El Hierro, Canárias

A Orla Vulcânica das Canárias e do Velho Mundo


Árvore Garoé
A árvore milagrosa garoé, fonte de água histórica de El Hierro.
Mergulho de Lava
Amigos banham-se na praia vulcânica de Tacoron, no sul de El Hierro.
Zimbro ou Sabina
Um zimbro retorcido pela força dos ventos alísios que fustigam as ilhas Canárias.
Esplanada do Poente
Clientes na esplanada do restaurante-bar do Mirador de La Peña, criado por César Manrique.
Cores de Orchilla
Arbustos desérticos na vertente que antecede a cratera de Orchilla.
Ar Livre de El Golfo
Clientes desfrutam da vista incrível de El Golfo, numa varanda do Mirador de La Peña.
Burro Herreño
Burro confinado por um muro secular de El Hierro.
Cacto sobre Lava
Um cacto desponta da lava do Geoparque que ocupa boa parte do sul vulcânico de El Hierro.
Poente de Orchilla
Ocaso para lá do farol de Orchilla e da ponta com o mesmo nome.
Hoya de Fireba
Visitantes admiram a cratera de Hoya de Fireba.
Crepúsculo de Orchilla
Falésias de um dos extremos do Valle de El Golfo.
Lava de Corda
Lava Encordoada enriquece o Geoparque do Sul de El HIerro.
Ermida de La Peña
O amarelo resplandecente da ermida de La Pena, sobre o Valle del Golfo
Tacoron a Dois
Casal diverte-se sobre prancha na praia vulcânica de Tacoronon, sul de El Hierro.
Escultura do Tempo
Recorte Geológico do cimo do Valle del Golfo.
Mirador de La Peña
A arquitectura característica de César Manrique, no Mirador de la Peña, acima do Valle del Golfo.
O Sul Europeu Definitivo
La restinga, a povoação mais a sul de El Hierro e mais a sul da Europa.
Mirador de La Peña II
Pormenor arquitectónico do Mirador de La Peña.
El Valle del Golfo
Vista descomunal sobre o Valle del Golfo, com o Atlântico em fundo.
Hoya de Fireba
A cratera de Hoya de Fireba, uma de centenas da ilha de El Hierro.
Até Colombo ter chegado às Américas, El Hierro era vista como o limiar do mundo conhecido e, durante algum tempo, o Meridiano que o delimitava. Meio milénio depois, a derradeira ilha ocidental das Canárias fervilha de um vulcanismo exuberante.

Numa ilha como El Hierro, nem o Atlântico nem os vulcões e a lava se somem por muito tempo.

Viramos as costas à capital da Vila de Valverde. Afastamo-nos por uma estrada meio campestre meio silvestre, com piso da mistura de areia e cinza disseminada um pouco por toda a parte.

Andrea Armas, anfitriã em Hierro, faz o reparo: “querem apostar? Vamo-nos cruzar com a minha colega. É a hora de ela sair e ela vai para casa por este caminho.” De facto, umas centenas de metros à frente, a previsão confirma-se. Andrea saúda a colega e retém-na num curto diálogo de ocasião.

De facto, não fosse a promoção recente de La Graciosa a oitava ilha Canária, El Hierro seria a mais diminuta do arquipélago. E, no entanto, nunca poderia ter albergado e satisfeito as duas civilizações que, se estima que a partir de 1405, nela se confrontaram.

Andrea conduz-nos ao Centro de Interpretação da Árvore Garoé.

No interior, elucida-nos quanto à importância daquela árvore frondosa, das encostas em redor e do momento em que os europeus chegaram ao litoral de El Hierro.

Árvore Garoé, El Hierro, Canárias, Espanha

A árvore milagrosa garoé, fonte de água histórica de El Hierro.

A Árvore Milagrosa Garoé e a Inevitável Ocupação dos Conquistadores Europeus

Desde pelo menos a primeira metade do século XIV que castelhanos, aragoneses, galegos, catalães, portugueses e outros procuravam desbravar o arquipélago e reclamar as riquezas que lá pudessem encontrar.

Em 1405, conquistadas Lanzarote e Fuerteventura aos indígenas Majos (Maxos), o normando Jean de Bethencourt virou-se para El Hierro.

Ao desembarcar, não encontrou resistência. É provável que os nativos bimbaches de El Hierro já receassem as incursões dos navegadores barbudos chegados em grandes barcos.

