Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha


De novo na ribalta

O Teatro Amazonas resplandece no coração histórico de Manaus.

Memória de borracha

Caboclo Sôr Tomé reconstitui o processamento secular da seiva da árvore-da-borracha.

Selva de barcos

Embarcações tradicionais dos rios Negro e Solimões ancoradas numa doca de Manaus.

Teatral Lateral

Fachada lateral do Teatro Amazonas o edifício cultural supremo de Manaus e da Amazónia.

Meio da tarde

Transeuntes passeiam na Praça de São Sebastião, a que acolheu o Teatro Amazonas.

Bar do Armando

Convivas na esplanada de um bar de um emigrante português de Coímbra recém-falecido.

Romance Fluvial

Casal conversa sobre a plataforma flutuante que acolhe o Bar da Denise e o Sopão do Tio Jorge.

Au Bon Marché

Legado da era de riqueza e fausto em plena selva da Amazónia, o estabelecimento "Au Bon Marché"

Manaus Mercantil

Uma das fachadas do velho mercado Adolpho Lisboa, junto à marginal do rio Negro.

Assalto á peixaria

Peixeiros no sector de peixe do mercadão de Manaus, onde se vendem os afamados peixes amazónicos: pacu, pirarucu, tambaqui etc.

Uma alfândega bela e amarela

O edifício elegante e histórico da aduana de Manaus, a espreitar o caudal vasto do rio Negro.

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.

Do 12º andar de um tal de hotel Taj Mahal, o horizonte recuava várias dezenas de quilómetros e desvendava-nos o Teatro Amazonas no seu entorno secular: o vasto rio Negro a oeste, antecedido por uma curiosa mescla de casario histórico, de vegetação tropical exuberante e de torres habitacionais ou de escritórios projectadas bem acima. Lá longe, insinuava-se a ponte moderna sobre o Rio Negro e uma raia de habitação marginal, quanto mais distante, mais disforme e abarracada.

Não estávamos hospedados naquele hotel pelo que fizemos estender o favor da subida panorâmica até mais não. Provou-se o suficiente para assistirmos ao anoitecer a instalar-se, a praça a encher-se de gente e a animar-se, samba ou sertanejo a ressoarem, esplanadas à pinha inundadas de cervejinha e de conversas sem cerimónias nem fim.

Nos dias que correm, Manaus é este mundo represado, euro-tropical e muito mais. Expandiu-se da sua beira-rio e invadiu 11.500 km2 de floresta amazónica. Uma comitiva exígua de colonos intrépidos e receosos da vastidão em que os haviam metido e, em particular, dos nativos hostis, transformou-se numa população multiétnica e multicultural de 2.600.000 almas entregues à selva, a urbana de Manaus, não a natural em redor. Quem vem dar a estas paragens depressa se intriga sobre o que as tornou possíveis.

Após a restauração da Independência e da velha rivalidade colonial, os portugueses viram-se beneficiários da União Ibérica que aproveitaram para tomarem conta do interior do Brasil. Também se mantiveram alerta contra as pretensões dos rivais hispânicos de sempre e das dos holandeses, estes, com quartel-general no Suriname. Em 1668, construíram o forte de São José da Barra do Rio Negro, no coração da Amazónia e junto à confluência de duas das suas mais importantes artérias, o Negro e o Solimões. Ergueram-no em rocha e argila com o auxílio dos indígenas e de mestiços. Muitos, acabaram por ali se fixar. Chegados os fazendeiros portugueses e os seus escravos, a população aumentou de forma exponencial. De tal maneira, que vários grupos missionários alinharam no investimento evangélico da capela de Nª Senhora da Conceição, entretanto nomeada padroeira da povoação.

