Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro


Voo marinho
Moa entra no mar raso de braços abertos, numa pose evocativa do culto de tangata manu
Cratera de retalhos
A cratera exuberante do vulcão extinto Ranu Kao, no extremo sudoeste de Rapa Nui e junto a Orongo.
Tangata manu rupestre
Pormenor de um petróglifo de Mata Ngarau, desenhado num dos abundantes rochedos de basalto de Rapa Nui.
Do ângulo certo
Visitante da Ilha da Páscoa fotografa um dos muitos petróglifos de Mata Ngarau.
Orgulho saudosista
Nativo Moa, faz ondular uma bandeira da nação rapa nui.
O Percurso do ovo
As rochas e petroglifos de Mata Ngarau, o âmago sagrado de Orongo. Ao longe, o trio de ilhéus ao largo de Rapa Nui: Motu Nui, o maior, antecedido de Motu Iti e do afiado Motu Kao Kao. Era em Motu Nui que os participantes no culto tangata manu deviam ac
Cristianismo Rapa Nui
Pormenor do cemitério de Hanga Roa, a capital de Rapa Nui, com uma combinação de elementos indigenas e cristãos.
Abrigos ceremoniais
Edifícios seculares da aldeia de Orongo, construída para preparar a competição, e acolher os rituais de tangata manu.
A fábrica
Moais semi-enterrados na pedreira de Rano Raraku, onde os nativos rapa nui fabricavam os seus deuses de pedra.
Linha divina
Vislumbre dos moais de ahu Tongariki, a maior formação da Ilha da Páscoa.
Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

Ditaram o destino geológico e a recente urbanização colonial chilena que a caldeira mais exuberante da Ilha da Páscoa ficasse encaixada no recanto sudoeste do seu quase triângulo.

Num domínio verdejante trancado pela enorme pista do aeroporto, abaixo da capital Hanga Roa.

Tínhamos prestado a nossa homenagem à maior parte das formações de moais que guardavam a ilha e visitado a pedreira de Rano Raraku em que os nativos antes os geravam.

Estava na hora de abordarmos Ranu Kao e a velha aldeia vizinha de Orongo, em modo de investigação do culto do homem-pássaro.

A Cratera Deslumbrante de Rano Kau

Metemo-nos no jipe que usávamos há vários dias.Contornamos o espaço vasto do aeroporto.

Detemo-nos junto ao início do trilho que conduz à caldeira do vulcão extinto, há muito um lago com a superfície coberta por um manto de retalhos multicolor de erva verdejante e água escura.

Do cimo da orla, o cenário arredondado por diante arrebata-nos.

Cratera de Ranu Kao, Ilha da Páscoa, Rapa Nui

A cratera exuberante do vulcão extinto Ranu Kao, no extremo sudoeste de Rapa Nui e junto a Orongo.

Aquela era, de longe, uma das paisagens mais incríveis de toda a Polinésia e do oceano Pacífico em redor. Ficamos uns bons vinte minutos a contemplá-la. Só passado esse tempo, sentimos justo prosseguirmos borda fora rumo ao mar azulão e a Orongo.

As ruínas da povoação cerimonial estavam logo por ali. A ausência de outras pessoas, um silêncio natural desafiado pelo vento, pelo ressoar difuso do Pacífico abaixo e por ocasionais guinchos de aves marinhas envolveram a caminhada e a entrada na povoação de um mistério e solenidade que nos chegaram a arrepiar.

Por fim, atingimos a secção em que a falda da caldeira quase se abria ao oceano. No extremo leste dessa espécie de falha, confrontamo-nos com um amplo crasto de construções feitas de pedras empilhadas com o interior apenas acessível por aberturas ínfimas alinhadas junto ao solo ervado.

Diante do agrupamento, junto ao limiar da aldeia e do sudoeste de Rapa Nui, encontramos uma formação rochosa repleta de petróglifos intrincados.

Mesmo se a visão distante mas rival de três ilhéus perdidos na imensidão do oceano e do céu nos reclamava a atenção, examinamo-los com cuidado.

