Santa Maria, Açores

Santa Maria: Ilha Mãe dos Açores Há Só Uma


Chaminés da Polémica
Casas e chaminés típicas de Santa Maria, diz-se que inspiradas nas chaminés dos barcos a vapor antes usados pelos emigrantes açorianos
Gonçalo Velho, o Farol
O farol Gonçalo Velho, avisa as embarcações do extremo sudeste de Santa Maria
Porca de Malbusca
Porca passeia-se junto a uma canada à entrada da aldeia de Malbusca.
Um trio conveniente
Trio de casas tradicionais de Santa Maria, brancas, com telhado pardo.
Letreito e Cacto
Letreiro informa a direcção do Miradouro da Vigia da Baleia.
Barreiro da Faneca
O Barreiro da Faneca forma um dos cenários mais inesperados da ilha de Santa Maria.
Irmãos Luís
Artur e Vitor Luís, irmãos moradores das imediações de Santa Bárbara, numa pausa dos seus afazeres rurais.
Milho e Meo
Casa tradicional dotada de um pequeno espigueiro e de um disco de TV satélite.
Uma Aldeia em forma de Baía
O casario de São Lourenço, encaixado numa enseada verdejante de Santa Maria.
Calçada na Vertical
A Calçada dos Gigantes, um impressionante testemunho geológico quase no término da Ribeira de Maloés
Pequenos Currais
O casario de São Lourenço, encaixado numa enseada verdejante de Santa Maria.
Uma Curva Infernal
Mota chega ao cimo de uma curva em forma de rampa junto ao farol de Gonçalo Velho.
Cristovão Colombo
Estátua de homenagem a Cristovão Colombo e à sua passagem pela ilha de Santa Maria.
Purificação do Santo Espírito
A Igreja da Nª Srª da Purificação, em Santo Espírito.
Santa Bárbara ao Longe
O casario de Santa Bárbara, uma das povoações mais tradicionais da ilha de Santa Maria.
Poço da Pedreira
Visitante do Poço da Pedreira, um recanto formado pela cantaria de Santa Maria.
Rumo ao Farol
Escadaria longa que conduz ao farol de Gonçalo Velho.
Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.

O avião faz-se à costa sul de Santa Maria, Açores, para se alinhar com o princípio da pista, que ocupa uma boa porção do extremo nascente da ilha. Partilharmos a janela oval e acompanhamos a manobra e as vistas inaugurais.

Surpreende-nos o castanho-terra predominante. Nas oito vizinhas do arquipélago, o tom monopolista provara-se o verde com desvios de amarelado.

Aterragem Suave no Algarve Açoriano

Tudo indicava que o derradeiro reduto meridional e oriental dos Açores abrigava a excepção. Santa Maria é o Algarve açoriano, afiançam-nos alguns nativos. “Temos o melhor clima e as melhores praias mas também os Açores mais convencionais. Esperem só até passar para o lá do Pico Alto que já vão ver. Não tardamos a fazê-lo.

Antes disso, já instalados nos arredores de Vila do Porto, invertemos o sentido habitual das coisas e descemos aos Anjos. Encontramos a Ermida da Nª Senhora local de portas fechadas.

Por pouco tempo. Ao ver-nos rondar a porta, uma senhora à janela de uma casa térrea ao lado começou por investigar se a Santa Trindade nos avalizaria a visita àquela que se crê ter sido a primeira igreja mandada erguer pelo Infante Dom Henrique nos Açores, em 1439, na sua versão original em madeira e feno, alguns anos depois substituída pela actual.

A Visita Atribulada de Cristovão Colombo

Aparentemente a guardiã aprovou-a ou, pelo menos, decorreram apenas uns breves minutos até nos aparecer com a chave na mão e uma única, simples prece: “depois, voltem, por favor, a fechar e devolvam-ma.” Um Cristovão Colombo em estátua magnificada de bronze contempla o horizonte do Atlântico mas parece acompanhar-nos os movimentos de soslaio. Mal deixamos o interior singelo mas peculiar do templo, somo nós a revivê-lo e à história da sua passagem efémera pela ilha.

