Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo


As forças ocupantes

Soldados chineses patrulham a praça Barkhor, entre crentes budistas de visita ao mosteiro de Jokhang.

Ex-trono, agora museu

O Palácio de Potala, trono dos Dalai Lamas até ao exílio do 14º, destacado sobre Lhasa, a capital tibetana.

Fé em tempos difíceis

Devoto segura uma mala (rosário tibetano-budista) na praça Barkhor.

A vida continua

Rua movimentada de Lhasa com montanhas do Planalto Tibetano por detrás.

Estandarte da ocupação

Bandeira chinesa esvoaça no cimo do Palácio de Potala.

Rituais da Kora

Monges budistas completam a sua kora (peregrinação em redor do mosteiro de Jokhang) e  prostram-se de forma reverente em frente ao centro espiritual de Lhasa e do Tibete.

As forças ocupantes II

Soldados e polícias chineses observam uma rua em redor do mosteiro de Jokhang do cimo de um telhado.

Aconchego na crença

Fiel budista protegida do frio cortante e contra uma série de bandeiras tibetano-budistas de oração.

Uma oferenda conformada

Oferenda de dinheiro num templo tibetano, feita com notas de Yuan, a moeda oficial chinesa também imposta ao Tibete.

Rodas da fé

Fiel faz girar rodas de oração num dos vários templos tibetano-budistas de Lhasa. 

Irmãs rosadas

Mulheres tibetanas seguram termos no mosteiro de Sera, durante uma manhã gélida de Lhasa.

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

O dia mal tinha começado. Fazia um frio de rachar. A grande praça de Barkhor estava repleta de peregrinos deliciados pela visita à capital, em particular, ao mosteiro budista de Jokhang, para quase todos os tibetanos, o mais importante da nação. A praça tem uma dimensão considerável mas a fé inabalável dos nativos fazia com que se aglomerassem sobretudo junto a esse templo que marcava o seu limite oriental. “Muitos deles cumprem o sonho de cá vir pela primeira vez.” disse-nos Lobsang, o guia local ao serviço da agência chinesa a que tivemos que recorrer para podermos entrar no território autónomo e semi-interdito. “Alguns viajam dos confins do país. Para isso, gastam uma boa parte das economias. O Jokhang é o centro espiritual de Lhasa e do Tibete e os tibetanos renovam aqui o sentido das suas vidas.”

Contratado pela empresa do ocupante por falar inglês e outras línguas, o anfitrião não disfarçava a motivação quase nula com que desempenhava as suas funções. Sempre que podia, ausentava-se com a desculpa de outra qualquer obrigatoriedade laboral e deixava-nos entregue aos conterrâneos. Esses abandonos revelaram-se libertadores. De tal maneira que, para seu gáudio, nós próprios os começámos a promover.

Lobsang também nos informou que éramos dois de uma irrisória vintena de estrangeiros por essa altura no Tibete. Revelou-se-nos praticamente exclusiva a curiosidade gentil e afável que nos dedicavam, enquanto caminhávamos entre a multidão, aqueles romeiros fatigados mas radiantes.

Não corremos o risco de exagerar se confessarmos que nenhum outro povo asiático nos surpreendeu e recompensou como este. Isolados no cimo do Mundo, entre os 3.500 e os 5.000 metros do Planalto do Tibete, e abrigados atrás dos recordistas Himalaias e outras cordilheiras quase tão elevadas, durante séculos, os tibetanos mantiveram-se defendidos da colonização ocidental e das epidemias culturais que contagiariam outras paragens do continente.

A sua beleza tão excêntrica e diversa foi a primeira coisa a arrebatar-nos. Sem qualquer recurso a cadeias de lojas de roupa ou afins, os tibetanos produzem e combinam casacos, túnicas (chubas) e pulôveres dos mais distintos materiais, cores e cortes. Complementam as indumentárias com penteados exuberantes dos seus cabelos fortes e negros. Por vezes, usam chapéus ou outros artefactos que lhes ocultam faces frequentemente enigmáticas ou carismáticas.

São raros os indígenas que falam algo mais que alguns dialectos locais ou se atrevem a tentá-lo. Para compensar, apesar de viverem num lugar extremo e castigador do planeta, os tibetanos abrem os corações e as portas da sua nação a quem sentem que chegou e os contempla por bem, com grandes sorrisos incondicionais, tentativas calorosas de abordagem na própria língua e uma resposta orgulhosa a quase todos os pedidos dos forasteiros. Pelo menos, assim aconteceu enquanto fomos praticamente só nós a com eles estabelecer contacto. Não nos atrevemos a garantir que o mesmo se passe quando, noutras alturas, o número de visitantes ávidos por recordações aumenta.