Mata Ngarau, Orongo, Ilha da Páscoa/Rapa Nui

As rochas e petroglifos de Mata Ngarau, o âmago sagrado de Orongo. Ao longe, o trio de ilhéus ao largo de Rapa Nui: Motu Nui, o maior, antecedido de Motu Iti e do afiado Motu Kao Kao. Era em Motu Nui que os participantes no culto tangata manu deviam achar o desejado primeiro ovo do ano

O vento era, ali, mais intenso.

Fazia ondular o verde vegetal a nossos pés e o azul marinho-celeste sem fim. Ao mesmo tempo, rodeava os ilhéus de um branco pulsante.

Estimulava-nos a curiosidade quanto ao que levara os indígenas rapa nui a instalar-se naqueles confins indómitos da sua ilha e a sulcar as rochas com tanta dedicação.

A Súbita Falência do Deus Make Make

Como tudo o que diz respeito à Ilha da Páscoa, o tema intriga e apaixona uma larga comunidade de historiadores, arqueólogos e outros estudiosos. Teorias não faltam. Nem explanações aturadas dessas explicações.

Em algo, a maior parte parece coincidir: uma nova realidade surgiu pouco depois de os indígenas rapa nui terem começado a derrubar os moais que antes haviam esculpido e erguido.

De um momento para o outro, Make Make, o deus criador, supremo e omnipotente deixou de proteger o povo Rapa Nui, incapaz de prever a catástrofe que, com a sua fé cega na supervisão dos moais, acabou por gerar.

As árvores da ilha terão sido quase todas cortadas para servirem de rolos e roldanas que permitiam a complexa deslocação dos moais da pedreira em que eram esculpidos para os lugares que lhes eram destinados. Sem árvores, os nativos deixaram de poder construir barcos e de pescar.

Em pouco tempo, exterminaram as galinhas e aves afins da ilha. Até mesmo as aves marinhas se terão tornado escassas, de tal forma raras que os nativos as sacralizaram.

Mata Ngarau, Orongo, Ilha da Páscoa/Rapa Nui

Visitante da Ilha da Páscoa fotografa um dos muitos petróglifos de Mata Ngarau.

A Solidão Terrestre e a devida Compensação Religiosa

A Ilha da Páscoa é o lugar da Terra mais isolado. Dista 1850km das ilhas do Pacífico mais próximas, as do arquipélago, hoje, também chileno de Juan Fernández que ainda fica a 600km do continente sul-americano.

Ora, numa sociedade tão só e esperançada na benevolência do sobrenatural, a emergência do culto substituto do dos moais, o tangata manu (homem pássaro) não se fez esperar.

No século XVIII, os navegadores europeus começaram a ancorar nas enseadas da ilha. O pioneiro foi o holandês Jacob Roggeveen, em 5 de Abril de 1722, o Domingo de Páscoa que inspiraria o baptismo de Rapa Nui.

Em Novembro de 1770, chegaram os primeiros navegadores espanhóis e, quatro anos mais tarde, o incontornável britânico James Cook.

Os diários dos espanhóis confirmam que todos os moais estavam de pé. Já os registos de James Cook, informam que alguns haviam sido derrubados.

Tangata Manu: toda a Esperança num Culto Bizarro

De início, os habitantes de Rapa Nui estavam organizados em redor de um sistema de classes bem estruturado, com um ariki (chefe supremo) acima dos chefes de nove clãs.

Com a sua existência ameaçada pela falta de árvores e de alimento, um grupo de líderes guerreiros terá organizado uma espécie de golpe de estado.

Fundaram, assim, a nova religião que venerava Make Make e legitimava o sub-culto de Tangata Manu.

Edifícios seculares de Orongo, Ilha da Páscoa, Rapa Nui

Edifícios seculares da aldeia de Orongo, construída para preparar a competição, e acolher os rituais de tangata manu.

Daí em diante, ano após ano, jovens guerreiros (hopus) de cada clã eram nomeados pelos ivi-attuas (xamanes) de cada clã rival para participarem numa competição realizada de Julho a Setembro.

Os competidores começavam por se concentrar nas grutas da ravina no prolongamento da cratera de Ranu Kao.

