PN Timanfaya, Lanzarote, Canárias

PN Timanfaya e as Montanhas de Fogo de Lanzarote


Vegetação Resilientes
Arbustos desenvolvem-se apesar da aridez do solo do PN Timanfaya.
Caldera del Corazoncillo
Uma de muitas dezenas de crateras e caldeiras que salpicam o sudoeste de Lanzarote do PN Timanfaya.
Echadero de los Camellos
Dromedários prontos para carregar visitantes no Echadero de los Camellos do PN Timanfaya.
Combustão Imediata
Arbusto entra em combustão em poucos segundos, devido à temperatura elevada abaixo do solo do Islote de Hilário.
O Pouso Preferido
Par de corvos domina o cimo da Montaña Rajada.
El Diablo e o ciclista
Ciclista faz uma pausa na volta à vista de "El Diablo" o símbolo do PN Timanfaya criado por César Manrique.
El Diablo
O símbolo "El Diablo" do PN Timanfaya, criado pelo artista de Lanzarote, César Manrique.
Meandros entre Lava
Meandros da estrada do PN Timanfaya, entre dois paredões de lava.
Fatah e os seus Dromedários
O marroquino Fatah, cuidador e condutor dos dromedários que transportam os visitantes do PN Timanfaya.
Géiser Provocado
Trabalhador do PN Timanfaya despeja um balde de água num tubo que liga ao subsólo e gera de imediato um géiser.
Lava Encordoada
Um sector de lava encordoada destaca-se da vastidão coberta de lava do PN Timanfaya.
Manto de la Virgen
Um dos vários hornitos do parque, chamado Manto de la Virgen pelos habitantes da zona.
A grande recta de Lava
Uma longa recta ondulada pela base de lava liga o casario de Yaiza e Uga à entrada do PN Timanfaya.
Grill do Restaurante El Diablo
Cozinheiro do restaurante El Diablo grelha comida sobre uma chaminé natural do Islote el Hilário.
Dromedários da Rotunda de Los Camellos
Estátuas de dromedários erguidas numa rotunda nas imediações de Yaiza, em homenagem a estes animais que há muito ajudam os habitantes de Lanzarote.
Vinhedos lávicos
Muros redondos delimitam áreas de plantação agora no interior do PN Timanfaya.
O Mar de Lavas
Um leito deixado pelo fluir da lava sulca a planície rugosa e repleta de crateras do Mar de Lavas.
Edifício Centro Islote de Hilário
O edifício concebido por César Manrique e que mal se consegue distinguir do Islote de Hilário.
O Mar de la Tranquilidad
As ondas geológicas do Mar de la Tranquilidad, alaranjado pela concentração de bagacina.
Velhas Crateras
Crateras colapsadas do Mar de Lavas.
Entre 1730 e 1736, do nada, dezenas de vulcões de Lanzarote entraram em sucessivas erupções. A quantidade massiva de lava que libertaram soterrou várias povoações e forçou quase metade dos habitantes a emigrar. O legado deste cataclismo é o cenário marciano actual do exuberante PN Timanfaya.

Tínhamos aterrado pela primeira vez em Lanzarote, dois dias antes. Não seria a última.

Quando nos aproximamos de Uga, a visão inesperada de uma colónia de dromedários destacada da rotunda que antecede a povoação surpreende-nos.

Percorremos toda a orla sul do casario branco da aldeia. Após o que nos vemos entre o de Uga e o da vizinha Yaiza.

Uma vez mais, ficamos à porta do pueblo. O rumo certo ditou-nos uma mudança drástica de direcção.

Daí, em diante, com as montanhas amareladas pelas costas, apontados ao norte de Lanzarote, entramos num vasto domínio de terra áspera e negra.

A recta por que nele nos embrenhamos ondula e sacode-nos consoante os caprichos do molde lávico em que assenta.

