Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião


Perigo: correntes

Nadador-salvador traz um banhista arrastado pelas fortes correntes ao largo de Boucan Canot. As intervenções dos nadadores-salvadores são permanentes em Boucan Canot.

Descanso a salvo

Banhistas conversam numa zona de litoral protegida da ondulação e dos tubarões por uma barreira de rochas.

Boucan Canot

A praia de Boucan Canot, a mais famosa da Reunião também devido aos frequentes ataques de tubarões que já lá ocorreram.

R.I.P. Elio

Um memorial homenageia e recorda Elio Canestri, um surfista promissor que, com apenas treze anos, sucumbiu ao ataque de um tubarão.

Descanso a salvo II

Banhistas descontraem numa das raras zonas da ilha Reunião protegida dos tubarões por uma barreira de recife.

Índico feroz

Onda forte agita os banhistas no limiar do areal de Boucan Canot, uma praia que, além das correntes e dos tubarões que forçaram à instalação e a manutenção de uma rede protectora é batida por uma ondulação violenta.

Um Surf arriscado

Surfistas e bodyboarders fazem-se às ondas de Boucan Canot, próximo do local em que Elio Canestri foi vitimado por um tubarão.

Banhistas vs Índico

Banhistas divertem-se à beira do oceano Índico, em Boucan Canot.

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.

Projectada do fundo dos mares como uma de tantas erupções massivas de lava que o clima moldou e tornou luxuriante, a ilha da Reunião tem rebordos e litorais quase sempre bruscos e abruptos. Apontámos a Boucan Canot, um dos mais famosos.

Disso se queixam os moradores da capital Saint-Denis, desejosos de evasão à altura do isolamento e da rotina que, malgrado o nome, a ilha que os acolheu lhes impõe. Thomas nascera em Versailles.

Deixou o requinte e a proximidade da metrópole parisiense em busca de aventura e de uma carreira de professor mais solarenga e remunerada nos confins meridionais da União Europeia. Como sempre acontece, só em parte o plano lhe correu como esperado.

Em termos sociais e culturais, a pequena Saint-Denis mantinha-o espartilhado, algo deprimido. Thomas contava com a praia para recuperar o ânimo. Gabou-nos e aconselhou-nos Boucan Canot como a meca de areia, água, sal e melanina a que se habituara a peregrinar. Omitiu, na íntegra, o lado sombrio que lhe viríamos a descobrir.

Dia de Praia em Boucan Canot

Chegou o dia de nos fazermos a sul. Boucan Canot destacava-se do mapa e continuava a estimular-nos a memória. Não tardámos a visá-la. Metemo-nos na estrada que ligava Saint-Denis a Saint-Paul. Bastaram umas centenas de metros para percebemos o quão extrema e exigente se podia provar a Reunião.

Em parte deste percurso, a costa revelava-se de tal forma íngreme e escarpada que nunca concedera uma via, por mais estreita que fosse. Rendidas às evidências, as autoridades francófonas ergueram um viaduto sobre o mar.

Mesmo assim, a sequência rodoviária desse viaduto era uma estrada submissa à falésia, sobre a qual, com demasiada frequência, se precipitavam enormes calhaus.

Só redes de aço resistentes evitavam que estas bombas-relógio causassem danos mais sérios. O drama atenuado eram as longas filas de trânsito sem escapatória.

À hora a que nos fazemos ao caminho, todavia, tudo corre pelo melhor. Não nos chegamos a deter em Saint-Paul. Boucan Canot, distava uns poucos quilómetros. Surge-nos como um desvio inesperado da via litorânea.

Boucan Canot: uma praia frenética

Estacionamos. Passamos para diante da torre de vigia cimeira da praia, habitada por nadadores-salvadores sempre a postos. Dali, contemplamo-la em formato panorâmico, entre a linha recuada de coqueiros e a da rebentação. Nuvens carregadas que a sobrevoam adensam a luz.

A praia de ,Boucan Canot, ilha da Reunião

A praia de Boucan Canot, a mais famosa da Reunião também devido aos frequentes ataques de tubarões que já lá ocorreram.

Escurecem o dourado do areal, desafogado e moldado por mil pés. De tão extensa que era, a praia estava longe de à pinha. Uma óbvia sede pela frescura espalhada pela rebentação faziam concentrar a maior parte dos veraneantes junto à beira-mar.

Também nós por lá nos instalamos. Examinamos à pressa o perfil das vagas. Acalorados pelo dia abafado, juntamo-nos a uma turba de banhistas já dentro de água.

Uma laje de rochas coberta de pedras complicava os passos anfíbios inaugurais. A força das ondas a desfazer-se no areal, agravava ainda mais a vulnerabilidade de quem tentava mergulhar. Por fim, conseguimos entrar. Num ápice, damos connosco numa espécie de cuba de máquina de lavar marinha.

Rebentação da praia de Boucan Canot, ilha da Reunião

Onda forte agita os banhistas no limiar do areal de Boucan Canot, uma praia que, além das correntes e dos tubarões – que forçaram à instalação e a manutenção de uma rede protectora – é batida por uma ondulação violenta.

