Corvo, Açores

O Abrigo Atlântico Inverosímil da Ilha do Corvo


Corvo à Vista
Ilha do Corvo vista do semi-rígido que assegurou temporariamente a ligação entre Santa Cruz das Flores e a Vila do Corvo.
Vista sobre o Caldeirão
Visitante da ilha do Corvo admira o Caldeirão.
Num pasto inclinado
Trio de jovens vacas pastam numa ladeira à beira da Lagoa do Caldeirão.
Atlântico vs Vila do Corvo
Enseada abaixo da Vila do Corvo.
Moinhos do corvo
Moinhos pitorescos no limiar da Vila do Corvo.
Ordenha à moda antiga
Sr. Rogério ordenha uma das suas vacas à mão.
Pasto inclinado II
Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.
Anoitecer sobre o Grupo Ocidental
Noite cai sobre a Vila do Corvo e a ilha das Flores.
Modo de Espera
Cão do sr. Rogério aguarda pelo regresso do dono, nessa altura, ocupado com uma demorada ordenha manual. Estorninhos esvoaçam no céu acima.
Retalhos de Açores
Muros e sebes dividem a encosta leste da Ilha do Corvo abaixo do Caldeirão.
Os Lares do Corvo
Sector do casario da Vila do Corvo com a Igreja da Nª Srª dos Milagres à esquerda.
O Pasto do Caldeirão
Vacas devoram o pasto tenro do fundo do Caldeirão da ilha do Corvo.
A Postos
Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.
Ocaso para lá do Corvo
Sol põe-se a ocidente da ilha do Corvo.
17 km2 de vulcão afundado numa caldeira verdejante. Uma povoação solitária assente numa fajã. Quatrocentas e trinta almas aconchegadas pela pequenez da sua terra e pelo vislumbre da vizinha Flores. Bem-vindo à mais destemida das ilhas açorianas.

Se acaso subsistissem dúvidas quanto à excepcionalidade insular do Corvo, a viagem a partir de Santa Cruz das Flores tratou de as erradicar.

Pouco mais de um ano antes, um dos furacões que se formam a oeste da costa ocidental africana tomou um rumo inesperado. Em vez de evoluir na direcção das Américas, apontou a norte. Nos primeiros dias de Outubro, o “Lorenzo” rasou o Grupo Ocidental dos Açores já enfraquecido da intensidade máxima de três dias antes.

Passou junto à ilha das Flores e ao Corvo com rajadas que ultrapassaram os 160 km/h. Nas Flores, a ventania e as vagas causaram danos substanciais no porto das Lajes. Também acabaram com a lancha “Ariel” que, até ao Agosto anterior, assegurara a ligação à Vila do Corvo.

Ao descermos a escadaria para o embarcadouro, com o sol a despertar a leste, algumas gruas ainda finalizavam a reconstrução do porto. Da “Ariel” nem sinal. Em vez, encontramos um semi-rigido, raso mas com motores poderosos.

O mar estava bravo, cavado por vagas vigorosas que castigavam o porto.

Por algum tempo, ainda esperámos que aparecesse um ferry a sério, uma embarcação que nos impressionasse pela sua dimensão, não pela potência dos motores. Em vão.

Somos dos primeiros a embarcar. O timoneiro dá ordem que da proa para a popa. Ficamos mais expostos do que desejávamos.

À primeira vista, a saída do porto parecia o trecho complicado por excelência. Mal deixamos a projecção marinha das Flores, as vagas aumentam, mudam de padrões. Sujeitam-nos uma navegação semi-acrobática.

Ilha do Corvo, Açores

Ilha do Corvo vista do semi-rígido que assegurou temporariamente a ligação entre Santa Cruz das Flores e a Vila do Corvo.

Ilha do Corvo à Vista

Assim mesmo, 45 minutos de saltos entre os baixos e os cimos vertiginosos do Atlântico depois, damos entrada no molhe da Vila do Corvo, capital e povoação única da menor das ilhas açorianas.

Aceitamos uma boleia partilhada com outros três passageiros. Já instalados na pousada, a cada novo minuto, sentíamos agravar-se a ansiedade de ascendermos àquele que era, por excelência, o domínio natural mágico da ilha: o seu Caldeirão.

