Circuito Annapurna: 8º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação


Pura Curiosidade
Cavalos intrigados pela passagem de uma comitiva humana sobre o seu pasto no leito seco do rio Marsyangdi.
Deco Budismo
Recanto do interior do templo budista da Gruta de Milarepa.
Escadaria Milarepa
Escadaria para a gompa da Gruta de Milarepa.
História em Forma de Letreiro
Um grande letreiro à beira do trilho resume a história de Milarepa e da sua gruta.
Chamas de fé
Fiéis acendem velas em frente ao altar de Jaksun Milarepa, imediações de Brakka.
O Caminho de Buda
Indicação em nepalês a caminho da Gruta de Milarepa.
Em Formação Caprina
Rebanho de cabras prestes a regressar a Manang depois de um dia a pastar nas margens do rio Marsyangdi.
árvore-leito-rio-Marsyangdi-Circuito-Annapurna-Nepal
Árvore sobre o leito do rio Marsyangdi ressequida pelo Inverno rigoroso dos Annapurnas.
Budismo em Linha
Pormenor de estatuetas de Buda no interior do templo da Gruta de Milarepa.
A Velha Ponte do Gado
Rebanho de cabras cruza o rio Marsyangdi por uma ponte nas imediações de Manang.
Vista-de-Braga-(Brakka)-Circuito-Annapurna-Nepal
Vista sobre Braga (Brakka) a partir do trilho que ascende à Gruta de Milarepa.
Os Aposentos
Perspectiva da gompa da Gruta de Milarepa que em tempo acolheu dezenas de monges budistas.
O grande Vale do Marsyangdi
Panorama a partir do trilho que conduz à gruta de Milarepa, para jusante do rio Marsyangdi.
Arte de Trilho
Indicação em caracteres nepaleses, sobre a neve na encosta da montanha Annapurna III.
Calçado fora
Crente descalçam-se à entrada do templo budista da Gruta de Milarepa.
Na Vertente dos Annapurnas
Vista da vertente da montanha Annapurna III, a 42ª montanha do mundo.
Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma gruta nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.

Ditava o percurso que retrocedêssemos os pouco mais de 3km que separavam Manang e Braga (Brakra). Esta última povoação tinha-nos surpreendido e agradado de tal maneira que a simples perspectiva de a voltarmos a cruzar antes de progredirmos no circuito só soava a recompensa.

Numa manhã solarenga, juntamo-nos a um grupo internacional de companheiros de circuito e pomo-nos a caminho.

Durante uma meia hora, avançamos pela estrada Manang Sadak que acompanhava o rio Marsyangdi. Pouco depois de Braga, atravessamo-lo por uma ponte suspensa de ferro e arame que nos entrega ao solo ressequido e repleto de cascalho do grande vale aluvial.

Como sempre acontece nestas paragens montanhosas do Nepal, depressa nos vemos de frente para uma vertente sem fim, outra de tantas faldas da cordilheira Annapurna que continuávamos a contornar.

Caminho para a gruta de Milarepa, Annapurna III, Circuito Annapurna, Nepal

Vista da vertente da montanha Annapurna III, a 42ª montanha do mundo.

Pela Encosta dos Annapurnas Acima

No caso, situada algures no sopé de dois dos picos nepaleses sumptuosos dos Himalaias, o Annapurna III (7.555m), a 42ª maior montanha à face da Terra, e a Gangapurna, apenas cem metros mais baixa.

Daquele quase meio do vale, ainda víamos os seus cumes nevados, destacados acima de uma floresta pinífera polvilhada de branco.

O vale durou o que durou. Num ápice, entregamo-nos a um trilho íngreme que serpenteava encosta acima, aqui e ali, coberto de neve ou enlameado pelo degelo de zonas expostas ao sol.

Letreiro pintado, a caminho da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Indicação em caracteres nepaleses, sobre a neve na encosta da montanha Annapurna III.

Ao ascendermos, perdemos o rasto da coroa alva das montanhas.

Em simultâneo, o templo budista-tibetano e o casario de Braga e, a maior distância, os de Manang, expunham-se e insinuavam-se à ladeira sua oposta, de onde, até então, não os tínhamos ainda apreciado.

Vista de Braga (Brakka), circuito Annapurna, Nepal

Vista sobre Braga (Brakka) a partir do trilho que ascende à Gruta de Milarepa.