Num outro fim de tarde, os bancos de jardim da Praça de São Sebastião são ocupados por jovens amigas cafuzas, de pele quase negras, olhos amendoados e cabelos escorridos como os dos indígenas de tantas tribos nativas da selva circundante. Um casal chinês de meia idade ralha aos filhos em mandarim, estes ignoram-nos e bulham em português abrasileirado. Várias bancas da mini-feira que por ali se instalou são exploradas por pequenos comerciantes indianos ou com raízes no Médio Oriente. O Bar do Armando, com os seus cabeçudos do festival Bumba Meu Boi e uma grande bandeira portuguesa, lado a lado com a brasileira, entre outras, menores, de outros países pertence à Igreja mas é há muito explorado por uma família lusa. Enquanto serve cervejinhas ao balcão, o empregado Oriane explica-nos melhor como. “O sôr Armando faleceu faz tempo. Agora quem ficou com o bar foi a filha. Mas a família dele era patrícia a sério. Eu creio que vieram lá do lado de… como se chama mesmo… ah é isso, é Coimbra.”

Um festival cultural evolui em frente ao teatro. Ali, um grupo coral juvenil entoa êxitos musicais recentes da Disney: Rei Leão, Pocahontas e afins. Por essa hora, a missa termina na Igreja de São Sebastião. Os crentes juntam-se à multidão e rendem-se ao apelo profano da noite. Tão sagrado como inconveniente, o padre havia ordenado um encerramento explosivo da eucaristia. Os foguetes rebentam acima do templo, iluminam a sua torre pontiaguda e os sinos em não menos histérico repique. Em dueto, o ribombar da pólvora seca e o badalar do campanário infernizam a noite, sobretudo a vida do grupo coral que, com tanto ruído, canta pró boneco. No interior do teatro, ao invés, uma audiência endinheirada delicia-se, sem interferências, com uma ópera grandiosa.

Há muito que o Teatro Amazonas é o edifício amazonense dos edifícios. O mais importante símbolo civilizacional de todo o estado. E, no entanto, foi uma mera árvore da Amazónia – a Hevea brasiliensis – que o viabilizou e que, durante mais de um século, fez de Manaus uma improvável “Paris na Selva”.

No século XVIII, vários colonos e cientistas tinham já reparado em como os indígenas usavam a seiva solidificada dessa árvore para impermeabilizar calçado e vestuário, entre outros fins. As primeiras amostras chegaram a França e o seu uso europeu foi inaugurado em 1803, em suspensórios, elásticos de soutiens e outros. Mais tarde, a empresa americana Goodyear descobriu o processo de vulcanização e a borracha dotou os pneus de veículos que, a Ford não tardou a vender em massa.

Após a Cabanagem, a população de Manaus aumentara mas a selva densa e ensopada em redor, a inexistência de metais ou pedras preciosas e os 1600km a que se situava da foz do Amazonas e do litoral barravam o seu desenvolvimento. Até que, no fim do século XVIII, o culminar da Revolução Industrial na Europa e América do Norte reclamou mais e mais borracha, comodidade híper-valiosa exclusiva da Amazónia.

Investidores europeus e das Américas afluíram para a selva de que Manaus era o único entreposto digno desse nome. Instalaram-se na cidade ou em fazendas. Compraram vastas parcelas de selva que preencheram com plantações da árvore-da-borracha. Ávidos de mão-de-obra, forçaram os indígenas a assegurar a extracção. Em certas áreas, os nativos – pouco talhados à submissão e a tarefas repetitivas que não lhes faziam qualquer sentido – não resistiram à escravatura, à brutalidade e às doenças disseminadas pelos colonos. Morreram aos milhares. Indiferentes, os novos Barões da Borracha limitaram-se a empregar uma vaga de recém-chegados desejosos de se submeter aquelas provações.

Em 1877, uma terrível seca assolou o Nordeste Brasileiro, sobretudo o estado do Ceará. Muitos nordestinos migraram para a que sonhavam como “Terra da Fortuna”. Lá habitaram cabanas precárias nos arrabaldes da cidade e, entregues ao ilusório sufoco do latex, continuaram a enriquecer os barões. Manaus beneficiou por tabela. Foi promovida a capital borracheira do mundo, viu-se dotada de energia eléctrica e de tantos outros luxos, antes de muitas cidades europeias. O francês e os modos afrancesados eram a moda ostentatória da época. Quem não falasse francês ou se comportasse afim, sentia-se diminuído perante os co-cidadãos. Quando passeamos pelas ruas vetustas, cosmopolitas e sobrepovoadas de Manaus, a prova dessa velha francofonia surge, bem óbvia, na arquitectura e até nos nomes dos estabelecimentos de outros tempos. Entre outras, uma fachada de prédio de esquina, toda ela rendilhada, impinge-nos um belo e amarelo “Au Bon Marche”.