Dessas grutas, deviam atravessar a nado o mar infestado de tubarões até Motu Nui, o maior dos ilhéus ao largo, antecedido de Motu Iti e do afiado Motu Kao Kao.

Ali, aguardavam a chegada das manutara, as andorinhas-do-mar-escuras que migravam anualmente de outras partes do Pacífico, para lá nidificarem.

O Destino Entregue a um Ovo

O participante que colhesse o seu primeiro ovo, escalava ao penhasco supremo de Motu Nui.

Do topo, gritava para o seu xamane algo do género: “Temos o ovo, vai rapar a cabeça”. Então, os participantes derrotados nadavam juntos de volta à base de Rapa Nui.

O felizardo, regressava sozinho, do ilhéu, com o ovo enrodilhado numa meda de longas ervas atada sobre a cabeça.

Depois, tinha ainda que escalar os rochedos afiados que o separavam das alturas de Orongo para o entregar ao respectivo ivi-attua.

petróglifo de Mata Ngarau, Ilha da Páscoa/Rapa Nui

Pormenor de um petróglifo de Mata Ngarau, desenhado num dos abundantes rochedos de basalto de Rapa Nui.

Era declarado o Tangata manu, o ivi-attua do participante vencedor. Triunfante, esse xamane liderava, então, uma procissão que cruzava parte da ilha, até à zona a que o seu clã pertencia.

Três dias após ser colhido, o ovo era vazado, enchido de fibras vegetais e colocado na cabeça rapada e pintada de branco ou vermelho do Tangata Manu.

Lá permaneceria por um ano mas, mais importante que o direito ao adereço, o Tangata manu passava a ser considerado tapu (sagrado).

O Reinado Surreal de Orongo

Recebia distintos tributos e oferendas de comida. Conquistava, aliás, para o seu clã, o direito de controlar a distribuição dos recursos escassos da ilha durante o ano seguinte.

Desses recursos, os cruciais eram o privilégio de colherem os ovos postos pelas aves em Motu Nui durante cinco dos doze meses da sua vigência e residência em Orongo. No restante tempo, o Tangata manu permanecia em retiro espiritual num edifício erguido para o acolher.

A Orongo que examinávamos e de que perscrutávamos o trio de ilhéus terá sido erguida como a povoação oficial do evento que, contando com o cerimonial envolvido, durava quase um mês.

Servia como ponto de chegada de uma marcha prévia dos clãs participantes com início em Mataveri, junto ao actual aeroporto.

Com a prova encerrada, eram gravadas nas rochas de basalto imagens de Make Make e do novo tangata manu. Na actualidade, perduram em Orongo e em redor cerca de 480 petróglifos.

Algumas rochas exibem imagens dos homens-pássaro. Outras combinam os tangata manus com linhas comemorativas do deus Make Make.

Da Queda de Tangata Manu à Quase Extinção do Povo Rapa Nui

Além de nada aliviar o já longo calvário do povo Rapa Nui, o novo culto colidiu com a obsessão dos missionários europeus entretanto instalados na ilha em converter os nativos ao Cristianismo. Foi banido sem apelo.

A partir de meio do século XIX, tornaram-se cada vez mais frequentes as incursões de traficantes de escravos vindos do litoral do Peru.

Estes raides, epidemias fulminantes de tuberculose, varíola e outras doenças trazidas pelos forasteiros e deportações para outras paragens do Pacífico, causaram a diminuição drástica da população da ilha.

Em 1871, de muitos milhares (entre 7 a 20.000 no auge de Rapa Nui), sobravam 111 indígenas na ilha. Criadores de gado compraram boa parte das terras da há muito desmatada Rapa Nui que passou a servir de pasto aos seus ranchos.

A Nova Realidade Chilena

Volvidos 17 anos, a Ilha da Páscoa viu-se anexada pelo Chile. Os nativos sobreviventes foram agrupados na zona da actual capital Hanga Roa. Só em 1966 lhes foi concedida a cidadania chilena.