Uns poucos quilómetros depois, a crueza do panorama dantesco apoderava-se de tal maneira das nossas mentes que nelas já não cabia o espanto recente causado pelos camelos de pedra.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, rotunda de los Camellos

Estátuas de dromedários erguidas numa rotunda nas imediações de Yaiza, em homenagem a estes animais que há muito ajudam os habitantes de Lanzarote.

A História Secular dos Dromedários, os Tractores de Lanzarote

Os dromedários chegaram às Canárias com as primeiras incursões dos conquistadores e colonos do arquipélago ao continente africano, durante o século XV.

Confrontados com a falta de outros animais de tracção, os colonos importaram estes camelídeos, sobretudo do litoral oeste da velha Berbéria, hoje marroquino.

Diz-se que, com frequência, os animais eram rebocados em vez de trazidos a bordo. As embarcações em que era suposto serem transportados revelavam-se demasiado instáveis para suportarem o peso de dezenas de espécimes em constante movimento.

Tivessem sido camelos, dromedários ou ambos, os espécimes vivos que, às tantas, vislumbramos estacionados à esquerda da estrada desempenham, hoje, uma nova função: carregar os visitantes do PN Timanfaya sobre as suas bossas, numa curta volta entre as montanhas e crateras de fogo que dotam os mais de 50km2 do sudoeste da ilha.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Echadero de los Camellos

Dromedários prontos para carregar visitantes no Echadero de los Camellos do PN Timanfaya.

Encostamos junto ao echadero de los camellos. Asseguradas algumas fotos, ficamos à conversa com Fatah, o também condutor dos animais, dromedários diga-se de passagem. “Olhem, comecei por vir para cá trabalhar uns tempos e acabei por me mudar de vez de Marrocos.

O trabalho aqui era garantido. Mais tarde, pude trazer a família. Agora temos uma vida privilegiada.” conta-nos enquanto ajusta as correntes descaídas de um dromedário sonolento.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Fatah e os seus dromedários

O marroquino Fatah, cuidador e condutor dos dromedários que transportam os visitantes do PN Timanfaya.

Rumo ao Âmago Vulcânico do PN Timanfaya

Logo, retomamos o trajecto para a entrada do PN Timanfaya. Durante uns quilómetros adicionais, dunas e vertentes inclinadas de montes obstruem-nos a vista à esquerda da via.

Do outro lado, por contraste, a imensidão corrosiva de lava fazia resplandecer o avermelhado da primeira caldeira que distinguimos naquela enxurrada vulcânica, a Caldera del Coranzoncillo.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Caldera del Corazoncillo

Uma de muitas dezenas de crateras e caldeiras que salpicam o sudoeste de Lanzarote do PN Timanfaya.

Prosseguimos, até darmos de caras com El Diablo, a estátua-símbolo que César Manrique, o artista omnipresente em Lanzarote, criou como identidade do parque.

Nessa viagem inaugural a Lanzarote, submetemo-nos ao programa seguido pela grande maioria dos visitantes do PN Timanfaya.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, El Diablo

O símbolo “El Diablo” do PN Timanfaya, criado pelo artista de Lanzarote, César Manrique.

Avançamos até ao Islote de Hilário, já antes conhecido por Tinecheide (montanha do Inferno), o termo usado pelos nativos majos de Lanzarote, os mesmos autores de timanfaya (montanhas de fogo).

O Refúgio e Base Operacional do Islote de Hilário

Ditou a localização do Islote de Hilário que servisse de centro operacional do parque nacional, de seu parque de estacionamento, restaurante, loja de recordações e ponto de partida para as voltas regulares de autocarro por entre as ditas montanhas de fogo.

Pois, apesar de maravilhados com a exuberância geológica de Timanfaya, terminamos a volta como todo e qualquer fotógrafo se sentiria: frustrados.

Mesmo se a gentileza e compreensão do condutor nos permitiu umas fotos extra-programa, sempre que nos abria a porta do autocarro em lugares especiais.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, vinhedos sobre lava

Muros redondos delimitam áreas de plantação agora no interior do PN Timanfaya.