Pensávamos que os indianos gostavam de ser fotografados por ocidentais. No Tibete, descobrimos a primeira divisão desta paixão. Fosse a quem fosse que pedíssemos, a resposta revelava-se quase sempre positiva e, com frequência, entusiasmada. Perante as nossa câmaras que sempre reconhecemos intimidantes, os modelos do planalto posavam altivos e graciosos, fitando-nos com os seus olhos quase fechados mas, ainda assim, expressivos e as grandes rosas adensadas pela hipoxia e respectivo aumento de glóbulos vermelhos, pela radiação ultravioleta e a forte amplitude térmica diurna.

Alguns dos nativos presentes na praça Barkhor partilhavam o desejo de  que os fotografássemos com amigos ou familiares. Vários, nunca tinham visto ou mexido numa máquina fotográfica. Foi com um misto de surpresa e fascínio que constatámos que depois de os fotografarmos, se esforçavam para remover dos ecrãs, com os seus dedos, as imagens que ansiavam examinar.

Enquanto este estranho convívio tinha lugar, junto da fachada frontal do mosteiro de Jokhang, prosseguia a azáfama religiosa. Alguns monges e muitos mais crentes não ordenados repetiam prostrações budistas de cariz quase ginasta. Inauguravam-nas de pé, com as mãos juntas em frente à face. Logo ajoelhavam-se no solo de pedra e, por último, esticavam o corpo, por completo, sobre pequenos colchões, com ajuda de placas de plástico que lhes permitiam fazer deslizar as mãos até os braços estarem estendidos por completo.

O mosteiro de Jokhang tem 25.000 m2 de extensão. Vemos milhares de fiéis inspirados pela crença budista tibetana ali cumprirem parte da kora, ritual que os faz andar em redor do edifício massivo com limites bem identificados por quatro fornos colocados em outros tantos cantos do complexo. Alguns crentes executam-no a caminhar. Outros, levam a cabo desafios mais sérios e  prostram-se metro atrás de metro. O passo de fé que se segue é a visita ao salão principal do templo que abriga a estátua de Buda Jowo Shakyamuni, o objecto mais venerado do budismo tibetano.

Foi durante a nossa própria kora – amadora ou turística – que detectámos sérias perturbações à convivência social e religiosa tibetana, por si só, harmoniosa.

A meio da caminhada, percebemos, sobre um telhado de um edifício dois militares e dois polícias chineses, pelo menos os militares, protegidos com capacetes e armados com metralhadoras. Na praça Barkhor, de quando em quando, pequenos batalhões passavam entre a multidão de cima a baixo ou de lado a lado, em roteiros obviamente cumpridos para impor presença, respeito e medo. Pouco depois, em frente à fila formada pelos fiéis prestes a ingressarem no mosteiro de Jokhang, vários polícias chineses espancavam à bastonada, de forma gratuita, um grupo de tibetanos indefesos.

Tínhamos acabado de chegar e as nossas cabeças ainda ameaçavam implodir por termos aterrado directamente nos 3500 metros de Lhasa após levantarmos voo dos 500 metros de Chengdu, da província chinesa de Sichuan. Nem o doloroso mal de altitude nos impediu de observar e sentir compaixão e revolta pela destruição que a já longa ocupação de Pequim causava a uma da mais singulares e deslumbrantes culturas à face da Terra.

O controlo efectivo chinês do Tibete estendeu-se a partir de 1644, pela vigência da última dinastia imperial da China, a Qing. Em 1912, a Revolução Republicana Xinhai destronou esta dinastia e ofereceu ao Dalai Lama o título que lhe havia sido confiscado. Nos 36 anos seguintes, o 13º Dalai Lama e os sucessores governaram um Tibete independente apesar das pretensões e anexações territoriais de vizinhos como a Índia Britânica e o governo Kuomintang da China.

Em 1950, depois da Guerra Civil, a República Popular Chinesa comunista anexou o Tibete e procurou negociar o Acordo de 17 Pontos com o recém-empossado 14º Dalai Lama, assente numa futura soberania chinesa e garantia da autonomia tibetana. O Dalai Lama e o seu governo repudiaram o acordo e exilaram-se em Dharamsala, na Índia. Mais tarde, durante o Grande Salto em Frente de Mao, ao abrigo da Revolução Cultural, centenas de milhares de tibetanos foram mortos e muitos mosteiros destruídos. Desde então, as acções e campanhas de protesto, tanto tibetanas como estrangeiras sucederam-se. Nada demoveu Pequim de achinesar o território a seu bel-prazer.

