Circuito Annapurna 10º: Manang a Yak Kharka, Nepal

A Caminho das Terras (Mais) Altas dos Annapurnas


Amuletos
Chifres de iaque servem de amuletos à saída de Manang.
Fé de Penas
Ancião ora com uma roda de prece budista, à beira do trilho que segue para Yak Kharka.
Política Religiosa
Inscrição numa pedra polida reclama o nascimento de Buda no Nepal.
Bandeiras de Buda.
Estandartes coloridos assinalam a religião predominante em todo o Circuito Annapurna.
Meandros Paralelos
Linhas sinuosas de um afluente do rio Marsyangdy e do trilho que conduz a Yak Kharka.
Hóteis de Gunsang
Hotéis marcam a entrada de Gunsang.
Xadrês – Check
Dupla de caminhantes amigos e praticantes de xadres disputam uma partida ao ar livre.
Gado nepalês
Iaque repousa com o fundo grandioso de um dos cumes aguçados dos Annapurnas.
A Caminho
Caminhante turco Fevsi cruza uma ponte suspensa do percurso.
Ao sabor da gravidade
Rio com caudal diminuído desliza das terras mais altas dos Annapurnas.
Montada Nepalesa
Sela tradicional num cavalo usado por um morador de Manang.
Neon Versão Yak Kharka
Colecção de tabuletas promocionais à chegada de Yak Kharka.
Sombras ao Calhas
Caminhantes divertem-se sobre um morro nas imediações de Yak Kharka.
Cowboy Nepalês
Guia prepara-se para cavalgar a caminho de Manang.
Derradeiras Compras
Sara Wong e Josua compram queijo de iaque e outros bens numa loja de Manang.
Espera ao sol
Dona de uma tea house de beira de estrada aguarda por mais caminhantes.
Após uma pausa de aclimatização na civilização quase urbana de Manang (3519 m), voltamos a progredir na ascensão para o zénite de Thorong La (5416 m). Nesse dia, atingimos o lugarejo de Yak Kharka, aos 4018 m, um bom ponto de partida para os acampamentos na base do grande desfiladeiro.

A noite, a altitude e a ansiedade. A ansiedade, a altitude e a noite, fosse qual fosse a sequência, a partir de determinada altura, o trio caminhava de mãos dadas.

Pouco habituado aos 3500 metros e às incursões extenuantes aos 4500, durante o sono, os nossos organismos começaram a dar sinais.

Na derradeira dormida em Manang, com a partida combinada para as 8h, estranhámos o batimento cardíaco: as aparentes arritmias, o pulsar exacerbado, como que se o coração nos tentasse fugir pela boca. E o receio incontornável de um chilique qualquer nos vitimar.

Uma vez mais, a apreensão com a quantidade de água que tínhamos bebido e o reforço de última hora do líquido que, depois, não bastasse já o coração revolto, nos obrigava ir à casa de banho duas, três, quatro vezes adicionais.

Nesta amálgama de emoções e apreensões, pouco ou nada dormimos.

Despertamos às 6h30, a tempo de arrumar as mochilas para a caminhada e, logo, para o pequeno-almoço e para as últimas compras de Manang.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka, compras

Sara Wong e Josua compram queijo de iaque e outros bens numa loja de Manang.

Derradeiros Preparativos e um Inevitável Carregador

Deixamos o hotel Himalayan Singi às 8h. À saída, encontramos o carregador que tínhamos contratado na manhã anterior. Por princípio, éramos contra o recurso a carregador como mera facilitação do esforço requerido pelo Circuito Annapurna.

Devíamos, no entanto, ter em conta que só o equipamento fotográfico que carregávamos tinha mais de metade dos oito ou nove quilos considerados aconselhados.

Conscientes da tragédia ocorrida em Outubro de 2014 no desfiladeiro de Thorong La e que abordaremos no episódio que dedicarmos à sua travessia, estávamos também munidos de sacos-cama dos mais quentes, -20º (e mais pesados) a que planeávamos recorrer caso lá nos víssemos retidos por alguma intempérie.