Um ano e pouco depois, regressamos a Lanzarote e ao PN Timanfaya. Desta feita, preparados.

Conseguimos pré-autorizar um trajecto de carro monitorizado por um fiscal do parque. Conduz-nos Eva Acero, uma guia galega radicada em Lanzarote.

Com Eva ao volante, pudemos deter o carro onde desejámos e fotografámos de janelas abertas, num itinerário mais abrangente que o do autocarro e que contemplou uma paragem no Miradouro da Montaña Rajada (350m).

Montaña Rajada e o Panorama Extraterrestre do Mar de Lavas.

Ali, mesmo alertados pela nossa aparição, dois corvos recusam-se a descolar do pouso de lava de que nos vigiam. Chegamos ao muro de pedra que separa o alto do miradouro da falésia rochosa logo abaixo e de uma das extensões vulcânicas quase inverosímeis do PN Timanfaya.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, duo de Corvos

Par de corvos domina o cimo da Montaña Rajada.

Tal como os corvos se tinham habituado a contemplar, desvendamos a planície rugosa do Mar de Lavas, esventrada por um sulco sinuoso aberto pelo fluir da lava em busca do Atlântico.

Alinhadas com este sulco, destacavam-se as crateras da Montaña Encantada, a de Pedro Perico e de Halcones. Mais para sul, víamos ainda a Maria Hernández.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Vista da montaña rajada, mar-de-lavas

Um leito deixado pelo fluir da lava sulca a planície rugosa e repleta de crateras do Mar de Lavas.

Este conjunto de crateras colapsadas sobre si formava um panorama que o fundo oceânico azulava de dramatismo. De tal maneira extraterrestre que nos ajudou a compreender o porquê de a NASA ter usado imagens de Timanfaya durante os treinos dos astronautas da Apollo 17, a 6ª e derradeira missão tripulada a alunar, em Dezembro de 1972.

Subjugamo-nos à autoridade do parque. Regressamos ao sopé da Montaña Rajada e ao trecho do Camiño Pista Rural Ruta de Los Volcanes habitualmente percorrido pelo autocarro.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, estradinha do parque

Meandros da estrada do PN Timanfaya, entre dois paredões de lava.

Em Circuito Entre as Montanhas de Fogo de Timanfaya

Serpenteamos a sul do conjunto das Montañas del Fuego, a certo ponto sobranceiro, com vista para a estrada que nos conduziu à entrada do parque e para a Caldera del Corazoncillo, agora, com uma boa metade do seu interior exposto.

Devagar, devagarinho apreciamos as formas gentis e os tons requentados das escórias e da bagacina alaranjada do El Valle de la Tranquilidad.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Mar de la Tranquilidad

As ondas geológicas do Mar de la Tranquilidad, alaranjado pela concentração de bagacina.

Detêm-nos hornitos, pequenos fornos de que se destaca o Manto negro e algo fantasmagórico de La Virgen. E as entradas misteriosas para distintos túneis de lava, tratados em Lanzarote por jameos.

Prestamos ainda atenção a uma outra das centenas de plantas que encontraram forma de se desenvolver no ecossistema de lava, que ajudaram a justificar a criação do parque e contribuem para o estatuto UNESCO de Lanzarote de Reserva da Biosfera.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, arbustos

Arbustos desenvolvem-se apesar da aridez do solo do PN Timanfaya.

Por fim, bastante tempo após o previsto, já sobre a hora de almoço, o fiscal do parque consegue que regressemos à base logística do Islote de Hilário.

O Refúgio Gastronómico do Restaurante “El Diablo”

Ficamos entregues a Eva Acero e ao acolhimento do restaurante “El Diablo”, o coração gastronómico do PN Timanfaya, também ele concebido por César Manrique e pelo seu colaborador de longa data Jesús Soto.