Sob o pseudónimo de Robin Furneaux, Frederick Robin Smith, um historiador britânico, descreveu a abundância deste período. “Nenhuma extravagância, por mais absurda, detinha os barões da borracha. Se um comprava um enorme iate, outro exibia leões amestrados na sua propriedade e um terceiro daria champagne aos seus cavalos.”

Enquanto somos guiados pelos recantos do teatro-ópera da Amazónia, percebemos melhor como se revelou o mais faustoso destes caprichos. Em plena Belle Époque, terá sido proposto em 1881, por António Fernandes Junior que teve a visão de uma joia cultural no coração da floresta amazónica e conseguiu a aprovação da Casa dos Representantes. O projecto foi levado a cabo por um gabinete de engenharia e arquitectura de Lisboa e a construção seguiu a cargo de um arquitecto italiano. A condizer, inaugurou-o La Gioconda, de Amilcare Ponchielli.

Chegado o ano de 1912, os barões “brasileiros” da borracha não puderam sequer assistir à maior das suas tragédias. Sem que ninguém soubesse, o explorador inglês Sir Henry Wickam, transpôs dezenas de milhares de pés da árvore-da-borracha para territórios britânicos com clima semelhante ao da Amazónia, menos isolados e com custos de produção, por comparação, reduzidos. O monopólio brasileiro depressa murchou.

Viciada na opulência, Manaus viu-se em declínio e abandonada por todos os que puderam partir. O teatro fechou para boa parte do século XX, à sombra do colapso da iluminação que, antes assegurada por geradores, passou a ser alimentada, à mão e candeeiro a candeeiro, por gordura dos famigerados manatins amazónicos. O casario resplandecente ficou entregue ao tempo e à humidade, o mesmo vapor clorofilino que nos faz suar a bom suar enquanto admiramos a deliciosa decadência da zona ribeirinha-portuária da cidade, a azáfama do Mercado Municipal Adolpho Lisboa (baptizado em honra de um dos mais estimados prefeitos de Manaus) e a frota garrida de navios que asseguram o transporte pelas artérias fluviais da Amazónia.

A 2ª Guerra Mundial – quando o Império Nipónico ocupou os principais territórios asiáticos produtores – despoletou um segundo boom da borracha que pouco mais durou que o conflito e não evitou o agravamento de um vazio demográfico da região amazónica.

Volvidos vinte anos, um governo brasileiro mais atento e obcecado pela modernização dos confins do país fez de Manaus uma zona franca com fortes estímulos financeiros, acessível por uma rede de novas estradas. Gerou assim, um fluxo de investimento que atraiu milhões de novos habitantes, como o investimento, nacionais e estrangeiros.

Manaus confirmou-se uma das urbes mais populosas da nação e um dos seus principais polos turísticos. Provou-se, até, suficientemente importante para acolher a sempre polémica e esbanjadora construção de um novo estádio de futebol e se assumir como uma das sedes do Mundial FIFA de 2014. Inúmeras indústrias substituíram a antes exclusiva exportação da borracha e, na actualidade, asseguram a expansão constante da cidade.

O teatro, esse, recuperou a sua aura, no início dos anos 80. Por essa altura, o realizador Werner Herzog recuperou-o no seu épico “Fitzcarraldo”. Hoje de culto, o filme abordava a história de Brian Sweeney Fitzgerald, um empreendedor e amante de ópera irlandês residente em Iquitos, quando também esta cidade peruana prosperava à conta da exportação de borracha. Mais romântico que empreendedor, Fitzgerald perseguiu um plano lunático de construir uma ópera à imagem da mais conceituadas da Europa numa zona de selva com acesso fluvial atroz, habitada por indígenas intratáveis.