Uma Ascensão Dolorosa

Subimos. Ascendemos ao ritmo a que as coxas em fogo nos permitiam, com os corações a bombear como loucos, os pulmões alagados do mesmo ar frio e pesado, cada vez menos oxigenado, que nos ruborizava as faces.

Era a arfar que progredíamos. E a arfar demos entrada numa clareira que acolhia uma estupa e um circuito de bandeiras budistas multicolores e ondulantes que glorificaram um já ansiado descanso.

Umas dezenas de ziguezagues escorregadios depois, abandonamos a ditadura verde-castanha dos pinheiros para uma crista sobranceira que nos desvendou um novo panorama.

Panorama a partir do caminho para gruta Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Panorama a partir do trilho que conduz à gruta de Milarepa, para jusante do rio Marsyangdi.

Em frente, Chulu (6419m), a montanha que tinha Braga na sua base.  Para sudoeste, o vale do Marsyandgi em toda a sua amplitude, encerrado pelo séquito de montanhas majestosas que, desde a já longínqua Chame, deixávamos para trás.

E acima, uma sequência por comparação despida do trilho, rendido a uma vegetação arbustiva queimada pelo Inverno e pelo vento.

Ascendemos um pouco mais nessa ladeira. Vislumbramos um novo estendal de bandeiras budistas, a determinada altura, alinhadas com uma escadaria rude, feita de lajes de pedra talhadas e encaixadas apenas o suficiente para gerar degraus desafiantes.

Antes de a atingirmos, um letreiro quadrado, com um fundo ocre e um texto exaustivo a amarelo resgata-nos a atenção. “Milerepa Cave, an Interesting Relious Believe!” versava o título.

À margem da impreterível aclimatização, era pelo budismo, pelo significado daquele lugar e seu misticismo, não tanto pela gruta em si, que ali estávamos. De acordo, detivemo-nos a  estudar a inesperada sinopse.

Letreiro explicativo da gruta de Milarepa-Circuito Annapurna, Nepal

Um grande letreiro à beira do trilho resume a história de Milarepa e da sua gruta.

Viagem pela Vida de Mila Thö-pa-Ga, mais conhecido como Jetsün Milarepa

Resumia a vida de Milarepa – Jetsün Milarepa, nascido como Mila Thö-pa-Ga -, um tibetano que, malgrado um começo pouco promissório, viveu e se notabilizou no Budismo durante os séculos XI e XII.

Boa parte do pouco que se sabe da sua vida provem de obras pioneiras  escritas por Tsangnyon Heruka (nome de autor traduzível como o Louco Heruka de Tsang), já no século XV. Entre a realidade e lenda, Tsangnyon Heruka compilou o que há muito se contava de geração para geração sobre Milarepa, em dois títulos agora clássicos da literatura tibetana: “Life of Milarepa” e “The Collections of Songs of Milarepa”.

Se não contarmos com os escritos e os testemunhos orais, subsistem apenas algumas relíquias que se atribuem a Milarepa, com destaque para um casaco de pele de urso que chegou a usar nos dias mais frígidos.

Milarepa: De Jovem Perturbado a Feiticeiro Descontrolado

Ora, de acordo com a biografia, Milarepa nasceu no seio de uma família abastada. Quando o seu pai faleceu, os tios privaram-no a ele e à sua mãe da riqueza a que tinham direito. Mas, Milarepa perdeu também vários outros membros da família e amigos, vítimas de facções rivais da sua povoação.

A determinada altura, a pedido da mãe, Milarepa deixou o lar com o fito de aprender feitiçaria e de adquirir poderes sobrenaturais que lhe permitissem vingar-se. Tornou-se feiticeiro. Um mago tão assombroso que deixou de conseguir gerir as suas acções e acabou por assassinar várias pessoas.

Estatuetas de Buda, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Pormenor de estatuetas de Buda no interior do templo da Gruta de Milarepa.

Anos mais tarde, arrependeu-se. Desesperado por ressurreição, tornou-se aprendiz de Marpa o Tradutor, um sábio budista. Milarepa entregou-se de corpo e alma ao Budismo e suportou sucessivas provas iniciáticas de humildade e obediência impostas pelo mestre por forma a reverter o karma negativo que carregava.

Milarepa superou-as com abnegação e afinco. O mestre aceitou continuar a instruí-lo e passou-lhe ensinamentos tântricos preciosos, casos das transmissões de aura tummo e a mahamudra, um grande selo espiritual que ratifica que todos os fenómenos são marcados pelo binómio inseparável do conhecimento e do vazio.