Cristovão Colombo, Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Estátua de homenagem a Cristovão Colombo e à sua passagem pela ilha de Santa Maria.

Pouco demorou após o início do povoamento até que a ilha sofresse ataques de piratas e corsários berberes. O próprio Colombo foi vítima desses ataques, se bem que por tabela. No início 1493, regressava da sua viagem de descobrimento da América. A caravela Santa Maria já se havia afundado nas Caraíbas.

Em pleno Atlântico, a Niña e a Pinta perderam-se. Colombo conduziu a Niña até à ilha de Santa Maria. Ao aportar, começou por receber víveres de três dos nem cem habitantes de então. No dia seguinte, enviou um batel com dez homens destinados à Ermida dos Anjos em busca de um sacerdote que rezasse uma missa de graças pela boa fortuna da viagem.

A embaixada começou por correr mal. Receosos de que se tratassem de piratas, os moradores, liderados pelo lugar-tenente Capitão João de Castanheira, aprisionaram cinco desses homens. Os restantes fugiram para o navio. Três dias depois, Castanheira conferiu as credenciais de Colombo e acolheu-o.

O Retorno Quase Trágico de Santa Maria à Europa. Via Lisboa

O navegador só deixou Santa Maria seis dias após ter aportado, com o navio reparado e abastecido. Rumou a Lisboa onde chegou sob uma terrível tempestade. A população que acompanhou a nau batidas pelas enormes vagas rejubilou com a sua sorte.

Colombo ficou nove dias em Lisboa e arredores. Neste período que permanece envolto em controvérsia e em que conferenciou com D. João II, ele e a tripulação terão sido recebidos como heróis e recompensados com avultadas dádivas.

Uma das mais persistentes teorias históricas defende que, debatida a estratégia diplomática a seguir, o rei português deixou claro que a Espanha deveria concentrar-se nas novas Índias descobertas por Colombo e não interferir com África e o caminho para a Índia via Cabo da Boa Esperança.

Barreiro da Faneca: uma estranha Santa Maria argilosa

Invertemos caminho. Não tardamos a acertar com a estrada de terra para o Barreiro da Faneca. À entrada deste vasto descampado árido, argiloso e ondulado pelas torrentes de água das chuvas, cercado de vegetação arbórea verdejante, partilhamos a sensação de ter aterrado em Marte.

Barreiro Faneca, Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

O Barreiro da Faneca forma um dos cenários mais inesperados da ilha de Santa Maria.

De lá, seguimos para o Pico Alto (587 m), o ponto mais elevado daquele retalho terráqueo.

Vencidos os derradeiros degraus, já sobre este zénite florestado contemplamos a ilha a toda a volta, a mesma secção mais seca para sul que tínhamos avistado do avião. E quanto mais meridional, mais ervada e molhada a paisagem.

A Tragédia Aérea do Pico Alto

Em 8 de Fevereiro de 1989, os pilotos a bordo do Boeing 707-301 da Independent Air provindo de Bergamo e destinado a Punta Cana pouco ou nada viam em redor antes da ocorrência daquele que se tornou no acidente aéreo em território português com mais vítimas.

Uma dupla falha na comunicação entre a torre de comando e os pilotos e, acima de tudo a péssima preparação e desempenho destes fez com que falhassem a altitude de abordagem da pista despenhassem o avião contra o Pico Alto.

Isto apesar de a pista do Aeroporto de Santa Maria – construída pelos norte-americanos na 2ª Guerra Mundial para reforçar o seu esforço de guerra – receber, a essa data, frequentes Concordes em escalas das suas viagens transatlânticas, como recebeu o igualmente supersónico Antonov 124.

Com o passar das décadas, a autonomia das novas aeronaves aumentou. O Aeroporto de Santa Maria perdeu grande parte do seu antigo tráfego.

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

O casario de Santa Bárbara, uma das povoações mais tradicionais da ilha de Santa Maria.

Rumo a Santa Bárbara, sem Sinal de Trovões

Das alturas comedidas do Pico Alto, descemos, sem percalços, em direcção a Santa Bárbara. Nesta povoação, surpreende-nos a beleza arquitectura. As casas são brancas com esquinas e molduras azuis.