De acordo, quando os avistaram a aproximar-se da costa, ter-se-ão refugiado no único lugar da ilha em que poderiam sobreviver: o alto da árvore de Garoé e covas em redor da vertente, um conjunto a que o franciscano andaluz Juan de Abréu Galindo apelidou de Tigulahe mas que, hoje, em El Hierro ninguém parece conhecer por tal nome.

À época, aquela era a única fonte de água permanente e fiável, alimentada pela névoa húmida que os ventos Alísios ali conduzem, retida por covas alagadas, pela folhagem e por uma rede densa de raízes que se entrelaçam entre essas covas.

Durante algum tempo, a fonte de água do Garoé – que significa rio ou lago em dialecto bérber – permitiu aos Bimbaches – também eles de origem bérber – evitarem o contacto com os homens de Bethencourt e esperarem que a secura no resto da ilha os obrigasse a debandar.

Esse retiro foi possível durante algum tempo. Quando os colonos regressaram com reforços, os Bimbaches deixaram de se conseguir esconder. À parte de se entregarem ao seu destino enquanto escravos, ainda se viram forçados a partilhar a sua preciosa água com os invasores.

A lenda local mais famosa acrescenta à história um jorro de romance.

A Lenda de Paixão e Traição de Agarfa e Tincos

Andrea conta-nos que, segundo a lenda, os europeus deram com o esconderijo dos Bimbaches porque, algures no enredo, Agarfa, uma jovem nativa, se terá apaixonado por Tincos, um soldado andaluz.

A traidora Agarfa revelou, assim, o esconderijo dos seus. Provocou a captura de Armiche, o mencey (rei) dos Bimbaches e viabilizou a ocupação de El Hierro pela Coroa Espanhola. Se mais melodrama faltasse, acabou por morrer às mãos do conquistador amado.

Inauguramos uma curta viagem para o lado noroeste da ilha, ainda de costas para a Villa de Valverde que os colonos mais tarde fundaram, a menor capital das Canárias e a única arredada da beira-mar.

Iglésia de La Concepcion, El Hierro, Canárias, Espanha

A Iglesia de la Concepción abencoa há muito Valverde a capital de El Hierro.

El Hierro sempre foi uma das ilhas mais remotas e desprotegidas. Numa altura em que os ataques dos piratas berberes se sucediam – e atormentavam também as ilhas de Porto Santo e da Madeira – retirar a villa em elevação terá deixado os povoadores normandos e castelhanos algo mais descansados. Isto, enquanto os piratas e outros inimigos se mantiveram a principal preocupação dos colonos, claro está. Nem sempre assim foi.

Regressamos ao asfalto. Cruzamos o cenário rural do interior da ilha e os Barrancos de La Pasada e de Los Muertos, este, já em pleno Camiño de La Pena.

Voltamos a deter-nos junto à Ermida amarela da Virgen de La Peña, encarnação canária da Virgem Maria, patrona de Fuerteventura.

Dali parte o Camiño de Jinama, uma das vias usadas durante séculos pelos habitantes de El Hierro, um trilho mais que de cabras, sobretudo em dias ventosos e de intempérie, traiçoeiro e mortal.

O Deslumbre Inolvidável do Valle de El Golfo

Aproximamo-nos do muro que fechava a estrada em frente à ermida. Sem que o esperássemos, no vislumbre que se seguiu, El Hierro concedeu-nos um assombro que reteremos para sempre na memória

Para diante, para baixo, uma vertente massiva estendia-se, oblíqua, do cimo da ilha até se entregar ao Atlântico numa fajã  de lava recortada.

El Golfo, El Hierro, Canárias, Espanha

Vista descomunal sobre o Valle del Golfo, com o Atlântico em fundo.

Com o sol quase poente, a espreitar por detrás de um manto de nuvens, sobrevoados por francelhos de olho em tudo, na companhia de cabras indiferentes, o cenário deslumbrou-nos. E não fazíamos sequer ideia do evento arrebatador que o tinha originado.

O Vulcanismo mais Jovem e Mais Activo das Ilhas Canárias

Estima-se que El Hierro tenha emergido do Atlântico há cerca de 1.2 milhões de anos. É, assim, uma das ilhas mais jovens e mais vulcânicas das Canárias. O seu vulcanismo intenso está bem expresso nas suas 500 crateras abertas e em redor de outras 300 cobertas por fluxos de lava moldou e continua a moldar a ilha.