“Mas querem ir já?” pergunta-nos o Sr. Noel, quando lhe ligamos a pedir um serviço de táxi. “Assim que possa, por favor. Mas porquê, não lhe dá jeito agora?” questionamo-lo. “Estou aí em dez minutos. É só porque vim de lá há pouco e estava tudo fechado.” Mas costuma fechar mais à tarde?” “Não, aquilo lá em cima nunca se sabe. Muda em minutos.” esclarece-nos. “Olhe, vamos já e logo se vê. Daqui, vemos as nuvens a deslizarem a grande velocidade. Devem haver uns intervalos de sol.”

Dito e feito. Enquanto subimos, o Sr. Noel aconselha-nos a não nos aventurarmos pela orla. Com razões fundadas. As nuvens e o vento fustigavam o cimo do Caldeirão. No seu lado oeste, as falésias da caldeira mediam 718 metros acima do oceano. Eram, aliás, uma das elevações costeiras supremas do Atlântico do Norte.

A Visão do Deslumbrante Caldeirão do Corvo

Noel deixa-nos no miradouro do Caldeirão, junto ao início do trilho que a ligava ao fundo. E ao lado de um jipe dos bombeiros da Vila do Corvo, sem sinal de ocupantes mas, tudo indicava, estacionado a postos para socorrer caminhantes acidentados.

Na direcção contrária, o vendaval húmido irrigava a vertente da ilha virada ao oceano, retalhada por minifúndios ondulados.

Ao contrário do que receávamos, àquela hora, as nuvens pouco ou nada entravam no Caldeirão.

Cedemos à tentação. Caminhamos para norte do cimo da orla, curiosos quanto a se não nos revelaria um panorama ainda mais grandioso.

O improviso dura o que dura. Percebemos que estávamos ao nível da caravana de nuvens e que a névoa nos roubava os cenários. Quando descemos para dela nos livrarmos, debatemo-nos com o manto vegetal espesso que ali cobre o solo, feito de tufos de plantas briófitas, musgoso e ensopado.

Fartos das suas armadilhas e rasteiras, regressamos ao miradouro resignados a inaugurar a caminhada em redor do fundo do Caldeirão.

Caldeirão da Ilha do Corvo, Açores,

Visitante da ilha do Corvo admira o Caldeirão.

Por fim, a Longa Caminhada de Circum-Caldeirão

Cumprimos uma série dos meandros do trilho.

Até que a visão de umas poucas vacas a pastarem quase no cimo da vertente interior nos sugere fotografias especiais e incita a nova caminhada improvisada, ao longo, e acima e abaixo da curva da orla.

Ilha do Corvo, Açores, vacas pastam no Caldeirão

Vacas de raças sortidas pastam pela encosta interior do Caldeirão do Corvo acima.

Mesmo desprezados pelos bovídeos entregues ao pasto tenro sem fim, lá fazemos as nossas fotos.

Ilha do Corvo, Açores, vaca no Caldeirão

Vaca a meio da encosta interior do Caldeirão do Corvo.

Regressamos ao trilho. Os ziguezagues descendentes aproxima-nos de um muro em L.  E, à laia visual de Ngorongoro açoriano, de uma grande manada multicolor de vacas dispersa pelo ervado aquém da margem arredondada da Lagoa do Caldeirão.

A espaços, manchas de azul destoavam do tecto nevoento da caldeira. Surgiam como bênçãos solares que geravam projecções verde-douradas no declive norte da cratera e que faziam resplandecer a superfície da lagoa.

Ilha do Corvo, Açores, vacas pastam no Caldeirão

Vacas devoram o pasto tenro do fundo do Caldeirão da ilha do Corvo.

Prosseguimos trilho fora. Entre as vacas. Logo, pela margem lamacenta da grande lagoa.

Chegados ao ocidente da caldeira, vemo-nos de frente para a versão murada da sua vertente, também ela dividida em fracções geométricas por muros de pedra vulcânica cobertas de líquenes.

E a Ainda Mais Longa Caminhada de Regresso à Vila do Corvo

Quase duas horas de caminhada fotográfica depois, estávamos de volta aos esses que conduziam ao cimo do miradouro. Mesmo se as pernas se ressentiam da ladeira, forçamo-nos a um regresso pedestre à Vila do Corvo.

Aproximamo-nos de um trio de ribeiras que a Estrada do Caldeirão obriga a uma passagem subterrânea: a Riba da Ponte, a do Cerrado das Vacas e a da Lapa.

Por ali, apercebemo-nos de uma profusão de figueiras e de outras árvores de fruto, disputada pela maior e mais barulhenta colónia de estorninhos que testemunhámos em muitos anos de viagem.

