Goiás Velho, Brasil

Uma Sequela Da Febre do Ouro


Sob um céu mais que dourado

Sol põe-se e dá cor extra ao cenário colonial e tropical de Goiás Velho.

Sebastião Neto e Chacal

O tetraneto do fundador de Goiás Velho Bartolomeu Silva e o seu cachorro.

Sem pressas

Morador percorre um recanto típico da cidade sobre um burro.

Jogos Luminosos

Carro a baixa velocidade deixa um rasto de luz ao longo de uma rua também iluminada por candeeiros antigos.

Deslocação ecológica

Morador monta um burro ao longo do rio Vermelho.

Show à porta da Rádio FM

Magela, o acordeonista do grupo Trio Raio de Sol.

Catedral nas Alturas

Casario antigo de Goiás com a catedral em óbvio destaque.

Ivani Rodrigues Vidigal

Ivani Vidigal, uma vendedora de doces na sua pequena banca de Goiás.

Bando Nocturno

Grupo de "moleques" ensaia uma pose de grupo com estilo para a fotografia.

Igreja e Museu

A Igreja da Boa Morte, também o Museu de Arte Sacra da cidade.

Noite que chega

Crepúsculo toma conta do casario secular da povoação.

Manicure

Habitante de Goiás Velho pinta as unhas à porta de casa.

Capoeira

Duas crianças treinam capoeira numa rua da cidade dourada pela luz.

À janela

Deuzila Ribeiro Soares, uma dona de casa curiosa com a passagem dos forasteiros.

Arquitectura senhorial

Uma espécie palacete destaca-se do restante casario à beira do rio Vermelho e ao lado de uma das suas muitas igrejas.

Caminhada traiçoeira

Mãe e dois filhos caminham sobre o calçadão muito irregular de Goiás.

Fusco goiano

Pormenor de um dos muitos Volkswagens Fuscos de Goiás.

Advocacia em tons de rosa

A advogada Cyntia Arroio e o seu filho num escritório da cidade.

A cidade e as Serras

Goiás vista, ao anoitecer, do Morro da Igrejinha de Areias.

Casario e arvoredo

Praça verdejante da cidade, com a igreja de Paula à esquerda.

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

É no topo do morro da igrejinha de Areias que Goiás está, desta vez, em festa. Os cânticos intensos dos fiéis propagam-se pelo vale circundante, pairando sobre a mancha uniforme de telha portuguesa que os anos  embelezaram. A honra da celebraçã

o vai para Bárbara, a santa protectora dos raios e trovões e também dos artilheiros. À laia de provocação, o fogueteiro de serviço solta canas para o céu como se disso dependesse a sua vida. Os estrondos fazem ricochete nos morros vizinhos de S

ão Francisco, Canta Galo e das Lages e, a maior distância, na imponente Serra Dourada. Espantam alguns tucanos que esvoaçam para a segurança do cerrado. Incontornável e contundente, o anúncio alerta os crentes atrasados que correm, ofegantes, Rua Passo da P&a

acute;tria e escadinhas da igreja acima.  Não é de bom tom perder a bênção da cruz e a procissão há muito que chegou à derradeira paragem. O mesmo que aconteceu a Goiás Velho como é também chamada, de quando em quando,

a povoação.

De Arraial a Capital Estadual

Esta cidade goiana de vinte e seis mil habitantes teve origem em 1732, cerca de cinquenta anos depois de, na senda do sucesso obtido em Minas Gerais, os bandeirantes que se aventuraram para o interior do Brasil em busca de metais preciosos e escravos, terem achado ouro na região. Achado não será o melhor termo. Fazendo fé no que ficou para a história, ter-se-á tratado mais de um acto de ilusionismo.

Em 1682, uma bandeira liderada pelo velho Paulista Bartolomeu Bueno da Silva chegou ao território dos índios Goyaz que, para seu gáudio, usavam artefactos de ouro. Pouco vocacionado para a diplomacia mas perito em crueldade e trapaça, o anhanguera (velho diabo) – como a nação Goiá o haveria entretanto de alcunhar – resolveu o assunto incendiando sobre um prato alguma cachaça (que os índios pensavam ser água) e ameaçando que faria o mesmo com todos os rios das redondezas senão lhe revelassem as suas minas de ouro. Três anos mais tarde, apesar de dado como morto, o velho diabo regressou a São Paulo com os sobreviventes, ouro e índios escravos de Goiás. Em 1722, o seu filho homónimo, que sobrevivera à primeira  investida, organizou nova bandeira e lançou o arraial de Sant’Anna. Este arraial marcou, em 1732, o estabelecimento da vila com o mesmo nome, rebaptizada como Vila Boa de Goiaz numa homenagem sarcástica aos habitantes nativos da região, extintos pelos invasores ainda antes do ouro que só durou até ao fim do século XVIII. 