Quando se elevou do mar, crê-se que resultado de três grandes erupções, El Hierro foi coroada por um cone elevado acima dos 2000 metros, 500 metros acima do zénite actual.

O que sobra desse cone, hoje, o vulcão principal da ilha, denomina-se Tanganasoga, termo com óbvia génese bimbache.

Nos milhões de anos decorridos, várias derrocadas se sucederam. A última, de há 15 mil anos, deu origem a uma avalanche com um volume entre 150 a 180km3 e ao panorama do Valle de El Golfo que nos mantinha incrédulos.

Terraço do Mirador de La Peña, El Hierro, Canárias, Espanha

Clientes desfrutam da vista incrível de El Golfo, numa varanda do Mirador de La Peña.

Nos anos 80, com recurso a elementos arquitectónicos e culturais de El Hierro, e em jeito de homenagem à sumptuosidade geológica da vista, o artista multifacetado Cesar Manrique dotou uma secção da orla de Risco de Tibataje de um elegante Mirador de La Peña.

Além de mirante, esse monumento é ainda um café-restaurante-esplanada em que tivemos o privilégio de jantar.

No entretanto, o sol afundou-se no oceano. O acendimento das luzes eléctricas reforçou a linha de casario e o padrão de inverneras (estufas) de bananas que assentavam na lava sólida abaixo.

Jinama e o seu Camiño. Um Modo de Vida Vertiginoso

As povoações de El Golfo e o Camiño de Jinama que lá conduz das terras altas do norte da ilha surgiram em função das “mudadas”.

Esta expressão traduz uma transumância que se realizava duas vezes ao ano: uma no Inverno, de maneira a que os animais aproveitassem os pastos. Outra, em pleno Verão, de acordo com as vindimas.

El Hierro, Canárias, Espanha

Burro confinado por um muro secular de El Hierro.

O Camiño de Jinama era, assim, subido e descido vezes sem conta, a pé, de burro e em condução de outros animais essenciais à vida rural.

A sua preponderância durou até, pelo menos, 1950, quando a actual estrada HI-5 foi inaugurada, a ligar as várias povoações entretanto lá estabelecidas, Frontera, Sabinosa, Llanillos, Merese, Toscas, Tigaday, Belgaras.

Linha de casario em El Golfo, El Hierro, Canárias, Espanha

Casario de Frontera e diversas outras povoações dispostas ao longo da estrada que cruza o vale de El Golfo.

O lusco-fusco desvaneceu-se. Deixou El Golfo sinalizado pelo sarapintado das suas luzinhas. Pouco depois, recolhemos ao abrigo que tínhamos na ilha, também por elas iluminado.

Acolhemos a manhã seguinte como uma continuação do encanto insular em que El Hierro nos mantinha. Passamos pelo miradouro de La Llania. Dali, acima de uma floresta frondosa de laurisilva, apreciamos El Golfo de uma perspectiva mais centralizada da sua semi-caldeira.

O Domínio Vulcânico que os Herrenhos Continuam a Desafiar

Logo, espreitamos Hoya de Fireba, outra cratera. Por insólito que pareça, de então em diante, o grau vulcânico de El Hierro, só veio a aumentar.

El Hierro, Canárias, Espanha

Visitantes admiram a cratera de Hoya de Fireba.

Andrea conduz-nos abaixo da ponta sul da ilha, em busca das instalações do Geoparque da ilha, assim decretado pela UNESCO por méritos geológicos que quase não mereciam discussão.

A determinada altura, vemo-nos cercados por um mar de lava solidificada, numa tal profusão de crateras e chaminés que nos parecia impossível apontar quais as responsáveis pela enxurrada massiva que se estendia até aos fundos meridionais de El Hierro.

Lava encordoada, El Hierro, Canárias, Espanha

Lava Encordoada enriquece o Geoparque do Sul de El HIerro.

Refugiamo-nos do calor de forno no interior refrigerado do centro. Lá assistimos a excertos vídeo do último susto porque, mesmo feitos de Hierro, muitos habitantes da ilha passaram.