Não serão os estorninhos a sua principal atracção. O Corvo é idolatrada pelos observadores de pássaros deste mundo. Vistas bem as coisas, até o próprio nome da ilha, estima-se que adaptado do que já constava em mapas genoveses do século XIV, Insula Corvi Marini, o justifica.

Lá abundam aves residentes, terrestres e marinhas. A escala de muitas outras, parte das rotas migratórias entre a Europa e a América do Norte fazem da ilha um destino ornitólogo de excelência.

A riqueza animal do Corvo também reside nos seus espécimes pecuários. Umas centenas de metros abaixo, espantamo-nos com o porte massivo de alguns porcos instalados num curral remediado. Nas imediações, confrontamo-nos com um bode surpreendido pela nossa súbita aparição.

Quanto mais descemos, mais nos embrenhamos na faceta rural da ilha.

Ilha do Corvo, Açores, retalhos rurais

Muros e sebes dividem a encosta leste da Ilha do Corvo abaixo do Caldeirão.

A Confraternização Rural com o Sr. Rogério Rodrigues

Junto à confluência da estrada com a Riba da Lapa, reingressamos num seu domínio bovino. Não obstante três ou quatro minifúndios pelo meio, apercebemo-nos de que um corvino transportava bilhas metálicas, na direcção de quatro vacas de raças sortidas, isoladas entre muros e sebes.

Beneficiários de infâncias no campo, sabíamos o quanto as tarefas do campo tinham evoluído desde os longínquos anos 80. Custava-nos a acreditar que, mesmo na remota ilha do Corvo, as vacas ainda fossem ordenhadas à mão.

Decididos a esclarecer o enigma, metemo-nos no caminho entremuros que conduzia àquele cimo. Apresentamo-nos. Pedimos desculpa pela invasão. O sr. Rogério dá-nos as boas-vindas, põe-nos à vontade e, enquanto manuseia as tetas de uma vaca frísia, esclarece-nos. “Pois, numa situação normal não o estaria a fazer. Mas calhou só ter que ordenhar estas quatro. Mesmo mais rápido e fácil com a máquina, o trabalho que dá lavá-la em seguida não compensa.”

Ilha do Corvo, Açores, ordenha manual

Sr. Rogério ordenha uma das suas vacas à mão

Ficamos à conversa uma boa meia-hora. Com paciência de santo, o sr. Rogério continua a responder-nos. Dá-nos um curso intensivo da criação de vacas e produção de leite na ilha do Corvo: as vantagens de criar vacas frísias ou Holstein por comparação, por exemplo, com as Jersey e as Guernsey, o teor de gordura no leite e o seu valor, entre tantos outros ensinamentos que retivemos para todo o sempre.

O Trecho Derradeiro e o Anoitecer Mágico da Vila do Corvo

Por nós, teríamos ficado mais umas horas naquele delicioso convívio mas, não tarda, iria escurecer e inda estávamos longe da Vila do Corvo.

Despedimo-nos. Voltamos à Estrada do Caldeirão sob a supervisão do cão do Sr. Rogério que nos acompanhou da caixa-trono da também já sua pick up, interessado, sobretudo, num rápido retorno do dono.

Cão ilha do Corvo, Açores

Cão aguarda pelo regresso do corvino Sr. Rogério de uma demorada ordenha manual.

Atingimos o ponto panorâmico sobranceiro face à fajã, com o sol prestes a assentar no ocidente atlântico sem fim. Dali mesmo, contemplamos o ocaso e o lusco-fusco que sempre o confirma.

Vemos as luzinhas cor-de-fogo da Vila do Corvo iluminarem o seu casario, apertado na ponta sul da ilha, entre a vertente do vulcão e a pista quase anfíbia do aeroporto. Vislumbramos ainda o cintilar longínquo de alguns candeeiros das Flores, sob um céu arroxeado de chuva.

Vila do Corvo, Açores

Noite cai sobre a Vila do Corvo e a ilha das Flores.

Seguimos directos para um já urgente jantar. Após o que nos deixamos dormir, embalados pelo ribombar soporífero do Atlântico.

Vila do Corvo. Capital e única Povoação da Ilha do Corvo

O sol outonal da manhã incita-nos a despacharmos o pequeno-almoço em três tempos e voltarmos a sair.