O censo de 2017, registou 9400 cidadãos que se consideraram de etnia Rapa Nui ,a habitar um pouco por todo o longilíneo Chile. Mesmo que o critério peque por excessiva ambiguidade, a Ilha da Páscoa abriga 7700 habitantes. Destes, 60%  consideram-se descendentes dos aborígenes da Ilha da Páscoa.

Dias depois da nossa incursão a Orongo, Moa – de longe, o nativo que conhecemos na ilha mais determinado em recuperar a cultura Rapa Nui – leva a cabo uma série de orações e ritos, em frente às formações de moais, hoje, quase todas reerguidas.

Numa dessas estranhas actuações, coberto apenas com uma pequena tarja de cintura e com um estandarte da nação Rapa Nui atado à perna direita, o entra pelo mar raso ao lado de um dos ahus.

Altivo, orgulhoso, confronta a imensidão do oceano Pacífico com os braços abertos numa pose simbólica do saudoso tangata manu.

Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa

Moa entra no mar raso de braços abertos, numa pose evocativa do culto de tangata manu.

Os séculos passaram. As embarcações dos colonos europeus ancoraram e zarparam.

Por mais que evoque a história em tempos gloriosa do seu povo, dói a Moa a consciência de que nem o deus criador Make Make, nem os sucessivos Homens-Pássaro salvaram a frágil civilização Rapa Nui das garras da civilização ocidental.

Mais informação sobre Rapa Nui – Ilha da Páscoa na página respectiva da UNESCO.

El Tatio, Chile

Géiseres El Tatio - Entre o Gelo e o Calor do Atacama

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio, no Deserto de Atacama surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4200 m de altitude. Os seus géiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes.
PN Torres del Paine, Chile

A Mais Dramática das Patagónias

Em nenhuma outra parte os confins austrais da América do Sul se revelam tão arrebatadores como na cordilheira de Paine. Ali, um castro natural de colossos de granito envolto de lagos e glaciares projecta-se da pampa e submete-se aos caprichos da meteorologia e da luz.
Rapa Nui - Ilha da Páscoa, Chile

Sob o Olhar dos Moais

Rapa Nui foi descoberta pelos europeus no dia de Páscoa de 1722. Mas, se o nome cristão ilha da Páscoa faz todo o sentido, a civilização que a colonizou de moais observadores permanece envolta em mistério.
San Pedro de Atacama, Chile

São Pedro de Atacama: a Vida em Adobe no Mais Árido dos Desertos

Os conquistadores espanhóis tinham partido e o comboio desviou as caravanas de gado e nitrato. San Pedro recuperava a paz mas uma horda de forasteiros à descoberta da América do Sul invadiu o pueblo.
Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe
Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites do Deserto de Atacama

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.
Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.
Vulcão Villarrica, Chile

Ascensão à Cratera do Vulcão Villarrica, Sempre em Actividade

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.
Pucón, Chile

Entre as Araucárias de La Araucania

A determinada latitude do longilíneo Chile, entramos em La Araucanía. Este é um Chile rude, repleto de vulcões, lagos, rios, quedas d’água e das florestas de coníferas de que brotou o nome da região. E é o coração de pinhão da maior etnia indígena do país: a Mapuche.
savuti, botswana, leões comedores de elefantes
Safari
Savuti, Botswana

Os Leões Comedores de Elefantes de Savuti

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 5º - Ngawal a BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
costa, fiorde, Seydisfjordur, Islandia
Arquitectura & Design
Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando armadores de Reiquejavique compraram a frota pesqueira de Seydisfjordur, a povoação teve que se adaptar. Hoje, captura discípulos da arte de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Aventura
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
Via Conflituosa
Cerimónias e Festividades
Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem a Via Dolorosa, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.
Kronstadt Rússia Outono, dona do Bouquet
Cidades
Kronstadt, Rússia

O Outono da Ilha-Cidade Russa de Todas as Encruzilhadas

Fundada por Pedro o Grande, tornou-se o porto e base naval que protegem São Petersburgo e o norte da grande Rússia. Em Março de 1921, rebelou-se contra os Bolcheviques que apoiara na Revolução de Outubro. Neste Outubro que atravessamos, Kronstadt volta a cobrir-se do mesmo amarelo exuberante da incerteza.
Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Mar-de-Parra
Cultura
Mendoza, Argentina