2011-2012 e a Actividade Vulcânica que Ameaçou Expulsar os Nativos

Em Outubro de 2011, ao jeito do que aconteceu em 1957-58 com o vulcão faialense dos Capelinhos, uma erupção submarina a cerca de 2km para sul de La Restinga, ganhou dimensão e ímpeto, às tantas, com jactos de água que chegavam a 10 a 15 metros de altura.

Os 600 habitantes da povoação foram evacuados.

Enquanto isso, as emissões de dióxido de carbono do vulcão Tanganasoga e os tremores de terra aumentaram. As autoridades recearam uma nova derrocada da vertente de El Golfo e até novas erupções de uma chaminé emergente nessa zona da ilha.

Também dali se viram evacuadas famílias. as autoridades prepararam-se para o pior. E para evacuarem todos os habitantes de El Hierro.

Após uma oscilação na actividade, por fim, em Março de 2012, mesmo contra a opinião de diversos vulcanologistas, as autoridades declararam a erupção extinta.

De então para cá, registaram-se alguns focos de actividade mas nada que gerasse o pânico de 2011. El Hierro retomou a sua vida.

La Restinga: um Limiar Meridional Acalorado da Europa

Das instalações do Geoparque, descemos até La Restinga, em tempos, uma povoação piscatória com o estatuto emblemático de extremo sul da Europa mas a que a transparência do mar e os ecossistemas submarinos atraíram hordas de mergulhadores ansiosos por explorarem o Atlântico vulcânico ao largo.

La Restinga, El Hierro, Canárias, Espanha

La restinga, a povoação mais a sul de El Hierro e mais a sul da Europa.

Faltava-nos o tempo.

Almoçados num dos restaurantes locais, passamos pela praia de Tacoron, uma enseada natural recortada na imensidão de lava do Sul de El Hierro. Aí, mergulhamos para umas braçadas de descontração, que nos refrescaram do braseiro que nos continuava a envolver.

El Hierro, Canárias, Espanha

Amigos banham-se na praia vulcânica de Tacoron, no sul de El Hierro.

Ziguezagueamos de volta à estrada HI-410 que dali partia rumo ao extremo oeste da ilha. Em El Julan, confirmamos que, abaixo e em redor, tínhamos apenas e só lava sólida.

Passamos pelo santuário de Nª Srª de Los Reyes. Dessa igreja inverosímil, avançamos até El Sabinar onde louvamos as sabinas notórias de El Hierro, zimbros que os Alísios poderosos ajudaram a retorcer numa profusão de incríveis ondas vegetais.

El Hierro, Canárias, Espanha

Um zimbro retorcido pela força dos ventos alísios que fustigam as ilhas Canárias.

Punta de Orchilla e o seu Farol no Velho Fim do Mundo

O sol voltava a insinuar-se ao horizonte. Com os minutos contados para chegarmos à Punta de Orchilla a tempo do seu sumiço, apressamo-nos tanto quanto a estrada vertiginosa nos permitia, conscientes da eminência do velho ponto Meridiano, vigente em El Hierro durante mais de 200 anos.

Transferido em 1884 para Greenwich, por este, em vez do de Orchilla, ter as coordenadas correctas.

Antecipamo-nos o suficiente do ocaso para caminharmos em redor e apreciarmos o remanso do farol homónimo, considerado o mais remoto de Espanha.

Logo, instalamo-nos junto a uma cruz destacada do limiar elevado da punta, em homenagem das almas que cruzaram o Atlântico. Na iminência de outra cruz menor que eterniza Carmelo Heredia Olmos, o primeiro faroleiro a acender o farol de Orchilla, em 1933.

Orchilla, El Hierro, Canárias, Espanha

Silhueta junto à sepultura de Carmelo Heredia Olmos, o primeiro faroleiro do farol de Orchilla.

O ocaso transforma a cruz e a torre de Orchilla em silhuetas. Quando o escuro se instala, a luz esverdeada do farol fica a sinalizar a orla civilizacional de El Hierro no Atlântico e no Mundo.

Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha

A (a) Ventura Atlântica de Fuerteventura

Os romanos conheciam as Canárias como as ilhas afortunadas. Fuerteventura, preserva vários dos atributos de então. As suas praias perfeitas para o windsurf e o kite-surf ou só para banhos justificam sucessivas “invasões” dos povos do norte ávidos de sol. No interior vulcânico e rugoso resiste o bastião das culturas indígenas e coloniais da ilha. Começamos a desvendá-la pelo seu longilíneo sul.
Lanzarote, Ilhas Canárias

A César Manrique o que é de César Manrique

Só por si, Lanzarote seria sempre uma Canária à parte mas é quase impossível explorá-la sem descobrir o génio irrequieto e activista de um dos seus filhos pródigos. César Manrique faleceu há quase trinta anos. A obra prolífica que legou resplandece sobre a lava da ilha vulcânica que o viu nascer.

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã "Francês" à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Ilha do Sal, Cabo Verde

O Sal da Ilha do Sal

Na iminência do século XIX, Sal mantinha-se carente de água potável e praticamente inabitada. Até que a extracção e exportação do sal lá abundante incentivou uma progressiva povoação. Hoje, o sal e as salinas dão outro sabor à ilha mais visitada de Cabo Verde.
Ilha da Boa Vista, Cabo Verde

Ilha da Boavista: Vagas do Atlântico, Dunas do Sara

Boa Vista não é apenas a ilha cabo-verdiana mais próxima do litoral africano e do seu grande deserto. Após umas horas de descoberta, convence-nos de que é um retalho do Sara à deriva no Atlântico do Norte.
Santa Maria, Sal, Cabo Verde

Santa Maria e a Bênção Atlântica do Sal

Santa Maria foi fundada ainda na primeira metade do século XIX, como entreposto de exportação de sal. Hoje, muito graças à providência de Santa Maria, o Sal ilha vale muito que a matéria-prima.
Santo Antão, Cabo Verde

Pela Estrada da Corda Toda

Santo Antão é a mais ocidental das ilhas de Cabo Verde. Lá se situa um limiar Atlântico e rugoso de África, um domínio insular majestoso que começamos por desvendar de uma ponta à outra da sua deslumbrante Estrada da Corda.
Ilha do Fogo, Cabo Verde

À Volta do Fogo

Ditaram o tempo e as leis da geomorfologia que a ilha-vulcão do Fogo se arredondasse como nenhuma outra em Cabo Verde. À descoberta deste arquipélago exuberante da Macaronésia, circundamo-la contra os ponteiros do relógio. Deslumbramo-nos no mesmo sentido.
São Nicolau, Cabo Verde

São Nicolau: Romaria à Terra di Sodade

Partidas forçadas como as que inspiraram a famosa morna “Sodade” deixaram bem vincada a dor de ter que deixar as ilhas de Cabo Verde. À descoberta de Saninclau, entre o encanto e o deslumbre, perseguimos a génese da canção e da melancolia.
Pico do Arieiro - Pico Ruivo, Madeira, Portugal

Pico Arieiro ao Pico Ruivo, Acima de um Mar de Nuvens

A jornada começa com uma aurora resplandecente aos 1818 m, bem acima do mar de nuvens que aconchega o Atlântico. Segue-se uma caminhada sinuosa e aos altos e baixos que termina sobre o ápice insular exuberante do Pico Ruivo, a 1861 metros.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
white pass yukon train, Skagway, Rota do ouro, Alasca, EUA
Parques nacionais
Skagway, Alasca

Uma Variante da Febre do Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Pela sombra
Arquitectura & Design
Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana

Na viragem para o século XXI, o bairro Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.
lagoas e fumarolas, vulcoes, PN tongariro, nova zelandia
Aventura
Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões do PN Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori reclama aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.
Fogo artifício de 4 de Julho-Seward, Alasca, Estados Unidos
Cerimónias e Festividades
Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos Estados Unidos é festejada, em Seward, Alasca, de forma modesta. Mesmo assim, o 4 de Julho e a sua celebração parecem não ter fim.
T4 à moda do Namibe
Cidades

Kolmanskop, Namíbia

Gerada pelos Diamantes do Namibe, Abandonada às suas Areias

Foi a descoberta de um campo diamantífero farto, em 1908, que originou a fundação e a opulência surreal de Kolmanskop. Menos de 50 anos depois, as pedras preciosas esgotaram-se. Os habitantes deixaram a povoação ao deserto.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Festival MassKara, cidade de Bacolod, Filipinas
Cultura
Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.
Espectador, Melbourne Cricket Ground-Rules footbal, Melbourne, Australia
Desporto
Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o Futebol Australiano só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.
Vista do John Ford Point, Monument Valley, Nacao Navajo, Estados Unidos
Em Viagem
Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos Estados Unidos. Hoje, na Nação Navajo, os navajo também vivem na pele dos velhos inimigos.
Indígena Coroado
Étnico
Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes da Venezuela em Fiesta

