Vale das Furnas, São Miguel

O Calor Açoriano do Vale das Furnas


Nª Srª das Vitórias
A capela neo-gótica mandada erguer por José do Canto, como voto por a sua esposa ter padecido de uma doença grave.
Lagoa Nostra
Banhistas deleitados na água morna da lagoa do Parque Terra Nostra.
Vitórias-Régias
Vitórias-régias resplandecem ao sol em lagos do Parque Terra Nostra.
Arte Rural
Uma espécie de instalação nas imediações da Lagoa das Furnas.
A Vista do Pico do Ferro
Parte da vista do Miradouro do Pico do Ferro, com a Lagoa das Furnas à direita.
Fumo das Fumarolas
Visitantes percorrem os passadiços que revelam as fumarolas e caldeiras das Furnas.
As Tocas dos Cozidos das Furnas
Um dos buracos usado para a cozedura dos cozidos das Furnas fumega.
Lagoa das Furnas
A Lagoa das Furnas vista do Miradouro do Pico do Ferro.
O Enterro dos Cozidos
Funcionário da Povoação tapa um cozido, a partir daí pronto para as cinco horas de cozedura.
Povoado das Furnas
A povoação das Furnas concentrada no âmago do Vale das Furnas.
Uma Ponte Vegetada
Amigas cruzam uma ponte do Parque Terra Nostra, sobre um rio de vegetação.
Capela Nª Srª das Vitórias
A capela neo-gótica mandada erguer por José do Canto, como voto por a sua esposa ter padecido de uma doença grave.
O Forno da Terra
Funcionários da Povoação removem um cozido do seu buraco de cozedura.
Os Esses do Vale
Vacas pastam num pasto do Vale das Furnas.
Kit Cozido das Furnas
Um duo histórico e inseparável do cozido das Furnas.
Vista do Cimo de Ferro
Grupo de visitantes deslumbra-se com a vista do Vale das Furnas a partir do Pico do Ferro.
Mergulho de Açafrão
Banhista mergulha na água ferrosa da lagoa do Parque Terra Nostra.
Vale e Lagoa das Furnas
Parte da vista do Miradouro do Pico do Ferro, com a Lagoa das Furnas à direita.
Casario das Furnas
O aglomerado de edífícios, lares e outros, no coração do Vale das Furnas.
Terra Fervente e Borbulhante
Algumas das pequenas caldeiras nas imediações da lagoa das Furnas.
Surpreendemo-nos, na maior ilha dos Açores, com uma caldeira retalhada por minifúndios agrícolas, massiva e profunda ao ponto de abrigar dois vulcões, uma enorme lagoa e quase dois mil micaelenses. Poucos lugares do arquipélago são, ao mesmo tempo, tão grandiosos e acolhedores como o verdejante e fumegante Vale das Furnas.

Ditou um mero acaso que partíssemos na direcção das Furnas do desvio que surge após a Fábrica de Chá Gorreana, na imediação dos Barreiros.

De um momento para o outro, a estrada impõe-se à ladeira que nos apontava à crista de São Miguel. Damos de caras com uma manada de vacas frísias, embaladas pela descida. Na sua dianteira, um vaqueiro solitário vê-se aflito para controlar duas ou três cabeças em tresmalhe e, para fazer abrandar os carros.

Em vez de nos desesperar, aquele trânsito bovino a preto e branco lança-nos novo desafio. Encostamos o carro à berma, saímos de câmaras preparadas e enfrentamos as vacas.

Dezenas de disparos fotográficos depois, com o vaqueiro atónito pela velocidade da operação, vemos a cauda da manada entrar para um portão com acesso a um pasto.

Conformados, regressamos ao carro. Retomamos a condução.

Numa diagonal sinuosa, a EN2-1A aproxima-se do cimo da ilha, por ali, ora exposto ora semi-velado por sucessivas sebes densas. Uma delas, oculta um campo de golfe já antes anunciado e a indicação de um miradouro, o do Pico do Ferro.

O Deslumbre Inevitável Gerado pelo Vale das Furnas

Por essa altura, estávamos mais que cientes do valor acrescido que estes pontos de observação têm nos Açores. Desviamos sem hesitar. Avançamos por uma alameda sombria, húmida, quase ensopada da névoa nortenha que ali se condensava. Quando o arvoredo abre à claridade, damos connosco num limiar inverosímil.