Longe de sermos montanheiros inveterados, andávamos com demasiado peso, era essa a realidade.

Não contávamos com o carregador para nos levar toda a carga nem para a totalidade do percurso que faltava. A ideia era que nos ajudasse apenas com o peso que tínhamos em excesso e só de Manang até Muktinath, sobretudo na travessia de Thorong La.

Queríamos, por todos os meios, evitar desistirmos devido a um qualquer colapso hernial das costas. Aliás, levámos uma semana a tentar precavê-lo com longas sessões de alongamentos no final de cada caminhada, e sempre que nos lembrávamos de os reforçar.

De acordo, tínhamos previsto o carregador levar-nos uma mochila com esse peso que estava a mais. Nós, carregaríamos o equipamento fotográfico e, cada qual, a sua mochila com os nove, vá lá que fosse dez ou onze quilos, considerados seguros.

Na véspera, para contratarmos os serviços do carregador, limitámo-nos a perguntar num hotel em frente ao nosso se conheciam alguém. Ao que o rapaz de serviço nos respondeu: “Cheguem aqui. Tenho aqui um.” Seguimo-lo até passarmos por uma porta lateral. No exterior, damos com uma obra de extensão do edifício em que trabalhavam quatro ou cinco homens e mulheres.

O rapaz chamou um dos operários. Falou com ele breves instantes e apresentou-o.

Don. De Operário da Construção Civil a Sherpa dos Annapurnas em Cinco Minutos

Chamava-se Don. Era, de longe, o mais pequeno dos trabalhadores que ali víamos. Teria, aliás, que ser um dos moradores adultos mais baixo, pequeno – chamemos-lhe o que quisermos – da cidade de Manang.

Por fácil que fosse, não queríamos ceder à tentação de fazermos da sua estatura um preconceito ou motivo de desassossego.

Don recorreu a um inglês atabalhoado. Confirmou-nos a disponibilidade para os três dias de percurso seguintes, supusemos que, em detrimento do trabalho na construção em que iria ganhar bem menos que o que lhe pagaríamos. Mesmo que, à laia de comissão, o hotel para que trabalhava lhe ficasse com parte.

Regressemos à manhã da partida. Saudamos Don.

Informamo-lo de que, antes de deixarmos Manang, pararíamos numa ou duas lojas e bancas, de maneira a comprarmos mais alguns aquecedores químicos, providenciais contra frieiras e queimaduras, caso a temperatura descesse a pique em Thorong La, ou, se lá nos víssemos em piores apuros.

Quando lhe passamos a mochila que era suposto carregar, Don mal consegue disfarçar a surpresa. O normal era os mochileiros dividirem a despesa com carregadores e, como tal, passarem-lhes enormes volumes, com vinte e até trinta quilos.

Ao confrontar-se com uma mochila pouco mais repleta que as nossas, Don olha em volta em busca do paradeiro da restante carga. Em vão.

Despedida de Manang e o Encalço do Grupo na Dianteira

Fechamos as compras. O grupo em que seguíamos desde Brakka (Braga) já partira há algum tempo pelo que apontamos ao extremo oeste de Manang.

A despedida da cidade move-nos a fazermos algumas derradeiras fotos das suas ruas, das suas gentes. Uns poucos moradores despedem-se.

Quando passamos o pórtico budista-tibetano que abençoa a povoação prendia-nos sobretudo a visão do seu casario de terra a destacar-se acima do caudal do rio Marsyangdi. Fotografamo-lo de distintas perspectivas.

Até que, por fim, Manang se transformou numa visão difusa.

Um Batatal Pedregoso e uma Partida de Xadrez a Meio da Caminhada

A determinado ponto, passamos por um grupo de camponeses acocorados num campo ressequido e pedregoso. Espantamo-nos ao constatarmos que já tinham enchido dois grandes cestos tradicionais nepaleses de batatas dali colhidas.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka, prece budista

Ancião ora com uma roda de prece budista, à beira do trilho que segue para Yak Kharka.