Reparamos em vários pormenores da arquitectura e da decoração do estabelecimento, característicos da criatividade de Manrique, filho de Lanzarote para quem o respeito ambiental e pela Natureza única da ilha sempre conduziu o seu trabalho: o edifício que integrava o restaurante que, ao longe, mal se distinguia da plataforma de rocha em que assenta.

Os candeeiros em forma de frigideira. A grelha instalada sobre uma chaminé vulcânica que traz à superfície o calor geotérmico libertado pelo magma e, assim, permite cozinhar as especialidades da casa.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Grill do Restaurante El Diablo

Cozinheiro do restaurante El Diablo grelha comida sobre uma chaminé natural do Islote el Hilário.

E, claro está, o entorno de janela panorâmica de 360º que, nos permitia e aos restantes convivas devorarem os cenários enquanto saboreavam a refeição.

Comemos especialidades canárias. Seguidas de sobremesas fiéis ao fio vulcânico que nos orientava, uma delas um “volcán” de chocolate com recheio de Peta Zetas que nos explode na boca.

O Calor Geotérmico Logo Abaixo do Islote del Hilário

De regresso ao exterior, um ano e tal depois, voltamos a assistir ao mini-espectáculo ali repetido até à exaustão por funcionários do parque.

Um geiser provocado após despejarem água por uma abertura mesmo à frente da janela do restaurante. E a entrada em combustão de um arbusto colocado num buraco murado, a uns poucos metros do “géiser”.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, géiser provocado

Trabalhador do PN Timanfaya despeja um balde de água num tubo que liga ao subsólo e gera de imediato um géiser.

O fogo quase instantâneo só espanta os espectadores até que são informados das temperaturas registadas um pouco abaixo, 610ºC a meros 13 metros de profundidade.

Numa outra medição, a temperatura incrível de 277ºC a apenas 10cm abaixo do solo.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, combustão no Islote del Hilário

Arbusto entra em combustão em poucos segundos, devido à temperatura elevada abaixo do solo do Islote de Hilário.

Esta fornalha subterrânea impressiona, até porque subsiste em períodos de inactividade vulcânica. Mas, se comparada com o longo inferno na génese dos cenários do PN Timanfaya, não passa de um nada térmico.

1730 – 36 e o Cataclismo Vulcânico que Gerou o Domínio Extraterrestre do PN Timanfaya

Recuemos a Setembro de 1730. Lanzarote contava com três séculos de colonização europeia e uma população distribuída por diversas povoações.

Nessa altura, a resistência dos indígenas majos tinha sido há muito reprimida e a vida autónoma dos nativos quase erradicada. A principal preocupação dos colonos mantinha-se os ataques dos piratas berberes e dos corsários ao serviço da coroa britânica, caso de Sir Walter Raleigh.

Assim foi até que, como narrou o padre Lorenzo Curbelo, “no dia 1 de Setembro de 1730, entre as nove e as dez da noite, a terra se abriu em Timanfaya, a duas léguas de Yaiza…e uma enorme montanha se elevou do seio da terra.”

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote

Crateras colapsadas do Mar de Lavas.

Daí em diante e por seis anos, as erupções sucederam-se em distintas crateras do sudoeste da ilha, no que se confirmou um cataclismo vulcânico ímpar.

Calcula-se que cerca de dois mil milhões de metros cúbicos de lava e cinza tenham sido lançadas sobre o que antes eram terra arável e povoações, parte de torrentes que entraram pelo Atlântico e fizeram que Lanzarote se estendesse para sul e sudoeste.

Não se registaram vítimas humanas mas boa parte do gado pereceu vítima dos gases tóxicos. Com o tempo, quase metade dos habitantes da ilha viram-se forçados a partir. Lanzarote tornou-se mais inóspita do que já era.

A ilha recuperou. Já não as povoações soterradas, pelo menos o seu número de habitantes, nas últimas décadas, graças à intensificação do turismo em função da sua paisagem vulcânica e humanizada recém-formada.

