de Koules.

A Iraklio Animada dos Nossos Tempos

Com o fim da tarde, os moradores e os forasteiros mais interessados afluem à Cidade Velha. Percorrem a Rua 25 Avgoustou para cima e para baixo. Falam e discutem em alta voz, de olho nas promoções das lojas, nas esplanadas arejadas ou nos aconchegos dos muitos ouzeris, assim se chamam as tavernas tradicionais e derivadas.

As que servem os idolatrados licores ouzo e raki ou, vá lá que seja, cerveja e uma panóplia de pequenas mas deliciosas tapas gregas (mezedes) que dão mais sabor tanto à bebida como à conversa.

Ao longo da 25 Avgostou, Iraklio mostra-nos o encanto que tanto se diz em falta. Revela-nos a igreja bizantina de Agios Titos. O Loggia, um edifício da era veneziana erguido com fausto para que lá convivessem os nobres de Veneza, hoje a câmara municipal. Logo acima, a fonte dos “Leões” da praça Eleftheriou Venizelou, o ponto de encontro mais usado da cidade.

Fonte dos "Leões", Iraklio, Creta, Grécia

A fonte dos “Leões”, o ponto de encontro favorito dos moradores de Iraklio.

E, numa secção não tão popular ao fim da tarde, destaca-se ainda a fonte Bembo e o sebil (espécie de quiosque) em que, durante o período otomano, era fornecida água aos moradores.

O Velho Porto e a Fortaleza Veneziana de Koules

Regressamos ao velho porto ainda protegido pela fortaleza de Koules, erguida pelos venezianos no século XVI, imagem de marca de Iraklio e a razão de ser de inúmeras pescarias e passeatas. Vemos os ferries zarparem para outras paragens do Egeu e os pescadores tagarelarem sobre as suas traineiras garridas, ancoradas nas profundezas quase rodoviárias da marina.

Pescador no porto de Iraklio, Creta, Grécia

Pescador a bordo do seu pequeno barco de pesca, no porto de Iraklio.

Por volta das nove da noite, o ocaso desfaz-se na névoa, para ocidente do Golfo de Iraklio. À boa-moda grega e mediterrânea, a capital entrega-se de vez à celebração da vida de Creta. Iraklio pode não transbordar de forasteiros endinheirados como Chania. Mas, por alguma razão é há muito a capital da ilha.

Visitante na fortaleza veneziana de Koules, Iraklio, Creta, Grécia

Visitante da fortaleza veneziana de Koules aprecia o ondular da bandeira helénica.

 

COMO VISITAR:

OS CELESTYAL CRUISES OPERAM CRUZEIROS NO MAR EGEU E MAR MEDITERRÂNEO DE MARÇO A NOVEMBRO, POR A PARTIR DE 539€.  RESERVAS EM www.celestyalcruises.com e pelo telf.: +30 2164009600.

Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.

Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

Tulum, México

A Mais Caribenha das Ruínas Maias

Erguida à beira-mar como entreposto excepcional decisivo para a prosperidade da nação Maia, Tulum foi uma das suas últimas cidades a sucumbir à ocupação hispânica. No final do século XVI, os seus habitantes abandonaram-na ao tempo e a um litoral irrepreensível da península do Iucatão.
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Míconos, Grécia

A Ilha Grega em Que o Mundo Celebra o Verão

Durante o século XX, Míconos chegou a ser apenas uma ilha pobre mas, por volta de 1960, ventos cicládicos de mudança transformaram-na. Primeiro, no principal abrigo gay do Mediterrâneo. Logo, na feira de vaidades apinhada, cosmopolita e boémia que encontramos quando a visitamos.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Sombra de sucesso
Cerimónias e Festividades

Champotón, México

Rodeo debaixo de Sombreros

Com o fim do ano, 5 municípios mexicanos organizam uma feira em honra da Virgén de La Concepción. Aos poucos, o evento tornou-se o pretexto ideal para os cavaleiros locais exibirem as suas habilidades

Competição do Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA
Cidades
Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.
Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Rosa Puga
Cultura

Campeche, México

Há 200 Anos a Brincar com a Sorte

No fim do século XVIII, os campechanos renderam-se a um jogo introduzido para esfriar a febre das cartas a dinheiro. Hoje, jogada quase só por abuelitas, a loteria local pouco passa de uma diversão.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Desporto
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Cavalos sob nevão, Islândia
Em Viagem
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
Tambores e tatoos
Étnico

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
A pequena-grande Senglea
História

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
Ilhas
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Lenha
Inverno Branco

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Manada de búfalos asiáticos, Maguri Beel, Assam, Índia
Natureza
Maguri Bill, Índia

Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano

O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Hell's Bend do Fish River Canyon, Namíbia
Parques Naturais
Fish River Canyon, Namíbia

As Entranhas Namibianas de África

Quando nada o faz prever, uma vasta ravina fluvial esventra o extremo meridional da Namíbia. Com 160km de comprimento, 27km de largura e, a espaços, 550 metros de profundidade, o Fish River Canyon é o Grand Canyon de África. E um dos maiores desfiladeiros à face da Terra.
Glamour vs Fé
Património Mundial UNESCO
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Brigada incrédula
Praias

La Digue, Seichelles

Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.

Kremlin de Rostov Veliky, Rússia
Religião
Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.
Cable car com Transamerica Pyramid, São Francisco, Califórnia, Estados Unidos da América
Sobre carris
São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Puro Pacífico do Sul
Sociedade
Tongatapu, Tonga

O Último Trono da Polinésia

Da Nova Zelândia à Ilha da Páscoa e ao Havai nenhuma outra monarquia resistiu à chegada dos descobridores europeus e da modernidade. Para Tonga, durante várias décadas, o desafio foi resistir à monarquia.
Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.