Nas imediações, um ancião agasalhado em trajes de penas modernos, faz rodar um mani de oração, sentado sob o sol generoso dessa manhã e entretido a ver os forasteiros caminharem rumo a Thorong La.

Caminho fora, continuavam a abundar os artefactos da fé budista-tibetana dos nepaleses destas partes: estandartes multicolores que ondulavam ao vento, cornos de iaque na base de estupas seculares.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Chifres de iaque servem de amuletos à saída de Manang.

Nos seus sucessivos meandros na meia-encosta, o trilho Annapurna Parikrama Padmarga conduz-nos à segunda casa de chá daquele trecho, já com um tal de Chullu West Hotel em vista.

Ali mesmo, sobre uma mesa colocada numa extensão escorada do caminho, um casal alourado, com visual de algures do norte da Europa, disputava uma partida de xadrez, acompanhada pela bebida fetiche do Circuito Annapurna: chá de gengibre com mel.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Dupla de caminhantes amigos e praticantes de xadres disputam uma partida ao ar livre.

Saudamo-los. Continuamos a recuperar do atraso que levávamos em relação ao grupo. E a ganhar avanço face a Don que se detivera para cumprimentar uma família num negócio anterior, com a promessa de que não tardaria a apanhar-nos.

Por Fim, a Junção ao Grupo e a Caminhada que Restava para Yak Kharka

Juntamo-nos ao grupo junto ao Chullu West Hotel, no lugarejo de Gunsang. Desfrutamos de parte da sua pausa, ainda com vigor de sobra para precisarmos de estender a nossa.

Daí em diante, seguimos integrados no pelotão.  Embalados pela deliciosa cavaqueira em inglês e em português as línguas mais usadas pelos dois brasileiros, três alemães, um turco, uma espanhola e um italiano, os membros do grupo.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Caminhante turco Fevsi cruza uma ponte suspensa do percurso.

Cruzamos a primeira ponte suspensa do dia, para variar já não sobre o rio Marsyangdi que, após mais de uma semana a fazer-nos companhia, fiel ao seu curso, nos deixava.

Do lado de lá da ponte, um escrito a negro sobre uma pedra polida proclamava em inglês: “Buda nasceu no Nepal, não na Índia!”.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Inscrição numa pedra polida reclama o nascimento de Buda no Nepal.

Minutos depois, um outro, este, mais sinalizador que reivindicativo, indicava o caminho para o Lago Tilicho.

A Passagem Emblemática pelo Desvio para o Lago Tilicho

Este lago situado a oeste de Manang, a quase 5.000 metros de altitude é outro dos lugares mágicos que costumam desinquietar os caminhantes do Circuito Annapurna.

Emergiu por mais que uma vez nas conversas do grupo, como alternativa de aclimatização mais remoto e extremo que o Ice Lake e a Milarepa Cave a que todos ascendemos a partir de Brakka e de Manang.

Em cada uma dessas ocasiões, a incursão ao Tilicho Lake foi posta de lado. Estávamos em Março.

O Inverno do Nepal só por essa altura se desvanecia. O lago permanecia semi-gelado, envolto por vertentes nevadas que a subida gradual da temperatura tornava propícias a avalanches a que nem os iaques nativos sobreviveriam.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Iaque repousa com o fundo grandioso de um dos cumes aguçados dos Annapurnas.

Não obstante, naquele vale amplo em que nos embrenhávamos, entre as bases do grande Annapurna III (7555m) e da montanha Chullu East (6584m) já quase só víamos neve nos cumes longínquos a sul e a norte.

Prosseguimos rumo ao destino final, ao longo de um afluente do Marsyangdi e até Yak Kharka (4018m), sem sobressaltos.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Rio com caudal diminuído desliza das terras mais altas dos Annapurnas.

Josh e Bruno, um dos alemães e um dos brasileiros do grupo tinham-se adiantado e cumprido os 10km do trecho meia-hora mais cedo.