Sem querermos desvendar o desfecho, dessa sua era proveitosa em diante, Iquitos evoluiu para a capital peruana da borracha e, mais tarde, da Amazónia Peruana. Ainda assim, hoje, abriga menos de 500.000 habitantes. O único teatro-ópera da Amazónia sul-americana é o de Manaus.

Passo da Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.

Curitiba, Brasil

A Vida Elevada de Curitiba

Não é só a altitude de quase 1000 metros a que a cidade se situa. Cosmopolita e multicultural, a capital paranaense tem uma qualidade de vida e rating de desenvolvimento humano que a tornam um caso à parte no Brasil.

Florianópolis, Brasil

O Legado Açoriano do Atlântico Sul

Durante o século XVIII, milhares de ilhéus portugueses perseguiram vidas melhores nos confins meridionais do Brasil. Nas povoações que fundaram, abundam os vestígios de afinidade com as origens.

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Ilhabela, Brasil

Depois do Horror, a Beleza

90% de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ihabela.

Ilhabela, Brasil

A Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das 10 melhores praias do Brasil.

Goiás Velho, Brasil

Uma Sequela Da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Barragem Itaipu, Brasil

A Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem a maior manada bubalina e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Cataratas Iguaçu, Brasil/Argentina

O Grande Splash

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.

Chapada Diamantina, Brasil

Bahia de Gema

Até ao final do séc. XIX, a Chapada Diamantina foi uma terra de prospecção e ambições desmedidas.Agora que os diamantes rareiam os forasteiros anseiam descobrir as suas mesetas e galerias subterrâneas

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Pela sombra
Arquitectura & Design

Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana

Na viragem para o século XXI, o bairro de Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.

Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.
Coração Budista do Myanmar
Cidades

Yangon, Myanmar

A Grande Capital Birmanesa (Delírios da Junta Militar à Parte)

Em 2005, o governo ditatorial do Myanmar inaugurou uma nova capital bizarra e quase deserta. A vida exótica e cosmopolita mantém-se intacta, em Yangon, a maior e mais fascinante cidade birmanesa.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Santuário sobre a floresta II
Cultura

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Via caribenha
Em Viagem

Overseas Highway, E.U.A. 

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.

Pequeno navegador
Étnico

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Comunismo Imperial
História

Hué, Vietname

A Herança Vermelha do Vietname Imperial

Sofreu as piores agruras da Guerra do Vietname e foi desprezada pelos vietcong devido ao passado feudal. As bandeiras nacional-comunistas esvoaçam sobre as suas muralhas mas Hué recupera o esplendor.

Pacífico celestial
Ilhas

Mo'orea, Polinésia Francesa

A Irmã que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

A meros 17km de Taiti, Mo’orea não conta com uma única cidade e abriga um décimo dos habitantes. Há muito que os taitianos veem o sol pôr-se e transformar a ilha ao lado numa silhueta enevoada para, horas depois, lhe devolver as cores e formas exuberantes. Para quem visita estas paragens longínquas do Pacífico, conhecer também Mo’orea é um privilégio a dobrar.

Verificação da correspondência
Inverno Branco

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Picos florestados
Natureza

Huang Shan, China

A Montanha dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Mini-snorkeling
Parques Naturais

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Doces crocantes
Património Mundial Unesco

São João de Acre, Israel

A Fortaleza que Resistiu a Tudo

Foi alvo frequente das Cruzadas e tomada e retomada vezes sem conta. Hoje, israelita, Acre é partilhada por árabes e judeus. Vive tempos bem mais pacíficos e estáveis que aqueles por que passou.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Conversa ao pôr-do-sol
Praia

White Beach, Filipinas

A Praia Asiática de Todos os Sonhos

Foi revelada por mochileiros ocidentais e pela equipa de filmagem de “Assim Nascem os Heróis”. Seguiram-se centenas de resorts e milhares de veraneantes orientais mais alvos que o areal de giz.

Preces ao fogo
Religião

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Febre vegetal
Sociedade

Little India, Singapura

Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.