Num ápice, por diante, sobretudo para baixo, revela-se todo um lado de lá de São Miguel. Próxima e insinuante, uma grande lagoa, ainda mais verde que o verde micaelense em redor.

Na sua extensão, para sudeste, uma manta de retalhos feita de pastos, matas, cabeços, velhas crateras cobertas de vegetação e uma povoação branca aconchegada na vastidão.

Furnas, São Miguel, Açores

A povoação das Furnas concentrada no âmago do Vale das Furnas.

O céu de Estio, azulão, polvilhado de uns poucos novelos que se aventuravam à vertente desfavorável, permitia-nos ainda perceber uma orla florestada de caldeira que só não continha uma curta franja de Atlântico e o firmamento etéreo.

Em São Miguel, quem vem das Sete Cidades, sente-se tentado a pensar que tão cedo não verá igual.

Pois, apenas algumas dezenas de quilómetros para oriente da ilha, ali estava esse igual. Um cenário a que ninguém no seu perfeito juízo se atreveria a colocar defeitos.

Rendidos, apreciamo-lo e fotografamo-lo num silêncio quebrado por cliques, quase cerimonial.

Para não variar, com tanta contemplação, perdemos a noção do tempo.

Cozido das Furnas. Um Velho Ritual Geotermal

Se há hora sagrada no Vale das Furnas, é a de almoço. Não tanto pelo pitéu regional quase pronto em cada lar. Mais pelo que fumega e coze na cozinha ao ar livre entre as caldeiras e a Lagoa das Furnas.

Temos almoço marcado no Hotel Terra Nostra que serve o famoso cozido local. O plano mantinha-se, antes de o devorarmos, vemo-lo a sair da terra.

Ao nosso e a outros, também a serem enterrados, que a quantidade de encomendas, as de restaurantes e as privadas, e as cinco horas de cozedura subterrânea aconselhadas, obrigam a vários turnos. Tínhamos que voar baixinho.

Ora, o que nos faltava de caminho não era propriamente dado a pressas.

Cozido das Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

Um duo histórico e inseparável do cozido das Furnas.

A estrada faz-se à orla da Caldeira. Um corrupio de meandros entretém-nos com novas perspectivas, menos panorâmicas à medida que nos acercávamos do fundo.

Logo, uma recta desafogada, ladeada de casinhas brancas com telha portuguesa clássica, aponta-nos ao casario predominante.

Por fim, dávamos entrada nas Furnas. Navegamos o trajecto de um lado ao outro da povoação e disparamos para a lagoa.

Quando estacionamos junto às fumarolas, dois funcionários da Povoação, Rui Pareço e Eduardo Bettencourt, já davam às enxadas.

Receosos de aquelas panelas fossem as últimas do dia, corremos na sua direcção.

“Calma, calma ainda têm bastante que ver, não é preciso essa aflição toda!” sossega-nos Rui Pareço que, logo nos autoriza a seguir-lhes os passos.

Cozido das Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

Funcionários da Povoação removem um cozido do seu buraco de cozedura.

Aos poucos, os dois colegas removem mais e mais panelas com o conteúdo já fervente dos buracos. Passam-nas para a caixa da carrinha que conduziam.

Num ápice, voltam a ocupar os buracos vagados com refeições por cozinhar e a cobrir as tampas de madeira com o solo vulcânico abençoado da Terra.

Buracos dos cozidos das Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

Um dos buracos usado para a cozedura dos cozidos das Furnas fumega.

O Vulcanismo Potencialmente Destrutivo do Vale das Furnas

Enquanto os cozidos fervilhavam, percorremos os passadiços que revelavam as caldeiras e fumarolas ali ao lado, mais fumegantes e sulfurosas que qualquer panela destapada.

Não obstante a sua aparência idílica, o Vale das Furnas é vulcânico a sério.

Quando dizemos sério, referimo-nos a eruptivo, a potencialmente disruptivo e catastrófico, tendo em conta que vivem quase duas mil pessoas nos 7km de diâmetro da caldeira.

São as próprias autoridades que classificam o estratovulcão das Furnas, (situado a oeste do vulcão da Povoação) como um dos três potencialmente mais activos da ilha de São Miguel.

Lagoa das Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

A Lagoa das Furnas vista do Miradouro do Pico do Ferro.

