Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe


A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Assim que deixa para trás o continente sul-americano, o elegante Twin Otter encontra um céu salpicado de pequenas nuvens.

Aqui e ali, perfura-as.

Seiscentos quilómetros depois, a nebulosidade intensifica-se e encobre o arquipélago de Juan Fernández. Deixa descobertas algumas arestas de terra que o piloto reconhece sem hesitações.

A pista surge apertada entre as nuvens e o topo dos penhascos de Robinson Crusoe. Apesar do vento forte, o piloto conduz o avião à terra batida com suavidade.

Aterragem iminente, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Avião faz-se à pista elevada de Robinson Crusoe, com início no topo de um enorme penhasco.

Onde detém o avião, uma bandeira esvoaçante desfaz qualquer dúvida que a distância e a estranheza do terreno pudessem levantar. Regressávamos a solo chileno.

Bandeira Chilena, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Uma bandeira do Chile assinala a posse chilena de um arquipélago situado a mais de 600km da costa do Chile

O aeródromo fica num lado da ilha. San Juan Bautista, a povoação onde se concentram os seus quinhentos habitantes, fica noutro. A impossibilidade de cumprir o caminho por terra obriga a um translado pelo mar. Além de lento, complicado.

O velho jipe ferrugento que assegura a ligação ao barco recusa-se a pegar.

Quando pega, porque é o único veículo disponível, tem que cumprir várias viagens de ida e volta, cada uma mais arrastada que anterior.

De empurrão, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Habitantes de Robinson Crusoe tentam dar vida ao jipe que faz a ligação entre o aeródromo e a Bahia del Padre.

Como se não bastasse, a ondulação é forte. Atira a embarcação em que devíamos prosseguir contra o molhe da Bahia del Padre.

A agitação gera sucessivas discussões entre a tripulação.

Em redor, dezenas de leões-marinhos nadam inquietos. Parecem analisar o frenesim.

Quando o barco por fim zarpa, seguem-no por algumas centenas de metros, como que a assegurar a integridade do seu território.

Bahia del Padre, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Uma enseada circular quase fechada de Robinson Crusoe, partilhada por leões-marinhos e pescadores.

As desventuras ainda estavam por terminar. A apenas cinco minutos de atingir o destino, o barco imobiliza-se. A tripulação percebe que vem a perder combustível desde que embateu num dos pilares do molhe da Bahia del Padre.

Em Robinson Crusoe, tudo se resolve.

Em três tempos, do nada, aparece uma pequena embarcação que, a grande esforço, nos reboca.

A reboque, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Traineira que faz a ligação entre a Baía del Padre e San Juan Bautista é rebocada por um barco mais pequeno após ser danificada pela ondulação.

A chegada à vila é atribulada mas apoteótica. Dezenas de ilhéus acenam ansiosos pelos reencontros com os familiares, ou tão só entusiasmados pelo renovar das gentes. Começamos, a desvendar uma peculiar forma de vida.

Sobre o molhe, os moradores pescam à linha e puxam da água, peixe atrás de peixe. Ao largo, embarcações diminutas descarregam caixotes de lagosta acabada de capturar.

Contribuem assim para a principal exportação da ilha.

Lagostão, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Pescador mostra uma das muitas lagostas pescadas ao largo do arquipélago Juan Fernandez.

Robinson Crusoe envia todos os anos, muitas toneladas destes crustáceos para o continente chileno.

As suas remessas tornaram-se de tal maneira importantes que a Lassa – a companhia aérea que opera os voos de e para Valparaíso e Santiago – lhes reserva metade do espaço dos seus aviões.

Quando escrevemos metade, referimo-nos a todo um dos lados da cabine.

Como pudemos testemunhar, nessas ocasiões, as cadeiras são removidas. E o espaço disponibilizado é preenchido por caixotes que tresandam a marisco.

Espaço para lagostas, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Auxiliares removem cadeiras de um avião prestes a descolar para o continente chileno para terem espaço para transportar caixotes de lagostas.

O mar sempre se revelou generoso para os locais. Dá-lhes que fazer e alimenta-os. Anula as razões mais óbvias para se saturarem de vez do isolamento de Robinson Crusoe.

A 600 km do litoral da América do Sul, esta é uma separação que nem o passar dos séculos nem a modernização do Chile conseguiram ainda resolver.

Ilha Robinson Crusoe: dos Piratas ao Caçador de Tesouros

Assim que nos instalamos, damos início à exploração da ilha.

Acompanham-nos os guias e instrutores de mergulho Pedro Niada e Marco Araya Torres, um casal de franceses recém-chegado e Toni um barcelonense estudante ERASMUS de Biologia, há já algum tempo na ilha.

Saímos com o propósito de desbravar o litoral rude e de mergulhar com os leões-marinhos, uma das espécies endémicas locais, agora em plena recuperação da matança sistemática levada a cabo por caçadores de vários países até ao início do século XIX.

Briga de Leões-marinhos, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Leões-marinhos debatem-se pelo território rochoso no sopé de uma enorme falésia.

