Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites


Pose mais à mão

Mulher atacamenha em trajes coloridos típicos da região.

Mosaicos salinos

Extremidade de um salar situado num planalto andino na raia do deserto de Atacama.

Do Atacama aos Andes

Montanha projecta-se no limiar de uma planície coberta de cardones.

Mini-manada de lamas

Lama e crias percorrem uma planície do altiplano andino, o seu habitat natural.

Passatempo textil

Mulher nativa fia enquanto espera por uma boleia.

El Licancábur

O vulcão avermelhado de Licancábur, 5.916 metros de altitude.

Alpondra desafiante

Uma sequência de rochas num recanto avermelhado e muito salino da Laguna Verde.

Bando organizado

Flamingos sobrevoam o Salar de Tara em direcção à fronteira Argentina ali eminente.

Cactus ou Cardón

Um cacto destacado de uma encosta suave no sopé dos Andes.

Cacto Impenetrável

Um cacto repleto de espinhos sobressai da paisagem ressequida do deserto de Atacama.

Laguna Verde II

O cenário idílico da Lagoa Verde, situada em pleno altiplano andino, no limiar Leste do deserto de Atacama e chamada de Caribe Atacameño pelos guias nativos.

Cardon determinado

Um cardón resiste no meio de uma lagoa salgada do Altiplano andino.

Mulher atacamenha

Nativa em trajes típicos da região.

Laguna Verde

O cenário idílico da Lagoa Verde, situada em pleno altiplano andino, no limiar Leste do deserto de Atacama e chamada de Caribe Atacamenho pelos guias nativos.

Flora Resistente

Cardones e musgo disputam o solo com o sal em redor de um salar no extremo Oeste da cordilheira Andina.

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

O seu país é de tal forma compartimentado e diverso de alto a baixo que os chilenos se divertem a contar e recontar que, depois de ter criado a maior parte da América do Sul, já farto da tarefa, Deus pegou no que sobrava – bocados de deserto, montanha, vale, glaciar, f

loresta húmida – e criou o Chile, à pressa, para finalmente descansar.

Depois de explorarmos o PN Torres del Paine, os fiordes chilenos da Patagónia num cargueiro transformado em cruzeiro e subido ao cume do vulcão Villarica, na província da Araucaria, ch

egara a altura de nova mudança radical de zona e de paisagem.

Foi ainda a recuperar da dura ascensão que partimos de Pucon conscientes de que ainda ficava muito para ver destes confins austrais do país. E de que tínhamos que voltar.

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ave; medida que nos aproximamos do Norte Grande, a região que se estende da fronteira com o Peru ao Chañaral, dominada pelo Deserto do Atacama apresta-se a revelar a desolação cinzenta que lhe calhou.

Em 2003, uma equipa internacional de cientistas, na sua maior parte pertencentes à NASA é à Universidade norte-americana Carnegie Mellon, mudou-se de armas e bagagens para estas paragens. Em pouco tempo, deu início à Life in the Atacama, um programa minucioso de pesquisa de campo que tinha como objectivo aperfeiçoar novos veículos robóticos para a missão astrobiológica Spirit.

O primeiro planeta a acolher a Spirit e o rover homónimo foi Marte, em Janeiro de 2004. Sete meses depois, Chris McKay, um geólogo da NASA justifica, assim, a um repórter, a escolha do deserto de Atacama para preparar a missão: “Pode ir à Antárctida, ao Árctico, a qualquer outro deserto em que já estivemos, recolher uma amostra de terra que vai encontrar bactérias…este é o único lugar onde passámos realmente o limiar e não encontrámos vida …”

Em termos visuais, se existem sítios comparáveis ao que conhecemos e imaginamos do planeta vermelho, o deserto de Atacama tem que ser um deles.

A adjectivação das suas paisagens como extraterrestres ocorre a toda a hora a quem o visita. E, entre tantos cenários dignos de outros mundos, basta pensar nos tons ocres dos Vales da Lua e da Morte para se chegar a um imaginário marciano.

Apesar das condições adversas, vivem em bolsas do deserto de Atacama mais de um milhão de pessoas. Graças às suas matérias primas, as regiões a que pertence – El Norte Chico e El Norte Grande – foram e são responsáveis pelo disparar e recente consolidar da economia chilena. No século XIX, as primeiras explorações do famoso nitrato do Chile atraíram milhares de trabalhadores, até à invenção das alternativas artificiais. Actualmente, os nitratos foram substituídos pela mineração de cobre, da prata, do ouro e do ferro, que o Atacama e redondezas fornecem em abundância. Sem espanto, cresceram do nada povoações improvisadas que deram origem a novas infra-estruturas e oportunidades. Entre as que já existiam: Arica, Iquique, Antofagasta e San Pedro de Atacama, a última evoluiu para explorar outro recurso altamente rentável, o turismo.