PN Timanfaya, Montanhas de Fogo, Lanzarote, Lava Encordoada, estrada entre Yaiza e a entrada do Parque

Uma longa recta ondulada pela base de lava liga o casario de Yaiza e Uga à entrada do PN Timanfaya.

Ao fim do dia, de saída do parque, no regresso ao alojamento na costa leste, passamos por alguns dos mais recentes moradores.

Passada a entrada de Yaiza, antes de chegarmos à rotunda de los Camellos,

Fatah conduzia uma longa caravana dos seus dromedários, a caminho da granja em que passavam as noites enegrecidas pelo solo de lava de Lanzarote.

Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Ilha do Fogo, Cabo Verde

À Volta do Fogo

Ditaram o tempo e as leis da geomorfologia que a ilha-vulcão do Fogo se arredondasse como nenhuma outra em Cabo Verde. À descoberta deste arquipélago exuberante da Macaronésia, circundamo-la contra os ponteiros do relógio. Deslumbramo-nos no mesmo sentido.
Pico do Arieiro - Pico Ruivo, Madeira, Portugal

Pico Arieiro ao Pico Ruivo, Acima de um Mar de Nuvens

A jornada começa com uma aurora resplandecente aos 1818 m, bem acima do mar de nuvens que aconchega o Atlântico. Segue-se uma caminhada sinuosa e aos altos e baixos que termina sobre o ápice insular exuberante do Pico Ruivo, a 1861 metros.
Lanzarote, Ilhas Canárias

A César Manrique o que é de César Manrique

Só por si, Lanzarote seria sempre uma Canária à parte mas é quase impossível explorá-la sem descobrir o génio irrequieto e activista de um dos seus filhos pródigos. César Manrique faleceu há quase trinta anos. A obra prolífica que legou resplandece sobre a lava da ilha vulcânica que o viu nascer.
Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha

A (a) Ventura Atlântica de Fuerteventura

Os romanos conheciam as Canárias como as ilhas afortunadas. Fuerteventura, preserva vários dos atributos de então. As suas praias perfeitas para o windsurf e o kite-surf ou só para banhos justificam sucessivas “invasões” dos povos do norte ávidos de sol. No interior vulcânico e rugoso resiste o bastião das culturas indígenas e coloniais da ilha. Começamos a desvendá-la pelo seu longilíneo sul.
El Hierro, Canárias

A Orla Vulcânica das Canárias e do Velho Mundo

Até Colombo ter chegado às Américas, El Hierro era vista como o limiar do mundo conhecido e, durante algum tempo, o Meridiano que o delimitava. Meio milénio depois, a derradeira ilha ocidental das Canárias fervilha de um vulcanismo exuberante.
La Graciosa, Ilhas Canárias

A Mais Graciosa das Ilhas Canárias

Até 2018, a menor das Canárias habitadas não contava para o arquipélago. Desembarcados em La Graciosa, desvendamos o encanto insular da agora oitava ilha.

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Vulcão dos Capelinhos, Faial, Açores

Na Pista do Mistério dos Capelinhos

De uma costa da ilha à opostoa, pelas névoas, retalhos de pasto e florestas típicos dos Açores, desvendamos o Faial e o Mistério do seu mais imprevisível vulcão.
Nea Kameni, Santorini, Grécia

O Cerne Vulcânico de Santorini

Tinham decorrido cerca de três milénios desde a erupção minóica que desintegrou a maior ilha-vulcão do Egeu. Os habitantes do cimo das falésias observaram terra emergir no centro da caldeira inundada. Nascia Nea Kameni, o coração fumegante de Santorini.
Saint-Pierre, Martinica