A descoberta de São Miguel deu-se entre 1426 e 1439. A ilha começou a ser povoada em redor de 1444. Estima-se que, apenas quatro anos antes, se verificou uma erupção significativa, a partir de um tal de Pico do Gaspar.

Há ainda a certeza de que, em 1630, ocorreu uma outra ainda mais danosa, com centro eruptivo no sul da grande caldeira, a caldeira, por sua vez, gerada por um evento vulcânico massivo de há cerca de trinta mil anos.

A erupção de 1630 foi condignamente descrita. Por eremitas que se tinham estabelecido no Vale das Furnas, primeiro num quarto cedido pelo donatário Manuel da Câmara.

Mais tarde, em cabanas de taipa improvisadas junto a uma ermida que fundaram, a de Nª Srª da Consolação. E, entretanto, num verdadeiro convento.

Pois, a erupção de 1630 arrasou tudo o que os eremitas haviam edificado.

Essa inesperada destruição forçou-os a instalarem-se noutras paragens, enquanto os povoadores do leste de São Miguel cultivavam um receio místico do vale.

Nem mesmo os pastores lá queriam voltar com o seu gado.

Vacas em pasto do Vale das Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

Vacas pastam num pasto do Vale das Furnas.

Com o passar dos anos e o solo re-fertilizado pela erupção, a vegetação recuperava a um ritmo inédito. Sem notarem nova actividade vulcânica, os religiosos regressaram.

Do Abandono à Povoação Ininterrupta e Prolífica das Furnas

Abençoaram, assim, a povoação definitiva das Furnas, como o constatámos do alto do Pico do Ferro, ainda hoje espiritualmente validada por uma igreja de duas torres, a de Nª Srª da Alegria.

Aos poucos, chegaram moradores da Ponta Garça, da Maia, de Povoação, de Vila Franca e de outros lugares.

Por mais que o adiássemos, estava na hora de lhe seguirmos o exemplo.

Inspeccionamos mais uma fumarola dissimulada na beira da lagoa, junto a uma roulotte de comes e bebes que encontrámos cercada por um exército de patos que disputavam ofertas de pão.

Capela de Nossa Senhora das Vitórias. Um Tributo à Fé

Ainda damos uma volta à lagoa de maneira a admirarmos a capela de Nª Srª das Vitórias, mandada erguer em estilo neo-gótico por José do Canto (1820-1898), um grande proprietário e intelectual micaelense, como voto por o ter afligido uma doença grave da esposa.

A capela destaca-se da margem da lagoa e da vegetação acima. Tem a companhia da casa de férias de José do Canto onde o casal se encontra sepultado.

Formam um duo arquitectónico improvável que, sobretudo em dias de nevoeiro, reforça a aura de mistério da lagoa e do vale das Furnas.

Capela Nª Srª Vitórias. Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

A capela neo-gótica mandada erguer por José do Canto, como voto por a sua esposa ter padecido de uma doença grave.

Por fim, invertemos rumo para o âmago da vila.

Aterramos, descansados, na sala de refeições do hotel Terra Nostra desejosos de saborearmos o cozido que tínhamos visto enterrar e feito por merecer, um cozido distinto dos do Continente sobretudo pelo ligeiro sabor a enxofre e pela presença de dois ingredientes açorianos: a batata doce e o inhame.

Parque Terra Nostra: Exuberância Botânica e Arquitectónica nas Já Exuberantes Furnas

O hotel Terra Nostra que nos acolhia integra o parque histórico homónimo das Furnas, um reduto luxuriante, em certos trechos, de visual mais tropical que temperado.

Com tempo até ao fim da tarde, caminhamos entre a sua floresta ajardinada, florescida da paixão de um comerciante endinheirado de Boston, Thomas Hicking, pelas Furnas.

Ponte Parque Terra Nostra, Furnas, São Miguel

Amigas cruzam uma ponte do Parque Terra Nostra, sobre um rio de vegetação.

Inteirado da beleza e valor terapêutico da hidrópole do vale, em 1755, Hicking mandou erguer uma casa dotada de um enorme tanque de água com um ilhéu no centro e cercada de árvores.

Baptizou-a de Yankee Hall. Setenta e três anos depois, o influente Visconde da Praia, ilha Terceira, adquiriu a propriedade e ergueu a actual mansão no lugar da Yankee Hall.

A sua esposa, a viscondessa, era adepta de jardinagem. De acordo, o Visconde adicionou dois hectares à propriedade.