Todas as cidades têm uma história. Goiás parece ser a sua. Até o epíteto “velho” ajuda a ilustrar o fenómeno, apesar de parte da população o achar  mais depreciativo que necessário (para a distinguir do estado homónimo de que faz parte). Pouco ou nada mudou desde que se tornou na capital da recém-criada Capitania de Goiás e atingiu o apogeu. Para a preservação da sua arquitectura peculiar foi decisiva a transferência da capital do estado para Goiânia, em 1937, uma despromoção que a deixou perdida no tempo.

Como descreve a UNESCO, que concedeu a Goiás o título de património mundial, em Dezembro de 2001, “ … o seu desenho urbano é um exemplo notável do desenvolvimento orgânico de uma cidade mineira, adaptada às condições da área (…) de uma cidade europeia admiravelmente adaptada às condicionantes climáticas, geográficas e culturais do centro da América do Sul”.

De qualquer um dos seus pontos panorâmicos, com destaque para o campanário da igreja do Rosário ou do morro da igreja de Areias se observam estes atributos. O casario que sobressai do verde da vegetação tropical é uniforme. Erguidas em adobe, taipa e pau-a-pique, as casas são quase todas térreas e as que fogem à regra têm, no máximo, dois pisos. São ainda pintadas de branco com excepção para as portas, janelas e molduras cujas cores dependem da disposição dos donos. Já as ruas, estreitas e invariavelmente cobertas por uma calçada irregular feita de enormes pedras cinzentas, causam entorses frequentes e, aos poucos, arruínam os carros dos condutores mais destemidos. Alguns edifícios públicos destoam em dimensão com destaque para o Palácio Conde dos Arcos, o hospital e o Quartel do Vinte, de onde partiram soldados do Vigésimo Batalhão de Infantaria para a Guerra  do Paraguai.

A espaços, surgem ainda casarões imponentes com brasões senhoriais e as sete igrejas barrocas que abençoam a cidade, com destaque para a da Boa Morte que é também um museu repleto de arte sacra do escultor barroco goiano José Joaquim da Veiga Valle. Mas não é só na arquitectura e património histórico que está o passado de Goiás.

Contornamos uma peladinha aguerrida a ter lugar no relvado da Praça Brasil Caiado quando, junto ao seu enorme Chafariz de Cauda, nos deparamos com um adolescente que brinca com um cachorro. Entre festas ao “Chacal”, conversa puxa conversa, Sebastião acaba por nos informar: “Eu sou  tetraneto do Bartolomeu Bueno (filho), o fundador da Vila Boa. Vivi toda a vida aqui e a minha família também. Nunca saímos de cá.” 

Mais abaixo, é Zé Pires – com, no mínimo, o triplo da idade de Sebastião – que nos aborda: “Tão fazendo matéria é? Essa cidade ‘tá cheia de estórias mesmo! (…) Tem muita gente que ainda tenta a sua sorte com o ouro, por esse cerrado fora. Às vezes aparece até aí no Rio Vermelho, só que é quase sempre só um niquinho sem valor! Não dá p’ra levar p’rá Fundição”. E ata o seu cavalo a uma árvore para melhor puxar pela memória.

A História Viva de Goiás

Quando não são os testemunhos materiais, a própria população remete para a era mineira de Goiás. Sebastião é descendente dos Paulistas; Zé Pires, provavelmente dos Emboadas, os imigrantes que vieram de Portugal atraídos pelo ouro de Minas Gerais e se deslocaram para o centro do Brasil. Ambos são brancos, mas a maior parte dos habitantes da cidade é negra ou mulata, com sangue dos escravos africanos recrutados para trabalhar na mineração. Vive e convive nas mesmas casas humildes construídas pelos seus antepassados para acolher a ilusão da riqueza, uma ilusão que, em tantos casos, o fim precipitado do ouro e os preços altíssimos dos produtos trazidos de longe, transformou em pesadelo.