Mudámo-nos para a praça ampla que antecede o grandioso palácio de Potala, antiga residência oficial do Dalai Lama e apreciamos a estátua dos dois iaques dourados que dela se destaca, de novo na companhia de Lobsang mas agora também na de Jacob e Ryan, um sueco e um americano que entretanto tinham chegado na companhia do cicerone. “Antes, havia aqui um prado lindíssimo, com um lago que gelava todos os Invernos. Era um delírio para os miúdos que vinham para cá brincar. Mas claro que os chineses tinham que rebentar com tudo e encher isto com uma sua Praça Tianamen local. Agora, é só pedra e cimento por todo o lado. Nada de Natureza, nem de alma.”

Vencemos enormes escadarias lado a lado com visitantes tibetanos e exploramos o Potala, sem qualquer dúvida um dos palácios asiáticos mais deslumbrantes, com os seus treze andares, mais de mil salas, dez mil santuários e duzentas mil estátuas. Exploramo-lo salão, após salão, incluindo aqueles mais utilizados pelos sucessivos Dalai Lamas até ao exílio auto-imposto do 14º. Absorvemos e inalamos a espiritualidade budista tibetana de um inevitável aroma de manteiga de iaque, há muito utilizada para assegurar a iluminação e o aquecimento do enorme edifício e em todo o Tibete.

À saída, Lobsang resume num desabafo bem mais dramático que até então, a sua frustração e a dos seus conterrâneos. “Os tibetanos estão habituados a vidas difíceis. Suportamos os caracteres chineses que nos obrigam a colocar muito maiores que os tibetanos nas nossas lojas. Suportamos as lojas deles cada vez mais abertas em lugar das nossas, os espancamentos e até as mortes dos nossos familiares. A única coisa que nunca suportaremos e teremos sempre esperança de mudar é aquela bandeira repugnante a esvoaçar no topo do nosso palácio sagrado!”.

 

ACOMPANHE-NOS NO "DESTINO IMPROVÁVEL", ÀS SEXTAS, NAS REVISTAS TABU E CAJU (ANGOLA) DO JORNAL SOL.

Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.
Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.

Malealea, Lesoto

O Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Badaling, China

Uma Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da maior estrutura criada pelo homem, recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.

Arquitectura & Design
Fortalezas

O Mundo à Defesa

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Aventura
De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Cerimónias e Festividades
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Silhuetas Islâmicas
Cidades

Istambul, Turquia

Onde o Oriente encontra o Ocidente, a Turquia Procura um Rumo

Metrópole emblemática e grandiosa, Istambul vive numa encruzilhada. Como a Turquia em geral, dividida entre a laicidade e o islamismo, a tradição e a modernidade, continua sem saber que caminho seguir

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Mar-de-Parra
Cultura

Mendoza, Argentina

A Eno-Província Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, Mendoza está no centro da maior região vinícola da América Latina.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Platipus = ornitorrincos
Em Viagem

Atherton Tablelands, Austrália

A Milhas do Natal (parte II)

A 25 Dezembro, exploramos o interior elevado, bucólico mas tropical do norte de Queensland. Ignoramos o paradeiro da maioria dos habitantes e estranhamos a absoluta ausência da quadra natalícia.

Punta Cahuita
Étnico

Cahuita, Costa Rica

Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral costariquenho tão afro quanto caribenho. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Manobras a cores
História

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Desembarque Tardio
Ilhas

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Santas alturas
Inverno Branco

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Repouso anfíbio
Natureza

Mar Morto, Israel

À Tona d’água, nas profundezas da Terra

É o lugar mais baixo à superfície do planeta e palco de várias narrativas bíblicas. Mas o Mar Morto também é especial pela concentração de sal que inviabiliza a vida mas sustém quem nele se banha. 

Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Mokoros
Parques Naturais

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Pesca Preciosa
Património Mundial Unesco

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Riso no elevador
Personagens

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Hotel à moda Tayrona
Praia

Santa Marta e PN Tayrona, Colômbia

O Paraíso de que Partiu Simón Bolívar

Às portas do PN Tayrona, Santa Marta é a cidade hispânica habitada em contínuo mais antiga da Colômbia.  Nela, Simón Bolívar, começou a tornar-se a única figura do continente quase tão reverenciada como Jesus Cristo e a Virgem Maria.  

1º Apuro Matrimonial
Religião

Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar uniões.

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Chegada à festa
Sociedade

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Refeição destemida
Vida Selvagem

Norte de Queensland, Austrália

Uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.