Ele próprio e os seus descendentes mandaram-nos preencher com o jardim viçoso e garboso que enche o ar das Furnas de clorofila, um dos jardins mais exuberante dos Açores e, atrevemo-nos a dizê-lo, das ilhas atlânticas.

Parque Terra Nostra, Furnas, São Miguel, Açores, Portugal

Banhistas deleitados na água morna da lagoa do Parque Terra Nostra.

Nos dias que correm, o tanque de Hicking é a grande atracção do Parque Terra Nostra.

Está cheio de uma água termal morna tão ferrosa que, em vez de translúcida é ocre, quando batida pelo sol, quase açafrão.

Atrai uma multidão de visitantes que nele chapinham e nadam em absoluto deleite. O nosso dia de exploração de São Miguel aproximava-se do ocaso.

Estava na hora de nos banharmos na afabilidade geotermal do Vale das Furnas.

São Miguel, Açores

Ilha de São Miguel: Açores Deslumbrantes, Por Natureza

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Santa Maria, Açores

Santa Maria: Ilha Mãe dos Açores Há Só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
Ilha Terceira, Açores

Ilha Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. São apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da ilha Terceira ímpar não têm conta.
Ilha das Flores, Açores

Os Confins Atlânticos dos Açores e de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Horta, Açores

A Cidade que Dá o Norte ao Atlântico

A comunidade mundial de velejadores conhece bem o alívio e a felicidade de vislumbrar a montanha do Pico e, logo, o Faial e o acolhimento da baía da Horta e do Peter Café Sport. O regozijo não se fica por aí. Na cidade e em redor, há um casario alvo e uma efusão verdejante e vulcânica que deslumbra quem chegou tão longe.
Vulcão dos Capelinhos, Faial, Açores

Na Pista do Mistério dos Capelinhos

De uma costa da ilha à opostoa, pelas névoas, retalhos de pasto e florestas típicos dos Açores, desvendamos o Faial e o Mistério do seu mais imprevisível vulcão.
Graciosa, Açores

Sua Graça a Graciosa

Por fim, desembarcarmos na Graciosa, a nossa nona ilha dos Açores. Mesmo se menos dramática e verdejante que as suas vizinhas, a Graciosa preserva um encanto atlântico que é só seu. Quem tem o privilégio de o viver, leva desta ilha do grupo central uma estima que fica para sempre.
São Jorge, Açores

De Fajã em Fajã

Abundam, nos Açores, faixas de terra habitável no sopé de grandes falésias. Nenhuma outra ilha tem tantas fajãs como as mais de 70 da esguia e elevada São Jorge. Foi nelas que os jorgenses se instalaram. Nelas assentam as suas atarefadas vidas atlânticas.
Corvo, Açores

O Abrigo Atlântico Inverosímil da Ilha do Corvo

17 km2 de vulcão afundado numa caldeira verdejante. Uma povoação solitária assente numa fajã. Quatrocentas e trinta almas aconchegadas pela pequenez da sua terra e pelo vislumbre da vizinha Flores. Bem-vindo à mais destemida das ilhas açorianas.
Ponta de São Lourenço, Madeira, Portugal

A Ponta Leste, algo Extraterrestre da Madeira

Inóspita, de tons ocres e de terra crua, a Ponta de São Lourenço surge, com frequência, como a primeira vista da Madeira. Quando a percorremos, deslumbramo-nos, sobretudo, com o que a mais tropical das ilhas portuguesas não é.
Paul do Mar a Ponta do Pargo a Achadas da Cruz, Madeira, Portugal

À Descoberta da Finisterra Madeirense

Curva atrás de curva, túnel atrás de túnel, chegamos ao sul solarengo e festivo de Paul do Mar. Arrepiamo-nos com a descida ao retiro vertiginoso das Achadas da Cruz. Voltamos a ascender e deslumbramo-nos com o cabo derradeiro de Ponta do Pargo. Tudo isto, nos confins ocidentais da Madeira.
Castro Laboreiro, Portugal  

Do Castro de Laboreiro à Raia da Serra Peneda - Gerês

Chegamos à (i) eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Sistelo, Peneda-Gerês, Portugal

Do "Pequeno Tibete Português" às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo a Arcos de ValdeVez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de Pequeno Tibete Português. Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras da Peneda-Gerês.
Campos de Gerês -Terras de Bouro, Portugal