Para muitos vilaboenses, a situação ainda não melhorou o suficiente, como no Brasil, em geral. A imigração do estado de Goiás para Portugal – onde tantos têm ascendentes familiares que desconhecem – e outros destinos europeus e do mundo acentua-se. Goiás contribui com os seus números. A história reverte-se.

Outros lá se vão safando com as artes em que se destacam. Em frente à Rádio FM Vilaboa, ensaia, compenetrado, o Trio Raio de Sol, constituído por Elsimar no violão, António Robertinho na viola e Magela no acordeão. Lá dentro, no pequeno estúdio, actua o trio Nascente, de José Rito, Renan e Juan Mineiro. A vida faz-se destas oportunidades. Mesmo que a rádio não pague a actuação, quem sabe se a promoção não os leva a algum festival de sertanejo.

Vários talentos de Goiás foram valorizados tarde e a más horas.

Aninha da Ponte da Lapa, como era conhecida pelos vizinhos Ana Lins Peixoto Bretas foi um deles. Nascida em 1889, recebeu apenas a instrução primária. Esteve ausente de Goiás parte substancial da sua vida. Com o falecimento do marido e o regresso de Jabuticabal – interior de São Paulo – rapidamente passou a ser admirada na cidade pela excelência dos doces que confeccionava e vendia. Mas, foi só quando se aproximava dos noventa anos que o Brasil a descobriu como Cora Coralina, a escritora da tradição e da vida do interior que encantou Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado:“(…) Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro [Poemas dos Becos de Goiás e outras histórias mais] é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais (…)"  

Cora Coralina faleceu em 1985. Logo após, amigos e parentes reuniram-se para transformar a sua habitação à beira do rio Vermelho na Casa de Coralina, um pequeno museu biblioteca que dá a conhecer o modo de vida simples da escritora e a obra que deixou. Lá estão, a sua velha máquina de escrever, os livros, os prémios e os manuscritos gastos, a roupa humilde e os utensílios de cozinha que usava na doçaria.

Em pouco tempo, a Casa de Coralina tornou-se numa referência cultural para as escolas do estado, mas não só.  Para a visitar, cruzam a Ponte da Lapa incontáveis excursões de estudantes irrequietos e visitantes individuais que, às vezes, vêm de tão longe como São Paulo, o Rio de Janeiro ou o estrangeiro. 

Sem Pressas nem Complexos

A Casa de Cora Coralina é uma excepção. Goiás está longe de ser turística. É verdade que durante a Semana Santa e, principalmente a Procissão do Fogaréu – única no Brasil – a cidade fica à pinha para assistir à reencenação da perseguição dos farricocos a Cristo. O mesmo acontece com a chegada do FICA–Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, uma das maiores mostras temáticas do mundo. Mas, além destas ocasiões, só a passagem de ano atrai um número significativo de visitantes, provenientes das cidades vizinhas, Brasília, Goiânia, Anápolis etc.

Ao contrário das “irmãs” de Minas Gerais, Tiradentes, Diamantina e Ouro Preto que são intensamente promovidas e recebem, todos os anos, milhares de visitantes brasileiros e estrangeiros interessados apenas na sua arquitectura, Goiás continua a pagar o preço da interioridade e permanece na sombra do título de Património Mundial. Enquanto não se faz justiça, trata da herança que recebeu e desfruta da sua vida genuína e sedativa.

As lojinhas e outros pequenos negócios funcionam nas casas seculares da cidade, identificados por nomes e logótipos pintados, nas paredes, em cores garridas. Abrem bem cedo para sustentar a pequena economia local: as lanchonetes que vendem os empadões típicos da cidade – nem mais nem menos que empadas gigantes com recheio rico – salgadinhos, cocos gelados e cremes de uma miríade de frutos, as lojas de tecidos, roupa e de artefactos religiosos, farmácias à moda antiga. Um ou outro estabelecimento mais moderno que fornece os indispensáveis celulares, ou aluga o filminho da moda. 

A cidade também é dinamizada por empresários de ocasião como o vendedor de picolé ou do bilhete da sorte que, circulam, sem rumo, sobre o empedrado irregular das ruas. Com o fim da tarde, os negócios fecham e os locais recolhem às casas ou reúnem-se à entrada da igreja, a aguardar o início da missa e, à conversa, nas esquinas. Assim que o sol se põe, os velhos lampiões de luz dourada começam a acender numa sequência desconexa. Goiás passa lentamente para o seu modo nocturno e instala-se uma paz só quebrada pelos foguetes ou cânticos, caso seja tempo de comemoração.