Entrada em Yak Kharka e no Hotel Tradicional que Nos Acolheu

Por volta da uma da tarde, quando damos entrada na povoação o duo já resolvera a escolha dos aposentos, pelo que nos limitámos a instalar num dos quartos humildes do Hotel Thorong Peak.

Com a estada resolvida, entregamo-nos a um almoço prazeroso e revigorante. De barriga cheia, sonolento, o grupo dispersa. Alguns, limitam-se a apanhar sol nos bancos em frente ao hotel.

Nós, cumprimos parte da sessão quase obrigatória de alongamentos e organizamos a roupa e o equipamento fotográfico para o trajecto em falta.

Ao fim da tarde, voltamos a juntar-nos todos para uma volta de aclimatização na direcção de Ledar, um lugarejo situado já aos 4219m. Sempre eram duzentos metros extra acima dos 4.000m a que, após o Ice Lake e a Milarepa Cave, voltávamos a habituar o organismo.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Caminhantes divertem-se sobre um morro nas imediações de Yak Kharka.

Por esta altura, Tatiana, uma das duas miúdas alemãs com ascendência russa do grupo, começava a queixar-se de dor de cabeça e outros sintomas ainda contidos mas clássicos do Mal de Montanha. No caso dela, urgia confirmar que recuperava para a manhã seguinte.

Até então, nós, continuávamos imunes à altitude mas não ao receio de que nos pudesse atingir sem aviso.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka, cavaleiro

Guia prepara-se para cavalgar a caminho de Manang.

Uma Extensão Quase Só porque Sim à vizinha Ledar

Caminhamos, assim, em direcção a Ledar, de novo com a Annapurna III a insinuar-se acima de dois outros vértices de vertentes mais baixas.

Passamos pelo Himalayan View, um hotel arredado do centro estratégico de Yak Kharka que a placa à entrada situava em Upper Koche, além de aliciar os caminhantes mais fatigados a completarem o percurso de cavalo, num inglês maculado: “You can get horse to ride from hear to Leader Base Camp & Throng Top.

Circuito Annapurna, Manang a Yak-kharka

Colecção de tabuletas promocionais à chegada de Yak Kharka.

O sol não tardou a abandonar o vale. Na sombra, batidos por um vento cada vez mais gélido que nos fazia doer as faces, antecipamos o regresso ao hotel de Yak Kharka.

À imagem do que acontecia todas as noites, sentámo-nos em redor da salamandra da sala de jantar, a partilhar os petiscos nepaleses do costume.

No entretanto, Don tinha reaparecido. Convivia com os empregados nepaleses do hotel. Apercebemo-nos que estava embriagado. Com a noção plena do quanto o álcool gerava e agravava Mal de Altitude, aí sim, receámos pelo que isso pudesse representar na sua capacidade de ascender e cruzar o desfiladeiro de Thorong La.

Em seu abono, tinha a benesse de há muito viver nos 3500 metros de Manang e de, por certo estar mais que habituado a viagens em altitudes superiores, supúnhamos que, em boa parte delas, com álcool à mistura.

Nós, não percebíamos palavra do inglês etílico que Don nos balbuciava.

Para compensar, os nossos corações pareciam ter andado sempre certinhos.

Sentíamo-nos em forma para enfrentarmos o percurso Yak Kharka – Thorong Pedi que se seguia, bem como a ascensão suprema a Thorong La.

Circuito Annapurna: 1º - Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Circuito Annapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Circuito Annapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca dos Annapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
Circuito Annapurna: 7º - Braga - Ice Lake, Nepal

Circuito Annapurna - A Aclimatização Dolorosa do Ice Lake

Na subida para o povoado de Ghyaru, tivemos uma primeira e inesperada mostra do quão extasiante se pode provar o Circuito Annapurna. Nove quilómetros depois, em Braga, pela necessidade de aclimatizarmos ascendemos dos 3.470m de Braga aos 4.600m do lago de Kicho Tal. Só sentimos algum esperado cansaço e o avolumar do deslumbre pela Cordilheira Annapurna.
Circuito Annapurna: 8º Manang, Nepal