Estendendo-se por 1000 km, ao longo do sul do Peru e norte do Chile, o deserto de Atacama tem limites longitudinais bem marcados: a oeste, o oceano Pacífico; na direcção oposta, a cordilheira dos Andes. Surge após uma plataforma costeira estreita, cinzenta e poeirenta e ergue-se progressivamente até às pampas, planícies inóspitas que mergulham em gargantas fluviais pré-históricas cobertas de sedimentos minerais provenientes dos Andes. Estas planícies dão lugar ao Altiplano, a pré-cordilheira, em que inúmeros salares e lagoas salgadas anunciam cerros e vulcões nevados e imponentes como o Toco, o Licancábur, o Putana ou o Águas Calientes, quase todos próximos dos 6.000 metros de altitude. Do outro lado do horizonte montanhoso, o território é boliviano ou, mais para sul, argentino.

A zona central do deserto de Atacama é considerada o lugar mais seco da Terra. Ali, em certas áreas específicas de “deserto absoluto”, nunca se conseguiu registar queda de chuva. Noutras, não tão centrais, a pluviosidade mede-se em milímetros por década.

Em termos meteorológicos e climáticos, o que se passa é tão misterioso como fácil de explicar: nestas latitudes, corre ao longo da América do Sul a corrente de Humboldt (assim chamada em honra do naturalista prussiano Alexander von Humboldt). A corrente, ascendente, tem efeitos contraditórios. As suas águas, provenientes da Antárctida e do fundo do oceano, tão gélidas quanto nutritivas, fazem dela um ecossistema marinho de Classe 1 (>300gC/m2-yr), o mais produtivo do mundo, de onde provém cerca de 20% de todo o peixe pescado à face da Terra, incluindo parte significativa do que é consumido em Portugal.

Ao mesmo tempo, a corrente de Humboldt é responsável pelo arrefecimento do ar sobre a zona costeira do sul do Peru e do Chile e, porque alimenta um núcleo de altas pressões, bloqueia a formação e a deslocação para terra de nuvens favoráveis à precipitação. Junto à costa ainda paira frequentemente a camanchaca, um nevoeiro denso que reina durante o Inverno local, de Junho a Outubro. Alguns quilómetros mais para o interior ergue-se, no entanto, a cordilheira costeira do Chile que detém o avanço da névoa. Não espanta assim que, do Pacífico, o deserto de Atacama receba apenas secura.

No lado oposto, a cordilheira dos Andes impede a passagem de nuvens carregadas de humidade provenientes de leste, da bacia do Amazonas e restante interior da América do Sul. Essa humidade é apreendida pelas montanhas mais elevadas, que a recebem por condensação ou em forma de chuvadas e nevões, consoante a época do ano. Por cima e para oeste, passa só um vento estéril.

O milagre da vida no deserto de Atacama é produzido nas alturas, quando o sol tropical, pouco filtrado pela atmosfera fina, derrete a neve que coroa os picos andinos, enche os aquíferos que se formam no sopé das montanhas e dá origem a oásis como o que abençoou San Pedro de Atacama. 

A sul e oeste de San Pedro, a Reserva Nacional Los Flamencos inclui sete sectores geograficamente independentes, com cenário tão insólitas quanto imperdíveis. O Salar de Atacama dá-nos uma ideia inequívoca do contraste porque se rege o deserto.

Quando o cenário branco do sal sem fim começa a parecer de absoluta desolação, encontramos a Laguna Chaxa e a natureza volta a surpreender-nos, desta vez nos tons rosados dos milhares de flamingos que a ocupam.

Ao pôr-do-sol, o Salar de Atacama recompensa duplamente. Além da chegada permanente dos flamingos à lagoa, para oeste, o horizonte andino contrasta mais que nunca com o branco sem fim do sal. Pela menor distância a que estão, sobressaem do horizonte os cones perfeitos e avermelhados do vulcão Licancábur e do cerro Toco. E, se virarmos o olhar para sul, vemos a cadeia de montanhas a prolongar-se até perder de vista mesmo se se torna argentina algumas centenas de quilómetros para diante. 

É por estas latitudes, acima e abaixo do Trópico de Capricórnio, que o magríssimo Chile atinge a sua máxima largura. Verificamos, no mapa,  que tal se deve a uma improvável extensão da fronteira para ocidente que assimilou parte substancial da cordilheira, ali, salpicada por salares e lagoas de Altiplano com água de aparência caribenha.

Logo à saída de San Pedro de Atacama, passamos a fortaleza de Quitor e deparamo-nos com o mais deslocado dos sectores do PN Los Flamencos. Mesmo sabendo que os sul-americanos recorrem ao termo Vale da Lua para denominar qualquer superfície esculpida por torrentes de água, vento e restantes agentes erosivos, ao explorarmos aquela vastidão inóspita, acabamos por admitir que o nome lhe faz justiça. Até porque, há “apenas” 60 milhões de anos (tinham os Andes acabado a sua ascensão aos 6.000 metros) enquanto a maior parte do sul do Chile estava coberta de glaciares, esta região continuava debaixo do oceano – o que justifica a predominância dos campos de sal.