No dia seguinte, os vilaboenses despertam com o alvorecer para o ritmo tranquilo de trabalho que o clima do Planalto Central ajuda a marcar.

Situada sobre os 15º de latitude, faz calor todo o ano em Goiás. No Inverno – de Maio a Setembro – não chove, o ar é límpido e o céu permanece azulão, polvilhado de  pequenas nuvens brancas. “’Tá fazendo um frio de noite!” queixam-se os locais todos os dias de Julho e Agosto, apesar de a temperatura quase nunca baixar dos 15 graus.

O Verão, que dura os restantes meses, acolhe a época das chuvas, quando está frequentemente nublado e chove com frequência e intensidade, às vezes, surpreendentes.

Quase no virar de 2001, menos de um mês depois de Goiás Velho ter sido reconhecida pela UNESCO – o que custou ao governo estadual goiano 40 milhões de Reais – (15.260.000 €), caíram bátegas dois dias e meio sem parar e o caudal do Rio Vermelho subiu descontrolado. Quando a tormenta acalmou, três das quatro pontes que o cruzam mais quarenta casas das margens, incluindo a Coralina, estavam gravemente danificadas deixando moradores e visitantes que ali planeavam passar o reveillon desabrigados e isolados do centro de Goiás. Várias habitações desabaram e a cruz de Anhanguera – um dos principais símbolos da cidade -, assim como as caixas multibanco do Banco do Brasil, com dinheiro dentro, foram arrastadas Vermelho abaixo. Doze dias depois, o relatório dos estragos foi apresentado em Paris, na sede da UNESCO. Hoje, apesar da quase totalidade do património atingido estar recuperada, os residentes continuam a relembrar a calamidade: “(…) tinha mais de 150 anos que não batia uma enchente dessas (…), desabafam, de quando em quando, ao trazerem esses dias catastróficos à memória.

Passo da Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
Príncipe, São Tomé e Príncipe

O Nobre Retiro de Príncipe

A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, a ilha do Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.

Kolmanskop, Namíbia

Gerada pelos Diamantes do Namibe, Abandonada às suas Areias

Foi a descoberta de um campo diamantífero farto, em 1908, que originou a fundação e a opulência surreal de Kolmanskop. Menos de 50 anos depois, as pedras preciosas esgotaram-se. Os habitantes deixaram a povoação ao deserto.

Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
A pequena-grande Senglea
Arquitectura & Design

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Aventura
De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Cerimónias e Festividades
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Bar sobre o grande estuário
Cidades

Sydney, Austrália

De Desterro de Criminosos a Cidade Exemplar

A primeira das colónias australianas foi erguida por reclusos desterrados. Hoje, os aussies de Sydney gabam-se de antigos condenados da sua árvore genealógica e orgulham-se da prosperidade cosmopolita da megalópole que habitam. 

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Sapphire
Cultura

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Bandeiras de oração em Ghyaru, Nepal
Em Viagem
Circuito Annapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca dos Annapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
História
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Realidade e fantasia
Ilhas

Guadalupe

Um Delicioso Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.

Passageiros sobre a superfície gelada do Golfo de Bótnia, na base do quebra-gelo "Sampo", Finlândia
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o quebra-gelo Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Horseshoe Bend
Natureza

Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caribe rosado
Parques Naturais

PN Henri Pittier, Venezuela

Entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou

Barco no rio Amarelo, Gansu, China
Património Mundial UNESCO
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Vista aérea de Moorea
Praias
Moorea, Polinésia Francesa

A Irmã Polinésia que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

A meros 17km de Taiti, Moorea não conta com uma única cidade e abriga um décimo dos habitantes. Há muito que os taitianos veem o sol pôr-se e transformar a ilha ao lado numa silhueta enevoada para, horas depois, lhe devolver as cores e formas exuberantes. Para quem visita estas paragens longínquas do Pacífico, conhecer também Moorea é um privilégio a dobrar.
Casario de Gangtok, Sikkim, Índia
Religião
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Cable car com Transamerica Pyramid, São Francisco, Califórnia, Estados Unidos da América
Sobre carris
São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.
Coreografia pré-matrimonial
Sociedade

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Refeição destemida
Vida Selvagem

Norte de Queensland, Austrália

Uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.