Manang: a Derradeira Aclimatização em Civilização

Seis dias após a partida de Besisahar chegamos por fim a Manang (3519m). Situada no sopé das montanhas Annapurna III e Gangapurna, Manang é a civilização que mima e prepara os caminhantes para a travessia sempre temida do desfiladeiro de Thorong La (5416 m).
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Treasures, Las Vegas, Nevada, Cidade do Pecado e Perdao
Arquitectura & Design
Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.
Aventura
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades
Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.
Um dos prédios mais altos de Valletta, Malta
Cidades
Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.
Cacau, Chocolate, Sao Tome Principe, roça Água Izé
Comida
São Tomé e Príncipe

Roças de Cacau, Corallo e a Fábrica de Chocolate

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.
Mar-de-Parra
Cultura
Mendoza, Argentina

Viagem por Mendoza, a Grande Província Enóloga Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, a província de Mendoza está no centro da maior região enóloga da América Latina.
Desporto
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Pórtico de entrada em Ellikkalla, Uzbequistão
Em Viagem
Usbequistão

Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão

Os séculos passaram. As velhas e degradadas estradas soviéticas sulcam os desertos e oásis antes atravessados pelas caravanas da Rota da Seda. Sujeitos ao seu jugo durante uma semana, vivemos cada paragem e incursão nos lugares e cenários usbeques como recompensas rodoviárias históricas.
Do lado de cá do Atlântico
Étnico

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

portfólio, Got2Globe, fotografia de Viagem, imagens, melhores fotografias, fotos de viagem, mundo, Terra
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Got2Globe

Melhor do Mundo – Portfólio Got2Globe

A pequena-grande Senglea II
História
Senglea, Malta

A Cidade Maltesa com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.
Marcha Patriota
Ilhas
Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado a Formosa. Passados quase 500 anos, mesmo insegura do seu futuro, Taiwan prospera. Algures entre a independência e a integração na grande China.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Inverno Branco
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
Visitantes da casa de Ernest Hemingway, Key West, Florida, Estados Unidos
Literatura
Key West, Estados Unidos

O Recreio Caribenho de Hemingway

Efusivo como sempre, Ernest Hemingway qualificou Key West como “o melhor lugar em que tinha estado...”. Nos fundos tropicais dos E.U.A. contíguos, encontrou evasão e diversão tresloucada e alcoolizada. E a inspiração para escrever com intensidade a condizer.
PN Tortuguero, Costa Rica, barco público
Natureza
PN Tortuguero, Costa Rica

A Costa Rica e Alagada de Tortuguero

O Mar das Caraíbas e as bacias de diversos rios banham o nordeste da nação tica, uma das zonas mais chuvosas e rica em fauna e flora da América Central. Assim baptizado por as tartarugas verdes nidificarem nos seus areais negros, Tortuguero estende-se, daí para o interior, por 312 km2 de deslumbrante selva aquática.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Os vulcões Semeru (ao longe) e Bromo em Java, Indonésia
Parques Naturais
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
San Juan, Cidade Velha, Porto Rico, Reggaeton, bandeira em Portão
Património Mundial UNESCO
San Juan, Porto Rico (Parte 2)

Ao Ritmo do Reggaeton

Os porto-riquenhos irrequietos e inventivos fizeram de San Juan a capital mundial do reggaeton. Ao ritmo preferido da nação, encheram a sua “Cidade Muralhada” de outras artes, de cor e de vida.
Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Praias
Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
Queima de preces, Festival de Ohitaki, templo de fushimi, quioto, japao
Religião
Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se.
Comboio Kuranda train, Cairns, Queensland, Australia
Sobre carris
Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.
Bufalos, ilha do Marajo, Brasil, búfalos da polícia de Soure
Sociedade
Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem uma das maiores manadas do mundo e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.
Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Serengeti, Grande Migração Savana, Tanzania, gnus no rio
Vida Selvagem
PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.
EN FR PT ES