O percurso para as colónias dos “lobos” (como lhes chamam em Robinson Crusoe) revela o esplendor vulcânico dos cenários contrastantes que mudam consoante a orientação e a exposição aos ventos húmidos do Pacífico.

Temos também tempo para uma paragem estratégica na Baía do Inglês.

Ali, Pedro Niada introduz-nos a história de George Anson, o marinheiro que baptizou a baía onde se formou o povoado pirata de Cumberland e deu ao vale contíguo o seu nome.

Explicações de Pedro Niada, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Guia Pedro Niada explica diversas pistas que parecem confirmar a presença de tesouros escondidos em Robinson Crusoe.

Explica-nos que Anson escondeu na baía um tesouro de valor incalculável e que já foram muitos os que o tentaram desenterrar. Em vão.

Adianta-nos ainda que Bernard Keiser, um milionário norte-americano, continua a tentar. Niada tinha acompanhado Bernard Keiser em várias das suas épocas de trabalho.

Com paciência e eloquência, à laia de documentário, o guia chileno percorre a enseada e elucida-nos sobre cada marca na rocha, cada medida e pista deixada pelos piratas com referência a pedras com formas curiosas, riachos ou árvores.

A narração deixa-nos ainda mais fascinados pela ilha. E algo desiludidos por estarmos em pleno semestre de restrição às escavações de Kaiser, uma restrição imposta pelo governo chileno.

O Arquipélago Exuberante de Juan Fernández

Deixamos a Baía do Inglês. Seguimos ao longo de uma costa batida pelo mar agitado que só acalma quando nos deparamos com a enseada dos leões-marinhos.

Contacto visual, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Visitante e leão-marinho observam-se frente a frente.

Detectado um recanto suficientemente tranquilo para o mergulho, equipamo-nos. Logo, saltamos para a água.

Em três tempos, vêmo-nos cercados por crias e adultos frenéticos que não resistem à curiosidade, nos desafiam e chegam a morder-nos as barbatanas como que a tentar perceber de que espécie somos.

Por questões de calendário relacionadas com os voos e com as limitações impostas pelo transporte de lagosta, não temos o tempo que queríamos para descobrir a ilha. De acordo, após algumas viagens pelo litoral, decidimos passar a explorá-la para o interior, por trilhos quase sempre íngremes.

Trilho do Mirador, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Visitante desce um trilho íngreme numa zona elevada de Robinson Crusoe.

Quando caminhamos pelo âmago recortado de Robinson Crusoe, deslumbra-nos a sua flora fascinante, enriquecida por espécies endémicas. Só por si, as paisagens despertam um enorme fascínio. Mas o interesse de Robinson Crusoe e das suas irmãs vai muito além dos panoramas.

A quantidade de espécies animais e vegetais autóctones e a geologia dramática na base dos seus ecossistemas, atraem, há muito, ao arquipélago inúmeros cientistas.

Colibri de Juan Fernandez, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Colibri de Juan Fernandez, uma ave endémica cada vez mais rara do arquipélago.

Como causa e consequência, em 1977, a UNESCO declarou-a uma Reserva Mundial da Biosfera, representativa da Região Oceânica da Polinésia do Sudeste.

O Verdadeiro Robinson Crusoe

A personagem chave da ilha Robinson Crusoe chegou muito antes. Estava pouco interessado na fauna e na flora. Sem quase ter tido tempo de perceber como ou porquê, passou a delas depender. A peripécia ficou para a posteridade como um dos momentos mais excêntricos da navegação corsária britânica.

À imagem das ilhas próximas – Alexander Selkirk e Santa Clara – Robinson Crusoe foi descoberta em 1574, por Juan Fernández, um navegador castelhano de família portuguesa.

Vislumbre da ilha, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Brecha num manto de nuvens revela um recanto da ilha Robinson Crusoe.

Pouco depois, o arquipélago a que Fernández deu nome transformou-se num porto de abrigo preferido dos piratas que atacavam os galeões carregados de ouro e pedras preciosas destinados a Cartagena das Índias e a outras paragens do vasto império hispânico.

Em 1704, fundeou na baía de Cumberland, o “Cinque Ports“, um navio corsário inglês.

Tinha como capitão William Dampier, um criador de mapas admirado mas considerado inapto para liderar embarcações repletas de homens rudes e conflituosos nos mares mais perigosos até então conhecidos.

A Obsessão Tresloucada de William Dampier

Obcecado por saquear os navios espanhóis e portugueses que contornavam a costa oeste da América do Sul, Dampier insistiu, contra o bom senso e a vontade dos seus marinheiros, em contornar o temido Cabo Horn durante o Inverno Austral, a época do anos em que as tempestades ali são mais frequentes e ameaçadoras.

Por três vezes tentou o feito. Em todas, o navio foi afastado para longe da rota e sofreu danos avultados. Quando a tripulação que já padecia de escorbuto, ameaçou revoltar-se, o contramestre, o escocês Alexander Selkirk alertou Dampier.

Este, recusou-se a dar ouvidos. Em vez, manobrou o “Cinque Ports” uma vez mais para sul do Cabo Horn, sempre à mercê de um mar traiçoeiro.