Pelos Campos do Gerês e as Terras de Bouro

Prosseguimos num périplo longo e ziguezagueante pelos domínios da Peneda-Gerês e de Bouro, dentro e fora do nosso único Parque Nacional. Nesta que é uma das zonas mais idolatradas do norte português.
Montalegre, Portugal

Pelo Alto do Barroso, Cimo de Trás-os-Montes

Mudamo-nos das Terras de Bouro para as do Barroso. Com base em Montalegre, deambulamos à descoberta de Paredes do Rio, Tourém, Pitões das Júnias e o seu mosteiro, povoações deslumbrantes do cimo raiano de Portugal. Se é verdade que o Barroso já teve mais habitantes, visitantes não lhe deviam faltar.
Porto Santo, Portugal

Louvada Seja a Ilha do Porto Santo

Descoberta durante uma volta do mar tempestuosa, Porto Santo mantem-se um abrigo providencial. Inúmeros aviões que a meteorologia desvia da vizinha Madeira garantem lá o seu pouso. Como o fazem, todos os anos, milhares de veraneantes rendidos à suavidade e imensidão da praia dourada e à exuberância dos cenários vulcânicos.
Pico do Arieiro - Pico Ruivo, Madeira, Portugal

Pico Arieiro ao Pico Ruivo, Acima de um Mar de Nuvens

A jornada começa com uma aurora resplandecente aos 1818 m, bem acima do mar de nuvens que aconchega o Atlântico. Segue-se uma caminhada sinuosa e aos altos e baixos que termina sobre o ápice insular exuberante do Pico Ruivo, a 1861 metros.
Vereda Terra Chã e Pico Branco, Porto Santo

Pico Branco, Terra Chã e Outros Caprichos da Ilha Dourada

No seu recanto nordeste, Porto Santo é outra coisa. De costas voltadas para o sul e para a sua grande praia, desvendamos um litoral montanhoso, escarpado e até arborizado, pejado de ilhéus que salpicam um Atlântico ainda mais azul.
Funchal, Madeira

Portal para um Portugal Quase Tropical

A Madeira está situada a menos de 1000km a norte do Trópico de Câncer. E a exuberância luxuriante que lhe granjeou o cognome de ilha jardim do Atlântico desponta em cada recanto da sua íngreme capital.
Rinoceronte, PN Kaziranga, Assam, Índia
Safari
PN Kaziranga, Índia

O Baluarte dos Monocerontes Indianos

Situado no estado de Assam, a sul do grande rio Bramaputra, o PN Kaziranga ocupa uma vasta área de pântano aluvial. Lá se concentram dois terços dos rhinocerus unicornis do mundo, entre em redor de 100 tigres, 1200 elefantes e muitos outros animais. Pressionado pela proximidade humana e pela inevitável caça furtiva, este parque precioso só não se tem conseguido proteger das cheias hiperbólicas das monções e de algumas polémicas.
Yak Kharka a Thorong Phedi, Circuito Annapurna, Nepal, iaques
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna 11º: Yak Karkha a Thorong Phedi, Nepal

A Chegada ao Sopé do Desfiladeiro

Num pouco mais de 6km, subimos dos 4018m aos 4450m, na base do desfiladeiro de Thorong La. Pelo caminho, questionamos se o que sentíamos seriam os primeiros problemas de Mal de Altitude. Nunca passou de falso alarme.
Competição do Alaskan Lumberjack Show, Ketchikan, Alasca, EUA
Arquitectura & Design
Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Aventura
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
cowboys oceania, Rodeo, El Caballo, Perth, Australia
Cerimónias e Festividades
Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.
Casamentos em Jaffa, Israel,
Cidades
Jaffa, Israel

Onde Assenta a Telavive Sempre em Festa

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Sombra de sucesso
Cultura
Champotón, México

Rodeo Debaixo de Sombreros

Champoton, em Campeche, acolhe uma feira honra da Virgén de La Concepción. O rodeo mexicano sob sombreros local revela a elegância e perícia dos vaqueiros da região.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Desporto
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Em Viagem
Chefchouen a Merzouga, Marrocos

Marrocos de Cima a Baixo

Das ruelas anis de Chefchaouen às primeiras dunas do Saara revelam-se, em Marrocos, os contrastes bem marcados das primeiras terras africanas, como sempre encarou a Ibéria este vasto reino magrebino.
Cowboys basotho, Malealea, Lesoto
Étnico
Malealea, Lesoto