A Cidade que Renasceu das Cinzas

Em 1900, a capital económica das Antilhas era invejada pela sua sofisticação parisiense, até que o vulcão Pelée a carbonizou e soterrou. Passado mais de um século, Saint-Pierre ainda se regenera.
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Era Susi rebocado por cão, Oulanka, Finlandia
Aventura
PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de cães de trenó do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas da Finlândia mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf.
bebe entre reis, cavalhadas de pirenopolis, cruzadas, brasil
Cerimónias e Festividades
Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.
Nacionalismo Colorido
Cidades
Cartagena de Índias, Colômbia

A Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
ocupação Tibete pela China, Tecto do Mundo, As forças ocupantes
Cultura
Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Alasca, de Homer em Busca de Whittier
Em Viagem
Homer a Whittier, Alasca

Em Busca da Furtiva Whittier

Deixamos Homer, à procura de Whittier, um refúgio erguido na 2ª Guerra Mundial e que abriga duzentas e poucas pessoas, quase todas num único edifício.
Assuão, Egipto, rio Nilo encontra a África negra, ilha Elefantina
Étnico
Assuão, Egipto

Onde O Nilo Acolhe a África Negra

1200km para montante do seu delta, o Nilo deixa de ser navegável. A última das grandes cidades egípcias marca a fusão entre o território árabe e o núbio. Desde que nasce no lago Vitória, o rio dá vida a inúmeros povos africanos de tez escura.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Castelo de Shuri em Naha, Okinawa o Império do Sol, Japão
História
Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.
Sol e coqueiros, São Nicolau, Cabo Verde
Ilhas
São Nicolau, Cabo Verde

São Nicolau: Romaria à Terra di Sodade

Partidas forçadas como as que inspiraram a famosa morna “Sodade” deixaram bem vincada a dor de ter que deixar as ilhas de Cabo Verde. À descoberta de Saninclau, entre o encanto e o deslumbre, perseguimos a génese da canção e da melancolia.
Auroras Boreais, Laponia, Rovaniemi, Finlandia, Raposa de Fogo
Inverno Branco
Lapónia, Finlândia

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.
silhueta e poema, cora coralina, goias velho, brasil
Literatura
Goiás Velho, Brasil

Vida e Obra de uma Escritora à Margem

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro
bandeira argentina no lago-glaciar perito moreno-argentina
Natureza
Perito Moreno, Argentina

O Glaciar Que Resiste

O aquecimento é supostamente global mas não chega a todo o lado. Na Patagónia, alguns rios de gelo resistem.De tempos a tempos, o avanço do Perito Moreno provoca derrocadas que fazem parar a Argentina
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Jovens percorrem a rua principal de Chame, Nepal
Parques Naturais
Circuito Annapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Património Mundial UNESCO
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Verificação da correspondência
Personagens
Rovaniemi, Finlândia

Da Lapónia Finlandesa ao Árctico, Visita à Terra do Pai Natal

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar.
Dunas da ilha de Bazaruto, Moçambique
Praias
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Jerusalém deus, Israel, cidade dourada
Religião
Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
Ponte u bein, Amarapura, Myanmar
Sociedade
Ponte u-BeinMyanmar

O Crepúsculo da Ponte da Vida

Com 1.2 km, a ponte de madeira mais antiga e mais longa do mundo permite aos birmaneses de Amarapura viver o lago Taungthaman. Mas 160 anos após a sua construção, U Bein está no seu crepúsculo.
Visitantes nas ruínas de Talisay, ilha de Negros, Filipinas
Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Barco e timoneiro, Cayo Los Pájaros, Los Haitises, República Dominicana
Vida Selvagem
Península de Samaná, PN Los Haitises, República Dominicana

Da Península de Samaná aos Haitises Dominicanos

No recanto nordeste da República Dominicana, onde a natureza caribenha ainda triunfa, enfrentamos um Atlântico bem mais vigoroso que o esperado nestas paragens. Lá cavalgamos em regime comunitário até à famosa cascata Limón, cruzamos a baía de Samaná e nos embrenhamos na “terra das montanhas” remota e exuberante que a encerra.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.