Projectam-se delas grandes chaminés cilíndricas que os nativos chamaram “de chaminés de vapor” enquanto repudiam os autores de todas as conclusões de que foram trazidas por povoadores pioneiros vindos do Algarve.

A sua verdadeira inspiração terão sido os barcos a vapor em que os emigrantes açorianos partiam rumo às Américas e delas regressavam. Hoje, propulsionam as viagens motores a jacto mas ainda são raros os marienses sem, no mínimo, parentes no Canadá ou nos E.U.A..

Chaminés, Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Casas e chaminés típicas de Santa Maria, diz-se que inspiradas nas chaminés dos barcos a vapor antes usados pelos emigrantes açorianos

Encontramos dois deles a trabalharem na sua propriedade à entrada de Santa Bárbara. Artur e Vítor são irmãos, de apelido Luís. Um tractor chinês chama-os às tarefas.

Nós, tudo fazemos para os desencaminharmos para uns momentos de conversa. Tímidos, de início, tentam despachar-nos. Insistimos com a máxima cortesia e humor possíveis.

Artur e Vitor Luís, Irmãos do Campo com Algum Tempo para a Conversa

Por fim, silenciam o tractor, adiam os afazeres e dedicam-se só estes compatriotas do continente. Ao contrário de o que acontecera com outros agricultores com quem havíamos contactado em São Miguel, o seu sotaque era-nos perceptível. À medida que todos nos soltamos, o convívio revela-se tão divertido como estimulante.

Vítor Luís é o falador. Artur mantém-se à reserva. Completa, com achegos, o discurso do irmão. Como nos contam, a mãe de ambos tem uns vinte irmãos e eles não conhecem nem metade. “Alguns vivem na América, outros no Canadá. Pois, exacto. É por isso que trabalhamos com bonés destas equipas de lá!” (n.A. equipas de futebol americano de São Francisco e Seattle).

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Artur e Vitor Luís, irmãos moradores das imediações de Santa Bárbara, numa pausa dos seus afazeres rurais.

“Vítor confessa-nos ainda, sem qualquer pejo: “a minha mulher tem uma irmã gémea mas é raro eu conviver com a família dela.” Quando arriscamos perceber o porquê, refugia-se na piada. “É melhor assim mesmo. Já viu se eu, depois, me engano.” Vinte minutos depois, deixamo-los entregues aos afazeres.

Apontamos para o centrinho de Santa Bárbara que encontramos disposto em redor da igreja homónima. Entramos num café-mercearia, descansamos e recuperamos forças. Prosseguimos, então, em direcção à costa leste de Santa Maria.

Das Alturas de São Lourenço a Santo Espírito

Ao chegarmos ao miradouro do Espigão, no cimo da encosta que esconde São Lourenço, a luz solar incide de forma intermitente nos currais, nas vinhas por eles protegidas, no casario afundado na meia cratera e à mercê do Atlântico para diante. As nuvens filtram essa luz.

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

O casario de São Lourenço, encaixado numa enseada verdejante de Santa Maria.

Tornam a povoação e a sua longa praia ainda mais mística do que a localização extrema já providenciava.

Regressamos pela mesma estrada ziguezagueante acima e procuramos pelo Poço da Pedreira, um grande paredão rosado de uma pedra de cantaria mariense que tem, na sua base, uma lagoa em atapetada de relva viçosa.

Poço da Pedreira, Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Visitante do Poço da Pedreira, um recanto formado pela cantaria de Santa Maria.

Pouco depois de com ele darmos, desata a chover forte pelo que apostamos na clemência meteorológica de Santo Espírito, a paróquia civil porque passava o eixo rodoviário da ilha. Nos tempos iniciais da colonização, as suas comunidades dispersas de povoadores recolhiam urzela nos penhascos da região de Malbusca bem altos, ao longo do mar.

Faziam-no dentro de cestos que desciam à altura da falésia em que avistavam os fungos. E voltavam a içar quando terminavam encher os cestos. A urzela assim reunida era exportada para a Flandres onde os artesãos locais a empregavam na coloração de tecidos e outros.