A Vida no Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Cabo Espichel, Santuário da Senhora do Cabo, Sesimbra,
História
Lagoa de Albufeira ao Cabo Espichel, Sesimbra, Portugal

Romagem a um Cabo de Culto

Do cimo dos seus 134 metros de altura, o Cabo Espichel revela uma costa atlântica tão dramática como deslumbrante. Com partida na Lagoa de Albufeira a norte, litoral dourado abaixo, aventuramo-nos pelos mais de 600 anos de mistério, misticismo e veneração da sua aparecida Nossa Senhora do Cabo.
Visitantes nos Jameos del Água, Lanzarote, Canárias, Espanha
Ilhas
Lanzarote, Ilhas Canárias

A César Manrique o que é de César Manrique

Só por si, Lanzarote seria sempre uma Canária à parte mas é quase impossível explorá-la sem descobrir o génio irrequieto e activista de um dos seus filhos pródigos. César Manrique faleceu há quase trinta anos. A obra prolífica que legou resplandece sobre a lava da ilha vulcânica que o viu nascer.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Inverno Branco
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Literatura
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
Quedas de água Kalandula, Malange, Angola, savana
Natureza
Quedas d'água de Kalandula, Angola

Angola em Catadupa

Consideradas as segundas maiores de África, as quedas d’água de Kalandula banham de majestade natural a já de si grandiosa Angola. Desde os tempos coloniais em que foram baptizadas em honra de D. Pedro V, Duque de Bragança, muito rio Lucala e história por elas fluiu.
Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Bwabwata Parque Nacional, Namíbia, girafas
Parques Naturais
PN Bwabwata, Namíbia

Um Parque Namibiano que Vale por Três

Consolidada a independência da Namíbia, em 1990, para simplificarem a sua gestão, as autoridades agruparam um trio de parques e reservas da faixa de Caprivi. O PN Bwabwata resultante acolhe uma imensidão deslumbrante de ecossistemas e vida selvagem, às margens dos rios Cubango (Okavango) e Cuando.
Vulcão Teide, Tenerife, Canárias, Espanha
Património Mundial UNESCO
Tenerife, Canárias

O Vulcão que Assombra o Atlântico

Com 3718m, El Teide é o tecto das Canárias e de Espanha. Não só. Se medido a partir do fundo do oceano (7500 m), só duas montanhas são mais pronunciadas. Os nativos guanches consideravam-no a morada de Guayota, o seu diabo. Quem viaja a Tenerife, sabe que o velho Teide está em todo o lado.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
Personagens
Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
Parque Nacional Cahuita, Costa Rica, Caribe, Punta Cahuita vista aérea
Praias
Cahuita, Costa Rica

Uma Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral da Costa Rica tão afro quanto das Caraíbas. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.
Mtshketa, Cidade Santa da Geórgia, Cáucaso, Catedral de Svetitskhoveli
Religião
Mtskheta, Geórgia

A Cidade Santa da Geórgia

Se Tbilissi é a capital contemporânea, Mtskheta foi a cidade que oficializou o Cristianismo no reino da Ibéria predecessor da Geórgia, e uma das que difundiu a religião pelo Cáucaso. Quem a visita, constata como, decorridos quase dois milénios, é o Cristianismo que lá rege a vida.
Trem do Serra do Mar, Paraná, vista arejada
Sobre Carris
Curitiba a Morretes, Paraná, Brasil

Paraná Abaixo, a Bordo do Trem Serra do Mar

Durante mais de dois séculos, só uma estrada sinuosa e estreita ligava Curitiba ao litoral. Até que, em 1885, uma empresa francesa inaugurou um caminho-de-ferro com 110 km. Percorremo-lo, até Morretes, a estação, hoje, final para passageiros. A 40km do término original e costeiro de Paranaguá.
Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Vida Quotidiana
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Ovelhas e caminhantes em Mykines, ilhas Faroé
Vida Selvagem
Mykines, Ilhas Faroé

No Faroeste das Faroé

Mykines estabelece o limiar ocidental do arquipélago Faroé. Chegou a albergar 179 pessoas mas a dureza do retiro levou a melhor. Hoje, só lá resistem nove almas. Quando a visitamos, encontramos a ilha entregue aos seus mil ovinos e às colónias irrequietas de papagaios-do-mar.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.