Árvore seca, rio Marsyangdi, Circuito Annapurna, Nepal

Árvore fenomenal sobre o leito do rio Marsyangdi ressequida pelo Inverno rigoroso dos Annapurnas.

Milarepa, o Aprendiz que Conquistou a Perfeição de Siddha

Milarepa não tardou a atingir uma aptidão física e iluminação espiritual que lhe granjeou o raro estatuto de siddha.

O jovem aprendiz evoluiu para se tornar um dos mais conceituados yogis e poetas do Tibete. E Marpa determinou que deveria viajar e praticar uma meditação eremita, em comunhão fiel com a natureza, em grutas e retiros de montanha.

Foi durante essa sua deambulação que a sua vida entrou pela gruta de Milarepa. Prosseguimos no seu encalço, castigados pela inclemência da gravidade.

Escadaria para gompa Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Escadaria para a gompa da Gruta de Milarepa.

Conquistamos a escadaria de lajes. No topo, entre bandeiras agitadas pela ventania que quase nos fazia descolar, desvendamos uma estrutura algures entre um portal e um nicho desafogado que alojava uma grande estátua de Buda.

Certas fontes asseguram que este portal conduz à gruta esquiva que acolheu o asceta. Nesse caso, e à data, o acesso ao interior revelou-se vedado.

Em Busca da Gruta Esquiva de Milarepa, a Nepalesa

Seja como for, narrativas de distintos viajantes testemunhavam que aquela entrada era apenas simbólica, que o verdadeiro abrigo na rocha, por que fluía a nascente perene que deu de beber a Milarepa estaria quinze minutos para cima na montanha. E que o grande sismo de Abril de 2015 que arrasou Katmandu e afectou boa parte do Nepal, a teria feito desabar.

Mesmo em toda a sua integridade, a gruta de Milarepa que buscávamos era apenas uma de cerca de vinte em que o sábio se refugiou durante a sua vida. Longe de ser a mais famosa.

Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Fiéis acendem velas em frente ao altar de Jaksun Milarepa, imediações de Brakka.

Essa, conhecida por Namkading Cave, distava centenas de quilómetros para leste, situada numa encosta abaixo da Estrada da Amizade Sino-Nepalesa, em pleno território tibetano que, a partir de 1950, Pequim transformou em chinês.

A gruta agora nepalesa que ali nos havia levado de Manang, pouco mais assegurou ao eremita que uma penosa sobrevivência.

Um Ser Vivo mas Por pouco

Reza a história que, findos os alimentos com que viajara, Milarepa subsistiu de plantas comestíveis que encontrava nas imediações.

A falta de comida, de trajes e de companhia contribuíram para que se mantivesse focado no propósito espiritual superior do seu retiro, ao ponto de ter sucedido em, em vez de expulsar demónios invasores do abrigo, lhes ter imposto os princípios comportamentais budistas do dharma.

O custo físico dessa espiritualidade provou-se atroz. Os poucos peregrinos que, a espaços, visitavam o lugar relataram encontros com um quase esqueleto com uma longa cabeleira e a pele tingida de um esverdeado extraterrestre, devido às grandes doses de clorofila que consumia.

Com o passar dos séculos e o avolumar da reputação religiosa do asceta, o seu retiro Annapurna mereceu mais e mais peregrinações de fieis budistas. Ao que se aliou a recente notoriedade do Circuito Annapurna entre os montanhistas e amantes das caminhadas, que lá leva, todos os anos, centenas de novos crentes e curiosos.

Gruta de Milarepa: a Peregrinação que Também Serve de Aclimatização

Com frequência, os nativos e os forasteiros partilham o templo que lhe é dedicado na gompa cimeira.

Gompa, Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Perspectiva da gompa da Gruta de Milarepa que em tempo acolheu dezenas de monges budistas.

Deambulamos por edifícios elementares que chegaram a servir de aposentos a dezenas de monges ali instalados. Hoje, contam-se, no máximo, dois, ou três, de acordo com a conjuntura ou a ocasião.

Destacado acima, junto ao sopé do grande morro de rocha, encontramos o templo diminuto que abençoava a gompa e os seus visitantes. Deixamos o calçado à porta, na companhia de uma grande roda budista de oração. Uma vez purificados, entramos.

Fiéis tiram calçado, gompa de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Crente descalçam-se à entrada do templo budista da Gruta de Milarepa.

Tentamos integrar-nos no misticismo de luz de velas e  do janelo ainda assim colorido do santuário. Instantes depois, surpreende-nos uma família nepalesa recém-chegada.