Esta freguesia recebeu o nome por ter sido ali que foi dita missa, pela primeira vez após a colonização da ilha, antes de se mudarem para Santana.

Rumo aos Confins Orientais dos Açores

Nos dias que correm, o âmago religioso da actual Santo Espírito reside na igreja da Nª Sª da Purificação, de construção do século XVI, barroca em pedra basáltica semi-pintada de branco de forma a constituir um mosaico e com o seu frontispício acrescentado no século XVIII, recortado em formas arredondadas contra o céu. Chegamos a hora de trabalho e nem no bar-banda Recreio Espiritense a povoação se mostra animada.

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

A Igreja da Nª Srª da Purificação, em Santo Espírito.

Seja como for, faltam alguns quilómetros para o derradeiro recanto açoriano a oriente, o mais próximo do Continente português que dali dista 1436 km.

De Santo Espírito para leste, a estrada desce sem parcimónia e concede vistas grandiosas sobre os cenários costeiros abaixo, como o miradouro Vigia da Baleia de onde as antigas sentinelas patrulhavam o Atlântico em busca de cetáceos.

Não vemos sinal de baleias mas o panorama do Farol de Gonçalo Velho a meia encostas e a escadaria que além conduzem pejadas de cactos, mantêm-nos entretidos por um bom tempo.

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Escadaria longa que conduz ao farol de Gonçalo Velho.

Em Busca da Evasiva Calçada do Gigante

Deixamos de vez a via principal da ilha, com o objectivo de regressámos a Vila do Porto pela costa sul de Santa Maria. Apostamos em achar a Ribeira dos Maloás. Na aldeia de Malbusca, buscamos por alguém a quem procurar o caminho.

Em vez de gente, damos com uma porca bamboleante que desce uma canada íngreme e se detém a cheirar-nos o carro, curiosa quanto ao obstáculo quente que lhe barrara a evasão.

Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

Porca passeia-se junto a uma canada à entrada da aldeia de Malbusca.

Passada meia-hora, lá achamos o monumento geológico. Jazia no fim de um trilho ladeado por cactos, à beira de um abismo que dava para um Atlântico rude mas cristalino, de tons sedutores.

Com o mar iminente, a determinada altura, a Ribeira de Maloás precipita-se numa queda d’água com cerca de 20 metros. Ali se esconde a impressionante Calçada dos Gigantes de Santa Maria, uma escultura geológica pré-histórica que agrupa colunas basálticas.

Calçada dos Gigantes, Santa Maria, Ilha mãe dos Açores

A Calçada dos Gigantes, um impressionante testemunho geológico quase no término da Ribeira de Maloés

Sabendo o que sabemos hoje, só nos teríamos arrependido de ter ignorado um lugar assim. Nas derradeiras horas de luz, completamos o percurso para Vila do Porto. Com uma breve escala estratégica na Praia Formosa que a antecede.

 

ESTA REPORTAGEM FOI REALIZADA COM O APOIO DE:

AZORESAIRLINES.PT

SATA.PT

Peneda-Gerês, Portugal

Do "Pequeno Tibete Português" às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo a Arcos de ValdeVez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de Pequeno Tibete Português. Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras da Peneda-Gerês.
Castro Laboreiro, Portugal  

Do Castro de Laboreiro à Raia da Serra Peneda - Gerês

Chegamos à (i) eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Ilha Terceira, Açores

Ilha da Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. São apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da ilha Terceira ímpar não têm conta.
Ilha das Flores, Açores

Os Confins Atlânticos dos Açores e de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
São Miguel, Açores

Ilha de São Miguel: Açores Deslumbrantes, Por Natureza

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Parques nacionais
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Bertie em calhambeque, Napier, Nova Zelândia
Arquitectura & Design
Napier, Nova Zelândia