Ondas e Correntes, além dos Tubarões

Propulsionadas por uma tempestade para sul no oceano Índico, as ondas chegavam sem um padrão de vigor definido. Rebentavam mais à frente ou mais atrás e surpreendiam banhistas que assim se viam atrapalhados e arrastados para a zona pedregosa e o areal e a chocar uns nos outros.

Para aqueles que, como nós, tinham decidido avançar para salvo da rebentação e ficar sem pé, o panorama não era muito melhor.

Correntes intermitentes apanhavam desprevenidos alguns dos aventureiros mais incautos e puxavam-nos em direcção a alto-mar. De tal maneira e com tal frequência que os nadadores-salvadores já tinham desistido de entrar e sair da água. Permaneciam, em posições estratégicas, sobre grandes longboards. Resgatavam, um atrás do outro, os banhistas em apuros.

Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião

Nadador-salvador traz um banhista arrastado pelas fortes correntes ao largo de Boucan Canot. As intervenções dos nadadores-salvadores são permanentes em Boucan Canot.

Apesar de toda a ondulação e respectiva comoção, mais que habituados à violência do mar português, chapinhamos, mergulhamos por baixo da rebentação e só não apanhamos boleias das ondas porque terminariam, dolorosas, sobre a tal laje rochosa e pedregosa que nos havia dificultado a entrada.

Refrescamo-nos como merecíamos, já então com a consciência de que aquela incursão no mar rebelde de Boucan Canot, tinha sido, só por si, uma enorme benesse.

A Praga dos Tubarões-Touro

Devido aos sucessivos acidentes mortais que lá tiveram lugar, pela perspectiva realística e penosa de se repetirem, Boucan Canot passa boa parte do tempo encerrada a banhos. Os culpados são, desde há muito, os mesmos: os tubarões-touro que sulcam as águas em redor da ilha, ávidos por se banquetearem com carne vulnerável.

Na Reunião, os ataques a banhistas repetem-se mais que no vasto litoral australiano, provavelmente o mais badalado no que ao tema concerne. De tal maneira que, em termos estatísticos, esta ilha francófona é o lugar com a maior probabilidade de se darem à face da Terra.

Só de 2010 a 2016, a ilha foi palco de 19 ataques com consequências trágicas, 16% dos 491 registados em todo o mundo. Destes 19, oito foram mortais. Em Boucan Canot e imediações, registaram-se dois só em 2011. Um em 2015 e, o último nesta praia, em 2016.

Memorial ao jovem Elio Canestri, vítima de ataque de tubarão, Boucan Canot, ilha da Reunião

Um memorial homenageia e recorda Elio Canestri, um surfista promissor que, com apenas treze anos, sucumbiu ao ataque de um tubarão.

O incidente de 2015 vitimou Elio Canestri, um campeão juvenil de surf admirado pela comunidade local de surfistas mas não só.

Elio contava treze anos. Sucumbiu à investida de um tubarão que começou por o morder na barriga, arrastou para longe da prancha e o devorou como se de uma pequena foca se tratasse.

Em Agosto de 2016, Laurent Chardard, de 21 anos, surfava com amigos quando outro tubarão o feriu com tal gravidade num braço e num pé que as feridas obrigaram à amputação.

O Esquecimento dos Eventos Passados pela Psicologia de Grupo

Nestes dois casos, como em quase todos, os jovens surfistas entusiasmaram-se com as ondas enormes e bem formadas que dão à costa.  O facto de surfarem em grupos de adolescentes faz com que ignorem os eventos passados e a proibição oficial de surfarem na maior parte do litoral da ilha. Bem como os respectivos avisos das autoridades – e pensem que nada lhes irá acontecer.

As várias tragédias obrigaram as autoridades francófonas da Reunião a dotarem as praias mais populares de redes anti-tubarão, como aconteceu em Boucan Canot e/ou de outros sistemas protectores. Ainda assim, numas situações, os surfistas aventuraram-se em lugares não protegidos por estas redes.

Surfistas e bodyboarders, Boucan Canot, Ilha da Reunião

Surfistas e bodyboarders fazem-se às ondas de Boucan Canot, próximo do local em que Elio Canestri foi vitimado por um tubarão.

Noutros, os tubarões entraram por fendas geradas entre as verificações levadas pelos mergulhadores, ou sobre as redes que, de quando em quando, as vagas massivas fazem rebaixar.

Teorias e Mais Teorias

No intervalo dos períodos de luto pelos ataques, a inexplicavelmente dinâmica economia do surf e do bodyboard de Boucan Canot e da ilha em geral ressente-se.

As lojas e escolas de surf e até os hotéis e resorts à beira-mar fecham as portas. Passado algum tempo, a memória esvanece-se. As redes são remendadas ou substituídas e os adolescentes recuperam a inconsciência do costume. Os tubarões não perdoam o mínimo deslize e causam novas vitimas.