Conscientes do quão apertado era o espaço, damos-lhes prioridade e aos seus ritos de fé: a oferenda de incenso, o acender de velas aos pés do altar e o sussurrar dos mantras.

Provas de Uma Existência Sobrenatural

Quanto mais nos inteirávamos do martírio a que se submeteu Jetsün Milarepa, mais nos convencíamos da seriedade da sua sacralização, granjeada após as autoridades budistas nele terem constatado a libertação total do mundo material e a Perfeição Budista exigida a um Siddha.

Biografias posteriores chegaram a descrever Milarepa como um Buda Tibetano, mesmo que nunca tenha convivido ou recebido ensinamentos de um mestre indiano ou sequer visitado a Índia.

Indicação em nepalês, Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal

Indicação em nepalês a caminho da Gruta de Milarepa.

Fossem fruto da feitiçaria que aprendera na juventude ou de capacidades mais tarde adquiridas, Milarepa comprovou perante uma audiência de estudante budistas, a sua mestria iógica. Um dos feitos que exibiu foi mover uma mão pelo ar com tal velocidade e força que gerou uma explosão sónica que ecoou pela caverna.

O outro, passou por empurrar a parede da sua caverna com uma mão de forma a fazê-la moldar a rocha como se fosse feita de argila e, deixando nela, o seu molde. Alguns dos estudantes tentaram emular as proezas de Milarepa. Só conseguiram lesões nas mãos e frustração a condizer.

O Também Santo Regresso a Manang

O cansaço, o frio e o vento começavam a machucar-nos os corpos profanos. Com o sol prestes a cair para trás das montanhas, estava mais que na hora de inaugurarmos o regresso.

Ainda espreitamos a moreia glaciar que, logo ao lado, fluía Annapurnas abaixo. Logo, regressamos aos ziguezagues do pinhal e ao leito do Marsyangdi.

Cavalos num pasto, rio Marsyangdi, Circuito Annapurna, Nepal

Cavalos intrigados pela passagem de uma comitiva humana sobre o seu pasto no leito seco do rio Marsyangdi.

Em vez de o cruzarmos de imediato para a Manang Sadak, decidimos retornar pela vastidão que o encolher do rio deixara transitável. Passamos por cavalos que pastavam uma palha quase rasa.

Já à sombra, nas imediações da ponte contígua a Manang, deixamo-nos ultrapassar por um longo rebanho preto-e-branco de cabras felpudas.

Rebanho de Cabras, Manang, Circuito Annapurna, Nepal

Rebanho de cabras prestes a regressar a Manang depois de um dia a pastar nas margens do rio Marsyangdi.

Quando reentramos em Manang, somos prendados com os últimos raios solares do dia a iluminarem o sector norte e pela visão de uma fila de mulheres a girarem as rodas de oração da povoação, amornadas pela benesse do grande astro e pelo conforto comunal da sua fé.

Circuito Annapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Circuito Annapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca dos Annapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-BragaNepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Circuito Annapurna: 7º - Braga - Ice Lake, Nepal

Circuito Annapurna - A Aclimatização Dolorosa do Ice Lake

Na subida para o povoado de Ghyaru, tivemos uma primeira e inesperada mostra do quão extasiante se pode provar o Circuito Annapurna. Nove quilómetros depois, em Braga, pela necessidade de aclimatizarmos ascendemos dos 3.470m de Braga aos 4.600m do lago de Kicho Tal. Só sentimos algum esperado cansaço e o avolumar do deslumbre pela Cordilheira Annapurna.
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Visitantes em caminhada, Fortaleza de Massada, Israel
Parques nacionais
Massada, Israel

Massada: a Derradeira Fortaleza Judaica

Em 73 d.C, após meses de cerco, uma legião romana constatou que os resistentes no topo de Massada se tinham suicidado. De novo judaica, esta fortaleza é agora o símbolo supremo da determinação sionista
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
O pequeno farol de Kallur, destacado no relevo caprichoso do norte da ilha de Kalsoy.
Aventura
Kalsoy, Ilhas Faroé

Um Farol no Fim do Mundo Faroês

Kalsoy é uma das ilhas mais isoladas do arquipélago das faroés. Também tratada por “a flauta” devido à forma longilínea e aos muitos túneis que a servem, habitam-na meros 75 habitantes. Muitos menos que os forasteiros que a visitam todos os anos atraídos pelo deslumbre boreal do seu farol de Kallur.
Cansaço em tons de verde
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Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

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