Guiados pela torre da Igreja da Nª Srª dos Milagres, seguimos directos para a Rua da Matriz. De onde passamos para o varandim sobre o porto, a enseada pedregosa e com vista privilegiada para o casario que se estendia pela encosta íngreme acima.

Vila do Corvo, Açores

Enseada abaixo da Vila do Corvo.

Caminhamos pelas suas ruelas e canadas, intrigados pelas linhas do mini-veículo amarelo do lixo, não nos espantaríamos se soviéticas.

Desviamos para uma tal de rua do Rego. Paredes meias com a escarpa que encerra a povoação, um painel de azulejo ilustra um episódio mais memorável que tantos outros da história do Corvo.

Na gravura azul e branca, benzidos por uma figura da Nª Senhora, corvinos ancestrais lançam grandes calhaus falésia abaixo, sobre invasores infiéis recém-desembarcados.

A imagem alerta-nos para o facto de, ao longo da colonização da sua ilha, os Corvinos terem vencido adversidades bem mais sérias que o mero isolamento.

Casario da Vila do Corvo, Açores

Sector do casario da Vila do Corvo com a Igreja da Nª Srª dos Milagres à esquerda.

A Descoberta e a Colonização Atribulada da Ilha do Corvo

O Corvo e as Flores foram descobertas por Diogo de Teive, no regresso da sua expedição à Terra Nova, de 1452. Daí em diante, o imponente Monte do Caldeirão passou a servir de Norte aos navegadores.

A tentativa de colonização pioneira só se deu mais de um século depois, por cerca de trinta habitantes da Terceira. Tanto essa como a seguinte terminaram com abandonos forçados.

A bem-sucedida, só foi conseguida, em 1548, quando Gonçalo de Sousa, capitão donatário do actual Grupo Ocidental recebeu permissão da Coroa para a iniciar com escravos – crê-se que oriundos de Santo Antão, Cabo Verde, mais tarde, colocados ao serviço de camponeses e criadores de gado já com provas dadas.

Moinhos da Vila do Corvo, Açores

Moinhos pitorescos no limiar da Vila do Corvo.

Durante a segunda metade do século XVI e XVII, como ilustrava o painel de azulejo, o Corvo viu-se vítima de ataques e saques perpetrados por piratas da Barbária.

Quando nem estes ataques demoveram os corvinos de continuarem na sua ilha, percebeu-se que a tinham colonizado em definitivo, com toda a alma e coração.

Esse sentimento de pertença, a par da exuberância natural e vulcânica, fazem do Corvo uns Açores ainda mais especiais.

Do Corvo, regressámos às Flores. Uns dias depois, ao aterrarmos na Graciosa, completámos a nossa descoberta particular do arquipélago.

Ilha das Flores, Açores

Os Confins Atlânticos dos Açores e de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
São Miguel, Açores

Ilha de São Miguel: Açores Deslumbrantes, Por Natureza

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
Santa Maria, Açores

Santa Maria: Ilha Mãe dos Açores Há Só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
Ilha Terceira, Açores

Ilha Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. São apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da ilha Terceira ímpar não têm conta.
Horta, Açores

A Cidade que Dá o Norte ao Atlântico

A comunidade mundial de velejadores conhece bem o alívio e a felicidade de vislumbrar a montanha do Pico e, logo, o Faial e o acolhimento da baía da Horta e do Peter Café Sport. O regozijo não se fica por aí. Na cidade e em redor, há um casario alvo e uma efusão verdejante e vulcânica que deslumbra quem chegou tão longe.
Vulcão dos Capelinhos, Faial, Açores

Na Pista do Mistério dos Capelinhos

De uma costa da ilha à opostoa, pelas névoas, retalhos de pasto e florestas típicos dos Açores, desvendamos o Faial e o Mistério do seu mais imprevisível vulcão.
Graciosa, Açores

Sua Graça a Graciosa

Por fim, desembarcarmos na Graciosa, a nossa nona ilha dos Açores. Mesmo se menos dramática e verdejante que as suas vizinhas, a Graciosa preserva um encanto atlântico que é só seu. Quem tem o privilégio de o viver, leva desta ilha do grupo central uma estima que fica para sempre.
Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Jabula Beach, Kwazulu Natal, Africa do Sul
Safari
Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil
Arquitectura & Design
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Aventura
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Corrida de camelos, Festival do Deserto, Sam Sam Dunes, Rajastão, Índia
Cerimónias e Festividades
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Verão Escarlate
Cidades