Resta saber ao certo o que faz com que a Reunião tenha, em comparação com outras parte do mundo, um número tão elevado de ataques de tubarão.

Quando convivemos com moradores da ilha, não disfarçámos a curiosidade que, enquanto banhistas forasteiros mas não só, o tema nos despertou. Tentámos esclarecer-nos apenas para chegarmos à conclusão de que só as teorias abundam.

Falaram-nos de antigos matadouros nos arredores da capital Saint-Denis que antes despejavam o sangue e até carcaças dos animais para o mar e assim atraíram enormes cardumes de tubarões, principalmente os ali mais abundantes e activos tubarões-touro.

Mencionaram-nos a culpa das frotas de pesca chinesas que, com os seus enormes arrastões, fizeram escassear as presas habituais dos tubarões.

Estes, aumentaram desde que, em 1999, a ilha baniu a sua pesca por se ter apurado que a carne de tubarão continha níveis elevados da toxina ciguatera, produzida por um pequeno organismo do plâncton que acaba por se acumular na carne dos super-predadores que a Reunião antes consumia e exportava.

Ambientalistas vs Surfistas, o Confronto à Margem do Drama

Seja qual tenha sido a razão, os ferozes tubarões-touro proliferaram e habituaram-se a compensar a falta de alimento com os humanos que se põem a jeito, sobretudo os surfistas e bodyboarders.

Tal como a razão para o drama, as medidas a tomar para lá das falíveis redes e sistemas de protecção complementares despertaram uma polémica internacional. Centenas de artigos na imprensa apelidaram a ilha de “a ilha dos tubarões”, “aquário de tubarões”, “capital mundial dos ataques de tubarões” etc., etc.

Acirraram mais e mais adversários de uma recém-formada contenda. De um lado, estão os ambientalistas que defendem que os tubarões patrulham o mar em redor da Reunião há milénios e que são os surfistas e banhistas que devem respeitar a lógica natural da sua existência.

Praia protegida dos tubarões por recife, ilha da Reunião

Banhistas descontraem numa das raras zonas da ilha Reunião protegida dos tubarões por uma barreira de recife.

Do outro, a comunidade surf mundial que se arrepia com as tragédias da ilha mas defende o direito dos surfistas de lá surfarem sem arriscarem as suas vidas.

A Intervenção Mediática de Kelly Slater

Em 2017, Kelly Slater, onze vezes campeão mundial de surf, reagiu ao ataque do início desse ano com um post na sua página de Instagram : “Honestamente, não vou ser popular por dizer isto mas é preciso levar a cabo um abate sério na Reunião e devia acontecer todos os dias….” “ Se todo o mundo tivesse este rácio de ataques, ninguém usaria o oceano e literalmente milhões de pessoas morreriam desta maneira.”

Como seria de esperar, o post globalizou de vez o conflito. Muitos fãs mostraram-se desiludidos com Slater ao constatar que este sacrificava a sua habitual postura ambientalista por, do outro lado, estarem surfistas.

Os ambientalistas defendem que as autoridades deviam apostar em redes mais eficientes e na consciencialização dos surfistas. Mas, acima de tudo, na recuperação dos ecossistemas coralíferos ao largo da ilha, devastados pela sobrepesca de arrastão. Boucan Canot recebeu recentemente novas redes e sistemas de protecção.

Desde 2016 que não sofre ataques. O último, na Reunião, deu-se há pouco mais de um ano e os seus banhistas e surfistas já se terão voltado a esquecer. Tendo em conta a improbabilidade de a ilha se livrar dos tubarões que a cercam, resta saber até quando.

Banhistas, ilha da Reunião

Banhistas conversam numa zona de litoral protegida da ondulação e dos tubarões por uma barreira de rochas.

Mais informações sobre esta ilha francesa do oceano Índico no site do Turismo da Reunião

Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.

Music Theatre and Exhibition Hall, Tbilissi, Georgia
Arquitectura & Design
Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.
Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cortejo Ortodoxo
Cerimónias e Festividades
Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.
Palestra
Cidades

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Sapphire
Cultura

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Em Viagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
1º Apuro Matrimonial
Étnico

Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar uniões.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Moradora de Dali, Yunnan, China
História
Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.
Castelo de Shuri em Naha, Okinawa, Japão
Ilhas
Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.
Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Fila chilena
Natureza

Pucón, Chile

A Brincar com o Fogo

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Mini-snorkeling
Parques Naturais

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Vale de socalcos
Património Mundial UNESCO

Batad, Filipinas

Os Socalcos que Sustentam as Filipinas

Há mais de 2000 anos, inspirado pelo seu deus do arroz, o povo Ifugao esquartejou as encostas de Luzon. O cereal que os indígenas ali cultivam ainda nutre parte significativa do país.

Riso no elevador
Personagens

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Insólito Balnear
Praias

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Cena natalícia, Shillong, Meghalaya, Índia
Religião
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Trólei Azul
Sociedade

Oslo, Noruega

Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Curiosidade ursa
Vida Selvagem

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.