Numa ampla área de geologia exibicionista, sucedem-se enormes dunas cor de canela, miniaturas de montanha ocres em que os elementos escavaram arestas afiadas e pequenos “degraus” sem fim. Estas elevações dão para desfiladeiros apertados, como os da Quebrada de Kachi, ou para vales alisados pelo vento, fendidos pelo calor e pela aridez e, aqui e ali, inundados de salitre. Em certas zonas, a cobertura de nitrato de potássio torna-se tão densa que mais parece ali ter caído um forte nevão. Mas o sol é escaldante, a humidade roça o zero absoluto e o Vale da Lua fica mais ou menos à altitude de San Pedro de Atacama. Seria, no mínimo, bizarro.

Avançamos em direcção à Panamericana e ao Pacífico, cruzamos o Vale da Morte, parte da Cordillera de Domeyko e ainda o rio Loa que tem o efeito de enganar quem por ele passa quando a ilusão líquida se desvanece perante a aridez impiedosa da paisagem.

À medida que nos voltamos a embrenhar no Atacama e os Andes ficam para trás, a água doce revela-se uma miragem eternamente adiada. Sem subterfúgios tecnológicos, a sobrevivência fica por um fio enquanto a morte se eterniza. Esta lógica tem expressões surpreendentes.

Em 1985, os arqueólogos acharam várias centenas de múmias ao longo da costa chilena. O seu estado de preservação assim como das roupas e dos objectos que as acompanhavam era inacreditável. Os túmulos estavam sob o sol do deserto de Atacama havia mais de meio milénio. A secura extrema anulou a acção das bactérias e impediu a decomposição preservando o legado espiritual de um povo que, tal como acontece hoje, venceu as  probabilidades e pagou frequentemente o preço de viver no limite.

Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das suas etnias. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.

Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

PN Torres del Paine, Chile

A Mais Dramática das Patagónias

Em nenhuma outra parte os confins austrais da América do Sul se revelam tão arrebatadores como na cordilheira de Paine. Ali, um castro natural de colossos de granito envolto de lagos e glaciares projecta-se da pampa e submete-se aos caprichos da meteorologia e da luz. 

Salta e Jujuy, Argentina

Nas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.

Ilha da Páscoa, Chile

Sob o Olhar dos Moais

Rapa Nui foi descoberta pelos europeus no dia de Páscoa de 1722. Mas, se o nome cristão da ilha faz todo o sentido, a civilização que a colonizou de estátuas observadoras permanece envolta em mistério

Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.

San Pedro de Atacama, Chile

O Oásis dos Gringos

Os conquistadores espanhóis tinham partido e o comboio desviou as caravanas de gado e nitrato. San Pedro recuperava a paz mas uma horda de forasteiros à descoberta da América do Sul invadiu o pueblo.

Ilha Robinson Crusoe, Chile

Na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.

Pucón, Chile

A Brincar com o Fogo

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.

Minhocas
Arquitectura & Design

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Chegada à festa
Cerimónias e Festividades

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

Natal de todas as cores
Cidades
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
1º Apuro Matrimonial
Cultura

Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar uniões.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Espera sem fim
Em Viagem
Jet Lag (Parte 1)

Evite a Turbulência do Pós-voo

Quando voamos através de mais que 3 fusos horários, o relógio interno que regula o nosso organismo desregula-se. O máximo que podemos fazer é aliviar o mal-estar que sentimos até se voltar a acertar.
Danças
Étnico
Okinawa, Japão

Danças de Ryukyu: têm séculos. Não têm grandes pressas.

O reino Ryukyu prosperou até ao século XIX como entreposto comercial da China e do Japão. Da estética cultural desenvolvida pela sua aristocracia cortesã contaram-se vários estilos de dança vagarosa.
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Street Scooter scene
História
Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Todos a bordo
Ilhas

Viti Levu, Fiji

Uma Partilha Improvável

Em pleno Pacífico Sul, uma comunidade numerosa de descendentes de indianos recrutados pelos ex-colonos britânicos e a população indígena melanésia repartem há muito a ilha chefe de Fiji.

Frígida pequenez
Inverno Branco

Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor” mas Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Lento fim do dia
Natureza

Avenida dos Baobás, Madagáscar

O Caminho Malgaxe para o Deslumbre

Saída do nada, uma colónia de embondeiros com 30 metros de altura e 800 anos ladeia uma secção da estrada argilosa e ocre paralela ao Canal de Moçambique e ao litoral piscatório de Morondava. Os nativos consideram estas árvores colossais as mães da sua floresta. Os viajantes veneram-nas como uma espécie de corredor iniciático.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Acima de tudo
Parques Naturais

Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história. 

7 Cidades
Património Mundial Unesco

São Miguel, Açores

O Grande Éden Micaelense

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada. 

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Mini-snorkeling
Praia

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Glamour vs Fé
Religião

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Aos repelões
Sociedade

Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.

Fim da Viagem
Vida Quotidiana

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.