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha Pão do Uzbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Cultura
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Natação, Austrália Ocidental, Estilo Aussie, Sol nascente nos olhos
Desporto
Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos. A nadar.
Em Viagem
Lago Inlé, Myanmar

Uma Agradável Paragem Forçada

No segundo dos furos que temos durante um passeio em redor do lago Inlé, esperamos que nos tragam a bicicleta com o pneu remendado. Na loja de estrada que nos acolhe e ajuda, o dia-a-dia não pára.
Manhã cedo no Lago
Étnico

Nantou, Taiwan

No Âmago da Outra China

Nantou é a única província de Taiwan isolada do oceano Pacífico. Quem hoje descobre o coração montanhoso desta região tende a concordar com os navegadores portugueses que baptizaram Taiwan de Formosa.

Vista para ilha de Fa, Tonga, Última Monarquia da Polinésia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

Sinais Exóticos de Vida

Viagem na História de Santa Cruz de La Palma, Canárias, Varandas Avenida Marítima
História
Santa Cruz de La Palma, Canárias

A Viagem na História de Santa Cruz de La Palma

Começou como mera Villa del Apurón. Chegado o séc. XVI, a povoação não só tinha ultrapassado as suas dificuldades como era já a terceira cidade portuária da Europa. Herdeira dessa abençoada prosperidade, Santa Cruz de La Palma tornou-se uma das capitais mais elegantes das Canárias.
Aldeia da Cuada, Ilha das Flores, Açores, quarto de arco-íris
Ilhas
Aldeia da Cuada, Ilha das Flores, Açores

O Éden Açoriano Traído pelo outro Lado do Mar

A Cuada foi fundada, estima-se que em 1676, junto ao limiar oeste das Flores. Já em pleno século XX, os seus moradores juntaram-se à grande debandada açoriana para as Américas. Deixaram para trás uma aldeia tão deslumbrante como a ilha e os Açores.
Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Inverno Branco
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Lago Manyara, parque nacional, Ernest Hemingway, girafas
Literatura
PN Lago Manyara, Tanzânia

África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.
Cruzeiro Navimag, Puerto Montt a Puerto-natales, Chile
Natureza
Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Enriquillo, Grande lago das Antilhas, República Dominicana, vista da Cueva das Caritas de Taínos
Parques Naturais
Lago Enriquillo, República Dominicana

Enriquillo: o Grande Lago das Antilhas

Com entre 300 e 400km2, situado a 44 metros abaixo do nível do mar, o Enriquillo é o lago supremo das Antilhas. Mesmo hipersalino e abafado por temperaturas atrozes, não pára de aumentar. Os cientistas têm dificuldade em explicar porquê.
República Dominicana, Praia Bahia de Las Águilas, Pedernales. Parque Nacional Jaragua, Praia
Património Mundial UNESCO
Laguna Oviedo a Bahia de las Águilas, República Dominicana

Em Busca da Praia Dominicana Imaculada

Contra todas as probabilidades, um dos litorais dominicanos mais intocados também é dos mais remotos. À descoberta da província de Pedernales, deslumbramo-nos com o semi-desértico Parque Nacional Jaragua e com a pureza caribenha da Bahia de las Águilas.
femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Personagens
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Insólito Balnear
Praias

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Via Crucis de Boac, Festival de Moriones, Marinduque, Filipinas
Religião
Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.
Chepe Express, Ferrovia Chihuahua Al Pacifico
Sobre Carris
Creel a Los Mochis, México

Barrancas de Cobre, Caminho de Ferro

O relevo da Sierra Madre Occidental tornou o sonho um pesadelo de construção que durou seis décadas. Em 1961, por fim, o prodigioso Ferrocarril Chihuahua al Pacifico foi inaugurado. Os seus 643km cruzam alguns dos cenários mais dramáticos do México.
Graffiti deusa creepy, Haight Ashbury, Sao Francisco, EUA, Estados Unidos America
Sociedade
The Haight, São Francisco, E.U.A.

Órfãos do Verão do Amor

O inconformismo e a criatividade ainda estão presentes no antigo bairro Flower Power. Mas, quase 50 anos depois, a geração hippie deu lugar a uma juventude sem-abrigo, descontrolada e até agressiva.
Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Serengeti, Grande Migração Savana, Tanzania, gnus no rio
Vida Selvagem
PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
PT EN ES FR DE IT