Viagem por Mendoza, a Grande Província Enóloga Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, a província de Mendoza está no centro da maior região enóloga da América Latina.
arbitro de combate, luta de galos, filipinas
Desporto
Filipinas

Quando só as Lutas de Galos Despertam as Filipinas

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.
Motociclista no desfiladeiro de Sela, Arunachal Pradesh, Índia
Em Viagem
Guwahati a Sela Pass, Índia

Viagem Mundana ao Desfiladeiro Sagrado de Sela

Durante 25 horas, percorremos a NH13, uma das mais elevadas e perigosas estradas indianas. Viajamos da bacia do rio Bramaputra aos Himalaias disputados da província de Arunachal Pradesh. Neste artigo, descrevemos-lhe o trecho até aos 4170 m de altitude do Sela Pass que nos apontou à cidade budista-tibetana de Tawang.
Maksim, povo Sami, Inari, Finlandia-2
Étnico
Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Há muito discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera a sua autonomia e orgulha-se da sua nacionalidade.
Vista para ilha de Fa, Tonga, Última Monarquia da Polinésia
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Portfólio Got2Globe

Sinais Exóticos de Vida

DMZ, Coreia do Sul, Linha sem retorno
História
DMZ, Dora - Coreia do Sul

A Linha Sem Retorno

Uma nação e milhares de famílias foram divididas pelo armistício na Guerra da Coreia. Hoje, enquanto turistas curiosos visitam a DMZ, várias das fugas dos oprimidos norte-coreanos terminam em tragédia
Cilaos, ilha da Reunião, Casario Piton des Neiges
Ilhas
Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.
Verificação da correspondência
Inverno Branco
Rovaniemi, Finlândia

Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
José Saramago em Lanzarote, Canárias, Espanha, Glorieta de Saramago
Literatura
Lanzarote, Canárias, Espanha

A Jangada de Basalto de José Saramago

Em 1993, frustrado pela desconsideração do governo português da sua obra “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago mudou-se com a esposa Pilar del Río para Lanzarote. De regresso a esta ilha canária algo extraterrestre, reencontramos o seu lar. E o refúgio da censura a que o escritor se viu votado.
Tombolo e Punta Catedral, Parque Nacional Manuel António, Costa Rica
Natureza
PN Manuel António, Costa Rica

O Pequeno-Grande Parque Nacional da Costa Rica

São bem conhecidas as razões para o menor dos 28 parques nacionais costarriquenhos se ter tornado o mais popular. A fauna e flora do PN Manuel António proliferam num retalho ínfimo e excêntrico de selva. Como se não bastasse, limitam-no quatro das melhores praias ticas.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Casinhas miniatura, Chã das Caldeiras, Vulcão Fogo, Cabo Verde
Parques Naturais
Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
muralha da fortaleza de Novgorod e da Catedral Ortodoxa de Santa Sofia, Rússia
Património Mundial UNESCO
Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.
Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Magníficos Dias Atlânticos
Praias
Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.
Buda Vairocana, templo Todai ji, Nara, Japão
Religião
Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.
Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre Carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Sociedade
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Mesmo em tempos de paz, detectamos militares por todo o lado. A postos, nas cidades, cumprem missões rotineiras que requerem rigor e paciência.
manada, febre aftosa, carne fraca, colonia pellegrini, argentina
Vida Quotidiana
Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.
Rinoceronte, PN Kaziranga, Assam, Índia
Vida Selvagem
PN Kaziranga, Índia

O Baluarte dos Monocerontes Indianos

Situado no estado de Assam, a sul do grande rio Bramaputra, o PN Kaziranga ocupa uma vasta área de pântano aluvial. Lá se concentram dois terços dos rhinocerus unicornis do mundo, entre em redor de 100 tigres, 1200 elefantes e muitos outros animais. Pressionado pela proximidade humana e pela inevitável caça furtiva, este parque precioso só não se tem conseguido proteger das cheias hiperbólicas das monções e de algumas polémicas.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.