De Volta aos Anos Trinta

Devastada por um sismo, Napier foi reconstruida num Art Deco quase térreo e vive a fazer de conta que parou nos Anos Trinta. Os seus visitantes rendem-se à atmosfera Great Gatsby que a cidade encena.
Barcos sobre o gelo, ilha de Hailuoto, Finlândia
Aventura
Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, a ilha de Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.
Via Crucis de Boac, Festival de Moriones, Marinduque, Filipinas
Cerimónias e Festividades
Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.
Coração Budista do Myanmar
Cidades

Yangon, Myanmar

A Grande Capital Birmanesa (Delírios da Junta Militar à Parte)

Em 2005, o governo ditatorial do Myanmar inaugurou uma nova capital bizarra e quase deserta. A vida exótica e cosmopolita mantém-se intacta, em Yangon, a maior e mais fascinante cidade birmanesa.

mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Mar-de-Parra
Cultura
Mendoza, Argentina

Viagem por Mendoza, a Grande Província Enóloga Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, a província de Mendoza está no centro da maior região enóloga da América Latina.
Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Teleférico que liga Puerto Plata ao cimo do PN Isabel de Torres
Em Viagem
Puerto Plata, República Dominicana

Prata da Casa Dominicana

Puerto Plata resultou do abandono de La Isabela, a segunda tentativa de colónia hispânica das Américas. Quase meio milénio depois do desembarque de Colombo, inaugurou o fenómeno turístico inexorável da nação. Numa passagem-relâmpago pela província, constatamos como o mar, a montanha, as gentes e o sol do Caribe a mantêm a reluzir.
Manhã cedo no Lago
Étnico

Nantou, Taiwan

No Âmago da Outra China

Nantou é a única província de Taiwan isolada do oceano Pacífico. Quem hoje descobre o coração montanhoso desta região tende a concordar com os navegadores portugueses que baptizaram Taiwan de Formosa.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Comboio do Fim do Mundo, Terra do Fogo, Argentina
História
Ushuaia, Argentina

Ultima Estação: Fim do Mundo

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Banho refrescante no Blue-hole de Matevulu.
Ilhas
Espiritu Santo, Vanuatu

Os Blue Holes Misteriosos de Espiritu Santo

A humanidade rejubilou, há pouco tempo, com a primeira fotografia de um buraco negro. Em jeito de resposta, decidimos celebrar o que de melhor temos cá na Terra. Este artigo é dedicado aos blue holes de uma das ilhas abençoadas de Vanuatu.
Cavalos sob nevão, Islândia Neve Sem Fim Ilha Fogo
Inverno Branco
Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

Quando, a meio de Maio, a Islândia já conta com o aconchego do sol mas o frio mas o frio e a neve perduram, os habitantes cedem a uma fascinante ansiedade estival.
De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Capacete capilar
Natureza
Viti Levu, Fiji

Canibalismo e Cabelo, Velhos Passatempos de Viti Levu, ilhas Fiji

Durante 2500 anos, a antropofagia fez parte do quotidiano de Fiji. Nos séculos mais recentes, a prática foi adornada por um fascinante culto capilar. Por sorte, só subsistem vestígios da última moda.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Vista Miradouro, Alexander Selkirk, na Pele Robinson Crusoe, Chile
Parques Naturais
Ilha Robinson Crusoe, Chile

Alexander Selkirk: na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe
Ponte de Ross, Tasmânia, Austrália
Património Mundial UNESCO
À Descoberta de Tassie, Parte 3, Tasmânia, Austrália

Tasmânia de Alto a Baixo

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito aussie mais rude ser. Tassie mantém-se envolta em mistério e misticismo numa espécie de traseiras dos antípodas. Neste artigo, narramos o percurso peculiar de Hobart, a capital instalada no sul improvável da ilha até à costa norte, a virada ao continente australiano.
femea e cria, passos grizzly, parque nacional katmai, alasca
Personagens
PN Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.
Promessa?
Praias
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Ferry Nek Luong
Religião
Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso
Comboio Kuranda train, Cairns, Queensland, Australia
Sobre carris
Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Sociedade
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
Amaragem, Vida à Moda Alasca, Talkeetna
Vida Quotidiana
Talkeetna, Alasca

A Vida à Moda do Alasca de Talkeetna

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.
Vida Selvagem
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.