A sorte estava do lado do capitão. Mesmo danificado, o navio lá conseguiu passar do Atlântico para o Pacífico. Então, Dampier conduziu-o a Masatierra (a actual Robinson Crusoe) para que os seus homens pudessem recuperar da travessia.

San Juan Bautista, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

A principal povoação do arquipélago Juan Fernández, abrigada numa enseada virada a sul, foi muito afectada por um tsunami gerado pelo sismo que assolou o Chile em 2010.

O Abandono Auto-Ditado de Alexander Selkirk

Selkirk esperava que Dampier ordenasse uma reparação geral do “Cinque Ports“. Dampier continuava ansioso e queria zarpar o quanto antes. Convencido de que o navio não iria aguentar mais tempestades, o contramestre Selkirk exigiu ser deixado na ilha. Farto das suas confrontações. Dampier fez-lhe a vontade.

Selkirk voltou uma derradeira vez ao barco. Levou para terra o seu colchão, uma espingarda, pólvora e balas, tabaco, um machado e uma faca, uma bíblia, instrumentos de navegação e alguns livros. Pensou estaria bem preparado para o que estimava ser uma curta espera.

No momento decisivo, à medida que o barco a remos se afastava da costa de Masatierra, Selkirk ainda foi assolado pela dúvida e correu para a borda da água para chamar de volta os companheiros.

Forçados pelo capitão a ignorá-lo, os remadores continuaram em direcção ao “Cinque Ports”.  Selkirk ficou a ver o navio desaparecer no horizonte.

A sua solidão duraria quatro anos e quatro meses.

A Sobrevivência Desesperante de Alexander Selkirk

Nesse tempo, alimentou-se de cabras que tinham escapado de outros barcos e colonizado a ilha. Bem como do seu leite, de frutas e de vegetais que os espanhóis tinham plantado anos antes.

A paisagem circundante era, à sua maneira, paradisíaca e proliferavam nascentes de água doce.

Apesar de beneficiar de um relativo bem-estar sobrevivente, Selkirk ansiou, desde o primeiro minuto, pela chegada de uma embarcação que o salvasse. Subia, várias vezes por dia, aos pontos mais altos da ilha onde ficava a perscrutar o horizonte.

Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Um dos panoramas perscrutado por Alexander Selkirk vezes sem conta em busca de navios

Passaram-se meses sem que o Pacífico lhe trouxesse novidades.

Tratou, então, de se instalar com mais condições. Construiu uma cabana com troncos que forrou com peles de cabra. Mais tarde, mudou-se para o interior de uma gruta.

Onde quer que estivesse, Selkirk mantinha uma fogueira acesa no exterior, esperançado de que alguém avistasse o fumo.

A sua longa solidão só terminou no início de 1709 quando avistou o “Duque”, o navio que o levaria de volta à Grã-Bretanha.

O piloto deste navio era William Dampier, o ex-capitão do “Cinque Ports” que o havia votado àquele longo e cruel abandono.

Cumprido o regresso, a aventura de Alexander Selkirk correu as docas, tabernas e estalagens da velha Albion. Incluía trechos tão mágicos como danças e cantorias com cabras amestradas sob a luz da lua.

Tornou-se de tal forma famosa que inspirou Daniel Dafoe a escrever “As Incríveis e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoe” com base numa personagem fictícia e passado nas Caraíbas.

Nos Passos do Marinheiro Abandonado

Ao jeito de homenagem, de maneira aproveitar o potencial turístico da relação entre Alexander Selkirk e Robinson Crusoe, este último seria adaptado como o nome actual da ilha. Foi o escolhido pelos habitantes para substituir Masatierra, usado, até então, por a ilha ser a mais próxima do continente sul-americano.

Deixamos para o fim o percurso doloroso que conduzia ao Miradouro de Selkirk.

A cavalo, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Nativo desce a cavalo do miradouro de Selkirk para o litoral de San Juan Bautista.

Após dois quilómetros de curvas e contracurvas sempre íngremes, o caminho avança sob autênticos túneis de vegetação densa.

Logo depois, revela-nos o posto de vigia de Selkirk, celebrado na aresta elevada da montanha por uma placa de bronze explicativa.

Selkirk, Na Pele de Robinson Crusoe, Alexander Selkirk, Chile

Sobrenome do marinheiro que ficou abandonado na principal ilha do arquipélago Juan Fernández e inspirou o romance de Daniel Dafoe.

Dali, cansados e fustigados pelo vento, observamos, deliciados, a beleza fascinante de Robinson Crusoe, reforçada pelas vertentes verdejantes dos montes em redor e pela língua de terra inóspita que se prolonga para sul das Tres Puntas.

No que a terra diz respeito, a vista terminava na distante Isla de Santa Clara, a menor das ilhas de Juan Fernández.

Santa Clara é a ilha “vizinha” que Alexander Selkirk se habituou a contemplar dia após dia.

Ilha de Santa Clara, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile

Nuvem paira sobre a pequena ilha de Santa Clara.

Até à passagem do “Duke” a embarcação que o resgatou, mas que nunca resgatou Robinson Crusoe.

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