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
praca registao, rota da seda, samarcanda, uzbequistao
História
Samarcanda, Uzbequistão

Um Legado Monumental da Rota da Seda

Em Samarcanda, o algodão é agora o bem mais transaccionado e os Ladas e Chevrolets substituíram os camelos. Hoje, em vez de caravanas, Marco Polo iria encontrar os piores condutores do Uzbequistão.
São Jorge, Açores, Fajã dos Vimes
Ilhas
São Jorge, Açores

De Fajã em Fajã

Abundam, nos Açores, faixas de terra habitável no sopé de grandes falésias. Nenhuma outra ilha tem tantas fajãs como as mais de 70 da esguia e elevada São Jorge. Foi nelas que os jorgenses se instalaram. Nelas assentam as suas atarefadas vidas atlânticas.
Passageiros sobre a superfície gelada do Golfo de Bótnia, na base do quebra-gelo "Sampo", Finlândia
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o quebra-gelo Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Caminhantes abaixo do Zabriskie Point, Vale da Morte, Califórnia, Estados Unidos da América
Natureza
Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caminhantes no trilho do Ice Lake, Circuito Annapurna, Nepal
Parques Naturais
Circuito Annapurna: 7º - Braga - Ice Lake, Nepal

Circuito Annapurna – A Aclimatização Dolorosa do Ice Lake

Na subida para o povoado de Ghyaru, tivemos uma primeira e inesperada mostra do quão extasiante se pode provar o Circuito Annapurna. Nove quilómetros depois, em Braga, pela necessidade de aclimatizarmos ascendemos dos 3.470m de Braga aos 4.600m do lago de Kicho Tal. Só sentimos algum esperado cansaço e o avolumar do deslumbre pela Cordilheira Annapurna.
Hiroxima, cidade rendida à paz, Japão
Património Mundial UNESCO
Hiroxima, Japão

Hiroxima: uma Cidade Rendida à Paz

Em 6 de Agosto de 1945, Hiroxima sucumbiu à explosão da primeira bomba atómica usada em guerra. Volvidos 70 anos, a cidade luta pela memória da tragédia e para que as armas nucleares sejam erradicadas até 2020.
Fieis acendem velas, templo da Gruta de Milarepa, Circuito Annapurna, Nepal
Personagens
Circuito Annapurna: 9º Manang a Milarepa Cave, Nepal

Uma Caminhada entre a Aclimatização e a Peregrinação

Em pleno Circuito Annapurna, chegamos por fim a Manang (3519m). Ainda a precisarmos de aclimatizar para os trechos mais elevados que se seguiam, inauguramos uma jornada também espiritual a uma caverna nepalesa de Milarepa (4000m), o refúgio de um siddha (sábio) e santo budista.
Mangal entre Ibo e ilha Quirimba-Moçambique
Praias
Ilha do Ibo a Ilha QuirimbaMoçambique

Ibo a Quirimba ao Sabor da Maré

Há séculos que os nativos viajam mangal adentro e afora entre a ilha do Ibo e a de Quirimba, no tempo que lhes concede a ida-e-volta avassaladora do oceano Índico. À descoberta da região, intrigados pela excentricidade do percurso, seguimos-lhe os passos anfíbios.
Templo Kongobuji
Religião
Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir do Monte Koya, pode ser ainda mais fácil.
A Toy Train story
Sobre carris
Siliguri a Darjeeling, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Sociedade
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Casario, cidade alta, Fianarantsoa, Madagascar
Vida Quotidiana
Fianarantsoa, Madagáscar

A Cidade Malgaxe da Boa Educação

Fianarantsoa foi fundada em 1831 por Ranavalona Iª, uma rainha da etnia merina então predominante. Ranavalona Iª foi vista pelos contemporâneos europeus como isolacionista, tirana e cruel. Reputação da monarca à parte, quando lá damos entrada, a sua velha capital do sul subsiste como o centro académico, intelectual e religioso de Madagáscar.
Penhascos acima do Valley of Desolation, junto a Graaf Reinet, África do Sul
Vida Selvagem
Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Queenstown, a Rainha dos Desportos Radicais

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.